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História

Superação, certeza e frutos colhidos de uma história intensa e linda

História de: Grasielle Azevedo
Autor: Virginia Toledo
Publicado em: 21/05/2019

Sinopse

Grasielle é uma menina forte e dona de uma história linda. Hoje é mãe do Rhuan, o menino que veio pra mudar a sua vida e dar ainda mais sentido a ela.

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História completa

A minha infância, desde quando eu me lembro, eu morei com a minha vó até os seis anos de idade, e depois disso eu fui morar com a minha mãe e com os meus irmãos. Até então, a minha irmã era muito birrenta e ficava roubando as minhas bonecas, e eu chorava por causa disso. E depois disso eu acabei indo morar com a minha tia, eu e meus irmãos fomos morar com a minha tia que também tinha quatro filhas, então ficamos em oito. E aí meus primos, a gente era parecido como se fosse irmãos. Todos nós brincávamos da mesma coisa, éramos da mesma idade, mais ou menos, e tinha uma prima mais velha nossa que era quem cuidava da gente quando a minha tia saía para trabalhar. Ela ia buscar a gente todo dia na pracinha, perto da minha casa tinha uma praça e ela ia buscar a gente sempre no horário do almoço e a gente se escondia nas árvores maiores, porque a gente não queria descer em casa para comer. E aí ela falava que ia ficar balançando a árvore para gente cair na árvore, era mais ou menos assim. A gente pulava nas casas abandonadas e em uma escolinha abandonada que tinha descendo para casa, porque lá tinha pé de limão e pé de abacate, então a gente pulava lá para brincar de esconde-esconde e quem saísse com mais frutas, mais abacates, ganhava o resto. Éramos eu, o Renan, meu primo, que tem a mesma idade que eu, meu irmão Cauã. Aí tinha o Guilherme e o Bruno, que eram irmãos. Tinha o Cauê, o Juan, que foi daí que saiu o nome do meu filho, que é Juan também. O meu irmão ele tem 24, vai fazer 25. A minha irmã Milene vai fazer 26, e a Michelle faria, eu acho que 31. Ela era bem mais velha, mas ela faleceu também, com 18. Eu não cheguei a conhecer ela muito. Na época que eu morei com a minha mãe, que não foi muito. Acho que foi, mais ou menos, uma coisa do destino. Porque eu morava com a minha vó quando eu era pequena, e um dia meu pai, deu a louca nele, ele me pegou na casa da minha vó e me levou para casa da minha mãe, e eu nem sabia se ela ia me aceitar, meus irmãos, quem eram, não conhecia meus irmãos. Eu lembro que a gente morava em uma avenida, era uma casa de dois cômodos, eu cheguei lá e meu pai me levou, e duas malas, uma d brinquedo e uma de roupa. Ele me levou na bicicleta até. Depois ele chegou lá e levou as malas. E eu lembro ela descendo a escada correndo, e eu não sabia quem era aquela pessoa, e ela: “Eu sou sua mãe”, e eu não sabia nem o que fazer, eu era muito pequeno, e foi isso, e aí foi quando eu fui morar com ela. Eu me lembro de um natal, que foi o primeiro e o último natal que eu passei com ela, e eu lembro de um sorvete, só. Dela eu lembro muito pouco. Lembro que ela me deu uma boneca no natal, de presente. Era uma boneca da Sandy, até que o cabelo era colorido e minha irmã queria de uma cor, e eu queria de outra. E a minha cor, era da cor dela, e ela queria trocar as bonecas, é o pouco só que eu lembro dela. Depois ela chegou a falecer e eu fui morar com a minha tia. Foi tipo, bem pouco tempo que a gente ficou junto, mas eu acho que foi mais coisa do destino. Na época da escola eu tinha uma professora. Na verdade, não tenho muita lembrança da escola porque eu fiquei pouco tempo estudando. Eu estudei da primeira à quarta série só, e só depois eu fui para o abrigo que eu voltei a estudar. Eu lembro que o nome dela era Célia, e lembro de um dia que a gente recitou poemas. Foi um livro. Só esse pedacinho e eu acho que tem uma parte que é, “ou se põe um anel, ou se põe uma luva. Mais ou menos isso”, não lembro direito. Eu tenho o livro porque eu gosto muito dele, e comprei para dar para o Juan, quando ele ficar um pouquinho mais velho. Mas é a única coisa que eu me lembro da escola assim, e eu lembro também que a gente sempre cantava a mesma música no dia das mães. Nos quatro anos, a gente cantou a mesma música, não me lembro que música