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Trabalhar com carinho

História de: Sebastião Gabriel
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 17/03/2020

Sinopse

Nasceu em 1961 em Pirajuí, São Paulo. Assistente de controle de produção. Pai é de Alagoas e a mãe nasceu no interior de São Paulo. Até os 6 anos morou em Pirajuí, depois fica um ano em São Paulo, depois muda-se para Álvaro de Carvalho, interior do estado. Pai era administrador de fazenda. Ao 15 anos vai para Monte Mor trabalhar em plantio de de tomate. Ajudante de pedreiro, posto de gasolina, cobrador de ônibus. Entra na Tetra Pak em 1981 como auxiliar de cortadeira. Líder de turno. Casado, dois filhos.

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História completa

P/1 – Bom dia. O senhor poderia falar seu nome completo, data e local de nascimento?



R – Meu nome é Sebastião Gabriel, nasci dia 30 de janeiro de 1961 na cidade de Pirajuí, São Paulo.



P/1 – E qual sua função na Tetra Pak?



R – Hoje eu sou assistente de controle de produção.



P/1 – Qual o nome de seus pais?



R – Guilherme Gabriel e Iracema Nunes Gabriel.



P/1 – E onde eles nasceram?



R – Meu pai nasceu em Alagoas, na cidade de (Assembléia?), e minha mãe nasceu no estado de São Paulo mesmo, na cidade por nome de Uru, por perto de Pirajuí também.



P/1 – Qual a atividade deles?



R – Meu pai é aposentado, minha mãe já é falecida.



P/1 – Seu pai veio de Alagoas para cá quando, você sabe?



R – Não, não sei, não me lembro.



P/1 – Ele veio, conheceu sua mãe aqui e se casaram aqui?



R – Foi, isso.



P/1 – Sua infância foi onde?



R – A minha infância até os 6 anos foi em Pirajuí mesmo. Depois eu vim morar em São Paulo, morei em São Paulo por um ano só e voltei para o  interior outra vez, para cidade de Garça, onde eu vivi até meus 15 anos.



P/1 – E você lembra, assim, de Pirajuí quando você era criança?



R – Muito pouco.



P/1 – E em São Paulo, você lembra alguma coisa desse ano que você passou aqui em São Paulo?



R – Lembro, lembro sim. Lembro… Eu morei lá na Vila Maria, eu lembro que meu irmão mais velho andava com carrinho de rolimã na rua, lembro da feira, é muito pouca coisa.



P/1 – Então era mais tranquila, era uma cidade mais tranquila do que é hoje?



R – Ah, com certeza, isso foi o que, em 1967.



P/1 – Vocês mudaram para Garça quando?



R – Por aí 1967, 1968 eu mudei para Garça.



P/1 – E como que era lá, como foi sua infância lá, sua já quase adolescência?



R – Ah, lá eu fui morar na fazenda, meu pai era administrador de fazenda, sempre fez isso, e eu morava perto da cidadezinha chamada Álvaro de Carvalho, Garça que eu falo é ponto de referência, é cidade maior, mas eu morava no município de cidade bem pequenininha, Álvaro de Carvalho, onde eu ia estudar de manhã.



P/1 – Como era a escola lá, como era o cotidiano?



R – Ah, era tudo muito simples, tudo muito simples…  Uma cidadezinha muito pacata que todo mundo vivia da lavoura ali.



P/2 – Só voltando um pouquinho, vocês vieram morar em São Paulo porque, assim, durante este ano, vocês tinham parentes aqui?



R – Tinha, tinha. Minha avó morava aqui, as irmãs do meu pai moravam aqui.



P/2 – E aí ele veio… 



R – … Ele veio tentar e não se acostumou, sempre acostumado a viver em um  lugar pacato.



P/2 – Aí voltou depois de um ano?



R – Voltou não é à toa, não ficou.



P/2 – Você tem irmãos?



R – Tenho, eu tenho mais um irmão e duas irmãs.



P/2 – Você poderia falar o nome deles e o que eles fazem? São mais novos ou mais velhos que você?



R – Uma é mais nova e três mais velhos, dois mais velhos. A minha irmã mais velha mora em Espírito Santo, Aparecida Vilma Gabriel, depois tem meu irmão, que mora em Sumaré, Erineu Aparecido Gabriel, eu moro em Monte Mor e minha irmã mais nova também, a Vera Lúcia, também mora em Monte Mor.



P/1 – Você começou a estudar onde?



R – Eu comecei a estudar em Garça, em Álvaro de Carvalho.



P/1 – Certo. E você continuou todos seus estudos lá?



R – Não, eu terminei meus estudos aqui já, que eu vim para cá eu tinha 15 anos, aqui para Monte Mor.



P/1 – E vocês mudaram para Monte Mor para que, por quê?



R – Eu vim para Monte Mor em 1976, em dezembro de 1976, para  trabalhar no plantio de tomate.



P/1 – Com a família ou sozinho?



R – Com a família.



P/1 – E como era Monte Mor quando você chegou em 1976?



R – Nossa senhora, Monte Mor em 1976 era um marasmo, era muito pequenininho, era uma cidade que todo mundo conhecia todo mundo, cidade pacata, sem violência sem… Cidade sem maldade, tipo cidade de Minas, você conhece Minas?



P/1 – Então, quando você mudou para Monte Mor você foi morar no sítio?



R – Foi, a princípio sim, a princípio fui morar em um sítio para, em um plantio de tomate e, morei em um sítio por um ano, um ano e pouquinho, foi duas safras de tomate, uma safra de tomate dura menos de seis meses.



P/1 – E depois mudaram para o centro da cidade?



R – Para Monte Mor, é.



P/1 – E saíram do sítio por que, pararam de trabalhar (como?) ?



R – Ah, porque tomate, tomate na época era um negócio que atraía, só que… Era um tiro dentro d’água, você podia assentar e ganhar algum dinheiro como trabalhar em vão e sair sem um tostão, e foi o que aconteceu com a gente, não tivemos sorte, então falei para o meu pai: “Vamos parar com isso que não vai levar a nada.”



P/1 – O seu primeiro emprego, então, foi na lavoura de tomate?



R – Foi… Não, na lavoura de tomate, não. Meu primeiro emprego foi lá em Garça ainda, já trabalhava de criança na roça.



P/ 1 – E depois disso, depois de trabalhar na lavoura, o que você começou a fazer?



R – Depois que eu vim para Monte Mor?



P/1 – Isso.



R – Quando me mudei para Monte Mor eu comecei a trabalhar como servente de pedreiro, ajudante de pedreiro, depois trabalhei em um salão onde fazia lavagem de batata, a batata que vinha da roça com terra, no saco com terra e tem uma máquina, não sei se você conhece, que faz a lavagem da batata e a batata sai limpinha, eu trabalhei nisso aí, trabalhei em posto de gasolina, trabalhei ajudando um topógrafo e depois, meu último emprego antes da Tetra Pak trabalhei como cobrador de ônibus na Companhia Caprioli.



P/1 – Então foi carreira bem variada?



R – Foi, foi.



P/1 – Você é casado?



R – Sou casado há 23 anos.



P/1 – Qual o nome da sua esposa?



R – Teresa de Fátima Mendes Gabriel.



P/1 – Qual a atividade dela?



R – Ela é recepcionista de um centro de especialidade da prefeitura.



P/1 – Vocês tem filhos?



R – Tenho, dois filhos.



P/1 – Pode falar o nome deles?



