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Ser petroleiro com gratidão.

História de: Rodrigo Sérgio Leal Vasconcelos
Autor: Raquel
Publicado em: 10/06/2021

Sinopse

Apaixonado pelas maquetes de plataformas que via nas feiras de ciências na escola, Rodrigo se formou muito cedo aos 16 anos, mas somente aos 18 ao passar no concurso da Petrobras, conseguiu realizar seu objetivo de fazer parte da equipe Petrobras. Desde então desempenha seu trabalho e criou família trabalhando na Petrobras, principalmente na Reduc.

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História completa

Projeto Fundação Banco do Brasil Realização Instituto Museu da Pessoa Memória Petrobras Entrevista de Rodrigo Sérgio Leal Vasconcelos Entrevistado por Morgana Mazelli Duque de Caxias, 07 de julho de 2009. Código: MPT_REDUC_TM 008 Transcrito por Rosângela Maria Nunes Henriques. Revisado por Caroline Aparecida de Lima P/1 – Vou começar a entrevista pedindo para você dizer o seu nome completo, o local e a data de seu nascimento. R – Meu nome é Rodrigo Sérgio Leal Vasconcelos, nasci em Campos dos Goytacazes no dia 02 de fevereiro de 1968. P/1 – Conta como foi a sua entrada na Petrobras, e quando foi. R – Na verdade a Petrobras sempre foi um objetivo, desde a época de estudos que frequentava as feiras de ciências, né? Tinha as exposições dos stands da Petrobras, era um dos mais visitados naquela época, início dos anos 1980, basicamente finalzinho dos anos 1970, e a gente via as maquetes das plataformas e já tinha um anseio de um dia trabalhar na Petrobras. Aí eu fiz o curso técnico, só que eu me formei muito cedo, me formei com 16 anos e vi todos os meus amigos fazendo a prova do concurso para a Petrobras e indo trabalhar na Petrobras, mas tive que aguardar mais dois anos, foi quando eu consegui fazer o concurso. Eu quis vir morar no Rio de Janeiro e acabei iniciando minha jornada em 1987 no curso de formação. E tem uma peculiaridade com relação a minha etapa de formação como operador, porque foi na mesma época quando eu estava com 18 anos e quando comecei a fazer o curso e estava passando pelas etapas do alistamento militar. Eu tive que fazer o curso de formação para operador, fazendo provas inclusive de segunda chamada para poder conseguir concluir o curso, que foi feito no finalzinho de junho e quando eu assinei o contrato no dia 01 de julho de 1987. No caso na época era operador estagiário, né? Você tinha ainda uma avaliação durante um ano para depois você se tornar operador 1, e segui a carreira, no caso de nível técnico como operador, né? Então eu passei por todas as etapas dentro da Petrobras, sempre trabalhando no setor de águas e afluentes, a minha trajetória toda foi no caso na Reduc [ Refinaria Duque de Caxias], no setor de tratamentos de água e afluentes galgando todos os cargos pertinentes aquela atividade, aquela função, aquele cargo. Que ainda exerço no caso até chegar como técnico de operador sênior que é de acordo com o último plano de cargos e salários. Em outubro do ano passado fui convidado a assumir a gerência do próprio setor que eu sempre trabalhei. Hoje estou gerenciando o setor de águas e afluentes. P/1 – Eu queria que você explicasse um pouco quais são as suas atribuições lá no setor de águas e afluentes. Como funciona lá? R – Bom, nós somos responsáveis por toda parte de tratamento de água para atender, não só a refinaria, na verdade desde a capitação de água bruta, né? Nós temos dois mananciais de água que nos atendem que um no caso é a barragem de Seracuruna, que foi uma barragem exclusivamente construída, ela vem aqui da serra de Petrópolis para atender a refinaria Duque de Caxias e temos também uma tomada de adução lá do sistema de capitação do elevatório do Guandu que é comum as bombas que recalcam água para o tratamento de água que a Cedae [Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro], viabiliza para a grande Rio, né? Então não só temos uma aduçãozinha naquele ponto lá, e nos abastecemos também com água bruta lá do Guandu, e essa água bruta quando chega aqui na área da Reduc nós fazemos um tratamento nela. Então esse tratamento, concerne na questão de você clarificar essa água, tirar os sais dela para que produza vapor e consequentemente energia elétrica para possibilitar todas as condições de produção das unidades que de fato vão processar o petróleo e produzir os nossos combustíveis e outros produtos. Tem outras plantas de gás. Agregado a isso a gente também tem as torres de resfriamento que são utilizadas dentro desse