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História

Todo dia é dia de sonhar

História de: António Alberto Saraiva
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 02/01/2013

Sinopse

Descrição da vinda da família para o Brasil. O trabalho do pai como fornecedor de pães em Santo Antônio da Platina. O contato com o comércio desde pequeno. A ida para São Paulo e o sonho de cursar Medicina. A mudança da família e a abertura de uma padaria. Descrição da morte do pai e de como assumiu os negócios. Conciliação entre os estudos e o trabalho. Atuação em diversos estabelecimentos do ramo alimentício. A criação do restaurante Habib’s e a expansão dos negócios. Descrição da estrutura de franquias e de treinamento que dá suporte aos vários estabelecimentos dispersos pelo país.

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História completa

“Se há algo que me define razoavelmente bem é acreditar nos sonhos e confiar no trabalho e na persistência como meios para realizá-los. Nem tudo o que tentamos dá certo e, como sempre, a vida se encarrega de nos mostrar isso. Nasci numa pequena aldeia em Portugal, filho de camponeses, que seis meses depois vieram para o Brasil em busca de oportunidades e sonhos. De Santo Antônio da Platina, interior do Paraná, onde meu pai se estabeleceu e manteve um pequeno negócio de distribuição de doces, mudamos para um modesto apartamento no Pari, em São Paulo. Era início dos anos 70 e eu corria atrás do sonho de ser médico. Em 1971 prestei vestibular em cinco faculdades e fui reprovado em todas. Em 1972 prestei em seis, com idêntico resultado. Em 1973, prestei em sete. E passei em todas. Optei pela Santa Casa. Como todo bom português, meu pai acabara de investir numa… padaria. Por uma dessas tristes ironias da vida, no dia 19 de agosto de 1973, ele que tocava o turno do dia, trocou com o sócio pelo da noite e eu o levei até a padaria. Às 23h, quando fui buscá-lo, encontrei-o no chão, sem vida. Havia sido assassinado durante um assalto. Naquela noite perdi a pessoa que mais amava. Com ele se foram meus sonhos, referenciais, crenças, até mesmo minha fé. Herdei uma padaria comprada havia 19 dias. A pior do mundo: velha, com equipamentos ultrapassados e funcionários sem qualificação... Era demais para mim e decidi vender. Contei a um taxista o que estava prestes a acontecer. As palavras que aquele homem disse devolveram tudo o que eu havia perdido naqueles dias: ‘Não desista, filho. É preciso caminhar. Você vai conseguir’, ele disse. Eram exatamente as palavras que meu pai usava na época do vestibular e que me impediram de desistir naquela época! Tornei-me o melhor padeiro: encostei a barriga no balcão e aprendi tudo. Não dependia de mais ninguém. Venci todas as padarias à minha volta vendendo pães 30% abaixo da tabela, dando duas unidades grátis a mais a cada dez compradas. Com isso atraí os padeiros de rua, que compravam grandes quantidades para revender. Transformei a pior padaria do mundo na melhor do bairro. Mais que um padeiro, tornei-me o que sou até hoje: um comerciante. Ah! E também consegui meu diploma de Medicina. Era o momento de decidir: médico ou comerciante? Obviamente vocês sabem a resposta... Com tudo o que vivi, adotei a filosofia que me orientou pelo resto da vida em todos os meus futuros negócios: amar o cliente, oferecendo produtos de qualidade pelos menores preços possíveis. E, com isso, montei vários estabelecimentos: Casa do Pastel, Casa da Fogazza, Casa do Nhoque, Casa da Pizza Rodízio. Foi assim até quando estava montando uma lanchonete na Rua Lins de Vasconcelos e apareceu um senhor me pedindo emprego. Perguntei quantos anos ele tinha. ‘Tenho 70, mas moro aqui em frente. Me arruma alguma coisa pra fazer’, disse ele. Então perguntei o que ele sabia fazer. ‘Ah, sei fazer homus, tabule, quibe cru, coalhada, quibe...” O nome daquele senhor era Paulo Abud e ele tinha sido o maior cozinheiro da Rua 25 de Março, principal enclave da colônia árabe em São Paulo. Com ele aprendi tudo sobre a culinária árabe! Conversando com outro amigo árabe, pedi-lhe uma sugestão e ele emendou: ‘Como é que eu chamo todo mundo?’ ‘Você chama de habib, respondi.’ Ué, então chama de Habib’s!’”

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