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História

Sou uma pessoa altamente otimista e aceito mudanças com facilidade

História de: Liliana Gomes
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 20/12/2006

Sinopse

Vila Militar. Administração de Empresas na UFRJ. Estágio na Mandala Comércio e Representações. Casamento. Dois anos em Portugal. Natura. Treinamento. Prêmio “Gente de Valor”. Promotora. Mudança para Vitória. Melhoria do setor.

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História completa

P/1 – Eu queria que você começasse se apresentando, dizendo o seu nome completo, o local e a data de nascimento.

 

R – Posso começar? Bom, meu nome é Liliana Gomes, nasci no Rio de Janeiro em 5 de março de 1963.

 

P/1 – E você nasceu onde, no Rio de Janeiro...

 

R – Eu nasci na vila militar...

 

P/1 – Na vila militar?

 

R – Isso, meu pai é militar, eu nasci lá.

 

P/1 – E como chamava ele?

 

R – (Matusalém?).

 

P/1 – E a sua mãe?

 

R – Edenir.

 

P/1 – E eles sempre moraram no Rio?

 

R – Sempre. Não, eles nasceram no interior do Rio e aí foram morar no Rio de Janeiro e lá eu nasci e vivi durante 37 anos, mais ou menos.

 

P/1 – E como foi sua infância na Vila Militar no Rio de Janeiro?

 

R – Foi ótima, eu tenho muita saudade desse tempo, foi muito legal, o tempo que a gente podia brincar com os coleguinhas na frente de casa e na varanda, os pais na varanda, aquela amizade, festinha de final de semana, aquele (hi-fi?), os colegas se juntando, foi muito gostoso, eu tenho muita saudade disso, e lamento não poder proporcionar isso pras minhas filhas, né?

 

P/1 – E você tem irmãos?

 

R – Eu tenho dois irmãos, o Marcos, que é o mais velho, e a Adriana que nasceu 7 anos depois de mim.

 

P/1 – E como é essa relação com os irmãos, com os pais, seu convívio familiar?

 

R – Maravilhosa. Tenho um carinho muito grande pelos dois, mas convivi mais com o meu irmão, porque era 1 ano mais velho do que eu, então a faixa etária mais próxima, a gente brigava muito, mas aquela briga saudável, gostosa mesmo, tanto que hoje a gente tem uma afinidade muito grande, uma amizade muito grande. E aí, depois de 7 anos, veio a minha irmã e eu acho que é normal pintar um pouco de ciúmes, hoje eu vejo até isso, porque eu tenho uma filha fazendo 15 anos e uma com 2, então eu percebo essa diferença, acho que isso é natural, mas foi um relacionamento muito bom entre nós.

 

P/1 – Qual a imagem que você mantém mais forte na tua infância?

 

R – Aí, acho que eram as brincadeiras mesmo, com os meus irmãos, esse lado de tá, de poder ter essa liberdade que eu sinto falta mesmo de poder brincar livremente, sem preocupações, isso eu sinto falta.

 

P/1 – Como foi sua adolescência no Rio de Janeiro, na década de 1970?

 

R – Não foi tão, aí eu fui morar em Resende, que é uma cidade menor, e eu acho que foi no momento certo, porque aí eu pude ter um ciclo de amizades melhor, que meus pais conheciam, morava numa Vila Militar, então a gente sempre saía junto, tinha aquele grupo, era muito bom.

 

P/1 – Mas, com quantos anos você saiu do Rio...

 

R – Eu fui morar em Resende, com 12 pra 11 anos, mais ou menos, aí morei lá até os meus 17 pra 18 anos. Aí eu fui, já vi que Resende já tava pequeno pra mim, que aí eu já tava fazendo vestibular, aí eu queria sair de Resende, eu queria fazer administração de empresas, mas queria fazer numa faculdade boa e aí eu fiz vestibular, passei, e fui estudar na Universidade Rural do Rio de Janeiro, porque onde tinha alojamento, onde eu poderia tá ficando sem problemas de... porque meus pais moravam em Resende, e fui morar na universidade rural, depois fiz uma prova pra ser transferida pra UFRJ, e quando eu fui pra UFRJ, meus pai falaram: “Não, agora você não vai ficar sozinha, agora vamos mudar pro Rio.”, então meus pais voltaram pro Rio pra aí a gente tava morando junto.

 

P/1 – A filha de militar também, ____________, e como foi, em que época você entrou na faculdade?

