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História

Transformando vidas através da educação

História de: Marina Correia Camargo Ribas dos Santos
Autor: Thais Montanari
Publicado em: 24/02/2021

Sinopse

Infância na cidade de Itaoca, no interior do estado de São Paulo. Formação como professora e posteriormente, na faculdade de Letras. Paixão pelo ensino e pelo processo de aprendizagem dos alunos. Casamento. Dedicação à família, aos filhos e à comunidade. Reflexão sobre a vida.

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História completa

Projeto: Camargo Correia

Entrevistada por: Fernanda Prado

Depoimento de: Marina Correia Camargo Ribas dos Santos

Local: Itaoca

Data: 18 de abril de 2011

Realização: Instituto Museu da Pessoa

Código: CC_HV022

Transcrito por: Ana Carolina Ruiz

Revisado por: Isabela Rangel Fraga Burgo

 

P/1 – Marina, bom dia. 

 

R – Bom dia.

 

P/1 – Queria pedir pra você, para a gente começar, falar seu nome completo, o local e a data do seu nascimento.

 

R – Marina Correia Camargo Ribas dos Santos. Nasci em Apiaí, em 30 de abril de 1963.

 

P/1 – Certo. Marina, qual é o nome dos seus pais?

 

R – Minha mãe é Áurea Correia Camargo e meu pai João Camargo Filho.

 

P/1 – E você sabe como eles se conheceram?

 

R – É questão religiosa. Havia a Igreja, as famílias eram evangélicas e se deu o conhecimento nesses encontros de atividades religiosas. Foi por aí.

 

P/1 – E eles são daqui da região?

 

R – São da região de Apiaí.

 

P/1 – Você sabe a origem da família deles? 

 

R – Meu pai tem descendência de, pelo lado paterno, português e materno, indígena. E a minha mãe, italiana.

 

P/1 – Você tem irmãos?

 

R – Eu tenho um irmão, que hoje atua na Secretaria da Saúde, seu nome é João Camargo Neto, chamado de Neto.

 

P/1 – Ele é mais velho ou mais novo?

 

R – Mais novo.

 

P/1 – E conta para a gente como era a sua casa na infância, onde é que...

 

R – Bom, fui morar em Itaoca, hoje é município, na época era distrito de Apiaí, eu tinha um ano. Meu pai adquiriu uma propriedade aqui na zona rural, uma fazenda, e me criei lá, chama-se bairro fazenda hoje. E a minha infância foi ali, subindo em árvore, andando à cavalo, ajudando na lavoura, colhendo pimentas, ajudando a tirar leite, tocando bezerro, vaca. Minha infância foi totalmente no sítio, numa fazenda, com tudo natural. Não havia energia elétrica, era lampião.

 

P/1 – E vocês morando em um sítio, qual era então a atividade de seus pais?

 

R – Agropecuária.

 

P/1 – E vocês vendiam...

 

R – Leite.

 

P/1 – Leite.

 

R – Leite in natura e produção de feijão, milho, mandioca e arroz. Tanto para subsistência quanto para venda. Na época havia uma produção boa.

 

P/1 – E você falou para a gente que era sem luz. Como era a casa, a atividade de vocês, o cotidiano de você menina, pequena?

 

R – A casa era normal. Quando nós viemos pra cá, ainda era criança, era uma casa em madeira, né? Depois foi construída uma em alvenaria e é a que existe até hoje. E atividades normais: dormir cedo; levantar de madrugada; acordar cedo pra tirar o leite e encaminhá-lo pra cidade; fazer queijo; tratar das galinhas, dos porcos.

 

P/1 – Qual era uma dessas atividades de casa em que você ajudava que você mais gostava de fazer?

 

R – Bom, sempre ajudava no dever de casa. Como toda mulher, é de praxe a menina ajudar, lavar a louça e a roupa e ajudar a cuidar do meu irmão. Quando eu tinha uns seis anos meu irmão nasceu. Ajudar a atender o neném, mas eu gostava mesmo era de estar com meu pai nas atividades dele. Quando levava um gado, mudava de algum lugar, algum pasto, ir à frente chamando à cavalo. Abrir as porteiras. Então, a atividade que eu mais gostava era isso. Ir para a roça, limpar o feijão, colher um arroz. Então, a atividade era colher mandioca, arrancar uma mandioca, levar comida pra roça, para os camaradas que estavam trabalhando. Eu gostava mais de atividades mesmo... não as de casa, mas fazia a de casa por necessidade, por obrigação. Mas, gostava mais do trabalho no campo com meu pai.

 

P/1 – Marina, sobrava tempo para brincar?

 

R – Sobrava. Tinham as vizinhas, minhas amigas, e a gente brincava de cozinha, de fazer comidinha, escola, pintura. Nas noites de luar, nós brincávamos. Havia algumas brincadeiras na época: esconde-esconde, bate-lata. Então, quando era luar ficávamos até tarde brincando. Outra coisa que a gente gostava muito era ir para o meio da mata achar umas determinadas frutas, como maracujá, coquinho, castanha, fazer cocadinha. Essas eram as atividades que eu e minhas amiga fazíamos.

 

P/1 – E não tinha medo de bicho?

 

R – Não. Pescar também, adorava ir ao rio pescar e chorava se não conseguia pescar a quantia que o colega pescava. Não tinha medo de bicho não. Nossa!

 

P/1 – E você tinha ideia de alguma coisa, de alguma profissão, quando você era menina? “Quando eu crescer eu vou querer ser...”.

 

R – Sempre admirei professor. Minhas professoras sempre foram uma referência, achava bonito. Tenho uma tia, irmã da minha mãe, hoje aposentada, que era professora, então, eu achava assim, uma postura...As minhas professoras sempre foram uma referência pra mim em questão de profissão.

 

P/1 – E você falando agora das suas professoras, qual é a sua primeira lembrança da escola? Como você começou a estudar, você se lembra?

 

R – Meus primeiros dias de aula aconteceram na sala da casa dos meus pais, porque como morávamos na zona rural, em fazenda, não tinha escola e lá era distrito de Apiaí. Então, o investimento na educação já não era como hoje. Meu pai, preocupado comigo e com a minha formação, buscou um jeito de eu ir à aula... Que houvesse a escola por conta, que ele me deixar ir. Na época, todo o bairro estudava aqui nessa escola. Quer dizer, nessa antes, não como está hoje. Estudava nessa escola aqui em Itaoca. Então tinha que ir a pé, são quatro quilômetros daqui até lá. Então, todas as crianças dos bairros, para estudar, tinham que se deslocar à pé, trazer suas merendas, enfrentar boi na estrada, animais, para estudar e voltar. Então, meu pai preocupado que eu viesse e me deslocasse a pé sozinha com os amigos, propôs para o município de Apiaí que os governantes da época abrissem uma escola lá. Como não havia espaço, foi na própria sala da minha casa, que é até hoje a casa dos meus pais. Praticamente um ano aconteceu ali. Mas, devido ao trabalho e a movimentação, ele achou melhor encontrar outro local. Havia uma casinha de sapê e a gente passou a estudar lá. Ficamos mais alguns meses lá, alguns anos, até que ele comprou um lote, um terreno e o município de Apiaí construiu um prédio, uma sala de aula com cozinha para a professora poder trabalhar lá. Então, meu pai, preocupado com a minha educação, proporcionou a melhoria para todos moradores do bairro. E aconteceu ali, onde eu estudei até a terceira série, na época terceiro ano, e fui pra Apiaí morar com meus avós para estudar. Lá, terminei o magistério e fui fazer faculdade.

