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História

Sou mulher, não sou diferente deles

História de: Maria Cristina Amorim
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 16/12/2006

Sinopse

Maria Cristina relembra sua trajetória na Ambev, desde que entrou como secretária até tornar-se supervisora de vendas do chopp. Conta como é ser uma das únicas mulheres a exercer o cargo. 

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História completa

IDENTIFICAÇÃO Nome, data e local de nascimento Meu nome é Maria Cristina Amorim. Nasci em 14/03/1961, no Rio de Janeiro TRABALHO Ingresso na empresa/Trajetória profissional Estou indo pra nove anos de Companhia. Entrei como Secretária, fiquei um tempo como secretária, depois passei pra analista financeiro, supervisora de marketing, supervisora de vendas da rota e agora como supervisora de vendas do chopp. Eu trabalhava numa outra empresa. E aí um colega meu que trabalhava comigo conhecia o pessoal da Companhia. E aí eu perguntei: “Poxa, você me dá uma ajuda aí. O que é que eu tenho que fazer? Mandar um currículo? Uma coisa assim”. Ele: “É, manda um currículo que de repente você vai ser chamada”. Naquela época ainda era currículo, hoje a gente tem o site da Companhia. Então mandei o currículo e eles me chamaram: “Olha, aqui só tem uma vaga para secretária, se você quiser, essa é a única oportunidade”. Eu falei: “Poxa, eu amo tanto essa Companhia” Que eu passava na rua, eu passava pela Presidente Vargas e aí eu olhava aqueles Brahma escrito lá na Marquês de Sapucaí e eu falava: “Ainda vou trabalhar nessa Companhia”. Eu nunca pensei que eu pudesse, mas era um sonho. E aí eu fui fazer a entrevista e tal, aí ela me deu essa oportunidade de secretária. E logo no período que eu fui entrar na Companhia eu fui atropelada por uma moto lá na cidade, lá no Flamengo. Tudo acontece Então, eu tinha receio assim, tava super preocupada, que eu falei: “Vou chegar lá no exame médico e o cara vai me reprovar, que eu estou toda ferrada, toda roxa”. Aí eu fui para o exame médico, depois deles me aprovarem e tal na entrevista. E eu preocupada pra caramba, mas aí contei para o médico a história da moto. E ele falou: “Não, isso não é problema, vamos só fazer os outros exames, se estiver tudo ok você está na Companhia”. Eu fui trabalhar em Campo Grande, lá no CDD Campo Grande, logo no início do Forró. Como eu disse pra você, eu não acredita mesmo que eu fosse passar pra vendas, nunca acreditava. Porque a gente tinha uma imagem que a Companhia era muito machista. Então eu achava que eu ia fazer meu feijão-com-arroz e não ia acontecer nada demais. Até que foi. Como secretária, veio logo aquela coisa de passar para analista, mas também foram quatro anos. E aí eu queria esse desafio, aí eu fiquei analista pouco tempo e aí até o Bernardo, que era nosso GDD na época, “Ah, vamos dar oportunidade a ela de ser supervisora de marketing”. Eu sabia que ia ser difícil, eu fui pra Niterói, um lugar fora do Rio. Eu chorava o mês todo. Que eu fui, chorava pra ir, chorava pra voltar, mas eu falei: “Não, eu pedi, agora eu tenho que ir até o fim”. Então, assim, eu considero que não tem um desafio único, eu considero que todos os dias é um desafio pra mim. E, como eu disse pra você, eu me preocupo muito em não esmorecer por ser mulher. Então, eu fiquei lá esse um ano como supervisora de marketing. Eu gostei tanto que não queria nem voltar. Depois, quando eu voltei para o Rio voltei também como supervisora de marketing. E aí fui trabalhar com vendas. Que também eu sempre disse que nunca trabalharia, eu falava que eu odiava vendas, que eu nunca ia trabalhar com vendas. Hoje eu trabalho com vendas e vejo o quanto é prazeroso. Você ver os teus vendedores lá: “Bati minha meta”. Eu tenho vendedor que já me ligou e já falou: “Cris, como que eu posso te ajudar, entendeu? Porque eu já estou mais ou menos tranqüilo” Aí eu falo pra ele: “Tranqüilo nada. Todo dia é