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Tarek Sarout: Do Líbano ao Senegal, do Brasil para o Mundo

História de: Tarek Sarout
Autor:
Publicado em: 10/07/2021

Sinopse

Tarek Sarout. Nascimento em 29 de novembro de 1949 em Beirute, no Líbano. Vida na África até os 12 anos, vivência na Espanha por um ano. A família em São José do Rio Preto. Trabalho no comérci há 37 anos em Rio Preto. 53 anos no Brasil. Pai libanês Armand Dalfid Sarout. Mãe Ubaldina Faidarone Sarout, brasileira de ascendência libanesa. Ubaldina conheceu Armand quando morou no Líbano. Noivado por dez anos. Voltaram casados para África. Bisavô em 1800 viajou de navio para Austrália. Não gostou da Austrália. Viajou para o Brasil, interior mineiro. Mudança com a família. Avô libanês apaixonou-se por uma mineira. Família fundadora de Frutal/MG. Viagem ao Líbano. Avô tornou-se prefeito no Líbano. Luta entre duas famílias pela prefeitura da cidade. Três anos como prefeito. Objetivo de amenizar disputa entre candidatos rivais. Avô voltou para Brasil. Mãe Ubaldina ficou no Líbano. Noivado com Armand no Líbano. Estourou uma guerra. Casal separou-se por 10 anos. Ao fim da guerra Armand conseguiu ir para Brasil. Casamento no Brasil. Mudança para Senegal. Nascimento do irmão no Senegal. Nascimento de Tarek no Senegal. Nascimento de irmã no Brasil. Guerra Libanesa. Domínio francês. Libaneses tornaram-se soldados franceses. Pai conseguiu deixar de combater. Infância no Senegal. Dakar era a capital da África Ocidental Francesa. Território até Marrocos, Tunísia até Costa do Marfim. Senegal, Mauritânia, Marrocos, Mali, e Costa do Marfim. Escolas em francês. Alfabetização em francês. Educação árabe no Líbano. Mudança de países e de continentes por cinco ou seis vezes. Pai era importador e exportador. Ele recebia mercadorias e mandava por Mali, pra Mauritânia, pra Costa do Marfim. Vendas no atacado. Tarek diz ter herdado do pai a arte do comércio exterior. Trabalho de trader. Negociador há 15 anos. Trabalho por vários países: Coréia do Sul, Austrália, o norte da África e o Golfo Arábico. Venda de produto brasileiro. Última viagem ao Irã e Iraque há três anos. Venda de soft drink; alimentos; implementos agrícolas; fitoterápico; cosmético. Fluência em francês, português, inglês e árabe. Fala um pouco de espanhol. Influência do exército e marinha francesa no Senegal. Colônia libanesa no Senegal. Pai era ligado a Embaixada Libanesa. Período de epidemia no Senegal e mudança para Ilha das Canárias, Espanha, por um ano. Clima úmido em Dakar pela proximidade com oceano. Dakar era uma cidade bonita. Retorno à Dakar para trabalho. Reunião do Rotary. Lembranças no Senegal; casa da família, loja do pai. Saída do Senegal com 16 anos. Na época o Senegal estava sob domínio francês. Estudos em colégio de padre francês. Dakar era organizada com avenida largar praças bonitas. Na Corniche se fala o francês. O senegalês tem 133 dialetos. Dialeto senegalês em Dakar era o wolof. Mais dialetos no interior do Senegal. Lembranças da época de escoteiro no Senegal. Acampamento de monitores. Jogo do mapa. Chegada num monte de cabanas de palha. Dificuldades com idioma da tribo. Dificuldades de pedir água no dialeto da tribo Meia cabaça de água com cheiro de lodo. O Senegal faz divisa com a Mauritânia ao norte. Divisa com o Mali. Senegal tem vegetação de estepe. Habitat dos animais Girafa, leão. Pesca de lagostas em Saint-Louis, Senegal. Rio Senegal, divisa entre países Mauritânia e o Senegal. Sensação de infinitude no deserto em Saint-Louis. Pai fornecia mercadorias na Mauritânia. Caixa de cinquenta quilos de chá. Bebida tradicional Chai. Uso de vestimentas. Ditado popular “O que te aquece, te refresca”. Comida tradicional no Senegal é peixe com legumes e arroz vermelho. Uso de muita pimenta. Comida tradicional na Mauritânia é arroz com carneiro. Comida tradicional no Marrocos é cuscuz marroquino, sêmola sovada na manteiga, com legumes e carne. Lembranças de nadar na piscina. Piscina com água do mar. Ilha de Ngor. Acampamento como escoteiro. Durante a escravidão africanos iam para a ilha e não tinham escolha, ou iriam se afogar no mar ou descer até o navio. Mar com muito tubarão. A família retornou ao Brasil quando a África Ocidental Francesa conquistou independência e cortaram relações diplomáticas e comerciais. Pai era gentleman e sábio. Família escolheu voltar ao Brasil. Pai viajou para Argentina, Chile, Uruguai, antes de decidir voltar ao Brasil. Mudaram-se diretamente para Rio Preto. 