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História

Sua profissão faz a diferença

História de: Thyrson Loureiro de Almeida
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 25/02/2021

Sinopse

Infância na cidade de Bela Vista, em Mato Grosso. Mudança para Campinas. Estudante de medicina. Especialização em cirurgia. Presidência da Unimed de São Paulo.

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História completa

Projeto Unimed Brasil 40 anos

Depoimento de Thyrson Loureiro de Almeida

Entrevistado por Maurício Rivero e Maria

São Paulo, 1 de fevereiro de 2007

Realização Museu da Pessoa

Código: UMBR_HV009

Transcrito por Suely Aguilar Branquilho Montenegro

Revisado por Valéria Almeida de Almeida

 

 

 


P/1 – Bom, Dr. Thyrson, boa tarde.


R – Boa tarde.


P/1 – Projeto 40 anos Unimed, Brasil, primeiramente gostaríamos de saber seu nome completo, local e data de nascimento.


R – Thyrson, com T, H, Y, é bom dizer, porque não é comum, Thyrson Loureiro de Almeida, nasci em 14 de fevereiro de 1935 numa fazenda no sul do Mato Grosso, fronteira com Paraguai, em Bela Vista e fiquei lá até o momento em que tive que ir para uma cidade maior onde tivesse o curso ginasial e colegial. Passei um ano por Campo Grande, depois eu vim para Campinas onde fiz o Ginásio, primeiro ano Colegial e posteriormente vim terminar o meu Colegial aqui na capital de São Paulo. Prestei o meu primeiro vestibular em 1954, fiz um único, uma única opção de fazer o exame na Escola Paulista de Medicina e fui aprovado, quer dizer, terminei o Colegial em dezembro e em fevereiro eu estava já matriculado na Faculdade de Medicina.


P/1 – Qual é a sua função atual na Unimed?


R – A minha função na Unimed Paulistana hoje, eu sou Presidente eleito. Quando eu fui para a Unimed em 1977, 1978, já fui com o objetivo, era o que o pessoal da Paulistana queria, de eu fazer parte da direção administrativa da cooperativa. A cooperativa lá era pequena, ela tinha em torno de cinco, seis mil usuários, dava perfeitamente, junto com outras atividades médicas eu tocar e em 1978, numa próxima eleição, que foi em torno de 1980, fui eleito Presidente da Unimed Paulistana, cargo que eu ocupo até hoje. Não por uma eleição, as eleições na Unimed Paulistana, elas aconteceram, tudo de acordo com os regulamentos, os estatutos, mas não houve nunca uma chapa contrária, portanto eu sempre fui reeleito. Situação que persiste até hoje, creio que agora está chegando o momento de eu ceder o lugar para alguém da equipe. Isso as atividades na cooperativa. Eu me recordo que o trabalho era muito pouco, era muito comum que um office-boy levasse algum documento, alguma coisa até o Hospital das Clínicas, onde é o meu consultório, para que eu desempenhasse aquela função, mas a cooperativa, ela foi crescendo muito lentamente, porque havia um problema político criado dentro do próprio Sistema Unimed, todos nós sabemos que, primeiro, na Brasil, que é onde nós estamos hoje, é uma confederação, mas tem que ser lembrado que a Unimed Paulistana devido a situações criadas pelo próprio Sistema, não fazia parte do Sistema Unimed. Ela nasceu [a Unimed] em 1967 lá em Santos, e a Paulistana foi criada aqui na capital de São Paulo em 1971, por um grupo de professores, tanto da Escola Paulista de Medicina, quanto pela Faculdade de Medicina da USP , quanto da Santa Casa. Esses professores que estavam ligados não só à Associação Médica Brasileira, mas também à Associação Paulista de Medicina, foram eles os responsáveis por criar em agosto de 1978 a Unimed Paulistana.


P/1 – Vamos abordar posteriormente a questão da Unimed Paulistana e depois o desenvolvimento da entidade. A gente gostaria de saber, o nome dos seus pais e qual é a atividade profissional deles?


R – Muito bem. O meu pai, Pego Loureiro de Almeida, filho de Bela Vista, mesmo. Os pais dele é que foram os responsáveis, na época, em tomar conta daquele sul do Mato Grosso, daquela fronteira lá com o Paraguai, que hoje é cantada também em versos, aonde o Brasil foi Paraguai. A minha família, de certa forma, é responsável por ter, junto com outros, famílias tradicionais, tomado conta daquela região, uma região de pecuária. A minha mãe, Vera Guimarães Loureiro, ela era nascida em Cuiabá, que era a capital do Estado do Mato Grosso e se formou na Escola Normal de Cuiabá como professora. Posteriormente ela foi galgada, foi aí que veio a união dos dois, porque ela foi ser a professora indicada pelo Governo do Estado a dirigir a escola lá, não havia, a escola em Bela Vista. Ela foi a primeira professora formada do sul do Mato Grosso. Tem uma história, nós tínhamos lá, hoje tem uma escola em que um dos prefeitos deu o nome dela, da escola com o nome dela. Ela desempenhou um papel muito importante na vida e se nós lembrarmos que educação é o fator mais importante hoje para todos nós, ela teve um papel fundamental nisto e trabalhou como professora até, se não me engano, o quinto filho, eu sou o quinto filho homem, só a partir daí é que ela deixou de lecionar. É um papel importante, depois teve mais três filhos e ela teve este papel fundamental na educação e é uma pessoa referenciada na região, na cidade pelo papel desempenhado.


