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"Sua raiz é aqui, retorne sempre"

História de: Maria Lúcia Scarpelli dos Santos
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 15/11/2004

Sinopse

Maria Lúcia Scarpelli dos Santos nasceu em Belo Horizonte em 1947 de uma família de músicos. Sua relação com a música desde cedo, fez com que fosse próxima, e consequentemente, fã do Clube da Esquina. Conta sobre a temática de protesto das músicas do grupo e sua importância para a identidade mineira em plena Ditadura Militar não só como testemunho da época, mas como um exemplo de musicalidade a ser seguida pelos músicos atuais.

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História completa

P –  Bom, vou começar a nossa entrevista. Eu vou pedir para você falar de novo o seu nome completo, o local e a data de nascimento. 

R – Maria Lúcia Scarpelli dos Santos. Nasci em Belo Horizonte, e data 6/11/1947.

P – Joia. E, Maria Lúcia, como você resumiria a sua trajetória profissional?

R – É uma trajetória voltada para o trabalho social. Eu venho de movimento social, depois dos Procons. Dirigi o Procon estadual de Minas Gerais, Procon municipal de Belo Horizonte. Então é trabalho social, mas para resumir, ampliar a consciência de cidadania. 

P – E qual que é a sua formação?

R – Sou advogada especializada em Direito Econômico.

P – Tá, é por isso que você foi trabalhar...

R – Na área de Defesa do Consumidor. E agora estendi, né, porque a Comissão lá na Câmara ela é unificada. Também com Direitos Humanos. Que também é tudo a ver com cidadania. Então é Direito do Consumidor e Direitos Humanos.

P – Tá.

R – Então é um trabalho interessante.

P – E quando você começou assim um pouco o vínculo maior com a política?

R – Olha, antes, eu entrei no Procon em 1976, mas antes eu já tinha participado de movimento popular. Eu nunca participei de movimento de igreja, mas de bairro. Eu fui presidente de associação comunitária, trabalhei no Sesc como organizadora de eventos, sabe? Sociais, culturais com os adolescentes e adultos. Como se fosse uma recreadora. Então eu vim de movimento popular, depois Procon e agora carreira política, né? Então é uma coisa interessante. Tudo o que eu estou fazendo está ligado realmente a vontade, à demanda social. A vontade que a pessoa tem de ser informada. Eu fui professora também. Então eu sempre gostei de trabalhar com isso aí. É provocar as pessoas para elas terem uma autocrítica de como elas estão vivendo, buscar novos caminhos. Conscientizar. Ampliar horizontes. Então eu acho muito interessante esse trabalho. Porque a gente faz direto na área de Cidadania, né?

P – Tá.

R – A pessoa saber o que ela tem direito, o que ela pode reivindicar, o que ela pode lutar. E onde ela deve ir para buscar ajuda.

P – Exato. Então falando do Clube da Esquina, agora, né, assim como que começou o seu vínculo, a sua aproximação com o pessoal? Foi mais como fã, mais como amiga, como é que...?

R – Olha, eu sou de família de músicos. 

P – Ah.

R – Essa minha... eu sou descendente de italiano, então é muito comum a família de italiano ter músicos. Então meu avô veio para o Brasil e trouxe toda a técnica, né? De fazer foles de acordeão. Trabalhava para o Gonzaga, o Gonzaguinha. Consertava os acordeões da Rua Bonfim. Um ponto tradicional. Tio Antônio era muito tradicional. Meu pai também tinha contato com músicos e os meus irmãos. Eu também estudei música, então nós crescemos nesse ambiente. Tocando, aprendendo música, e fomos ampliando. Quando meu irmão ficou adulto ele passou a tocar em Belo Horizonte, em vários locais onde estava fervendo aquele movimento cultural. E começando o Clube da Esquina. 1970. Lá na Santa Teresa, no bar da esquina onde as pessoas se reuniam. Acontecia muito ali no Maleta. Então ele tocava e sempre revezando as turmas. Então a gente ia conhecendo todo mundo. Então eu conheci por esse ambiente musical da família, acompanhando meu irmão, e obviamente depois, loucamente apaixonada e fã absoluta. (risos) De toda a turma do Clube da Esquina e os músicos fantásticos, né?

