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Tecelagem forte

História de: Antônio Aparecido Golin
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 13/10/2013

Sinopse

A entrevista de Antônio Aparecido Golin foi gravada pelo Programa Conte Sua História no dia 20 de junho de 2013 no estúdio do Museu da Pessoa, e faz parte do projeto "Aproximando Pessoas - Conte Sua História". Antônio Aparecido conta uma história dentro do ramo da tecelagem e que esse dom vem de família, já que seu pai trabalhou 16 anos no ramo de tecelagem em americana. O depoente conta que sua entrada no ramo da tecelagem foi fazendo limpeza, mas que rapidamente foi promovido. Antônio passou pela ramo de cabeleireiro, marceneiro mas o seu encanto sempre foi a tecelagem. Com o tempo de trabalho e muito curiosidade foi pesquisando e desenvolvendo técnicas de trabalho até conseguir abrir a sua própria fima que trabalha com uma tecnologia desenvolvida por ele próprio.

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História completa

Minha mãe é baiana, o meu pai descendente de italiano. Eles trabalhavam na roça. Trabalhamos na roça até 79. Eles sempre trabalharam na roça, mudamos pra cidade em 79. Meu pai trabalhou mais 16 anos em Americana, na tecelagem e aposentou; minha mãe sempre foi dona de casa, nunca trabalhou fora. Tenho irmãos, tenho cinco irmãos vivos. Uma, que era antes do que eu faleceu. O cachorro mordeu, sarou muito rápido e parece que deu alguma coisa por dentro e em 45 dias ela morreu. Então, tenho cinco irmãos vivos. Não lembro o nome da primeira professora, mas eu lembro bem uma que me marcou. Depois dela que eu comecei a ir bem na escola, eu lembro que eu até corrigia alguma coisa pra professora, e era elogio, era gostoso, era coisa boa. Mas tive que trabalhar na roça. Terminei a quarta série, os pais precisavam que a gente trabalhasse, então, não teve aquele incentivo, não tinha condição pra continuar o estudo. Eu comecei a trabalhar em tecelagem, entrei fazendo limpeza, trabalhei um mês fazendo limpeza e já fui promovido. Trabalhei mais dois meses e também fui promovido, aí trabalhei cinco anos nessa empresa Com 17 anos eu queria trabalhar por conta, já tinha na cabeça trabalhar por conta. Aí eu fiz um curso de cabeleireiro em Campinas, foi um ano todo domingo fazendo o curso porque eu queria trabalhar por conta. Então, comecei fazendo isso daí. Depois, eu era muito nervoso então vinha bastante mulher pra cortar o cabelo, só que eu tinha feito o curso masculino. E, pelo fato de eu ser nervoso, eu fazia bem, só que eu não estava bem. Então, eu larguei isso daí porque eu não me sentia bem, simplesmente por causa do meu nervoso. Vinha bastante mulher pra cortar cabelo, eu tinha feito curso masculino, não tinha feito feminino, mesmo assim eu cortava, mas sempre com medo de errar, de alguém não gostar. Logo que eu casei, eu tinha na cabeça que os filhos tinham que vir sem problemas nenhum, sem ela tomar remédio ou passar um tempo. Então logo que nós casamos, com um mês ela já parou de tomar remédio porque nós já queríamos ter três filhos. Não foi acontecimento, foi que a gente desejava mesmo, da minha parte e dela também, pelo menos que demonstrava. Estou falando dela mas, realmente, eu comecei a fazer, eu fiz o berço dele, fiz carrinho, eu fazia tudo pro meu filho porque foi muito esperado. Eu paguei todo o pré-natal dela, foi cesariana, então foi tudo bem programado, foi muito bem feito. Como eu falei, eu sempre gostei de fazer brinquedo, então, eu fiz um pequeno que foi pro meu primeiro filho. Depois eu fiz outros, aí já tinha a minha filha também. Eu andava com elas pra rua, puxando eles no carrinho. Depois eu fiz um motorizado, que era para eu andar e pra eles também, a gente saía andando pra rua com ele e os meus filhos gostavam muito. E como eu estava na cabeça ainda de trabalhar por conta, eu fiz outros carrinhos maiores, não terminei, aí comecei a fazer móveis também, não deu muito certo, mas eu fiz algumas coisas de marcenaria. E trabalhava ainda.   Trabalhava em fábrica de tecelagem e descobri uma fita, que substitui a antiga lançadeira, que faz a transferência do fio de um lado pro outro, pro tear ir trançando. Antes era só lançadeira, aí veio a modernização que era essa fita, que era o que existia de mais moderno no mercado. E como eu trabalhava com resina, já tinha feito algumas coisas, a pessoa me apresentou também. E aí eu fui desenvolvendo. Visitava muita empresa aqui em São Paulo, a Du Pont, tudo quanto é firma que trabalhava com resina eu tentava tirar informação. Mas ninguém sabia, ninguém dava informação porque ninguém conhecia o produto. Hoje no Brasil a minha empresa é ainda a única que fabrica com a tecnologia minha.

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