P/1 – A origem da sua família?


R – Veja bem, aliás agora eu estou vendo essa série, “Amazônia”, e eu sei que o meu avô, pai dela, Horácio Vaz Guimarães, fazia aquelas viagens de barco que hoje aparecem nessa novela da Globo. Ele trazia de Manaus, da região amazônica, produtos para vender em Cuiabá, onde ele tinha a maior casa de comércio de Cuiabá. Ele teve posteriormente até um insucesso quando uma das embarcações importantes dele veio a sofrer um naufrágio, houve perdas financeiras importantes. Mas, Horácio Vaz Guimarães também acabou tendo uma posição importante na política, ele foi prefeito de Cuiabá, não sei lhe dizer a data, mas ele foi prefeito da Capital de Mato Grosso.


P/1 – Me fala um pouco da sua infância, a casa onde o senhor morava.


R – Interessante isso, porque a nossa história depende também de a gente querer ou não enriquecer a história. Na verdade, você imaginando que eu era o quinto filho homem de uma família e tendo mais…


P/2 – Quantos filhos?


R – Eram oito, na verdade teve uma criança que morreu com 40 dias, mas éramos oito e fomos criados ali, praticamente nós fomos criados na fazenda e no período escolar, é claro, ficava na cidade, mas toda nossa infância e a nossa juventude foi passada na fazenda. As férias, nossa, era trabalhar em cima de cavalo, trabalhar com gado, foi uma infância muito boa, porque a família era grande, não só de irmãos, mas tinha muitos primos, primas e muitos peões, muita atividade e o nosso, o meu pai ele não dava folga, não, ele exigia dos filhos todo um trabalho e de primeira ordem. Os filhos teriam que desempenhar o papel, que nesse caso era a ajuda no campo, tinha que desempenhar esse papel da melhor maneira possível. Exigia, de todos nós que desempenhássemos essas atividades com eficiência. Eu digo que aprendemos muito, porque era fundamental a gente não só acompanhar o trabalho, mas a responsabilidade também com esse trabalho e não deixava de ser um trabalho até um pouco bruto, você lidar com gado bravo, lidar com doma de animais. Esta infância tida ali, ela foi, na minha maneira de ver, muito importante, é outro mundo. Eu vendo hoje a evolução da nossa medicina e tenho visto cada vez mais isto, nós não temos médicos, lá na cidade tinha um ou dois, entre aspas, farmacêuticos, que cuidavam de atender. Mas todo nosso tratamento médico era desenvolvido pelos nossos pais, desenvolvido pelos nossos peões, nós tínhamos ali muitos bugres, que são aqueles, é a mistura do índio com o branco, nós tínhamos uma medicina que hoje a gente chama de medicina alternativa, a fitoterapia, principalmente, naquela época a gente dispunha já de muitos chás, muitas cocções, muitos xaropes, a gente tinha isto. Eu me recordo de em muitas situações de traumatismo, por queda de animal, queda de cavalo, o tratamento todo era feito ali mesmo, à moda, porque nós não dispúnhamos de recursos médicos, a cidade não tinha recursos médicos. Foi uma infância, eu digo, gostosa, boa, principalmente hoje à medida que passa o tempo e você analisando o que se vê hoje, eu vejo não com saudades, mas eu vejo e dou graças a Deus, por ter vivido esse tempo lá. E interessante que nós, os meus irmãos, nós tivemos oportunidade de estudar em boa escola. Lá nós dispúnhamos de uma escola de freiras Vicentinas e de padres que eram os oblates, padres americanos e que ofereciam aos alunos uma condição muito especial de estudo. Nós tínhamos muito esporte, nós tínhamos muito trabalho manual, nós tínhamos, aqueles que tinham interesse, nós tínhamos acesso ao francês, ao inglês, enfim, uma escola que quando houve a necessidade de se prestar o exame, na época, o chamado exame de admissão ao Ginásio, nós tivemos oportunidade de tirar a nota máxima, isso já em Campo Grande. Veja você que a escola era exigente nesse aspecto, e eu me recordo que desempenhamos um papel como aluno também, um papel muito bom.


P/1 – E qual a lembrança mais marcante da escola?


R – Da escola, eu me lembro das freiras, das irmãs que davam aula, era marcante a presença delas, o trabalho, e eu me recordo que como nós morávamos muito próximos da escola a gente tinha oportunidade também de ajudar as irmãs, as freiras em trabalhos manuais, fora do horário normal da escola. E nos invernos eu me lembro que era muito comum elas pedirem e nós fazíamos nestes tabuleiros, com prego e madeira, que hoje o pessoal está fazendo aí tricô, a gente fazia e ajudava a fazer blusas de lã.


P/2 – Tecelagem?


R – Tecelagem, além de outros tipos de trabalhos executados por outros. Mas eu me lembro que a gente encontrava muita facilidade em fazer aqueles trabalhos. É claro que isto ajudou muito e eu me recordo associando todo esse trabalho, aquilo que eu vim a ser no futuro quando médico, que eu fui ser cirurgião o quanto que isto…


P/2 – Ah, a sua habilidade na carreira.