54 anos de história no Brasil. Choque cultural. Família muçulmana. Em Rio Preto não há mesquita. Os locais próximos com mesquitas são Barretos e Colina. Respeito pelos livros sagrados: o Velho Testamento, o Novo Testamento e o Corão. Já fez palestra falando de religião do mundo árabe em igreja, em maçonaria, em Rotary. No Senegal tem muitos muçulmanos e mesquita. No Líbano tem mesquita e igrejas. Palestra na igreja Primeira Batista. Conhece setenta países. Desses setenta países gostou de todos. O local onde se vive é onde se tem raízes. É preciso respeito. Irmão mais velho é Caled, engenheiro mecânico, irmã Zuleica, irmã Muna, falecida, e irmão Milen, designer na prefeitura de São Paulo. Quando chegou ao Brasil na infância só sabia o termo “Levanta do chão” por causa da mãe. Alfabetização em português foi fácil por similaridade com o francês. Tios moravam em Fronteira- MG. Fundadores da cidade mineira são árabes. Em Rio Preto moraram no Centro da cidade, em apartamento. Mudança para bairro Vila Diniz. Estudos no Colégio São José, depois no Colégio Alberto Andaló. Foi estudar no Rio de Janeiro. Retornou a Rio Preto e continuou os estudos de Administração de Empresas e Contabilidade. Chegou no Basil em 1966. Se recorda dos cinemas no centro da cidade. Lembra-se do Bradesco e comércios pequenos. No cruzamento da Avenida Bady Bassitt com a Independência eram apenas sítios. Filme O Retorno de Jedi foi marcante. Na escola São José gostava da disciplina de Português. Apoio do professor. Professor Sales dava atenção e o ajudou. Ele era gentil. Na escola fez amizades tranquilamente. Viagem de ônibus com amigos para Santos. Lembrança de conferência do Rotary com três amigos, um médico e dois fotógrafos, um americano e outro brasileiro. Viveu na juventude no Rio por intenção de cursar Turismo e Arquitetura. Resolveu cursar Administração na Unirp em Rio Preto. Se apaixonou e voltou para casar. Esposa Maria José, brasileira. Ela estudava junto com seu irmão. Se casaram em Fronteira- MG. Casamento em 1973. Quarenta e sete anos de união. Seu pai teve um supermercado em Fronteira. Durante algum tempo Tarek administrou o supermercado. O retorno à Rio Preto foi a convite do amigo Salim, Kiberama, para sociedade. Trabalho juntos por 12 anos. Comprou o café em 1987. O fundador do Café era Toninho Conte. O nome do domínio estava registrado como Café Conte e preferiu deixar assim. O Café Conte tem o melhor café. Uso de blend separado. O grão é diferente. Café tem preço de commodity e preço de gourmet. O habitué dos clientes é frequentarem o Café todos os dias. No cardápio tem esfiha de zaatar, de carne e queijo. Produtos diferentes. Venda de pão de queijo grande e pequeno. Ao logo do tempo formou uma clientela. Antigamente era tabu que cafés eram ambientes para o público masculino apenas. Hoje busca proporcionar alimentos e bebidas para atrair o público feminino. Inclusão de chantilly, capuccino, chocolate. São mais de trinta anos de experiência. Sempre toma o primeiro café para ver no paladar a quentura e sabor. Importancia do grão, moagem, torra, temperatura, pressão da máquina. O mais importante, porém, é o atendimento. Adaptações na pandemia. Momentos de dores de cabeça, azias, nervosismo, alergias. Adaptação de kibe, kafta pra assar, homus e coalhada seca pra levar. Luta para continuar a ativa. Cozinhou em jantares no clube Rotary para a maçonaria. Comida para quinhentas a mil convidados. Participação em 17 jantares do Clube Rotary. Comida árabe é saudável e trabalhosa. Uso de azeite e legumes. Faz kibe, kafta, charuto de folha de uva, cuscuz marroquino. O grão do cuscuz marroquino é exportado da França ou Marrocos. O melhor grão de café é brasileiro. Concorrência com o Vietnã e Colômbia. Tem três filhos. O mais velho é Calfic, comerciante, trabalha numa empresa de energia solar. A filha Mira é biomédica, responsável pelo Centro de Saúde de Olímpia. Filho caçula trabalha com loteamentos de imóveis. Histórias do tempo vivendo em Portugal. Orgulho de deixar um legado de sua história de vida aos familiares. Seu sonho é conhecer mais setenta países. Agradecimentos. Encerramento.

