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Trabalhar com cuidado e histórias de vida: marcas que ficam

História de: Tatiana Barile
Autor: Virginia Toledo
Publicado em: 17/04/2019

Sinopse

Tatiana sempre foi muito sensível, com o mundo, com a família e também com o seu próximo. Quando escolheu a psicologia, sempre tentou conciliar esse curso com outras atividades que gostava de desenvolver, como o teatro e a capoeira.  

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História completa

Os meus pais são da região do ABC, de Santo André, São Caetano, por ali, e meu pai trabalhava no Clube Juventus, já há muitos anos, antes deles se casarem, na Mooca, e aí, por isso, quando eles se casaram, eles foram morar lá, num prédio que é na rua do clube e eles moram lá até hoje. Eu morei lá muitos anos da minha vida e tinha muitas pessoas nesse prédio que moraram, lá, a vida inteira, assim. Eu tenho amigos de infância que eu tenho até hoje, que eu conheço até hoje, conheço de alguma forma. A gente morava na rua do clube, então, o clube era assim, a piscina, as festas, o carnaval, os bailes, enfim. Tinha muitas coisas e era uma coisa muito, ali, da região, que todo mundo ia, então sempre foi uma coisa importante. O que eu mais lembro dessa época de infância, eu acho da piscina, no verão. Acho que era um lugar de encontro, que todo mundo ia na piscina, enfim, encontrava todas as pessoas do prédio da escola, enfim. Da escola, não, porque eu nunca estudei na região, mas meus amigos do prédio tinham amigos da escola, então, tinha essa rede, dali. Eu acho que um momento bem marcante, também, foi na época da adolescência, os bailes de carnaval. Tinha o baile do Havaí, que era com a piscina aberta. Era o salão do Juventus e eles faziam uma ponte, assim que ligava na piscina, e enfim, todo mundo jogava na piscina, eram festas muito legais, assim.

 

Essa época da adolescência foi bem marcante. Dessa época também, eu lembro muito da minha irmã, ela era minha bonequinha. Eu tinha dez anos, ela tinha cinco. Ela sempre estava comigo nas brincadeiras. Eu lembro, uma vez, que a gente estava brincando de esconde-esconde, e a gente já era mais adolescente, e aí a gente, assim, brincava de esconde-esconde e tinha os meninos e as meninas. Teve uma hora que a gente foi se esconder e tinha uma escada, assim, do prédio e ficou lá, conversando, os meninos e as meninas, adolescentes, e a minha irmã ficou chorando, desesperada, porque a gente não aparecia mais, porque a brincadeira era ficar lá, não era achar de verdade. Teve uma vez, também, que ela estava na balança e ela caiu e bateu o queixo no chão, assim. E a gente foi para o hospital. Foi super um evento, assim. E eu tinha uma questão que, desde criança, com sete anos, foi a primeira vez que eu desmaiei, porque eu cortei o dedo no apontador de lápis e eu tinha isso, muito forte, assim, de desmaiar, de não poder ver. Ver sangue, ver gente doente, gente de carreira de rodas. Eu tinha muita aflição e até hoje, eu tenho, só que nesse dia, ela caiu com o queixo no chão, saía muito sangue.

 

Um dos passeios que eu sempre gostava de fazer era ir pra praia. Eu gosto muito de praia, também, sempre gostei. Tinha uma praia, lá em Caraguá, que chamava Tabatinga, tem ainda. E é uma praia que você anda quilômetros e a água fica, no máximo, pelo joelho. Ela é bem rasinha e tem uma areia preta. Acho que era a praia preferida, a gente amava. Era rasinha e tinha essa areia. A minha irmã chamava de praia da meleca pura. Acho que era isso que ela falava, que era areia preta, mole, molhada. Já o período da escola, das matérias, eu gostava muito de português, de artes muito, sempre; de matemática, e eu era muito boa aluna, assim. Quando eu entrei na escola, até a oitava série. E aí eu comecei a ser uma má aluna. Eu acho que foi ficando cada vez mais difícil a escola. Difícil, assim, de não fazer sentido. E tinha essa coisa da escola, lá, que era divisão por nota, então, tinha a classe dos alunos CDFs, era um dois, três quatro, cinco. Uma era classe das melhores notas e assim por diante, até a classe dos piores, dos burros. Tinha uma coisa, meio assim, marcada, mas também era mais legal, era mais divertido, tinham as pessoas mais legais, enfim, tinham esses estigmas.

