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Sonho de viajar, graças ao Brasil

História de: Andrea Porcelli
Autor:
Publicado em: 24/03/2016

Sinopse

Andrea Porcelli, nascido em sete de dezembro de 1988, em Latina, na Itália, inicia sua história de vida falando um pouco de sua família de origem humilde e sempre muito unida. Recorda-se com carinho das histórias que sua avó contava durante sua infância, histórias tristes, do período da Segunda Guerra Mundial, mas que o ensinaram muito sobre sua cidade. Narra sua infância, as brincadeiras na rua, as saídas com os amigos para comer pizza e o carinho por sua linda cidade medieval. Andrea optou por fazer a escola científica para poder cursar o ensino superior, quer fazer faculdade de Direito e ser advogado. Em sua escola teve contato com intercambistas, fato que o fez pensar e considerar a possibilidade de viajar. Conta como foi a escolha de fazer intercâmbio para buscar a vivência da interculturalidade, a experiência de morar em um país distante e ficar sozinho procurando autoconhecimento. Relata como recebeu a notícia de que viria ao Brasil e todas etapas seguintes. É intercambista pelo AFS na Bahia, considera sua família hospedeira uma segunda família e adora morar na cidade de Lauro de Freitas.

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História completa

Eu sou Andrea Porcelli. Eu nasci em sete de dezembro de 1998, em uma cidade na Itália que se chama Latina, muito perto de Roma. Meu pai é Franco Porcelli, minha mãe é Frasca Vincenza. Minha mãe e meu pai moravam na mesma cidade, onde eu moro, que não é Latina, mas é uma cidade menor, mais perto de Roma. É no meio, entre a Roma e Latina. A história não é uma história tão boa assim, mas eles se encontraram, eu acho, depois eles namoraram, si sposarano [se casaram], nasceu o meu irmão mais velho, depois de quatro anos, eu. A minha família não é uma família rica, é uma família humilde, só que é também uma parte importante da minha vida contar, porque se eu sou assim agora é [pela] minha família.

A minha infância foi legal. Eu gostei muito. Porque a minha cidade é uma cidade tranquila, com segurança, a gente podia jogar na rua. A gente jogava futebol, a gente saía pra uma pizza. Podia sair também se eu tinha só dez anos, ou só nove anos, a gente podia sair, o problema não era isso, a gente podia fazer tudo. Claro, não podia ficar até meia-noite, mas já pra um menino de nove anos, ficar na rua até dez horas era muito, sentia mais velho do que era. E depois é uma cidade muito, muito linda, é uma cidade medieval, muito velha, e todas as ruas são maravilhosas. Então ficar na rua só pra brincar com amigos, falar, até hoje eu gosto, porque só ficar na minha cidade já é uma coisa maravilhosa. Tem muitas festas medievais, onde a gente usa roupa medieval. Tem corrida de cavalo com jogos medievais. A gente faz isso uma vez por ano e demora uma semana, mais ou menos. É muito legal.

Ano passado foi que escolhi de viajar. Eu nunca tive na minha mente de ficar um ano fora da minha casa, porque eu tenho que falar no começo que adoro a minha vida na Itália. Eu amo a minha vida na Itália. Eu tenho muitos amigos que adoro, tenho bons professores, uma família maravilhosa, e também tenho a namorada. Mas, não sei, eu tinha uma intercambista na minha escola no ano passado, que depois ficou minha grande amiga, e ela chegou aqui o ano passado e era uma pessoa muito gentil, ela sempre falava que era maravilhoso ficar num país novo, aprender uma nova cultura. Eu também queria isso, mas não sabia onde. Eu queria ficar em outro país. E não só por isso, mas eu queria mais ficar sozinho, sozinho de tudo, pra ver se eu conseguia viver, conseguia ficar sozinho. E por isso que eu escolhi morar um ano fora da Itália. Eu contatei o AFS e a gente fez teste, preparação, tudo.

Eu cheguei aqui não sabendo nada. Não sabia que as pessoas eram assim, não sabia que nem todo mundo gosta de futebol. Muitas pessoas gostam de futebol, mas outras pessoas não gostam. Na Itália tem o estereótipo de que brasileiro é só futebol, as mulheres brasileiras sabem só dançar. Eu entendi que não é assim, é tudo diferente. Muitas pessoas acham que você sai na rua no Brasil e vai ser morto, porque é um país com pouca segurança. Muitas pessoas acham que é um país pobre. Eu entendi que não é assim. Claro, é um país pobre, mas não é só pobreza. O estereótipo, eu entendi muito que o estereótipo é falso, sempre falso. E também vim aqui sabendo todo estereótipo. E consegui entender agora que não é isso. Mas um estereótipo que acho bom do Brasil é que eles acham que o Brasil é vivo, você sabe divertir no Brasil. É assim.

Essa família [família hospedeira] aqui eu vou guardar pra sempre. Ah, vou guardar tudo do Brasil, porque é um país maravilhoso, que me ajudou muito a crescer. É um país que gosto. Gosto do calor do Brasil, gosto das praias do Brasil, gosto do lugar do Brasil, gosto da natureza que o Brasil tem. Que a Itália, a Itália é mais construída, tem muitas coisas lindas na Itália, maravilhosas, mas a natureza tem no Brasil. O animal no Brasil. Que na Itália, eu nunca vi um macaco que estava em cima de uma árvore. Aqui acordo de manhã, vou fora de casa, vejo os macacos. É uma coisa maravilhosa, que sempre vou guardar.

Eu quero viajar pra todo o mundo. Queria conhecer todo o mundo, todas as culturas, e talvez falar muitas línguas. Mas isso aqui é um sonho que pode ser realizado, não é, tipo, eu quero a paz do mundo, que é difícil, mais difícil. Eu queria a paz do mundo, mas pra mim, eu queria ter o trabalho que eu quero, que seria advogado, queria ser um bom advogado. E outro sonho que agora tenho, graças ao Brasil, de viajar.

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