que era, mas tenho essa lembrança. A minha tia nunca ia, nem no meu, nem do Renan, porque ela falava assim que era difícil para ela ver eu lá e minha mãe não estar, então ela acabava não indo, nem na dele, nem na minha. A gente ficava chorando juntos, eu e ele, lá. Mas a gente fazia, brincava, era bem legal. Nessa época, a minha tia começou a beber muito mais, então ela descontava muita raiva na gente. Ela começou a privar a gente de muita coisa, a minha irmã acabou fugindo de casa e foi morar no abrigo também, mas longe. Nem lembrava onde era e também não tive muito contato com ela, aí ela começou a descontar muito em mim e no meu irmão, então tudo ela descontava na gente. Deixava a gente sem comer, enfim, várias outras coisas. Aí teve um belo dia que eu não aguentei mais, peguei e fugi. Fui para o abrigo, fui no Fórum, para falar a verdade, no Fórum de Itaquera, e eu me perdi nesse dia. Fui sozinha, mas eu não sabia onde era. Eu me perdi, e até eu achar, estava quase fechando já. Era mais ou meno, umas seis e meia. Ainda bem que a psicóloga que ia lá em casa, ver como a gente estava por causa da guarda, ela estava lá ainda. Aí eu consegui lembrar o nome dela, e ela: “Por que você está aqui?”, e tal, aí eu falei: “Porque eu quero falar com ela”. Aí eu falei para ela que para lá eu não voltava mais, que ela podia me mandar para qualquer lugar, e aí então ela ficou ligando para um monte de lugares para conseguir achar uma vaga, e nada, não conseguia. Deu oito horas da noite, nove horas da noite, quando foi 11 horas da noite, a gente chegou lá aonde tinha, lá no Ipiranga, no CRECA Ipiranga, do lado do Museu do Ipiranga. Eu fiquei lá umas duas semanas, mais ou menos, não fiquei muito tempo porque lá era, CRECA, na época, era mais para adolescente que tinha acabado da Fundação Casa, então eu era a única que não tinha saído da Fundação Casa no meio daquele monte de menina muito maior do que eu. Meninos também, muito mais velhos, cinco, seis anos mais velhos que eu. E aí eu sofri muito nessa época, porque eu sentia muita saudade de todo mundo, e eu estava muito longe e achava que ia ficar lá para sempre. E aí foi que eles me transferiram de lá do CRECA Ipiranga para o abrigo que eu fiquei depois de um bom tempo, que era Lar Betânia, em Guaianazes. E mesmo assim, mesmo sendo perto, eu não tive contato com a minha família, por um bom tempo, uns dois anos, mais ou menos, uns dois anos e meio. Eu tinha medo de que se a minha tia encontrasse o abrigo que eu estava, ela me levasse embora. Então eu falei que eu não queria contato e também não queria que meus irmãos soubessem onde eu estava. Eu fiquei com medo, achei que ela poderia ir lá qualquer hora e me levar para casa. E lá também eu tinha bastante coisa, eu comecei a ir para a escola, que era o que eu mais queria, porque ela me tirou da escola nesse meio tempo que ela começou a beber demais, ela me tirou da escola. Eu era bem acostumada a dividir um quarto, porque na casa da minha tia só tinha dois cômodos, então a gente dormia todo mundo no mesmo quarto. Tipo, oito crianças, mais minha tia e um tio meu. Dividia o quarto com quatro meninas no começo, que eu me lembro era a Diana, a Tainara, a Carol e a Naiara. Aí depois chegou a Jack e a Natacha, que eram as duas menores e era bem difícil porque sumiam as coisas, e tinham coisas que a gente tinha que dividir. Por mim, eu não ligava de dividir nada, mas as meninas sim, então era sempre a gente que tinha que arrumar a cama das pessoas, e isso foi por um bom tempo. Elas faziam a gente arrumar as camas delas, porque a gente era mais nova, mas isso parou. Mas eu gostava de ter pessoas ali, de ter roupa limpa, de ter comida, de ter espaço para brincar, de poder ir para a escola. Poder sair e conhecer outras pessoas, e não ficar naquela bolha que ficou quando minha tia começou a beber muito. Então acho que eu comecei a ter uma liberdade, e conhecer. Acho que o adolescente precisa disso. E até na escola, eu pensei que eu nunca ia passar por isso, porque eu pensei que eu nunca mais ia voltar para a escola, então eu não sabia, eu pensei que eu não ia passar por isso, de briga na escola, de ter que a tia ir. A tia ia na escola em todas as reuniões, e a minha tia nunca foi em nenhuma reunião. Era