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Todo esforço tem sua recompensa

História de: Luiz Fernando Rocha Melo (Maranhão)
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 17/10/2018

Sinopse

Em uma entrevista emocionante, Luiz Fernando, mais conhecido como "Maranhão", traz o relato de sua infância muito humilde em São Luís, a escolha entre trabalhar ou estudar e a sua decisão de ir ao Rio de Janeiro, em busca de melhores condições de vida. Encontrando seus irmãos aqui, passa por vários empregos até entrar como prestador de serviços no BNDES. Até os dias de hoje, acumulando mais de 30 anos de BNDES, trabalhou muito duro e se emociona quando lembra dos amigos que fez e que o ajudaram muito, atualmente é coordenador de serviços do gabinete da presidência. Desde os funcionários mais simples até os presidentes, Maranhão sempre é visto com toda simpatia, pelo seu caráter e seu esforço. 

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História completa

P/1- Bom dia, Sr. Luiz Fernando, eu gostaria de começar o seu depoimento pedindo que o senhor nos dê o seu nome completo, sua data e local de nascimento, por favor.

 

R- Meu nome é Luiz Fernando Rocha Melo, nasci em Rosário em São Luís do Maranhão, no dia 14/05/51, morei no Rosário até seis anos, aos seis anos meus pais mudaram pra São Luís e lá fiquei até os dezenove anos.

 

P/1- Nome completo dos pais, por favor.

 

R- Pedro Alexandrino de Melo e Cleonice Rocha Santos Melo.

 

P/1- Qual era a profissão do seu pai?

 

R- Meu pai na verdade era barbeiro, depois foi músico, foi jogador de futebol e se aposentou como ferroviário, ele trabalhava na estrada de ferro em São Luís. Ele começou a trabalhar na estrada de ferro em Rosário e depois foi transferido pra São Luís.

 

P/1- E qual era a atividade dele dentro da ferrovia?

 

R- Meu pai fazia manutenção de freios e máquinas nos vagões, mas ele começou mesmo a trabalhar na Maria Fumaça, na máquina oito, que eles chamavam, que existe hoje no Museu da Estrada de Ferro.

 

P/1- Esse trem carregava o quê?

 

R- Essa máquina oito, quando ele começou, ele levava os funcionários da estrada, pra trabalhar lá no Carmo, que ficava a uns seis quilômetros, dentro do mato, onde só ia o trem, chamavam de um galpão de manutenção de Maria fumaça, trem a lenha. Aí com seis anos ele foi transferido pra São Luís pra trabalhar em máquina a Diesel, eu me lembro que surgiu a primeira máquina a diesel, até então era só Maria Fumaça.

 

P/1- E o senhor conheceu seus avós?

 

R- Eu conheci o meu avô e conheci a avó da minha mãe, vó Sabina, lembro muito dela, morreu com noventa e poucos anos, o meu avô viveu até 98 anos parece. Eu fui criado praticamente com meu avô, eu não saía de lá, mais por causa da comida. Eram dez filhos, foi uma vida difícil, não era que passava fome não, mas eu cismava e ia pra lá e só saia de lá só quando almoçava, mas só que a gente pagava uma promessa, que todo dia seis horas da noite ele botava a gente pra rezar. Todo dia religiosamente, seis horas ele chamava e tinha que rezar, e era um terço, isso era todo dia. Isso me ajudou muito a viver, a ter fé, ajudou bastante na minha formação.

 

P/1- O senhor sabe as origens da sua família, dos bisavós, eles são brasileiros?

 

R- São brasileiros, não tenho certeza, mas a descendência é de índio, em Rosário tinha índio, meus primos, eu tenho uma irmã, que tem pele e cabelo de índio, tenho um primo, que a gente chama de índio, cabelo igual índio, então a descendência é de índio, não tenho certeza disso.

 

P/1- E quantos irmãos vocês são?

 

R- Dez, cinco homens e cinco mulheres, naquele tempo não tinha televisão. Deus me livre, papai e mamãe, só eles pra ter dez filhos.

 

P/1- Conta um pouco da sua infância, por favor.

 

R- Dos seis anos prá cá, antes eu não me lembro muito. Eu me lembro que quando papai chegava em casa ele trazia a marmita e a gente ia abrir pra ver se tinha comida e a gente comia, depois ele ia treinar e ele levava a gente, eu no pescoço que eu era mais novo, o Santana, o mais velho, e o Nilson, outro irmão. Na época só éramos cinco. Isso era todo dia, cinco da tarde, ele chegava, a gente ia pro campo. Depois disso a gente veio pra São Luís, aí eu fui estudar, ele na luta dele, eu estudei até o primário, com muita dificuldade porque aí foram surgindo outros irmãos e completou dez filhos. Muita dificuldade, eu não queria que ninguém passasse, eu nem sei como to aqui hoje, foi um negócio horrível, eu não passei fome, mas fui obrigado a largar de estudar pra trabalhar. Eu vendia cebola, legumes na feira, vendia sabão, vendia arroz, farinha, tinha que vender alguma coisa pra comer, ajudar meus irmãos menores e comprar roupa, às vezes, eu e meu irmão, a gente dividia um par de sapato. (choro) Então quando a gente ia pro colégio, meu irmão ia na frente, eu atrás e a gente ia com um pé de sapato e um de chinelo, isso até os dezesseis anos. (choro)

 

P/1- Vamos só voltar um pouco, o senhor tem apelido?

 

R- Tem, Maranhão, há trinta anos, quando eu fui trabalhar no Banco, na Sete de Setembro, 48, eu fui trabalhar no Departamento Pessoal. Lá é como a nata do Banco e lá conheci o Jorge Silva, que era o gerente do setor de pagamento e ele disse “fica aqui na minha sala atendendo telefone”, mas o banco tinha um restaurante, que o pessoal da Selen não podia almoçar lá, era uma norma do Banco, que quem prestava serviço não podia almoçar no banco. Aí um dia, numa festa de final do ano, o Rui Selani, que hoje é aposentado, era diretor de esporte da associação e programou um torneio entre os funcionários e os que prestavam serviço também, então juntou todo mundo, e eu jogava bola. E na hora lá, o pessoal da Selen formava um time, e particularmente o pessoal da Selen em bola era melhor que os funcionários, nós fomos até campeões, aí eu jogava na ponta direita e quando acabou o jogo, o pessoal disse “Quem é aquele Paraíba, que fica correndo pra cima e pra baixo e ninguém pegava ele?” Aí o Jorge Silva falou: “o Luiz Fernando, ele é Maranhense”, e aí ficou Maranhão até hoje.

 

P/1- No seu ambiente de trabalho?

 

R- Todos só conhecem Maranhão, se você chegar no Banco e quiser falar com o Luiz Fernando Rocha Melo, vão lá no computador, “pô, é o Maranhão”, mas se você chegar na portaria e perguntar do Maranhão, todo mundo conhece.

 

P/1- Vamos voltar um pouquinho pro Maranhão, você tava contando das dificuldades, como era esse teu trabalho?

 

R- A minha mãe tinha uma barraca na feira, lá a feira é fixa, é permanente, mas não vendia muito pra criar dez filhos, meu pai ganhava  pouco, então não dava.

 

P/1- O futebol era profissional?