R – O mais velho é Guilherme Gabriel Neto e o mais novo Lucas Eduardo Mendes Gabriel.



P/1 – São jovens ainda, não trabalham?



R – Jovens ainda… Trabalham, o mais velho tem 23 anos, trabalham na Cromus e o mais novo está comigo na Tetra.



P/1 – Ah, trabalha na Tetra Pak também? Então vamos começar a falar da Tetra Pak. Antes de trabalhar lá, você já conhecia a Tetra Pak, como que era?



R – Conhecer a Tetra Pak não, já ouvia falar da Tetra Pak, conhecia alguém que trabalhava lá e, quando foi no final de 1980, acho que no mês de novembro mais ou menos, naquela época fazia, tinha costume de fazer ficha, não tinha currículo, eu fui até a portaria preencher a ficha e deixei lá. Nessa época eu trabalhava como ajudante de topógrafo, e tinha também feito uma ficha na Caprioli, aí a Caprioli me chamou, eu parei de trabalhar como ajudante de topógrafo e fui trabalhar na Caprioli como cobrador de ônibus. Isso foi, comecinho do ano, finalzinho de janeiro, por aí, que a Caprioli me chamou. Vinte dias, 22 dias que eu trabalhava na Caprioli, a Tetra Pak me chamou. Aí veio a indecisão: “O que eu vou fazer? Estou há vinte dias aqui, vou pedir a conta, vou para lá, vou correr o risco?” Mas eu fui à Tetra falar com, na época era o gerente do RH [Recursos Humanos], Hermínio Scachetti, eu me lembro que ele falou: “Você está afim de trabalhar aqui?” “Eu estou, então tive pensando bem, acho que aqui eu vou ter mais chances.” Aí ele falou “Oh, não peça a conta na Caprioli, você está empregado, vai, faça os exames médicos e depois você pede a conta.” Mas eu já tinha feito exame médico a vinte e poucos dias atrás, eu falei “Ah, seja o que Deus quiser.” Fui direto na Caprioli, no escritório e pedi a conta, falei: “Ô, estou saindo por isso, isso e isso.” Até pediram: “Não sai, não, você está indo bem, você está aprendendo bem e tal.” Mas pedi e fui para a Tetra.



P/1 – E você preferiu a Tetra Pak por quê?



R – Ah, porque na empresa de ônibus não tem onde você crescer mais, você vai ser o que, cobrador ou motorista, manobrista… Sei lá, para mim não ia dar, não ia ficar legal, não.



P/1 – E você já morava em Monte Mor quando a Tetra Pak chegou lá, quando a fábrica abriu em Monte Mor?



R – Já, já morava lá.



P/1 – Como é que foi quando a Tetra Pak chegou em Monte Mor, mudou muita coisa?



R – Quando ela chegou, começou a construir?



P/1 – Isso. Teve uma… As pessoas comentavam?



R – É, eu lembro que o pessoal falava: “O que vai ser aqui?” “Tetra Pak.” “Mas que embalagem, que tipo de embalagem?” Porque na época eles começaram com aquele, aquele o Tetra Classic, que era de 300 mililitros. E todo mundo ficava meio indeciso, meio duvidoso: “O que vai ser aí, será?” E tinha a placa da construtora, a Toda, então falava: “A Tetra Pak é Toda?” Os caras, meu… 



P/1 – … E ali em volta de onde foi construída a fábrica como era? Porque ali hoje em dia tem casas ali e tudo. A Monte Mor já chegou… 



R – …  Ali era um pasto, ué, ali era um pastão, tinha pé de manga, goiaba, o pessoal soltava animais ali, cavalo, na entrada de Monte Mor ali não tinha trevo nenhum, depois que a Tetra Pak começou a construir a Tetra Pak colocou uma plaquinha lá: “Tetra em Monte Mor”.



P/1 – A gente tem uma foto dessa placa.



R – Tem? 



P/1 – Bom, então, daí, você fez os exames médicos e passou?



R – E fui aprovado e uma semana depois eu comecei a trabalhar na Tetra Pak.



P/1 – Qual a função que você entrou?



R – Entrei como auxiliar de cortadeira. Na época era, não tinha muita tecnologia, tinha só uma cortadeira na fábrica, uma impressora, uma laminadora e duas doctors, que são máquinas que faz o retrabalho. E eu me lembro que na cortadeira que eu fui trabalhar você tinha que, você já viu bobina de embalagem, não viu? Hoje a bobina é bobina jumbo, que tem dois mil metros, antigamente a bobina era bobina pequena, que pesava 65 quilos. Hoje as bobinas são embaladas, polietizadas tudo automaticamente, na época não, na época você tinha que pegar a bobina e embrulhar como se fosse um presente, colocar em cima da mesa com papel, você embalava ela, colava ela com durex, pegava em dois e colocava em um pallet.



P/1 – E isso já era função de quem trabalhava na cortadeira?



R – Isso, do auxiliar.



P/1 – O que mais você fazia além de embalar as bobinas, quais eram as suas funções como auxiliar de cortadeira?



R – Embalar bobina, botar no pallet e depois colar etiqueta nas bobinas, que era tudo manual, e depois fazer um boleto dizendo que nesse pallet tinha bobina tal, com tantas embalagens, e esse boleto está colado junto ao pallet. E esse pallet era mandado para expedição e estocado.



P/1 – Como é que era a fábrica, porque era no comecinho, você começou a trabalhar em 1981?



R – Eu comecei em 1981, vai fazer o que, dois anos que ela começou, a fábrica foi inaugurada em 24 de outubro de 1978. Eu comecei dia 23 de março de 1981.



P/1 – Estava bem no comecinho.



R – A fábrica era bem pequenininha. Ela só tinha aquele primeiro barracão ali, ali naquele primeiro barracão tinha a laminadora 21, a impressora Schiavi, que não existe mais, essa cortadeira, a 51, e duas doctors. Não tinha armazém para matéria-prima, a matéria-prima era guardada ali mesmo, entre as duas máquinas. Tinha a área de expedição já, a área de expedição já tinha, bem pequena mas já tinha.



P/1 – Que é a área onde vão as bobinas cortadas e embaladas, prontas para ir para o cliente?



R – Cortadas e embaladas, isso.



P/1 – Você lembra os clientes que tinha nessa época?



R – Lembro, lembro. A Alimba da Bahia, tinha outro cliente da Argentina, Las Trezinas, hum… Tinha outro cliente, Kasdorf, tinha a Norpack também da Argentina, Parmalat sempre teve… Ah, e outros que agora eu não lembro.



P/2 – Só voltando um pouquinho, você falou que foi na Tetra Pak preencher uma ficha, e você foi por conta ou você conhecia alguém que trabalhava lá que falou: “ Oh, tão precisando de gente.”?



R – Não, eu conhecia já. Conhecia molecada da cidade, alguns trabalhavam lá, tinha irmão que trabalhava lá, um primo.



P/2 – Ah, seu irmão trabalhava lá?



R – Não, pessoas que tinham irmãos e falavam: “Oh, faz uma ficha lá, porque sempre no final do ano, começo do ano, eles pegam.” Aí eu fiz e continuei trabalhando como ajudante de topógrafo.



P/2 – Você sentiu muita diferença quando começou a trabalhar lá, porque foi um trabalho totalmente diferente do que você já tinha feito.