 

P/1 – Então, um pouco antes de falarmos de todo esse processo, eu queria saber como era pra você estudar na sala da sua casa, como era o grupo de alunos, se era uma série só ou se havia gente de várias idades. Como funcionava esse começo?

 

R – Na época, era uma série só, porque era o primeiro ano, estava iniciando, então era uma única série. Foram, eu não me lembro quantos alunos, acho que uma média de dez crianças, todos na mesma série.

 

P/1 – E mais ou menos da mesma idade.

 

R – Existiam mais velhos que eu, que não tinham tido oportunidade e como foi ali, começaram essa escolaridade.

 

P/1 – E como era? Como vocês arranjavam a sala? Quem era a professora que vinha?

 

R – A professora se chama Laura, mora em Apiaí hoje, mas morava aqui na época. Era esposa do farmacêutico, que na época tinha uma farmácia e era praticamente o médico da cidade. E foi ela quem trabalhou com a gente no primeiro ano. Foram disponibilizadas carteiras e realmente foi feito fechado, específico pra sala de aula mesmo, com doze.

 

P/1 – E como era pra você estar dentro da sua casa? Eles ajeitavam o espaço para a aula ou já ficava daquele jeito quando todo mundo saía e continuava aquele espaço? 

 

R – Continuava o espaço da aula. Não era utilizado como sala normal, era só pra dar aula.

 

P/1 – E o que você sentia de estar ali na sua casa?

 

R – Adorava, porque eu estava aprendendo a ler e escrever. Então, meu sonho era estar em uma escola. Embora estivesse na idade normal de escola, sempre andei com lápis e caderno, sempre fui aplicada. Adorava. Nossa. Muito bom! A lembrança é muito boa. Acho que é por isso que eu gosto, é algo que eu faço na educação, é por paixão, por amor mesmo. E a gente sempre percebe que se tem sucesso no que se faz com amor. Acho que é por aí.

 

P/1 – Falando agora desse processo de alfabetização, como foi pra você começar a ver as letras, você se lembra de como foi esse processo?

 

R – O sistema tradicional. Na época, era controle motor, um caderninho, até a pouco tempo ainda tinha ou devo ter com todas as comandas lá. Controle motor, entre as linhas, depois passava a cartilha Caminho suave, foi por esse método que a gente foi alfabetizado.

 

P/1 – E você chegou a sentir alguma diferença quando mudou a escola da sua casa para o prédio? .

 

R – Foi melhor, porque era específico... No primeiro momento não, porque nós ainda passamos para uma casa. Era uma casa de sapê, como eu te falei, bem rude. Esse foi o meu segundo ano, o primeiro ano foi na sala da minha casa. A professora era a Lurdinha, Maria de Lurdes, que também mora em Apiaí hoje, era daqui, família daqui. É irmã da primeira dama atual, inclusive. Ainda era uma casa, com toda precariedade, mas destinada como sala de aula. Depois, quando foi construída a escola, aí era um sonho, era um prédio, embora tenha sido uma sala, uma cozinha e um banheiro, mas, era uma escola com mais aparência. E é a que está até hoje, que vamos fazer o próximo mutirão e se Deus quiser, essa escola será contemplada no próximo mutirão. Na próxima reforma, vamos conseguir parceria para fazer lá.

 

P/1 – E você falou que foi continuar seus estudos em Apiaí, como foi pra você essa mudança?

 

R – Nossa, parecia que estava morando em São Paulo. Quando eu saí daqui e fui pra Apiaí, na casa dos meus avós... Na época, Apiaí também tinha poucos carros, mas, pra mim era um movimento danado, porque aqui era só animal, quase não havia carro, não tinha movimento, era totalmente tranquilo. Estranhei bastante nos primeiros momentos, nos primeiros meses, embora estivesse com todo conforto, com os avós, os tios e primos, mas, foi bastante diferente. E a minha avó era bastante enérgica... Mas, me dei muito bem, graças à Deus tive essa oportunidade. Eu saí, continuei meus estudos e muitos colegas pararam no terceiro ano. Algumas depois de casadas, depois de bem mais velhas, foram para a cidade e continuaram o estudo, mas foram poucas. Na época, foi só eu que consegui continuar, ter uma formação, até superior. Hoje, tenho amigas de infância que também, mas depois de muita idade. Quando saíram para trabalhar, foram para Sorocaba, São Paulo, daí continuaram, com muita dificuldade.

 

P/1 – E Marina, como era a casa dos seus avós, a movimentação, quem morava com vocês?

 

R – Então, eu havia perdido meu avô recentemente, então, morava com a minha avó, minha tia e meu tio também. Mas, a minha avó é uma pessoa muito acolhedora, então visita era o dia todo, mas era muito bom. Tinha horário pra tudo, era tudo certinho, dormir cedo... Para mim até a televisão era novidade, porque aqui no sítio a gente não tinha, não tínhamos energia, era lampião. Depois, passou de lampião à querosene, depois meu pai colocou energia à gás. Tinham as lamparinas à gás, mas a gente não tinha televisão. Após muito tempo, veio a televisão.Meu pai conseguiu colocar movida à bateria de carro. Quando tinha o pessoal, os funcionários, todo mundo ficava assistindo, era aquela televisão com imagem super ruim, mas todo mundo ficava ali.

 

P/1 – E como era a escola de Apiaí?

 

R – Chamava-se Gonçalves Dias. Hoje, Diretoria de Ensino da Região. Nossa, muito boa. Tinha o senhor Zé, um inspetor de aluno, que usava aquele sino pra dar o sinal de intervalo. Existe uma escadaria, a gente descia, às vezes, fazendo arte, escorregando no corrimão. Mas, foi muito bom, tive lá minha professora Cacilda, que também mora em Apiaí hoje e está aposentada há muito tempo.

 

P/1 – E como você fazia para ir à escola? Era de manhã...

 

R – De manhã, morava com a minha avó, bem próximo da escola. Para a minha avó, super-rígida, tinha que sair cinco minutos antes de dar o sinal para estar lá no horário. E quando dava o horário pra casa, se passasse um tempinho ela já queria saber por que eu tinha me atrasado. Então, tinha horário pra chegar e pra sair.

 

P/1 – E à tarde fazia lição, como era o seu cotidiano?

 

R – Chegava, almoçava, arrumava a cozinha, ajudava nos deveres da casa, daí, ia fazer as lições, às vezes, trabalho com os colegas. Sempre encontrava com os colegas para fazer os trabalhos.

 

P/1 – E tinha alguma matéria que você gostava mais, que você se identificava mais?

 

R – Eu sempre gostei da área de humanas, Língua Portuguesa, assim. Exatas eu não era muito chegada. Fazia, me dava bem, mas não era muito chegada. O que eu não gosto muito na parte de humanas é Geografia, eu não me identificava não.

