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História

Signo de peixes

História de: Silvio Yoiti Katsuragi
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 18/12/2012

Sinopse

A infância no bairro da Lapa e da banca de pescados no Mercado da Lapa, de propriedade de seus pais. Os primeiros passos na profissão que viria a adotar. A atividade comercial da época e da vivência no bairro. O aumento de atribuições no comércio e a maior participação na administração. Análise das relações com fornecedores e clientes, transformadas com o passar dos anos, com o advento de novas tecnologias e outros fatores. O futuro desse tipo de comércio e da atividade comercial em si. A família, a relação afetiva com o bairro e as atividades de lazer.

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História completa

“Desde que me conheço por gente meus pais sempre trabalharam no Mercado da Lapa. Meus pais e eu, porque tive que começar a ajudar na banca com sete anos. Era até engraçado, porque eu era obrigado a acordar às quatro e meia, cinco da manhã, e, quando chegava lá, estava meio dormindo ainda. Então toda hora eu ouvia alguém falar: ‘Acorda, Silvio, acorda.’ A rotina lá funcionava mais ou menos assim: ‘Silvio, pega esse pacote’; ‘Entrega para aquele senhor’; ‘Cobra tanto’. Brincar era raro. Às vezes empinar papagaio, pião, rolimã. Não tinha tanta coisa como hoje. Televisão não pegava bem, não existia videogame. Outra vez você chegava em casa e não tinha luz. Lembro que, quando acabava a luz, os vizinhos punham cadeiras na rua e ficavam proseando até o horário de voltar a luz para você poder terminar de fazer a janta e tomar banho. Outro tipo de brincadeira é que no mercado eu ganhava umas bexigas de ar e ficava passeando pelos corredores. Às vezes eu perdia a bexiga porque ela saía do mercado. Aí eu passava chorando e o dono da banca, que infelizmente já faleceu, pegava e me dava outra. Até uns cinco anos atrás, quando ele ainda ia comprar um peixe lá, na hora que ele ia pagar eu falava: ‘Não, Seu Francesco, esse daí é pela bexiga que o senhor me dava.’ Brincadeira era só isso, porque a maior parte do tempo mesmo eu passava com os funcionários do meu pai. Não sei se posso falar que era brincadeira aprender a limpar peixe, saber o nome de um peixe, conhecer esse, aquele peixe. Naquele tempo o peixe vinha praticamente vivo. Você imagina, para um moleque, chegar assim... O cascudo é difícil de morrer, a lagosta chegava viva, então a minha diversão era ver aquilo ali. Uma vez um funcionário, se chama até Arlindo, ele me passou um serviço... Eu devia estar com uns nove anos, ele falou: ‘Vem cá.’ E eu fui aprender a tirar a escama do peixe. Lembro que ele me deu, como primeira tarefa, escamar 20 quilos de corvina. Ele falou assim: ‘Enquanto você não escamar tudo isso, não te ensino outras coisas.’ Você não entra numa peixaria para escolher serviço; tem que fazer de tudo, não tem jeito. Passou o tempo, quando eu fiz 14 anos, estava administrando a barraca. Mais tarde, quando eu estava no meio do curso de Administração de Empresas, surgiu a oportunidade de meus pais comprarem outra peixaria. E a minha mãe me disse: ‘Você vai seguir nos estudos ou quer continuar nos ajudando?’ Eu falei: ‘Sei que o sonho de vocês é comprar mais uma peixaria, então eu continuo no ramo.’”

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