conceito do afluente da água tratada, com a água clarificada temos também a área de influentes que a gente faz todo o tratamento de afluentes da refinaria no que diz respeito a dois sistemas. O sistema de águas oleosas que são, digamos assim, resíduos que as unidades transferem para a gente, para tratamento lá na estação de tratamento de despejos industriais. E temos também o sistema de águas contaminadas que é uma água basicamente de chuva que tem um pouco de contaminação com óleo, a gente então vai para essa estação de tratamento de despejos industriais, o óleo é recuperado para ser reprocessado e a água nós fazemos um tratamento químico biológico dessa água através de um processo de inserção biológico, de inserção de microrganismos para gente poder biodegradar essa água. E tornar então essa água adequada para a emissão lá no nosso órgão receptor que é o Rio Iguaçu, onde nós estamos devidamente inseridos dentro de uma legislação ambiental que tem âmbito federal e estadual onde você tem parâmetros a atender, para poder preservar o meio ambiente que é o nosso muito nobre objetivo, né? Eu costumo colocar aqui para equipe da Reduc que eu me sinto uma pessoa privilegiada não só por ter trabalhado tanto tempo na área de águas e afluentes, devido a nossa responsabilidade, mas o privilégio de poder estar realmente e diretamente contribuindo para a melhoria do meio ambiente, a melhoria da vida. Daquele ambiente e obviamente das pessoas e do Estado e consequentemente do planeta terra. Então é um desafio muito grande, porque cada vez mais você tem que adequar a necessidade que o mercado exige em termos de sustentabilidade, mas não só a sustentabilidade na parte econômica, mas no aspecto ambiental que inclusive é um dos pilares principais da Petrobras, que hoje é a questão de você ter como o SMS [Segurança, Meio Ambiente e Saúde], como valor nas nossas atividades e principal tópico como valor da nossa atividade. Então basicamente é assim: eu enquanto estiver exercendo a atividade operacional galguei todos os níveis até chegar ao cargo de supervisão. Onde você supervisiona uma equipe, mas como operador você justamente opera as plantas e lida diretamente com aspectos de parâmetros de controle temperatura, pressão, vazão do sistema, a qualidade, por exemplo, que a gente tem aqui para você ter uma ideia. Nós produzimos aqui em média cem metros cúbicos por hora de água potável para consumo dentro da refinaria. Então é um volume considerável que você produz de água potável, temos muito orgulho disso, adequando também aos parâmetros dessa água potável à portaria do Ministério da Saúde, que é a portaria 518 para atender toda a área da refinaria. Que hoje é uma área muito grande com um número muito grande de pessoas, então esse é outro orgulho também que nós temos lá no trabalho, que a gente desenvolve no setor de águas e afluentes. Então como operador você faz o controle desses mananciais de água de acordo com os parâmetros estabelecidos e depois como supervisor você supervisiona uma equipe. São cinco equipes de turnos, então você passa a supervisionar um grupo de pessoas e agora como estou como gerente setorial você já tem uma abrangência com todo o setor, tendo o desafio de justamente coordenar uma equipe no sentido de você alinhar as suas ações no dia-a-dia com o foco lá no planejamento estratégico da Petrobras. Que é muito importante a missão da Petrobras. A visão para 2020 foi a última atualização efetuada e essa visão ela está também. E a missão relacionada com o planejamento da área de abastecimento e estendendo aqui o planejamento de gestão da Reduc, que a gente faz o desdobramento até chegar a atividade específica do operador na gerência de divisão que é a gerência de energia, a gerência do setor de águas e afluentes que está concebida como um dos setores da gerência de energia até chegar ao operador. No GD [Gerenciamento de Desempenho], portanto quando você negocia uma meta com o operador para elaborar o GD dele, ela na verdade está relacionada ao planejamento estratégico da Petrobras. Então seria uma das formas que a gente tem de ter responsabilidade, de tornar essa ferramenta que é muito importante e que ela tem que ser bem utilizada. Então essa é uma das atribuições gerenciais, as outras é você conseguir manter seus sistemas com grau de confiabilidade adequada, otimizado. Essa otimização cada vez mais tem que estar direcionada com a perspectiva de controle de custo, você tem hoje uma necessidade de cada vez mais focar essa questão de controle de custos