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Todo trabalho é importante

História de: Depoimento de Raimundo Nonato da Silva
Autor: Tayara Barreto de Souza Celestino
Publicado em: 12/07/2021

Sinopse

Raimundo nos conta em seu depoimento como ocorreu o início de sua carreira na Banco do Brasil, em 1983, destacando a importância de um emprego no Banco no interior do estado do Ceará. Em 1995, se transferiu para Brasília devido ao surgimento de novas vagas de emprego, e relata o período inicial de difícil adaptação na nova cidade. Assim, começou a trabalhar em agências e, em 2004, recebeu o convite de Jacques Pedro, um colega do movimento sindical, para trabalhar na Fundação, local onde trabalha atualmente. Por fim, encerra a entrevista dando ênfase na importância de todas as iniciativas sociais da Fundação e como essa instituição se faz um instrumento de desenvolvimento para o Brasil

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História completa

Projeto Fundação Banco do Brasil

Depoimento de Raimundo Nonato da Silva

Entrevistado por Eliete Silva

Gravação realizada em Brasília em 05/05/2006

Realização Instituto Museu da Pessoa

Entrevista FBB Cabine 015

Transcrito por Anabela Almeida Costa e Santos.

Revisado por Danyella Xavier Franco.

 

P/1- Raimundo, boa tarde.

 

R/1- Boa tarde.

 

P/1- Raimundo, qual seu nome completo?

 

R/1- Raimundo Nonato da Silva.

 

P/1- Qual a cidade que você nasceu e a data de nascimento?

 

R/1- Nasci no Ceará, na cidade de Barbalha, dia 14 de novembro de 1950.

 

P/1- Raimundo, quando que você veio pra Brasília?

 

R/1- Eu vim pra Brasília em agosto de 95.

 

P/1- Agosto de 95? Você entrou no Banco do Brasil antes de 95?

 

R/1- Entrei antes, entrei em 83, lá no Ceará.

 

P/1- Lá no Ceará? E o senhor entrou em 83 e o que significava o Banco do Brasil?

 

R/1- Naquele tempo, o Banco do Brasil era, e continua sendo, uma grande empresa. Quer dizer, era o sonho de muita gente naquela época ser funcionário do Banco do Brasil. Pelo status, pela segurança que o banco fornecia e o emprego com excelente salário. Então, tudo isso era um atrativo pra gente participar do _______ dos concursos do Banco do Brasil.

 

P/1- Raimundo, qual foi o seu primeiro cargo no Banco do Brasil?

 

R/1- Meu primeiro cargo no Banco do Brasil foi fiscal do (Setop?).

 

P/1- O que que era isso?

 

R/1- Fiscal do (Setop?) era a gente que trabalhava na carteira agrícola e fiscalizava as operações da área rural, os custeios e investimentos.

 

P/1- Isso em qual cidade?

 

R/1- Eu comecei na cidade de Aurora, no sertão do Ceará.

 

P/1- E como que era trabalhar lá, em Aurora?

 

R/1- Era bom, era importante, porque a gente tinha uma equipe unida. O banco representava, tinha um grande conceito na cidade. E a gente fazia movimentos em clubes, em festas, em AABB, em _____. Então, era uma festa naquela época você ser funcionário do Banco do Brasil e trabalhar naquela cidade.

 

P/1- Ah, em Aurora, o senhor ficou muito tempo lá, ficou quanto tempo?

 

R/1- Em Aurora, eu trabalhei 12 anos.

 

P/1- 12 anos? E logo depois de Aurora o senhor veio pra Brasília?

 

R/1- Eu vim pra Brasília. Certo.

 

P/1- E por que vir pra Brasília?

 

R/1- Olha, eu vim pra Brasília por força do trabalho, né? O banco, naquela época, fez o PDV, que o banco tinha 130 mil funcionários e resolveu reduzir o quadro de funcionários. Ele, o banco, naquela época, imaginava que informatizando o banco não ia precisar de toda aquela quantidade de funcionários. Então, promoveu o PDV. O que que era o PDV? As agências reduziam o quadro, você era colocado como excluído do quadro da agência. E você tinha duas opções: ou você pedia transferência para uma cidade que tivesse vaga, tivesse claro, como a gente chama, ou pediria as contas da empresa. Eu optei por ficar na empresa e vir pra Brasília.

 

P/1- Teve vaga em Brasília, então, na época?

 

R/1- Na época, tinha muita vaga em Brasília. Do Nordeste, vieram 600 funcionários.