 

R- Era, mas meu pai não jogava mais, e jogador de futebol na época não dava dinheiro, ele jogava por amor, por esporte, então na luta deles lá, dez filhos, dez pares de sapato. Os velhos se preocupavam mais com as mulheres. O meu irmão mais velho não era muito de trabalhar, graças a Deus mais tarde ele arrumou um trabalho, meu outro irmão trabalhava na feira também, eu disse: “pô, eu não vou ficar sem fazer nada, eu preciso ter minhas coisas”. Aí eu fui vender caixa de sabão, todo dia eu chegava do colégio, às cinco horas, tirava a roupa do colégio e ia buscar uma caixa de sabão na fábrica, pra vender de manhã na feira, eu estudava de tarde, então dava tempo das sete da manhã até às dez horas eu vendia uma caixa de sabão, isso até os dezoito anos, essa dificuldade toda. Só melhorou quando eu fui trabalhar no Armazém Abreu, minha mãe tinha um namorado lá e eu disse “cara, dá pra tu arrumar um trabalho lá?” Aí fui trabalhar como vendedor, estavam precisando na época porque era final de ano, e lá fiquei um ano, foi. Eu vim pra cá em 70, no carnaval, meu irmão mais velho já tinha vindo, meu outro irmão também veio, eles fizeram a estrutura aqui, e graças a Deus quando eu cheguei no Rio, já tinha dois irmãos aqui, o meu irmão mais velho muito bem de vida, o outro trabalhava na Mesbla, na Rua da Passagem, ele era mecânico e o mais velho trabalhava em escritório de contabilidade e vivia bem, ganhava muito bem, ele me ajudou bastante. Ele era noivo da Cleni, ela trabalhava com os garçons, eles casaram, ela morreu de parto do meu sobrinho que hoje tá com dezessete anos, foi uma... (choro). Ela é de Santo Antônio de Pádua, ela é mineira, outro dia tive na casa da mãe dela.

 

P/1- Só pra gente fechar o Maranhão, como era esse armazém, era tradicional?

 

R- Era, era da família Abreu, uma família rica, elite de São Luís, era tradicional, tinha o Armazém Abreu, o Gonçalves Dias e Armazém Alencar.

 

P/1- Era de portugueses? Vendia o quê?

 

R- Era, vendia tecido, eu era balconista, o velho tinha umas quatro lojas, era paralítico e tomava conta e todo dia estava no depósito às sete horas da manhã, estava lá e só saía quando as quatro lojas fechavam é que ele ia embora.

 

P/1- Era aqueles armazéns que vendiam fardos de tecido?

 

R- Era atacado, fardos de 60 kg e vendia a varejo também, ele ficava no depósito pra atender atacado.

 

P/1- E na época as mulheres compravam que tipo de tecido?

 

R- Olha, o linho, tricoline, usava muito linho, bordado, rendas, as mulheres usavam anágua. Comprava o tecido pra fazer anágua, botava muita goma, até os anos 65, 70 as mulheres usavam muito vestido.

 

P/1- Sua mãe costurava?

 

R- Fazia as camisas e os vestidos das minhas irmãs, não dava pra pagar, calça tinha que comprar porque ela não sabia fazer, mas camisa e vestido mamãe fazia muito bem.

 

P/1- Então o senhor frequenta a escola até?

 

R- É, eu fiz em São Luís até o primário, porque eu tinha que trabalhar pra ajudar meus pais e meus irmãos e naquela época não existia colégio à noite, quando eu vim pra cá que começou colégio à noite. Eu fiz o primeiro e o segundo grau no Rio, eu fiz o Ginásio na Mabe na Rua Riachuelo e o segundo grau foi em Caxias na AFE [Associação Fluminense de Educação]. Eu poderia ter seguido, mas não sou muito de estudar não, eu entrei no Banco e quando a gente foi pro quadro a gente trabalhava um dia sim e um dia não.

 

P/1- Antes me conta uma coisa, por que da sua vinda pro Rio de Janeiro? E como foi essa viagem?

 

R- Olha só, eu vim pro Rio, que foi uma questão de sobrevivência mesmo, de ter uma vida melhor, eu sempre pensei em melhorar porque a vida era uma dificuldade enorme e eu vim, nem falei pros meus irmãos que eu vinha,  eu um dia pedi demissão do Armazém Abreu e disse “eu só quero que vocês me dêem o Fundo de Garantia e eu quero comprar uma passagem e ir embora pro Rio.” Eu não lembro mais da contadora, ela gostava de mim pra caramba ela disse “tá maluco?”, e disse pra falar com o velho, eu fui e o velho falou: “pode ir, você vai morar onde?”. Eu disse, “meus irmãos moram no Catete”, eu nem sabia onde é o Catete e ele disse “é perto do Centro, eu tenho um filho que mora lá, se precisar tá aqui o endereço dele”. Era engenheiro, eu não sei onde ele trabalhava. Mas graças a Deus eu não precisei, porque meus irmãos já estavam aqui. Eu vim com intenção de ter uma vida melhor, eu não queria ser melhor do que ninguém, mas uma vida digna de um ser humano. Conheci a Cleni, que trabalhava na Casa Garson, namorava com o meu irmão e ela me levou pra lá.

 

P/1 - E como foi a viagem, a primeira impressão do Rio?

 

R - Quando eu saí de São Luís, olha, aquilo não era ônibus, os ônibus eram da Itapemirim e eram horríveis, eles chamavam de pé duro, levou quatro dias pra chegar aqui, era estrada de barro, piçarra, chão, nego tava rasgando o mapa desse litoral, sei lá. Eu tinha o sonho de chegar no Rio e vou ver o Pão de Açúcar e o Cristo, eu só fui conhecer isso depois de dez anos, mas o Rio de Janeiro, eu fiquei deslumbrado, porque o meu irmão morava no Catete e enquanto eu não trabalhei eu ia todo dia pro Aterro. Eu fiquei maravilhado olhando o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor e fiquei nesse negócio um mês, dizendo “meu Deus será que eu to no Rio de Janeiro mesmo?” Depois eu disse “eu quero trabalhar”, meu irmão disse “tu quer o quê?”. Eu disse: “quero trabalhar”, aí eu fui trabalhar na papelaria Catete no final de 70, como balconista, aí passou um mês, o Sr. Pedro que até hoje existe ele falou: “Sr. Luiz eu vou abrir uma loja aqui do lado e to precisando de uma pessoa igual a você”, que a loja abria às oito e eu chegava à sete, porque a luta era tão grande que eu acordo cedo mesmo. Aí eu abria a loja e quando o contínuo chegava a loja já tava limpa, o velho ficou gostando muito de mim. Então ele disse, você fica aqui, aprende, fica só olhando, que nós vamos abrir uma outra loja aqui, de fliper, outros jogos, negócio de sinuca. Eu disse, não, eu não quero fazer isso não, porque eu jogava muita sinuca e minha mãe não gostava, eu levei muita pancada dentro do salão, e eu não quis e saí. Aí liguei pro meu irmão e disse que não tava mais trabalhando, passou uns três dias ele falou, “você vai se arrepender”, eu disse, “vou, mas não quero mais trabalhar com isso.” Aí perambulei um pouco, fui trabalhar no Bazar Gonçalves, na rua Real Grandeza, depois voltei pra papelaria Aquarela, que era no Catete também, era de uma senhora, trabalhei só um mês, aí fui trabalhar na Casa Garson, conheci a minha cunhada.