R – Foi, é, há muita coisa da carreira, da habilidade, como eu me recordo também, fazendo um paralelo, que quando eu fui me exercitar já na cirurgia mesmo, já como residente, como cirurgião, eu encontrava muita facilidade no trabalho, porque aquilo em relação às exigências normais de uma escola, para mim não era nada. Porque eu já vinha de uma escola do Pego Loureiro e da Vera que nos fazia procurar sempre estar na frente, sempre procurando fazer o trabalho da melhor maneira possível. Uma coisa que sempre me chamou atenção, que meu pai nunca permitiu é que nós falássemos em cansaço. Não existe o cansaço, tinha que fazer. Então você veja como isto marca numa criança, não é?


P/1 – Como foi o seu interesse pela medicina, como que nasceu?


R – Olha, na verdade, é, uma coisa realmente interessante. Dado o fato, de ter os pais, primeiro que eles exigiam que todos estudassem, era uma educação voltada ao crescimento intelectual. Eu me recordo que na minha casa o único que não fez um instrumento musical, não tocou, fui eu, todos, todos tinham que fazer música também. Então você veja como que isto, o resultado desse negócio todo. Como é que eu fui me interessar pela medicina? Naquela época, eu me lembro, quando eu vim para fazer o Colegial, eu queria fazer alguma coisa que fosse bom, que fosse grandioso, por exemplo, na época ou eu ia fazer engenharia ou ia fazer medicina. Optei por fazer medicina, mas sem sofrimento, fizemos lá os nossos testes na escola antes do vestibular, fez parte do nosso vestibular aqueles testes vocacionais, testes psicológicos, tudo isto, eu passei por tudo isto, mas sem sofrimento e achei que medicina fosse uma carreira e fui e tive a felicidade de no primeiro vestibular entrar na Faculdade de Medicina, isso foi muito bom.


P/1 – Qual foi o fato marcante do curso de medicina? Onde que o senhor fez?


R – Na verdade o curso de medicina foi feito aqui na capital de São Paulo, aqui ainda hoje está o Hospital São Paulo, onde está a Faculdade Paulista de Medicina. Nós, quando entramos na faculdade, ela era uma escola privada, particular, mas já no segundo, terceiro ano, ela foi federalizada, então passamos a ter as benesses de uma escola não paga. E o que chamava a atenção na escola, porque aqui na Capital nós tínhamos a USP [Universidade de São Paulo], que era a Pinheiros, que está aí até hoje, e ela sempre foi em termos, assim, acadêmicos, em termos sociais, elas foram um pouco, uma rival da outra. Até hoje eles têm uma diferença, mas nada importante, porque ambas são muito importantes. Agora, o que que marcou a escola? Os professores que criaram a escola foram professores de primeiríssima grandeza. Tivemos a felicidade de ter isto e quando eu terminei a Faculdade de Medicina é que eu passei a ter uma dúvida, porque eu sendo do Mato Grosso, sendo lá de Bela Vista, a idéia que a gente tinha era primeiro de uma paga à cidade, ao pai, à mãe e ia exercer a medicina lá. Mas não foi o que aconteceu, porque eu me formei e tive que continuar o meu aprendizado, que isso hoje que vocês vêem em todas as escolas, fazer uma residência médica para dar continuidade ao aprendizado. Na época eu já tinha muita atividade na escola em cadeiras ligadas à cirurgia e foi aí que eu comecei a ter oportunidades, daí o crescimento na área da cirurgia. Quando eu me formei, eu questionei o professor Jairo Ramos, que foi o nosso paraninfo e professor de clínica, um médico notável, sobre a minha situação, o quê que ele achava. Ele me aconselhou, que como eu ia fazer a cirurgia, que era melhor que eu fizesse no Hospital das Clínicas, que era o hospital da faculdade de medicina da USP e assim eu fiz. Fui prestar o concurso na Pinheiros, para fazer a residência, fui aprovado, quer dizer, entrei pela porta da frente da Pinheiros. Foi em janeiro de 1960, a formatura foi em dezembro de 1959, em 1960 nós iniciamos então a nossa peregrinação pelo Hospital das Clínicas, eles ofereciam acomodações, isso aí é uma coisa que também marca muito, porque aos médicos formados em outra escola como eu, foram dadas umas acomodações no segundo pavimento. Era bem lá, abaixo do subsolo e o meu quarto, por exemplo, isso é uma coisa que é importante dizer, nós tínhamos um quarto que tínhamos oito beliches e era quarto devassado, que muitas vezes aqueles que estavam de plantão não tinham onde dormir, eles iam lá. O nome do quarto era “humilhação” e ali no “humilhação” eu fiquei durante um ano e meio. Só a partir de um ano e meio, eu já residente, cirurgia, é que eu pude ir morar num ambiente um pouco mais sofisticado, no prédio da Ortopedia, onde a gente tinha uma refeição mais adequada, melhor, boa, nós não podemos reclamar de nada, mas nós morávamos, eu morava então, no prédio da Ortopedia. E lá tinha alguns confortos, um conforto um pouco melhor. Passado o período de médico interno, que foi quando eu entrei, em 1960, fomos fazer o R1 [residência 1] também já optei pela cirurgia, depois do R1[residência 1], o R2 [residência 2]. O R2 [residência 2]. Já era uma situação em que o médico passava a ter atividades mais nobres, mais difíceis na cirurgia. Era algo que a gente lutava para fazer bem, a residência, porque ali é que você aprendia a cirurgia, aprendia clínica, aprendia tudo.


