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História de: Antônio José de Almeida
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 25/02/2021

Sinopse

Adolescência em Triunfo, Pernambuco. Mudança para São Paulo. Envolvimento com política. Engajamento em causas sociais. Eventos para a comunidade.

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História completa

Projeto Heliópolis dos sonhos 

Realização Instituto Museu da Pessoa

Entrevista de Antônio José de Almeida

Entrevistado por Renata, Renato

São Paulo, 07 de maio de 2005

Código: HEL_HV001

Transcrito por Maria Carolina Kovaleski Ferreira

Revisado por Valéria Almeida de Almeida

 

 

 

 

 

P1 - Boa tarde, o senhor poderia me dizer o seu nome, o local e a data do seu nascimento?

 

R - Antônio José de Almeida, nascido a 14 de maio de 1959, Triunfo, estado de Pernambuco.

 

P1 - O senhor poderia me falar um pouquinho da sua adolescência, como ela foi?

 

R - A minha adolescência foi difícil, até pelo fato da própria época, nós não tínhamos a facilidade que se tem hoje de esporte, cultura, lazer, então foi uma adolescência típica da época, né? Muito difícil.

 

P/1 - Como o senhor costumava se divertir?

 

R - Eu me divertia jogando pelada de futebol, as vezes brincadeiras de soldado e preso, contando história, brincando. Na época tinha uma brincadeira chamada barra-bandeira, que ficava uma turma de um lado da turma ali do meio, uma turma ficava do lado de cá e outra do lado de lá e colocava um objeto para aquele que conseguisse roubar e se livrar dos outros aí ganhava ponto. Então eram brincadeiras de "ruas".

 

P/2 - O que o senhor quis dizer com o fato de ser a época que marcou a sua adolescência?

 

R - É porque naquela época os adolescentes não tinham a facilidade que temos hoje. A própria tecnologia hoje, você veja, na época nós não tínhamos é... como é? Eu até fico um pouco perdido, mas videogame, por exemplo, desculpa, o videogame, é... tudo que a tecnologia trouxe na época não tinha. Então as nossas brincadeiras eram, digamos assim, bem rudimentares, né? Porque hoje a criança já brinca com o videogame, é... aquilo que você canta nos bares...

 

P1 - Videokê.

 

R - Como?

 

P/1 - Videokê.

 

R – Videokê! Então na nossa época não existia esse tipo de diversão.

 

P/1 - Quando o senhor veio para cá, para Heliópolis?

 

R - Cheguei em maio de 2001.

 

P/1 - Como se deu essa vinda? Por que dessa vinda?

 

R - Olha, eu costumo dizer que a gente vem do Nordeste por três razões, na minha concepção. Falta de perspectiva de vida, descaso do governo e a ilusão. É claro que eu não vim na ilusão, eu vim consciente que em São Paulo a vida era difícil e já imaginava que a vida aqui não era fácil.

 

P/2 - E por que o Heliópolis? Como você conheceu aqui?

 

R - Sempre eu gostei de política, sou militante político desde os meus 18 anos e daí eu conheci alguns companheiros do PT [Partido dos Trabalhadores] que tem muitos no Heliópolis, da UNAS [União de Núcleos, Associações dos Moradores de Heliópolis e Região] aqui de Heliópolis que militam no partido, embora haja, não haja partidarização, a UNAS é uma coisa, o PT é outra, a gente não mistura essas coisas. E daí eu cruzei com eles e estou até hoje nessa luta.

 

P/1 - O que o senhor faz dentro da UNAS?

 

R - Eu sou um dos diretores. Atualmente estou acompanhando o Projeto Rexona e estreitando, digamos, as relações com os parceiros aqui do núcleo de Heliópolis com a executiva da UNAS.

 

P/2 - O que é a UNAS para você? E o Heliópolis para você?

 

R - A UNAS é uma ONG [Organização não governamental] importante que trabalha com ______ promover a cidadania e o desenvolvimento integrado à comunidade, séria, tem atraído vários projetos para cá. E o Heliópolis foi onde eu aprendi muita coisa importante, por sinal, quando eu estou em qualquer local que as pessoas me perguntam onde eu trabalho ou mesmo onde eu morava, eu nunca escondi que trabalho e que morei em Heliópolis.

 

P/1 - O senhor não mora mais?

 

R - Não, porque atualmente eu moro em Arujá, próximo aqui de Guarulhos, mas fico a semana inteira aqui, me desloco só no final de semana até a minha casa.

 

P/1 - E com relação ao evento, quando o senhor ficou sabendo desse evento?

 

R - Pelo fato de estar acompanhando aqui o Projeto Rexona e fiquei sabendo através do próprio pessoal que são parceiros nossos, ou seja, o pessoal do Museu da Pessoa, da Aracati e do Credicard.

 

P/1 - E o que o senhor achou? O que o senhor está achando do evento?

 

R - Acho que fundamental importância, até  volto um pouco na época minha, quando eu te falei sobre a minha adolescência que quando eu era jovem eu não tive essa oportunidade, hoje vocês estão de parabéns e eu fico muito feliz com a importância que tem esse projeto dentro de uma comunidade onde existe muita vulnerabilidade.

 

P/2 - O que você pode acrescentar e nos ajudar para um próximo evento?

 

R - Que o próximo evento, quando fosse fazer qualquer apresentação em telão seria ideal que fosse a noite porque escuro fica melhor para você visualizar, no caos como vocês apresentaram aí os projetos de vocês com entrevistas e tudo, ficou difícil para a gente conhecer as pessoas por conta da luminosidade.

 

P/1 - Muito bem. Agora me conta uma história que te marcou aqui dentro da comunidade, algum fato bom ou ruim que marcou.

 

[interrupção externa inaudível]

 

R - Olha, o bom é hoje estar fazendo parte da UNAS, quero parabenizar todos os parceiros desse projeto, como o Credicard, advogados Tozzini, Museu da Pessoa, Aracati e todos os educadores. Para mim é uma felicidade fazer parte, hoje, da história do Heliópolis. O ruim é ver o descaso por parte dos governantes e muitas vezes a própria...nossa parceira do IEE (IEE?), a Ana falou, a dificuldade que ela tem de conseguir parceiros para esses projetos, e isso me deixa triste, o poder público e a iniciativa privada não tem o conhecimento da importância de um trabalho com a juventude [emocionado].

 

P/2 - E que você acha que o governo, o poder público pode fazer para melhorar esse fato que o senhor se emociona, que fala que é ruim na nossa comunidade?

 

R - O que ele pode melhorar é tendo uma política afirmativa, eu comentava, por exemplo, licença [tira os óculos para enxugar as lágrimas], eu comentava, por exemplo que o governo fala tanto de fome zero, fala tanto de gerar emprego, e por que não cria outros projetos como esse de vocês aqui, que tira você de enveredar por outros caminhos e você aprende a ser protagonista da história da comunidade.

 

P/1 - Para encerrar, o senhor poderia me falar uma frase que o senhor se identifica?

 

R - Estou muito feliz com essa marca, na minha concepção que foi esse evento de hoje, onde vocês se apropriaram dos problemas da comunidade.

 

P/1 - Muito obrigada.

 

P/2 - Muito obrigado.

 

R - De nada, disponha.

 

 

 

_ _ _ FIM DA ENTREVISTA_ _ _

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