 

P/1- E o senhor já conhecia Brasília?

 

R/1- Não, não conhecia.

 

P/1- E como foi essa mudança?

 

R/1- Ah, a mudança foi drástica. Eu não conhecia. Eu vim com um colega que esteve em Brasília um tempo, fazendo curso. E, quando eu cheguei em Brasília, eu vi uma coisa totalmente diferente. Um choque em relação à cidade, uma cidade planejada, uma cidade que tinha suas regras, sua maneira. E a gente teve que se adaptar. O começo foi difícil porque a gente veio sem a família. Mas depois, quando eu trouxe a família, já todos unidos, a gente já começou a se adaptar. E nós estamos adaptados a esta cidade e não pensamos em voltar pro Ceará, a não ser passear.

 

P/1- Foi difícil pra família, na época, mudar?

 

R/1- Na época...

 

P/1- Tinha filhos?

 

R/1- Tinha. Na época, foi difícil porque eu tinha três filhos, três adolescentes. O mais importante de tudo foi que naquela ocasião eles resolveram ficar do meu lado. E meu primeiro pensamento foi vir pra Brasília e deixar os meus filhos no Ceará, junto com os meus familiares. Mas eles optaram em vir comigo. Disseram: “Meu pai, eu vou com você, onde o senhor estiver, nós estaremos junto.” E esta força foi que ajudou a ir vencendo, se adaptando, me acostumando e conseguir o meu espaço aqui em Brasília.

 

P/1- E o senhor foi trabalhar em agência, logo?

 

R/1- É. De início, eu fui trabalhar em agência. Trabalhei na agência Itamarati. E trabalhei na agência Ministério dos Transportes e Comunicação, onde eu ajudei a estruturar. E de lá, eu vim pra Fundação.

 

P/1- E como surgiu a Fundação para vida do senhor? O senhor foi convidado a trabalhar, surgiu vaga, como que foi isso?

 

R/1- Na realidade, eu nem sabia, eu não tinha conhecimento, quando eu cheguei em Brasília, que a Fundação, ela existia, assim, num espaço físico. Eu imaginava a Fundação só nos papéis e numa sala, lá na Direção Geral. Quando eu vim pra Brasília, foi que eu vi que existia uma Fundação, existia espaço físico, existiam pessoas que trabalhavam. Mas, eu nem pensava em trabalhar na Fundação. Eu recebi um convite para participar como colaborador. Vim ver a Fundação, vim conversar aqui na Fundação, e daí, eu optei por vir trabalhar aqui. Eu aceitei o convite.

 

P/1- Isso foi quando?

 

R/1- Isso foi em 2004.

 

P/1- Em 2004?

 

R/1- 2004.

 

P/1- E quem foi que deu esse convite, ofereceu esse convite pro senhor?

 

R/1- É, o convite veio da parte do Jacques Pedro. Ele ligou pra mim e perguntou se eu não tinha interesse, se eu não queria trabalhar na Fundação, se eu não queria trabalhar na equipe dele, que eu já o conhecia lá do Sindicato. E eu achei que o convite era irrecusável, né? Por partir de quem partiu, de Jacques, né? Uma pessoa que eu já conhecia.

 

P/1- O senhor conheceu o Jacques onde?

 

R/1- Eu conheci Jacques na Diretoria do Sin... No movimento sindical na realidade, né? Dentro do movimento sindical, onde ele foi diretor, foi presidente do sindicato e eu era diretor.

 

P/1- Ah, você era diretor, então, do sindicato?

 

R/1- Na época, eu fui diretor do sindicato.

 

P/1- Interessante. Agora, o senhor tem alguma ligação com o movimento sindical ou não? Está um pouco afastado, participa?

 

R/1- Eu continuei com a mesma ligação. Que você participou do movimento, você pode até se afastar um pouco pelas obrigações, pela tua rotina, mas você sempre está ligado ao movimento sindical. Sempre querendo ver as ideias que estão, que está sendo trabalhada lá no sindicato, as pessoas que estão aparecendo, você está lá dando a sua opinião, você está participando de assembleia, você sempre tem uma ligação, você não perde essa ligação.

 

P/1- Ah, legal. E, Raimundo, quando você entrou aqui na Fundação, qual foi a primeira área que o senhor veio trabalhar?