dia de buscar mais resultado, porque se você está bem, eu posso não estar e seu gerente também”. Então a gente tem que continuar correndo atrás, entendeu? Então assim, eu procuro passar pra eles uma tranqüilidade, pra eles fazerem o deles, mas sempre mostrando que nunca é momento de parar, cada vez que você se mostra melhor, as oportunidades aparecem mais pra você. Acho que é por isso que eu cheguei até aqui, que eu nem sei como. Até teve uma outra oportunidade também, pra trabalhar na área de eventos, e eram também 15 pessoas, duas mulheres. Eu fui até a final, ficou eu e mais um cara. E no final ficou ele porque ele já trabalhava com eventos. Então é legal você ver que, poxa, você chegou quase lá. Então é uma busca constante até de você saber se colocar mesmo e mostrar que você pode ser capaz. Hoje eu vejo que é melhor que ele estivesse lá mesmo e eu estando aqui no chopp, porque eu to aprendendo muito mais com relação a produtos da Companhia, crescimento da Companhia no mercado. Então é muito mais assim legal. MUNDO DO TRABALHO Cotidiano de trabalho Eu estava na rota e queria mudar um pouco. Porque eu gosto de conhecer tudo da Companhia. Se eu pudesse, eu passava em todas as áreas. Porque é uma coisa assim de paixão mesmo, não é por estar fazendo aqui esse trabalho, mas é uma coisa que eu gosto muito. Às vezes, até eu fico pensando que eu dou muito pouca atenção para a família e vivo mais pra cá. Mas eu costumo dizer que a minha família, a primeira família é aqui a Companhia, depois a segunda é lá em casa. Então, eu tava fazendo a rota e aí surgiu essa oportunidade. Aí vieram alguns homens. E eu a única mulher. Eu falei: “Poxa, não vou conseguir. Tantos homens, todos bons”. E aí nós fomos pra entrevista com o gerente. E aí eu fui fazer a entrevista para trabalhar na rota, na orla, na praia. Então, foi com o Marcelo Mário, o pessoal da área de Gente, que é meu gerente até hoje. E aí no final acho que eram 15 ou 13 pessoas, eu era a única mulher, como eu te disse. No final, ele selecionou duas pessoas, que foi eu e um outro amigo que está trabalhando também lá na sala. Eu trabalho com a praia. Na verdade, é toda orla da Prainha à Ilha do Governador e com eventos. A minha área, ela que entrega as bebidas para os eventos. Na verdade, a organização toda é do pessoal lá de Jacarepaguá, eles que fazem o contato com os clientes e tal, fazem a programação de estrutura toda. Depois eles me repassam: “Cris, o que o cliente quer é tanto de cerveja, tanto de refrigerante e tal”. E ai eu vou, passo meu preço, negocio com ele e a gente entrega. E o atendimento na praia, atende todos os quiosques da praia. Com os produtos que a Companhia tem contrato e a gente tem que estar vendendo pra eles pra bater as metas. Até da própria pessoa que contratou a Companhia, que fechou contrato, e do salário dos vendedores também. Bom, o período mais complicado, que eu acho que todo mundo deve ter dito isso, é o final do mês. Que é assim, a gente faz uma análise de tudo que está faltando pra bater, pra cada um conseguir fazer seu 100%, e a gente vai pra dentro, pra rua, assim, contando muito com os parceiros, contando com os amigos: “Me ajuda aqui, compra ali”. É aí que você vê realmente o quanto você está preparada para o seu trabalho. Porque quando você chega no final e vê: “Ainda faltam algumas coisas pra eu atingir” e você não atinge, então você realmente se derrotou. E você vai pra rua e vê que eu consegui, assim, é prazeroso você chegar e falar: “Viu, eu não disse que eu ia bater? E consegui e bati”. Algumas coisas você tem que negociar mesmo, que não tem jeito. Mas outras que você sabe que pode acontecer e quando você tem uma equipe que “Ah, não vai dar, eu acho que não vou conseguir” e você tem que estimular eles. E ainda trazer o resultado para o teu gerente o resultado, é meio pedreira, mas aí quando você consegue é bom. MUNDO DO TRABALHO Relações de trabalho Não, é que eu sou muito assim