 

R – Eu entrei em 1981, acho que eu tinha 18, 19 anos, não sei bem a conta mas, entrei em 1981. Foi ótimo, mas a universidade rural começou a trazer problemas também pra mim, porque eu queria fazer estágio, queria trabalhar e a universidade rural é distante de tudo e ficava complicado pra minha área, e também não era um curso muito legal lá, porque era mais voltado pra zootecnia, veterinária, e eu queria fazer administração de empresa, eu queria começar a trabalhar, fazer estágio, eu falei: “Não dá mais pra ficar aqui na rural, eu tenho que ir agora prum lugar que eu possa tá fazendo estágio.”, eu sempre buscava congressos, participava de tudo, seminários, e eu fui participar de um congresso no hotel Glória e lá eu conheci as pessoas da UFRJ e eles falaram: “Não, você vai, faz uma prova, se você passar, você vai conseguir.”, eu achei ótimo, aí eu comecei a trabalhar, fazer estágio, foi muito legal, muito bom.

 

P/1 – Qual foi seu primeiro estágio, você lembra?

 

R – Ah, com certeza, foi na Fênix, empresa de seguros, só que eu fiquei lá 2, 3 meses, aí pintou uma vaga pra trainee na Globex, não, uma que faliu, Brastel, eu comecei a trabalhar na Brastel, 2 meses depois a Brastel faliu, aí eu falei: “Ai, meu Deus, ninguém merece, né?”, aí eu, dali eu parti pro CIEE, que é o Centro de Integração Empresa Escola, pra procurar um estágio, né, que nessa época eu estava estagiando ainda, aí eu consegui, eu tinha duas opções, outro dia eu tava me lembrando disso, eu poderia optar, o CIEE me deu duas opções, você vai numa empresa que eles têm a maior probabilidade que eles querem homem, que é uma empresa grande, tal, quer dizer, grande em termos, é uma empresa mais conhecida, não era uma empresa grande, tinha um nomezinho, ou então, assim: “99% que eles vão querer homem ou então você vai numa outra empresa, que é a Mandala Comércio e Representações.”, a gente representava casas pré-fabricadas, pra tentar um estágio, aí eu falei: “Bom, se eles querem um homem, eu não vou nessa, eu vou na outra, que é a Mandala Comércio e Representações.”, e eu fui lá e era uma empresa pequenininha, só que eu fiquei 5 horas em entrevista, eu falei: “Gente, parece que eu vou entrar numa multinacional.” e muito engraçado porque lá eu conheci o meu marido, quer dizer, tinha que ser mesmo uma Mandala. E foi lá que eu conheci o meu marido e aí a gente começou a namorar depois de um certo tempo e depois de um certo tempo nos casamos, eu comecei lá como estagiária.

 

P/1 – Seu primeiro estágio e casamento, e você foi, como você chegou até a Natura?

 

R – Bom, aí eu tava trabalhando em, depois eu, do estágio eu fui trabalhar no Ponto Frio, era trainee no Ponto Frio, trabalhei alguns meses, depois a gente se mudou pra Portugal. Pintou uma oportunidade em Portugal, meu marido chegou e falou: “Olha, pintou uma oportunidade pra gente trabalhar em Portugal, você quer ir?”, só que isso foi em uma semana: “Você quer ir, agora, tem que ir.”, em uma semana a gente vendeu tudo e, móveis, tudo e tínhamos duas filhas já nessa ocasião e fomos morar em Portugal, moramos lá 2 anos e quando voltei eu falei: “Ah, não quero vender mais nada na minha vida.”, porque eu vendi, apesar de trabalhar, lá eu trabalhava com uma representação de cerveja (Mam?), mas eu começava a pegar uma coisa pra vender, coisa pra vender, tava no sangue aquele negócio, aí eu, voltando pro Brasil, falei: “Eu não quero vender mais nada, agora eu quero arrumar um trabalho legal e tal.” Aí a minha cunhada, esposa do meu irmão, falou pra mim, assim: “Você sempre vendeu tanta coisa, eu tinha uma pessoa que me fornecia Natura e não tá vendendo mais, você não quer vender?”, aí eu falei assim: “Ai, vender Natura, eu não falei que eu não vou vender mais nada?”, “Não, mas você vende tudo, você sempre vendeu.”, eu falei assim: “Ah, tá bom, olha, se eu não vender nada, só pra vender pra você, já tô contente.”, porque ela consome Natura. Comecei a vender Natura só pra vender pra ela, na minha cabeça. De repente, a promotora foi na minha casa, conversou comigo e em uma semana eu já tinha batido a cota pra vender o que tinha que ter vendido durante 1 mês, naquela época. Aí eu falei: “Pô, não tem jeito, vou ter que vender mesmo.”. Aí comecei a vender Natura, trabalhei como consultora, mais ou menos, 1 ano. Aí pintou uma oportunidade pra substituir a minha promotora, que ia entrar de licença maternidade, aí eu fui, me candidatei, cheguei a passar, só que naquela ocasião a Natura do Rio-Sul tava fechando e a secretária que sairia da função de secretária, acabou assumindo esse setor, que eu ia assumir, então, quer dizer, ainda não foi naquele momento que eu entrei, mas depois que pintou a outra oportunidade eles me chamaram. Tanto que, foi muito interessante porque só tinha uma vaga, mas foram algumas candidatas e depois eles gostaram tanto de mim e de uma outra promotora, que me ligou às 7 e meia da manhã pra me dar parabéns, que a gente tá completando 9 anos de Natura hoje e eles abriram duas vagas, no caso, pra poder a gente entrar, foi maravilhoso.

