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“Trabalhar realmente o ser humano, a emoção, porque ele tem o poder de transformar”

História de: Entrevista de Marlene Aparecida Barchi Dib
Autor: Thalyta Pedreira de Oliveira
Publicado em: 10/06/2021

Sinopse

Marlene Barchi Dib nos conta sobre sua participação nos projetos “Prevenção Também se Ensina na Escola” e o “Comunidade Presente”, além de experiências em algumas escolas resultantes das ações.

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História completa

Projeto “O Presente da Prevenção na Escola” Realização Instituto Museu da Pessoa Entrevista de Marlene Aparecida Barchi Dib Entrevistada por Jurema de Carvalho São Paulo, 9 de novembro de 2001 Código FDE_CB041 Transcrição por Neuza Guerreiro de Carvalho Revisado por Eduardo Lira P/1 – Bom dia. R – Bom dia. P/1 – Por favor, seu nome completo, o local e a data do seu nascimento. R – Meu nome é Marlene Barchi Dib. Eu nasci em Assis (SP), no dia 5 de agosto de 1963. P/1 – Marlene, a gente queria que você falasse um pouquinho pra gente dos dois projetos que estão acontecendo no encontro aqui, o “Prevenção Também se Ensina na Escola” e o “Comunidade Presente”. R – Nós fomos chamados pra trabalhar um pouco sobre a questão do “Prevenção” e do “Comunidade”. Eu acho importante a gente abordar um pouco da história dos dois temas. O “Comunidade Presente” envolve toda a comunidade escolar, como as famílias e os alunos. E o “Prevenção Também se Ensina” é um nome muito significativo e que chama muito a atenção dos nossos alunos, porque pra fazer prevenção, eles também tem que aprender. Nós da Diretoria de Ensino de Assis – eu sou ATP [assistente técnica pedagógica] – nós temos uma representante também aqui que é a supervisora. A nossa função agora, nesse momento é de difundir essa unificação dos dois projetos, já que o “Prevenção” enfoca determinados temas com AIDS, DST’s [Doenças Sexualmente Transmissíveis], drogas, e o “Comunidade” enfoca violência. E nós entendemos que alguns temas do “Prevenção” decorrem em consequência também da violência. Então, pela afinidade que existe no trabalho com esses temas, eu acho que a nossa difusão e a nossa capacitação aqui, vai favorecer, vai no subsidiar pra gente com que nossos professores tenham mais subsídios, mais respaldo pra dar continuidade num trabalho que nós já temos na Diretoria. Porque na verdade, desde que esse projeto foi implementado, eu acho que a Diretoria de Assis tem até o privilégio de contar com profissionais competentes, porque a gente já faz esse trabalho em parceria com toda a sociedade assisense. A gente participa de Conselho de Entorpecentes de uma forma bem atuante; nós participamos do Conselho da Criança e do Adolescente, do Conselho de Pessoas Portadoras de Deficiências, do Conselho da Saúde. Então, a Diretoria tem representante em todos esses segmentos, contando então com parceria da UNESP [Universidade Estadual Paulista], porque nós temos a UNESP em Assis, com a Fundação Rezende Barbosa, que é uma empresa grande e que em todos os nossos eventos pontuais… porque apesar de a gente fazer um trabalho sistemático o ano inteirinho sobre prevenção, nós temos algumas datas. Por exemplo, o dia primeiro [de dezembro], que está aí, que é o Dia Mundial de Luta contra a Aids. A gente envolve toda sociedade em prol de um trabalho que já vem acontecendo nas escolas desde o início do ano letivo, porque na proposta pedagógica de cada escola, todos esses temas são contemplados. Então isso tudo vem acrescentar ao trabalho que a gente já vem caminhando a tempo. P/1 – Eu queria que você contasse agora pra gente uma experiência bem concreta de alguma das escolas que você coordena. R – Sobre o projeto? Você quer dizer uma ação? P/1 – Uma ação, bem objetiva nos resultados que isso trouxe. R – Posso pensar, porque você me pegou de surpresa. Eu vou falar de uma ação das escolas, porque pra eu sentir que houve mudança de comportamento, a gente sabe que não se muda comportamento de uma hora pra outra. Quando você diz de mudança