extrovertida, falante. Então, eu acho... E assim, como a gente na Companhia antigamente era aquela parte muito informal. Hoje a gente continua informal, mas antes a gente era mais liberário, falava muita besteira e tal. Hoje em dia a gente esestá aqui se educando. Então, era fácil pra mim, porque eu adorava falar pra caramba e eles também falavam muito. Então, e tanto que eles contavam histórias mirabolantes e eu ali no meio ouvindo. E achava engraçadíssimo. Então era super natural trabalhar com eles. Então, hoje até o pessoal me pergunta: “E as esposas? Não têm ciúme?” Eu falo: “Não, não tem ciúme”. Porque a primeira coisa que eu procuro fazer é me relacionar bem com elas e passar pra elas a imagem da Companhia em que a gente trabalha realmente. E que é uma coisa que você não tem vontade, você não tem pressa de ir embora, entendeu? Essas coisas... Hoje em dia, a gente tem banco de horas, o gerente fica falando: “Vai embora, vai pra casa”. E a gente está aqui batendo papo um com outro, vendo uma coisa e outra, preparando alguma coisa para o dia seguinte, entendeu? Então, as coisas assim te envolvem muito e aí você acaba trabalhando naturalmente com os homens. Até quando me disseram que vinha outra mulher lá pra sala eu falei: “Opa Mulheres no poder Mais uma” Acabou que ela não veio e eu continuei no meio dos homens Bom, meu grande desafio é me superar como mulher, porque como você mesma disse aqui tem muitos homens e, assim, são poucas as mulheres da área de vendas. As pessoas são mais da área do financeiro, área de gente e tal. Então, eu me cobro muito isso: ficar igual ou melhor que eles. E, assim, a gente tem o ranking aqui de melhor do mês. Então, eu procuro chegar a ser a melhor do mês. E, no ano passado, até eu fui, assim, várias vezes a melhor do mês e aí eu consegui até uma premiação no final do ano. Ganhei uma camisa de fera e um diploma de fera do ano de 2005. Então, isso pra mim, assim, é um prazer imenso. Que aí eu vejo que não é porque eu sou mulher que eu sou diferente deles. O importante é você trabalhar e trazer um resultado para a Companhia tão bom ou melhor que o deles. Então, isso é uma coisa que eu tento me superar a cada dia. Mas o que mais assim foi desafio pra mim foi que na época que eu entrei como supervisora de vendas não existia nenhuma mulher. Então estavam todos os focos voltados: “Será que vai dar certo?” E eu sabia disso. Então eu logo no primeiro mês, eu sem saber muito o que acontecia, mas contando muito também com a equipe, que eu sempre digo. Que o supervisor de vendas é a equipe dele, porque se ele tiver a equipe com ele, ele vai estar sempre bem. Então, a gente logo no primeiro mês conseguiu ficar em primeiro lugar, entendeu? E dali pra lá é só luta. E quando você consegue ser a primeira alguém fala: “Ó, ela é boa Então, toma”. E aí as coisas começam a ficar difícil. Mas já também, já agora esse mês já fechei como primeira do mês, mas foi batalha, esse ano está sendo batalha. Teve uma situação que eu não esqueço. Por isso que eu falo que eu trabalho bem com homem. Que eu falo um monte de besteirol e eles falam mesmo – o nosso também diretor teve aqui no Rio, o Brito. E eu tava na sala de vendas, só eu de mulher e aí ele tava indo embora, o GDD falou: “Cris, leva o Brito no aeroporto”. Eu quase tive um treco, por que como é que eu ia andar? Eu dirigindo com o diretor da Companhia do meu lado? Quem era eu pra levar o diretor para o aeroporto. Eu sei que eu peguei, logo que eu sentei no carro, eu não tinha mania de colocar o cinto de segurança, hoje a gente tem muito, porque o trabalho que eles fazem também é muito bom de segurança aqui, é uma lavagem mesmo para a gente se preocupar com a nossa vida. Então eu já coloquei logo o cinto, naquela época eu não fazia isso. E o telefone tocou, o celular e a gente não pode atender. E eu fiquei sem saber o que eu fazia, eu dirigindo e ele do meu lado. Ele: “Quer que eu atenda o telefone?” Eu falei: “Meu Deus, o diretor da Companhia vai atender meu telefone” Falei: “Por favor, pode atender meu telefone” Aí ele atendeu: “Alô?”