a tia Márcia. E lá eu aprendi a fazer uma cama, arrumar, lavar minha roupa, eu tinha minhas coisinhas, então já era muito mais vaidosa, arrumava meu cabelo. E ela me ajudava a arrumar o cabelo, porque eu sempre tive o cabelo enrolado, e o meu sonho era ter o cabelo liso. E aí ela levava a gente às vezes no cabeleireiro, ou trazia algum voluntário para ajudar a gente a arrumar o cabelo. Era bem mãezona mesmo. Eu passei a quinta série inteira sozinha, sem amigos, sem nada, e na sexta série eu comecei a ter amigos. A gente fazia tudo junto. Até então ela é a madrinha do meu filho, e a minha melhor amiga da vida, que é a Gabriele. E aí sim, aí a gente fazia tudo junto. Foi quando eu comecei a melhorar um pouco mais, porque eu tinha um grupo de amigos que ajudavam. E aceitavam superbem eu ser do abrigo. Nunca questionaram isso, e adoravam saber que eu morava numa casa de três andares. A primeira casa em que a gente morou, era uma casa de um andar só. E isso foi na quinta série, e a gente mudou logo depois. Era uma casa de um andar só, e tinha a sala, e o quarto das meninas, e aqui já começava os quartos, e aí tinha uma brinquedoteca. Era uma casa bem pequena porque a gente era poucos. Éramos 11 crianças. Não sei se era um abrigo que tinha acabado de abrir na época, e quando começou a chegar mais crianças a gente chegou a mudar de casa uma vez, para a rua de trás. Era uma casa muito grande, era uma casa de três andares, e no primeiro andar eram os quartos, e no segundo andar era a sala, uma sala muito grande, e a gente fazia uma bagunçona na sala. E aí tinha o refeitório e a cozinha, e lá embaixo tinha o quintalzão e a lavanderia, e ainda por cima tinha um sótão lá em cima, bem pequeno. A gente nunca conseguia entrar dentro do sótão, mas a gente inventava várias histórias para as crianças, falando que lá tinha bicho, que morava uma tartaruga gigante, e elas ficavam morrendo de medo. E era muito legal porque era só escada de ir para baixo e para subir no outro andar, e aí do nada a tia falava: “hora do jantar”, e descia aquele monte de crianças correndo, e a tia ficava doida com a gente, porque eram só dois educadores e 21 crianças. Tinham os bebês que ficavam lá, a gente ajudava bastante eles a cuidarem das crianças. Foi o começo de tudo, e de quem eu sou hoje também. Hoje mesmo eles me ligam, perguntam como eu estou, e uma das tias mora perto da casa onde eu moro agora. E aí a gente brincava nessa praça, tinha que entrar e tomar banho para dormir. Quando fui ao cinema pela primeira vez, eu achei bem bizarro aquela tela muito grande, e baldão de pipoca. Se eu me lembro eu tinha uns 15 anos, foi quando eu comecei a trabalhar em um outro local também, bem pertinho de casa, ganhava bem pouco, mas era mais um estágio que a tia tinha conseguido. Voltando a falar da minha vida no abrigo, teve um dia que eu estava lá e descobri que fui para a fila de adoção porque eu não tinha contato com a minha família. Eu comecei a ficar muito doente, porque eu ia para dormir o final de semana na casa da família, só que eu não queria ser adotada e isso eu comecei a ver nessa época que eu comecei a ficar muito doente. E a minha garganta fechava e eu não conseguia falar, e eu não conseguia falar para eles que eu não queria ser adotada, que eu queria ter um vínculo com a minha família, com a minha irmã, porque aí eu descobri que eu tinha uma irmã, que eu tinha um irmão e eu passei pouco tempo com eles, entendeu? “Grazi, isso é emocional, isso é você, é o seu corpo, a sua mente mostrando alguma coisa, você precisa descobrir o que é”, e aí foi quando eu descobri que eu queria ter contato com a minha irmã e não ser adotada. E aí foi quando ela foi atrás da minha irmã e conseguiu contato e foi quando a minha irmã foi me visitar no abrigo e eu conheci o meu sobrinho, o Gael, ele tinha uns três anos, era a coisa mais fofa assim que você podia ver na vida e eu não sabia disso, porque eu tinha outros dois sobrinhos que eram filhos da minha irmã mais velha, da Michele, só que eles foram para o abrigo e foram adotados e a gente não soube mais nada deles. Então ele era o meu sobrinho, o Gael ali, eu lembro da minha irmã grávida, mas nunca tinha visto ele. E nesse dia ela me contou que a casa da minha tia pegou