 

R/1- Quando eu vim pra Fundação, eu fui trabalhar na Diretoria de Renda, né? Fui trabalhar na Renda. E lá, eu até estranhei a diferença. Você trabalhar em agência, estar trabalhando direto com o público. Aí você vem para a Fundação, trabalhar com projetos sociais, aí você já sente, assim, uma diferença. Só que eu achava que era uma coisa bonita, né? Trabalhar aqui é bom. Trabalhar com projeto social deve ser bacana. Então, vou ter que me adaptar rapidamente a esse setor para eu poder começar a mostrar o meu trabalho.

 

P/1- Aí, o senhor está ainda aqui, na renda? Ou mudou?

 

R/1- Não, atualmente eu não estou na renda. Eu estou trabalhando na Secretaria Executiva, na assessoria do presidente.

 

P/1- Essa mudança, ela aconteceu há algum tempo ou veio com essa reestruturação recente da Fundação?

 

R/1- Essa mudança aconteceu antes da reestruturação.

 

P/1- E o senhor agora, na reestruturação, vai continuar lá, na Secretaria Executiva?

 

R/1- Vou continuar lá na Secretaria Executiva, no mesmo cargo.

 

R/1- E, Raimundo, teve algum caso, assim, marcante, algum causo, alguma história aqui, nesse cotidiano de Fundação?

 

R/1- Olha, aqui têm muitas histórias interessantes, né? Eu não tenho nenhuma assim de cor pra contar.  Mas a gente vê aqui pelos colegas, o trabalho de cada um, as viagens que eles fazem para verificar os projetos. Tudo isso gera história interessante. Mas, assim, de cor, eu não tenho, assim, nenhuma história interessante pra te contar.

 

P/1- Agora, Raimundo, você tem algum carinho especial por algum projeto, você chegou a acompanhar algum projeto de perto?

 

R/1- Quando eu trabalhava na renda, eu acompanhei alguns projetos da área de turismo, era capacitação.

 

P/1- E como que era?

 

R/1- Agora, eu te digo, todo trabalho é interessante. Você chegar àqueles locais que só o Banco do Brasil chega, que são locais com gente excluída, que não está em nenhum setor. E você prestar aquele trabalho de capacitação, de ensinar a trabalhar, de como trabalhar. Isso é um trabalho muito importante. Por isso que todo projeto da Fundação, seja ele de geração de trabalho e renda, seja ele educacional, ele é um trabalho importante, pelo público alvo a quem a gente se destina.

 

P/1- Raimundo, como que você avalia a sua avaliação nesses 2 anos, na Fundação?

 

R/1- Nesses 2 anos de Fundação, eu acredito que eu fiz um trabalho razoável. Pretendo melhorar. Trabalhar mais, cooperar mais com a Fundação. Mas, nesse período, eu julgo o trabalho razoável, nesses setores que eu trabalhei, a colaboração que eu prestei, os amigos que eu fiz e o conhecimento que eu adquiri.

 

P/1- Raimundo, como que você visualiza, assim, o papel da Fundação para o desenvolvimento social do Brasil?

 

R/1- O papel da Fundação, ele é muito importante pro desenvolvimento social. Ele é importante porque ele se preocupa com as populações excluídas. Ele vai ao Brasil de norte a sul, de leste a oeste, pra fazer esse trabalho. E é um trabalho difícil que nem toda a empresa tem uma fundação dedicada a isto. Só o Banco do Brasil, porque ele está em todo o território nacional. E a Fundação também está presente em todo território nacional. E é lá dessas agências, lá do final, que a gente recebe essas informações que existem essas populações carentes e que precisam de assistência. E a Fundação chega lá.

 

P/1- Raimundo, você pode traduzir, assim, a Fundação em algumas palavras?

 

R/1- Posso. A Fundação Banco do Brasil, ela é um, dentro do contexto, ela é um instrumento de desenvolvimento social, pras populações carentes.

 

P/1- Raimundo, o que você acha de estar participando desse projeto de registro da história da Fundação nos seus 20 anos?

 

R/1- Muito importante. Você participar dos 20 anos da Fundação, passar nesse período, nesse contexto, ficar registrado. E futuramente, você olhar e dizer: “Eu participei desse momento.” Muito importante.

 

P/1- Bom, Raimundo, então, em nome da Fundação Banco do Brasil, em nome também do Instituto Museu da Pessoa, a gente agradece a sua entrevista.

 

R/1- Obrigado.

 

P/1- Obrigada, Raimundo.

 

--FIM DA ENTREVISTA--

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