 

P/1 – O que mais você fazia? Dia de semana tinha esse cotidiano de ir à escola e tal. E nos finais de semana, você vinha visitar seus pais?

 

R – No sábado eu ajudava nos deveres da casa e no domingo ia à Igreja, religiosamente, na escola dominical e depois à noite, no culto da noite. Como eu falei, sempre fui evangélica na presbiteriana. À tarde sempre tinha alguma atividade com os jovens na igreja, eu participava, isso no domingo. Servir ao Senhor mesmo no domingo.

 

P/1 – Tinha alguma coisa que você gostava de fazer de lazer, de passeio?

 

R – Esses encontros com os jovens da Igreja eram muito bons. E às tardes de domingo, às vezes, nos uníamos e visitávamos orfanato, asilo, outra instituição religiosa, outra Igreja. Havia época em que gente fazia acampamento, sempre envolvido com a equipe da Igreja mesmo, com o pessoal. Minhas amizades sempre eram da Igreja. Também gostava de sair com meus tios. Eu tinha uma tia casada recentemente e a gente saía aos domingos, passeava de carro, conhecia os bairros, isso aí.

 

P/1 – Marina, você falou que estudou nas escolas de Apiaí até o magistério. Como foi a decisão de fazer o magistério, de já ir enveredando nessa essa área?

 

R – É como falei, professor sempre foi o meu foco, a minha referência, admirava o trabalho deles.. sempre observava isso. Na época, existia o magistério e o colegial, que eles falavam que era o ensino médio, hoje é o ensino médio, pra poder dar margem para fazer a universidade. Aí eu optei pelo magistério, porque já saía com uma profissão e também por paixão mesmo, porque eu gostava. Mas, lembro que tinha uma professora muito boa de didática e eu admirava muito o trabalho dela. Quando chegou a época de estágio, que você tem que fazer nas salas, nossa, eu adorava aquilo ali. Levava, quando dependendo, todo material que você imagina pra fazer uma aula diferente, me sentia a professora, mesmo fazendo estágio, era muito bom.

 

P/1 – E você se lembra desse seu primeiro contato com a sala de aula? 

 

R – Então, no estágio eu me lembro. A primeira aula foi de plantas, parte de Ciências. Foi uma terceira ou quarta série em que eu fui fazer um estágio e a professora de estágio ficava no fundo da sala observando todo o trabalho, a didática, a sequência. Eu sei que eu levei uma sacolada com tudo que você imagina para apresentar a aula, para fazer a aula acontecer. Foi muito bom e tive uma nota boa. Fui encaixando o que eu gostava, o que eu admirava com a prática… e gosto até hoje. Gosto da sala de aula, gosto de toda parte que está envolvida na educação, eu batalho para aquilo.

 

P/1 – E qual é a importância do professor na sala de aula?

 

R – A importância do professor na sala de aula? É uma peça fundamental. O professor não é só transmissor do conhecimento, como também um educador. O professor, na verdade, é a referência para um aluno. Porque o professor na sala de aula observa aluno por aluno, assim como você conhece seus filhos, você conhece os alunos. Então, você percebe quando não tá legal, se tá com problema em casa. Assim como o aluno o conhece, sabe o dia que você não está legal, que o professor não está bem, você conhece um a um. É a hora que você direciona, que você pode ajudar. Então, ele não é só um transmissor de conhecimento. É lógico, o conhecimento é fundamental, o professor tem que ter um conhecimento pra poder levar ao aluno, mas, ele é uma referência em todos os sentidos, ética, moral. Pelo menos, na nossa realidade aqui o professor é tudo para um aluno, porque, às vezes, o aluno não tem a atenção, não tem os cuidados em casa, na família. Então, quem vai ajudar é o professor. Ele não é só um professor, é um educador. Formador de opinião.

 

P/1 – Marina, você contou do magistério e um pouquinho do estágio, como foi a sequência de terminar o magistério, o que você foi fazer? Você foi trabalhar ou já seguiu para uma faculdade?

 

R – Eu saí do magistério e já fui pra faculdade, mas, eu associava o trabalho, a oportunidade de aula. Na época, logo que eu terminei o magistério surgiu a oportunidade de trabalhar, na época era recuperação de férias. Então, os alunos que não tinham tido avanços ficavam para as férias. É lógico que o professor regular da sala de aula não queria saber. E a gente, como era novo... Então, dei a primeira recuperação de férias, num bairro aqui de Itaoca, chama-se bairro Gurutuba. Trabalhei lá fazendo essa recuperação de férias dos alunos que não tinham avançado. Essa foi a minha primeira experiência em sala de aula.

 

P/1 – E como era a sala de aula que você entrou aqui? As condições...

 

R – Precárias. 

 

P/1 – O que você, como professora, fazia pra tentar diminuir esse impacto, pra dar sua aula sem prejudicar os alunos?

 

R – No caso, era um período curto. Então você ia, trabalhava, levava, como eu já falei, da melhor forma, diversificando o conteúdo, com atividades diferentes e tentava ajudar as crianças. Mas, em questão da infraestrutura, a gente não tinha muita noção, você aceitava o que havia no momento.

 

P/1 – E como era? Era precária em que sentido? 

 

R – Era uma sala de madeira, básica, a merenda era o professor que tinha que providenciar, na época. Bem precária. Depois foi avançando, melhorando os investimentos.

 

P/1 – Então, você teve esse primeiro trabalho logo que saiu do magistério.

 

R – Foi durante as férias, aí, já comecei a fazer faculdade, em Itapetininga. Eu viajava todo dia, quando precisava de substituto, na época, fazia inscrição pra substituir, quando faltava um professor a gente substituía. Mas, eu viajava de Apiaí à Itapetininga diariamente. Estudava à noite lá. Então, trabalhava aqui e viajava.

 

P/1 – Como foi esse período de faculdade, como era viajar todo dia?

 

R – Cansativo. Mas para jovem tudo é festa. E quando era época de prova eu ficava na casa de uma amiga lá em Itapetininga. Quer dizer, pra mim também não foi muito fácil, viajar todo dia, havia gasto, despesa. E na época de prova que exigia mais... eu ficava na casa de uma amiga lá em Itapetininga.

 

P/1 – E como você viajava? Você ia sozinha?

 

R – Não. Hoje, tem umas vans que vão. Hoje vai a Itapeva, tem a faculdade de Itapeva e Itapetininga também continua. Mas era um ônibus que levava, é a média de 40 alunos diários. Pega a região Adrianópolis, Ribeira, Apiaí e Guapiara. 

 

P/1 – E como você escolheu essa faculdade que você foi fazer? Letras?

 

R – Foi como eu disse, falando em referência de professor, tive uma professora excelente, que eu admirava, de língua portuguesa, Ana Maria Tadeu. Hoje, ela está trabalhando numa escola em Barra do Chapéu, mora em Apiaí também. Ela foi uma referência da disciplina, tanto que a gente tinha bastante contato.

 

P/1 – E qual foi um dos momentos que marcou esse seu período de faculdade? Uma viagem ou um acontecimento que foi marcante pra você durante esse período?