 

P/1 – Hoje você tá completando 9 anos de Natura?

 

R – Exatamente hoje, 9 anos de Natura.

 

P/1 – Como que você sente em relação a essa celebração?

 

R – Ah, assim, uma emoção muito grande, muito bom, sabe, a gente tava até comentando, eu até comentei hoje, engraçado que as pessoas, quanto mais tempo tem de Natura, eu acho que elas vão ficando mais eufóricas, com mais garra, com mais vontade de trabalhar. Você vê pessoas completando 15, 20 anos de Natura, que tão lá, ganhando 105 de prêmio, eu acho isso, assim, maravilhoso porque você vê em outras empresas, pessoas com mais tempo, ela vai ficando cansada, produzindo menos e a Natura é ao contrário, né?

 

P/1 – Quais as premiações que você já ganhou, assim, nesses 9 anos?

 

R – Olha, eu tava num setor no Rio de Janeiro, então o que acontece, assim que eu entrei pra Natura, eu já comecei uma campanha que teve “Gente de Valor”, eu já comecei e ganhei aquela campanha logo no início. Depois eu fui tendo as minhas avaliações e fui sendo promovida, só que, depois, eu vim pra cá, tem 3 anos e meio, mais ou menos, depois de uns 5 anos, mais ou menos isso, eu tava tendo esses prêmios, conseguindo atingir as minhas metas e tudo, mas eu resolvi mudar pra Vitória, então o que aconteceu, eu senti uma certa dificuldade porque eu quis mudar pra Vitória mesmo, foi opção minha de qualidade de vida, mas eu sabia que eu ia enfrentar uma barra, porque era um setor que tava com alguns problemas, que a promotora tinha sido afastada do cargo, a própria gerente falou comigo: “Olha, você vai enfrentar uma barra, você sabe que você vai perder promoção.”, e eu tava sempre sendo promovida no Rio de Janeiro, né: “Olha lá.”, eu falei assim: “Não, se você sabe o que eu vou passar, então tudo bem, a minha preocupação é você achar que o problema sou eu, não sou eu, se você sabe que o setor é assim, então, eu vou levar um tempo pra levantar isso, né?”, ela falou: “Não”, então eu falei: “Não, eu não me importo de perder promoção, por enquanto, eu quero ir pra Vitória, eu quero realmente melhorar a minha qualidade de vida com a minha família, eu vou pra lá.”, aí ela falou assim: “Então tá, então você tem que ir agora, é, assim, daqui a 15 dias você tem que estar lá.”. E a gente não esperava, porque eu tinha terminado um encontro Natura, ela me liga: “Você quer ir pra Vitória? Você tinha falado pra mim que queria, então é agora, ou você vai, ou não vai.”, aí eu falei: “Então, eu vou.”, aí cheguei em casa e falei pro meu marido: “Olha, a gente não queria? Então pintou, tem que ir daqui a 15 dias.”, aí ele falou: “Mais, assim?”, “A gente sempre quis, então, é agora.” Era complicado porque a gente tinha duas filhas adolescentes, estudando, e elas, uma cidade nova, um colégio novo, no meio do ano. Então, meu marido ficou no Rio com as duas e eu fui pra Vitória sozinha, morei 6 meses num apart hotel, trabalhando, trabalhando, trabalhando, com a minha ilusão achava que: “Não, é legal, achava que 6 meses eu recupero o setor e aí quando você chegar, tá tudo jóia.”, mas a realidade não era essa, não foram seis meses, levou tempo, foi bastante complicado porque eu estava com esse setor, aí jóia, começando a levantar a cabeça, e, de repente, sai uma promotora de outro setor e vem mais uma metade de uma enxurrada pro meu setor de uma promotora que também tinha sido afastada do cargo, então, quer dizer, quando eu comecei a levantar vem mais um, várias pessoas, outras consultoras, ficou complicado de novo. Mas fui batalhando, batalhando, colocando em prática a minha experiência e a luta mesmo do dia a dia, buscando o comprometimento das consultoras que é uma coisa diferente, porque quando eu fiz o meu setor no Rio de Janeiro, eu fiz o cadastro, então você consegue aquela parceria mais de perto, aquele olho no olho com a consultora e quando você assume um setor de 300, 400 consultoras que vêm de outra promotora que, querendo ou não querendo vão te comparar o tempo todo, vão ficar te comparando, é muito complicado. Eu sempre falava com a minha gerente: “Olha, tá muito difícil conseguir o comprometimento dessas mulheres, muito difícil, mas eu vou conseguir, eu não desisto.” E era isso que eu buscava o tempo todo, essa parceria mesmo, poder saber que elas podiam contar comigo e eu com elas. E aí, hoje sinto que consegui isso nessa parceria com elas.

