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História

Telegrama de aniversário

História de: Fransberlan Pereira Elias
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 24/06/2014

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Fui criado com as minhas irmãs, meus pais se separaram muito novos, eu tinha meses de idade e o meu pai criou a gente, uns dez filhos, e depois que eu fui crescendo que a minha mãe separada, ela mora com outro homem, de vez em quando, eu ia visitar e minhas irmãs… a mais velha me criou, eu que sou o mais novo de casa.

  Gosto muito de futebol, tinha um campinho perto de casa, lá, mas o trabalho puxou logo, porque eu tinha uma irmã que era mãe solteira e meu pai ganhava muito pouco naquele tempo, né, era engraxate ele, e “instrutou” a família, mesmo sendo engraxate, ele “instrutou” dez filho e eu comecei a trabalhar com 15 anos. Trabalhava o dia inteiro, muita gente dormia em rede, porque tinha umas cama, mas não dava, né, apesar de ser três quartos, mas tinha a rede, que botava do lado, botava do outro, às vezes, ficava por cima do outro, né, pra caber, senão, não dava não.

  O meu primeiro emprego foi numa fábrica de calçado com 15 anos, nove meses lá na Pajuçara, próximo aqui a Fortaleza, passei nove meses lá e não deu certo, eu fui pra outra, na Araponga, passei uns três anos, mais ou menos. Ai, eu tive um problema particular, ai eu falei com o meu chefe, digo: “Não vou querer mais trabalhar lá”, ai ele viu que eu era uma pessoa muito trabalhadora, disse: “Não sai não”, ele me deu uma puta força, né? “Não sai não” “Não, mas eu quero sair, se você fazer isso por mim, eu lhe agradeço muito”, até disse pra ele. E sai, né, uns três anos mais ou menos, depois trabalhei de continuo na loja Itamarati, aqui no centro e depois da Itamarati, passei uns poucos meses, ai o Correios me chamou, em 87, eu fiz uma ficha aqui. E pra nós, que somos do setor onde eu era antes, passou pra um outro setor e naquele tempo, o diretor era o João Porto, que Deus o tenha também, ai mandaram me chamar, ai eu fiquei no setor de um colega meu, de manutenção onde estou até hoje, muitos colegas também faleceram e que tá aqui é eu, daqueles era bem uns sete ou era oito, só tá eu e outro colega...

  Eu fiz vários cursos pelo Correios também, nessa parte me formou muito, de você ir lá pegar o panfleto e ver uma curso que eu queria, né, e passava pela gerencia e autorizava, essa parte, o Correios, não tem o que falar. Correios, assim, em matéria escolar, ele deu um apoio muito grande, sabe? Ele fez uma parceria com o SESC e pediu pra quem quisesse terminar o segundo grau e arranjou umas salas na Aldeota, aqui no centro, no edifício sede e graças a Deus, eu conclui o meu segundo grau.

  O Correios, em questão de aniversariante, ele sempre manda telegrama, né, acho que é muito importante isso ai, um dia, o diretor me mandou um envelopezinho, agradecendo o apoio que a gente estava aqui recebendo, como diretor, ele… ajudei nas coisas que podia, ele mandou um envelopezinho com um cartão agradecendo. Acho que isso é muito!

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