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História completa

          Meu nome é Tarek Sarout. Eu nasci em 29 de novembro de 1949, em Beirute, no Líbano. Praticamente, só nasci lá, e depois eu vivi tudo fora. Morei uma parte na África, 12 anos, um ano na Espanha e o resto aqui. Hoje eu estou com 71 anos e formei uma família em São José do Rio Preto. Trabalho no comércio já faz um bom tempo. Quando meu pai veio pra cá, ele montou um comércio, e eu fui estudar fora. Quando voltei, peguei o lugar do meu pai e acabei vindo pra Rio Preto, já há 37 anos. Estou no Brasil há 53 anos.

          Meu pai libanês chama Armand Dalfid Sarout. Minha mãe já é de pai libanês e mãe mineira, Ubaldina Faidarone Sarout. Ela foi morar uma parte da vida dela no Líbano e acabou vindo pra cá depois. Meu pai já a conhecia, e um dia eles ficaram noivos. Dez anos depois, ele veio aqui, casou e voltou pra África. Lá nós ficamos. E no Senegal, na época, Dakar era a capital da África Ocidental Francesa. Pegava o Marrocos, Tunísia, a Costa do Marfim, o Senegal, Mauritânia e Mali. As escolas, todas, eram em francês. Realmente, eu fui alfabetizado em francês. Aí meu pai achou que, pra gente ter uma educação árabe, tínhamos que ir para o Líbano, pra estudar. Não deu certo. Voltamos pro Senegal. Mudei de países e de continentes umas cinco ou seis vezes. (risos)

          Meu pai era importador e exportador. Ele recebia mercadorias e mandava pro Mali, pra Mauritânia, pra Costa do Marfim. Ele só vendia no atacado. Eu herdei dele ser comerciante internacional, porque eu trabalho também no comércio exterior. Eu sou trader, negociador também. Faz uns 15 anos que eu trabalho com isso. Todos os países: Coréia do Sul, Austrália, o norte da África e o Golfo Arábico... eu fui pra todos eles, pra poder vender produto brasileiro. Se o vendedor for da língua deles, eles preferem, porque acreditam na palavra da gente. E quando tem algum problema, eles não ligam pra empresa, ligam direto pro trader. A última viagem que eu fiz foi pro Irã

          Mas quando eu cheguei ao Brasil, a palavra que eu sabia em português, quando nós saímos do Senegal, era: “Levanta do chão”. Só isso. Minha mãe falava: “Levanta do chão”. (risos) Mas aprendi todo o resto aqui e não foi muito difícil, não, por causa do francês. O francês me facilitou muito a conversa. Aqui em Rio Preto, eu estudei no Colégio São José, depois fui estudar no Colégio Andaló, no Alberto Andaló, depois eu fui pro Rio de Janeiro, pra faculdade, mas voltei porque meu pai não estava bem. Fiz aqui em Rio Preto, Administração de Empresas e Contabilidade. Mas hoje eu não gosto de sentar numa mesa pra trabalhar, gosto de vender produto no balcão.