. Na época, eu era supervisora de marketing. Aí ele falou com o cara, desligou, falou: “É o seu auxiliar de marketing, ele pediu pra depois você ligar pra ele”. Falei: “Ah, está bom. Muito obrigada”. Eu rodei o Rio de Janeiro inteiro pra chegar no aeroporto. E eu super nervosa, preocupada com ele. Que eu queria assim mandar ele logo para o avião, que eu tava nervosa, e ele me perguntando um monte de coisa e eu: Cá cá cá cá...” Acabou que foi tudo legal, eu mandei assim umas coisas legais pra ele, até falei sobre o marketing como tinha melhorado algumas coisas. Ele queria também ouvir isso, falei sobre algumas coisas que aconteciam na nossa área, nas pessoas que trabalhavam com a gente. E quando eu cheguei na Companhia o mesmo que me mandou levar ele veio pra mim: “Pô, o que é que tu falou pra ele?” E eu falei: “Poxa, foi super tranqüilo. Agora eu já posso dizer que levei o homem pra casa”. Então, assim, isso é uma das coisas assim. Mas, normalmente, o meu dia é muito divertido, entendeu? Por mais que eu me estresse, eu estou sempre procurando uma brincadeira no dia, entendeu? Assim, até para brigar com os vendedores. Pra chamar a atenção deles, eu sempre falo uma gracinha e tal, e com isso, eu não sei, talvez seja isso. Esse ambiente assim meio light que eu levo com eles, que eu acabo conseguindo muitas coisas, entendeu? Eu acho que a gente tem que prezar muito um bom relacionamento, que é isso que dá um bom resultado. Se você tem a sua equipe contigo, dificilmente você não vai atingir os seus resultados. Então, eu estou sempre procurando, às vezes, almoço com um, almoço com outro. Ou então como eles trabalham na praia com o caminhão direto, eles ficam com o caminhão, eu encontro eles, estaciono meu carro, sento na mesinha do quiosque com eles, começo a conversar, mostrar como é que ele está, o que é que ele tem feito, no que é que ele pode melhorar. Então eu acho que esse feedback com os vendedores. Com a minha equipe, que também ajuda muito. Mas, assim, eu realmente procuro fazer sempre o meu dia bem divertido. Não, na verdade, eu acho que eu até falei bastante. Eu sei que eu vou sair daqui e pensar em várias coisas que eu podia ter dito, com certeza, entendeu? Até porque eu tenho histórias assim dos meus gerentes que eu amo de paixão até hoje. Uns já foram, outros ainda estão. Que eles acreditaram em mim, que eu sempre falo isso. Quando eu fui até ganhar a premiação eu quis agradecer, eu fui a única que falei na premiação. O cara até trabalhou numa novela, o cara que tava lá no evento falando com a gente. Eu falei: “Eu posso falar?” E ele: “Pode” Aí eu falei que eu tinha oito anos de Companhia, caminhando pra nove. E que eu tinha que agradecer algumas pessoas que acreditaram em mim. Naquela época, que foi o Guilherme Lebeusk, que eu nunca vou esquecer desse cara. E eu não trabalho com ele já tem um bom tempo, mas ele está lá na C. E o Bernardo. Que deu a maior força. E o Pisca, que é um cara assim maravilhoso, o Marcelo Pisca. E hoje o Ari, que veio aqui na porta até falar aí. E o Marcelo Mário, que por tantas dificuldades que a gente às vezes enfrenta, que às vezes a gente olha assim e fala: “Caramba Isso está acontecendo só por que eu sou mulher? E eles falam: Não, não é nada disso. Não é porque você é mulher, é porque a gente acha que você pode fazer, entendeu? Então, é muito assim você guardar essas coisas das pessoas, você continuar, saber que daqui a pouco eles vão estar de novo aqui perto de você, por que a Companhia tem isso de bom. Você hoje está aqui, amanhã você está ali, depois lá e às vezes você acha que nunca mais vai ver aquela pessoa e a pessoa volta, como teu diretor. Então, isso é que é legal na Companhia, essa coisa de crescimento. Hoje mesmo a gente acabou de receber mais uma notícia de mais um colega nosso que virou supervisor