R – Nem imagina, uma semana que eu estava lá aí eu falei assim, pensei comigo, não falei para ninguém, pensei: “O que eu fui fazer?” Trabalhava como cobrador de ônibus, lá o peso que eu pegava era a pastinha das passagens e naquela época a Tetra Pak não tinha tecnologia, você fazia força mesmo, força física mesmo, como eu falei você embalava, você embalava bobina na mão, e pegava a bobina em dois, em 65 quilos e colocava em um pallet. Na primeira semana eu falei:“O que eu fui fazer?” Não conseguia nem dormir de cansaço, eu ia embora arrastando o pé, não tinha costume de fazer aquilo, estava parado. Aí depois passou lá quinze dias, vinte dias, acostumei com o serviço, aí fui embora… 



P/2 – … Aí você não se arrependeu?



R – Não, graças a Deus, não.



P/2 – Quantas pessoas trabalhavam com você? Você lembra mais ou menos?



R – Na minha máquina?



P/2 – É, na produção.



R – Ah, na produção, putz, deixa-me fazer uma conta mais ou menos aqui rápido, três, seis… Ah, contando com empilhadeirista, tudo, quase trinta pessoas no mesmo turno.



P/2 – Quantos turnos eram nessa época?



R – Três turnos.



P/2 – E você trabalhava em qual turno?



R – Nos três, uma semana em cada.



P/2 – Ah, era uma semana em cada e ia revezando?



R – Era primeiro, terceiro, segundo, primeiro, terceiro, segundo.



P/2 – E tinha, colegas que entraram também nessa época, tem alguns que trabalham ainda com você?



R – Tem… Olha, o Luís Antônio Ribeiro, conhece ele? O Pacote, vulgo Pacote?  Ele também veio da minha terra, veio lá de Garça. Eu vim primeiro aí depois fui lá e ele falou: “Ah, eu vou para Campinas também.” Daí veio para cá, para Monte Mor. Ele entrou um mês antes de mim na Tetra, depois entrei em março e quando eu entrei em março eu fui trabalhar no mesmo trabalho, ele era ajudante e eu também fui trabalhar de ajudante como ele.



P/2 – Ah, se encontraram novamente.



R – É, e… Mas ele saiu, saiu no ano de 1981 mesmo, no mês de junho, julho, ele saiu, ficou acho que cinco meses fora, depois voltou.



P/2 – E você ficou?



R – Eu fiquei.



P/1 – Ele contou essa história para gente.



R – Contou?



P/1 – Contou.



R – Foi, foi. Ele saiu devido a uma crise que teve no país, eu não lembro o que foi exato, então, teve umas dispensas lá e ele foi um deles, infelizmente, só que cinco meses depois ele foi chamado de volta, ele e mais algumas pessoas que foi também junto com ele.



P/1 – Você lembra do seu primeiro dia de trabalho?



R – Lembro. Lembro-me sim. Lembro que eu cheguei na portaria bem antes das oito, aguardei, aí depois veio a Ana Maria, chegou, conhece a Ana Maria? A Ana Maria trabalhava também naquela época, ela chegou, entrou e depois de mais meia hora o guarda pediu para eu subir, falar com a Ana Maria, aí eu fui até a sala da Ana, falei com ela ali por cinco, dez minutos, ela me levou até a sala do supervisor, na época era o Paulo Bordini, e me levou lá para o Paulo Bordini e falou: “É seu agora.” Aí o Paulo me levou para fábrica para me mostrar as máquinas e ali eu já fiquei, fiquei na máquina, trabalhando na operadora do Valdir, Valdir Betarelli, o Luís no pacote, eu era ajudante e mais um outro menino lá, o Rubens, que não trabalha mais na Tetra, o Rubens Aguiar. E ali foi o primeiro dia.



P/1 – Então, vocês aprendiam a mexer na máquina já ali no trabalho, no dia a dia do trabalho?



R – Hoje é diferente, naquela época não, naquela época você entrava para  produção e você já ia trabalhar, hoje tem uma semana, duas semanas de integração, hoje muda muito.



P/1 – Depois disso você passou por treinamentos, assim, dentro da Tetra Pak, ou não?



R – Não.



P/1 – Foi realmente aprender ali, na força?



R – Foi, foi aprender ali na força. Eu trabalhei três, quatro meses na cortadeira, depois eu fui para impressora, a Schiavi, eu trabalhava como auxiliar, mas foi assim também: “Amanhã você vai para impressora.” E amanhã eu fui para impressora. No outro dia eu fui para impressora e: “Oh, aquele rapaz vai te ensinar.” E eu lembro até hoje o Marcelino me ensinou a trocar rola atrás da máquina, fazer emenda… E nessa máquina eu trabalhei dez anos, dez anos, trabalhei como auxiliar por um ano, depois passei à reserva de operador por mais uns dois anos, e depois passei a operador, trabalhei por dez anos na Schiavi.



P/1 – Sempre na mesma máquina?



R – Sempre na mesma máquina. Na verdade eu, na Tetra Pak eu trabalhei na cortadeira foi três, quatro meses depois eu trabalhei 17 anos só com impressão… E depois de dez anos na Schiavi, foi em 1991 começou o projeto da Tetra Rex, começava a falar em Tetra Rex: “O que é Tetra Rex?” Ninguém sabia, e eu fui convidado pelo Hélio Hugo Pinês que estava tocando esse projeto para trabalhar na Tetra Rex. É impressão também, é outro tipo de impressão, mas ninguém sabia o que era Tetra Rex, eu não sabia. Aí fui convidado, topei e quando foi em setembro de 1991 nós começamos ir para Argentina, em La Rioja para produzir, aprender, para conhecer a Tetra Rex, e acompanhar a produção de produto, de embalagem para Paulista, Paulista aqui do Brás, que estava sendo produzido na Argentina, em La Rioja, aí fomos setembro, fomos em outubro e fomos em dezembro, fomos três vezes e quando foi em março, mais ou menos, em 1992, fevereiro, março, aí chegou a máquina para cá, foi montada a máquina e aí começamos já a aprender mesmo, a produzir mesmo.



P/1 – Como foi lá na Argentina, foi um treinamento?



R – Foi um treinamento, mas você só acompanhava. No começo você acompanhava o cara a fazer, depois começava a pôr a mão para aprender ...



P/1 – E o processo é muito diferente?



R – Ah, totalmente diferente. É… A impressão da Tetra Rex, hoje não, hoje mudou, mas na época era em cima do PE [Polietileno], primeiro se colocava, pegava um papel, laminava, colocava um PE e depois a impressão ia em cima do PE com tratamento corona, então uma impressão dificílima de fazer, saía fácil, não tinha uma aderência legal, hoje é impresso, laminado… O papel depois o laminado, como o TBA [?] normal.



P/2 – E foram quantas pessoas com você para Argentina? Era um grupo grande?



R – Oito pessoas. Paulo Bicudo já veio aqui? 



P/2 – Paulo Bicudo já veio.



R – Já veio, semana passada. Paulo Bicudo, Hélio Penesso, Pedro Biasio, Benedito Camargo, esse que está aqui, o Laércio Frade, Antônio Cavaglieri, Jerônimo… Eu acho que só.



P/2 – E foi muito difícil esse aprendizado? Era totalmente diferente do que vocês estavam fazendo?



R – Ah, difícil sim, muito difícil foi. No começo, nossa, dava um estresse danado aquele trabalho, quantas vezes tinha que vir aqui no Brás separar embalagem porque não constava lá, não estava entrando no mandril da máquina, então, apanhamos bastante, trabalhava 12, 13 horas por dia, é foi terrível no começo .



P/2 – Era a Paulista, não era? 



R – É, o primeiro cliente Tetra Rex da Tetra Pak foi a Paulista.



