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Surfando nas ondas da vida, virei cozinheiro

História de: Gustavo Rafael Brusca Ramon
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 08/09/2009

Sinopse

Gustavo conta sobre sua infância em São Paulo e as férias no Uruguai, sobre o início da sua carreira na moda e sua ligação com o mundo do surf. Comentou como as relações de amizade definiram suas oportunidades de trabalho e sobre as várias experiências na área profissional e como sua vida não foi uma coisa planejada: as chances foram aparecendo e coube a ele avaliar se estava preparado. A mudança da área de confecção para a gastronomia não alterou sua crença em um objetivo maior: fazer as pessoas felizes com seu trabalho.

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História completa

Meu nome é Gustavo Rafael Brusca Ramon e nasci em Montevidéu, Uruguai, em 19 de agosto de 1959. Quando pequeno, morei na região do bairro do Cambuci, em São Paulo e até os 17 anos as férias eram sempre lá. Meu pai tinha uma empresa de produtos alimentícios e minha mãe era dona de casa. A minha formação foi bem severa. Aprendi a ser educado e a respeitar o próximo sempre, independente de cor ou padrão social.

 

Pintei a primeira camiseta quando eu tinha 14 anos. Aos 18, comecei a procurar alguma coisa e, junto com meu amigo Rafael, montei a primeira surf shop de São Paulo. Depois dessa experiência, fui trabalhar para a Op (Ocean Pacific). A proposta era vender os produtos da marca na parte nobre de São Paulo. Não deu certo, mas virei gerente de produto. Comecei a estudar e a me especializar. Na minha concepção, acho que você só aprende, fazendo. Aprendi a estampar, aprendi o que era tinta, o que era malha e como comprar tecido para fazer camiseta. Estava indo bem, mas recebi uma proposta para fazer um festival no Guarujá ganhando dez vezes mais durante dois meses. Nesse evento conheci Itamar Assumpção, Raul Seixas e Elba Ramalho. Quando acabou o evento, comprei uma passagem para os Estados Unidos e fui morar lá. Isso foi em 83: ia ficar dois meses, fiquei dois anos.

 

Morei em São Francisco, Nova Jérsei, Nova Iorque, Texas, passei pelo Óregon, Ilha de Rodes, Miami, Santa Cruz, San Diego. Durante dois anos fui fazendo os meus negócios e trabalhando no que pintasse. Fui lavador de prato, limpador de mesa, cortador de fruta: os piores serviços na cozinha. Assim foi o meu primeiro contato com a cozinha. Paralelamente eu estudava corte e costura computadorizada, inglês, fotografia e história americana. Quando voltei, fui trabalhar com um amigo e comecei a criar roupas que não existiam no mercado. Era considerado o inovador do mercado, eu tinha 23, 24 anos. Falei: “Vou fazer o que o meu pai falou, vou ficar com os meus amigos”. Fiquei nove anos trabalhando para o Raphael, na Fico.

 

Quando eu vejo que eu não consigo mais evoluir, procuro alguma coisa maior, não por causa de dinheiro, mas pela felicidade interna. Fui trabalhar na 775, e foi quando meu filho nasceu. Na sequência, fui trabalhar em Santos, na Natural Art. Quando fui trabalhar lá, eu queria alguma coisa a mais, queria morar na praia.  Eu tenho essa coisa com o mar, com a areia, com o sol, essa coisa da natureza. Tenho essa necessidade. Antes de abrir o restaurante, eu passava quatro dias na praia, três dias em São Paulo. Mas não deu certo, os sócios brigaram e acabei me prejudicando.

Voltei para São Paulo e foi uma situação bem incômoda, não tinha dinheiro para sustentar a minha família. Mas eu tenho uma coisa, nas horas piores, sempre tem alguém que me resgata, e fui trabalhar para a Pakalolo. Quando a Pakalolo quebrou, meu mundo caiu de novo. Logo, um amigo me convidou: “Vamos montar um restaurante em Moema, você não quer vir cuidar dele? ” Ele tinha sócios e acabou não dando certo.

 

Quando meu filho nasceu, eu deixei um pouco de criar roupa, precisava ter mais inspiração, então comecei um curso básico de culinária: fritar ovo, fazer arroz, carne de panela, mousse. Comecei a fazer jantares em casa só para amigos. E continuava fazendo meus cursos, inclusive o curso de chef. Quando eu já estava com outro emprego, uma amiga me ligou e falou: “Quero abrir outro restaurante”. Fui lá conversar com ela: “Olha, topo um restaurante com você, em sociedade, você escolhe onde quiser, não quero mais ficar no que eu estou fazendo”. Ela me convenceu que eu tinha que abrir um vegetariano. Fui comer em vegetarianos, levei meus filhos. A gente não conseguia comer! Comecei a pesquisar e estudar. Nesse ínterim, ela desistiu do restaurante. Encontro o filho de um amigo meu e falei: "Tem um negócio assim, assado, você quer?" Ele topou. Era um restaurante, mas estava fechado há dois anos: tive que arrumar o lugar, estava um pandemônio!

 

Quando comecei, quebrei a cara. Fiz carnes horríveis, carne de soja que nem os mais fanáticos comeriam. Mas fui aprendendo com tudo isso. Hoje, uma coisa que me orgulha muito é ver que as pessoas que comem aqui e acham que a comida é melhor que nos lugares onde estão acostumadas a comer há anos. É tão gostoso ver as pessoas usando a sua roupa e falando que é legal, comendo a sua comida e falando que é boa: eu percebo que estou aqui para fazer alguma coisa a mais, não só por mim, mas por outros seres humanos. O que eu mais quero hoje é poder ajudar as pessoas a mudarem a maneira de ser! Quando você chega em casa, abre a porta, entra na sua casa sozinho, você dá risada? Eu dou risada porque cheguei em casa com saúde, estou bem, fiz o bem. Eu me sinto bem.

 

Nada na minha vida foi planejado. As coisas acontecem e eu vou aceitando. Cabe a mim saber se eu estou preparado para elas ou não.

 

Revisado por Raquel de Lima


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