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História

Sergio Santo: do futebol à barbearia

História de: Sérgio Santo Gagliani Neto
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 22/03/2021

Sinopse

Infância no Parque das Nações, bairro pobre da cidade de Bauru. Da brincadeira de bola nas ruas do bairro até o ingresso na categoria da cidade de Batatais - SP. O talento que o levou para o futebol profissional, as experiências pessoais e profissionais que adquiriu e a lesão que encerrou sua carreira definitivamente. A volta para Bauru. O trabalho como vendedor e o reencontro com uma antiga habilidade. A tendência empreendedora. A Barbearia no Centro da Cidade. A dedicação e os cursos de aperfeiçoamento. O trabalho e a dedicação e o destaque no ramo da estética masculina na cidade. A pandemia e a nova realidade do ramo. O visionarismo e a expansão do negócio para Lençóis Paulista.

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História completa

          Meu nome completo é Sérgio Santo Gagliani Neto, e eu nasci em 30 de abril de 1993, em Bauru. Passei a infância e cresci em uma comunidade chamada Parque das Nações. Era um bairro mais simples, mais humilde. Antigamente, era um bairro um pouco mais perigoso, uma favela.

          Eu cresci jogando bola. Fui atleta profissional e saí de casa muito cedo pra viajar pelo mundo afora, num total de 11 anos. O primeiro clube foi o Batatais; o segundo, o Noroeste de Bauru. E aí fui pra fora, morei em sete estados e no Uruguai. Passei pelo Grêmio, em Porto Alegre; pelo Flamengo, no Rio de Janeiro; pelo Operário, do Mato Grosso; Confiança, de Sergipe; Sete de Setembro, de Pernambuco; Guarani, de Bagé, do Rio Grande do Sul; Defensor, do Uruguai.

          A própria barbearia, em si, começa desde quando eu jogava futebol em categoria de base, porque nos alojamentos, nos hotéis, eu sempre cortava o cabelo da rapaziada. Mas ainda sem curso, sem nada. Então, eu já gostava desde aquela época e fazia pros amigos de graça. Não era nenhum rei do corte, mas eu também tinha uma noção.

          Então, eu saí cedo de casa. Como a gente morava na comunidade, não tinha muitas coisas pra fazer, a não ser brincar de bola. Daí eu acabei pegando gosto e descobri que possuía um certo talento pra continuar, mas devido a uma lesão, eu tive que abandonar em 2014. E do futebol, o que eu mais levei comigo foi a garra, a determinação, porque não tem preguiça, não tem dor. Quem foi do futebol sabe que você mata dois leões por dia e amarra o terceiro.

          Mas aí eu retornei a Bauru em 2014, quando eu parei minha carreira de futebol. Eu estava meio que quebrado, tive que me reerguer, pois perdi muitas coisas por problemas particulares. Voltando a Bauru, trabalhei em duas lojas: na Polishop e na Claro. É aí que eu falo que “Deus tirou o dom das minhas pernas e colocou na boca”. Eu descobri que eu sabia pronunciar, fui um destaque na Polishop, fui o melhor vendedor da região, e na Claro também. Então eu ganhei algumas premiações e me reergui, por causa do dom da comunicação.

          A partir disso, eu me especializei muito no meu ramo. Antes de eu abrir a minha própria barbearia, eu continuei trabalhando para a Claro e fazia os meus cursos. Eu ia pra fora aprender, porque graças a Deus tinha uma moral dentro da loja, e o meu supervisor gostava de mim, ele me ajudava nesse meio tempo, de sair um pouco mais cedo ou trocar o dia da folga pra eu estudar o ramo da barbearia. Então, eu consegui me especializar bem para, daí sim, abrir a nossa porta. Acho que foi isso que fez toda a diferença pra mim. 