P/2 – E era aqui no Brás?



R – No Brás.



P/2 – E aí, a máquina ficava aqui?



R – A máquina de envase era aqui.



P/2 – Aí, tinha que vir porque não estava… 



R – … É, o cara ligava lá e falava: “Oh, as embalagens não estão entrando no mandril.” Vai até pouco mais da metade do mandril e… 



P/2 –…  O que é o mandril?



R – O mandril (risos), ah… Na máquina as embalagens vêm aí ela entra nesse tal mandril, que é um quadrado, no formato da embalagem, a embalagem, abre e entre ali, para depois ela não virar, ela vai solta, enche direito, ela entra no mandril, fecha o fundo, aí depois ela vira lá dentro da máquina, entra o leite, fecha em cima… Primeiro ela tem que, porque ela vem fechada, então ela tem que entrar no mandril para fazer o formato dela… 



P/2 – … Ah, ela vem fechada?



R – Fechada. Ela vem assim. Aí entra no mandril, fecha o fundo, ela sai do mandril com o fundo aberto e com a boca aberta entra o leite, e sela a parte da boca da garrafinha.



P/2 – E às vezes não entrava?



R – Não entrava totalmente então… 



P/2 – … Aí tinha que vir para São Paulo para… 



R – … Sério, vinha, punha o mandril manual e separava essa, essa não, tira…  Era um trabalho, saía daqui quatro da manhã, cinco da manhã para ir embora… Conhece o Tola, que era o técnico na época?



P/2 – Não, não conheci. 



P/1 – Ah, ele veio aqui… Carlos (Extra?).



R – … Um grandão, isso, é, o Carlos. Ele era técnico na época então ele vinha, ele vinha para acompanhar a máquina, para ver o que era, e tem que separar… 



P/2 – … Quer dizer, foi difícil esse início, até pegar… 



R – … Foi, foi difícil… E muitas vezes era problema deles mesmo aqui, outras vezes era problema nosso, a embalagem estava muito fechada, foi se ajustando aí hoje é tranquilo.



P/1 – A diferença da Tetra Rex para Tetra Brik, a Tetra Brik ela vem aberta, daí, ela é colada lateral no envase, é isso?



R – Tem duas diferenças. A Tetra Brik é longa vida e vem em bobina, ela vem em bobina como aquele… É, igualzinho isso aí, e na máquina ela faz um canudo, assim, ela vem assim mas com os vincos, ela faz um canudo, você fecha lateralmente e a máquina vai automaticamente cortando o tamanho da embalagem e envasando. A Tetra Rex não é longa vida, porque ela não tem alumínio na parte interna, ela só tem PE, ela é praticamente um leite de saquinho, ela dura um pouco mais, mas não é longa vida, e ela não vai em bobina, ela vai já em embalagem dentro de caixa, vai fechada com a caixa, assim, com duas camadas. E na máquina você pega um punhado desse aqui e bota na máquina, no magazine da máquina, e ali vai para o mandril e segue o processo.



P/1 – Ah, está certo. Então o processo de fazer também a caixinha, dentro da fábrica lá em Monte Mor, era diferente, não passava, não era o mesmo processo que a Tetra Brik de impressão, vinco, laminação. Como que era o processo?



R – Totalmente diferente. Vou falar um pouquinho da Tetra Brik. A Tetra Brik vem um rolo de 1296 milímetros da Klabin, entra na impressora e imprimi as quatro faixas, quatro ou cinco faixas dependendo da largura, depois esse rolo vai para laminadora, onde põe PE na parte interna e PE na parte externa. Depois ele vai para as cortadeiras onde é cortado em faixas, faixa um, dois, três, quatro, em faixas. Um rolo dá dois cortes, de litro, um rolo de litro dá dois cortes, dá oito bobinas, e essa bobina vai direto para o cliente, para a máquina de envase. A Tetra Rex, primeiro, ela laminado o material branco, esse rolo de 1296 era laminado só a parte externa e a parte interna com PE sem alumínio, depois era cortado em faixas, no caso em duas faixas, duas bolachas grandonas, e essas bolachas grandonas se tornavam um rolo para Tetra Rex, aí essa bolacha grande entrava na máquina para ser impresso em cima do PE, e a tinta é à base de solvente, e antes da impressão tinha um tratamento corona, não sei se você conhece isso?



P/1 – Não.



R – É um equipamento que ele solta uma faisquinha e ele faz micro furo, bem micro furo, muito pequenininho no PE para dar aderência à tinta quando sair dali com os micro furos e já entra na área de impressão, saiu da impressora pega uma temperatura alta, de cem graus mais ou menos, e lá na frente, isso está inteiro ainda, lá na frente tem um vincador, corte e vinco, lá ele faz o vinco e corta as embalagens, já vinca e corta as embalagens. As embalagens cai na esteira, embalagens separadas, vai na esteira, entra em um empacotador, são dois empacotadores, encheu o empacotador desce, sobe na esteira, uma pessoa pega e armazena em um pallet para depois, a embalagem aberta, para depois ser selada. O que é ser selada? É fechar os lados, aí ela fica com os lados fechados e boca e fundo abertos.



P/1 – Então todas essas máquinas são próprias da Tetra Rex? Nenhuma delas é utilizada em outras máquinas, em outras embalagens?



R – Não, a laminadora é para Tetra Brik também.



P/1 – Ah, a laminadora é igual?



R – É.



P/1 – Então precisou implementar uma outra impressora, uma outra…  



R – … Hoje mudou, isso, é na época que eu estou falando, hoje a Tetra Rex é impresso normalmente como se fosse Tetra Brik, aí laminado, hoje é impresso no papel direto sem, hoje não tem corona mais, é impresso no papel, depois colocado PE e depois é cortado e só vai para lá para fazer corte e vinco e a selagem, não tem mais impressão na área da Rex, é impresso na área de Brik.



P/1 – E como foi essa implementação, além de você ter ido para a Argentina aprender, essa implementação dessas novas máquinas, como é que aconteceu em Monte Mor para Tetra Rex?



R – Não, na verdade não teve implementação de novas máquinas para Tetra Rex, até diminuiu, tirou máquina, porque ela não usa uma impressora. É que foi um estudo que fizeram lá dentro, falaram: “Vamos ver se dá certo a gente imprimir no material sem PE, laminar e fazer o processo ao contrário.” Porque riscava muito depois de impresso, se eu fazer a impressão em cima do PE. Coisa tudo interna, resolveram fazer isso, não sei se copiaram de algum país, também não sei, porque nessa época eu não estava mais na Tetra Rex. Eu trabalhei quatro anos na Tetra Rex. 



P/1 – Então, você trabalhou dez anos na impressora normal, depois quatro anos na Tetra Rex?



R – Eu trabalhei dez anos na Schiavi, na Schiavinha, trabalhei quatro anos na Tetra Rex e depois, em 1995, chegou a VTV [?], a impressora computadorizada, aí me convidaram para trabalhar lá e fui para lá, trabalhei mais três anos. Aí depois saí fora de máquina.



P/1 – E nesses anos trabalhando com a máquina, quais foram as inovações tecnológicas que você presenciou ali?