 

R – Olha, eu acho que aproveitei o máximo. Então, eu sempre gostei de ser dedicada ao estudo, às disciplinas. Gostava muito de Latim na época, admirei, me empolguei até ali e... Ainda, a professora de Inglês era difícil de trabalhar, nossa, era complicado. Então, essa marcou bastante. Ela dava Inglês, Língua Estrangeira e Literatura Norte-Americana. Era terrível, pra conseguir nota era difícil. Isso marcou bastante.

 

P/1 – E quando você terminou a faculdade, como foi?

 

R – Estudando eu já substituía, porque aqui com a dificuldade de professor para ensino fundamental, fundamental, II hoje se fala, na época era ginásio, era difícil. Então, como estudante eu já trabalhava em sala de aula.

 

P/1 – E sempre em Língua Portuguesa?

 

R – Todas as disciplinas que precisava. Artes, Língua Portuguesa, Inglês. Devido à deficiência de professor, a gente sempre era chamado pra trabalhar.

 

P/1 – E você trabalhou em diversas escolas?

 

R – Diversas escolas e diversas disciplinas. Todas as escolas aqui do município, algumas em Apiaí. E sempre me dei bem.

 

P/1 – Tinha alguma escola que você preferia ir pra dar aula? 

 

R – Não tinha preferência. Todas eram interessantes.

 

P/1 – Você sentia muita diferença das escolas da área mais rural para as das cidades dos centros urbanos, das zonas urbanas?

 

R – Tem diferença. 

 

P/1 – Quais são?

 

R – Na zona rural as crianças não tinham muito contato com leitura, com livro, então era mais difícil. Você tem que levar muita coisa pra eles. Na zona rural eles têm muita dificuldade, na zona urbana as crianças já têm mais contato. Então, isso facilita para o professor, facilita o ensino, porque eles já têm um repertório, alguns pré-requisitos. Embora todo o aluno, todo ser traz, toda criança traz uma história, um conhecimento. Mas, a questão da aprendizagem, pra você direcionar, os da zona rural você tem que levar mais coisas, você tem que oportunizá-los com mais coisas.

 

P/1 – E como esse conhecimento da criança, por exemplo, de uma área rural, pode ser trabalhado na sala de aula?

 

R – Como ele pode ser trabalhado na sala de aula?

 

P/1 – Porque, às vezes, são conhecimentos mais práticos, como o professor lida com isso?

 

R – Então, você tem que levar até eles a diversidade, estratégias, mas, não quer dizer que eles não tenham as mesmas condições de aprendizagem que os da zona urbana. Não existe diferença, só que eles, hoje nem tanto, mas, na época, eram menos favorecidos, a estratégia era diferente da aplicada na zona urbana. Você tem que diversificar, por exemplo, muitas crianças da zona rural não conhecem uma cidade, então você teria que levá-los. Você tem que oportunizar, levá-los até um shopping, uma loja, andar num ônibus, num metrô. Por eles mesmos dificilmente vão conhecer uma praia, um museu, até o zoológico, embora aqui tenha um natural. Mas, você tem que oportunizar, enquanto na cidade eles já tem o meio deles. Assim como os da cidade você tem que oportunizar a conhecer o interior. Tem que mostrar não só no papel, na sala, mas na realidade.

 

P/1 – Então você _________ sua carreira foi efetivada como professora, começou a ter turma regular?

 

R – Fui efetivada como professora de Português. Primeiro de Inglês, fui efetivada como professora de Inglês. Fui chamada para o Português, daí deixei o Inglês e fiquei só com o Português.

 

P/1 – E como é acompanhar uma turma mais regularmente? Pegar desde o começo do ano e trabalhar a classe, como é isso para o professor? Pra você?

 

R – Eu vejo assim, em toda a experiência que a gente tem, é gratificante você acompanhar desde o ensino infantil, porque você pega a criança e algumas não sabem nem falar. Você vai vendo o avanço deles, claramente. Estão explícitos os avanços. Conhecer o alfabeto, identificar a letra do nome, do nome da família, conseguir conversar, contar uma história, a parte oral. Então, você vai vendo que o avanço dele ali é claro, não tem como, o professor de ensino infantil e do ciclo I deveria ser o melhor remunerado, porque é o que pega ali. Depois que trabalhou na base, não há mais trabalho, a criança que é trabalhada na base, que investiu ali, trabalhou, alfabetizou... Aí é só caminhar, direcionar. Valorizo muito essa parte de base, a educação básica. Então, vem o ciclo II. Você já tem a criança, já está moldada e você vai ter que identificar as dificuldades e trabalhar, direcionar as dificuldades de cada aluno, que talvez lá atrás foi falho. Aí que o professor tem que ter bastante preocupação, tem que ter uma visão ampla disso, porque ele tem que conhecer o aluno e ver qual é a falha dele. O que ficou a desejar e que ele vai ter que focar e tentar solucionar. Essa é a parte que, às vezes, fica esse buraco. Vamos dizer, se o professor não for dedicado, não perceber isso e não trabalhou isso aí, a criança vai se tornar um adulto com aquela dificuldade, lacuna. Acho que é por isso que a base é o fundamental. Aí vem a quinta, sexta série, o professor ainda tem tempo de solucionar, suprir aquela dificuldade de aprendizagem do aluno. Se não fizer isso, pronto, o aluno vai, muitas vezes com grandes dificuldades, empurrando. Então, a gente se preocupa muito. Hoje, nossos alunos estão indo para o segundo... 

 

(Fim da primeira parte)

 