P/1 – E apesar de na residência ser um pouco complicado, a gente conhece, o senhor conseguiu estabelecer relações com pacientes?


R – Claro, eu acho que eu sempre tive, eu e o pessoal, o aprimoramento médico envolve toda uma dedicação ao tratamento, ao cliente e todo o corpo médico e assistentes e a própria faculdade, o objetivo deles é a melhora sempre nessa área e eles sempre foram muito exigentes. Quer dizer, você numa residência médica, principalmente num hospital como este em que você tem muito paciente, muito trabalho e tem todo um corpo médico de primeira grandeza. Você tem todas as clínicas e departamentos envolvidos em melhoria da assistência médica. 


P/2 – O senhor lembra do primeiro atendimento na residência?


R – Eu começo dizendo que o meu primeiro atendimento, quando a gente entra numa faculdade, a gente já tem aquele familiar ou aquele conhecido que vem para você e pede uma orientação, não tem aquilo de falar, não, hoje eu começo a atender. Não, isso faz parte da vida, eu me lembro de muitas situações, pedirem uma orientação médica – “Mas você não é estudante? Você não é estudante de medicina? Você pode me responder, como é que eu faço para curar esta gripe?”, enfim, começa por aí, mas os atendimentos, eles passam a vir de uma maneira também gradual.


P/1 – Bom, como que foi o seu ingresso na Unimed, Dr. Thyrson?


R – Eu estava lá no Hospital das Clínicas, desempenhava o meu papel na segunda clínica cirúrgica e quando eu terminei a residência, eu passei para R2, terminei a minha residência de segundo ano, eu tive também a função de preceptor dos residentes. Vamos dizer, ganhei aquela situação de, o que faria o preceptor? É o orientador, é como aqui entre os senhores, tem aquela pessoa que vai coordenar, que tem mais conhecimento da coisa. Eu como preceptor organizava as reuniões dos médicos, dos internos, dos R1, eu entrava com eles nas cirurgias. Eu era responsável também na execução das cirurgias, aí já não era mais como residente, como preceptor a gente tinha a ver também com os outros departamentos do hospital. Nós, como preceptores, tínhamos também a função e a responsabilidade de ajudar no ensino da lá na Faculdade de Medicina do Hospital das Clínicas. Posteriormente, num crescendo, eu fui convidado a ser cirurgião do Pronto-socorro. Vocês imaginam os requisitos que você tem que ter e o que você faz num hospital do porte do Hospital das Clínicas para desempenhar esse papel, como cirurgião responsável, aquela pessoa que não pode dizer que não sabe, quando não sabe, se recorre dos assistentes mais antigos, dos mais capacitados. Mas, passei a ser um cirurgião, do Pronto-socorro, logo em seguida, chefe de equipe do Pronto-socorro, onde a gente praticamente já nesse período, desempenhava também um papel administrativo. O cirurgião do Pronto-socorro, na ausência da administração era ele quem respondia por qualquer coisa, qualquer ato que viesse a envolver o hospital. A gente como preceptor, como assistente, como chefe de equipe, a gente já administrava o hospital, ou pelo menos procurava fazê-lo da melhor maneira possível. Esse trabalho ajudou muito na minha formação também. Tem toda uma política universitária e eu me lembro que resolvi não ir para a carreira acadêmica, pelas condições várias da minha ida para lá, pelas condições do próprio regime da faculdade de medicina, tal, eu achei prudente ficar apenas como médico, como cirurgião, dando aula, ajudando, organizando e então, é uma parte que eu deixei prejudicada. Eu não fui me candidatar, ou não fui trabalhar para ser professor universitário, mas ajudava na faculdade, ajudava nas aulas, ajudava na cadeira e com isto você vai aprendendo. Passados alguns anos, naturalmente eu fui convidado, vou adiantar um pouco, a história é longa, eu fui convidado já a participar de algumas áreas administrativas do Hospital, por exemplo, organizar o ambulatório, organizar as cirurgias. Tudo isto faz parte de um aprendizado e acredito que eu me saí bem, a ponto de, mais ou menos em 1975, eu fui convidado pelo Diretor Executivo do hospital a administrar o Centro Cirúrgico. O Centro Cirúrgico do Hospital das Clínicas é algo fantástico, já era nessa época, em vez de você ter dez salas de cirurgia você tem 40, 50, com todas aquelas dificuldades que isso representa, porque tem cirurgias de todas as especialidades. Eu fui convidado a participar, da administração do Centro Cirúrgico e eu tenho a impressão que realmente eu devo ter me saído bem, porque eu dificultei, eu não queria isto, mas eles me pediram muito, e em menos de um ano depois eu fui convidado pelo Conselho da Faculdade de Medicina a ser Diretor Executivo do Hospital. Uma coisa importante, que a gente possa transmitir é que eu não tinha padrinhos, isto foi um convite feito, veja, para alguém que veio de outra escola, dita como antagônica e então veja que eu…


P/2 – O senhor se destacou profissionalmente.