R – Ah, foram tantas coisas ali, se comparar a Schiavi com a VTV, a primeira VTV que veio, a 13, a Schiavi para fazer o ajuste você vai ter que ajustar a manobra, no olho, hoje a VTV, a mais simples que tem, a VTV 13, a mais velha, já era ajuste com painel, ajustava a pressão no painel, você ajustava o posicionamento da impressão no painel, mais para cá, mais para lá, na Schiavinha era mais para cá, mais para lá (risos), e o operador lá fala: “Oh, põe a segunda estação mais para cá, só um pouquinho.” Hoje não, hoje você não sai do painel, para você falar tem que colocar primeira unidade, segunda unidade, pouquinho para dentro, então lá do painel você faz isso, você não precisa sair, se deslocar, ir lá no andar.



P/1 – E quando você foi trabalhar na VTV 13 ela tinha acabado de chegar?



R – Tinha acabado de chegar, novinha.



P/1 – E foi difícil começar a fazer ela rodar?



R – Ah, sempre é difícil, porque o pessoal que vem e monta, monta, mas depois tem um monte de ajuste, então, vai aí uns dois, três meses para falar assim: “Está boa para virar.” Então você começa a trabalhar, você trabalha, às vezes, faz uma produção e fica o resto do dia parado, tem que ajustar isso, tem que ajustar aquilo. Até hoje é assim, você montou uma máquina nova, montou, vamos partir? Não, não vai partir, ela vai virar um pouquinho, vai parar, vai ficar um dia parada, amanhã vira também um pouquinho, vai se ajustando… Porque se você começa a produzir com problema você vai jogar material fora.



P/1 – Depois da VTV 13 qual que foi o próximo cargo que você ocupou?



R – Então, aí eu comecei a trabalhar como livre turno, na época, trabalhava o Paulo Bordini, o Paulo Bordini não, o Paulo Bordini era gerente de produção na época, trabalhava o Orlando Batistucci, o Paulo Bicudo e o Lúcio de Almeida, trabalhavam de supervisor de turno. O Orlando estava se aposentando, o Paulo teve um problema de saúde, teve que sair da produção e o Lúcio também estava se aposentando, aí o Nelson Amaral, que era gerente de produção na época, que ele começou a fazer, como eu trabalhava no final de semana, ele falou: “Oh, Tião.” Falou para mim, para o Mauro Terruel que já veio aqui uma vez, o Mauro e o Zé Carlos Rodrigues. Então,o supervisor falou assim: “Oh, fim de semana o supervisor não vai vir mais, vem vocês três, um de cada turma para vocês irem pegando jeito aí.” E assim começou, aí o Orlando aposentou, o Lúcio se aposentou, o Paulo Bicudo teve que sair por problema de saúde, da área de produção e aí ficou, ficaram o Zé Carlos, o Mauro e eu nos turnos, como líder de turno.



P/1 – Daí vocês substituíram, assim… 



R – … Os supervisores.



P/1 – Ah, entendi. E qual a função de um líder de turno?



R – Nossa senhora, um milhão e meio (risos).



P/1 – (Risos) Tudo, fazer tudo?



R – É, fazer tudo. Função de um líder de turno…  É ouvir todos os tipos de reclamações, é tentar resolver todos os tipos de problema que é o que não falta, você não para, o turno inteiro você não consegue parar um minuto, na hora que liga você tá tentando resolver um problema, o outro te liga e tem outro problema, é aparar fogo, essa é a função. É apagar fogo mesmo, tentar resolver alguma coisa, decidir, às vezes o cara tem dúvida: “Dá para ir assim?” Aí o operador falava: “Eu não vou ligar assim, só se você assinar autorizando.” Aí a gente colocava o da gente na reta e: “Dá para ir?” “Dá.” Só que dava, patrocinava, senão o operador não liberava, não deixa ir: “Não, eu não vou produzir assim.” “Não, pode ir que eu assino.” É essa a função.



P/2 – Que ano que foi isso, que você foi chamado para ser líder de turno?



R – Acho que foi em 1988, 1989. 



P/2 – Mil novecentos e noventa e oito?



R – Mil novecentos e noventa e oito, 1999. Mil novecentos e noventa e cinco eu fui trabalhar durante três anos, é, 1998 por aí.



P/2 – O operador de máquina, ele faz a própria manutenção das máquinas, ou não?



R – É, na época não fazia nada.



P/2 – Quando você operava, é isso?



R – Não, não. Hoje eles fazem alguma coisa, hoje eles tem uma autônoma, mas não faz tudo, faz coisas mais simples.



P/2 – Se uma máquina para tem que chamar alguém?



R – Tem que chamar, você paga o eletrônico, tem que chamar eletrônico, você pode chamar o mecânico. Até hoje funciona assim, mas algumas coisas eles já fazem já, está caminhando, a empresa autônoma é uma coisa bem lenta, vai demorar para chegar nisso.



P/2 – Mas é uma meta?



R – É uma meta, com certeza. E vai chegar, esse é o caminho.



P/2 – Porque daí facilita o trabalho, a máquina fica tanto tempo parada se perdendo tempo?



R – É, exatamente.



P/1 – E na época você era líder de turno, eram três turnos ainda?



R – Três turnos.



P/1 – E você revezava também?



R – Revezava também.



P/1 – Às vezes estava à noite?



R – Sim.



P/1 – E era mais fácil ser líder de turno de dia, que o administrativo estava lá também, ou à noite?



R – Durante o dia era mais fácil, porque durante o dia você tinha para quem perguntar, você tem dúvidas e precisa de ajuda, tinha para quem pedir ajuda e à noite ou você decidia sozinho ou você acordava alguém, e muitas vezes eu fiz isso, ia acordar a pessoa duas da manhã, três da manhã. Até pedi para ir lá. Durante o dia era melhor.



P/1 – Mais fácil?



R – É, porque você tinha para onde correr, para quem pedir socorro. Durante a noite ou você decide, para de produzir e tira da máquina, ou vamos produzir assim, é você para tomar todas as decisões.



P/1 – Teve algum desafio nessa época que foi difícil de enfrentar, que você teve que suar a camisa para conseguir?



R – Difícil de enfrentar… Não, na verdade tem muita coisa que era difícil de enfrentar, que foi impossível não, não teve não, foi muito bravo de resolver não, não porque mesmo à noite quando a coisa aperta mesmo, na situação você fala: “Não posso tirar de máquina porque, a produção, porque isso aí vai ser entregue amanhã, vai ser entregue depois de amanhã, não vai dar tempo de confeccionar outro clichê então vai atrasar.” Então, na dúvida, você sabendo de tudo isso, você ligava, você chamava qualquer pessoa, você ligava para o departamento gráfico, você ligava para o gerente da área para ele ir lá e dar sua opinião, quando apertava muito você acordava três, quatro pessoas, mas você tinha que fazer acontecer.



P/1 – O líder de turno cuida de todas as seções?



R – De todas as áreas.



P/1 – E foi difícil para você, assim, que trabalhava só com impressão, de repente teve que entender um pouquinho também da laminadora?



R – Foi difícil.



P/1 – E como é que foi?



R – Ah, eu me apoiava muito no operador da máquina, eu ia muito pela opinião dele e quando eu tinha minha opinião, não há dúvida, estava virando tudo bem não tem problema, quando eu tinha minha opinião deixava minha opinião comigo e perguntava a opinião dos dois, do operador como do controle de qualidade, se a opinião dos dois batesse com a minha, beleza, eu pensava, vamos supor: “Isso aqui não dá.” Se ele falar: “Não dá.” E ele “Não dá.” Beleza, então não vai, são três opiniões do mesmo lado. Se eu achava “Dá.” Ele falava “Dá.” O outro “Dá.” Vamos embora, se um falasse contra deixa quieto, deixa do lado, vamos seguir, para…Então, eu me apoiava muito na experiência dos dois e assim fui aprendendo.



