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Trazer a África para o Brasil

História de: Otunba Adekunle Aderonmu
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 28/08/2009

Sinopse

Em sua entrevista, Otunba explica suas raízes nobres da Nigéria e fala sobre como é ser um príncipe em sua região. Em seguida, conta a história de sua formação em Bioquímica e seu alistamento no exército nigeriano, que lhe abriu portas para trabalhar em hospitais e conhecer a USP, que lhe concedeu uma bolsa de mestrado em 1992. Adiante, fala de sua adaptação no Brasil e o sentimento de necessidade de trazer um pouco da África para cá, ensinando sua cultura e sua língua para os brasileiros, povo afrodescendente - por isso, Otunba cria o Centro Cultural Africano em 1999. Seu depoimento termina com a história de seu casamento e seus sonhos para o futuro.

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História completa

Yorubá fez grande parte da Nigéria, que, aliás, você pode ver a Nigéria como um país que multi-linguagem, que você pode ver três línguas principais: que é o Yorubá, que é o povo do Oeste, Oeste-sul, e Ibo, povo do Leste da Nigéria, e Alsa, povo do Norte da Nigéria. As três línguas são as principais do povo da Nigéria. O pessoal fala mais de 250 etnias, lá. Existem 250 etnias, porque eles têm dialetos, mas os principais dessas linguagens são os três, só. Mas por exemplo, vou falar do Yorubá, por exemplo. Aqui no Brasil eu descobri que o Yorubá fez muito grande influência aqui no Brasil, que nossos ancestrais foram levado algumas partes de lá, por questão desta parte do Yorubá. Se você pelo mapa, você vai ver que o Brasil pelas águas para na Nigéria, é somente o Atlântico que dividiu os dois. Se você pelo mapa. Então quando foi levado o escravo, ele levava o escravo bem do lado do lago, como, por exemplo, o navio chegou a Santos, pegou o povo de Santos, São Paulo, que é mais fácil. Justamente isso aconteceu. nosso povo, nossos ancestrais, de Yorubá, tem mais público aqui no Brasil; inclusive se a maneira como a gente se veste, até hoje, e alguma linguagem de Yorubá existe aqui. Quando você fala babá, que é pai, na realidade, são palavras Yorubá. O acarajé, por exemplo, é uma coisa: acará, na realidade é o nome da comida, é comer. Então, na época, o escravo que vem do Yorubá, que chega em Salvador, na primeira época que foi levado o escravo, nosso costume é fazer um anúncio pessoal, e você colocar as coisas na cabeça e você anuncia que você está vendendo. Por exemplo:Eu acarajé, ohhhh, quer dizer, vem comprar acará pra comer. E hoje em dia a pessoa chama acarajé, mas na realidade, ele está anunciando para que o pessoal vem para comprar acará para comer. Então, aquele é para comer, num é que ele faz parte da palavra da comida.

 

Então, existem várias palavras que faz parte do cotidiano dos brasileiros que é nossa língua: Ilê, Ilê Axé, Ilê Oxum. Então existem vários lugares que você vai ver aqui no Brasil uma mania do chapéu que eles colocam, a cor, ou maneira de vestir, maneira de dançar; você vê que aquele sangue ainda continua no meio dos brasileiros. O sangue quente, a forma de dançar, você vê que fez grande parte do brasileiro. Então, não tem como você falar do Brasil hoje tirando a África fora, porque de uma forma ou outra, o afro-brasileiro, negro mesmo, ele tem muito, praticamente 50% da população. E isso me instiga, acho importante ter alguma coisa que nós próprios africanos possamos falar mais um pouquinho sobre afro-brasileiro, para conhecer mais sobre suas raízes, para que ele não seja uma pessoa sem raiz. Às vezes alguma pessoa fala: “Eu sou italiano”, ele sente o povo; outro fala que a sua descendência é de espanhol, e ele se sente bem. Está mostrando a raiz, onde os pais dele estão. Então, independente da riqueza, ou se é pobre. Nós achamos que a pessoa que vem da África também precisa conhecer e, independente da África ser um lugar muito simples, que não é rico. Aliás, não são todos que não são ricos. Existem vários lugares na África que é muito rica, mas se a pessoa não mostrou ninguém vai saber. Se nós próprios, africanos, não mostramos como que é a África, é difícil o brasileiro saber que tem prédio lá, que tem viaduto lá, que a miséria. Por exemplo, é o quinto produtor de petróleo do mundo. Se não fala ninguém sabe. E isso é realidade. Então, na hora que você começar a associar uma coisa junto com outra, se torna mais coisa que se tem mais orgulho. Mas ele precisa saber. Para que ele tenha orgulho daquele lugar, que ele fez parte, porque se ninguém fala, ninguém vai saber. Ele vai pensar que é um lugar simples, ninguém gosta de ficar relacionando uma coisa pobre, essa é a realidade – questão social. 

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