Busca avançada



Criar

História

Trajetória de resistência

História de: Auriene Vieira
Autor:
Publicado em: 16/12/2021

Sinopse

Auriene lembra da casa de sua infância, na zona rural de São Raimundo Nonato (PI). Recorda sua primeira escola, o Grupo Escolar Rosa Teixeira de Castro, e das professoras Francisquinha, Ana, Rosilda Paixão e Terezinha. Quando criança, queria ser engenheira, mas, por falta de opção na cidade natal, matriculou-se na Escola Normal e enveredou para a área de Pedagogia. Migrou para Brasília a bordo de um caminhão pau-de-arara, numa viagem que durou quatro dias, em janeiro de 1976. Entrou para a Universidade de Brasília em 1978 e começou a militar no movimento estudantil. Depois de formada tornou-se professora e filiou-se ao SINPRO-DF em agosto de 1985.

Tags

História completa

[A casa de minha infância] era uma casa simples, de quatro quartos, uma sala que a gente achava grande, um corredor, tinha uma cozinha simples e uma despensa. Era de alvenaria, coberta com telha, uma telha muito boa por sinal. E no quintal tinha pé de ata, aí saindo do quintal já ligava a uma roça que tinha caju, e meu pai plantava a mandioca e feijão, e tinha também umas frutinhas que são nativas de lá, que chama umbu. Ao lado esquerdo da casa tinha um curral, porque meu pai criava um pouco de gado. A casa não tinha banheiro. Quando a gente saiu [de mudança] para a cidade, aí foi que foi tendo a consciência da necessidade de banheiro. Mas nós fomos criados numa casa em que não existia banheiro. A gente brincava muito de roda, principalmente em noites de lua clara. Tinha uma outra brincadeira que a gente fazia diariamente quando o sol estava se pondo, que era ficar observando as nuvens para a gente ver que desenho, que animal, que planta, se era ser humano. A gente via muitas coisas lá nas nuvens: ia formando desenhos e a gente via elefante, boi, via gente, via família. Brincava muito de casinha também, aí as casinhas eram feitas embaixo das árvores, com uma parte com tijolinhos, que tirava de casa velha que já tinha caído, e pegava restos de pratos que quebravam e a gente ia montando as casinhas. Bonecas a gente só tinha de pano e de sabugo de milho; nós não tínhamos bonecas industrializadas, não. [Quando vim para Brasília] tinha uma parente da minha mãe que conseguiu articular um quartinho para eu ficar, porque meu pai me deu um dinheirinho para ficar nos primeiros momentos. Quando foi no mês de fevereiro abriu o concurso na Fundação Hospitalar e na Fundação Educacional. Eu passei super bem nos dois concursos, aí rapidinho já estava trabalhando. No primeiro momento eu trabalhei nas duas, aí chegou um momento que eu pedi demissão da educação e fiquei só na hospitalar. Depois eu fiz outro concurso, sai da hospitalar e fiquei só na educacional, na área de educação. Trabalhei um período como professora de 1ª à 4ª série, e depois eu fiz outro concurso e fui dar aula no segundo grau. Em 1979 eu acompanhei muito de perto a greve dos professores, que já tinha uma associação, mas que em 1979 eles formaram o sindicato. Só que logo após a formação do sindicato houve uma intervenção. Foi uma greve muito boa, que parou tudo, eu acho que era quase 100% da categoria na greve. Mas foi uma greve com muito autoritarismo, eu lembro que houve demissões e intervenção no sindicato, intervenção que durou uns nove meses. Quando foi em 1980, teve eleição e foi eleita a primeira diretoria do SINPRO. Eu sempre tive admiração pela categoria e pela entidade, porque eu achava de [eram de] muita luta. O pessoal tinha muita resistência. Os maiores desafios para a atuação dos SINPRO são os desafios que estão colocados por movimento sindical como um todo. De 2016, da época do golpe contra Dilma [Rousseff] para cá, estamos vivendo uma conjuntura de muita destruição dos direitos da classe trabalhadora, muitas perdas. Estamos tendo congelamento de salário há muito tempo, o desemprego, uma coisa surpreendente, portanto todo o movimento sindical [está] enfraquecido do ponto de vista de como lutar para garantir as coisas. Se a gente conseguir reverter, em curto ou médio prazo, essa linha política que hoje governa o país, nós poderemos ter uma melhora na educação, ter uma educação com mais qualidade, mais atual. Mas no quadro que está hoje eu vejo uma situação muito preocupante. Nós temos um projeto de educação no país que é de desqualificar a escola pública de qualidade.

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+