fogo, então pegou fogo em tudo, tipo em tudo, em todos os documentos, então eu não tinha certidão de nascimento, nada e o que tinha lá de foto deve ter ido junto com o fogo. Sobre o Grupo Nós, um dos programas do Instituto que eu participei, eu não sabia, até começar o projeto, então eu achei que seria o que a tia tinha explicado para a gente, e aí foi quando eu fui no primeiro encontro, isso em janeiro de 2013, eles me explicaram todo o processo do Grupo Nós, o que é que eles trabalhariam com a gente, como e quem é que seria o técnico de quem, eu acho que eles avaliaram todos os casos, todos os relatórios e foram se adequando ali, que aí foi quando eu conheci o João, foi o meu técnico do Grupo Nós. E a primeira coisa que eu me lembro foi do primeiro encontro individual entre eu e o João, que eu fiquei super receosa de contar várias coisas porque ele era homem e aí eu queria super trocar de técnico, eu cheguei a conversar com a Maíra sobre isso, se eu poderia ter uma técnica mulher e tal, por tudo que tinha acontecido, por eu não ter nenhuma relação com pai, tio, nada, e aí ela falou assim: “Você tem certeza? Vai em um outro encontro com ele”, e aí eu fui em um outro encontro com ele e aí nunca mais larguei do João, gente, até hoje assim. Passou três meses e eles abriram aqui uma vaga de estágio no Instituto Fazendo História para o grupo, eles preferiam alguém do grupo, e aí foi eu. Foi bem emocionante, porque era um trabalho de verdade, o outro trabalho era de verdade, mas não era registrado nem nada, e era um estágio e eu vi ali uma oportunidade de poder começar a construir a minha própria vida, então isso foi bem emocionante e foi bem difícil também, porque eu achava que...tinham vários outros adolescentes, então eles escolheriam alguém assim, que foi eu. Eu não sei muito como foi isso, mas foi uma entrevista normal e elas perguntaram bastante coisas das minhas experiências, eu tive que fazer um currículo, que foi muito difícil, mas o João me ajudou e ele mesmo me preparou para isso, ele ficou fazendo várias perguntas, assim, e eu falava: “João, o que é que você está falando, João? Pelo amor de Deus, não me pergunta isso”, vai perguntando. Aí eu tive que mudar de período de escola, tive que ir para a noite e no começo foi, mais ou menos, três vezes por semana que eu vinha trabalhar. Nesse momento, eu queria muito sair do abrigo, mas eu tinha medo de sair, porque “E aí, o que eu faço agora? Eu alugo uma casa? E agora o que é que eu faço? Eu não vou ter mais a tia, eu não vou ter mais o tio para me orientar e eu não vou ter horário mais para entrar e para sair”, e isso me dava muito medo, mas eu achava que eu estava pronta para poder sair, só que eu tinha um outro plano. Eu morava no abrigo em Guaianases, e o apartamento que eu fui morar com a minha irmã era na cidade de Tiradentes, extremo da Zona Leste, era um local bem diferente e bem estranho, no começo. E aí assinaram meu desacolhimento e aí o tio falou: “Embora, vamos embora”, aí eu falei: “Mas você está me expulsando?”, ele falou: “Não, não estou de expulsando, eu estou te dando um pontapé inicial para você ir viver a sua vida”. Aí, foi muito difícil, ele estava lá, mas quem me acompanhou nessa saída foi a Sílvia, e foi muito difícil, porque eu cheguei na porta do abrigo eu empaquei, aí a tia falou: “Vai Grazi, colocar as coisas no carro”, eu falei: “Não tia, eu não quero mais”, ela falou: “Mas você já alugou, você precisa sair. Se você não sair agora, você vai sair daqui um ano, você tem que sair, você vai ter que sair”, aí eu falei: “Não” e chorava, chorei muito, muito. Ele me levou até lá na casa, ela ficou lá olhando, falou: “Nossa Grazi, aqui é muito legal, olha o tanto de apartamento que tem, deve morar muita gente aqui”, eu falei: “Não tia, me leva de volta”. No primeiro ano que eu fiquei trabalhando no Instituto Fazendo História, foi nessa que eu mudei do abrigo para o apartamento, e todos sempre me ajudaram, a Cal, a Bel, a Ma sempre, elas sempre estavam, tipo, me ajudando, me orientado também ao que é que eu tinha que fazer, o que é que eu precisava e me ajudando bastante também conversando comigo, porque eu não tinha mais, agora, o pessoal do abrigo. E tinha o João que, além de colega de trabalho, era