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História

Sentir-se em casa no trabalho

História de: Paulo Vieira de Morais
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 12/05/2020

Sinopse

Infância e retorno para Votorantim. Emprego na Votorantim como operador de trator de cal hidratada.Cotidiano na empresa. Moradia na Vila Santa Helena e a demolição das casas ali. Os filhos e suas profissões. A transferência para o forno na Votorantim. Processo de extração de calcário. As mudanças de setores e seu trabalho em cada um deles. Os estudos na escola da fábrica. O uso dos burros para fazer a limpeza da pedreira.

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História completa

P/1 – Soraya

P/2 – Juliano

R – Paulo Vieira de Morais

 

 

P/1 – Bom, Seu Paulo, gostaria que o senhor falasse o seu nome completo, local e data de nascimento.

 

R – Paulo Vieira de Morais, 26 de outubro de 1943.

 

P/1 – E o nome dos seus pais?

 

R – Francisco Vieira de Morais.

 

P/1 – Da sua mãe?

 

R – Isaura Batista Vieira de Morais.

 

P/1 – Eles nasceram em Votorantim também?

 

R – Não, nasceram em Piedade.

 

P/1 – Piedade?

 

R – Isso.

 

P/1 – Piedade, estado de São Paulo?

 

R – Estado de São Paulo.

 

P/1 – E o senhor nasceu em Votorantim?

 

R – Nasci em Votorantim.

 

P/1 – E qual era a atividade profissional do seu pai?

 

R – Meu pai trabalhava na lavoura.

 

P/1 – Lá em Piedade?

 

R – Piedade, isso.

 

P/2 – A família dele também é dessa região?

 

R – Todos de Piedade. Bem, nós vivemos em Votorantim, uns 14 anos moramos em Votorantim, nós viemos embora de lá.

 

P/1 – Quando o senhor tinha 14 anos.

 

R – Isso, 14 anos.

 

P/1 – E o senhor passou a sua infância em Piedade?

 

R – Piedade. Até os 14 anos.

 

P/1 – O que o senhor lembra da sua infância lá em Piedade?

 

R – É bom, né?

 

P/1 – O que o senhor fazia?

 

R – Caçava passarinho, só. (risos)

 

P/1 – E aí, com 14 anos o senhor foi para Votorantim?

 

R – Aí vim para Votorantim, aí trabalhei com empreiteiro, Chiquito, até os 19 anos. Depois dos 19 anos passei na Votoran. Trabalhei com Votoran, entrei com cal, trabalhando no cal, uma fábrica de cal hidratada.

 

P/1 – E o que o senhor fazia com a cal?

 

R – Eu era operador de trator, hidratar o cal.

 

P/1 – Hidratar é...

 

R – O cal, ele passa no forno, queima no forno. Depois ele vai no silo. Depois do silo ele passa nessa máquina para hidratar ele para ir para secadeira.

 

P/1 – Isso o senhor tinha 19 anos?

 

R – Isso.

 

P/2 – Até essa época o senhor estudou, frequentava escola?

 

R – Não, nessa época eu não estudava.

 

P/2 – O senhor ficava junto com o seu pai?

 

R – Com pai.

 

P/2 – Trabalhando na lavoura.

 

R – Trabalhando, isso.

 

P/2 – E quando o senhor entra na Votorantim, o que o senhor sentiu? O senhor gostou de entrar na empresa?

 

R – Ah, gostei. Gostei, estou gostando até hoje. É bom trabalhar lá.

 

P/2 – E como é que o senhor chegou até a Votorantim? Alguém indicou, o senhor viu...

 

R – Meu irmão trabalhava na Votorantim. Então eu vim morar com ele, então eu entrei na Votorantim. Entrei, eles foram buscar eu para trabalhar em casa. Certo, eles foram buscar.

 

P/1 – E como é que foi? Como é que o senhor lembra, como é que foi esse dia? O senhor lembra?

 

R – Eu guardo na portaria. Viu que era uma molecada na casa, nós éramos em cinco, né? O mais velho era eu, né? Então, a própria firma foi buscar eu para trabalhar. Não precisa nem ir para portaria arrumar serviço. Aí eles chamaram para trabalhar.

 

P/1 – E o que o senhor sentiu no primeiro dia? Era uma coisa que o senhor já conhecia, o que ia fazer?

 

R – Não conhecia, não conhecia o serviço, mas fui conhecendo e gostei de trabalhar.

 

P/2 – E como que era o cotidiano de trabalho de todo dia, de chegar na empresa?

 

R – Ah, era gostoso, principalmente naquele tempo era bom.

 

P/2 – Era bom?

 

R – Era.

 

P/2 – Por que era bom?

 

R – Era mais... Sei lá, tinha mais liberdade, né? Mais liberdade.

 

P/1 – O senhor trabalhava o dia inteiro?

 

R – Dia inteiro.

 

P/1 – Entrava cedinho?

 

R – Fazia 12 horas por dia.

 

P/2 – E o senhor conheceu bastante gente, fez muitos amigos lá?

 

R – Conheci muitos amigos.

 

P/2 – A sua mulher, o senhor conhece quando?