P – Legal. Que instrumento que você tocava? Você estudava?

R – Olha... violino. Eu tocava violino. O meu irmão, acordeão igual meu pai. Meu pai tocava bandoneón, tinha uma típica de bandoneón muito bonita. Aí, meu irmão se profissionalizou mesmo no acordeão. Hoje ele é economista e músico. E outro irmão toca acordeão. Então, minha família... vários tocam acordeão. Tinha tio que era professor, tinha aula, dava aula também na Rua Bonfim. Então é um ambiente que a gente conviveu desde pequeno. À noite, dormindo à noite, eu escutando pai lá colocando, consertando piano, sabe, fole. Ouvindo sons musicais. A gente, nós éramos embalados pela música, assim, muito interessante.

P – Delícia.

R – É muito bom.

P – Esse irmão seu que se profissionalizou, qual o nome dele?

R – José Scarpelli, o nome completo é José Geraldo Scarpelli. José Scarpelli, as pessoas chamam. Hoje eles tem uma banda muito interessante que chama “A Outra Face”. Então eles se encontram. Braguinha é um músico excelente. Ben Hur. Eles se encontram e tocam. Fazem vários shows em Belo Horizonte. E na época eles encontravam muito com toda a turma, né? Com o Balona, o Célio Borges, o Márcio Borges, o Lô Borges, o Flávio Venturini, né? São vários. Ezequiel, o Chiquinho. Vários músicos. Eu tinha um primo também que tocava contrabaixo, contrabaixista que foi para o Rio, para a Rede Globo. Ficou lá, nunca mais voltou. Então levou a raiz da família Scarpelli para tocar lá no Rio de Janeiro. (risos) 

P – (risos) 

R – Então eu acompanho até hoje. Então, muito interessante como é que essas pessoas se encontram com aquela abertura assim, quando alguém está tocando e na plateia tem um músico, aquele músico levanta e dá uma canchazinha no pistão, no sax, no teclado. E a gente vai sempre encontrando com essas pessoas nesse mundo artístico maravilhoso.

P – Legal. Quando começou o movimento, quantos anos você tinha mais ou menos? E, o que é que o seu irmão... você ia junto para os bares?

R – Eu ia junto para os bailes. Eu tinha... eu nasci em 47, então eu já estava com 13. 13 não, é... com 13 anos? 13. Eu casei com 16.

P – É mesmo.

R – Casei com 16 com um amigo de infância. Então eu tinha 13 anos, já acompanhava. Não... 23 anos em 1970.

P – É.

R – 23 anos.

P – E assim, como é que era esses bailes? O que é que tocava? Como vocês se arrumavam, se vestiam? Como que era o contexto desses...

R – É, os vestidos eram lindos, né? Eu lembro que eu tinha um vestido azul que me apaixonou a vida inteira. Eu sonho com ele até hoje. Um pano bem fino, aqui, cruzado, sabe? A saia larga, uma saia larga, ampla, né? Que dava o movimento na hora da dança. E eram essas músicas, músicas que, apesar de que tinham músicas de protesto também. Porque quando o tropicalismo emudeceu um pouco o clube da esquina assumiu as músicas de protesto e denúncia em relação à ditadura militar. Mas os bailes eram bailes românticos, muito bons. Tocavam muito Bossa Nova, essas músicas. Mas mais uma música regional, essa música ela é diferenciada do Clube da Esquina. Que é uma música muito regional, nossa. É a nossa mineiridade. Mas com toques, por exemplo, até de barroco mineiro. A gente tem também uma diferença muito grande. Porque Beto Guedes um estilo mais rural, já o outro compositor já puxa mais para o barroco. Mas os bailes eram... esse estilo de música tocavam na cidade inteira. E tinham vários pontos. Eu falo que foi um fervilhar maravilhoso na cidade, cultural. Porque explodiu lá no Clube da Esquina na Santa Teresa e foi desdobrando nos outros ambientes. Então eram vários ambientes ao mesmo tempo, né? Com shows, onde eles se reuniam lá no Bob ______, eles se reuniam muito ali. No Maleta, que eu já citei, e nos bairros. Eu me lembro que tinham os clubes pequenos, sociais, que reproduziam esse ambiente. Por exemplo, o clube... tinha um clube em Belo Horizonte chamado Democrata. Lá tinha os bailes do Democrata. A gente adorava... reproduzindo esse tipo de música. Porque era aquela música ao vivo fantástica, né? A pessoa no violão, no acordeão, no piano. Um pistão. Agora eu fico vendo a diferença dos dias atuais. Essa música muito gravada, já tudo pronto. Ou então um instrumento que reproduz uma série de instrumentos, que eu acho uma desvalorização para o músico muito grande. E esses ambientes eu não privilegio. Eu só vou em locais que têm música ao vivo. Mas o conjunto tocando. Vários músicos de tendências diferentes.