 

P/1- O que era a Casa Garson nessa época, vendia o quê?

 

R- Era eletrodomésticos, fogão, geladeira, era uma loja tradicional do Rio de Janeiro. Ponto Frio Bonzão, a casa Brastel, a Ducal e a Impecáveis Maré Mansa, que existe até hoje. Aí conheci o Abraão Garson, tive o prazer, eu conhecia só o filho, que era o presidente da empresa e o Benoliel Garson, que era o cunhado dele, o Levi Garson, pessoas boas e o Rui, que era contador e aí se tornou meu padrinho de batismo. Eu só me batizei só com 27 anos, porque eu tive uma madrinha que nunca me batizou, mas eu chamava ela de madrinha, aí quando eu fui casar com 27 anos é que eu fui me batizar, aí o Rui, que eu gostava muito, disse “perto da minha casa tem uma igreja”, não lembro,  os meus padrinhos são vivos, mas não vejo há mais de quinze anos, moram na mesma casa , os filhos nem reconheço porque só vi quando eram crianças, mas espero um dia ver de novo.

 

P/1- E a esposa dona Janete, como conheceu ela e qual era o nome dela?

 

R- Era Janete de Moraes Mendes, hoje tem o Melo, eu conheci, eu frequentava Caxias, porque eu jogava bola lá no São Bento, e o meu irmão Nilson, trabalhava na Paula Moto Rádios e a Janete era secretária do dono, Seu Paulinho. E eu tinha som, e gostava de ouvir muita música, era tremendão mesmo, eu usava aqueles grampos pra levantar o cabelo. E o meu irmão disse pra ela, se você gosta de disco, liga pro meu irmão que ele entende de música, se você quiser ele grava pra você. Aí ligou e nunca mais, aí nós casamos, parou nisso. Conheci Janete no carnaval, nos conhecemos num baile de carnaval, com meus irmãos e um amigo paulista, o Feliciano, que queria conhecer o Rio, aí eu levava ele pros bailes, boate, futebol, ele era um cara esforçado, e eu conheci a Janete, passamos uns dois meses namorando por telefone, passou uns dois anos a gente casou.

 

P/1- E como era essa época de juventude, que músicas vocês ouviam, como se divertiam?

 

R- Olha só, na época que eu pude mesmo, era a época do Roberto e Erasmo Carlos, aquelas calças boca sino, era o tremendão, do jeito do Roberto Carlos, Vanderlei Cardoso, era camisa sem gola, calça Saint Tropez, abaixo do umbigo, pra homem aquele cinto com fivela grande, cabelo alto, prensava com uns grampos pra levantar o cabelo.

 

P/1- Você comprava essa roupa onde?

 

R- Olha, eu não sou de falar, mas pobre é fogo, era na Rua da Alfândega mesmo, era a Ducal que vendia umas coisas ou na Impecável da Maré Mansa, que hoje atende todas as camadas, mas na época eram só os paraíbas, carioca não comprava não, hoje vai todo mundo. Vendia roupa do Roberto Carlos e do pessoal da jovem guarda e as mulheres com roupa de Wanderléa, minissaia, barriga de fora.

 

P/1- Vocês iam dançar?

 

R- Olha, eu ainda peguei uma época boa, eu dançava muito lá em Caxias, em boate, a Mem de Sá, hoje não é recomendável, mas na época na Lapa existia muita boate, hoje o que existe é melhor nem entrar.

 

P/1- O senhor ia com a dona Janete?

 

R- Não, na época de solteiro não senhora, só com o Feliciano, com a Janete eu ia muito em clube, cinema, a gente passeava, a Janete não sabe dançar, eu gosto de dançar, ontem mesmo fui no Bola Preta e levei a Janete, mas ela fica olhando, eu fico dançando sozinho e rodando ela como se fosse dança de salão.

 

(Pausa)

 

P/1- Maranhão, você entra quando no BNDES?

 

R - Em 72, prestando serviço, contínuo. O contínuo tinha que chegar 9:30, a gente assinava o ponto na sala do Major Ronale, que era o responsável pelos contínuos do  Banco, todo serviço de copa era os contínuos que faziam, passava e servia café e eu graças a Deus, dei sorte, fui trabalhar no Departamento Pessoal. Conheci pessoas humanas, que não tinham esse negócio de exploração de trabalho, que era o Jorge Silva, já aposentado, o Paiva que era o chefe de departamento pessoal, o Rodolfo Acuite e vários outros, pessoas boas, a gente assinava o ponto e voltava pra trabalhar na Sete de Setembro.

 

P/1- Você entrou em que ano e como você soube desse emprego no BNDES?

 

R- Através de anúncio de Jornal, antigamente a gente comprava mais O Dia, seção do emprego que O Dia oferecia mais, o Globo e o Jornal do Brasil era mais elitizado, então o jornal O Dia é que trazia mais anúncio de trabalho, até hoje.

 

P/1- E como era o anúncio?

 

R- Precisa de contínuo pra trabalhar no Banco, só isso, apresentar-se à partir das sete horas da manhã no Mercado das Flores, parece que o número do prédio era 28, parece que no quinto andar, chegando lá preenchi uma ficha e fui escolhido porque eu morava perto, na Rua Riachuelo, ao lado da igreja e do jornal O Dia. Então eu passei a trabalhar no Banco mais por sorte, porque eu morava perto e não saí mais, tô há trinta anos.

 

P/1- Mas era prestadora de serviço?

 

R- Era uma empresa terceirizada pelo Banco, que prestava serviço, o Banco tinha contínuo, auxiliar de administração, que o Banco contratava através da Selen, e assistente técnico, mas o técnico era difícil ser contratado pela Selen, eu não me lembro, mais era pra auxiliar, manutenção, digitadora, que a Selen contratava. Hoje não existe, é um negócio de segurança, é outro nome.

 

P/1- Quando você foi trabalhar no BNDES, você tinha a dimensão da instituição que você tava trabalhando?

 