 

P/1 – Voltando um pouquinho, no comecinho da Natura, você lembra como foi a entrada, o primeiro dia, a primeira semana, o ambiente, quando você passou na seleção _______?

 

R – Mais, você diz em São Paulo, ou aqui no primeiro momento mesmo?

 

P/1 – Do seu primeiro momento, da sua entrada na Natura...

 

R – Quando eu soube...

 

P/1 – Quando você deixou de ser a consultora e resolveu encarar o desafio de passar pela seleção e conseguiu, como é que foi?

 

R – Ah, eu acho que, assim, igual um casamento, né, você vem com aquela expectativa, aquela coisa, aquela euforia, mas eu acho que mais euforia, ainda não era paixão, porque era aquela euforia: “Ah, meu Deus a Natura e tal.” E fui pra treinamento em São Paulo, adorei, amei o treinamento, mas quando voltei pro meio do trabalho eu falei: “E agora, puta, que legal, muito legal esse treinamento, quando é que eu começo a trabalhar? Aí começa a pintar a insegurança: “O quê eu vou fazer, né?” Então, eu comecei a pedir ajuda pras colegas, pra promotora que me colocou, que me indicou, no caso, que me deu a dica, pra ir lá me inscrever e tal e não me lembro, assim de...

 

P/1 – Esse treinamento aconteceu em São Paulo, o que deu, como é que foi conhecer as outras PVS, provavelmente tinha um grupo?

 

R – Ah sim, foi excelente, a gente ficava nervosa lá na hora, ficava se policiando o tempo todo, mas foi muito gostoso esse entrosamento e você relembra as pessoas que você fez, aquele primeiro momento, a gente não esquece. E o Mauro do treinamento, hoje eu vejo ele aqui, eu penso assim: “Ai, meu Deus, ele não lembra de mim, mas eu não esqueço ele nunca.” 

 

P/1 – O que mais te marcou, te chamou atenção nesse comecinho assim?

 

R – Ah, eu acho que foi a época do treinamento em São Paulo mesmo e uma coisa que a gente brinca até hoje que tinha um, como você se apresentar lá na frente, então a gente tinha que fazer uma representação, então a gente tinha que falar uma história: “O livro (?)”, que tinha...

 

P/1 – O que é isso?

 

R – A gente pegava um livro e tinha que fazer o gesto com a mão, então dá aquela volta pra dar entonação, pra fazer a postura: “Os livros.”, então aquilo eu não esqueço nunca mais.

 

P/1 – Vocês tinham que ficar treinando isso?

 

R – É, a gente tinha que cada um ir lá na frente fazer aquilo ali, ela fazia, a instrutora representou a primeira vez e a gente tinha que botar emoção naquilo e falar exatamente como eu tava falando, acho que aquilo foi muito marcante.

 

P/1 – Você quando vai trabalhar suas consultoras, você tem uma metodologia, você muda sua impostação de voz, ou é___________?

