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Ser músico exige coragem

História de: Robertinho Brant (Roberto Lúcio Rocha Brant Filho)
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 27/10/2005

Sinopse

Ao relembrar de sua infância, Robertinho Brant fala de como sua casa foi preenchida pela música. Seus pais e avós sempre escutaram muita música, principalmente música popular brasileira e música americana. Desde novinho escutava músicas em seu quarto. Relembra como decidiu se tornar músico, sua certeza veio enquanto estava no Seminário de Música Instrumental Brasileira em Ouro Preto. Em seu depoimento, também conta sobre a importância e influência do Clube da Esquina em sua vida e na vida dos futuros músicos.

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História completa

P- Bom dia, obrigada por ter vindo dar esse depoimento. Eu gostaria que você começasse falando seu nome completo, data e local de nascimento.

 

R- Meu nome é Roberto Lúcio Rocha Brant Filho, nasci em 1967, dia da sorte no mês de agosto, 13 de agosto de 1967, e o que mais que mais que você tinha me perguntado?

 

P- O local?

 

R- Belo Horizonte.

 

P- O nome dos seus pais?

 

R- Roberto Lúcio Rocha Brant e Ana Maria Amorim Brant.

 

P- Qual é a ligação da sua família com a música?

 

R- A ligação com a música é muito grande, desde muito cedo eu ouço falar que a família inteira ouve muita música, os irmãos todos, o meu pai, sempre ouviram muita música e isso se agravou mais, entre aspas, depois que o Fernando conheceu o Milton. Aí com o conhecimento do Milton, do Lô, do Beto, desse povo todo, aí a música entrou de vez na casa dos meus pais, dos meus avós, na verdade, na época. Então eu desde muito novo ia muito à casa dos meus avós e eu sempre ouvia os disco que estavam saindo aqui de Minas, da música brasileira ou mesmo da música americana que chegavam lá ou por intermédio do Fernando ou até do meu pai também, que é o irmão mais velho da família. E desde muito cedo também na minha casa eu ouço música no meu quarto desde que eu me entendo, com quatro, cinco anos de idade, porque eu tinha e tenho o hábito de ouvir música um pouco mais alto do que o normal e eu então ouvia no meu quarto antes de dormir as músicas, porque ele sempre ouvia nas noites e aos finais de semana. Então eu desde muito cedo tive o privilégio de ouvir muita música boa, os grandes discos americanos até os grandes discos de música brasileira.

 

P- O que você tem de lembrança mais antiga de alguma música que você tenha ouvido e que tenha te tocado?

 

R- Eu me lembro muito das músicas americanas, músicas do Bart Baccarat, eu ouvia sempre um álbum dele, Simon & Garfunkel, ele também costumava ouvir e eu gostava muito, Beatles e a música aqui de Minas Gerais, em especial a música que o Milton fazia, o Lô, o Beto,o Toninho. Desde muito cedo eu ouvia esses discos quando eles estavam saindo, na época áurea de 1971, 1972, depois 1979, então isso ficou na minha cabeça completamente.

 

P- E como foi o seu interesse por tocar algum instrumento?

 

R- O lance de eu me ver como músico mesmo, na infância eu não pensava nisso não, só comecei a pensar nisso mesmo aos doze, treze anos, quando o Milton com o Wagner Tiso fizeram uma escola de música aqui em Belo Horizonte, era Escola Livre de Música Minas e como o Milton é o padrinho da minha irmã Marcela, a gente sempre teve uma relação, eu o considero como meu tio também. A gente resolveu entrar, mas muito mais por solidariedade, “Vamos entrar nessa escola pra gente ficar mais perto dele, o Bituca deve estar lá de vez em quando, aí a gente vai poder vê-lo”. Eu, no primeiro ano, me lembro que eu era um dos alunos menos aplicados da escola. Mas a partir do segundo ano a ficha caiu, eu não sei o que me deu que eu comecei a estudar e comecei a levar mais a sério e isso aconteceu de tal forma que eu fiz a Marcela sair da escola. Eu comecei a estudar violão na minha casa por vinte horas e ela ficou até enjoada de me ver tocando e saiu. Mas ela era muito melhor aluna no começo, muito mais aplicada e disciplinada do que eu, e ela acabou saindo da escola e eu continuei. Aí depois eu montei grupo com alguns músicos que hoje são músicos da cidade, compositores como Flávio Henrique, o André Queiroz, que é o Limão, um baterista da cidade, mais o Serginho Silva também percussionista, eles todos começaram junto comigo em grupos de 1981, 1982 mais ou menos. Daí a gente começou, eu fazia as músicas, o Flávio tocava baixo, o Serginho tocava as percussões, o Limão bateria. E logo em seguida o que me fez mesmo ter certeza que a música não ia mais sair da minha vida foi um seminário que aconteceu em 1986 em Ouro Preto, Seminário de Música Instrumental Brasileira. A gente ficou lá o mês de julho inteiro, vieram músicos do sul, do norte, eu tinha dezessete anos mais ou menos e naquele mês inteiro ali de música eu tive certeza que a música não ia sair mais da minha vida.