R - ...com um grupo de alunos aqui na... Fui fazer uma roda de leitura no bairro. É trabalho voluntário de final de semana. Então, comecei a fazer um curso Entre na roda, pela Secretaria da Cultura de São Paulo e me achei no dever de disseminar a leitura no município. O que eu fiz? Fui aos bairros, o bairro Rio Claro, um deles, voltou a funcionar a escola lá por conta dessa roda de leitura que eu comecei a trabalhar e vi aquele monte de criança de idade de ensino infantil sem estar na escola. Daí, fomos conversando com a gente de saúde e está lá hoje bem organizadinho. Aqui no bairro Fazenda, também fui fazer roda de leitura lá e notei um menino, já estava com quatro, cinco anos, que até pra falar ele era... você percebia que tinha um probleminha. Então, resolvi montar uma sala de menores ali por conta desse menino. Falei: “Gente, esse menino não vai aprender, se está com quatro anos...”. Até pra comer ele não tinha... Sabe? Punha tudo na boca. Bati o olho falei: “Tenho que dar um jeito”. Criamos uma sala de três, quatro anos.Nós já tínhamos, inclusive, mas, o que eu fiz? Fui buscá-los no bairro três, quatro quilômetros daqui. Diariamente fui lá, conversei com as mães: “Vocês querem? Vocês deixam suas crianças irem estudar?”. Porque daí tinha a salinha aqui em Itaoca, no meio urbano: “Vocês deixam?” “Se vier um carro só pra ele... se for junto com os grandes a gente não deixa, mas, se for só pra eles a gente deixa”. Eu falei: “Nem que no início algumas mães acompanhem, porque é criança pequena...” “Não, tranquilo”. Foi disponibilizado um carro, uma Kombi e diariamente esse carro ia buscá-los e trazia pra escola, aqui para a sala. Atendia a zona urbana e a zona rural já estava começando a... Olha, hoje, esse menino está no terceiro ano. Na educação infantil os professores já foram trabalhando com ele, pondo limite, desenvolvendo, mas, perceberam a dificuldade. Fomos conversar com os pais, falando que tinha que levar, encaminhar pra ver o que estava acontecendo. Os pais não aceitavam, achavam que a gente stava... Então, até trabalhar com os pais para perceber que... Hoje, ele está no terceiro ano, melhorou bastante e foi encaminhado agora para o atendimento especializado. Então, uma coisa que já vinha há três anos a gente trabalhando. Se fosse pra hoje ou depois que entrasse no ensino fundamental, aí ia ser rotulado que o menino tinha isso e aquilo e, não ia ter... Então, esses casos têm que ter. Ele não aprende porque o professor não trabalhou, mas porque tem uma dificuldade que precisa de um especialista, precisa ser direcionada, que a formação do professor não dá pra atender essa parte de neurológica, psicológica. Então, é mais específica, é uma coisa específica. Também temos alunos aqui que trabalhamos, encaminhamos na época quando estava na educação infantil, hoje, está tranquilo, desenvolveu bem. Mas, esse encaminhar, pra nós ainda é muito complicado, porque as condições econômicas, o estado, tem muita coisa que a gente encaminha... Como aqui a gente não tem ainda toda a rede, a rede municipal é parcial e não são todos governantes que investem nessa parte, é algo caro. Mas, tem que ter um atendimento especializado nesse caso, também acho que o professor deve ter uma orientação do especialista para atender à esses alunos, porque a inclusão é difícil para nós. Sendo feita a inclusão que precisa, o professor tem que ter uma formação para trabalhar esse caso na sala, senão o aluno fica lá e vai ser prejudicado.

 

P/1 – Marina, pra você qual é o momento mais complicado numa sala de aula enquanto professora? O que exige mais do professor ali?

 

R – A diversidade de conhecimento na sala. Você tem um aluno que tem que trabalhar, explorar mais ainda, levar mais conhecimento, desenvolver, fazer com que ele desenvolva, avance cada vez mais. E tem aquele que está na base. Embora eles se ajudem, é correto ter essa heterogeneidade de aprendizagem na sala, que um auxilia o outro. Mas, para o professor, às vezes, é difícil administrar isso, entendeu? Um aluno que está sendo alfabetizado e um aluno que já está produzindo, avançado. Então, ele tem que se desdobrar, hoje ele não trabalha, igual antes era aquilo, linear: “É isso que eu vou dar, essa disciplina, esse texto, vamos estudar e tarara”. Enquanto o outro não lê, não importa. Antes era assim, daí, aquele ficava lá e por si mesmo se excluía e saía da escola. Hoje não, quando você trabalhar, foca principalmente naquele que tem dificuldade. Tem que focar mais nele, não pode deixá-lo de lado.

 

P/1 – Por outro lado, qual é a maior satisfação?

 

R – É você ver o avanço, a criança progredindo, você fazer a sondagem ali, ver: “Olha, não fazia isso. Conhece isso agora”. Você faz a sondagem, faz uma avaliação e vê o avanço da criança, porque você está registrando desde o início a criança que tem... Geralmente, em relação aos alunos que têm dificuldade, você faz um diagnóstico no primeiro momento, você percebe, registra aquilo, arquiva, faz um portfólio. Passados dois meses você faz novamente um diagnóstico, Então você vai... Satisfação é isso: os resultados. Se você trabalha bem, com certeza o resultado é positivo.

 

P/1 – Marina, como você começou a entrar mais pra área da secretaria, como foi seguindo a sua carreira? Você já estava com sala de aula, com turma?

 

R – Eu estava com sala de aula no Estado e fui convidada pelo prefeito, na época, pra trabalhar, auxiliar na secretaria. Na gestão anterior, municipal, eu já tinha sido convidada, mas, achava que não era o momento. Nessa época, na gestão desse prefeito eu topei, falei: “Vamos tentar”. Ver se dá certo, se a gente consegue trabalhar, porque tem a questão política, a gente tem as nossas ideias. E deu certo, porque o prefeito deu total autonomia para a gente. Trabalhamos em equipe, a equipe da secretaria que a gente tem instalada hoje é muito unida, deu pra perceber. Vocês viram ontem lá, tinha professora filmando, um professor registrando, uma professora cozinhando. Todo mundo se ajuda. Isso eu sempre falo pra eles, o sucesso da educação no nosso município aconteceu e vem acontecendo por conta da união da equipe. Não sou eu, não sou a secretária, a supervisora, eu faço parte da equipe e qualquer decisão a gente toma juntos: “É melhor isso”. “Eu estou com tal ideia, o que vocês acham?”. Isso é legal, todos se ajudam, todos defendem a causa, sabe?

 

P/1 – Marina, quando você chegou, quais eram os objetivos da secretaria? 

 

R – Quando eu entrei, já tinha experiência na gestão de escola estadual. Aí você percebe que estava totalmente desordenado, a parte burocrática, infraestrutura. Era assim, as professoras e os alunos. Elas que faziam tudo, tinham uma sala de aula e só a sala de aula, elas que serviam o lanche, eram encaminhados de uma padaria. Então, não tinha um livro de registro de reunião, não tinha reunião. E a gente foi organizando a parte burocrática e pedagógica das escolas, da secretaria, com livros e registros. Durante esses anos, desde 2005, claramente deu pra perceber a diferença da organização hoje. Na época, a gente tinha 60 alunos na rede municipal, hoje temos 200. A gente foi estendendo para a zona rural, porque era só na urbana, era uma salinha no bairro Pavão, uma no bairro Lajeado e uma aqui. Três professores e boa. O professor e os alunos, só. Não tinha um inspetor de aluno, um servente, auxiliar de limpeza, nada. As professoras que faziam essa parte. Hoje estamos com as escolas bem organizadinhas, tem inspetor de aluno, diretor, coordenadora pedagógica. Isso foi se instituindo, organizando e o avanço, o que a gente está vendo hoje, a criança... Muitos alunos já vem para o segundo ano alfabetizados, lendo. A gente investiu bastante na leitura, os professores disseminam a leitura na sala de aula.

 

P/1 – E voltando no tempo um pouquinho, como foi a chegada do grupo Camargo Correia na cidade de Apiaí? O que mudou na cidade?

 

R – Na época, a gente não tinha muito esse olhar. Mas, o que se sabe é que o prefeito de Apiaí era o senhor Janguito, João Cristino dos Santos, hoje ele faz parte direção do Hospital de Apiaí e foi bastante criticado na época por permitir a instalação da empresa no município. Porque ia degradar o meio ambiente, explorar. Mas, foi o que trouxe desenvolvimento para o município. E até hoje está ali... 

 

P/1 – E nessa época você ainda morava em Apiaí?

 

R – Morava em Apiaí.

 

P/1 – E você sentiu alguma mudança, percebeu?