R – É, eu fui convidado a participar da direção. Eu tenho um documento graças a Deus, que aliás está na minha sala lá da Unimed Paulistana, um documento onde mostra o agradecimento do Hospital das Clínicas pelos serviços prestados, isto é algo que traz orgulho, traz bem-estar, para a gente. Durante alguns anos fui Diretor, até que em um determinado momento termina o mandato daquele Governador e você, como é cargo de confiança, você entrega o cargo e após isto, chegou o momento da cooperativa Unimed. Quer dizer, já me pediam, não só o pessoal da Associação Médica Brasileira que eu já fazia parte de alguma maneira, como da Associação Paulista de Medicina, até que culminou com esse convite para eu participar da administração da Unimed Paulistana, que é isso que eu já disse um pouco para vocês, de estar lá até hoje, e espero terminar orgulhosamente, agora nos próximos meses, terminar com esta minha passagem pela administração da Unimed. É fundamental dizer a vocês que quando nós tivemos a oportunidade de dirigir, a gente tinha dificuldades. A medicina, na época, a medicina chamada mercantilista ou medicina de grupo, ela não trazia bons resultados para os médicos, foi aí que se criou a cooperativa com a finalidade, não de competir, mas de trazer aos médicos melhores soluções para o seu consultório. Na época, a gente tinha um número de usuários muito pequeno, era completamente diferente do que é hoje, vamos dizer, ela, cooperativa, com tão poucos clientes, não solucionava o problema do médico, mas uma coisa importante que nós vivemos nesse período, uma transição, foi quando esta medicina chamada medicina de grupo, ela cresceu. A cooperativa teve que também crescer para melhorar para os médicos e esta fase da medicina brasileira, você veja que a gente não dispunha, como hoje a gente dispõe, dos recursos necessários. Mas foi a partir daí que houve este crescimento da medicina cooperativa, da cooperativa médica e no Estado foram criados várias Unimeds e no Brasil também.


P/1 – E qual o momento histórico mais importante da Unimed Paulistana ao longo de sua história?


R – Neste período agora de crescimento, o Sistema Unimed viveu um período político um pouco conturbado, mas nós que estamos aqui hoje, resolvemos isto. Eu acredito que o momento importante nesta coisa, primeiro foi a fundação do Sistema em 1967 pelo Dr. Edmundo Castilho, que lá em Santos fez a Unimed, posteriormente com a criação de outras Unimeds no Brasil todo e aí a criação de federações, confederações. Este foi um período muito importante e, agora, posteriormente, no caso específico da Paulistana, ela também foi se firmando como uma cooperativa importante, já que ela estava dentro da cidade de São Paulo. Eu vivi esse período, em que muitos médicos cooperados, quando nós fazíamos as nossas reuniões, as nossas assembléias, eles queriam que nós fizéssemos marketing, eu lembro que eu disse: “Nós não vamos fazer marketing, porque nós não temos dinheiro para nada.” – mas pedia paciência e dizia para eles que era tudo uma questão de tempo. Na verdade o tempo vem, o tempo passou e a Unimed Paulistana foi crescendo. Uma coisa importante nesse período foi que sempre nós norteamos que a nossa cooperativa deveria atender à clientela da melhor maneira possível, exigindo dos médicos um bom atendimento. Uma outra coisa, o relacionamento, apesar de que na política ela estava, vamos dizer, alijada do Sistema, nós nunca deixamos, na Unimed Paulistana, de atender ao Sistema Unimed nesta coisa que é a grande ferramenta do cooperativismo, que é o atendimento através do chamado intercâmbio entre uma e outra Unimed. A Unimed Paulistana sempre procurou atender da melhor maneira possível, sempre procurou facilitar para os médicos e para os seus clientes, seus usuários, o atendimento. Com o passar do tempo, veio 1978 e foi criada a Unimed São Paulo aqui na Capital. Essa Unimed São Paulo, tinha uma ação na mesma região da Paulistana, mas não cabe aqui a gente ficar falando dos detalhes de como uma ficou, outra foi, o fato importante é que, por exemplo, a Paulistana sempre quis participar do Sistema, mas não tinha a oportunidade. Essa oportunidade, eu sempre dizia aos médicos, que ela viria e ela veio em 1994, não, ela veio um pouco antes quando numa das eleições aqui das federações, confederações, um grupo entendia melhor que deveria ter a participação da Paulistana. Em 1994, a Unimed Paulistana foi convidada, esse é um período importante, ela foi convidada a participar do Sistema Unimed, no caso aqui na federação das Unimed’s do Estado de São Paulo. Aí começou um desenvolvimento maior, ela passou a crescer também conseguindo um maior número de usuários. A Unimed Paulistana em 1994, quando passa a integrar a Federação do Estado de São Paulo, ganha também um status junto ao Sistema Unimed, porque nesse período as dificuldades que havia para que a Paulistana atendesse foram superadas e ela passou a ter uma ação muito maior dentro do sistema cooperativo. É importante, porque onde está a Unimed Paulistana? A Unimed Paulistana está justamente na Grande São Paulo, que é onde até hoje o Sistema pode crescer, até hoje a Grande São Paulo é o local onde não só nós temos a oportunidade como está acontecendo na prática. A partir de um determinado momento surgiu a Agência Nacional de Saúde que regula, polícia e patrulha o nosso Sistema Cooperativo. Em 1998, é criada a Agência, janeiro de 99 é uma data importante nessa questão do Sistema Cooperativo Unimediano, porque não havia um regulamento, um regimento que geria isso, mas a partir de janeiro de 1999 a gente passou a ter um órgão regulador. A Unimed Paulistana teve a partir daí um crescimento fantástico e por razões outras que não compete a mim analisar, a Unimed São Paulo, que era a outra que estava na Capital, ficou à deriva e por algumas razões ela foi perdendo espaço e a Paulistana ganhando espaço, isso foi em 99. A partir daí o nosso crescimento foi muito grande, em número do que? De conquista de clientes, conquista de usuários, a ponto de hoje aquela cooperativa que quando entramos tinha cinco mil usuários, nós temos mais de um milhão e cem mil usuários, é a maior cooperativa médica do Sistema Unimed e estamos aí.