R- Não sabia que eu tava num banco tão poderoso, só fui me dá conta depois de um ano, meu irmão falou “que Banco?”, “BNDE”, “eu nunca ouvi falar nesse Banco”, “nem eu”. Ele não acreditou, ele trabalhava numa empresa de concreto e passou lá pra ver se era realmente o BNDE, “é do governo, eu acho que não vou sair daqui nem a porrada”, e to há trinta anos, o BNDES me deu tudo que eu tenho, graças a Deus e ao BNDES. Tem pessoas que já morreram, o Almir Cardim, foi quem marcou mais minha vida, me ajudou a fazer o segundo grau, era a época que a gente prestava serviço pela Selen, foi difícil, a gente ganhava pouco, tinha que comer, graças a Deus o Almir apareceu no meu caminho, graças a Deus ele me considerava como filho e eu a ele como pai, a gente tinha uma amizade muito grande, só a morte dele é que nos separou, ele me deu tudo o que uma pessoa precisava. Eu disse que queria estudar pra melhorar, ele não me pediu nada em troca, a única coisa que eu dei a ele foi o meu diploma: “tá aqui, o seu dinheiro não foi em vão”. (choro) Ele era contador do Banco, muito respeitado, porque ele era técnico e as pessoas gostavam porque ele era muito humilde e o Almir não dizia não pra ninguém, vestia a camisa do Banco, a Associação fez uma homenagem a ele, botou uma placa do Campo da sede da Barra com nome de Almir Cardim, pelo reconhecimento pelo trabalho que ele fez, e na Associação, que ele foi diretor financeiro por muitos anos. É uma família muito boa, tem um filho, Alan, que trabalha na Petrobrás, nós somos muito amigos, sempre almoçamos junto e o Alan é como se fosse o Almir, porque é muito parecido, muito humilde, não tem vaidade, não gosta de dirigir o carro, nunca vi isso, é igual ao pai. Tive outras pessoas que me ajudaram, o Felipe, trabalhou muitos anos comigo na portaria, o Abdala Coelho, hoje aposentado, o sonho dele era se formar em contador, se formou, era o maior orgulho dele. Eu passei a trabalhar um dia sim, um dia não, na portaria do Banco,  e o dia que eu estava de folga eu fazia serviços particulares de despachante pra algumas pessoas, pra arrumar um dinheiro por fora pra ajudar, eu, minha mulher trabalhava, a gente passou a comprar as coisas, a gente casou e só tinha cama, não tinha geladeira, nem televisão, eu prometi pro meu sogro que ia casar e em um ano eu ia ter tudo e consegui em menos de um ano, o meu senhorio nunca chegou na porta me cobrando, graças a Deus nunca fiquei devendo, depois eu me mudei pra casa do meu sogro

 

P/1- Em que bairro?

 

R- No parque Duque, Caxias. Nós estávamos falando do Abdala, se formou em contador, mas nunca foi trabalhar, se aposentou como auxiliar de portaria.

 

P/1- Como era esse trabalho na portaria?

 

R - Trabalhavam sete pessoas por dia, a dupla pegava às seis da manhã, na portaria geral, a entrada de todo funcionário do Banco, na Rio Branco, 53, e tinha uma portaria, os funcionários, convidados, visitas, passavam ali, alguns a gente já sabia quem era, outros a gente pedia pra se identificar, a gente ligava, tinha dois telefones e a gente se comunicava. Não tinha serviço de recepcionista, a gente ligava, nos andares tinha uma portaria com o contínuo lá sentado numa mesa, mas a gente ligava pra secretária do Chefe de Departamento “tem fulano de tal que quer falar com o Dr. Barcala lá “Tá, manda subir”, a gente fazia também esse tipo de trabalho. Então eu fui conhecendo muitas pessoas dentro do Banco. O Maranhão se tornou conhecido no Banco, eu trabalhei oito ou dez anos na portaria, e como eu trabalhava um dia sim e um não, o dia que eu não trabalhava eu estava no banco fazendo serviços particulares pra ajudar no meu orçamento, e com esse trabalho eu conheci todos os funcionários do Banco, se fizer uma votação do cara mais conhecido do Banco acho que sou eu ou o Beraldo, que também é um contínuo do Banco e tem história pra contar. Por exemplo, o Zé Mauro é da turma de 74/76, entrou muito novo e chegou a vice presidente, cara competente, sempre de um jeito sereno, alegre, falando com as pessoas. Tem o Isaac também, é muito antigo, conheço desde a época que se tornou chefe de departamento, hoje é diretor, vários superintendentes da minha época que já vieram com estudo, eu infelizmente só fiz o segundo grau, porque não nasci pra estudar, nasci pra fazer esse tipo de trabalho, trabalhei de despachante muito tempo. Eu faço esse trabalho cerimonial, isso eu sei fazer, ninguém me ensinou, aprendi com força de vontade, as pessoas me deram chance. Eu fui surpreendido uma vez, quando eu trabalhava no Depad, o Banco tinha um restaurante e eu recebia os tickets de quem entrava e depois quando fechava eu conferia todos pra ir para a folha de pagamento

 

P/1- Você trabalha como auxiliar de portaria até que época, até ser transferido pro restaurante?

 

R- Quando o Banco se mudou pra Av. Chile, a associação só administrava, era uma empresa que fazia e a gente acompanhava a empresa, e o Sr. Carlos que era da associação comandava a cozinha do restaurante e a contagem dos tickets era eu e o Valdeci que fazia e a Terezinha que fazia a contabilidade, ela hoje é aposentada, então fiquei lá mais ou menos seis meses, aí um dia o Luís Martins me chamou e disse “a partir de amanhã, você tá trabalhando na presidência”, eu disse “quem falou que eu quero ir? Eu não quero trabalhar na presidência.” Ele disse “eu acho bom você se apresentar amanhã de manhã ao Alfredo, você é o mais antigo e foi escolhido. O Bencardino, que era o chefe de departamento administrativo, tentou fazer de tudo pra você não ir, mas só querem você, você vai trabalhar com o Alfredo e com o Ubirajara.” Eu disse “tá legal, já que é assim...”

 

P/1- Por que você não queria?

 

R- Olha, a presidência na época, hoje é light, não é que as pessoas eram ruins, mas era um negócio muito reservado, muito trancado, era muita responsabilidade trabalhar com o presidente do banco, as secretárias, tem que ter responsabilidade, tem que sair tudo certo, não pode dar errado. Fazer qualquer coisa com relação a papel, você apaga e faz outro, se eu fizer um trabalho errado pro presidente ele vai dar errado e não tem tempo de consertar, só se voltar o tempo, se o presidente chega aqui, vai dar uma entrevista, eu tenho que saber o que ele vai precisar, então é uma responsabilidade muito grande, então eu tinha medo “pô e se eu errar? Vão me degolar.” Ele disse “não, você não vai errar, você vai trabalhar lá porque foi escolhido e olha, eu acho bom você ir”. Tá legal, eu vou, nessa época, era o Jorge Lins o presidente do banco no lugar do Luiz Sande. O Jorge Lins parece que ele aposentou alguns funcionários do Banco, então o rapaz que fazia o trabalho de compra de dólares do Banco era o Alcântara e ele se aposentou e precisava de um cara com responsabilidade e como eu fazia serviço de despachante e já trabalhava com o pessoal do Banco, fui escolhido pra comprar dólar, tirar passaporte do pessoal, então o Alfredo chegou e disse “olha você foi escolhido, não dá pra voltar, você não vai se arrepender, vai ganhar a mesma coisa que o Alcântara ganhava, uma gratificação especial e o banco me dava a roupa, terno, a gente usava paletó, uniforme que o Banco dava.

 

P/1- Como era o uniforme?

 

R- Era um paletó sem gola, tipo jaleco, azul com o nome do BNDES, a calça cinza, gravata azul e a camisa azul claro. O nome bordado do BNDES, o uniforme era bonito, infelizmente alguém levou o álbum, a associação na época fez uma reportagem também e eu fui escolhido, como eu trabalhava na portaria, eu apareci numa dessas revistas que eu deixei aí pra vocês verem.

 

P/1- Voltando ao período do restaurante, o senhor era responsável pela entrada dos funcionários?

 

R- Que iam almoçar, eles me davam um ticket e só passava na roleta quem me desse o ticket.

 

P/1- Vocês comiam no mesmo restaurante?

