Busca avançada



Criar

História

Trajetória na AmBev

História de: Adenorto Albino Teixeira
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 03/01/2007

Sinopse

Nascido em 1959, trabalha na Ambev há 12 anos como técnico/caldeireiro. Fala sobretudo de sua vida profissional, de como veio a trabalhar nesta empresa e de suas tarefas cotidianas.

Tags

História completa

IDENTIFICAÇÃO Nome, data e local de nascimento Meu nome completo é Adenorto Albino Teixeira. Nasci em 26/02/1959, em São João do Oriente, Minas Gerais.

TRABALHO Ingresso na empresa/ Trajetória profissional Eu trabalhei duas vezes na AmBev, porque primeiro eu trabalhei cinco anos e oito meses na Antarctica. Aí a minha área de serviço foi terceirizada na época. Eu fazia parte da caldeiraria, como faço até hoje da engenharia. Então terceirizaram a caldeiraria. Fui pra essa terceirizada e fiquei três anos. Aí formaram a AmBev. Eu voltei pra empresa, porque ela acabou com a terceirizada. Agora estou com cinco anos. Vai fazer 12 anos que eu trabalho diretamente na empresa, não saí da área. Eu ouvia falar da Antarctica, porque é uma cerveja conhecida, mas da empresa mesmo, eu não ouvia falar. Nessa época eu trabalhava na USIMINAS, em Cubatão, e estava de férias. Eu vinha pra Pedreira, porque minha família estava aqui, esposa e filhos. Então vim passar férias aqui e tinha conversado com o engenheiro da USIMINAS, que era um cara com quem eu havia trabalho 12 anos e gostava muito. Então eu falei a ele que se conseguisse um emprego mais perto da minha família, seria melhor pra mim, porque minhas filhas já estavam virando mocinhas. Ia chegar uma hora que elas iam arrumar noivo, se casar, e o pai não estava nem presente. Então foi uma coisa interessante na minha vida. Eu vim passar férias aqui, na minha casa, em Pedreira, e resolvi bater um currículo. Na época era para a Antarctica. Coloquei o currículo numa sexta-feira, quando foi na segunda-feira eu recebi um telegrama. Aí foi aquela alegria. Falei: "Agora quero ver salário. Se for o que eu ganho aqui ou se for igual, prefiro ficar dentro de casa, porque aí vou estar todo dia com meus filhos." Então mandaram me chamar urgente. Peguei e vim. Disputei teste com 11 pessoas da parte de caldeiraria. Graças a Deus, eu posso dizer e agradecer a Deus que eu fui o felizardo. Entre 12, eu fui o escolhido na empresa em que estou até hoje. Trabalhei bastante, no projeto das tubulações, apesar de ter empresa terceirizada fazendo. Mas eu ajudei bastante também. Então era de manhã até de madrugada. Tinha vez que eu estava em casa e a supervisora, na época, a Magda - hoje ela não trabalha na empresa mais - ligava na minha casa: "Adenor, eu estou com um problema na válvula. Está passando ferrugem. Você poderia vir dar uma olhada pra mim?" A gente estava disposto a vir ajudar. Mas aqui dentro da fábrica eu vi nascer, vi furarem os poços artesianos; trabalhei na linha da tubulação do poço artesiano.

MUNDO DO TRABALHO Cotidiano de trabalho A caldeiraria fabrica várias peças. A gente fabrica fabrica, solda, monta e faz várias outras coisas, como enchimento de eixo. Faz parte mecânica também, não é só fabricação de peças. Nessa tubulação passa a cerveja. Tudo passa nessa tubulação, então a gente fabrica as peças. Na verdade, a tubulação é uma peça comprada, porque a gente não tem como fabricar. A gente fabrica as peças com a tubulação. O meu dia é bastante cheio pelo seguinte: porque além de ser um técnico em manutenção da Companhia, eu ainda sou um “CIPEIRO”, sou vice-presidente da CIPA da unidade de Jaguariúna. Então, todos os “CIPEIROS” têm a obrigação de fazer uma rota. São quatro rotas por mês. Nessa rota, a gente vê o que pode causar um acidente leve ou grave. A gente tem que ver o que fazer ali pra evitar esse acidente. Então isso é um serviço nosso, da parte da CIPA. O que pode causar acidente é vazamento de água, vazamento de produto químico - ácido, o cloro. Mas isso é uma coisa que a gente trabalha muito em cima. A gente já teve esse tipo de acidente, mas, graças a Deus, a gente soube sanar ele e até agora eu diria que está correndo bem. A gente conversa sempre com os colegas de seção. Cada “CIPEIRO” tem a sua área de atuação. Eu atuo na área da utilidade, casa de máquinas e CO2. A parte dos gases perigosos são da minha área. Então eu converso bastante com meus colegas na parte da manhã e peço atenção. Falo: "Se vir algum vazamento, me procure." Porque quem tem que fazer esse tipo de serviço sou eu e um operador daquele setor. E, até agora, graças a Deus, não está tendo problema nenhum. E, além de “CIPEIRO”, sou um brigadista também. Eu faço parte da brigada desde a época que a AmBev formou o grupo, porque na Antarctica tinha bombeiro próprio. E a AmBev, no caso, montou o corpo da brigada da própria empresa. Inclusive no dia 21 passado, eu fiz o treinamento. Ontem teve treinamento pro pessoal que não foi junto comigo. Foram mais 11 pessoas. Inclusive até terceirzado participou. Nesse ponto é bom pra gente, porque a gente aprende coisas como salvamento. A gente tem certificado do Governo do Estado. Eu tenho esse certificado que ele dá. Cada curso que a gente faz lá, ganha um certificado desses.

