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Sonho coletivo

História de: João Bosco Monteiro Lobato
Autor:
Publicado em: 26/01/2022

Sinopse

João Bosco fala sobre sua infância em Bom Sucesso (MG) e das brincadeiras preferidas de sua infância. Em 1967, transferiu-se com a família para Belo Horizonte, onde continuou os estudos. Em julho de 1979 mudou-se para Brasília e passou no vestibular para Biologia na UnB. Posteriormente, por concurso, foi admitido como professor da rede pública; tomou posse em maio de 1985 e logo filiou-se ao SINPRO-DF, onde exerceu intensa militância

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História completa

Aportei em Brasília em julho de 1979. Vim fazer o vestibular na Universidade de Brasília. Acabei fazendo bacharelado em Biologia, só que eu não tinha recursos, lutava com muita dificuldade, trabalhava vendendo produto estudantil na universidade, e o meu orientador orientou-me: “Acho que você deveria fazer não pesquisa, nem bacharelado, porque é muito difícil, você deveria fazer licenciatura”. E eu fiz então licenciatura em Biologia, o que me levou a ser professor. Fiz concurso – naquela época era Fundação Educacional do Distrito Federal, hoje é Secretaria de Educação – em 1984, [passei] e fui chamado. Quando terminei o curso na UnB, não tinha emprego. Eu fui ficar com a minha mãe em Belo Horizonte, e eu com a minha mãe fomos a Vitória, eu tinha um irmão lá. [Um dia, meu irmão avisou]: “Estão te ligando de Brasília para você estar lá amanhã, que a Fundação Educacional do Distrito Federal está lhe chamando para apresentar documentos e tomar posse”. Acabou que eu vim para Brasília, apresentei os documentos e tomei posse no dia 27 de maio de 1985. Acabei de tomar posse e fui me sindicalizar no Sindicato dos Professores no Distrito Federal. A partir dali eu comecei a me envolver com o movimento sindical, O sindicato tem história. [Até] 1979 ainda era uma associação, e tornou-se sindicato. Tinha como presidente o Libério Pimentel, ele teve dois mandatos consecutivos. Em 1986, nós tomamos o sindicato e em 1987 filiamos o sindicato à CUT. Essa gestão de 1986 a 1989 era presidencialista, a Lúcia Carvalho era presidente. Em 1989 começou a surgir uma discussão: mantém o presidencialismo ou transforma-se em direção colegiada? Eu me lembro dos expoentes da categoria. A Lúcia Carvalho era um expoente da categoria, figura importante, reconhecida, veio até ser deputada distrital. Márcio Baiocchi Fracari era um professor respeitado, intervinha na assembleia, todo mundo escutava. Tinha também a Lúcia Moura Iwanow, sempre escreveu muito bem, trabalhava na imprensa do sindicato. E tinha o Walter Ney Valente, o dito Peninha. Citei quatro expoentes. Havia outras figuras, tinham seu lugar, mas esses quatro eram mais influentes e conhecidos na categoria. O SINPRO tem toda uma história, ninguém pode negar, de luta e resistência. O SINPRO participou de todos os grandes momentos que o país atravessou, desde a sua origem, em 1979. O SINPRO sempre esteve presente na luta. Neste momento nós estamos diante de um caos no país, estamos diante de uma situação dramática, trágica. Os professores vão fazer quase dois anos em um tal de ensino à distância, “teletrabalho”, home office. Para mim o grande desafio hoje é pôr fim a esse governo, um desgoverno do traste, inútil, nominado do Palácio do Planalto. Não há solução para a crise sanitária com este desgoverno à frente, em uma situação que eles estão se aproveitando da pandemia para passar a boiada. Estão nos retirando todos os direitos dos trabalhadores. O que mais vão nos tirar? Para mim um sonho sonhado só é apenas um sonho. Agora sonhos que se sonham coletivamente podem virar realidade. Eu luto para sempre ser um revolucionário, que busca revolucionar, transformar aquilo que está à nossa volta e para isso é necessário muita leitura, muito estudo, muita teoria e muita prática. Não adianta teoria sem prática. Está cheio de professor academista que não tem prática nenhuma, mas tem teoria. Eu acho que não basta só a teoria: ela é importante é, mas a prática tem que estar junto.

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