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História

Tal avó, tal neto

História de: Victor Ahmar
Autor:
Publicado em: 27/04/2021

Sinopse

Muito presente na vida do mineiro Victor Ahmar, sua avó foi quem lhe mostrou, sem querer, a importância do riso. Para divertir o neto, ela costumava “incorporar” um fantasma e pregava peças que o menino jamais esqueceria. A participação dela na carreira de Victor, que se tornaria humorista, não para por aí. Ele conta que foi a avó que o acompanhou em sua primeira apresentação de stand-up, quando tinha apenas 16 anos, e que lhe serviu de inspiração para suas primeiras piadas como profissional. Em seu depoimento, Victor ainda se lembra de outros momentos marcantes de sua trajetória, como a vez em que estreou em um programa de televisão e em que subiu ao palco para seu primeiro show solo na cidade em que nasceu, Uberaba – sua avó, é claro, estava lá.

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História completa

Meu nome é Victor Ahmar, nasci em Uberaba, Minas Gerais, Triângulo Mineiro, 29 de janeiro de 1996. Minha avó é muito engraçada, minha avó me passava muito susto. Era aquele susto que você assustava e, depois, dava muita risada, sabe? Minha avó, ela se vestia de fantasma, colocava a toalha assim, e, depois que eu assustava, ela tirava a toalha, eu via que era a minha avó. Eu dava risada. E minha primeira referência de dar risada sempre foi a minha avó. Minha avó sempre teve esse negócio de ficar me pregando peça, me zoando muito e até hoje é assim. Eu tenho essa relação com ela, de a gente ficar brincando muito com o outro. Acho que a minha primeira referência de risada foi com a minha avó. Eu morei numa cidadezinha que chamava Araguari, que era no interior de Minas, perto de Uberaba. E talvez o momento que eu mais dei risada com a minha avó foi esse dia. Eu tinha um pacto com ela, que eu tinha que entrar em casa até as dez horas da noite. E, nesse dia, eu estava brincando de bolinha de gude na porta de casa, quando eu entrei em casa, eu abri o portão, eu olhei para o relógio, eram 11 horas da noite. Aí eu rezei para todos os santos que eu lembrava e, na hora que eu olhei, minha avó tinha ultrapassado todos os limites das peças que ela tinha pregado. Ela tinha colocado uma vela acesa perto da maçaneta da porta. Tinha uma vela, e ela estava parada com um avental aberto. Tinha pó de arroz nela inteira. Ela ficava assim: “Uuuh!”. Eu olhava aquilo, eu ficava: “Por que minha avó está fazendo isso comigo?”. Eu não sabia se eu chorava ou se eu ria, se eu ficava desesperado. E foi acho que o dia que minha avó mais encarou o personagem dela de fantasma. Eu sempre fui um menino muito tímido. Eu sempre fui um menino muito na minha, eu nunca fui de assustar muito as outras pessoas, de ficar zoando as outras pessoas. Eu fui filho único por muito tempo, não tinha muita criança para brincar lá em casa. Então, eu brincava sozinho mesmo. Pegava os bonequinhos e começava a imaginar coisa, imaginar história. Eu pegava um boneco, olhava pro outro, imaginava que estavam numa arena lutando um com o outro. Aí, eu ligava a televisão, imaginava que eu estava no desenho, que eu era um dos caras que estavam no desenho. Eu sempre tive uma imaginação muito fértil. Minha imaginação sempre foi muito aberta, desde pequeno. Desde que eu tinha uns nove, dez anos, eu já gostava de escrever, sempre gostei muito de escrever. As histórias que eu escrevia, eu chegava a mostrar para a minha mãe, para a minha avó. Mostrava algumas coisas, elas gostavam, falavam pra eu escrever mais coisas. Quando tinha por volta de uns 13 anos de idade, conversando com a minha psicóloga, trocando uma ideia, eu mostrava também pra ela o que eu escrevia. Ela via que tinha um tom bem-humorado nas coisas que eu contava. E ela sugeriu de eu assistir algumas coisas de comédia. Ela até me passou uma lista de algumas coisas para assistir. Eu comecei a pesquisar mais sobre comédia, comecei a entender mais sobre comédia e a gostar mais. E eu fui levando essas coisas que eu criava para o lado da comédia depois disso. Comecei a escrever coisas sobre a comédia, comecei a pesquisar mais e comecei a escrever minhas primeiras piadas. Quando eu comecei a estudar comédia pela internet, eu vi um curso de comédia stand-up em São Paulo, só que eu não tinha como vir. Primeiro que eu não tinha dinheiro, e eu não tinha como vir para São Paulo sozinho com 16 anos para fazer um curso do nada. Então, eu tinha que contar com a ajuda da minha família. Eu fiz um e-mail e mandei o e-mail para todos os parentes meus, meu tio, minha mãe, meu pai. “Olha, eu quero fazer isso aqui, se todo mundo fizer uma vaquinha, a gente consegue. Vamos cada um dar 40 contos aí que a gente junta e eu vou fazer o curso.” Aí, eu mandei esse e-mail, todo mundo me ajudou e eu vim com minha avó aqui pra São Paulo, vim com minha avó. Fiz esse curso de um final de semana e entrei para esse mundo sem volta do stand-up. Nesse curso que eu fiz, no final do curso, você tinha que criar o seu próprio material e você tinha que apresentar para os alunos esses cinco minutos. Só que, aí, alguns comediantes já profissionais foram assistir aos alunos no dia. E, nesse dia, o Patrick Maia, que é um comediante stand-up, já profissional na época, assistiu ao meu número e, quando acabou o curso, ele falou assim: “Você vai estar em São Paulo hoje à noite?”. Falei: “Vou”. “Você quer fazer cinco minutos no Comedians hoje?” Aí, a minha pressão caiu, eu fiquei roxo, eu fiquei o dia inteiro passando mal, vomitando (risos), pensando: “Senhor Cristo, não tô acreditando que isso vai acontecer”. E, aí, o meu primeiro show foi no Comedians. Fiz cinco minutos lá e tive que ir com a minha avó, porque não podia entrar no bar sozinho, porque era menor de idade. Minha avó teve que ir comigo. Eu lembro que eu comecei fazendo piada sobre a minha avó. Eu lembro disso, porque a minha avó foi a minha primeira referência de dar risada. Então, as minhas primeiras piadas também de família eram falando sobre a minha avó. Eu lembro que eu falava assim: “Vó, eu vou pra São Paulo fazer o meu primeiro show, como é que eu tô? Tô feio?”. Ela falou: “Não, você é feio” (risos). E, aí, as minhas piadas eram nesse tom bem inocente, sabe? E é muito engraçado: minha avó estava presente no meu primeiro show no Comedians, fazendo cinco minutos, e, dois anos atrás, eu fiz o meu show solo num teatro lotado na minha cidade natal, foi a primeira vez que eu fiz isso, uma hora de show, o meu show, a minha cara, e minha avó estava lá também. E, no final do show, ela chorando, me abraçou. E é muito legal ver que ela viu. Ela estava comigo quando eu comecei e ela está comigo hoje também. Pra mim, é incrível ter tido essa oportunidade de a minha avó ter visto o meu crescimento profissional, sabe? E estar nesses momentos todos comigo. Foi muito legal mesmo.

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