P/2 – O senhor também desempenhou um papel aqui na Unimed do Brasil?


R – Na verdade eu faço parte hoje da diretoria, eu sou Diretor Financeiro da Unimed do Brasil, eu desempenho este papel também hoje na Unimed do Brasil.


P/1 – E qual é a sua principal realização na Unimed, que o senhor considera?


R – Eu acho que a minha maior realização foi tornar uma cooperativa como está na prática um bom negócio para os médicos. Fizemos uma cooperativa ética, uma cooperativa que tem primado pela eficiência nos seus serviços, além disso a Unimed Paulistana tem uma série de atividades que propicia também aos seus médicos crescimento intelectual técnico, com cursos, nós promovemos cursos de pós-graduação, cursos de MBA [Master of Business administration], cursos de todas as áreas administrativas, a gente procura oferecer tudo isto para que o nosso médico possa crescer também nesta área. Mas ao mesmo tempo, temos tido a oportunidade de fazer congressos, temos feito congressos muito importantes dentro da Unimed Paulistana aqui na Capital. Além de cursos rápidos, alguns workshops, enfim, alguns cursos mais leves, a Unimed Paulistana tem feito um trabalho junto aos cooperados. Por causa desse trabalho também, a gente fez uma negociação com a Fundação Antonio e Helena Zerrenner, que é a proprietária do Hospital Santa Helena, que é o hospital da Antarctica, um hospital de uma boa origem, bem feito e que num determinado momento nós fizemos um negócio em que hoje a gerência, a administração do Hospital Santa Helena é da Unimed Paulistana, é um dos bons hospitais hoje aqui da Capital. Eu tenho a impressão que a minha participação nisto foi fundamental, porque eu percebi que uma das coisas que norteou a resolução da Fundação de fazer a negociação conosco foi a nossa credibilidade dentro da cidade de São Paulo, dentro do cooperativismo. Essa foi uma das coisas boas que aconteceu. Temos procurado incentivar muito a parte não só técnica, mas operacional do nosso hospital e ao mesmo tempo temos ali, no Santa Helena, um centro de estudos e de pesquisa, isto é fundamental neste trabalho de preparo do médico. Mas não é só do médico, eu quero que vocês saibam que lá nós oferecemos também para todos os funcionários, de todas as ordens, oportunidades de cursos, melhorando então o nosso quadro funcional. Nós julgamos fundamental que esta massa de funcionários tenha, cada vez mais, um preparo voltado à melhoria, não só do hospital, mas da própria Unimed. São coisas, que fica difícil até lembrar de tudo que nós estamos fazendo e tudo que nós fizemos nesse período de anos.


P/1 – Bom, em 1990, meados da década de 1990, teve a regulamentação da saúde, dos planos de saúde com a ANS [Agência Nacional de  Saúde], como que foi essa regulamentação, qual foi a decorrência na Unimed como um todo em termos econômicos, como que se refletiu na Unimed? 


R – Ela refletiu e vem refletindo até hoje, na verdade nós tínhamos a lei de quando se fez a Unimed, mas no momento o que faltava para nós era a regulamentação dessa lei. A Agência Nacional de Saúde veio trazer esta regulamentação, ela desempenha um papel e passa a exigir de todas as cooperativas e de todas as operadoras de saúde qualidade, exigindo que todas elas, operadoras, tenham responsabilidade perante a assistência do cliente.


P/1 – Em termos políticos, a gente pode dizer que esse momento conturbado que teve a Unimed pode ser em decorrência também das questões econômicas?


R – Não… não, eu acredito o seguinte, quer dizer, nós temos é que procurar nos adequar também a estas exigências, o governo, ele tem sempre para si uma conduta e para nós outra conduta. Vocês sabem que os impostos estão aí, todo mundo se queixa, não podemos fugir disso. Por outro lado, nas exigências dessas leis a gente está procurando desde esta época nos adequar a uma situação, como é que eu diria, melhoria no relacionamento entre o Governo, através da Agência, e nós, e isso não é só a Cooperativa, todas as operadoras de saúde.


P/1 – Da sua entrada na Unimed Paulistana até hoje, como o senhor definiria a sua relação com os funcionários? Qual foi o funcionário mais importante que o senhor poderia destacar?