P/1 – Daí de líder de turno qual foi o próximo cargo?



R – Para esse assistente de controle de produção hoje.



P/1 – O que você faz hoje em dia, qual é… 



R – … Hoje eu faço fechamento de ordem de produção, é… Trabalho com boa parte do sistema R3, que é fazer processamento de idocs, reajustes de PE no sistema, ajuste de alumínio, de filmes. E dou suporte no sistema do P2 na produção.



P/1 – Então, você é quem fala assim: “Ah, agora é que vai produzir.” Você é o último que… 



R – … Não, isso é planejamento, eu sou o último que pego, depois que a ordem de produção é impressa, cortada, laminada, retrabalhada, aí eu faço a aprovação dela, aí eu vou ver se ela entregou de acordo com o pedido, se entregou menos que 90% eu informo no planejamento para o planejamento informar vendas se vai ser preciso fazer rush order ou não. E aprovo, de qualquer forma eu aprovo, se está tudo bonitinho para aprovar eu aprovo, se tem divergências eu informo o PCP [Planejamento de Controle de Produção], senão, tranquilo.



P/2 – Sebastião, nesses anos que você está na Tetra Pak você fez cursos, assim, que a Tetra Pak tenha… 



R –… Ah, fiz vários treinamentos.



P/2 – Lá mesmo ou fora?



R – Lá, fora também… Assim de um dia, dois dias.



P/2 – Ela foi mudando, ela deve ter mudado muito de quando você começou para cá, você podia falar algumas coisas que foram sendo transformadas, mudando, para gente ter uma ideia de como foram esses anos?



R – Uma coisa que mudou… Na minha época um operador de máquina, ele só operava máquina, ele só operava a máquina e era responsável pela qualidade do produto que estava saindo dela; hoje não, hoje não é só a máquina, hoje além de trabalhar na máquina, ele participa de grupos de tarefas, ele participa, às vezes, de um pilar de qualidade, então, hoje o serviço dele não é só aquilo ali. Não é que acabou o turno acabou o serviço, às vezes acabou o turno e ele fica ali mais duas horas aí para cuidar de manutenção autônoma, para cuidar do grupo de tarefa, para participar de uma reunião, como também ele entra duas horas mais cedo.



P/2 – O que é um grupo de tarefa?



R – Grupo de tarefa é, vamos supor, junta nós quatro aqui para atacar uma coisa que fica subindo, o weist, por exemplo, como estava no setup, lá no setup estava muito alto, tão gastando muito metro de setup, o metro de papel setup então nós quatro aqui vamos atacar, vamos fazer o que? Então, a gente começa a fazer, gerar ações e passar para os operadores, nós vamos fazer assim, assim, assim para gente reduzir essa metragem de setup. E a gente já tem uma meta para reduzir em 5%, 10% daqui a seis meses, e esse grupo tem que dar resultado, não vai fechar sem sucesso.



P/2 – Ah tá, entendi. 



R – É isso aí.



P/2 – Quando você começou, em 1981, você comentou que não tinha um armazém para guardar a matéria-prima, ela era guardada junto ali na produção e ficava com as máquinas. Nessa época a Tetra Pak tinha um armazém em Valinhos, é isso?



R – Tinha, em Valinhos, onde trabalhava o Cícero Ferreira, que hoje ele trabalha na Procuradoria.



P/2 – E ele que tomava conta?



R – Isso, ele ficava sozinho.



P/2 – Sozinho?



R – Sozinho.



P/2 – E você lembra quando foi que construiu, assim, mais ou menos, em que ano que construíram o armazém em Monte Mor?



R – Não tenho precisão, não… Mil novecentos e noventa e um, ah, foi antes de 1991, bem antes, eu não tenho precisão, acho que foi por aí, em 1987.



P/2 – Aí facilitou muito, melhorou?



R – Ah, melhorou, porque aí teve espaço na produção, teve espaço e depois compraram até uma offset, onde armazenavam os rolos laminados colocaram a offset.



P/2 – E por que era em Valinhos o armazém, você sabe?



R – Não, não sei. Não sei, talvez em Monte Mor nem tinha barracão suficiente para isso. Mas só deve ser por isso, porque deixar, tinha lá e ir a Valinhos, tão longe. Para alguém vir da Klabin, Paraná, para cá, para depois ir para lá.



P/2 – É, é um pouco complicado.



R – Complicado.



P/2 – O que mais que você lembra, assim, nós falamos do armazém que era uma coisa que não tinha, você falou do grupo tarefa e de algumas coisas que foram se transformando, você lembra mais alguma coisa que mudou muito, que facilitou muito?



R – É, hoje impressoras ainda continuam com a emenda… Bom, vamos voltar mais atrás. Na minha época, na Schiavi uma das coisas que mudou muito, muito, muito, na Schiavi se colocava um alumínio atrás da máquina, aí você preparava a emenda, cortava papel aqui depois fazia um “V” e grudava umas fitinhas crepe aqui, algumas fitinhas só para segurar aquela ponta e colocava fita dupla, face em cima daquele “V” e fazia uma marca na lateral onde acabava, a emenda fazia uma marquinha ali e quando a outra bobina estava no final, você levava essa bobina para cima e trazia outra embaixo, dava velocidade à outra bobina, ficava, mais ou menos, cinco metros a menos na velocidade da linha. Aí quando estava acabando bobina você ficava acompanhando aquele risco que você fez do lado, quando estava quase no finalzinho, você tinha que deixar até no final o máximo que você pudesse, você apertava um botão, o rolo de cima batia no papel, estava virando e grudava junto na linha e quando você soltava o botão ele cortava a ponta do que estava virando a entrada da bobina, isso era na mão, no olho. Muitas vezes você errava limpava a linha inteira, aí era meia hora para ver a marca da linha outra vez. Bom, aí veio a VTV já modernizou, é programada até hoje, a VTV é programada, você programa o tubo tem em média 176 milímetros diâmetro externo, então ele vai lá e programa com 180, 185 vai sobrar aqui, um, dois, três, voltinha do papel em cima do tubo, ele programa preparar o rolo lá, fez a emenda e vira as costas, é tudo programado quando o rolo tiver pequeno o outro vai subir vai dar velocidade e quando chegar a 185 milímetros, 180 milímetros que ele programou, vai emendar e vai embora. Mas modernizou mais ainda, hoje na laminadora tem festum, a máquina está virando a 580 metro por minuto e o rolo emenda parado.



P/2 – Parado?



R – Parado, parado, o festum é assim: tem alguns cilindros parado em cima da máquina que armazena ali alguns metros de papel, então o operador lá ele coloca um rolo, a máquina está virando, ele coloca o rolo, pega a ponta do rolo, coloca em um determinado ponto, põe uma fitinha, programa e vira as costas.



P/2 – E ele vai?



R – Não tem erro, não tem perda de emenda, quando chega naquele diâmetro que ele programou para cortar, a máquina para, para, para assim, para puxar papel do tubo, imagine só, está acabando o rolo, a máquina para de puxar aqui, começa a puxar aquilo que está armazenado lá. Enquanto isso o sistema emenda esse pedacinho aqui que está acabando no outro rolo que está parado esperando emendar, emendou, aí ele começa a virar outra vez e até chegar a 580 metros por minuto no decorrer da máquina, então isso foi um ganho, nossa!



P/2 – Quer dizer parar?