P – Você lembra quando lançou o Clube da Esquina 1?

R – Quando lançou não. Porque na realidade... eu assim, para mim, não teve um momento muito preciso não. Porque: “Ah, vamos encontrar na esquina. Nós estamos lá na esquina.” Então ficava aquela coisa de todo mundo saber que naquela esquina na Santa Teresa as pessoas iam e se encontravam. Depois adotaram o nome para o movimento, que era o movimento mineiro de cultura que, como Bahia tinha o Tropicalismo, o movimento Tropicalismo, Minas tinha esse movimento que era bastante característico. Era pura Minas Gerais. Mas no momento certo que foi lançado o Clube da Esquina, eu não me lembro não. Eu lembro assim, que foi... a gente sentiu até que foi uma coisa natural. De citar o local para depois o  nome do movimento Clube da Esquina.

P – Mas, assim, e quando você era adolescente, esses 23 anos você ouvia falar o pessoal que se reunia na esquina?

R – Ah, sim, claro. 

P – Chamavam: “Vamos lá.”?

R – Chamavam. “Vamos lá na esquina, vamos lá.” E muitas vezes eu via o pessoal sair mesmo com o instrumento para tocar. “Onde você está indo?”, “Eu estou indo para a esquina. Lá na esquina.” A gente já sabia que esquina, que esquina que era. Era aquela esquina especifica, um lugar mágico onde os músicos se reuniam. E interessante como também as pessoas de idade diferente se aproximavam. Os mais novos sonhando em fazer a mesma coisa. Muito interessante. E eu acho que isso aí tem que ser muito resgatado para lembrar que Minas. Minas sempre foi um celeiro de cultura e de arte. Para lembrar a importância do movimento Clube da Esquina na cultura nacional e internacional. Reconhecida internacionalmente. Isso é muito importante para não perder isso aí no correr do tempo.

P – Do pessoal aí do Clube, quais as músicas que você mais gosta?

R – Ah, eu gosto de tudo, né? Pan Air. Travessia. Travessia para mim é muito significante, viu? Eu acho linda. Todas. Maria Maria. A gente fala muito do Milton. Mas a gente gosta de todas. Do Flávio Venturini. De todos eles, né? Eu acho que Lô Borges... eu gosto, me marca muito Travessia. Eu acho que porque (risos) eu entendo a Travessia exatamente isso: você tem que ir, tem que caminhar. Ser impulsionada sempre a crescer. Acreditar que pode fazer e pode construir. Isso eu acho muito bonito.  Então me marca bastante. Eu fico muito emocionada com Travessia. (risos)

P – (risos) Você quer fazer uma pergunta?

P/2 – Ela não quer cantar um pedacinho para você?

P – É isso que eu ia pedir.

R – Ah, quero cantar.

P – Cante.

R – (Canta) “Quando você foi embora, fez-se noite em meu viver. Forte sou, mas não tem jeito, muito tenho que chorar – falar? é – falar. Minha casa não é minha – como é que é? – e nem é meu esse lugar...” Ah, muito bonito. “Já não sofro hoje faço...” Como é? Estou trocando as letras.

P – Também não tem problema, né?

R – “Solto a voz na estrada, já não quero falar. Meu caminho é de pedras...” Ah muito lindo, muito, muito emocionante. Muito emocionante. 

P/2 - _______ super afinada, hein?