 

R – Não, eu acho que eu mudo um pouco, eu tento ser mais impositiva, eu tento ser mais, eu sou meio professora quando eu tô dando encontro. Então eu gosto das coisas bem colocadas para que elas consigam entender, eu sou meio professora, eu mudo.

 

P/1 – Você disse que no começo, você não tinha se apaixonado ainda, foi primeiro, encantamento, você sabe me dizer exatamente quando que você falou: “Danou-se, estou apaixonada.”...

 

R – Quando eu comecei a trabalhar, quando eu fui pro campo mesmo, sabe, assim, primeiro o momento de tá lá, foi entusiasmo, encantamento, empresa maravilhosa, adorei tudo. Agora, paixão pelo trabalho, pela natura, foi quando eu comecei a trabalhar, o primeiro momento eu já vi que eu nasci pra aquilo, mas engraçado que, quando era consultora, as promotoras ficavam no Rio-Sul, e elas ficavam cada uma numa mesa e tal, e eu falei: “Eu não quero ser consultora, eu quero tá ali, eu quero ser promotora, entendeu, eu já tinha aquela vontade, mas não era paixão, era aquela vontade mesmo de tá ali trabalhando naquele lugar, fazendo aquele tipo de trabalho, de gerenciar pessoas, de administrar, de trabalhar com pessoas. Quando eu fui pra fazer o curso, eu adorei, amei a empresa, mas paixão mesmo pelo trabalho, quando voltei, comecei a entrar no campo mesmo, aí danou-se.

 

P/1 – E como é esse trabalho de campo, assim?

 

R – Ah, é maravilhoso você conhecer pessoas, aprender com elas, pegar um pouquinho da experiência de cada uma, é fantástico.

 

P/1 – Você seleciona, como que a consultora chega?

 

R – Olha, eu tenho muita facilidade de fazer inícios, porque, eu não sei, a minha gerente diz que eu falo com paixão, por isso que eu consigo isso, porque eu gosto muito de trabalhar com a Natura, eu gosto muito de trazer as pessoas pra cá, porque eu sei o que é a Natura, eu sei o que é a empresa, eu sei que ela vai se apaixonar, eu sei que ela vai se dar bem, eu sei que ela vai ganhar dinheiro, que é uma empresa idônea, que é uma empresa que respeita. Eu falo aquilo com uma segurança, com uma tranquilidade, que eu acho que as pessoas percebem isso. Acho que eu passo essa paixão e elas se apaixonam também. Eu falo com as consultoras, hoje em dia eu nem falo mais do encontro, eu só falo pra que elas direcionem para o nosso setor, pra que, é mais importante que ela ganhe uma colega de trabalho do que uma adversária, eu falo isso pra elas, então, pra que elas indiquem pro setor e aí faço o cadastro dessas pessoas, e eu acho que eu passo isso com tanta segurança que eu sempre falo: “Olha, eu sei o que é a Natura, eu sei que ela é boa, agora eu quero que você saiba.”. Falo isso pra ela, acho que aí ela sente isso.

 

P/1 – Você tem alguma história, algum caso engraçado, ou que você fala: “Esse aqui eu vou lembrar pro resto da vida.”, em relação as suas consultoras?

 

R – Engraçado?

 

P/1 – Ou alguma coisa que tenha te tocado fundo?

 

R – Olha, eu vou te contar uma coisa bem recente que aconteceu no meu setor. Foi uma coisa emocionante, não é engraçado. Tem uma consultora, que não é nem uma consultora que se destaque tanto em vendas. Eu, no início do ano, distribuí uma folha pras consultoras e falei: “Olha, eu quero que vocês coloquem nessa folha uma meta pra vocês, nesse ano de 2003. Eu quero que você pense o que você quer pra você, o que você quer chegar em 2003 e falar ‘eu conquistei’. Mas quero que você escreva, eu não quero que você me fale.”. Eu levei essa folha e levei um envelope, aí elas escreveram, colocaram no envelope, eu levei pro escritório, não abri nenhum, tá tudo lá, eu falei: “Não vou abrir nenhum, isso é de vocês, vocês que vão abrir no final do ano.”. E chegou a uns dois encontros atrás, uma consultora muito emocionada no encontro, ela veio falar comigo: “Ai, Liliana, eu queria te agradecer tanto.”. Eu falei: “Menina, por que você tá chorando, o que houve?” “Não, é a emoção, porque eu consegui comprar minha casa, eu coloquei isso no papel e eu consegui, tudo bem que é uma casinha simples, mas eu consegui dar a entrada, eu vou continuar pagando.”. Aquilo foi muito emocionante, e ela veio contar pra mim, in off. Mas eu falei: “Não, isso não pode ficar assim, isso é uma coisa muito maravilhosa pra você não expandir, não dividir isso com as colegas, né?”. Então ela dividiu isso com as colegas e foi muito emocionante, muito legal.