 

Com dezesseis anos, eu comecei a fazer capoeira, que é uma coisa bem importante na minha vida e, desde sempre foi, que acho que foi um espaço que eu amo e que também tem uma parte de grupo, de relações, e de música. Sempre estudei música. Sempre teve uma coisa dos meus pais. A minha mãe, ela toca piano, ela sempre estudou, ela ama música e meu pai, também, ele tinha banda, e desde criança, desde muito pequenos, a gente estuda música. Na adolescência, eu gostava muito de viajar. Na faculdade mesmo, todo dinheiro que eu tinha, eu juntava para viajar para algum lugar e aí eu comecei a viajar sozinha. Acho que quando eu me formei mais, assim. Eu comecei a viajar sozinha para alguns, também. Eu acho que essas viagens, assim, para Salvador, tinham um tanto de encontro comigo mesma. Eu sentia isso, de algum encontro comigo mesma, e acho que de pesquisas, e acho que várias coisas, assim, de projetos sociais que existem lá. Tem ao Pierre Verger, que é fotógrafo e em Salvador tem muitas coisas dele, a casa dele, e tem essa coisa dos negros, da escravidão, da capoeira, então, isso é uma coisa que me instiga muito e lá tem muito. A musicalidade, acho que a coisa da percussão, do que existe lá, que eu gosto, que também me traz inspiração, eu acho.

 

Voltando um pouquinho pra falar da família do meu pai e da minha mãe, eles são de imigrantes. Os meus bisavós dos dois lados são imigrantes. Da família do meu pai é da Itália, e da família da minha mãe da Rússia. A minha bisavó, da parte da minha mãe, eu conheci. Ela morreu, eu tinha quinze anos. Ela falava português com sotaque. Ela era bem velhinha. Ela tinha o cabelo branco, comprido, fazia uma trança, e a gente jogava baralho juntas. Eu ficava na casa dela, algumas vezes, e ela, também, cantava algumas musiquinhas russas para gente, tinha algumas coisas que ela fazia. Essa minha bisavó tem uma história familiar muito importante, que ela é mãe da minha avó e da minha tia avó, que foi essa que fez meu parto, que, inclusive, ela chama Tatiana, que é o meu nome, que é essa tia que fez o meu parto, e a minha bisavó, quando minha avó e minha tia-avó eram pequenininhas, o marido dela era músico e ele foi embora para viajar, para fazer um show, não sei se era na Argentina. Eu sei que ele ia fazer um dinheiro e voltar. E aí, ele não voltou. Ele foi, e a história que a gente sabe é que ele mandou uma carta pedindo dinheiro para voltar, e a minha bisavó que era uma pessoa dura, forte, assim, ela respondeu “do jeito que você foi, você volta”, e ele nunca mais voltou. E essa era uma história que era muito doída para minha avó, para minha bisavó, imagino que também, mas a minha avó, a vida inteira... Acho que era uma espera eterna da hora que o pai ia voltar, que nunca se resolveu, então, a minha avó, acho que essa é uma história que sempre era falada, e tinha essa dor, assim. A minha tia-avó nunca se relacionou com ninguém. Todas as fotos que tinham desse bisavô eram queimadas. Tinha uma história muito mal resolvida, ali. O pai da minha mãe era russo, só que eu não conheci ele. Na verdade, eu só conheci a minha avó e a minha bisavó, da parte da minha mãe. Da parte do meu pai, a mãe dele morreu quando ele tinha doze anos, que também é uma história triste. E o pai morreu depois, mas antes da gente nascer, também, e aí a família dele, eu não sei muito, na verdade. Eu sei que é italiana, vieram, ali, para região de São Caetano, na verdade, e a família da minha mãe, da Rússia, o pai dela era russo e a minha bisavó não era russa, era Líbia, Arábia, Romênia, não sei dizer muito bem, também, mas essa região.