 

R- No mesmo, aí eu já era do banco, não tinha problema, mas os contratados, mesmo na Rio Branco, depois que a gente saiu, que os terceirizados passaram a almoçar no banco. Entrou um presidente sei lá, botou todo mundo pra almoçar, acabou com aquele negócio de terceirizado não almoçar no banco, e foi aí que um dia eu encontrei também o Almir, ele era diretor financeiro da associação, eu disse “cara, nós temos que almoçar lá, pagar aqui é muito caro”, “É, nós tamos lutando pra vocês almoçar lá”. Antes de o Banco vir pra cá, a gente passou almoçar no restaurante junto com os funcionários.

 

P/1- Então sempre teve o restaurante?

 

R- Sempre, hoje não tem mais.

 

P/1- Você sabe por quê?

 

R- Olha só, dizem que foi Corpo de Bombeiro, disse que não pode ter restaurante no último andar, era o 22º e parece que podia ser até o 10º, 12º, onde a escada de incêndio vai.

 

P/1- E tem alguma história pra contar dessa entrada no restaurante, de quem não era funcionário, como era isso?

 

R- Ah! Sim. Olha, de vez em quando o chefe chamava atenção, “tá entrando gente”, se o cara mostra o crachá, tem um cara na TV, que faz “cara, crachá, cara, crachá”, aquilo cansa, de vez em quando passava, mas aconteceu lá um negócio foi com o Oscar, que uma vez chegou lá com uns japoneses pra almoçar, então o Banco tinha três setores, tinha o vip, que são os diretores e os executivos, né, tinha o la carte, que era o setor que a gente ficava e se servia e tinha o bandejão, que era do pessoal mais pobre e era o mais frequentado e chegou o Oscar lá, com uns dez japoneses que estavam em reunião e o Oscar pra fazer um tratamento levou-os pra almoçar no 22.  Só que onde eu trabalhava no setor à la carte ele não poderia, eu falei “olha aqui é com ticket, não dá pra ficar, porque não é servido, não pode. Ele “pode, eu vou entrar”, eu disse “vai ficar mal”; “mas eu vou entrar”, eu disse “não vai, nem você, nem ninguém”. Aí formou lá uma confusão, o Bencardino subiu e disse “o que foi Maranhão?”, eu digo “ele tem que levar os japoneses lá pro setor vip”. “E por que ele quer ficar aqui?”, “Não sei”. Aí ele falou um negócio pro Bencardino e o Bencardino disse “o Maranhão não é culpado, ele tá cumprindo ordem, se ele falou que não pode é porque não pode, é no setor vip”,  aí ele ficou aborrecido e não foi. O Bencardino falou “não fica com medo não, que não vai dar problema, você tá cumprido ordens”, realmente não aconteceu nada, só fui elogiado, o Bencardino hoje é aposentado do Banco, é um cara muito bom,  meu amigo, nós temos uma afinidade muito grande porque ele é da turma antiga, são trinta anos que eu conheço o Bencardino e ainda hoje de vez em quando se encontra, e disso daí não tenho mais nada, dali eu parti pra presidência, onde to até hoje e fui fazer esse tipo de trabalho, compra de dólares, tirar passaporte.

 

P/1- Como é que funcionava hierarquicamente esse seu trabalho na presidência?

 

R- Era só pro presidente, depois passou pros diretores e depois passou pros superintendentes, depois pro chefe e hoje eu faço pra todos que me pedem, eu não sei dizer não, se eu não puder dou todas as dicas. Pros diretores do Banco eu faço todo esse trabalho, eles só vão ter que ir lá assinar, entendeu, pra ele não perder tempo, ele não vai entrar em fila, é um serviço de gabinete pra gabinete, eu vou no gabinete do delegado, no setor de passaporte, falo que é o diretor do Banco, ele me pede uma carta, aí eu trago, eles pagam, eu levo o diretor, ele assina e vai embora, é um serviço vip. Hoje eu faço os embarques também do presidente, que antigamente não era o meu serviço, mas o Bira, quando passou a ser coordenador esse trabalho que era dele passou pra mim, aí eu fiquei recebendo as autoridades do Banco que vem.

 

P/1- Fala um pouco, uma autoridade, algum caso específico que o senhor tenha recebido, como é o processo, quais são suas responsabilidades?

 

R- Olha, por exemplo, Fernando Henrique Cardoso vai chegar a semana que vem, ele vai abrir o Fórum Nacional de Economia do Reis Veloso. O cerimonial vai ser da Presidência da República, aí eles dão todo apoio, aí eu não recebo, quem recebe o Presidente da República é o Presidente do Banco, com o cerimonial da presidência, mas eu vou receber os ministros, a gente prepara todo o ambiente pro Presidente, quando ele chega os ministros tem que estar lá na sala, eu recebo, encaminho. É esse trabalho, eu adoro, é bom.

 

P/1- Social também. Como é, você vê se tem cadeira, lugares onde vão sentar, se tem copo d’água?

 

R- Tudo, tudo que você pensar eles têm, ele chega, já sabe o que vai fazer, tem assessora de imprensa perto, os jornalistas do Banco, toda uma parafernália em volta dele, pra que ele fique bem à vontade, pra dar certo, tem que dar certo, não pode dar errado, não pode voltar o tempo, como eu já falei.

 

P/1- E o que não pode faltar?

 

R- Nada, tem que tá tudo, solenidade, tem que ter garçom, tem que botar água lá, aquele negócio todo, às vezes eles pedem um coffee break e a gente prepara lá na sala pra eles beber um suco, um biscoito. O presidente às vezes pede, porque vem muitas autoridades, às vezes o governador, ministros, até ministros de outros países vem receber, tudo é feito com autorização do presidente, as pessoas que estão no evento pedem pra ele, um coffee break, um almoço, aí nós vamos fazer tudo com ordens superiores. A Beth, que é a superintendente, recebe as ordens, às vezes o chefe do gabinete, ela fala com a Beth, ela repassa e nós vamos tratar do almoço do presidente, pros diretores do Banco, às vezes pro superintendente, mas quem manda é os diretores da área, então é esse trabalho.

 

P/1- Houve um momento que uma autoridade não comia certa coisa e você teve que correr atrás pra ter?

 

R- Já. Já tivemos um presidente aqui, que Deus me livre! Só comia peixe, ele queria mais peixe, era o Pio, ele gostava muito de peixe, o Modiano também, mas depois nós passamos a fazer, peixe com carne, peixe com frango, vice-versa, hoje eu te garanto que tem peixe, o frango nós deixamos preparado, se alguém quiser, mas é peixe e carne basicamente, salada verde, a maioria das entradas é salada verde, muitas frutas, melancia, abacaxi, manga, kiwi, fruta da época, sorvete, pra o almoço da diretoria, nós sempre botamos duas sobremesas, sorvete, fruta.

 

P/2- Anteriormente você falou que hoje a presidência é mais light, o que é esse mais light?

 

R - Olha só, eu entrei no Banco ainda no regime militar, e no regime militar você não tinha muita liberdade nem pra falar, e ficou aquele negócio, você tinha que respeitar, estar enquadrado. Então quando acabou o regime militar isso ainda permaneceu muito no Banco, trabalhar com diretor e presidência, você tinha medo de ter falhas e ser demitido, é como eu falei: é muita responsabilidade, tem que deixar tudo certo, não pode faltar nada, não é eles que pedem, tem que dar certo. O presidente vai viajar, ele tem que chegar lá e tem que viajar, eu não posso chegar atrasado, se eu chegar atrasado ele perde o voo, quem tem que chegar na frente sou eu, se ele chegar atrasado aí não é problema meu, agora aconteceu uma vez comigo, depois de trinta anos eu falhei com o Gros, mas ele não perdeu o avião graças a Deus.

