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História

Sucessão de construções

História de: Lucas Welter
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 18/03/2016

Sinopse

De uma pequena cidade de italianos, depois da ponte, no interior do Rio Grande do Sul, Lucas De Ross Welter sempre foi inquieto e procurou as mais diversas atividades para preencher seu tempo livre durante a infância e adolescência. Lucas costumava ficar o dia todo a escola nos momentos em que foi presidente do grêmio e foi por isso que a Diretora o convidou para participar do processo seletivo do AFS. Com essa participação, Lucas mobilizou seus pais a montarem o comitê Antonio Prado, já que ele tinha que ir a Caxias do Sul fazer as atividades de seleção. Antes de sua viagem, chegou a primeira estudante intercambista em sua cidade e, logo, chegou sua vez de viajar. Neste depoimento, Lucas conta como foram as experiências e vivências durante o período de intercâmbio em Porto Rico. Meio deslocado e passando por um novo processo de adaptação, Lucas ingressou no trabalho voluntário e seguiu toda a carreira, ocupando as mais diversas atividades. Com o final da faculdade no exterior e o final de sua carreira como voluntário, Lucas passou a exercer cargos no AFS Internacional: primeiro como consultor, na sequencia no AFS República Dominicana, AFS Índia até que foi convidado a ingressa no AFS Internacional, onde segue sua carreira. Lucas conta também como desenvolveu seu mestrado que o ajuda em sua prática diária no AFS, sobre a permanência do voluntariado, a partir do caso do AFS Nova Zelândia, país de maior densidade de estudantes intercambistas do mundo.

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História completa

O retorno é difícil para todo mundo, porque uma coisa que a minha mãe falava muito é que ela admirava muito quem fazia intercâmbio porque você tem essa sua vida confortável, sua bolha, e aí você abre mão de tudo isso. Você constrói tudo de novo lá fora. Isso por si só já é um grande trabalho, é uma sucessão de construções e destruições que tem que ter muita coragem para fazer. Não é só uma vez que você tem que construir tudo do zero, mas é depois ter que voltar e construir em casa, porque você amadureceu muito, você cresceu muito, viu muitas coisas diferentes e foi exposto a uma realidade muito diferente. E o pessoal em casa não necessariamente, ou avançou também, evoluiu também, mas por um caminho muito diferente do seu. E aí reconciliar esses dois mundos quando você volta é muito difícil, porque você está falando de "A" e as pessoas estão falando de "B". A gente acha que: “Ah, em uma semana, duas semanas vai estar tudo resolvido”. Não, é um processo de vários meses, né? E soma com isso o fato de a gente ter que terminar o Segundo Grau [atual Ensino Médio], terminar a escola, ou tinha que fazer cursinho para depois fazer vestibular. É uma série de coisas que na verdade você precisa de um espaço, de um tempo, para colocar as ideias no lugar. Eu acho que eu passei alguns meses sem saber direito para onde ir, o que fazer, como se relacionar e é nessas horas que o AFS funciona muito bem. Você tem um grupo de pessoas que ou já passou ou está passando por essa situação, então os seus amigos do AFS acabam virando os teus grandes amigos porque é gente que entende a situação que você tá passando, é algo que você acaba se envolvendo com a organização. No ano seguinte, fiz cursinho e fiquei muito ativo, muito envolvido com o AFS porque tinha o cursinho de manhã e o meu mundo social era se envolver com o AFS. Eu sempre gostei, me senti muito à vontade com a organização, conhecia bastante dos processos, como a coisa funcionava, pelo fato de a gente já ter tentado montar um comitê em Antônio Prado antes mesmo de eu viajar.

Naquela época, tinham as atividades de preparação de estudantes que vão viajar; preparação e orientação dos estudantes que chegam ao Brasil e eu nunca fui muito chegado nessa parte toda, mas eu gostava muito da parte administrativa, de trabalhar com os voluntários da organização e aí, , a gente tinha um presidente do Comitê Caxias muito ativo. O AFS no Brasil foi organizado em regiões, acho que em 1993 que quebraram as cinco regiões do Brasil em dez regiões e o Rio Grande do Sul virou uma região, a região Extremo Sul. Era uma época muito de: “Vamos abrir novos comitês”, por isso que Antônio Prado entrou nessa safra também. Então, uma estrutura que começou com cinco comitês, uns anos depois terminou com 22, 23 comitês e eu entrei de paraquedas e me senti muito em casa nesse processo de: “Vamos expandir a organização no Rio Grande do Sul”. Quando eu voltei do intercâmbio: “O Comitê é seu agora”, eu estava me sentindo assim: “Você é o presidente do Comitê, você tem que organizar e estruturar o Comitê”.

Eu fui eleito, por consenso, diretor regional, e aí fiquei quatro anos e meio como diretor regional da Extremo Sul dando continuidade ao trabalho que eles já estavam fazendo na época que era expandir e a gente foi para lugares onde ninguém tinha ouvido falar do AFS antes, como Juí, Santa Rosa, Horizontina, Três de Maio, São Bórgia... A gente chegou a ter várias representações em lugares bem diferentes do Estado. Acaba virando um trabalho em tempo integral se você quiser.

Na época, a gente tinha infinitas possibilidades de trabalho para aprender algumas habilidades que seria o equivalente, talvez, se você fosse aprender num estágio, ou que talvez você fosse aprender muito na frente, numa carreira, quando que, aos 20 anos de idade, eu ia ter possibilidade de gerenciar um grupo de 23 presidentes de comitê de uma forma muito profissional, de ter que organizar uma reunião de final de semana, com agenda, montar uma proposta de trabalho, elaborar projetos...? A gente não tem esse tipo de experiência aos 20 anos de idade, né? Então, o AFS me permitiu fazer tudo isso e até hoje permite que as pessoas possam fazer isso. E se você errar, você também não é muito punido, é um grande laboratório para você experimentar

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