 

Agora falando um pouquinho sobre minha formação como psicóloga, tudo começou quando eu estava no colegial. Um dia fui fazer um dia de orientação vocacional em grupo, numa ONG. Era um dia que tinha apresentação de várias profissões e tinham algumas conversas para você ver sobre todas as profissões e eu lembro que, na roda, com a psicóloga não era nem apresentação sobre a profissão psicologia, mas era a psicóloga fazendo uma conversa com a gente e aí eu pensei nossa, eu quero ser isso. É isso que eu quero ser. Naquele dia, eu falei eu quero ser psicóloga, e, a partir daquele momento, com a psicóloga conversando com a gente, e ficou decidido e foi isso, assim. Aí fiz psicologia mesmo. Me lembro que no quarto ano da faculdade, eu sempre tinha essa coisa de gostar muito de criança, de querer trabalhar com criança, mas eu não tinha tido experiência. Eu tinha feito alguns estágios, tinha feito algumas coisas, mas eu não tinha tido experiência. E aí eu estava na faculdade, eu vi um folder do projeto Fazendo Minha História, e que para trabalhar com as crianças nos abrigos. E aí eu fiquei muito encantada. Eu falei nossa, é isso que eu quero fazer. Eu achei incrível. E logo me chamaram e aí eu comecei a ir ao abrigo e foi uma coisa que eu conheci, nesse momento essa realidade do acolhimento, que eu também não sabia muito como que era, porque as crianças iam para os abrigos, mas isso foi no quarto ano da faculdade, e eu já comecei a trabalhar no “fazendo minha história”. Eu ia uma vez por semana num abrigo na zona norte e trabalhava com dois adolescentes, um menino e uma menina, e aí a gente fazia leituras, a gente fazia desenhos, a gente fazia a construção do álbum deles e foi muito encantador. Eu aprendi muitas coisas, lá. E aí eu me formei em 2005 Logo que eu me formei, eu fui chamada para trabalhar num projetinho que era ser colaboradora técnica, então, o instituto tinha sido fundado, porque, quando eu comecei, era o projeto fazendo minha história, que acontecia nos abrigos, e aí, em dois mil e cinco, teve a fundação no instituto que, na verdade, essa união dos projetos que aconteciam com a Cacá, e a Renata, e a Cau e a Lola, e aí virou um instituto com os programas, então aí começou. E eu tinha acabado de me formar e a Cau me chamou para fazer esse projeto que foi um trabalho muito incrível, que a ideia era pensar um pouco, sistematizar mais um projeto, pensar o envolvimento dos educadores da casa, porque muitas coisas a gente já vinha percebendo. Por exemplo, esse abrigo que eu trabalhava era um abrigo muito atrasado no sentido dos parâmetros atuais, então, era uma casa que era um homem que queria ajudar, tinha uma casa, acolhia as crianças da rua, ainda muito desorganizado, muito assistencialista, muito como eram os parâmetros antigos, e lá a gente se deparava muito com isso, então, a gente trabalhava com as histórias das crianças, mas as crianças lá, não tinham roupas individuais, era tudo de todo mundo, os educadores não trabalhavam as questões, então, a gente pensava muito na importância da formação dos educadores. E a ideia desse projeto piloto era a gente fazer algo com todas as crianças da casa por um ano e fazer, também, ações que pudessem envolver os educadores. No quarto ano a gente fazia as quatro áreas da psicologia e no quinto ano você escolhia duas coisas. Aí eu escolhi o psicodrama, e o núcleo que a maioria das pessoas do instituto fez, que é psicoprofilaxia na infância, que era da Lurdinha, da Bel, que são as nossas professoras referência, que super também na constituição do instituto elas apoiaram e participaram, dando supervisão para a gente em vários momentos até hoje. Na verdade, eu fiquei lá no quarto e quinto ano da faculdade inteiros, e assim que eu me formei, eu já estava encerrando, e aí eu fui chamada para trabalhar nesse projeto piloto, que foi aqui em São Paulo, no Educandário Dom Duarte, lá no Raposo, no Fazendo Minha História.