 

P/1 – Da conquista...

 

R – Desse sonho dela, né?

 

P/1 – E os seus, o quê você conseguiu conquistar com a Natura seja no trabalho, seja materialmente ou não, você acha que fez os frutos disso?

 

R – Ah, eu acho que veio um crescimento enorme. Acho que eu mudei muito, uma transformação geral mesmo, como pessoa, como mulher, como mãe, sabe, eu acho que eu cresci muito, muito mesmo. Materialmente falando, acho que vou alcançando os meus sonhos. Eu não tenho um sonho lá, eu tô tendo os meus sonhos e vou alcançando cada um, gradativamente. Consegui a minha casa, eu consegui o meu carro, mas isso é fruto de um trabalho, não é uma coisa que eu sonhei ter isso, eu fui conquistando com o meu trabalho, realizando esse sonho.

 

P/1 – Como que você se define como mulher, como que você, assim, se auto analisa, assim, dentro desse vasto leque de mulheres e de forças que a gente tem?

 

R – Ah, eu acho que eu sou uma pessoa altamente otimista, eu sou uma pessoa que aceito mudanças com facilidade, se eu to indo por um caminho que eu vejo que não tá legal, é hora de mudar, eu vou mudar, sabe, eu não fico batendo na mesma tecla até o final. Eu tô indo por aqui, “pô, tá legal”, eu tô indo, tô vislumbrando coisas mais adiante que vai melhorar mais ainda, ótimo, beleza. O negócio começou a ficar meio morno, “não tá legal mais”, então é hora de mudar, vamos mudar. Acho que tenho essa facilidade de mudança, eu acho que eu sou uma pessoa otimista, eu acho que sou uma pessoa que procuro tá sempre atualizada, procuro me reciclar pra poder melhorar, gosto de aprender.

 

P/1 – Você lembra da sua primeira convenção?

 

R – Olha, a minha memória, assim, não é muito boa, eu tenho uma memória visual muito boa, mas espacial, não é muito legal, então eu fico falando: “Gente, eu não me lembro onde foi a última convenção, como é que foi mesmo?”. Por exemplo, eu conheço várias cidades, se você me perguntar assim: “Como é que era Gramado mesmo?” Não tenho muito essa visão, em contrapartida, nome das pessoas, eu tiro uma foto com câmera digital, de cada consultora, porque eu quero falar todas com o nome delas, eu tenho quase 700, então eu vou, eu quero falar pra ela o seu nome, isso pra mim é importante, agora essa memória espacial não é muito legal, não, agora minha primeira convenção...

 

P/1 – Qual a expectativa, você ficou ansiosa...

 

R – Foi...

 

P/1 – Voltando, Liliana, a gente tava falando da sua, da convenção, da primeira convenção, você lembra alguma coisa, você ficou ansiosa?

 

R – Ai, eu não me lembro muito bem. Eu só me lembro que eu tava muito orgulhosa, porque eu tava entrando recentemente e ganhei aquele prêmio que te falei, que é o “Gente de valor”. Então eu me senti assim, mas, quer dizer, na época foi bom, mas hoje eu vi que eu tava muito estrela, igual artista quando começa a fama. Depois eu fui caindo na real, mas foi muito legal.

 

P/1 – O que era o “Gente de valor”?

 

R – Era uma campanha que a Natura tinha feito com as promotoras e que eu ganhei na ocasião. Aí fiquei toda cheia, começando na empresa já ganho a campanha, né?

 

P/1 – O que você ganhou?

 

R – Ah, eu ganhei um vale compra no cartão de crédito, de 1500 reais, e mais um troféu maravilhoso, que eu tenho até hoje.

 

P/1 – Conta pra gente uma, como você que tá dentro, enxerga essa movimentação das promotoras, durante a convenção...

 

P/1 – Voltando, essa coisa de tá do lado que acontece, essa mobilização da mulherada, da convenção, das roupas, você fica...

