Busca avançada



Criar

História

Temos que ser unidas

História de: Juseni da Silva Santana
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 00/00/0000

Sinopse

A família de Jusenir é de agricultores, e desde cedo ela passou a ajudar mãe e pai nas atividades da roça e domésticas. Tinha que pegar água todos os dias ao sair do colégio porque não havia água em casa; tinha que ajudar no plantio, na arrumação da casa, entre outras tarefas. Quando Jusenir já estava mais velha, começou a trabalhar de empregada doméstica, atividade que exerce até hoje. Mas também descobriu um grupo de mulheres que começava um empreendimento de roupas e passou a bordar e costurar. Seus sonhos então passaram a mudar e imaginar que o negócio cresce e substitua seu emprego.

Tags

História completa

“Lá de pequena a gente ia tudo pra igreja. Papai às vezes fazia também a leitura bíblica de manhã. Reunia os filhos em volta da mesa, pegava a bíblia e lia a lição diária dos versículos. Depois ensinava cada um a orar, cada dia um fazia a oração. Todo dia tinha esse curso doméstico lá onde a gente morava, na roça. Mamãe fez um sítio do lugar onde a gente morava pra plantio de frutas. A gente trabalhava na roça, sempre na roça. Na verdade, eu não tive infância. Durante a semana eu trabalhava com papai e mamãe plantando mandioca, arroz, feijão, café...e chegava no sábado, íamos socar o arroz, moer a cana, tudo o que a gente fazia lá. Até o meio-dia a gente trabalhava em casa, depois ia pra escola. Eu fui pra escola. Então a gente estudava e trabalhava, e carregava água lá do alto de um morro, da nascente, pros pais poderem fazer a merenda pra levar. Terminava de estudar eram quatro e meia pras cinco da tarde. Meus pais eram exigente, mas tinha uma professora que me marcou, pela exigência dela. Tinha que fazer o dever e, se não fizesse, botava de castigo em cima do caroço de milho. Eu não saía com amigos. A maior parte do tempo era em casa, fazendo serviço. Depois que eu fui trabalhar fora, de doméstica. E nessa época eu arranjei meu marido e casei. Não deixei de trabalhar, só por um tempo de gravidez. Meu esposo é pescador. Na época ele era pedreiro. Meus filhos, eu falo pra ele que meus filhos são filhos de pedreiro. Na época ele era pedreiro, aí quando a minha menina caçula estava com oito meses de nascida ele começou a pescar. Ela agora tem trinta anos. E ele ainda pesca ainda, está até para o mar agora.Às vezes tenho medo, quando chega o temporal, aquele tempo de vento, muita chuva. Fico preocupada. Mas ele volta, sempre, com atum, dourado, pargo... E passado um tempo, eu já não estou mais conseguindo trabalhar no pesado. A idade. Foi uma amiga que mora lá perto de casa que me chamou pra um projeto pra fazer costura. Olha, eu nem sabia costurar, mas fui aprendendo. E vai indo. A gente faz os moldes, e fazemos muito pros pescadores, aquelas capas de chuva. Eles se molha muito, então precisam usar essa roupa quando chega a época de chuvas. Isso tem me ajudado a trabalhar. Mas o que sinto que aprendi de melhor com essas amigas da costura, é ter união, convivência. Evitar conversinhas. E não é um serviço pesado. Hoje, eu posso trabalhar sentada."

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+