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Trajetória premiada

História de: Marcia Buckley
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 22/03/2016

Sinopse

Marcia Buckley, nascida no dia 14 de novembro de 1959, no Rio de Janeiro, inicia sua história de vida falando um pouco das origens de sua família, que migrou das mais diversas localidades do mundo. Cresceu em Volta Redonda pois seu pai era funcionário da CSN [Companhia Nacional Siderúrgica], sua brincadeira preferida era andar de bicicleta, mas gostava também de jogar futebol e soltar pipa. Narra como foi o árduo processo para ser selecionada para fazer intercâmbio pelo AFS. Foi contemplada com uma bolsa de 50% e a outra metade sua família pagou com muito sacrifício. A experiência de intercâmbio de Marcia foi muito enriquecedora. Relata como iniciou sua trajetória como voluntária, as etapas que percorreu, as conquistas, cargos e prêmios. Sua última posição foi Presidente Nacional, é tradutora e continua colaborando como voluntário do AFS.

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História completa

Meu nome é Marcia Buckley, eu sou natural do Rio de Janeiro e nasci em 14 de novembro de 1959. [O nome dos meus pais é] Leda de Melo Mendonça e José Carlos Taranto de Mendonça. São do Rio de Janeiro. Meu pai na verdade é falecido, eles nasceram no Rio de Janeiro e a família deles também era aqui do Rio. Eu tenho uma irmã só, do primeiro casamento. Depois meu pai se casou e eu tenho dois irmãos do segundo casamento, sendo que um é falecido. Os meus bisavós maternos eram Polonês e Austríaco. Minha bisavó era Austríaca, meu bisavô do lado paterno era Italiano. Minha família tem várias origens, principalmente europeias, é uma filial da ONU [Organização das Nações Unidas], vamos dizer assim, tem muitas nacionalidades misturadas (risos).

Eu nasci no Rio mas cresci em Volta Redonda, que meu pai trabalhava na Companhia Siderúrgica, lá. Quando pequena eu andava muito de bicicleta. Eu era uma menina que gostava de brincar muito com os meninos, soltar pipa, jogar futebol, mas principalmente bicicleta, andava muito de bicicleta.

Eu saí de Volta Redonda para o intercâmbio. Eu sempre fui uma aluna muito aplicada, gostava muito de estudar e gostava muito de esportes também.

Me colocaram num cursinho de inglês e quando eu tinha 14 anos me convidaram pra dar aula. Era interessante porque eu com 14 dava aula pra crianças de oito, nove, quase da mesma idade. Eu comecei a dar aula de inglês com 14 anos.

Na cidade havia um glamour inerente a essa coisa de intercâmbio, mas como as vagas eram muito poucas, pouquíssimas pessoas viajavam. Você tinha em universo de mil e poucos alunos duas que tenham viajado. Mas mesmo assim, foi uma coisa interessante porque nós convivemos na mesma escola e elas fizeram algumas palestras com os alunos e foi nascendo o interesse em fazer o intercâmbio do AFS.

Eu fui para Modesto, no estado da Califórnia. O AFS me concedeu uma bolsa de 50% na época. A família se cotizou, minha madrinha, meus avós, todo mundo. Fizemos uma vaquinha e eu tinha um dinheirinho guardado das minhas aulas de Inglês e nós conseguimos pagar o intercâmbio. Eu não tive muitas dificuldades porque era a realização de um sonho. É uma coisa que eu queria muito, eu não via dificuldade em nada, pra mim aquilo tudo era diferente, só era diferente.

Eu sempre digo que o choque cultural da volta é pior do que o da ida porque da ida você de certa forma já está preparado psicologicamente para o novo, para o desafio. Foi uma outra etapa a ser galgada, foram novas dificuldades, vestibular, estudar, trabalhar e tudo mais.

Minha época de faculdade foi uma época muito corrida porque eu trabalhava o dia inteiro, chegava e ia pra faculdade à noite, cansada. Eu me casei dois anos depois e começou a ficar mais complicado ainda. E depois que eu engravidei, que eu já estava prestes a ter o bebê, tranquei a matrícula.

Meu marido trabalhava numa empresa ligada a petróleo, de serviços de petróleo e em 1984 ele foi transferido para os Estados Unidos. Nós ficamos lá, de 1984 a 1985, no Texas. E em 1985 ele teve convite para retornar ao Brasil. Nós voltamos para o Rio e alguns meses depois ele foi solicitado a ir para Macaé.

Nós fundamos o Comitê Macaé em 1990 e recebemos o primeiro estudante. A minha família acolheu o primeiro estudante de Macaé, que foi um Islandês. E foi bem interessante, que meu filho na época tinha 11 anos, ele era filho único e automaticamente, ele passou ser o caçula, ele tinha um irmão mais velho. Foi uma experiência bem legal pra ele também.

O comitê floresceu, eu fui presidente do Comitê Macaé durante 20 anos. Tirei um ano dia de folga, vamos dizer assim, fazendo parte do Conselho Fiscal do AFS, voltei para a presidência do comitê Macaé, depois fiz parte do Conselho Diretor e fui Presidente do AFS até o final do ano passado.

Ser voluntário do AFS é uma grande oportunidade de você conhecer outras pessoas, de aprender outros modos de se viver, não existe o certo e errado, existe o diferente. Se todas as pessoas tivessem essa visão, nós não teríamos hoje esses ataques por religião, não teríamos racismo, intolerância que a gente vê hoje em dia no mundo.

Em 2008, eu recebi o Prêmio Galatti, que é um prêmio internacional concedido aos voluntários. Recebi também o prêmio Tachi Cazal que também é por destaque no voluntarismo. Recebi alguns prêmios regionais também, como voluntária destaque, mas o prêmio maior, eu acho que é essa satisfação de você trabalhar, de ver jovens desabrocharem.

Eu sou tradutora, especialista na área de óleo e gás. Inclusive, eu tenho dois livros publicados, dois dicionários de termos técnicos publicados na área. Eu atuo como tradutora freelancer, na verdade, desde 1976, sou menina precoce. E eu adoro o que faço, é a minha profissão hoje, eu acho que até eu não conseguir mais digitar (risos).

Só tenho um filho, Mário David. Ele é Advogado, vai fazer 35 anos agora, está com 34 e meio (risos). Sou casada, com um americano, há 35 anos. [E] tenho duas netinhas lindas, a Lina e a Kailen, uma egípcia e uma texana (risos).

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