R – Eu tenho a felicidade de achar, pelo menos, que tive sempre o melhor relacionamento com todos os funcionários, de todas as camadas, de todas as ordens e, eu sinto por parte dos funcionários um carinho muito especial por mim desde sempre. Nunca tive dificuldade para tratar com os funcionários, nunca tive dificuldade e não me arrependo de tudo o que fiz em prol desses funcionários. Eu acho que o meu relacionamento com os colegas da administração sempre foi o melhor também. E, os cooperados que são os médicos, que são os sócios da cooperativa, eu também mantenho um relacionamento muito de respeito, e tudo que a gente tem feito é sempre pensando primeiro neles, que são os donos. Mas para você poder fazer alguma coisa pelos médicos, você tem que fazer pelos funcionários. Para fazer pelos médicos e pelos funcionários, você tem que fazer para quem? Pelo cliente. A nossa prioridade é o cliente.


P/1 – Qual é o fato mais marcante na sua carreira, na medicina?


R – Ah, difícil, o fato mais marcante? Eu já fiz muita coisa dentro da medicina, já operei sem luva, já operei em, vamos dizer, em ambientes, pronto-socorro que não tinha a menor condição, já operei tórax, já abri peito, tórax e com bom resultado.  Eu já tive oportunidade de fazer parte, como você vê naquelas histórias de alguns livros, alguns romances até, por exemplo, Kronen que é um médico inglês, que tem alguns livros sobre medicina, muitas vezes eu tive oportunidade de acontecer comigo aquilo que ele descrevia nos livros dele; num ambiente sem a mínima condição, numa casa de praia, eu ser chamado, ir lá e resolver um problema de uma retenção de placenta, mas com todo sucesso, é difícil. Eu tive oportunidade, na fazenda, por exemplo, a pessoa sofre um corte importante e eu sem a mínima, mínima não, eu com todas as minhas condições técnicas usei disto e fiz suturas, por exemplo, sem uso de anestésico e, por incrível que pareça, sem sofrimento para o cliente. Como nós fizemos isto eu não sei, eu disse nós, porque aí está envolvido tanto Ele quanto eu.


P/1 – E ao longo da carreira o senhor conseguiu compatibilizar a carreira médica com a função na Unimed?


R – Sim, sempre, sempre, eu desde o momento que, pela história que eu contei um pouquinho para vocês, vocês devem lembrar que à medida que eu fui me profissionalizando, eu fui adquirindo uma série de condições que eu, na prática, apliquei. Tive esta oportunidade de crescer com a profissão, desenvolver com a profissão e uma coisa importante, procurando sempre também compatibilizar com a família, filhos, entendeu? Quer dizer, vocês vejam que dá, dá para fazer.


P/1 – E como é que o senhor vê o Sistema cooperativo hoje na Unimed?


R – Eu vejo o Sistema cooperativo como uma solução muito importante, o cooperativismo, ele traz para todos nós as soluções, para todas as profissões e para todas as especialidades. O sistema cooperativo pelo próprio nome ele diz, nós temos que fazer juntos, nós temos que juntar forças. Não vamos discutir aqui esta política do comunismo, do capitalismo, vocês vejam que, por exemplo, o comunismo se perdeu, não é? O capitalismo é isso que nós estamos discutindo hoje, aí, o mundo inteiro, contrariado com as atitudes do capitalismo e, disso tudo o quê que ficou? O cooperativismo está para nós entre uma coisa e outra, ele nos satisfaz por tudo que é importante de fazer.


P/1 – E os colegas de trabalho, médicos, qual mais o senhor indicaria, para contar a história da Unimed?


R – Bom, para contar a história da Unimed vocês têm alguns elementos aqui dentro. Agora, vocês vão precisar de alguma indicação ou não?


P/1 – Não, que o senhor, citaria como o mais marcante na sua convivência de médico, não exatamente só na Unimed, mas na faculdade, no Hospital das Clínicas…


P/2 – Os amigos que o senhor fez na Unimed durante a sua gestão aqui.


R – Pois é, eu acho que o trabalho desenvolvido pela cooperativa foi muito importante, é importante hoje junto aos médicos, todas as classes médicas, todas, tanto os professores, quanto assistentes, quanto os professores ligados à Faculdade de Medicina, então, o Sistema Cooperativo Unimed hoje é fundamental em todas as áreas. Hoje, por exemplo, é um dia que está assumindo um novo parlamento lá em Brasília, Senado, Câmara dos Deputados e pode estar certo de que nós temos não só muitos médicos cooperados já lá eleitos, como nós temos um grande número de médicos colaborando já na Câmara.


P/1 – E Aliança de médicos, o senhor poderia dizer sucintamente como é que foi?


