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Sou um pai com medo

História de: heitor
Autor: heitor
Publicado em: 05/12/2016

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Oi! Eu sou uma pessoa de verdade, com sonhos de verdade, com sentimentos de verdade, com dores de verdade. Sou um bom filho, bom pai, bom amigo, bom ouvinte, sou bom em muitas coisas, entretanto não sou bom o bastante para uma pessoa, a mãe do meu filho.

Gostaria de apenas uma coisa de você que está lendo essa carta, atenção. Sei que não é de hoje que nosso relacionamento não está indo bem, sei também que errei muito quando me deixei levar pela beleza e sedução de outra mulher. Sim, eu a traí. Condene-me! Não ligo! Já paguei, estou pagando e vou pagar o preço por esse meu erro, tenho plena consciência disso.

Acho que não estamos mais juntos, ela já deixou bastante implícito que não quer mais nada comigo. Já está morando em outra cidade com a mãe e o nosso filho. Ela está com ódio de mim, com ódio da minha família. Meus pais ainda não conhecem meu filho, que hoje completa 25 dias de nascido. Eles estão loucos para conhecê-lo. Mas o que eles não sabem é que a mãe do neto deles não gosta deles. Ela não sabe diferenciar o que é brincadeira de dois senhores já de idade do que é sério. Não posso afirmar, mas deve ser ódio de mim refletido neles.

Dói-me o coração por saber que eles não têm culpa de nada e mesmo assim são penalizados por meu erro. A pena é a privação de ver o neto deles, único até o momento. Esta é uma carta de dor, esta é uma carta de choro sem lágrimas, um choro interno e dolorido. Maior dor de saber que eu também posso ser privado de ver meu filho amado, não suportarei, já basta a distância que estou dele.

Você já deve estar se perguntando por que mandei essa carta a você, não é mesmo? A resposta é simples. Por não nos conhecermos. Apenas preciso desabafar com alguém. Talvez seja apenas com você ou com 1 milhão de pessoas, não sei, apenas enviei esse e-mail de forma aleatória. Para que saibam que eu sou um pai de 26 anos que está com medo. Com medo de perder seu filho, com medo de ficar longe dele, com medo de perder as fazes mais importantes de sua vida.

O primeiro sorriso, a primeira palavra, o primeiro papai, o primeiro engatinhar, o primeiro andar. Com medo de não poder ensinar um pouco do que eu sei da vida, com medo de não poder ensiná-lo a andar de bicicleta igual meu pai me ensinou, com medo de não poder jogar bola com meu filho, eu nem gosto, mas se ele gostar irei gostar junto com ele, porque é meu filho e eu o amo muito antes de conhece-lo. É nesse momento que meus olhos se enchem e a dor que era interna começa a sair pelos meus olhos em forma de lágrimas...

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