          Primeiro, eu fiz um curso básico aqui em Bauru, só pra pegar a prática, mas meus cursos, de fato, foram todos fora. Isso porque o mundo da bola me deixou um pouco mais esperto, e eu comecei a pesquisar quais eram os melhores e procurei buscar o conhecimento com os melhores. Mas ainda faltam algumas coisas, pois eu quero fazer um curso lá fora também.

          E eu trago esse conhecimento pra cá também. Neste último fim de semana, a gente trouxe um barbeiro famoso lá de São Paulo, pra dar um curso específico pra minha equipe. Eu tenho uma unidade em Lençóis, e foi lá o curso. 

          Quanto a este ponto que estou aqui, na Avenida Duque de Caxias, não foi nada muito estudado. Eu passei, olhei e gostei. A gente está em frente ao supermercado Tauste. E na época, eu sabia que o Tauste iria inaugurar logo por aqui. Já a decoração foi toda da minha cabeça, dos lugares por onde eu passei. Eu trouxe um pouco do rústico e do moderno pra dentro da barbearia. Então, tem jogos, uma decoração rústica com moto dentro, com madeiras, com músicas. Tem um sofá um pouco mais aconchegante, uma sala retrô, onde eu estou aqui, que tem uma cadeira de mais de cem anos... é uma sala bem retrozona. E além disso, a gente oferece, acredito eu, quase todo tipo de cerveja pro nosso cliente, pois a gente sabe que hoje o homem gosta. A barbearia já não é mais só corte de cabelo, mas sim um lugar que o cara espairece a mente, desestressa, descansa. Então, a barbearia se tornou mais um point masculino.              

          As lojas pelas quais eu passei, por eu ter sido destaque, ter sido um dos melhores vendedores da região entre mais de 400 vendedores, deram pra mim esse diferencial no atendimento. Eu trouxe isso pra dentro da barbearia. Se você der uma olhada no Google, a gente é a barbearia mais bem avaliada em Bauru, graças ao atendimento que prestamos. O que eu cobro dos meninos aqui é prestar sempre o melhor atendimento para os nossos clientes.

          Meus barbeiros são todos de fora. São de cidades de toda a região. Conforme eu fui ficando conhecido, eles vieram até nós, e a gente abriu a oportunidade. Não foi de início que eu acertei a equipe, mas hoje ela é uma equipe certa. Eu apanhei um pouquinho e agora tenho os funcionários ideais.

          E quando eu quis expandir pra Lençóis, todo mundo me chamou de louco. Enquanto muitos fechavam as portas, eu decidi abrir - e graças a Deus, deu certo. Porque Lençóis é a cidade do futuro. A Bracell, a maior fábrica de celulose do Brasil, foi pra lá, e eu achei que seria produtivo, principalmente para o meu negócio, porque são várias pessoas de fora vindo. Em Lençóis, a nossa barbearia, na minha opinião, é a mais bonita da cidade.  

          Na pandemia, devido ao decreto, a gente teve que fechar a porta. Começamos a atender os clientes nas casas. E por eles gostarem bastante de nós, não nos abandonaram. Depois que o decreto foi dando uma trégua, nós fomos voltando aos poucos pra barbearia.

          Eu tentei me aperfeiçoar em todos os sentidos dentro da barbearia, em todo tipo de barba, de tratamento facial, de barboterapia, até no corte mais clássico, que é aquele todo na tesoura, e também nos mais modernos, como são as mechas coloridas, o blindado, as mechas spike, as mechas fantasy. Então a gente traz de tudo, porque o Brasil está repaginando. Se a gente olhar dez, 15 anos atrás, as barbearias eram simples, eram básicas. Existem vários cortes que chegam aqui, mas quando chegam já estão ultrapassados lá fora. Só que aqui, pra nós, é novo, porque infelizmente o Brasil está atrasado em quase tudo.

          E mesmo assim a gente atende todo tipo de perfil: desde a classe A até a classe C. Tem desde o juiz, o delegado, que sentam na minha cadeira, que são amigos nosso, até o assalariado, até nenê de seis meses... tudo.

 

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