 

P- Robertinho, conta pra gente um pouco mais sobre esse seminário de 1986.

 

R- O Seminário de 1986, eu já tinha dezessete anos e na verdade eu esqueci de dizer também que dos quinze aos dezessete anos, de 1984 até 1985, 1897, eu devo ter ouvido mais ou menos quatro a cinco horas de música por dia e dentre essas quatro ou cincos horas, no mínimo quatro, dessas cinco horas, ou às quatro horas cheias, quando eram quatro, eu ouvia músicas do Lô ou do Beto, ou do Milton, ou do Toninho. Então foi na adolescência que eu realmente embarquei de cabeça na música do Clube da Esquina e ela me influenciou até hoje e é uma matéria prima que eu ainda vou usar pelo resto da minha vida. Mas em 1986 eu fui para Ouro Preto para esse Seminário de Música Instrumental e junto comigo foram todos os músicos ou os que pretendiam ser músicos como eu, que tinham entre dezesseis e dezessete anos, até quem tinha vinte, 22 anos, eram quase todos jovens e lá a gente esbarrava com música o tempo todo no meio da rua. Nessa época não houve Festival de Inverno, nesse ano houve só Festival de Música instrumental mesmo. Então a gente encontrava lá desde de Dori Caymmi, Hermeto Pascoal, os músicos todos, Arthur Maia, Rick Pathogens, Zimbo Trio, haviam shows todas as noites, workshops todas as noites. O Dori Caymmi, eu me lembro muito bem, ele foi pra lá para ficar dois dias e ficou quinze dias e a gente teve a chance de ficar com ele quase todas as tardes, ele ficou lá no final da tarde depois das aulas fazendo som e no final ele tocava as músicas dele e a gente cantava para o dia acabar e a noite se iniciar. Então isso foi inesquecível, ele ficou muito emocionado também com aquele clima de interesse dos jovens todos pela música. Então esses 25 dias lá foram inesquecíveis acho que pra mim e para a maioria dos músicos de Belo Horizonte da minha geração que hoje continuam como músicos e que talvez tenha sido um marco importante na vida de todo mundo. Acho que talvez eu até faça um disco instrumental, eu não tenho um disco meu solo instrumental. Em 2006, em homenagem aos vinte anos do Seminário.

 

P- Você falou que ouviu na adolescência muito o Clube da Esquina. Que tipo de inovação você acha que eles trouxeram para a música brasileira e do mundo?

 

