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Taxi para o Sr. Simplício

História de: Nazareno Francisco da Silva
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 03/07/2014

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 A Cidade de Jaguaruana é uma cidade muito boa ela tem como negocio principal a rede, a fabricação de redes, né, e na cidade, tem o Rio Jaguaribe, que passa por ela, e tem muitas outras atividades, como pescaria… hoje em dia, já não tem mais, mas como na minha época, com esses 17 anos, quando eu sai, existia essas farturas de peixe, muito peixe, meu pai pegava muito peixe, ele tinha currais, cercava o rio. Currais era… é uma certa armadilha pra pegar o peixe que você bota de um lado pro outro do rio, os peixes vêm, você retira pra vender, sustentar família. Eu me lembro que uma certa vez, meu pai… a gente ia numa bicicleta e chamava dispersar o curral, o curral é uma armadilha, né, varas, o peixe entra e não consegue sair e você pra dispersar o curral, você entra dentro do curral com a tarrafa, a tarrafa é aquele bicho que você dá o lance, e vai com os pés. E certa vez, meu pai disse: “Nazareno, tem muito peixe no rio, nos currais, vamos lá”, e nesse dia, nós trouxemos mais de uma saca de Jericó, foi matando, nunca vi tanto peixe na minha vida, uns peixe bonito, né, então foi uma coisa muito bonita. Siri também, ave Maria!

  Com dezessete anos, eu vim me alistar aqui no Exercito, depois eu vim pra Fortaleza. A minha mãe, ela… a gente tem um vinculo… é um fato muito interessante, a gente tinha uma educação rígida, tem um fato que eu nunca esqueci assim, meu pai… toda vida que eu pedi pra ele pra ir a algum lugar, a minha mãe dizia: “Peça pra ele”, que já sabia que ele não deixava, né, ai, por isso, às vezes, eu nem ia, às vezes, eu saía, depois que eu pedia, ai quando eu chegava, era aquela confusão! Tinha uns métodos meio assim, rude, né, mas era os métodos dele, e eu ficava muito reprimido nessa época. Eu fiquei muito tempo dizendo que eu ia escrever um livro, até quando eu vim pra Fortaleza, com 17 anos, me alistar no Exercito, eu trazia um monte de papel, o titulo do livro era: “My Life”, que é a minha vida, né, ai… Ai, eu vim pra Fortaleza me alistar no Exercito, e minha mãe chorava muito, eu chorava muito, que era muito apegado, o mais novo, né, aquele chororô, era só três meses, era só pra me alistar e voltava, sei que estou aqui até hoje. Na época tinha excesso de contingencia, eu não servi o Exercito, ai fiquei e arranjei outros empregos, fiquei trabalhando, viajando. Nessa volta que eu entro nessa empresa e estou até hoje a CORPVS Segurança, que ela presta serviço nos Correios. Comecei no Correios na Aldeota e da Aldeota, vim pra um aqui na Praia de Iracema, da Praia de Iracema, vim pra cá, esse aqui é o que eu estou mais tempo, 18 anos, 20 anos, por ai.

 O Correios é a minha segunda família, principalmente aqui, porque eu me dou muito com eles, 90% das pessoas, eu me dou bem aqui, principalmente os pequeninos, os pequeninos são aqueles que trabalham em empresas, os outros vigilantes, a gente tem uma amizade muito grande, né, mas temos muita historia, muita coisas assim, aqui no Correios, deixa eu ver se eu lembro de uma aqui. Aqui no correios, tem um caso interessante que é do vigilante noturno, né? Às vezes, as pessoas não acreditam, né, a gente conta, não acreditam, mas isso foi relatado e foi lançado até em livro. O vigilante Luciano, que trabalhava comigo à noite, ele estava aquele dia, um domingo, de plantão e chegou o taxista pra pegar uma pessoa chamada Simplício. Ai, isso era por volta de seis horas e o Luciano foi lá pra dentro… não tinha ninguém no prédio, pegou e disse pro taxista: “Rapaz, não tem ninguém aqui, de domingo não trabalha ninguém” e o cara insistindo: “Não, rapaz, tem gente sim, tem gente. Tem pessoas ai, aliás, é o Simplício que eu vim buscar, você não conhece? Ele trabalha na área de engenharia”. Ele insistiu tanto, que ele voltou pra fazer que ligava. Ai, no que ele retornou pra portaria pra fazer que ligava, né, quando ele olhou pra trás, não viu mais taxi, não viu mais motorista, não viu mais ninguém, ele ficou: ‘o quê que aconteceu?’. Ai, ele vai e liga pra mim: “Nazareno, veio um rapaz buscar aqui o Simplício”, eu digo: “Rapaz, o Simplício já morreu”, rapaz, esse caso (risos)… essa historia até hoje… quando ele soube, ele tremeu mesmo, sabe, o taxi veio buscar esse Simplício e o Simplício já tinha morrido, impressionante, ele disse que sumiu do nada, ele já é um senhor de idade, eu acreditei na história dele, porque eu nunca ouvi falar de uma mentira dele. Todo mundo aqui conhece quem era o finado Simplício. Uma historia engraçada, mas foi verdade.

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