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História

Teresa Cristina Leoni: Eletritel, do Mary Dota

História de: Teresa Cristina Leoni
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 11/03/2021

Sinopse

Infância próxima ao Teatro Municipal de Bauru. Foi vendedora de joias e roupas, gostava inclusive de na infância fazer suas próprias peças e vender. Relata uma lembrança da explosão das Nações Unidas no dia que o Presidente Geisel veio para Bauru. Exerceu o magistério no Anglo. Início conturbado de sua primeira loja no Mary Dota. Início do bairro e a avenida mais importante. Oportunidade de vendas de peças de reposição de eletricidade. Abertura da sua loja, a Eletritel. Formas de pagamento. Brinquedos na loja ao lado dos materiais. Pandemia e futuro.

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História completa

          Sou Teresa Cristina Leoni de Souza e nasci em Bauru, dia 10 de agosto de 1968. Eu cresci ali no centro, do lado das Nações Unidas. Minha infância toda foi ali, do lado do Teatro Municipal. Meu pai, Lázaro Leoni, trabalhava na prefeitura, era fiscal da limpeza pública; e a minha mãe era do lar, Francisca Darci. Eu tenho um irmão, o Lázaro, e tenho uma irmã também. Eu tenho irmãos por parte de mãe, que é de um casamento antes, mas não tivemos muito contato.

          Estudei na escola Santa Maria, que ficava na Cardia. Ela começou na Igreja São Sebastião, e eu fiz até a quarta série lá, mas depois mudou o prédio, pra Vila Cardia mesmo. Antes era uma escola paroquial, até a quarta série. Tinha os momentos de orações, a gente vivia ali dentro da igreja, era gostoso. Aí depois foi construída uma nova escola, que deixou de ser paroquial. A prefeitura construiu uma escola perto, a poucas quadras dali, e passou a ser uma escola municipal, onde eu terminei até a oitava série.

          Em Bauru, nessa época, a gente tinha liberdade. Com oito anos, eu atravessava a Nações Unidas, eu ia até a Araújo Leite, buscar pão todos os dias, sem problema algum, sem perigo. Não havia perigo de sair de casa. E a minha casa tinha muitos pés de frutas, tinha manga. Então, a nossa infância foi no quintal, pegando fruta. Queria uma fruta, a gente pegava no pé, não tinha isso de ir ao mercado. Depois que eu casei, eu resisti bastante em comprar uma manga no mercado, porque eu falava: “Meu Deus, como assim, uma manga no mercado?”, se eu podia apanhar no pé, né? Mas foi assim, foi bem gostosa a minha infância, porque a gente cresceu muito com a natureza.

          E eu sempre quis trabalhar. Estudava, porque meu pai era uma pessoa que sempre exigia, até pelo fato de ele não ter muito estudo. Meu pai tinha um pouco de frustração com isso e pegava no nosso pé. Mas eu não fiz faculdade, fiz Magistério - porque logo depois eu conheci meu marido e já casei. Cheguei a trabalhar numa escola, mas de repente eu parti para o comércio. A venda está no meu sangue, eu sou vendedora nata, gosto de vender. Aí eu quis ter o meu comércio, e meu marido me apoiou.

          Eu cheguei a trabalhar também no Ceará Magazine. Confesso que o senhor Machado, o dono, foi uma grande inspiração pra mim. Eu nunca escondi isso dele. Tenho a loja faz 28 anos, e tive oportunidade de falar pra ele que ele foi um grande inspirador pra eu ter o meu comércio.

          Eu trabalhei também um tempo como autônoma, numa multinacional. Com o dinheiro do acerto, quando eu saí, eles me liberaram, foi quando eu comecei a minha loja. Ainda não era a Eletritel. Eu comprei essa loja de uma amiga, era uma loja de confecção: calçado, confecção, aviamento... tinha de tudo, era tipo um bazar. Ela se chamava Dalu Presentes, e eu fiquei quase dois anos com a loja - fui uma das primeiras aqui do Mary Dota. Mas aí meu marido falou assim: “Olha, vamos parar com a loja, não está dando certo”. Veio aquela frustração de novo, mas eu entendia que realmente eu estava jogando dinheiro fora, porque vendia e não recebia. Aí eu fiquei três meses tentando liquidar tudo.

          Mas o meu marido trabalhou na Telefônica durante muito tempo, fazendo serviço de eletricista, de instalador de telefone e eletricista. E na minha casa ele montou um quartinho, onde ele tinha todas as peças: tinha disjuntor, tinha um monte de coisinhas que eletricista usa para socorrer uma pessoa. As pessoas começavam a procurar o material elétrico, e toda hora ia gente perguntar: “Teresa, eu preciso deste pedacinho de fio; eu preciso de uma lâmpada”. E quando passou mais ou menos um mês, conforme as pessoas iam pedindo as coisas, a gente ia colocando. Nós compramos duas antenas e, de repente, nós fizemos um pedido de dez antenas; aí, de repente, o pedido de um rolo de fio... já eram dez rolos de fio. E a gente foi aumentando e foi tirando tudo da loja de confecção, até que chegou um dia em que eu peguei tudo que tinha na loja - roupas, calçados, toda aquela mercadoria que tinha -, fiz uma trouxa e levei pra Casa da Criança: “Olha, eu estou doando tudo”. E aí foi quando nós colocamos a parte elétrica ali no lugar.

          A loja começou a crescer, e agora só vendia material elétrico. A gente precisava sair dali, porque não parava de atender mais. Como a loja era na nossa casa, era dia, noite, de madrugada, e o pessoal pedia socorro. Não tinha hora. Mas como a gente era no Mary Dota, um dos primeiros do bairro, então a gente tem um carinho aqui com o pessoal. A gente tinha de atender fora da hora, e isso nunca foi um problema para nós - acho que isso tornou a Eletritel o que é hoje. Mas foi por isso que começamos a procurar um ponto na avenida, até que a gente conseguiu comprar esta casa. Hoje, a gente trabalha com 18 mil itens aqui, virou quase um Tem Tudo. A gente continuou atendendo de sábado e domingo, atendemos as pessoas nos horários que elas precisam. E como tudo na minha vida, não foi nada planejado. Eu descobri que eu não tive planejamento, foi tudo consequência, pois uma coisa foi puxando a outra - mas que deu certo, deu muito certo!

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