R- Eu acho que o Clube da Esquina dentro do caráter internacionalizado que a música brasileira passou a ter depois da década de sessenta com a Bossa Nova, internacionalizado por que? Eu quero dizer, o Caetano e Gil já falam muito isso, porque houve esse aspecto antropofágico, os compositores da música brasileira desde Tom Jobim ouviam música americana, música inglesa. Então a música brasileira pegou essas influências, talvez isso a faça uma das mais importantes do mundo, porque ela decodificou essa música que veio do mundo inteiro com mais a música que era natural daqui e nesse aspecto o Clube da Esquina trouxe quando ele aparece. Para começar eu acho que o Milton Nascimento quando ele apareceu, ele modificou completamente com os padrões, os parâmetros de composição que tinham na época. Até o Tom Jobim que é o nosso maior compositor talvez de todos os tempos, ficou alguns anos sem compor depois de ouvir algumas músicas do Milton, porque aquilo chocou ele. Depois ele voltou a compor em 1973, 1974 que são aqueles discos maravilhosos que ele fez com Claus Ogerman que já é decolado um pouco daquele início da Bossa Nova, eu acho que isso é a música do Milton, depois chegou o Lô e o Beto com as influências dos Beatles, do Crosby, Stills, Nash & Young, da música folk americana, eles mais jovens e fizeram o Milton ouvir um pouco dessa música que já devia ter ouvido, mas ele ouvia muita música francesa e russa erudita do final do século passado e outras coisas. Eles juntos fizeram acho que talvez a música nessa época que mais tenha se preocupado com a questão musical mesmo. Porque a gente estava vindo da Bossa Nova dez anos antes, que era uma música que realmente tinha chegado no mundo e depois veio a Contra Bossa Nova que seria o Caetano e o Gil mostrando que a música aqui no Brasil não era só Bossa Nova, violão e tal, mas era um movimento muito mais de contracultura, de mostrar que a guitarra também tinha que entrar, que existiam outros aspectos, outras manifestações musicais no país, ou sociais. O Clube da Esquina apareceu com esse comprometimento de se aprofundar mesmo na música, porque eles conseguiram uma identidade muito forte mesmo sendo muitos músicos juntos. Muitos cantores e compositores, mas você sente que a música deles todos tem um elo em comum, tem uma coisa em comum que faz com que eles se agrupem nesse movimento que se chamou Clube da Esquina. Então eu acho que até hoje, e isso aconteceu por volta de 1974, o Wayne Shorter que era já na época um dos maiores músicos do mundo, chamou o Milton para poder gravar um disco com ele e eles já ficaram alucinados com o que estavam ouvindo naquela época, o Clube da Esquina número um, os outros álbuns, o Minas, a presença do Lô na carreira do Milton, a presença do Beto na carreira do Milton, a guitarra do Toninho, o Wagner Tiso. Aquilo era novidade para o mundo inteiro e eles conseguiram fazer uma música inteiramente brasileira, com uma identidade brasileira, com letras em português. Eu acho que foi extremamente importante para acontecer dez anos depois o movimento de Rock Nacional, eu acho que foi matéria prima para todos esses roqueiros da década de oitenta. É matéria prima até hoje para quem quer fazer música brasileira sintonizada com o mundo, pra quem quer fazer uma música de qualidade. Se a pessoa não voltar os olhos para o que o Clube da Esquina fez naquela época ele vai realmente perder uma parte riquíssima da música que se fez aqui no Brasil e corre o risco de ficar na superfície, de ficar só nos novos meios, nas novas formas, e o conteúdo mesmo não vai ser renovado. Porque eu acho que hoje a gente vive, estamos nos anos 2000, nem imaginávamos que chegaríamos nos anos 2000. A gente não sabia se ia ter robô voando, o que ia acontecer. Na verdade não mudou quase nada, os anos continuam passando de ano em ano, mas na música se fez quase de tudo. Então se você não for voltar aos verdadeiros mestres, caras que fizeram alguma coisa de importante na música, você não tem como renovar nada. Então eu acho que para a gente aqui de Minas Gerais isso é mais forte ainda. O que o Clube da Esquina representa pra gente que hoje se considera compositor e tem a obrigação de dar continuidade à qualidade da música brasileira é importantíssimo olhar para trás e saber que esses caras fizeram com tanta seriedade, tantas músicas, uma quantidade, com uma densidade e ao mesmo tempo espontaneidade, porque música não é uma coisa séria como a medicina, como o direito, música é uma coisa que tem de ser feita com o coração, com espontaneidade e tudo. Então você tem que aliar o foco com a seriedade de fazer aquilo com o corpo inteiro, a cabeça, o coração e ao mesmo tempo de estar fazendo aquilo como se tivesse fazendo a coisa que mais gosta. Então eu acho que o Clube da Esquina é uma referência que não vai ser esquecida tão cedo, muito pelo contrário, acho que a cada dia eles se tornam mais importantes, o tempo vai fazendo com que eles sejam colocados no lugar certo dentro da história. As coisas boas o tempo ajuda, as coisas ruins o tempo apaga. Então os compositores que a gente ouviu, o Nelson Angelo, o Novelli, fora os quatro mais conhecidos que são Milton Nascimento, Lô Borges, Toninho Horta e Beto Guedes, você tem os grandes letristas da época que são Marcinho Borges, Ronaldo Bastos e Fernando Brant que até hoje continuam fazendo. O mais interessante é que esses todos continuam fazendo muita música. Agora, esses que eu já citei, Nelson Angelo, Novelli mais um monte de caras que fizeram ao mesmo tempo, o Som Imaginário, eles todos, não é? O Fredera, o Luiz Alves, o Wagner Tiso, o Nivaldo é um conjunto de pessoas que realmente elevaram a música mineira a um outro nível que até hoje a gente busca entender de que maneira eles conseguiram chegar nisso daqui de Belo Horizonte, mas voltando para trás a gente sabe que eles viveram intensamente aqueles anos, os anos dourados do Clube da Esquina que são da década de setenta até a década de oitenta, depois veio o Rock Nacional, mas eles continuaram fazendo música, como vão continuar até... Mas enfim, naqueles anos eles fizeram a música acho que talvez seja uma das grandes músicas, referência da música brasileira para este século inteiro, estamos no comecinho do século ainda, mas acho que isso vai ser confirmado a cada ano que se passar neste século.