 

P/1- O que aconteceu?

 

R - Infelizmente aconteceu com o Gros, a quem eu tenho uma admiração muito grande, um respeito muito grande pelo Gros, eu trabalhei com ele quando ele era diretor do Banco. Quando ele foi pro Banco Central, e me encontrava no aeroporto ou em qualquer lugar, sempre vinha falar comigo, sempre sorrindo, um cara sensacional. Um dia eu saí do Banco com a passagem dele, esqueci que ele ia viajar, eu apaguei, cheguei em casa e esqueci. O Gros gosta de viajar cedo, sete horas da manhã tem que viajar pra Brasília. Eu tenho que tá sempre duas horas na frente dele, porque se acontecer algum problema eu tenho uma hora pra resolver, e quatro horas da manhã tem que acordar, se arrumar pra sair de casa quatro e meia, quatro e quarenta, cinco horas e nesse período pra levantar você nem dorme, a responsabilidade é muito grande. Mas eu cheguei em casa eu apaguei, esqueci que ia viajar, quando foi seis e vinte da manhã o relógio despertou, mas era pra despertar quatro horas da manhã, mas  eu esqueci. Acordei e falei “meu Deus! O presidente vai viajar sete horas da manhã”, aí liguei pro motorista dele, o Valença, e falei “Olha, eu acordei agora, não quero falar com o Dr. Gros não que eu to doente. Mas você chega no aeroporto que ele vai viajar”, mas  a minha sorte é que não era terça-feira, senão ele perdia o voo. Foi uma quinta feira, e é voo vazio, aí deu tempo dele chegar, comprar o bilhete, não perdeu o voo e viajou. Foi a única vez que eu errei, infelizmente foi com o Gros, poderia acontecer com qualquer outra pessoa. Mas infelizmente, a Adelaide, que hoje é secretária dele na Petrobrás, “o senhor quer que eu fale o quê com o Maranhão? O senhor é o chefe dele”  Ele chamou a Beth e disse “puxa a orelha dele”, a Beth me conhece há quase trinta anos, a Adelaide também, eu disse “não tenho nada que falar, eu errei, eu esqueci, acabou”. A Beth me chamou e disse “O que foi?”, mas não me chamou a atenção só disse que ele pediu que o Gros falasse comigo. Levou trinta anos, mas se fosse na época do regime militar, com certeza eu estaria demitido.

 

P/1- Era um ambiente muito exigente?

 

R- Exatamente, hoje é mais light, o Gros é um cara sensacional pra se trabalhar, te dá muita liberdade e poder de você trabalhar “olha, eu quero isso” não te pergunta como você resolveu, se não prejudica ninguém, tá bom. O Eleazar de Carvalho é gente finíssima pra se trabalhar, teve o Márcio Fortes, foi outro cara magnífico pra se trabalhar, te dá muita liberdade. O Pio Borges, não é ninguém que eu tinha medo, que não tem isso, ninguém tem medo de ninguém... Também é outro cara magnífico pra se trabalhar, dá muita liberdade. Eu peguei o Marco Vianna, o Magrassi eu não peguei, depois o Sande, que Deus o tenha em bom lugar, mas dele eu não falo, depois foi o Jorge Lins, foi um cara bom, foi com quem eu fui chamado pra trabalhar pra ele, depois teve o José Carlos Perdigão, só sei que trabalhei com vinte presidentes já.

 

P/1- Em que ano você entrou pra trabalhar na presidência?

 

R- Foi em 83, esse trabalho só pra tirar passaporte e comprar dólar, o presidente ia viajar pro exterior...

 

P/1- Quem viajava mais desses presidentes?

 

R- Todos viajam muito. Tem o Modiano, que eu falei pra ele “o senhor vai se aposentar por hora de voo”. O Gros parece que chegou dos EUA e tinha que viajar pra Brasília, o Modiano fazia muito isso, chegava dos EUA ou do Japão, Paris, chegava e pegava outro avião e ia pra Brasília. Todos, os diretores também viajam muito.

 

P/1- Hoje o senhor responde a quem de imediato?

 

R- Quem me manda são os funcionários do Banco, não digo não. Mas eu sou subordinado ao presidente, mas ele não manda, que ele sabe que eu to trabalhando, quem me manda mesmo é o chefe do gabinete, o subchefe do gabinete, as secretárias.

 

P/1- Mas o senhor tem acesso ao presidente?

 

R- Tenho, todo dia, ele viaja eu to junto com ele, ontem mesmo eu tava no aniversário, do Gros, como convidado.

 

P/1- Lembrou da passagem. (risos)

 

R- Eu até pedi desculpas pra ele, ele como não quis me chamar atenção porque sabia que eu errei aquela vez, eles entenderam, infelizmente foi com ele. Mas eu aviso “Maranhão não é eterno, eu preciso de uma pessoa pra trabalhar comigo, até hoje to esperando, porque eu já estou em ritmo de aposentadoria, falta dois anos pra eu me aposentar, sempre sorrindo, até o meu último dia no Banco, trabalho com a mesma alegria, estou me preparando pra me aposentar.”

 

P/1- Bom, então pra gente ir encerrando o nosso depoimento, qual é um pouco sua reflexão de um garoto que nasceu no Rosário, que teve uma vida de dificuldades e que hoje é coordenador de serviços da presidência do BNDES? Como é sua avaliação do seu desempenho profissional e da sua inserção no BNDES?

 