P – Ela tem uma voz, né? (risos) 

P/2 – É. (risos) 

R – É de tanto ouvir, né, em casa. Afinando acordeão. Agora, gente, eu acho assim, que o músico... eu acho que Deus quando foi fazer as criaturas, ele fez todos nós. E depois ele disse assim: “Agora eu vou fazer pessoas que vão ser completamente diferentes.” Eu fico até muito arrepiada, sabe? “Fazer pessoas que vão planar acima do normal.” E criou os músicos, os artistas. Eu fico assim, quando eu vejo um músico tocar eu fico tão maravilhada, porque eles ficam tão dentro da música. Como se fosse a música, fosse o espaço físico. Eles penetram. E eu vi isso desde nova a vida inteira. Eu estou com 56 anos, sabe? Então a minha adoração por eles todos, o pessoal do Clube da Esquina, o pessoal que teve essa persistência de reunir, de criar o movimento. São pessoas excepcionais. Eu não acho... eu acho que nós não podemos comparar as pessoas e falar que são pessoas iguais a nós. Não são. Eles têm uma divindade muito grande. O músico tem uma divindade. Tem uma. Habita em outra esfera muito acima da nossa que somos normais. Acho que nós temos. A gente quer ficar é maravilhado, observando. E esse negócio muito de levar... levar a música muito regional. Igual você ter até um pouco do barroco mineiro. Atravessar pelas montanhas e ir. E o Milton, tem uma capa do Milton que faz isso, né? Que são as montanhas dos Gerais. Vai pelas montanhas e vai embora. Eu acho que também a topografia de Belo Horizonte, e forma de vida que nós não temos praia. Então, o belo-horizontino ele vive onde?! Ele vive em bar à noite. Então esse negócio... até a topografia nos obriga a estar juntos com essa montanha que nos cerca. Então isso reflete muito esse negócio de encontrar na esquina. Ficar compondo músicas, cantar. Aquele negócio intimista que só acha em Minas Gerais. Porque nas cidades litorâneas as pessoas vão se distanciando. E aqui é ao contrário, nós fazemos o movimento contrário de ir agregando. E isso faz com que as pessoas se reúnam e aí cresçam ali. E aí nascem movimento, nasçam movimentos culturais fantásticos. Eu acho que o Clube da Esquina é o único movimento, único movimento mineiro, que ficou no registro da história do Brasil e ficará sempre. Ficou, transpôs a Minas, transpôs Brasil, foi internacional. Acho que é o que ficou. Nós não temos mais nenhum movimento cultural que tenha esse registro forte, característico, com uma história, com percurso, com adesões. Porque os músicos foram aderindo, né? É muito...

P – É. Agora quando você ouve uma música assim do Clube da Esquina, das pessoas que fizeram parte, o que é que você identifica assim, qual a parcela: ah, isso daqui é Clube da Esquina? Que é que você... o que é que bate?

R – É o estilo. É o estilo próprio. Apesar de que, também, houve uma proximidade com o rock progressivo, porque o Clube da Esquina tem uma proximidade com o rock progressivo e tal. Milton chegou até a gravar com alguns. Eu acho que é a característica bastante diferenciada, sabe? É melodioso, é muito diferente. Você identifica longe o que é o Clube da Esquina, da turma do Clube da Esquina. Da nossa turma. 

P – (risos)