dos seus sistemas, até por uma sustentabilidade da empresa não só para hoje, mas como visão 2020 pelo menos, ou até mais. E ao mesmo tempo dentro de um processo de liderança em que você está sempre buscando um paralelo, a qualidade dos sistemas que já estão operando, uma visão de melhorias nos seus sistemas. Porque a função gerencial também precisa estar atenta a essa questão, eu costumo colocar que dentro de uma filosofia de trabalho, porque você lida com pessoas, né? O maior desafio, um dos maiores objetivos dentro de um processo de liderança é você se tornar dispensável e quando se torna dispensável caracteriza que todo processo está devidamente definido com as pessoas tendo as suas autonomias muito bem conduzidas. Direcionando para todos os objetivos propostos e aí você vê que dentro de toda aquela filosofia de trabalho você torna-se uma pessoa dispensável, porque a condição de trabalho está indo bem e não precisa mais das suas intervenções para que as coisas aconteçam, esse é um grande sonho dentro de um processo de liderança. P/1 – Você explicou direitinho desde lá do planejamento estratégico até o operador, bacana. Agora Rodrigo, você falou aí das preocupações com SMS. O que mudou em relação a isso desde que você entrou até agora? R – Ah, mudou muito, só para você ter uma ideia, quando eu trabalhava na área logo quando eu iniciei na Petrobras, por exemplo, a gente não usava óculos de segurança, nós passamos a usar óculos de segurança, em 1996, 1997 efetivamente quando a gente consolidou a utilização dos óculos de segurança. Então isso aí já é uma sinalização, quando na verdade a norma que regulamentava a utilização já preconizava a utilização dos óculos de segurança em algumas atividades. Mas a gente não tinha essa cultura de utilizar os óculos de segurança, né? A gente não tinha cultura de consolidar a nossas atividades em procedimentos. Procedimentos operacionais consolidados dentro de um sistema, nós passamos a efetuar isso e isso foi um grande fantástico, né? Então a maioria hoje das atividades que você desenvolve como operador, quer seja como alguém que esteja linkado a área de manutenção, eles são procedimentos que estão inseridos dentro de um sistema integrado em toda a área do abastecimento que é o Sinpep [ Sistema Integrado de Padronização Eletrônica da Petrobras], onde todas as pessoas podem acessar os procedimentos, é feita inclusive uma verificação do procedimento, se ele precisa ser atualizado ou não. Então isso foi um ganho bastante significativo para a gente. A gente hoje tem uma metodologia de liberação de trabalhos na área, muito centrada na questão da segurança, ou seja, qualquer atividade ela tem que ter uma análise de risco apurada para que você elimine praticamente todas as lacunas que possam viabilizar a ocorrência de um acidente (troca de fita). Bom, em função da liberação de serviço na área através de uma metodologia, inclusive hoje, nós temos recentemente desde o dia 10 de junho. Nós estamos com um procedimento em toda área de abastecimento, quer dizer, integrada em toda área de abastecimento do sistema de intervenção nas unidades, que concerne todo planejamento operacional, e o planejamento de manutenção com foco na segurança da realização daquele serviço. Do controle da segurança esse foi um ganho recente muito significativo, que está agregando muito valor de segurança a nossas atividades aqui, no que diz respeito a liberação de serviço no dia-a-dia. Que não são poucos, mas a gente não pode abrir mão da segurança, na verdade não um adendo em relação à atividade, mas sendo o fator principal a ser considerado para a realização da atividade, porque nós tínhamos uma cultura anterior da segurança, ela ser digamos assim mais um valor a agregar, ela tem que ser o principal valor. Então eu acho que com essa mudança a gente está felizmente conseguindo implementar em termos de ganho de segurança, nas nossas atividades que vai muito ao encontro de ocorrências que nós tivemos e que trouxeram para Petrobras como um todo, uma reflexão e uma ação muito contundente na questão da consolidação da segurança na sua atividade, que foi o acidente que aconteceu na Baia de Guanabara. Nós tivemos um rompimento de um duto lá, e no Paraná também por rompimento de um duto, lá nós acabamos mandando óleo lá para o rio. Então foram esses dois acidentes que marcaram realmente a empresa, e trouxeram para a empresa uma oportunidade, e ela aproveitou as melhorias que passou a implementar dentro do seu processo de gestão de segurança, meio ambiente e