 

Aí eu fui chamada para trabalhar em outro projeto, em outro abrigo, com um grupo de crianças, e eu estava fazendo a formação em psicodrama. Aí no quinto ano da faculdade eu fiz um núcleo de psicodrama, e o de crianças em vulnerabilidade, e quando eu me formei, eu engatei na formação em psicodrama. E aí foi muito legal essa época, porque eu fazia isso, a formação em psicodrama, eu atendia na clínica da PUC, e eu fazia esses grupos com as crianças, e eu comecei a trabalhar também num projeto da prefeitura com criança em situação de rua. Então a gente fazia a abordagem nas crianças no viaduto da Doutor Arnaldo, enfim, era por região, então eu trabalhava na subprefeitura de Pinheiros e aí a gente ia abordar, tinha lá nossas regiões, e a gente chegava e abordava as crianças, e tentava visitar a família, tentava entender a história e encaminhar. Trabalhei pouco tempo, mas eu falo que parece que foi muito tempo, porque foi muito intenso o trabalho, e que também foi muito transformador. Eu não tinha ideia de que as crianças em situação de rua, a maioria são crianças que fugiram de casa. Não é que elas moram na rua, são da rua. Enfim, a gente não sabe. Mas aí eu conheci muita coisa também nesse trabalho.

 

Logo que eu me formei, eu comecei a trabalhar nos abrigos e nos projetos, e nas coisas do psicodrama, então foi um momento de muito aprendizado e de muita descoberta. Eu fiz um trabalho com duas meninas, a Paola e a Greice, que a gente ficou muito vinculadas. Então era conversar, construir um vínculo para a gente poder ajudar elas a resolver os conflitos, ou a família, quais as questões, para elas saírem da rua, esse era o objetivo. E a gente encaminhava as crianças para os abrigos, elas iam, tomavam banho e comiam, e fugiam e voltavam para a rua. E essas meninas a gente foi fazendo um trabalho muito aos poucos de conversar, de visitar a casa das famílias delas, que eram na Cidade Tiradentes. A gente foi para o hospital, teve um dia que ele quebrou o pé, alguma coisa assim. Aí a gente foi para o hospital, a gente estava no hospital e ela deitou a cabeça no meu ombro e dormiu. Aí a menina que estava atrás de mim ficava me cutucando, porque tinham uns piolhos pulando, e dava para ver, e a pessoa desesperada. E aí a gente fez todo um processo, a gente ia combinando coisas com elas, para elas voltarem para casa, só que eu já tinha decidido sair desse trabalho, porque eu não aguentava mais, porque era intenso e difícil, e aí eu sai. Só que a Paola, ela tinha o meu celular, e ela me ligava, e a gente manteve uma relação. Eu visitava ela, porque ela foi para casa, mas ela voltou para a rua, e ela virou uma pessoa na minha vida. Uma relação muito importante, e na verdade eu era a pessoa mais importante da vida dela. Ela ia, por exemplo, para a Febem, ela dava o meu telefone. Ligava polícia no meu celular. “A senhora conhece a Paola? Ela foi presa.” E por várias situações, ela ia em vários lugares e dava o meu telefone. Ela me ligava várias vezes e falava: “vem me encontrar aqui na Praça Roosevelt?” Teve uma época em que ela morava lá. Eu ia encontrar. E aí eu a levava em show do Palavra Cantada, comecei a levar ela em umas coisas. Teve uma vez que ela me convidou para ir num parquinho de diversões, aniversário dela, então foram anos de convivência e que para mim era um pouco conflituoso, era um pouco difícil. Porque tinha um tanto de, nessa época de se formar, a gente tem essas regras de como a gente pode se comportar e quanto a gente pode se envolver no trabalho, então eu achava que não cabia, tinha esse conflito: “o que eu estou fazendo?” E ao mesmo tempo, eu entendia que aquilo era muito transformador para ela. E tinham momentos em que ela surgia, que ela me ligava, a gente se encontrava. Eu lembro que teve uma vez que era um sábado ou um domingo, não sei, e ela me ligou e falou: “Tati, vem me encontrar? Na Praça da República.” E eu falei: “Tá bom, eu vou.” E eu fui. Peguei um ônibus, saí de casa e fui. E ela não estava. Eu não a encontrei. Depois eu falei: “como assim? E aí?” Ela ficou muito chocada, porque ela não achou que eu fosse mesmo. Ela não achava que eu ia fazer isso. E é isso, ela desvaloriza uma relação porque as pessoas também desvalorizam, então ninguém faria isso, de sair da casa e ir encontrar ela na Praça da República. E eu lembro que esse momento foi muito transformador. Ela se sentiu importante, amada, e na verdade a gente pensa isso hoje muito, no programa de apadrinhamento, que isso é a coisa mais importante da vida, alguém que se preocupa com a gente, alguém que a gente pode contar. Às vezes ligava um policial dizendo: “a Paola foi presa”, e eu também, teve vezes em que falei: “olha eu não sou a mãe da Paola”, eu entendia que eu também não podia fazer mais do que isso. Talvez eu pudesse, mas eu acho que tinha esse conflito de achar que eu tinha que ter um limite, e também tinha o conflito de que tomava muita energia na minha vida. Eu acho que isso no começo da minha profissão, isso que eu contei, de trabalhar quatro meses, era a minha vida inteira, e eu fui precisando equilibrar e dizer que outras coisas eu tenho. E aí a Paola morreu. Depois de um tempo...