de vendas pra nossa sala, que não tinha. Então essa coisa da Companhia que me dá assim... Eu até tenho receio em falar, porque às vezes as pessoas falam assim: “Ai, que puxa-saco”. Não é puxa-saco não, eu gosto realmente da Companhia. É claro que é difícil pra você, eu que tenho dois filhos, eles querem a mãe perto. Mas se eu pudesse eu passava mesmo o tempo todo por aqui. E como eu faço eventos, eu acabo indo para os eventos. E agora eu consegui uma brechinha, que meu filho está com 16 anos, dele ir junto. Então até agora, até ele está se apaixonando, então está ficando mais fácil pra mim. Só tem a filha de 13 que ainda está difícil, mas daqui a pouco eu também estou carregando ela, se eu conseguir ficar muito mais tempo. PROCESSOS INTERNOS DA EMPRESA Fusão É, na verdade, quando a Antarctica veio a gente tinha muito assim aquela coisa: “Poxa, agora nós vamos ficar maiores”. E a gente queria muito que a coisa acontecesse logo. E gente vindo de outra Companhia, era diferente o processo deles do nosso. Então, vinha gente, outros se adaptavam bem, outros não, iam embora. Mas era uma coisa que a gente já estava esperando assim, um entrosamento. E o legal na Companhia é que você às vezes pensa que a coisa vai ficar tão difícil que não vai dar certo e acaba dando. Então, aí que você vê, você passa a entender algumas coisas. Às vezes eu olhava assim: “Pô, isso não vai acontecer, não tem jeito”. E aí você vai deixando a coisa acontecer e ela vai se alinhando, se ajustando e daqui a pouco o que parecia impossível está acontecendo e, assim, super natural, sem que a gente tenha muitos problemas. É claro que no início você se depara com algumas dificuldades, às vezes até grandes. Como, por exemplo, ter que algumas pessoas saírem. Porque não se adaptaram. Porque não faziam assim o perfil da Companhia, da Brahma. Que eles vieram de fora. Então, assim, você se adapta às pessoas e de repente vão embora. Mas tudo na vida é assim. Uns vêm, outros vão. E a gente tem que se acostumar. É, melhorou muita coisa. Algumas coisas na Companhia que a gente tinha como coisas que seriam impossíveis de acontecer e aconteceram. A gente pode citar aí as mudanças até de melhoria de qualidade de vida para os funcionários. Que é o que eu te digo, a gente trabalha realmente bastante. Mas, eu já tive época de chegar aqui às sete horas da manhã e sair daqui onze horas da noite e assim, eu tinha ainda coisas pra fazer, porque eu queria fazer. De repente, nem era tão necessário, mas eu gostava de estar aqui, é uma coisa que as pessoas às vezes de fora, você percebe que muita gente quer entrar, muita gente quer ser da Companhia e às vezes uns entram e a gente percebe: “Esse daí não fica”. Mas outros que você olha e fala: Esse aí está no sangue, é AmBev, vai ficar. Porque a gente realmente se apaixona, é uma coisa, assim, que te envolve muito. E essa coisa de a gente poder lidar com o GDD, como agora a pouco o Ari veio aqui: “Essa daí eu tenho que ver”. É uma coisa assim muito legal, porque você vê que você é apenas uma supervisora de vendas, ele é o GDD da Companhia e você pode conversar com ele de forma natural, coisas que você não vê em muitas empresas. O cara lá na salinha dele fechada e você lá embaixo na tua área, entendeu? Então, tem muita coisa assim na Companhia que melhora, assim, cada dia mais. Claro que hoje ela faz, assim, uma seleção de quem vai está entrando na Companhia, maior, até porque tem muita gente no mercado. Então, porque é que você vai colocar uma pessoa que você já sabe que não vai ficar? Entendeu? Então, ela hoje já faz uma entrevista mais detalhada, faz uma pesquisa da pessoa, vê realmente o que ela cadastrou no site, se aquilo é realmente real. Que às vezes a pessoa quer tanto vir trabalhar, que escreve tudo, chega na hora e não é nada daquilo. Então, ela faz um trabalho muito mais minucioso e, assim, ela tem acertado bastante com o pessoal que tem entrado. Muitos de nós que estamos