R – É, é imaginar só uma laminadora quando tem uma quebra de papel que limpa a linha, nossa, dá um “preju” danado, porque quando parou a laminadora, as extrusoras tem que afastar, só que elas se afastam e não deixam de jogar (pele?) fora, elas se afastam e começam a jogar (pele?) no lixo e quanto mais demorar para voltar.



P/2 – Para voltar?



R – Mais (pé?) está no lixo.



P/2 – Nossa!



R – Então isso além de reduzir a as perdas no tubo, que hoje você deixa dois metros no tubo, ela reduziu a parada também, então esse começa a cair. Isso foi um avanço… Muito grande.



P/1 – E você estava falando do setup de quando você estava lá no comecinho, na Schiavi agora depois para VTV 13, e diminuiu o desperdício de setup ou não? É mais fácil?



R – Vamos falar da Schiavi, ah! Em 1981,1982, 1983, não mudou nada nesses três anos quase, às vezes, você ficava quatro horas para ajustar a máquina para ajustar a tonalidade de tinta, o mais difícil é a tinta para você chegar na tonalidade do cromalin, porque na época, o operador mesmo fazia tinta na máquina, se tinha a fórmula ali, fazia tudo na máquina lá e você dava aquela corridinha: “Ah, está faltando isso; ah, não passou; ah, não tira essa tinta, faz outra.” Às vezes,m ficava quatro horas para ajustar uma máquina sem cortar com a qualidade do papel também que era péssima, hoje não, hoje você em uma máquina, vamos contar para você levar quatro horas para montar a máquina, ia gastar um rolo de material quase, hoje não, hoje a máquina faz um setup em dez minutos, quinze minutos, gasta aí cem metros de papel, e já sai produzindo e com qualidade mil vezes melhor.



P/1 – Fotográfica.



P/2 – E a parte da pré-impressão, qual é a relação da pré-impressão com a impressão?



R – A impressão depende de tudo, se eles fizerem errado lá vai sair errado aqui, se tiver em um erro, nem na pré-impressão tudo é pré-impressão, a fabricação do filme também é pré-impressão, mas se o filme sair errado, o clichê vai sair errado, e isso vai aparecer na máquina; aí o prejuízo é bem maior, porque aí a produção entrou na máquina, fez setup, gastou material, tempo de máquina, funcionário, aí tira da máquina e vai voltar tudo na estaca zero, para depois amanhã ou depois, voltar outra vez, então pré-impressão e impressão tem tudo a ver.



P/1 – Tem tudo a ver. E teve uma época que a pré-impressão foi terceirizada, ela continua terceirizada?



R – Foi, foi, antigamente, antigamente já faz uns quatro anos já. É da Cromus. A Cromus que fazia isso.



P/1 – E continua terceirizada ou voltou?



R – Não, não, hoje é a Tetra Pak.



P/1 – Tetra Pak. Como é que foi essa mudança, era a Tetra Pak, terceirizou ou voltou a Tetra Pak? Como que vocês sentiram isso na impressão?



R – Na verdade foi lento, foi devagar, Tetra Pak faz isso com muito cuidado, ela não foi, ela não tirou o cara que fornecia serviços para ela assim, ela começou com a Art Work e era Tetra Pak e outro paralelo e aos poucos foi, então não teve impacto nenhum.



P/1 – É, você conhece a preocupação da Tetra Pak com o meio ambiente, como é que você vê isso?



R – Ah, eu vejo isso, nossa, uma iniciativa muito bacana, se toda empresa pensasse um pouquinho, se preocupasse um pouquinho com o meio ambiente como a Tetra Pak pensa.



P/1 – Você acha que cada funcionário lá dentro tem essa preocupação no dia a dia, no trabalho e fora do trabalho de preservar o meio ambiente?



R – Tem, tem, todo mundo tem.



P/1 – Na sua área específica tem alguma coisa na sua área que tem relação a isso? Ou não?



R – Tem, tem, até os lixos, as lixeiras são separadas, o papel para reciclar, tem separado, isso se estende para casa da gente também. A questão de separar os recicláveis, os não recicláveis dos funcionários também. A questão de separar os recicláveis, os não recicláveis.



P/1 – E a Tetra Pak ajuda também além do meio ambiente em questões sociais, assim a Monte Mor, a região ali?



R – Ajuda, ajuda bastante, o pronto socorro do Monte Mor, ajuda o asilo.



P/1 – E que tipo de coisa a Tetra Pak faz?



R – Para o hospital ela sempre dá dinheiro, dá dinheiro, dá ambulância de vez em quando, para Prefeitura já deu várias vezes caminhões, caminhões para coleta de lixo.



P/1 – Em relação aos valores da Tetra Pak, quais o senhor acha que são os valores, assim? O que ela espera do funcionário, que ela espera de seus clientes até?



R – O que espera do funcionário é que os funcionários se preocupa com os clientes, principalmente como cliente que produz melhor que o cliente pede, essa é a visão deles, você superar a expectativa do cliente, essa é a principal.



P/2 – Nesses anos de Tetra Pak, deve ter acontecido muitas coisas, e algumas coisas você deve lembrar sempre, eu digo assim, casos pitorescos, com um amigo ou com você, principalmente que está na produção, eu acho que deve, existe algumas brincadeiras de vez em quando para deixar as coisas mais leves?



R – Tem, tem.



P/2 – Você lembra de alguma que você pode contar para gente?



R – Tem uma que contei naquela revista lá, acontece, uma vez. Na manutenção eu subi na máquina para tirar pó, e um amigo meu ele achou uma andorinha morta em cima do cilindro lá, ela estava morta, mas estava inteirinha, o malandro falou, vou aprontar, ele pegou a andorinha, desceu, arrumou ela bonitinha, pegou na cadeira colocou uma fita dupla-face na costa da cadeira e pôs ela em pezinha ali, para pegar alguém de nós ali, da máquina ou de outra máquina, ele acabou de fazer isso, quem aparece? O gerente Paulo Bordini, ele falou assim, ele olhou para o Paulo Bordini e mostrou a andorinha, mas morta, e o Paulo Bordini fez assim( sussurrando): “Deixa comigo.” E pegou a andorinha morta e todo mundo começou a dar risada, ele falou assim: “Você deve uma para mim.” Até hoje encontro o Paulo Bordini no aposentado e ele lembra disso.



P/2 – Isto é inesquecível.



R – Inesquecível.



P/1 – Alguma outra história?



R – Não sei.



P/2 – Deve ter muitas.



R – Deve ter muitas, tem que lembrar. Lembra uma vez o Herculano, o Herculano trabalhador na cortadeira, o Herculano acho que tem 28 anos de Tetra Pak, ele veio aqui?



P/2 – Não, não veio, eu o conheci lá em Monte Mor.



R – Herculano é meio doidão, assim, uma vez a laminadora 21 estava parada a noite, nós fomos jantar, estava voltando da janta, na época tinha um lugar para fumar ali na produção mesmo, ele estava lá fumando, ele passando laminadora parado, quietinho de madrugada de repente, ela deu uma descarga de ar, tcha! Ele voltou, olhou, sozinho, voltou, olhou outra vez e foi embora e todo mundo assistindo.



P/2 – (Risos). A noite deve ter muita coisa assim.



R – Eu lembro do Macalé, o Macalé era empilhadeirista, ele tinha um medo de sapo, e, às vezes, ele parava, abastecia as máquinas todas e parava no meio da produção, a empilhadeira, se alguém precisasse dele chamava, ele dava aquela cochilada, ele tinha um medo de sapo, quando acontecia isso, alguém já procurava vê se achava um, um sapinho mesmo que fosse de brincadeira para assustar ele, mas dava dó dele ele acorda assustado, cochilando ali.