R – A Aliança, veja bem, essa história da Aliança faz parte daquela história, daquele período em que houve algumas dissensões dentro do Sistema. Algumas coisas políticas e que em um determinado momento houve, como é que eu diria, uma distensão, uma saída, de uma parte do Sistema contrariado com as atitudes que havia, não concordando com todas as deliberações. Um grupo de médicos, e nisto entra a Unimed Paulistana, como ela não fazia parte do Sistema, foi nessa oportunidade que ela foi convidada a participar na formação da Aliança Cooperativista Nacional Unimed. Fui convidado, participei disto e, mas é bom que se diga que ao mesmo tempo, passados alguns anos, eu mesmo aqui no Sistema fui responsável em reagrupar, vamos dizer assim, o Sistema Unimed. Nós estamos num processo ainda de reintegração do Sistema, só que está no fim, está próximo do fim e nesse negócio a Unimed Paulistana foi fundamental. Primeiro quando ela ajudou a criar a Aliança, por outro lado, a própria Unimed do Brasil teve que se ir ajustando a essa nova política. Hoje a Aliança, ela está liquidada em termos de trabalho, mas foi fundamental o trabalho da Paulistana no momento em que nós sentimos a necessidade, nós da Unimed Paulistana, eu particularmente senti a necessidade de tomar, vamos dizer assim, um outro partido, acreditando muito mais na Unimed do Brasil, que nós não fazíamos parte do que na Aliança. Eu não via na Aliança futuro, eu não via na Aliança condições técnicas, administrativas, operacionais para ajudar o nosso cooperativismo. Foi aí que tomamos uma atitude, saímos da Aliança e nesse mesmo mês passamos a integrar a Unimed do Brasil e nesse mesmo ano o Estado de São Paulo como um todo veio junto com a Paulistana engrossar esta fileira da Unimed do Brasil, que é a situação que estamos vivendo hoje.


P/1 – Bom, dentro disso, como o senhor vê a atuação da Unimed do Brasil hoje?


R – Como?


P/1 – Como o senhor vê a atuação da Unimed do Brasil hoje?


R – Eu vejo a atuação da Unimed do Brasil de uma maneira muita positiva, ela oferece às suas cooperativas Singulares condições de ajuda, de sobrevivência, em todas as áreas possíveis, jurídica, técnica. A Unimed do Brasil tem um papel fundamental no sentido de ajudar as outras cooperativas do Sistema.


P/1 – E qual é a sua visão de futuro da Unimed Brasil?


R – O futuro? Eu acho que ela tem que continuar se aprimorando na organização como ela vem procurando fazer nesses últimos anos.


P/1 – Antes de terminar, o senhor poderia dizer o seu estado civil, a sua família, os filhos, o nome da sua esposa.


R – Eu venho de um segundo casamento, é bom que se diga, porque um casamento é fácil, mas eu venho de um segundo casamento onde eu tive três filhos. Foi um casamento que não foi infeliz, foi um casamento que desfeito por condições até eu diria muito especiais, mas eu tenho um filho com 43 anos, eu tenho uma filha com 40 e tenho uma filha com 38 anos. O meu filho já me deu um neto, a minha filha Patrícia me deu, o filho é o Thyrson Júnior, a Patrícia me deu dois netos, o Pedro que já tem 13, 14 anos e a Manuela. A Daniela, 38 anos, casou recentemente, está feliz da vida. O primeiro casamento foi com Nellie El Hage Loureiro de Almeida. Neste segundo casamento, que já faz mais de 25 anos, eu me casei com Maria Cristina Anderaus Loureiro de Almeida e temos uma filha, a Aline, que se formou em Direito, trabalha na Delloite, que é uma empresa grande de consultoria e está com 25 anos e vai bem. Que mais que eu poderia dizer? Eu este ano tive a oportunidade, fazendo um paralelo, da vida da gente como médico, um profissional, e vocês perceberam como eu me emocionei quando eu falei da fazenda. Eu recebi uma fazenda, fiz dela uma fazenda modelo, eu posso dizer assim, e como os filhos são todos adultos, a fazenda é lá na Bela Vista, perto do Pantanal, então eu resolvi vender a fazenda. É claro que houve sentimentos, mas não tem jeito e vendi, vendi muito bem a fazenda, fui feliz na venda e hoje eu ainda sou pecuarista, porque eu tenho gado, eu arrendo o pasto dos outros, tenho a fazenda de um irmão, de uma irmã, ainda me mantenho com esta coisa do pecuarista, da força da fazenda, junto comigo.


P/1 – Bom, legal. O que o senhor acha de a Unimed comemorar os seus 40 anos de vida por meio de um projeto de memória?


R – Eu achei isto fantástico, fantástico, e é um momento também, eu vou ser sincero com vocês, se nós não fizéssemos esse trabalho, nós estaríamos cometendo um erro, uma falha, porque nós temos que colocar, da mesma maneira que eu procurei me colocar, eu como um profissional, como é que eu entrei, como é que eu fiz, onde nasci, tal, quer dizer, a gente tem que, vamos dizer, se colocar profissionalmente, nesse negócio. E os 40 anos, nós temos que deixar isto documentado para que lá na frente outras pessoas possam, possam ver. Eu por exemplo, como é que as pessoas vão saber de mim? Os meus filhos, como é que eles vão saber, meus próprios filhos? Eles podem ter idéias hoje que não correspondem a toda verdade ou estar faltando dados. Não é raro hoje, eu quando converso com meus filhos, “Mas meu pai, o senhor nunca nos falou sobre isto.” – então os 40 anos tem que ser lembrados, tem que ser festejados e outra coisa, como uma coisa boa, positiva, foi algo de bom que se fez,  para os médicos e para população em geral.


P/2 – O senhor gostaria de fazer mais alguma observação?


R – Não, não, falamos muito.


P/1 – Bom, em nome da Unimed e do Museu da Pessoa agradecemos a sua entrevista.



---FIM DA ENTREVISTA---


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