 

R – A população, muita gente de fora, vinha, quando começou a instalação, muitas pessoas de fora na cidade, movimentação. Mas, lembro vagamente, essa parte não entendo.

 

P/1 – E como aconteceu essa aproximação entre vocês da secretaria da parte da educação com o grupo para esses projetos?

 

R – Interessante isso aí, porque a secretaria que a gente trabalha engloba educação, esporte, cultura e lazer. O diretor de esporte começou a mobilizar umas corridas de bicicleta no município, um esporte cíclico. E um colega dele apaixonado por pedalar, que é o César Augusto, começou a vir participar das nossas corridas aqui, fazer... não é campeonato. Não lembro o nome. Fazia as corridas, cada mês em um bairro. Ele começou a participar e acho que percebeu a dedicação, o movimento da gente com... E como ele trabalha, é supervisor de mineração, uma jazida e Itaoca está dentro, os minérios retirados ali pertencem ao município de Itaoca, ele achou por bem também a Camargo investir em nosso município. Nessa amizade ele foi falando: “Vamos pensar num projeto”. E a gente conversou, um momento ele trouxe o Celso, que também faz parte da Camargo. A gente conversou e nasceu essa parte da parceria. Isso recente, que aí ele já trouxe a Ariana que viu todo o trabalho da gente e já foi nos incluindo na Escola Ideal. Porque antes disso, foi feito um Dia do Bem Fazer, no ano passado. Foi uma transformação em uma escola. Repercutiu bem positivo, sabe? Isso foi recente. Mas, antes disso a gente estava buscando parceria e eu estive com o prefeito duas vezes na fábrica tentando ver o que eles poderiam fazer nós. Tivemos também uma parceria em que veio uma pedagoga, Marília, foi excelente, trabalhou muito bem com as meninas, com as professoras. Eles trabalharam por dois anos conosco também na parceria da parte pedagógica. Foi muito positivo na parte pedagógica. Agora essa parte da infraestrutura trabalha a parte pedagógica também, trazendo formadoras em cursos. Igual, nossos professores estão participando do Mathema e do Ler: Prazer e Saber. Então, duas coisas de formação que a gente está dentro. Além do recurso para a reforma da escola.

 

P/1 – Qual é a importância da formação do professor nesse processo?

 

R – Não tem o que falar, não tem dúvida. O professor, pra fazer um bom trabalho, tem que conhecer, isso é fundamental. Tem que possuir um conhecimento, tem que ter domínio do que vai trabalhar e precisa estudar. O professor é um eterno estudante, jamais para de ler, estudar… São 24 horas estudando, estudando e passando para os alunos. Então, é um comportamento diferente do aluno, é buscar como vai trabalhar aquele aluno. A formação é fundamental. Eu acredito que na qualidade do ensino, que o que ajuda é a formação do professor. Um dos itens que auxilia muito a ter uma qualidade de ensino é o professor.

 

P/1 – Sabe o que eu ia te perguntar também, agora indo mais para esse projeto, como foram escolhidas as escolas? Como se deu esse processo? Tudo bem, vocês acertaram que podiam começar esse projeto de Escola Ideal, mas como que ele seguiu daí? Porque foram escolhidas, por enquanto, aquela escola que já foi feita. Como chegaram nela e por que ela?

 

R – Então, a Ariane esteve nos visitando, veio com o César, conheceu a região, as escolas, a nossa realidade. E como já comentei com você informalmente, a nossa infraestrutura da escola municipal é precária. Então, a gente avançou muito no atendimento, na qualidade de ensino, aprendizagem, formação dos professores, mas, a infraestrutura deixa bastante a desejar, é tudo alugado, prédio alugado. E essas escolas que vão passar por reforma não. O terreno, o espaço é da prefeitura. Um dos critérios é investir numa coisa pública, você não iria investir num prédio alugado. Então, um dos itens é esse. Existem outros prédios, outros espaços… só que nós temos que construir, no caso, teria que ter recurso suficiente para construir. E o recurso que fomos contemplados não é suficiente pra construir. É por isso que a gente fez a reforma na escola que atende os alunos tanto do ensino infantil fundamental, primeiro ano do fundamental, quanto do núcleo de alfabetização noturno. Você melhora a infraestrutura de um espaço que já é público. Porque você sabe que, na nossa realidade, as escolas são o centro de tudo, é uma reunião de associação, às vezes, uma festinha de aniversário de um. Então, é ali o espaço.

 

P/1 – Marina, não sei se você sabe contar, mas, logo no começo da entrevista a gente conversou e Itaoca ainda era...

 

R – Distrito.

 

P/1 – Distrito de Apiaí. Como é que se separou? Porque agora a gente está falando de Prefeitura, de Secretaria, mas como aconteceu isso aqui em Itaoca?

 

R – Foi um grupo de pessoas, hoje do nosso município, na época distrito, que mobilizou e foi feita uma... como é o nome? Tipo uma eleição, um plebiscito e a comunidade achou por bem tentar se emancipar. Aí foi feito, deu certo. Foi uma época em que vários municípios se emanciparam. No início foi bastante... a gente não acompanhava muito de perto a administração interna, foi bastante trabalhoso, mas.. Foi um ganho, porque daí você tem recurso. Se você é dependente de outro, ele tem outras prioridades, a demanda é maior. Não ia investir tanto, a nossa estrada como era, como está hoje, se você andar no calçamento, as benfeitorias que têm no nosso município jamais iam chegar se nós fossemos dependentes de outro. Pela nossa demanda, 3.200 habitantes, vai colocar em qualquer bairro que tem o dobro de... não é verdade? Então foi um ganho.

 

 P/1 – Pra você como moradora, como membro da comunidade, você sentiu isso? Alguma diferença?

 

R – Nossa, foi muito bom. Hoje, quantos empregados tem, né? Pessoas empregadas pela Prefeitura, a melhoria das estradas, o transporte. Você corre atrás para batalhar pelos seus direitos, os direitos do cidadão. Então é bem positivo. Avançou bastante. Melhorou muito.

 

P/1 – Agora, voltando outra vez pra parte da escola,o que foi feito nesta escola com o projeto?

 

R – Na Rio Claro?

 

P/1 – É.

 

R – O que foi feito?

 

P/1 – Isso.

 

R – Então, a escola estava até razoável, porque a Prefeitura já investia, a Secretaria já investia nos cuidados básicos. Mas, precisava fechar, porque ficam animais entrando e saindo, cavalo, cachorro. Precisava cercar, alguns reparos, forros, algumas coisas que eram de costume, né? Aí com essa parceria do Instituto… Teve uma parceria também da Metal Ar. A Prefeitura teve grande parcela também, houve um investimento bom a Secretaria. Nossa. Transformou assim... E a parceria da comunidade na mão de obra foi fantástica. Eu falo pra eles, foi uma recompensa, porque o que você faz pra você morre com você e o que você faz pelo outro permanece. Então, o que eles fizeram pela comunidade, o que cada cidadão, cada morador fez pra comunidade, fez um trabalho, vai ficar pros netos e filhos. Vai ficar para o outro. Esse trabalho, essa solidariedade foi muito positiva. É o que eu falei ontem pra eles lá, a participação deles superou as minhas expectativas, sabe? E transformou mesmo. O recurso que a gente ganhou do Instituto foi totalmente investido em material. Não foi nada em mão de obra. Então, foi em material que deu pra fazer, porque senão não seria possível, ia fazer o mínimo ali. Não ia ter toda aquela transformação, o forro, o alambrado, portão, plantio de mudas, você viu o reflorestamento em volta do rio. A hortinha, a troca da caixa d'água, a instalação, iluminação, cobertura na frente, uma varanda, né? Deu pra fazer tudo aquilo com o recurso, não sei se é possível falar até o valor que o Instituto deu, por conta disso aí. Pintura, tudo, por conta da mão de obra foi totalmente… Se fosse pagar a mão de obra ia metade do recurso, aí não ia fazer nada.