          E meu pai tinha um supermercado lá em Fronteira, onde só tem parente meu. Aí ele deixou o negócio pra mim, e eu toquei o supermercado durante muito tempo. A minha vinda aqui pra Rio Preto foi com o Salim, da Kiberama. Ele me convidou pra gente trabalhar junto, e eu vim aqui ser o sócio dele. Ficamos juntos 12 anos, trabalhamos juntos. Aí, alguma coisa não deu certo, mas na época eu já tinha comprado o café. Quando cheguei aqui em Rio Preto, em 1986, em 1987, eu comprei o Café. Quem montou o Café foi o Toninho Conte, mas não demorou muito, ele vendeu pra dois irmãos: um professor e o outro é um negociante. Aí eu comprei deles. E quando comprei, meu cunhado estava sem trabalho e veio trabalhar comigo. Então, separamos a sociedade e aí voltei pro Café.

          Não é porque eu sou dono do Café Conte, mas o melhor café é o meu, mesmo. Você pode crer. Eu faço até questão, de vez em quando, quando um cliente vai tomar um café fora do meu, pra ele sentir a diferença do meu café e do café dos outros. Quando volta, ele fala: “Tarek, café mesmo é o seu”. Isso porque eu tenho um blend separado. Tem muita gente que fala que o meu café é o mais caro de Rio Preto. Ele é o mais caro de Rio Preto, porque o meu grão é diferente dos outros. E eu, como comerciante, do comércio exterior, então eu sei que o café tem um preço de commodity e um preço de gourmet. O gourmet vai de nota sete até nota dez. Esses são os cafés que não têm valor de commodity. E eu tenho o meu blend. Justamente, é por isso que eu tenho o café melhor. São mais de 40 anos. E o primeiro café do dia, quem toma sou eu, pra ver se está no paladar, na quentura, porque não é só o grão que importa, a moagem também é importante, a torra é importante, a temperatura é importante, a pressão da máquina é importante e o atendimento é o mais importante.

          E não tem coisa melhor do que o grão brasileiro. Não existe grão melhor. Nós temos muita concorrência hoje. O Vietnã é concorrente nosso, o colombiano é concorrente nosso, mas o nosso é melhor. Nós temos mais qualidade de café e mais café do que todo o mundo. O vietnamita, por exemplo, tem uma escolha do grão feita tudo a mão. Nós temos o maquinário pra poder fazer isso. Mas mesmo assim, nós temos o melhor café.

          Eu também busquei alternativas pra não ser igual aos outros. Coxinha e pastel, você acha em outros lugares. Eu já tenho diferente. Eu tenho aquela esfiha de zaatar. Esfiha de zaatar, de carne, de queijo. Isso tudo são coisas diferentes do que você encontra no mercado. Eu tenho aquele pão de queijo grande, tenho pequeno. De manhã, todo mundo gosta de comer bem. Então, o pão de queijo é maior. Mais tarde, o cara não quer comer, quer só degustar, então quer um pão de queijo menor.

          Antes, era um tabu a mulher entrar sozinha num café. Hoje eu tenho várias coisas que pegam no paladar dela. Por exemplo: chantilly, capuccino, chocolate, chocotino, várias coisas pra chamar mais a atenção do gosto das senhoras.

          Eu tenho três filhos. O mais velho, chamado Calfic, é comerciante, trabalha numa empresa de energia solar. A minha filha, a Mira, é biomédica, responsável hoje pelo Centro de Saúde de Olímpia. Ela tem dois filhos. E eu tenho o caçula, que trabalha numa empresa que faz loteamentos, é casado, só que ainda não tem filhos. E eu acho que a história tem que permanecer sempre na vida da gente, né? Eu acho que o legado também, que eu deixei junto com meus filhos e meus netos, e também essa conversa que eu tenho com vocês - se tiver a sorte de poder ouvi-la também – é muito boa pra mim, pois eu me sinto orgulhoso de saber que eles sabem alguma coisa do meu passado. Meu pai também era assim, ele sempre falava em deixar um legado pra família dele.   

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