R- Como eu tinha falado anteriormente, hoje, graças a Deus, eu tenho muito, o que eu tenho tudo eu devo a algumas pessoas, que eu sou agradecido, foi Deus que botou essas pessoas na minha vida e me tirou lá de Rosário pra vir pro Rio (emocionado). To aqui no BNDES, coisa que eu nunca pensei, permaneço no BNDES, tenho muitos amigos, sou um abençoado pelas dificuldades todas que eu e meus pais passaram, sobrevivemos, somos dez irmãos, a dona Cleonice é sensacional, o meu pai uma maravilha, os meus amigos que eu já citei, alguns que já morreram fazem falta na minha vida (muito emocionado). Meu sogro também um cara que já morreu, queria que ele tivesse vivo. Eu vivo bem, tenho uma estrutura sólida, consegui no BNDES, me orgulho muito de trabalhar no banco, não é pra todo mundo. Das dificuldades, eu sobreviver e vir parar no BNDES, meu Deus! Eu nem sei como. Isso só Deus mesmo. A minha família é de pobre, meus irmãos todos já voltaram, só tenho um aqui. Os que estavam bem de vida, meu irmão era um cara muito bem de vida, infelizmente a mulher dele morreu e acabou com a vida dele também, só tem um garoto muito bonito, o Ralf, meu sobrinho de 27 anos. Então foi a minha luta, quando meu irmão perdeu as mordomias, ele me ajudou muito, mas depois que a mulher dele, a Cleni, morreu ele perdeu tudo. Só não tomaram a casa porque não tava no nome dele, até hoje. A mulher dele deixou lá uns negócios, até o meu sobrinho outro dia esteve aí e eu fui na casa da Aparecida, avó dele pra ele resolver e não resolveu. Então a Cleni foi uma garota que me ajudou, ela dava ânimo pras pessoas, ela ajudou muito meu irmão, ele ganhava bem, ele desenvolveu muito, ele era contador da Concretec, ganhava muito dinheiro e quando ela morreu, eram seis irmãos aqui no Rio, acabou, ele teve que trabalhar, correr atrás, as dificuldades foram aparecendo, eu já trabalhava no Banco, então eu conheci, essas pessoas todos são meus referenciais. O Almir quando ele falou “você quer, então eu vou estar sempre na sua frente, o dia que eu morrer, que eu sumir, você não é mais o Maranhão”. E realmente ele só sumiu da minha vista, quando morreu. O Almir era minha referência, ele era contador, ganhava bem, vivia bem, deixou a viúva bem, o filho bem, que hoje é funcionário da Petrobrás. O Felipe que foi um pai, até hoje me visita no Banco, era auxiliar da portaria, tem o Alfredo que me chamou pra trabalhar com ele, sou muito agradecido. O Bencardino me valorizou muito também. O Luís Martins, com quem eu trabalhei, me tiraram do Luís pra ir pra presidência, o Bira, que sempre me ajudou. Teve, quem mais? Não posso ser injusto, o Cacau, Carlos Augusto de Oliveira Lima, é um cara que sempre fez elogio pra mim, eu trabalhei quinze anos direto com ele e ele nunca fez uma reclamação, a única foi essa que aconteceu com o Gros. E essas pessoas sempre me ajudaram, sou muito agradecido. Eu ia jogar bola, conhecia as pessoas certas, eu estava no lugar certo, na hora certa, por isso que eu dei certo. Trabalho nesse ramo, aprendi mais olhando, ficando quieto, não sou de falar muito, sou mais de ficar prestando atenção. A Jani hoje que é minha chefe, ela é responsável pelo cerimonial, todas as ordens do cerimonial passam pro Sobral, ele passa pra Jani, me repassa, as autoridades ela não se preocupa porque sabe que sou eu que faço esse trabalho e ajudo ela nos almoços que tem pra convidados, presidentes, enfim, do banco. Esse trabalho da presidência veio a existir do Luiz Sande pra cá, antes não tinha. O Marco Vianna viajava sozinho, ia pro aeroporto sozinho, isso quem trouxe esse tipo de trabalho pra cá foi o Sande em 83.

 

P/1- Você dirige também?

 

R- Não, só aconteceu um caso. Um dia o Marcio Fortes, que era o presidente, não sei por que não tinha motorista, nem tinha carro. A Sulami que era secretária perguntou “Maranhão, tu tá com teu carro aí?”, “eu tô”. “Então leva o presidente no Aeroporto Santos Dumont, não tem motorista”. Então eu fui, era um Chevette, não era novo, era 80, eu falei “meu carro é Chevette, o Márcio é alto pra caramba”. Eu sei que ele foi numa boa, eu levei, foi a única vez que eu dirigi, mas é porque o motorista não estava lá na hora, mas não foi falha, é porque saiu pra trabalhar e teve que levar o carro.

 

P/1- Maranhão, você trabalha há mais de 25 anos no Banco, inclusive você recebeu uma homenagem, conta pra gente de maneira sintética como foi e o que você sentiu em ser homenageado.

 

R- Olha, antes não tinha isso, o Alfredo que no final fez esse trabalho de fazer homenagem aos funcionários que completam 20 anos, 25, 30 e 35 anos. Eu já fui homenageado com 20 anos, fico emocionado, com 25 anos também chorei. Eu tenho uma alegria e um prazer muito grande de trabalhar no BNDES, eu sou grato ao BNDES, quando eu completei 25 anos que o Pio Borges me deu, foi como um prêmio de 25 anos, mas eu vou receber o ano que vem 30, se Deus quiser e 35 também se não duvidarem.

 

P/1- Bom, Maranhão, vendo hoje o BNDES, o que te marca mais em termos de mudança?

 

R- O Banco, as mudanças foram muitas, o Banco quando veio pra Avenida Chile já houve uma transformação, o público não conhecia o BNDES, até hoje a maioria não conhece. Em São Luís eu falo, o pessoal pergunta “o que é BNDES?” Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, porque agora que o Banco tá sendo  divulgado, hoje no Ceará o pessoal já está fazendo propaganda do BNDES. Quando eu comecei o Banco tinha seiscentos, hoje tem quase dois mil funcionários, a dinâmica do trabalho das pessoas, são interessados, vestem a camisa, graças a Deus o banco não vive nesse negócio de falcatrua, corrupção, nunca vi isso e olha que eu trabalho na diretoria, se tivesse qualquer coisa eu saberia porque normalmente isso vaza, mas eu nunca ouvi e tenho certeza que isso não acontece. As pessoas são sérias, os técnicos são maravilhosos, inteligentes, ninguém é perfeito, lógico, haja vista que nós temos até ministro o Guilherme Dias, é funcionário do banco, temos o prefeito de Vitória que é funcionário do Banco, que é afastado, o Luiz Paulo Vellozo Lucas O Banco já teve vários presidentes ministros, teve o Luiz Carlos Mendonça de Barros, esse cara foi sensacional, posso falar um pouco dele? Esse foi um dos caras maravilhosos pra trabalhar, ele me promoveu, muito obrigado hein, Luiz Carlos. Eu trabalhei muito anos na presidência e sempre lutava pra ser coordenador, por trabalhar de madrugada, o presidente viaja na segunda-feira, eu nem vou pra casa que eu tenho em Iguaba, então tenho que estar no Rio, porque se acontece alguma coisa, é muita responsabilidade.  Por exemplo, ligaram no feriado pro Banco, que eu tenho que chegar cedo, e o Luiz Carlos junto com o Besserman, tem essa parcela também, ele já trabalhou como chefe de gabinete, depois pra superintendente e depois pra diretor. E o Luiz Carlos por ser presidente ele me promoveu a coordenador. O Cacau também tem uma parcela nisso, porque o banco me dava roupa, dois ternos por ano, cinco camisas, dois pares de sapato e cinco pares de meia. Quando o Cacau foi ser chefe de departamento administrativo tirou as roupas. Aí eu peguei uma coordenação, e dizia “olha, eu não tenho roupa, preciso andar de terno, isso e isso.” Aí foram lutando, lutando, até um dia o Besserman me chamou no gabinete dele e disse eu vou te dar uma coordenação, se eu não consegui na presidência, boto você como coordenador no meu departamento. Ele falou com o Luiz Carlos, fizeram um trabalho e me botaram na presidência, eu agradeço, o Luiz Carlos é um cara sensacional, a dona Vitória, esposa dele, é também gente boa, o Luiz Carlos depois de tudo o que aconteceu com ele, não trabalha mais em vida pública, mas eu sei que ele tá bem, porque de vez em quando eu vejo o irmão dele, que também tenho muita admiração, é humilde. O Luiz Carlos é meio o agitado, mas sempre sorrindo. Hoje o Banco é mais light.