o meu técnico do Grupo Nós. Sobre ter passado pelo Grupo Nós do grupo, eu vejo que o mundo é muito grande, o Grupo Nós me mostrou isso, e é muito diverso também, tem muita diversidade, porque todos nós erámos muito diferentes uns dos outros e a gente se adequou a cada um, então a gente respeitava a participação de todo mundo, a gente respeitava a fala deles também, a gente não ficava atropelando, então cada um falava e cada um tinha um argumento e cada um tinha um jeito de falar “Eu penso isso, isso e isso”. Eu pensei isso, isso e isso, mas eu penso aquilo, mas o que é a gente pode fazer para isso dar certo? Eu acho que foi isso que o Grupo Nós trouxe para mim, tipo, diversidade, porque eu me dava bem com várias pessoas, então eu comecei a me dar bem e a conviver com elas e aceitá-las assim, porque no abrigo a gente convive tanto que a gente começa a pensar igual, eu acho, as meninas ali. E imagina você ter que conviver com uma pessoa que você não conhece, não mora com ela, não sabe quem é. Eu sempre quis trabalhar com acolhimento, nessa parte de poder ajudar na instituição de acolhimento, por isso que eu queria fazer serviço social, porque eu já queria sair de lá e falei: “Tia, eu vou voltar trabalhando aqui nesse abrigo ainda”, eu falei com ela. Então é isso, eu trabalho, claro, na administração, não tenho muito a ver com o trabalho técnico, mas eu me sinto envolvida, e eu já fui em palestra com a Mahyra pelo Grupo Nós. Então eu me sinto super envolvida e é o que eu quero para mim, tipo, pelo resto da minha vida, assim, as pessoas falam: “Você quer trabalhar onde?”, eu falei: “Eu não quero trabalhar no serviço de acolhimento mais, que é uma demanda muito grande, mas eu quero ser assistente social e eu quero ajudar com isso, isso e isso, por causa disso e disso”. Eu não sei dizer muito assim, porque eu quero fazer serviço social só que eu não sei o que eu quero fazer depois, se eu quero trabalhar em uma ONG, se eu quero trabalhar em uma instituição de acolhimento, se eu quero montar um projeto diferente, então isso vai ser mais quando eu começar a estudar e entender mais essa parte. Eu sei, mais ou menos, o que é que uma assistente social faz, mas eu não sei muito do contexto disso, a fundo. Sobre minha vida pessoal, há alguns anos eu conheci o Rodolfo, não casei no cartório, mas fui morar com ele e engravidei. E aí o Rhuan nasceu, foi bem nessa época mesmo que eu descobri que eu estava grávida e a gente já ia ter que mudar mesmo do mesmo jeito. Então e aí eu descobri que eu estava grávida e aí o Rhuan nasceu em dezembro, dia dois de dezembro. Eu sempre quis ser mãe, sempre tive essa vontade de ser mãe, porque eu nunca tive uma mãe, então eu queria sentir como que é amar e ser amado por uma pessoa, ou que foi gerada dela ou ela foi gerada de você, do mesmo modo é um amor incomparável. E eu sempre quis ser mãe, então na hora, assim, que eu descobri eu fiquei muito feliz, tipo, muito feliz mesmo, eu cheguei a chorar, tremer assim de tanta felicidade. E aí eu não via a hora logo de ele nascer, tipo, eu era muito ansiosa e a barriga não crescia, não aparecia, eu sempre quis ter um barrigão, assim, aparecendo. Demorou bastante para eu contar para as pessoas, mas assim, eu fiquei na super expectativa e já sabia que era um menino, desde sempre. Hoje, eu não moro mais com pai dele, o pai dele está morando longe agora, e é só eu e o Rhuan. E é o que eu sinto hoje só de olhar para ele assim é como se tudo voltasse ao normal, o mundo parasse de girar e tudo ficava no seu devido lugar, porque é tudo muito bagunçado para a gente, a gente saí de manhã, põe ele na creche, vem correndo para cá, e aí eu tenho que fazer todo o meu serviço e aí eu fico pensando, pensando e esperando chegar a hora de vê-lo. E aí eu nem vou para casa levar as minhas coisas, eu já subo direto para pegar ele, e aí e respiro, e aí ele é o meu respirar, assim, eu respiro e vejo que tem alguém ali me esperando, isso é muito bom, saber que tem alguém esperando a gente. E é isso, ele é tudo para mim, tudo, o amor da minha vida, a gente nunca conhece o amor da nossa vida, porque passam vários amores, várias paixões, mas ele é o amor da minha vida e eu conheci ele.

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