aqui, eu vou fazer quase nove anos, espero continuar, ela já sabe que é uma pessoa que aquela ali é guerreira. Vai ficar mesmo e o que eu botar pra ela, ela pode até achar que é difícil, mas ela vai fazer, só pra mostrar que consegue. E é o que eu sinto mesmo, se me der uma coisa que eu sei que é difícil eu reúno minha equipe e falo: “É difícil. Mas simplesmente por ser dificil nós vamos fazer”. É uma coisa assim que a gente tem como desafio e é uma coisa muito legal quando você consegue realizar aquilo. Viu, não falei que era difícil? Mas nós conseguimos. Era difícil, mas não era impossível. Até nisso acho que a Companhia, ela vê, ela se preocupa muito, assim: talvez a pessoa não seja tão preparada tecnicamente, mas ela é uma pessoa que eles sabem que vive pela Companhia, entendeu? UNIDADES DE PRODUÇÃO CDD São Cristóvão, Rio de Janeiro A unidade atende zona sul, zona norte, baixada, é bastante grande. Recreio, Barra, Leblon, Ipanema, Copacabana, Ilha do Governador. É bem grande mesmo. CAUSOS “Subindo na vida” Nossa, como é diferente. Você sabe, houve uma situação engraçadíssima. Eu chego com o carro da Companhia em casa e a minha vizinha: “Cris, vem cá, vem cá”. Aí eu fui até ela: “Parabéns Você subiu na vida, você está muito bem”. Eu falei: “Mas como assim? Não entendi?” “Não, você trabalha na AmBev”. Cara, quando eu parei, que eu ouvi ela falar isso, eu falei: “Caramba, como a minha Companhia é vista”. Então, assim, as pessoas veneram muito. Então, é um prazer assim pessoal e um prazer profissional, porque aqui a gente aprende pra caramba, muita coisa, muita, todo dia é um volume de aprendizado muito grande e as pessoas te vêem como assim uma coisa de outro mundo. Que ela veio, saiu da casa dela, correu, atravessou a rua, pra vir falar isso comigo, entendeu? Nunca esqueço disso, achei assim super legal, as pessoas quererem trabalhar na Companhia, sentir essa vontade. Eu tenho um vizinho que todo dia ele fala comigo: “Será que eu vou pra lá? Será?” “Você já fez o cadastro?” “Já fiz” “Então, aguarda que você vai ser chamado. Aguarda que você vai ter uma oportunidade” Pra você ver a vontade que as pessoas têm. E a gente até brinca falando que a Companhia é multinacional, inter, agora é inter não sei o quê. Aí então a gente fala: “Agora inglês não é mais nada não, tem que falar três línguas”, entendeu? Então assim, é muito, muito legal trabalhar na Companhia, é muito bom mesmo. CULTURA DA EMPRESA Valores Na verdade, eu cheguei a estudar muito sobre a cultura. Até na época dos treinamentos, dos desafios para mudar de área, eu estudava muito. Então agora, até entrou mais um item na cultura que é o consumidor. Então, essa preocupação muito grande com o consumidor, até porque são eles que nos dão resultado. Então eu vejo que se a gente seguir realmente tudo que está ali na cultura da Companhia a gente só tende a continuar sendo a melhor empresa realmente. Porque é muito voltada assim para crescimento do mercado, crescimento seu, entendeu? Crescimento da Companhia e tudo você junto, porque é você que está fazendo aquilo. Eu gosto muito quando o Bernardo faz algumas palestras, porque ele sempre enaltece muito os vendedores. Então eles falam: “Você que é a equipe, você que é o guerreiro, você que é o cara que faz e acontece”, entendeu? Então essas coisas que ele fala que eles conseguem entender que aquilo é verdadeiro é que faz com que a gente continue, entendeu? Na cultura da Companhia e colocando em prática aquilo que ele nos ensina. Fazendo a gente enxergar que somos donos do nosso negócio. PROJETO MEMÓRIA VIVA AmBev Importância da história/Importância dos depoimentos Nossa, acho super importante. Na verdade, eu estranhei um pouco, não entendi o porquê, tanto que eu te perguntei. Mas eu pensei, poxa, se ela está se preocupando com isso, é porque de alguma forma ela quer saber se tudo o que ela está fazendo é importante, tem realmente valor e onde ela pode melhorar, o que é