 

Agora falando de novo sobre o Instituto Fazendo História, teve um jantar em que eu fui com meus pais e com minha irmã, que foi o lançamento do instituto que na verdade era um jantar para arrecadar alguns fundos também para começar os projetos, então nesse momento tinha o Fazendo Minha História. E a ideia era ter o contato, o ato vivo, e o perspectivas. Que era a Lola, que seria o Perspectivas, a Renata o Contato, a Cacá o Ato Vivo, e a Cal fazendo o Minha História. Então quatro psicólogas se juntaram, cada uma era um projeto, e a ideia era começar. Aí começou aos poucos, na verdade. E aí eu lembro que fui fazer uma entrevista com a Renata, a Renata Marmelsztejn, que era a coordenadora do contato. Eu trabalhei dez anos no Fazendo Minha História, que virou um programa, e enquanto eu estava no Fazendo Minha História eu comecei a fazer formação de educadores, porque em 2012 teve o Perspectivas que era o grupo que fazia a supervisão no Instituto, ele se desvencilhou, ele saiu do Instituto, teve uma separação e o Instituto começou a pensar um novo programa que seria o programa Formação e começamos a fazer, eu fazia, a Débora fazia, gente que trabalhava em outros programas pegava o processo de formação e fazia. Nós começamos a pensar em uma formação para além da supervisão, que chegávamos e discutíamos os casos, era pensar um pouco temas, formações mais direcionadas, temáticas que pudessem ajudar os educadores a estarem em um chão comum, por exemplo, entender o que é um abrigo, qual é o parâmetro hoje, o que é o Estatuto da Criança e do Adolescente, porque muitas vezes chegamos em um abrigo e eles não entendem também, que hoje em dia nós temos, por exemplo, que trabalhar com a história de vida, tem que trabalhar com família. Começamos a montar esses módulos de formação, pensar as atividades, vídeos, temas e eu comecei a fazer a formação. Eu peguei um processo em Barueri, que foi muito desafiador, sempre são desafiadoras as coisas novas, na insegurança você fala “não sei fazer”, mas foi muito legal. Eu também fiz psicodrama, tinha essa coisa do grupo, de trabalhar atividades, foi desenvolvendo isso na verdade. Eu acho que de fato eu cresci aqui, quando eu vou falando que era desafiador, por exemplo, era desafiador trabalhar com os adultos, era desafiador pensar a formação, era desafiador falar em público e fomos fazendo muitas formações e muitas palestras, enfim. Acho que eu fui muito acolhida e acho que eu fui podendo desenvolver habilidades, porque acho que tinha momentos que eu me sentia muito insegura e falava “puxa, não sei fazer, não sou boa” e eu acho que foi sempre tendo espaço, e diversas ações, foi tento espaço e eu fui mergulhando também, deixando acontecer muita coisa. Eu acho que eu cresci muito como profissional, como pessoa, eu tive muitas experiências que me fizeram olhar o mundo de outra forma, acho que essas histórias que eu vou contando vão desmistificando coisas que eu não sabia, que eu vou aprendendo, que eu entendo mais da nossa realidade do Brasil, da desigualdade, do olhar que temos para as pessoas, do respeito, acho que a questão da história de vida. Acho que é isso sim, eu fui acolhida, eu era muito insegura em alguns momentos, mas sempre foi tendo espaço. É a marca do Instituto, de acolher as pessoas e de poder entender o que cada um tem de melhor, o que cada um pode oferecer, eu acho que nós fazemos isso, eu me senti assim e eu acho que nós fazemos isso com as pessoas.

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