 

P1 – Robertinho, no decorrer de sua carreira você tem tido parcerias com grandes nomes do Clube, por exemplo, seu tio Fernando Brant, o Murilo, você podia falar um pouquinho deles?

 

R – Depois mais tarde, aos 22, 23 anos, no início da década de noventa eu senti necessidade de fazer um disco com as minhas músicas já. A gente tem essa cultura aqui em Belo Horizonte de carreiras individuais apesar da gente trabalhar muito em grupo. Então eu acabei fazendo um disco em 1993 onde eu inaugurei a parceria com o Fernando, que por coincidência fez a letra com o Milton em 1967, a letra que iniciou ele nos terrenos da música e foi exatamente no ano em que eu nasci. Então 22 anos depois eu reencontrei, a gente compôs umas cinco ou seis músicas juntos, depois eu compus com Murilo e depois nesse disco eu tive a oportunidade e a graça de chamar e de ter ao meu lado o próprio Bituca, o Milton Nascimento, o Beto Guedes, o Toninho Horta fez uma participação depois também, o Boca Livre, que era um grupo também influenciadíssimo pelo Clube da Esquina que eu tive também do meu lado. Então eu tive uma sorte enorme, apesar de que isso tenha me colocado uma responsabilidade enorme também nas costas. Eu não sou exatamente um grande cantor e a música mineira não é conhecida por grandes cantores, e sim por grandes criadores e grandes compositores e por sorte a gente teve o Milton Nascimento para interpretar as canções, as mais lindas canções que se fizeram aqui e a Elis Regina também, que realmente amava a música de Minas Gerais. Fiz esta música nesta época e depois mais tarde fiz outras canções com o próprio Marcinho Borges e também com outras pessoas que estavam chegando e o Fernando e o Murilo Antunes, que são os dois com quem eu mais fiz música juntos, quero dizer, não tenho muito o que dizer a mais do que eles já dizem nas músicas. O Fernando já fez mais de 120 canções com o Milton, com o Lô e com o Beto. O Murilo também com o Flavinho. Na verdade eu fico imaginando que maravilha que deve ter sido essa época, esse mundo de gente com os mesmos interesses, vendo os filmes que chegavam, os discos que chegavam, fazendo músicas, trocando ideias. Hoje o mundo é um pouco mais individualista, as coisas são um pouco mais difíceis. A gente tenta reproduzir à nossa maneira, a gente tenta ver e conseguiu aprender um pouco. Porque todo mundo fala do Clube e as pessoas confundem com uma coisa que tem uma portaria que se abre e que se fecha. Na verdade o Clube é uma coisa totalmente aberta, não tem cerca. O Clube, na verdade, foi um ponto de encontro, um ponto de convergência das pessoas que tinham o mesmo interesse que era o de fazer Música Brasileira. Tanto assim que tiveram várias pessoas de fora que se juntaram ao pessoal de Minas Gerais, que são a origem deste movimento, o Naná Vasconcelos que é de Pernambuco, os do Rio que vieram, Ronaldo Bastos, Robertinho Silva, depois no Clube Dois teve o Chico que entrou, então quero dizer, foi um Movimento Brasileiro que teve a origem em Minas também. O Dori, o Boca Livre, todos estes são parte do Clube da Esquina. Então é um movimento que está sempre de braços abertos para quem deseja fazer música boa e fazer este compartilhamento das ideias, que foi uma coisa que sempre pautou a agenda do Clube da Esquina desde quando os primeiros caras se encontraram, que talvez tenha sido Marilton e Bituca numa esquina dessas aí da vida. Depois disso acho que foi o encontro pela música, pelo amor que une as pessoas que amam a música.