 

R – Eufórica?

 

P/1 – Eufórica?

 

R – Ah, a gente fica assim. Bom, já fiquei mais, quando entrei, essa preocupação com roupa, era uma coisa de doido. Primeira coisa falei pra minha promotora: “Pelo amor de Deus, como que é essa convenção, diz que todo mundo tem que ir de longo?”. Ela me emprestou uma fita, quando eu vi, aquela mulherada, que parecia tudo um bolo de noiva, com plumas e paetês, fiquei louca, falei: “Meu Deus, e agora, eu não tenho isso.”, aí eu fui pra costureira e mandei fazer uns quatro, ou cinco, vestido longo, levei pra convenção, só que eu não usei quase nenhum, aí já falei: “Ah, não, isso não é pra mim.” Depois também foi começando a mudar, acho que, aos poucos, as pessoas vão ficando mais normais. Normais não, mais naturais, mais light. Acho que foi melhorando bastante nesse sentido.

 

P/1 – Você acha que existe um pouco de disputa pra ver quem vai tá mais bonita.

 

R – Eu acho que isso é natural da mulher, não tem a ver muito com o local que a gente tá, isso em qualquer lugar que a mulher tá, já é comprovado, que a mulher quer tá bonita pra ela mesma e pras outras, depois pros outros, acho que isso é natural, mas, não disputa, não, uma coisa natural do ser humano.

 

P/1 – Nessa convivência diária e contínua pra nós _________, o que você tem percebido de transformação no universo feminino, na vida das mulheres, alguma coisa tem chamado a sua atenção em relação?

 

R – Ah, com certeza, as mulheres tão cada vez mais se sobressaindo, indo em busca do seu lugar e conquistando eles. A gente vê isso na própria Natura. Eu até comentei isso ontem, quantas mulheres tão lá, como gerente, ocupando o lugar. A própria Exame, colocando isso. Acho que isso é fantástico, e é a realidade. As mulheres, o que a gente faz? A gente trabalha em dupla, tripla jornada, sem abaixar a cabeça e com toda garra. Isso só vem comprovar mesmo a nossa capacidade, né?

 

P/1 – E como você acha que a mulher administra aí o povo, e você administra esse esforço esse fazer, com o marido, com a família, com os filhos?

 

R – Eu acho que com tranquilidade acontece. É claro que nós temos problemas, o dia a dia, com filhos, com o marido, falta de tempo, às vezes, poderia ter dado mais atenção, falta de estar presente, estando presente fisicamente e não estando presente espiritualmente. Às vezes, o filho está falando com a gente, a gente tá pensando no encontro Natura. Mas eu acho que isso faz parte também, mas eu acho que dá pra administrar.

 

P/1 – Liliana, o que ela gosta de fazer além do trabalho, quais são os seus hobbies, tem alguma coisa que você tenha outra direção?

 

R – Ah, eu adoro ler, eu gosto muito de ler, eu gosto muito de passear com as minhas filhas, com a família, caminhar. Então eu chamo: “Vamos caminhar minha filha?”. Eu tenho uma filha com 18, uma com 15 e uma com 2. A de 18: “Ah, mãe, isso aí é pra senhora, pra mim não.”. Eu falei: “Não, mas vamos caminhar junto, em família.”, “Não mãe. Então, eu vou andando de bicicleta e você vai caminhando.”, e eu: “Tá bom!” A gente procura conciliar isso. Meu lazer mais é esse, é caminhar, é uma praia de vez em quando, e leitura, que eu gosto muito.

 

P/1 – Como que você, se pudesse... não, você pode, como você define a beleza de ser uma promotora Natura, o que é isso pra você?

 

R – A beleza de ser uma promotora Natura? É ser apaixonada pela Natura, pela filosofia da Natura, que a gente tem dentro do coração e que a gente espalha pras outras pessoas, porque as pessoas sentem isso na gente, em qualquer momento, em qualquer local que você converse, você deixa isso transparecer, a beleza de ser Natura, de poder trabalhar na Natura, isso é apaixonante.

 

P/1 – Tem mais alguma coisa que você gostaria de contar pra gente?

 

R – Não. Eu gostaria de dizer que pretendo completar os 20 anos que hoje as meninas têm, 25, 30, porque realmente adoro trabalhar na Natura.

 

P/1 – Obrigado, Liliana!

 

R – Obrigado! Espero que tenha ficado bom.

 

 

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