 

P/1- O senhor gosta de gravata?

 

R- Eu gosto, mas não uso todo dia, tá lá meu paletó, o presidente vem: eu gosto de terno, visto aquele tradicional terno azul-marinho, o meu trabalho pede, né. É o básico de cerimonial, mas eu gosto, mas não é todo dia, tenho dois blazer no armário e uma camisa sempre de reserva no Banco, pra uma eventualidade especial a gente bota.

 

P/1- Bom, Maranhão, se for possível sintetizar, o que é o BNDES pro senhor?

 

R- O BNDES é minha vida, depois que eu fiquei sabendo, que eu caí na realidade, o que era o BNDES, meu Deus! Isso aqui, nunca eu vou sair, o Banco me deu tudo, eu devo tudo às pessoas, a Deus e ao Banco. Olha, brasileiro tinha que trabalhar no BNDES e desenvolver o Brasil. A definição do Banco é isso: brasileiro inteligente trabalha no BNDES pra desenvolver esse país, o Banco é muito grande, faz um trabalho bom, os presidentes que passaram ultimamente, 95% fizeram um trabalho muito bom, os 5% talvez pela política não fizeram um bom trabalho, mas ultimamente o Gros trabalhou pra caramba, o Luiz Carlos, o Márcio Fortes, o Luiz Sande, o Jorge Lins Freire, o Dilson Funaro foi um excelente cara, ele passou seis meses no Banco, saiu de presidente pra ser ministro da Economia na época.

 

P/1- Quais são suas memórias dele?

 

R- Olha, poucas, porque ele trabalhou só seis meses, ele não era muito de, e viajava mais pra Brasília, mas o desempenho do Dilson foi muito positivo dentro do Banco, como ministro também, não deu certo porque esse negócio de política é meio complicado. Eu não sou político, queria ser, mas não nasci pra essas coisas, mas acompanho muito político e bem acompanhado e tem que trabalhar muito. Ninguém é perfeito, mas tem uns que gostam. É bom trabalhar, eu me sinto bem trabalhando pra eles.

 

P/1- Você tem horas de lazer, o que você faz?

 

R- Tenho. Eu sou muito caseiro, talvez pelas minhas dificuldades, eu aprendi a ficar em casa, só saio com a dona Janete, mesmo porque ela não dá mole, mas eu gosto de ficar em casa de shorts, de fazer comida eu adoro, todo domingo eu cozinho em casa. O que eu gosto de fazer é ficar em casa perto da minha mulher, da minha sogra que hoje infelizmente tá doente, mas tá vivendo, quando eu vou pra São Luís eu gosto de ficar perto dos meus pais e dos meus irmãos.

 

P/1- Qual a frequência que você vai ao Maranhão?

 

R- Todo ano, eu tenho que ver dona Cleonice e senhor Pedro Melo, ano passado botei os dez filhos junto, que há dez anos ela não via junto. E esse ano o Sr. Pedro Melo vai ver os dez filhos dele junto, levou trinta anos, mas com certeza vai ser feito. Gosto de estar perto dos amigos, de beber uma cerveja, um chope.

 

P/1- Gosta de dançar?

 

R- Eu gosto, mas dona Janete não sabe, então a gente fica... (risos) Eu gosto de um pagodezinho, um samba, aí o samba ela fica do lado, eu fico sambando e tal, mas eu gosto mesmo é de ficar em casa. O meu próprio trabalho requer isso, não dá pra ficar bebendo por aí, ontem eu até excedi um pouco, o Gros disse “bebe um pouco aí”, então eu bebi.

 

P/1- Onde foi a festa?

 

R- Na Petrobrás, fizeram uma homenagenzinha simples pra ele, que foi muito boa. Teve um presidente que eu queria falar dele, o Pio Borges, o Pio na revista você vai ver, ele entrou no Banco e se afastou e foi pro IBGE, IPEA parece e quando o Pio apareceu no Banco foi como diretor e depois como vice-presidente. O Pio é muito bom pra trabalhar com ele, te dá muita liberdade, ele quer ver o negócio funcionar, quem falou mal do Pio é mentira, o Pio é excelente, não to puxando a sardinha pro lado dele não. Eu trabalhei com ele duas vezes, primeiro ele saiu com vice-presidente, e depois como presidente, esse tempo nunca aconteceu nada e ele sempre sorriu.

 

P/1- Bom, Maranhão, se o senhor pudesse mudar alguma coisa na sua trajetória de vida, o que mudaria?

 

R- Eu voltaria a estudar.

 

P/1- Sonhos ainda a serem realizados?

 

R- Só se eu estudasse, mas agora o sonho que eu tenho é me aposentar bem de saúde, com essa vontade que eu tenho de viver, gosto de ficar em casa, principalmente de domingo cozinhar

 

P/1- Comidas do Maranhão?

 

R- Comida caseira do Maranhão, domingo eu fiz um cozido, comprei uma costela magra, um lombinho, músculo, é uma delícia, diz que é ótimo, comprei maxixe, quiabo, abóbora, jiló e fiz aquele cozido à maranhense, vai até ovos cozidos.

 

P/1- A dona Janete curte?

 

R- Ela só come (risos) e a minha sogra adora quando eu cozinho, também eu faço comida pra ela a semana toda. Quando a gente vai pra Iguaba ela fica bem à vontade. Eu gosto de ficar em casa, bebendo, cozinhando, chamo o meu vizinho, eu sou muito caseiro. Hoje, por exemplo, só tomo café, pelas dificuldades me acostumei só com cafezinho, sem pão nem manteiga, eu sou assim. Eu sou brincalhão, falo que nós somos privilegiados de trabalhar no Banco, quando eu dou uma volta no meu passado e me boto no Banco, me acho um privilegiado.

 

P/1- Maranhão o que acha desse projeto 50 anos do BNDES e o que achou de ter dado seu depoimento?

 

R - Muito bom, com isso o Banco vai ter mais divulgação, eu já to há trinta anos no Banco. Com essa festa, essa divulgação toda, vai ser muito bom pro BNDES, vai valorizar o Banco, os funcionários da casa, os técnicos, os executivos, todos. O Banco vai passar a ser mais conhecido, tem que divulgar pro país todo a importância que é o BNDES. Talvez daqui a dez anos o Banco passe a ser conhecido no país todo, agora o Banco tá fazendo convênio, alguns convênios nos estados pra divulgar o BNDES e as pessoas vão conhecer, e o Banco vai desenvolver e esse país vai melhorar com certeza.

 

P/1- O que achou de ter dado esse depoimento?

 

R- Eu fico muito honrado e feliz, quando a Beth me falou que eu ia dar esse depoimento, agradeço a todas as pessoas que me ajudaram por estar aqui, me sinto honrado, quero agradecer a todos, não cito nome pra não ser injusto, agradeço de modo geral a todos, é uma honra muito grande falar do BNDES e da minha vida, espero que eu tenha um outro privilégio, mas isso fica só comigo e pra frente Brasil! BNDES na frente!

 

P/1- Esqueceu de dizer seu time de futebol.

 

R- Sou flamenguista.

 

P/1- E no Maranhão?

 

R- Moto Clube.

 

P/1- Então, muito obrigada pelo seu depoimento, foi ótimo.

 

R- Foi bom?...

 

P/1- Ótimo.

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