saúde, que foi bastante substancial. Então eu acredito que cada vez mais a Petrobras que hoje já é uma referência, ela caminha para ser uma excelência também no que diz respeito a questões relacionadas à segurança. P/1 – Rodrigo, a gente acompanha que a Reduc vem crescendo um pouco nos últimos anos, né? R – Bastante. P/1 – O que esse crescimento traz de mudança para o seu trabalho? R – Para o meu trabalho muito. Porque ele possibilita que você tenha crescimento e que você coloca mais unidades, unidades de processo e que você tem que adequar a área de utilidade para que permita que essas unidades venham a operar e isso faz com que nós tenhamos lá e estamos tendo novos empreendimentos na área de águas. E afluentes também para que nós possamos adequar os nossos sistemas a essas novas unidades. Então isso traz um desafio muito grande, você gerenciar toda sua logística de trabalho para agregar esses novos empreendimentos às nossas atividades de liberação de serviços, treinamento do efetivo operacional para essas novas unidades que estão sendo recebidas. A integração e a interação que essas novas unidades vão gerar em todos os processos da refinaria como um todo, não só na parte de tratamento de água, mas na área de afluentes também em que nós temos novos empreendimentos já com uma visão de futuro, até para você ter uma adequação mais substancial com relação aos parâmetros de controle que vão ser cada vez mais restritivo. E temos um desafio também da gente, em função de um cenário de restrição de uso de água, e de a gente viabilizar o reuso das águas descartadas. Então, nós temos que reutilizar essa água nos nossos processos e já temos algumas unidades da Petrobras que estão começando a desempenhar essa atividade de reuso de água, e um dos nossos projetos por exemplo, na ampliação da área de água e afluente preconiza também reutilizar parte do volume tratado de água para o nosso uso interno. Então esse é um desafio que vai agregar muito valor a nossa atividade, né? E assim toda vez que você tem uma fonte geradora de mudança, no início é sempre desconfortável. É natural, mas o que nós temos que entender é o quanto essa mudança é importante e o quanto ela objetiva o caminho que nós queremos alcançar. Então aquilo que em um determinado momento pode parecer desconfortável, na verdade é uma necessidade, uma oportunidade para que possamos viabilizar a Reduc como uma unidade de negócio consistente rentável e ambientalmente comprometida com os parâmetros delineados pela legislação ambiental. P/1 – Você falou bem lá atrás em relação ao planejamento de 2020 e tal, de controle de custo, né? Como é que foi sentida essa crise atual aqui na Reduc? R – Ela chegou para a gente obviamente. Na verdade, foi no final de 2008 e certamente a orientação foi para que nós intensificássemos nossos controles. Os controles existiam e nós tivemos que readequá-los a esse cenário cada vez mais, minimizando o desperdício da ordem de material, da ordem de produtos utilizando os nossos processos cada vez mais, quer dizer, já estava otimizado, mas tinha oportunidade de ganho. Então procuramos viabilizar essas oportunidades no sentido de poder contribuir para o cenário da Petrobras dentro desse contexto internacional. Então isso é um compromisso que cada um de nós individualmente realmente tem que buscar para que a empresa possa se manter. E com certeza ela está conseguindo se manter sustentável e poder viabilizar os valores de investimentos para os projetos futuros. Porque hoje a gente tem que ter uma concepção que a Petrobras com sua taxa de crescimento que acontece ano a ano, ela é uma geradora efetiva de emprego para o país, empregos diretos, empregos indiretos. E para a sustentabilidade da empresa é importante a gente ter esse controle efetivo dos custos. Então eu diria que é mais uma oportunidade apesar da turbulência que principalmente na fase inicial ela acontece, mas é mais uma oportunidade de nós inserirmos aí o controle de custos efetivos as nossas atividades, como valor e aproveitando essa oportunidade de consolidar um processo que seja bastante sólido para os anos futuros, né? P/1 – Rodrigo e desses 22 anos aqui? R – Completados agora no dia 01 de julho, né. P/1 – Aqui da Reduc tem alguma história interessante para contar para a gente? R – Ah, eu tenho sim, tenho muitas histórias aqui, porque para você ter uma ideia eu trabalhei 21 anos em turno. Sempre trabalhei em turnos, em alguns momentos eu fui para o horário administrativo, por exemplo para desempenhar algumas atividades mais