de comportamento de um ser humano, é um tempo muito longo. Então eu vou dizer de uma experiência que aconteceu no Dia Mundial de Luta Contra a Aids do ano passado, e como a gente está revendo esse dia novamente, a gente teve esse ano todo pra avaliar o que deu certo, o que não deu… Nós trabalhamos em todas as escolas estaduais e algumas particulares. Antes desse evento, foi feito todo um trabalho de conscientização nas escolas sobre como você adquire o vírus da Aids etc e tal. Na cabeça dos alunos, ainda existia aquele modelo de que a Aids mata mesmo. Então, eles tinham um certo preconceito, tanto com a doença, como também achar que quem tivesse a doença, já podia encomendar o caixão. Isso foi uma avaliação feita nesse evento do ano passado e que foi trabalhada nas escolas… Essa conscientização mesmo, de que existe uma expectativa de vida, de que existe todo um tratamento, que não é porque a pessoa tem a doença, que você não pode ser solidário, que você não pode ter contato com essa pessoa, que você não pode ter um convívio social com essa pessoa e de vê-la como uma pessoa que está assim pra morrer imediatamente. Tanto que existem algumas escolas que apresentaram alguns “chacres” colocando o caixão mesmo, a pessoa dentro. Então, a gente está sentindo que em Assis, agora avaliando novamente pra esse evento, que a cabeça dos nossos adolescentes, está assim tocando uma outra coisa, porque nós também fizemos uma cartilha na Diretoria, onde o enfoque central foi assim: “A Solidariedade não Mata. O que Mate é o Preconceito”. Mais ou menos assim. Isso foi trabalhado na cabeça deles, tanto que a gente tem um comitê também de Aids em Assis, e a gente sentiu que esse pensamento de que a Aids mata, ele foi um pouco modificado e talvez o pensamento seja mais o da solidariedade, da prevenção e de que morrer qualquer um morre, e que não é porque está com Aids que vai morrer. Eu não sei se é realmente isso, mas é uma avaliação feita de um ano pra cá, porque quando você fala de mudança de comportamento, não se muda de um mês pro outro. É uma coisa que a gente vai avaliando passo a passo. Acho que há mudanças de comportamento, Jurema. Ela acontece quando você detecta esse problema. Então você vai detectando o problema, você vai trabalhando em cima desse problema, e aí você reavalia e vê a mudança. Isso foi nítido e pra nós foi muito importante, porque no caso da Aids nós temos que pensar em solidariedade. P/1 – Agora, pra terminar, eu queria que você desse uma sugestão para acrescentar a esses projetos, pra que eles melhorem ainda mais. R – Na questão da escola ou da… P/1 – No projeto em si. O que está faltando pra ele evoluir mais ainda? R – Eu acho que talvez ainda falte um envolvimento ainda maior na questão da pessoa de cada cidadão se sensibilizar realmente com o problema. Enquanto o problema continuar da porta pro fora da nossa casa, enquanto o educador se mantém assim: “O problema não é meu, mas ele está lá fora, é de uma outra comunidade”. Eu trabalho de uma forma não de dentro pra fora, do coração realmente. Talvez essa sensibilização do fato de que fazemos parte de uma sociedade, onde todas as regras ditas somos nós mesmos que propomos, e que essa modificação tem que partir da quebra de paradigmas, de preconceitos. Talvez esse novo milênio requeira, ele exige uma nova postura. Trabalhar realmente o ser humano, a emoção, porque ele tem o poder de transformar. Todo esse mundo que está aí fomos nós que construímos. Acho que nós temos o poder de melhorar. E começa dentro de cada um de nós. Eu acho que essa questão já está sendo construída, mas temos que dar mais ênfase pra essa questão, pro ser humano realmente sentir que ele é responsável, tanto pela transformação do bem como do mal. Então, vamos usar toda essa capacidade que nós temos, pra transformar tudo isso num mundo melhor e mais solidário. P/1 – Está certo Marlene. A gente agradece demais a sua colaboração e registramos sua opinião. R – Obrigada. --- FIM DA ENTREVISTA ---
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