 

P/1 – Como foram articulados esses mutirões? Como a comunidade foi chamada?

 

R – Então, a gente tem uma boa amizade, um bom relacionamento. Porque acho que quando a pessoa percebe que você faz aquilo com gosto, porque você gosta, porque ama o que faz, você consegue fazer com que eles também gostem, consegue despertar no outro o gosto de praticar aquilo também, né? Então, no primeiro momento eu fui lá com uma professora e fiz uma reunião com a comunidade, com os pais. Conversamos, falei e tal. Depois, convidei os parceiros, daí veio a Fabíola, que é responsável pela Escola Ideal, que é da Camargo. Veio o César, o Celso e o Celso fez de novo a conversa que eu já tinha feito com a comunidade. Segunda reunião. Depois, teve outra reunião definindo... Aí a gente fez um levantamento do que eles queriam. A gente já havia conversado antes, mas, veio o pessoal da Camargo e fechou com eles. O que realmente eles queriam. Todos os itens que eles queriam transformar. O que nós fizemos? Fizemos o levantamento e fomos fazer a tomada de preço, ver se era possível fazer aquilo com o recurso que a gente tia. Foi possível fazer praticamente todos os itens que eles colocaram. Daí, houve uma reunião com eles e foi colocado. Nessa reunião foram determinadas as frentes de trabalho, quem ia ficar responsável pelo que, quem seria responsável pelo alambrado, pela troca da caixa d'água, em colocar o vidro, o forro. Até na refeição. Quem é responsável pela cozinha, pela limpeza no banheiro e tal. A gente trabalha assim. Aí, colocamos os responsáveis e se percebeu que em um dia eles não iam fazer tudo aquilo. Fazer cerca, aterro, manilhamento de escoação de água, rede de canalização de esgoto. Então, já agendamos os mutirões. Se não me engano, em 26 de março foi o primeiro mutirão. Dali até ontem foram todos os finais de semana. Sábado e domingo das 7h às 17h. E o pessoal trabalhou. A comunidade vinha, as mulheres na cozinha fazendo a refeição, a parte da alimentação a foi Secretaria que forneceu e os homens no trabalho pesado, sabe? A Secretaria de Obras disponibilizou areia, terra, tudo que precisava, né, e foram trabalhando todos os finais de semana. Uma média de 30, 40 voluntários. Ontem, percebi que eles estavam até tristes porque na próxima semana a gente não vai se ver mais. Era uma festa. Muito bom. Foi assim que aconteceu.

 

P/1 – Qual foi a sensação de chegar no primeiro final de semana e ver todo mundo ali participando e...

 

R – No primeiro? Eu fiquei realizada porque estava... na verdade, eu sou meio ansiosa e só acredito vendo, às vezes. Então, estava com medo de não dar conta porque a gente tinha que terminar até o dia 17 de abril, já era dia 26 de março, eu não tinha... Quando a gente pensou, eu não imaginava o trabalho. Algumas pessoas falavam pra mim: “Vocês não vão terminar até o dia 17”. Eu ficava apavorada. “Olha, isso aí não vai dar tempo”. Graças à Deus deu tempo e foi muito bom, muito positivo. Muito gratificante. Acho que superou mesmo a expectativa. A comunidade ficou, eu notei, a alegria deles, porque todo final de semana tinha uma professora que ia na parte do registro, filmar, tirar foto. Aí colocava lá no DVD e quando eles estavam no horário de almoço, viam a entrevista. Então, ficavam animados vendo o trabalho deles ali. Eu notei a satisfação deles em ver o trabalho saindo, acontecendo, né? Então, pra dar conta precisou desse mutirão. E nos dias de semana regulares a Secretaria de Obras disponibilizou três, quatro funcionários pra ir continuando o trabalho.

 

P/1 – Como foi ver ontem ela ali pronta com a placa?

 

R – É uma satisfação imensa. Sem palavras até, porque transformou um espaço. Você percebe que o trabalho em união, em equipe, o voluntariado dá resultado. Vocês não chegaram no início, mas no prazo de uma hora, duas horas a coisa estava totalmente transformada. Vocês pegaram naquela hora a pintura no piso, né? Vocês viram como que é? Vamos pintar, começa e de repente tá pronto, bonito, diferente, transformado. É muito bom assim. Interessante a habilidade. Você vê, é tudo gente que não mexe com aquilo. Você não via uma tinta no chão, nem desperdício de nada. Tudo belezinha assim.

 

P/1 – Qual a sua expectativa para a continuidade do projeto?

 

R – Que consiga sensibilizar os parceiros para estarem sempre ajudando a gente, né? Eu espero que os parceiros ajudem e agora a gente já vai começar a trabalhar no outro mutirão, começar a conversar com a comunidade, sensibilizar, mostrar, contagiada desse trabalho, que é um trabalho de sucesso, que dá resultado. Tem como uma comunidade ter um ganho, sucesso mobilizando essa questão social de solidariedade, de voluntariado. Eu confesso pra vocês que de quinta-feira até sábado eu estava andando meio ansiosa para o dia de ontem. Queria que chegasse o dia de ontem rápido pra ver. Em todas as situaçõe, você fica apreensiva, vem o pessoal, toda a quantidade de pessoa que vai estar envolvida, será que vai dar conta? Então, você não quer desagradar, quer fazer da melhor forma. Quer fazer com que as coisas aconteçam. Fiquei bastante ansiosa. Mas, todo mundo trabalhou legal e deu muito certo.

 

P/1 – Marina, como o próximo projeto vai ser na escola onde você estudou, você acha que vai ter uma questão de identificação pessoal, você vai se lembrar?

 

R – Pessoal? Não. A intenção é melhorar a comunidade, né, mas pessoal... Ali muitos nem sabem a história essa que eu estou falando pra você... Que meu pai que doou o terreno. Inclusive, já tem no jornalzinho, que é num projeto do Instituto, um resgate, uma história falando dessa escola. Ela já está colocada aí... Inclusive já saiu no jornal. Tem lá meu pai com as crianças, dando entrevista com as crianças. Já faz parte. 

 

(Fim da segunda parte)

 

P/1 – Marina, a gente estava falando agora do CDC [Comitê de Desenvolvimento Comunitário], que fica lá em Apiaí.

 

R – Apiaí, perto do circular.

 

P/1 – Você participa do CDC?

 

R – Participo dos encontros.

 

P/1 – Quais são as atividades dele?