específicas, mas eu fiquei 21 anos trabalhando em turnos, então foi praticamente meu primeiro emprego, eu comecei com 19 anos, lembro a primeira vez que eu cheguei aqui, o meu primeiro dia de trabalho no turno foi em uma madrugada, era o que a gente denomina zero hora. Vim trabalhar na 0 hora e a madrugada toda começando a aprender as atividades e no final de zero hora, eu cheguei na época para o operador chefe que na época era o operador três, e falei com ele que eu tinha gostado muito de trabalhar na 0 hora. Aí ele falou assim: “olha rapaz eu até fico feliz em saber que você tenha gostado muito de trabalhar na 0 hora, mas espera um pouco mais de tempo, trabalhe em turno para que você possa realmente opinar, para que você tenha se adaptado bem ali tem que ter um pouco mais de tempo. ” Porque altera muito a sua vida social, altera muito o contexto do seu ritmo biológico, físico, né? E realmente ele tinha razão, mas felizmente para mim sempre me adaptei ao turno, sempre gostei muito de trabalhar em turno e em todos esses anos eu costumo falar para as pessoas que eu entrei aqui um menino e através do convívio com as pessoas, do quanto eu fui aprendendo com elas, quer seja no aspecto profissional como na atividade como operador. Mas principalmente no aspecto humano e na minha formação como pessoa. Então muito do que sou hoje como pessoa e como profissional, eu devo ao convívio com essas pessoas que alguns ainda estão comigo, outros já se aposentaram e outros infelizmente já faleceram, eu diria em um contexto bem fortificado da família Petrobras. Então eu diria que a minha formação total eu devo muito a Petrobras, como tudo, né? Dentro desse contexto tem eventos muito interessantes que aconteceram comigo, quando eu era estagiário tinha acabado de aprender a dirigir e tinha uma viatura lá no nosso setor e eu vim trazer a viatura para fazer limpeza que é uma rotina que tem lá. E quando fui manobrar o carro eu acabei batendo em outro carro na traseira, eu era novo de casa, preocupado, eu chamei o meu operador chefe, ele veio e tal e nesse tempo, nesse ínterim eu depois fiquei sabendo que o carro que eu tinha batido tinha sido o carro do chefe. Na época era superintendente da refinaria, hoje seria o gerente geral, né? E eu fiquei sabendo que eu tinha batido um carro do superintendente da refinaria, então aquilo para mim foi um susto. Obviamente eu não consegui dormir naquele dia até ter do próprio superintendente uma conversa comigo me tranquilizando, que foi um acidente, eu não tinha percebido que na verdade foi uma junção de reis que aconteceram, teve uma contribuição tanto minha quanto na do outro motorista, mas já tinha acontecido, não tinha problema a viatura ia ser reparada, mas eu fiquei alguns dias ali sem conseguir ter tranquilidade, eu fiquei achado que obviamente ia ter algum desdobramento. P/1 – Que situação bater no carro do chefe. R – Exatamente. Mas a maioria das histórias, tem muitas histórias de situação de emergência que você vivencia, e quando você contorna vê o quanto é importante o trabalho em equipe. O quanto é prazeroso você deparar com uma situação crítica, um problema e conseguir contornar, resolver e trazer para aquela condição normal. Isso é uma satisfação muito grande, você poder manter o teu processo apesar daquela instabilidade momentânea para ele retornar à normalidade. Isso de certa forma você leva para a vida, porque aqui a atividade que a gente tem é uma atividade praticamente similar a que você tem de um piloto de avião. Você recebe o teu serviço e tem que fazer um checklist e tem que estar treinado para situações emergenciais. Então isso de certa forma você leva para tua vida lá fora, agrega muito valor na tua vida com relação à segurança. Quando você está em um ambiente dentro de casa, você tem várias situações igual eu, por exemplo, eu estou com dois filhos pequenos, então você tem várias situações que comprometem a segurança dentro do ambiente de casa e de repente um sapato que você deixa no meio do caminho a pessoa pode tropeçar, pode machucar, e aqui você aprende muito em relação a isso e acaba levando para a tua vida. Então eu acho que dentro de todos esses 22 anos que trabalho na Petrobras esse é um dos grandes valores de aprendizado que eu tenho na minha vida, que é a questão da segurança e também do sentimento de trabalhar na Petrobras, em uma empresa como a Petrobras, o orgulho de fazer parte da família petroleira dessa empresa. Como ela existiu ou como ela iniciou, o que ela é hoje, o que ela pretende ser