P/2 – Coitado!



R – Tem bastante história.



P/1 – Tem mais alguma coisa que queira contar (risos).



R – A gente tem muito, com o tempo, lembrando.



P/1 – E além das história assim engraçadas da Tetra Pak, a Tetra Pak já tá no Brasil há 50 anos e o que você conhece dessa trajetória? Desde que ela chegou no Brasil até hoje em dia assim?



R – Quer que fala o que?



P/1 – Que você conhece da história da Tetra Pak, como é que ela começou aqui no Brasil, se você sabe de alguma coisa, como que foi sobre os clientes, como que ela começou a se popularizar.



R – Ah, o que eu sei é que ela veio para São Paulo só com um escritório e trazendo produto de lá, já tinha uns clientes aqui, não sei, acredito que, acho que a língua já era, mas não tenho certeza, ela veio para cá, São Paulo, em 1957, se não me engano, 1957. O escritório aqui, eu sei muito pouco disso aí, eu conheci a Tetra Pak depois que ela se instalou em Monte Mor.



P/2 – E você passou por alguns presidentes na Tetra Pak?



R – Sim.



P/2 – Conforme eles iam assumindo, você mudava alguma coisa ou é sempre igual?



R –  Mudava sim eu lembro, quando teve o presidente Tommy, não lembro o sobrenome dele, eu lembro que ele deu um dissídio, um grande dissídio que todo mundo saiu dando risada. Teve também outro que foi muito bom, não me lembro também o nome, tinha 28 anos o menino e era presidente e depois voltou o Nelson que ficou até agora pouco aí.



P/2 – Ficou até o começo do ano.



R – Foi, é, foi esses três que me lembro.



P/2 – E quando você começou tinha muitos suecos na Tetra Pak?



R – Tinha alguns, tinha o Benny que está até hoje aí, depois veio o Alf Norman, tinha o Alf Lindgren, e um outro que está aposentado hoje, Eric, Eric, não lembro sobrenome.



P/2 – E alguns deles era da produção?



R – O Alf Norman era do controle de qualidade, produção e o Benny sempre foi diretor de produção, o Alf Lindgren  era de processing, parte de máquina.



P/2 – Você acha que, tirando o Benny que está até hoje que começou, é difícil para ele, a língua de se entender, o jeito de trabalhar é diferente?



R – Ah, eu acho que eles sofreram muito, porque pegar uma empresa, sair de uma empresa que estava lá fora, a empresa já está estabilizada já com algumas tecnologias, pessoal já estava com a cultura, tinha uma boa cultura, porque para mudar a cultura de um povo, é dificílimo, quem começou a trabalhar lá na Tetra Pak na época? Pessoas que trabalhavam em construção civil, (é a produção era?). Então para mudar a cultura desse povo é difícil, para por no eixo ali, imagina que eles sofreram muito sem contar com a língua. 



P/2 – A língua, o calor.



R – O calor, é, para mudar a cultura, eu lembro que na época em 1981, até sei lá, 1990 o povo tinha costume de escrever em porta de banheiro, escrever palavrão, xingar o chefe, xingar a mulher do amigo, então para mudar isso foi anos e anos, hoje você não vê mais isso na Tetra Pak, você vai ao banheiro, você não vê um risco de caneta, você não vê, nada, então para eles acho que foi um choque muito grande, acho que chegaram aquele bando de índio.



P/2 – E  (risos), porque veio muita gente não só da construção civil como da lavoura. 



R – Lavoura é, construção civil e lavoura, porque o serviço na época era pesado, mesmo na impressora que você tinha que enrolar o rolo com a mão, na cortadeira pegar a bobina com a mão, na linha dois enrolar o rolo com mão, era pesado, não era serviço para garotinho criado com sucrilhos, não.



P/2 – (Risos) e não tinha muitas empresas ali, não.



R – Não.



P/2 – Na época?



R – Não tinha muita empresa e tinha um monte de serviço, naquela época, hoje se você perde o emprego está ferrado, difícil de arrumar emprego, naquela época não, tinha emprego que sonhava, tinha gente que trabalhava um ano em uma empresa, pedia a conta ou pedia para mandar embora, trabalhava um ano na outra, pedia a conta ia para outra.



P/2 – Mais?



R – Naquela época você saía, estava trabalhando das seis às duas, você saia duas horas da tarde para você ir embora, você encontrava pessoas de outra empresa, convidando você para trabalhar na outra empresa. Hoje se perde o emprego, hoje ele está ferrado.



P/2 – E também não é só isso, naquele tempo não precisava de uma qualificação de mão de obra qualificada era formada, hoje já a Tetra Pak…  



R – …  A Tetra Pak não pega, para produção não pega. Se não tiver segundo grau não pega, se não tiver informática.



P/2 – Também não?



R – Hoje tem que ter o básico, de informática, o básico de inglês até para produção hoje.

 

 

P/2 – Mesma para produção?



R – Mesmo para produção, inglês não cobra tanto, mais informática cobra, porque ele vai mexer com informática o dia todo, é o serviço dele, trabalhando aqui, trabalhando ali, aonde vai.



P/1 – E você fez curso de Inglês e Informática na Tetra Pak?



R – Fiz de informática, fiz pouquinho, aprendi mais trabalhando, e inglês ainda faço até hoje, o cursinho, uma horinha por semana.



P/1 – Vamos ter que aprender. Bom, a gente está chegando ao final do depoimento, eu queria saber se você tem alguma coisa para falar que a gente não falou, que você acha importante.



P/2 – Alguma informação, alguma coisa ligada a todos da Tetra Pak ou da produção, que você acha que é importante está falando que a gente não tocou.



R – Não, acho que, da Tetra Pak para mim foi uma excelente empresa, é uma excelente empresa, eu costumo dizer que eu casei com duas, minha mulher fala isso. Às vezes me ligam e fala assim (a solteiro, me case?), meus dois filhos já passaram por lá, o mais velho passou por lá também como patrulheiro, o mais novo está como patrulheiro e eu continuo lá. Eu espero, eu espero.



P/1 – O que você acha da iniciativa da Tetra Pak 50 anos buscando essa memória dos funcionários, da empresa, desse projeto?



R – Achei legal isso aí, é uma maneira de valorizar os funcionários, saber da história de cada um, achei muito bacana isso ai.



P/1 – E o lema da Tetra Pak “Protege o que é bom”?



R –  Sim.



P/1 – E o que é bom para você?



R – O que é bom para mim? Nossa quanta, falar em Tetra Pak, o que é bom para mim é eu tá trabalhando na Tetra Pak, é muito bom para mim, pela empresa, pelos colegas e pelas qualidade de vida também que eu tenho, coisas boas na Tetra Pak.



P/1 – E você quer deixar algum recado para seus colegas?



R – O que eu posso falar para meus colegas é que as pessoas que tão começando hoje, que trabalhe com carinho, que procura fazer o melhor e principalmente procurar estudar, estudar para poder crescer junto com a empresa, principalmente a molecada nova que está começando hoje, tem que estudar.



P/1 – E o que você achou de dar esse depoimento?



R – Eu achei, maravilhoso, isso é muito bom.



P/1 – Bom, a Tetra Pak agradece a participação. Muito obrigada!



R – Muito Obrigado!



--- FIM DA ENTREVISTA ---

 

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Como

Extra

Pele

É a produção era

A solteiro, me case



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