que aqueles funcionários que têm um pouco mais de casa. Estão vendo na Companhia até hoje, por que eles estão na Companhia até hoje? Então isso eu vejo como se fosse assim uma forma da Companhia entender melhor o que acontece e, se possível, melhorar ainda mais as nossas condições, porque também nós que vamos dar o retorno pra ela. Entendeu? E, assim, eu não considero muito tão difícil assim não. Eu acho que no caminho que a Companhia está e eu vejo que algumas grandes melhoras que a gente sempre ouve. “O ano que vem você vai ver outras diferenças, o ano que vem você vai está vendo outras melhoras”. E a gente vê mesmo. Então você por mais que você sinta: “Pô, está difícil”, você consegue ver que a coisa está mudando assim pra você continuar fazendo ela crescer, conseguir atingir a missão dela, a visão dela. Como Companhia, pelo que ela também faz por você. ENTREVISTA Recado Bom, aos meus colegas que estão iniciando, eu quero dizer que não é brincadeira, quem entra para a Companhia achando que vai trabalhar pouco e ganhar muito, eu quero dizer que não é assim. As pessoas entram aqui e elas que crescem, elas que se fazem, elas que se ganham, elas que se pagam, porque se ela levar tudo que é ensinado pra ela logo no início, eles têm treinamento, e colocar em prático e isso na rua. Seja ela de rua ou dentro da Companhia, porque mesmo as áreas administrativas elas têm contato com os clientes. Nós vivemos de venda, nós vivemos de produtos. Então a gente tem que estar o tempo todo com os clientes. Então, que eles acreditem na Companhia assim como eu acreditei, como eu cheguei aqui. Eu tinha 36 anos quando eu entrei, tenho 45 hoje. E eu sabia que a Companhia não admitia gente com a minha idade e eu entrei. Estou aqui até hoje. Poderia ficar um ano, dois e sair, porque a maioria das pessoas aqui têm uma idade mais nova. E, no entanto, eu estou. Então, por que é que eu estou? Porque eu trabalhei pra isso. Então que todos acreditem nisso, que se alguma coisa acontecer de errado que eles busquem saber se o errado não foi eles e, se foi a Companhia, que eles procurem saber antes da coisa acontecer, que com certeza ela vai ter uma saída para a solução do problema. E aqueles que já estão aqui antigos, eu acho que eu não preciso dizer muita coisa, que são pessoas assim tipo eu, que tem realmente amor pela Companhia. E trabalham realmente esperando até que um dia seu filho possa trabalhar aqui, porque às vezes eu penso isso. Meu filho quer fazer medicina, mas quem sabe? Pode ser um trainee. Eu estou fazendo tudo pra isso, depois que eu sair ele pode vir a trabalhar na Companhia, que pra mim seria o maior orgulho, entendeu? Então assim, eu queria falar mais diretamente com essas pessoas que desde que eu comecei na Companhia me deram muito apoio e me mostraram que não era porque eu tinha 36 anos, que eu era mulher, que eu não ia caminhar, caminhei. Tanto que eu te falei que eu cheguei aqui eu era uma simples secretária. E hoje eu continuo sendo uma simples supervisora de chopp, mas que pra Companhia aqui no CDB, a sala do chopp é a maior sala do CDB, é uma sala diferenciada, é uma sala onde eles consideram ter as melhores pessoas. Então, assim, eu entrei eu era só secretária e hoje eu sou considerada uma das melhores pessoas. Então eu acho que isso tem muito a ver da sua dedicação, do seu amor ao trabalho, do seu acreditar em você mesmo e procurar está sempre crescendo. Uma coisa é legal: a Companhia vai te ajudar, mas você também precisa se ajudar. Não chegar aqui: “Ah, eu fiz faculdade e parei”. Não Tem que estar sempre procurando aprender, teu curso de inglês, teu MBA, o que você puder fazer pra ela falar: “Bom, esse cara está querendo crescer como pessoa, então ele quer crescer como profissional”, entendeu? E aí você vai tendo as oportunidades, tá? E só agradecer mesmo, quero continuar aqui até quando a Companhia achar que eu mereço.

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