amanhã e você ser, digamos assim, o elo dessa grande corrente, e você está contribuindo para isso é um orgulho muito grande, uma satisfação muito grande. Hoje que eu estou como gerente é outra etapa profissional na minha carreira, então novos desafios estão surgindo, novas contribuições que eu tenho a dar para que a empresa melhore cada vez mais seus processos. E uma peculiaridade que eu estava na verdade no ano passado por um contexto familiar é que a minha esposa é de Salvador, eu estava viabilizando a minha transferência para Bahia, eu já tinha inclusive desfeito de minhas propriedades particulares, do meu apartamento e já tinha comprado casa lá. Estava tudo certo a mudança, quando surgiu esse desafio de assumir a gerência aqui do setor que eu trabalhava, eu tive que dar 360 graus e está sendo muito prazeroso para mim desempenhar essa atividade, de continuar contribuindo para o setor que eu sempre trabalhei, e para a refinaria em um processo de melhoria. Então essa é uma história que eu acho que é muito especial para mim. Essa mudança de rumo que eu tive que fazer no dia-a-dia. Tivemos também situações bastante peculiares no que diz respeito a situações de greve, principalmente a greve de 1995, a greve de 1995 foram 31 dias de greve, então isso teve uma grande repercussão e eu participei ativamente, fiquei trabalhando aqui dentro no período da greve, então vivenciei aquele processo e para você ter ideia eu guardo até hoje uma foto do Jornal O Globo, na primeira página do Globo que foi quando nós encerramos a greve que as pessoas estavam entrando aqui, passando pelo arco na avenida principal da refinaria e por eu ter ficado aqui alguns dias, eu estava com uma barba enorme, e aparece bem nítido a foto com uma barbona, aquela barba tipo aquele náufrago do filme; O Náufrago do Tom Hanks, é uma história bem forte para mim também, esse momento aí de 1995. P/1 – Legal. E Rodrigo o que é para você ser petroleiro? R – Olha, ser petroleiro para mim antes de tudo é a consolidação da capacidade do brasileiro, se você parar hoje para refletir sobre a contribuição de brasileiros em várias áreas no mundo áreas de ciências, áreas de tecnologias, áreas de energia nuclear, elas são muito contundentes. Então ser petroleiro para mim é o orgulho de ser brasileiro e poder efetivamente trabalhar em uma empresa como a Petrobras, que é uma empresa genuinamente brasileira e o quanto o trabalho que eu exerço e obviamente os resultados que a Petrobras alcança são importantes para o Brasil e para o mundo, porque hoje nós temos a Petrobras como uma empresa de referência no mundo. É uma felicidade muito grande você poder ser, digamos assim, um elemento que está conduzindo o país e para um patamar muito proveitoso e um cenário muito bom, não só hoje, mas com futuro. Então fazer parte da Petrobras para mim é uma satisfação muito grande e emocionante assim por isso que eu fiquei muito feliz de estar aqui dando esse depoimento, porque basicamente eu comecei a minha atividade na Petrobras. Eu trabalhei só dois meses como balconista em uma loja de brinquedo antes de entrar na Petrobras. Eu tenho certeza que tem inúmeras pessoas com essa mesma característica minha, de começar na Petrobras e ainda estão nela até se aposentar. Então eu diria para você que a Petrobras é parte da minha vida, parte da minha história é parte da história da Petrobras. P/1 – Rodrigo, eu queria encerrar a nossa entrevista perguntando o que você achou de ter participado do Projeto Memória Petrobras e ter contado aqui um pouquinho da sua história para a gente? R – Olha, é uma oportunidade muito grande. Eu me sinto muito feliz em estar aqui dando esse depoimento e eu tenho absoluta certeza que eu contribuo um pouco com minha história. Tenho um amigo que fala que muitas das vezes você correlacionar o sentido da existência da vida, muitas vezes a gente consolida a nossa existência em fotos que ficam em porta retratos. Então poder ter a oportunidade de estar dando esse depoimento para memória Petrobras é uma oportunidade de consolidar uma contribuição para que as pessoas possam ter esse depoimento amanhã, daqui a 10, 30, 40 anos e sempre com o objetivo de aproveitar essa oportunidade e colocar alguma questão que seja importante para o crescimento de quem estiver assistindo isso amanhã, quer seja profissional, quer seja como pessoa. Então obrigado pela oportunidade, me sinto muito feliz em poder estar aqui dando esse depoimento. Obrigado mesmo. P/1 – Obrigada a você.
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