 

P1 – Robertinho, o que você achou dessa ideia do Clube da Esquina virar um Museu?

 

R – Achei sensacional. As pessoas têm uma ideia de museu como uma coisa assim, guardar o que já foi feito lá atrás ou há cinco anos ou há mil anos, ou há duzentos anos, mas eu não vejo o museu desta forma, na verdade existem várias formas de museu e essa forma do Museu Vivo foi uma forma interessantíssima de se criar alguma coisa em torno do que o Clube da Esquina significou, representou e fez. Na verdade o Brasil é um país que esquece muito das coisas que acontecem, então o Clube da Esquina mesmo é um movimento muito mais reconhecido internacionalmente talvez do que aqui no Brasil, pelos grandes músicos e críticos do mundo. E as pessoas, como eu já tinha dito, tinham muito mais interesse em fazer música, muito mais do que qualquer outra coisa, então se falou muito pouco sobre o que se fez no Clube da Esquina. E se escreveu muito pouco. O primeiro livro importante que fala sobre o Clube é o do Márcio Borges há alguns anos atrás. Então este ponto de convergência das informações, das pessoas interessadas, do resgate dos discos, do material todo que existe guardado do Clube da Esquina, até como fonte para novos compositores, a música do Clube da Esquina é muito diferenciada, é muito particular, não é fácil de você ouvir e tirar todos os acordes. Então isso vai realmente fazendo com que a música se democratize mais, as músicas do Clube da Esquina e as pessoas possam entender ela um pouco melhor, os músicos possam ter uma fonte mais real do que foi o Clube da Esquina, como eles lidavam com a música, como eles faziam, como eles harmonizavam, como eles faziam as melodias. Realmente é uma coisa a ser decifrada. Eu ouço Clube da Esquina há 25 anos e descubro a cada vez que eu ouço de novo uma canção, cada vez que toco, que eu tiro, que eu vejo o Toninho, eu tenho a oportunidade de estar do lado destas pessoas, então eu vejo os acordes que eles fazem, a pessoa que mora fora daqui não pode. Então quero dizer, eu acho que esse princípio do Museu Clube da Esquina nesse últimos dois anos, ou não sei quantos anos que o museu existe, eu acho que é o início importantíssimo da reunião de todas estas coisas para o futuro, para quem quiser, para quem tiver interesse, para pessoas que têm o interesse em pesquisar também e que não tinham o acesso à estas pessoas, a coisa era também muito desorganizada, porque cada um está ainda fazendo a sua carreira, com todas as dificuldades e tudo. Então eu louvo muito a isso que o Márcio está fazendo, de reunir, de chamar as pessoas desde já, enquanto elas estão vivas e fortes, saudáveis e criativas para que elas falem sobre o que fizeram, fazem e o que vão fazer ainda.

 

P1 – E o que você achou de ter participado desta “reunião de memória”?

 

R – Eu me sinto até... Eu que desde novinho os tenho como ídolos, eu me sinto honradíssimo de ser um sócio, um associado, um amigo, parceiro do Clube da Esquina e de ser chamado para dar o depoimento à respeito, porque o quando eu falar aqui vai ser pouco ainda da importância que a música que eles fizeram tem e teve na minha formação, no fato de eu, hoje, ser músico e não duvidar desta minha opção e me sentir na condição de estar na música para sempre, sem nenhum tipo de questionamento sobre esta opção, porque a opção da música no Brasil é uma opção muito corajosa, não é simples, não é fácil você falar assim: “sou músico, vou ser músico independente do que acontecer”, mas eu acho que eles me pegaram fundo, fundo e as muitas outras pessoas aqui de Belo Horizonte, eu acho também do país inteiro, com a música que eles fizeram. Então é uma honra muito grande estar aqui participando e ainda durante muitos e muitos anos meus filhos, se eu os tiver, vão estar visitando sites, o local onde o museu vai ser inaugurado daqui a algum tempo, vai haver este local material, eu sei, e acho que é o princípio só, mas já vinha tarde porque já tem mais de trinta anos de música diária, de música sendo respirada e feita e o tempo passa rápido, não é? Então eu fico super honrado.

 

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