MUNDO DO TRABALHO Relações de trabalho As condições de trabalho aqui são até melhores. Eu diria que são melhores pelo seguinte: porque lá a fabricação era pesada e aqui a gente tem liberdade total pra trabalhar. Então não é cobrado no sentido que todo mundo é cobrado. O nosso gerente cobra o meu gerente, o meu gerente cobra o meu supervisor, o meu supervisor cobra de mim. Mas eu posso dizer que, graças a Deus, nesses 12 anos, até hoje, não fui cobrado, porque eu faço o que faço de livre e espontânea vontade. Esse supervisor com quem eu trabalho, hoje ele é gerente da engenharia. Então é uma pessoa que eu conheço demais, admiro muito, porque ele me ajudou bastante. E ele me dá liberdade total, porque sabe que onde tem trabalho pra fazer. Então ele deposita muita confiança em mim e eu nele. Então um ajuda o outro. Um chama, porque a gente atende por telefone, e a OS sai. Mas, às vezes, o local de fazer esse trabalho não está liberado, a linha está passando produto e eu tenho que aguardar. Então eu já fico na seção ali, de sobreaviso. Qualquer coisa, me ligam aqui. Na hora que parou a linha, me chamam que eu vou e resolvo o problema. Então a confiança dele é essa. De tarde, eu passo tudo pra ele. A gente chama ele carinhosamente de Massa, porque é um cara maravilhoso mesmo. Então eu posso falar isso de peito aberto. Então eu, a gente chega e fala: "Foi feito isso, isso e isso. Isso não deu pra fazer. Ficou combinado de fazer amanhã, porque não pararam a linha". Então eu posso dizer que trabalho à vontade, livre. Ninguém fica no pé de ninguém. A gente conversa sempre, porque ele é um cara que, apesar de ter virado gerente, continua sendo a mesma pessoa. Então é uma pessoa que deposita confiança na gente e a gente tem que sempre fazer por merecer a confiança dele. O Cristian é mais caladão, mas a gente não gosta de ser calado. A gente gosta de falar. Eu sou mineiro, mas não sou aquele quietinho. Eu gosto é de falar. O que eu sinto, eu jogo pra não ficar aqui dentro.

PROCESSOS INTERNOS DA EMPRESA Fusão No meu modo de trabalhar, não houve diferença com a fusão. Eu diria que não houve mesmo, mesmo quando eu fui pra terceirizada, eles prefiriram me manter dentro da empresa. Tanto que eu não notei diferença no tratamento. Eu continuei sendo a mesma pessoa. O mesmo direito que eu tinha, continuei tendo. Eu não era tratado como um terceirizado. Eu era tratado como funcionário da Antarctica. Aí, quando passou a AmBev, de imediato a gerência foi atrás de mim. Eu até me emocionei no dia porque a minha idade é já elevada. Hoje estou com 48 anos. Eu fiquei assustado, porque na época estava com 42. O comentário que a gente ouvia aqui era: "a Brahma não pega ninguém acima de 30 anos". Então a gente ficou preocupado com isso, mas pra mim, graças a Deus, foi diferente. Eu não sei se é pelo que eu havia feito pela Antarctica. Eles depositaram essa confiança em mim e, até hoje, graças a Deus, eu diria que não decepcionei ninguém.

TRABALHO Momentos marcantes Momento marcante foi a mudança da terceirizada pra AmBev, por conta da minha idade. Esse momento me marcou. O próprio gerente, na época, fez uma brincadeira comigo. Ele falou: "Adenor, é uma pena que nós não vamos poder te aproveitar por conta da sua idade". Ele brincou comigo desse jeito, porque ele era muito meu amigo mesmo. Inclusive hoje ele é Diretor Regional do Nordeste, é o Flávio Torres. Então ele ele e o outro gerente de Gestão, que era o Luciano na época, brincaram desse jeito comigo. Aí eu fiquei meio abalado, mas simplesmente virei e falei: "É, Flávio, se for pela idade, eu não posso fazer nada, né? O que eu tenho que fazer é juntar minhas coisas e ir embora, porque de graça também eu não posso ficar. Eu tenho família pra sustentar". Então esse momento aí me marcou bastante. E pra mim foi gratificante a confiança que eles depositaram: uma pessoa com 42 anos entrar na maior indústria de bebidas do mundo. Então aquilo me marcou. É uma coisa que vai ficar sempre na minha memória. Eu sempre falo com meus filhos: "Siga o exemplo do pai, porque o papai está velho". Eu brinco muito com eles, porque eu sou um cara extrovertido. Brinco com todo mundo dentro da fábrica, até com o gerente nosso, o Renato, o Cristian. PRODUTOS Cerveja Liber Eu sou uma pessoa que, apesar dessa idade toda e trabalhar numa fábrica de bebidas, eu não bebo bebida alcoólica. Eu nunca coloquei na minha boca. Então, hoje a gente tem a Líber. Eu achei importante o nascimento da Líber e foi dentro da nossa unidade que se passou a fabricá-la, que, por sinal, pra mim é uma excelente cerveja. Então vira e mexe eu bebo uma Liberzinha. Esse, pra mim, é um produto importante. 

CULTURA DA EMPRESA Valores Eu deixaria a seguinte mensagem: pra todo funcionário AmBev ser persistente e gastar sola de sapato, que é um dos nossos temas aqui. A gente discute muito isso nas nossas reuniões de PEF. A gente tem que bater metas pra todo o pessoal de todas as unidades. Não é só da nossa aqui, porque, afinal de contas, no Brasil são 32 unidades e é todo mundo AmBev. Não adianta a pessoa falar: “Eu trabalho em Aquiraz”. Não. É AmBev. Então a mensagem que eu gostaria de deixar é que todo mundo seja persistente, procure fazer o seu e fazer com segurança.

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+