 

R – Olha, eu _______ porque faz pouco tempo que eu estou envolvida, né? Nas reuniões. Na última, inclusive eu não pude ir, foi fechar o boletim, uma coisa que a gente sempre conversa. Eu não estou sendo muito assídua, sabe? Às vezes, escapa, passa batido. Igual ultimamente que eu estava muito envolvida com essa questão do Rio Claro, que você tem que sempre estar. Então, às vezes passa alguma coisa e eu não participo.

 

P/1 – E você vai como representante de Itaoca?

 

R – Eu acredito que como representante de Itaoca, da Secretaria.

 

P/1 – Quais são as suas expectativas em relação às atividades futuras?

 

R – As expectativas são que realmente os envolvidos sejam... Todos envolvidos em relação à educação, ao ensino, à aprendizagem, realmente foquem nisso, né? Que traga benefícios, com foco na melhoria da aprendizagem dos alunos. Porque é desagradável, em um país tão rico como o nosso, ver o índice de analfabetismo. Você vê a questão da saúde, da educação ainda bastante distantes. Então, que seja focado. Eu acho que a gente pode ser diferente, o nosso Município, a nossa região, se houver um investimento consciente, a gente pode melhorar, pode tirar esses rótulos de dificuldade. É isso que eu falei anteriormente pra você, com todos esses investimentos nessa parte de especialistas, de auxílio, que foque mesmo. Minha expectativa é essa, que realmente seja investido conscientemente em educação, aprendizagem e ensino.

 

P/1 – Marina, você chegou a comentar ao longo do seu depoimento que você é casada. Como você conheceu seu esposo?

 

R – Então, eu morava no sítio aqui e ele sempre passava comprando feijão. Eu conheci nessa época, meu pai vendia feijão. Foi aí que a gente se conheceu, começou a namorar e ia casar. Eu já morava em Apiaí, mas vinha passar as férias aqui, no sítio.

 

P/1 – E como foi o namoro?

 

R – Tranquilo, né? Alguns anos, então... Normal. Nada “tradicionalzão”. 

 

P/1 – E qual é o nome dele?

 

R – Wilson.

 

P/1 – Wilson?

 

R – Isso.

 

P/1 – Qual é a atividade dele? O que ele faz?

 

R – Ele é comerciante. Hoje está um pouco... teve problema de saúde e tal, tá um pouco afastado, mas sempre trabalhou com comércio. Amante do comércio.

 

P/1 – Vocês têm filhos?

 

R – Tenho dois filhos. Um é médico veterinário, o Felipe, já tem 25 anos e o outro é Francisco Pedro, está fazendo arquitetura. Está no primeiro ano de arquitetura.

 

P/1 – E como foi pra você ser mãe? Quando nasceu o primeiro filho o que mudou na sua vida? O que mudou pra você?

 

R – Eu acho que eu sou mãe de natureza mesmo, sabe? Porque é o que eu falo pra você, os alunos são como se fossem meus filhos. O cuidado que eu tenho com as crianças, a preocupação que eu tenho de ver as crianças serem bem sucedidas e bem cuidadas, é a mesma que tive com meus filhos e tenho até hoje. Eu tive uma gestação normal. Lembro que na época, quando eu tava... Num sábado, dia 25 de maio, né, meu menino nasceu em 26 de maio, eu estive em um curso de formação de ciclo básico na época, no outro dia ele nasceu. Então, você vê como eu tive uma gestação normal, não tive problema depois com os cuidados. Sempre conciliei bem a casa, os filhos e o trabalho. Sem problema, sem uma coisa difícil assim. Dificuldade não. Tranquilo.

 

P/1 – E eles estudaram aqui em Itaoca?

 

R – Até o ensino médio. O mais velho fez o ensino médio nessa escola, terminou aqui nesse prédio, daí foi pra Marília, Unimar [Universidade de Marília], começou Veterinária lá. Depois, transferiu para Curitiba e terminou na Universidade Tuiuti do Paraná. Já está aqui há uns três anos, trabalha, lida com o sítio, que é coisa que a gente gosta e trabalha na Prefeitura. Ele é veterinário, médico veterinário da Secretaria da Agricultura, né? Lida com os gados dele, tem leite e tal. O Francisco fez até o primeiro ano do ensino médio aqui no Município, depois foi para o Colégio Cecília Meireles. Era bastante dependente de mim, então, a partir do momento que ele quis estudar em Apiaí, no colégio, eu fiz todo o empenho pra ele poder sofrer menos quando fosse fazer faculdade. Hoje,  está lá em Santa Bárbara do Oeste, na Metodista, fazendo Arquitetura. É oposto do Felipe. Ele é urbano e o Felipe é totalmente rural, ama de paixão trabalhar com animais de grande porte. É apaixonado pela veterinária, pelo trabalho dele. Se precisar fazer uma cesárea de vaca ele sai correndo. Adora.

 

P/1 – Marina, como foi pra você acompanhar o começo da vida escolar dos seus filhos? Você vinha trazê-los na escola? Como é que era estar do outro lado?

 

R – O Felipe, nas primeiras vezes eu vim trazer, depois ele já... Ele sempre foi independente. “Não quero a minha mãe, na escola e tal é professora só”. Dei aula pra ele inclusive, mas era o aluno e eu a professora. Agora, o Francisco já era... Todo dia queria que eu viesse trazer, buscar, então já é diferente a personalidade. Mas, sempre acompanhei nas dificuldades e tarefa de casa. O Francisco mais assim, divide. Até hoje tá lá na Universidade ele liga, a gente conversa, conta os trabalhos, mostra. O Felipe não, ele se resolve lá, não gosta de dividir muito.

 

P/1 – E como foi essa experiência de dar aula para o filho?

 

R – Dei aula para os dois. Foi normal. Acho que porque também é o lugar que a gente mora, então não teve diferença, tratamento diferente. Se eles tivessem algum problema, se resolviam. Não teve nada assim que chamasse atenção.

 

P/1 – Quais são as coisas mais importantes pra você hoje?

 

R – Mais importantes? Os filhos, né? Os filhos são o mais importante. A família é importante. Também acho que a profissão da gente, a área que a gente gosta. É ver o outro bem. Isso é importante, você ver o sucesso do outro e conseguir sobreviver no meio das picuinhas, no meio das diferentes ideias. Então, a educação, ver o outro bem, isso é muito importante pra mim, que o outro esteja bem e tenha sucesso. Você que é educador vê o aluno aqui, a criança e fica feliz, porque sabe que ele está bem, tá lá. Isso é prazeroso. Você poder levar para o outro a melhoria. A gente, quando está numa liderança, fazer pelos menos favorecidos, oportunizar o outro de coisas boas, de ver o belo. Isso é gratificante. Não tem dinheiro que pague isso aí. 

 

P/1 – Marina, o que você achou de sentar aí desse lado e contar um pouquinho da sua história pra gente?

 

R – Gostei. Eu tava até um pouco apreensiva achando que ia ser mais técnico e foi bastante bate-papo. Então foi legal.

 

P/1 – Então está bom, Marina. Obrigada.

 

R – De nada.

 

- - - FIM DA ENTREVISTA - - -

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