R – Da nossa turma. Nós não podemos é perder, né? Que essas pessoas retornem mais às suas raízes... mas estão por aqui entre nós. Então toda vez que eu vejo o Lô eu falo para ele: “Não se perca pelo mundo afora. Sua raiz é aqui, retorne sempre.”  O Milton está retornando, Flávio Venturini está retornando. Todos. Alguns distanciaram um pouco, foram para fora, fizeram sucesso e não voltaram. Eu acho que... eu acho que nós temos esse motivo de orgulho e temos que passar. Não pode ficar fechado naquelas pessoas que conviveram na época. Estavam lá, foram testemunhas em 1970. Eu acho que, porque o Tropicalismo inclusive foi de 1960, o Clube da Esquina em 70, então não pode ficar somente esse testemunho de quem viveu na época. Os jovens têm que saber, têm que entender o que é Clube da Esquina. Principalmente para valorizar uma música que é muito trabalhada, é muito de sentimento. E hoje alguns gostam muito de ouvir uma música, que essa música é que eles chamam de transcendental. Não é transcendental. Esse barulho louco, sem ritmo, sem melodia, sem harmonia nem nada. Então, transcendental são as músicas do Clube da Esquina. Do Lô Borges, do Milton, do Flávio Venturini, de todos eles, do Marcio. Isso é que é transcendental, que fica... fica no coração, que você se emociona. Você, o seu avô canta, a gente canta, o filho vai cantar e não vai perder no tempo. Esses movimentos que aparecem circunstancialmente vão aparecendo, eles vêm e vão como o vento no... não é nem brisa. É uma brisa. Aliás, é uma brisa... não é nem vento. É uma brisa rápida. De momento, de circunstância, de modismo. E não registra nada. Nem culturalmente, intelectualmente, nem sentimentalmente. Vai e pronto. Modismo. E o que fica é o que é bom, né? Aquilo que é apurado, aquilo que é bom, aquilo que é arte. Trabalhada com muita dedicação e amor. Aquilo é amor puro. Eu defino assim: o Clube da Esquina é amor puro. Amor pela arte, amor pela cultura. Ê coisa mais bonita! Que é uma coisa que é difícil de se ver que eu quero ressaltar, um gravado no disco do outro. Isso é que é lindo. Eles iam fazendo aquilo, compunham, se misturavam nas obras. Por isso que tem muita influência de um na obra do outro. A gente vê isso também do pessoal do Clube da Esquina. Então eu acho muito fantástico. Eu acho que esse trabalho que vocês estão fazendo é uma coisa muito emocionante. Quando me ligaram, eu falei: “Ai, que maravilha.” Aí liguei para o irmão. (risos)

P – (risos)

R – O irmão ficou emocionado. Aí, um irmão ligando para o outro. Foi aquela corrente de pessoas, sabe? Que bom... agora não é renascer. Porque não morreu. Você renasce aquilo que está morto. Você não está renascendo. Você está simplesmente é mais certificando da importância e consolidando mais ainda esse movimento que vai ficar. Porque por exemplo, você fala: Semana da Arte Moderna. Você relaciona com São Paulo, não é?

P – Uhum.

R – Você fala dos movimentos farroupilha, não sei o quê, as revoluções libertárias que ocorreram no Brasil. Você vai identificando. E em Minas nós temos movimento revolucionário, eu digo assim... Clube da Esquina é revolucionário. É revolucionário, é erudito, é popular, é lindo e é arte regional. Regionalismo de Minas Gerais com toda a nossa, as nossas diferenças de fazer arte. Eu fico... me dá vontade de sentar agora, ouvir tudo de novo. (risos)

P – (risos)

P/2 - (risos)

R – A vontade que me dá agora... (risos) provavelmente eu vou sair daqui, vou pegar lá e vou revolver. E eu gosto... sabe do que é que eu gosto? Eu gosto do disco. Eu não...

P – Do vinil?

R – É, do vinil. Porque tem as fotos lindas. Você acredita... o CD não tem graça não. Eu gosto de pegar o discão e por lá para ouvir.

P – Ô, Maria Lúcia, e assim... infelizmente o nosso tempo já está acabando. É... o que é que você acha de você ter dado, né, a sua contribuição, a sua entrevista para o Museu do Clube da Esquina? A tua visão que você tenha do... e deixar registrado isso para...

R – Olha, eu... nossa mãe. Eu fico muito emocionada. Eu fico muito emocionada, muito grata, muito honrada. E eu quero... eu estou agradecendo em nome de toda a minha família que mexeu com música. Já perdi primos que tocavam na noite em Belo Horizonte. Meu primo, outro, está no Rio, Maurício. Meu irmão, meu avô, meu pai que tocava tangos de uma forma belíssima. O bandoneón tão sentimental. Então dedico a todos essa oportunidade que eu tenho, essa alegria... uma homenagem a todos da minha família que sempre lidaram com música e ensinaram a todos nós a ter essa sensibilidade para perceber a beleza na música. E também, eu acho extraordinário. Uma oportunidade extraordinária de eu poder, de eu falar do meu sentimento, da minha emoção. E da paixão que eu tenho por todos esses músicos maravilhosos, fantásticos, do Clube da Esquina.

P – Obrigada.

R – Obrigada a você.

 

(Fim da entrevista)

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