 

R – Minha mulher, eu a conheço... Conheço da Vila Santa Helena ali.

 

P/2 – Na vila mesmo.

 

R – Na Vila Santa Helena.

 

P/2 – Como que era nessa época a vila?

 

R – A vila era muito bonita. Agora não tem nada lá. Agora desmancharam todas as casas lá, mas lá tinha 750 casas. Tinha campo de futebol, tinha cinema, tinha cadeia, delegacia.

 

P/1 – E nessa vila todos que moravam trabalhavam na Votorantim?

 

R – Todos trabalhavam na Votoran, na Votorantim.

 

P/1 - E quem administrava a vila? Era a própria Votorantim, não?

 

R – A Votorantim administrava, Votorantim.

 

P/1 – E o senhor lembra como eram as casas, as ruas...

 

R – Eu lembro.

 

P/1 – Como é que eram as casas?

 

R – As casas eram tudo casa boa, casas grandes, né? Tinha rua, praça, tinha praça grande. Muito bonito lugar, bonito mesmo. Só que ali ele derrubou o bairro por causa do pó porque faz muita poluição, né?

 

P/2 – Por causa da fábrica?

 

R – Poluição da fábrica, poluição ali é demais. Você tinha que ficar direto com a porta e janela fechada porque senão o pó invadia dentro de casa.

 

P/2 – E como é que o pessoal fazia à noite, saía para passear, tinha festa?

 

R – Tinha.

 

P/2 – Tinha?

 

R – Tinha, tinha festa, sim.

 

P/2 – E aí não tinha problema com o pó, com a poluição?

 

R – Não, a turma não ligava...

 

P/2 – Não.

 

R – Não, não ligava, não.

 

P/2 – E como é que eram essas festas?

 

R – Festinha que tinha lá é festinha de aniversário. Agora fim de ano, assim, fim de ano era bonito lá. Acho que fim de ano lá era... Ali no fim do ano era bonito.

 

P/1 – E tinha escola?

 

R – Tinha escola.

 

P/1 – Posto de saúde?

 

R – Tinha.

 

P/1 – Era completa?

 

R – Completa, ali era completa.

 

P/1 – E o senhor lembra de casos de pessoas que ficavam doentes por causa da poluição?

 

R – Não.

 

P/1 – Não.

 

R – Ali nunca ninguém ficou doente, não.

 

P/1 – E o que é lá agora, que eles desmancharam lá?

 

R – Lá não tem mais nada. Lá ficou só um pátio só e desmancharam toda. Não tem nada mais lá.

 

P/1- E as pessoas que moravam na vila foram morar aonde?

 

R – Estão todas na Votorantim. Estão todas morando em Votorantim, Sorocaba. Mais Votorantim, né?

 

P/1 – Ela é bem do lado da fábrica?

 

R – Bem do lado da fábrica.

 

P/1 – Então a vida do senhor era da fábrica para vila?

 

R – É, porque dali para trabalhar era cinco minutos da minha casa à portaria. Era pertinho, né?

 

P/1 – E eram todos amigos, conhecidos?

 

R – Todos amigos.

 

P/1 – O senhor lembra de alguma coisa interessante dessa época da vila, o senhor pode contar um fato interessante?

 

P/2 – Alguma história engraçada, algum causo, assim, que o senhor sabe que aconteceu lá?

 

R – Ah...

 

P/1 – O senhor lembra que era boa a vida ali na vila. Todos se conheciam do trabalho.

 

R – Todos se conheciam. Se dava muito bem ali, lugar para criar filho também era muito bom porque ali você podia deixar os filhos à vontade ali, não tem problema nenhum. Os filhos ficavam à vontade. Meus filhos, os cinco filhos que eu tenho, foram criados ali. Graças a Deus, me orgulho dos meus filhos, né, porque foi criado naquele lugar. Então não tenho que falar nada daquele lugar. Só tenho que falar bem. Mal, nada, nada.

 

P/1 – E até quando a vila existiu, o senhor lembra, mais ou menos, a data? Até quando ela existiu?

 

R – Ela foi até 1982, mais ou menos. 1982 já começou... No 1978 já começaram a desmanchar ela, né? Demolir. Depois, por causa do forno oito ali, agora não é forno oito mais, agora é forno dois. Então por causa do forno, então ele demoliu a vila inteira por causa da poluição então, né? Aí tiraram de vez a vila.

 

P/1 – E o senhor morou lá até o final?

 

R – Até o final. Morei 30 anos lá na vila.

 

P/2 – E os seus filhos frequentavam a escola?

 

R – Frequentavam.

 

P/2 – É mesmo? Era bom os estudos lá?

 

R – Bom.

 

P/2 – E hoje eles estão fazendo o quê?

 

R – Meus filhos estão trabalhando na fábrica, aqui na INA, dois na INA. Um está... Um joga bola, um está lá em Curitiba, joga no Coritiba. O mais novo meu joga lá. Profissão, ele quis escolher essa profissão, escolheu, está lá. E os outros todos já trabalham em Sorocaba.

 

P/1 – Mas trabalham na Votorantim também?

 

R – Na Votorantim, não. Na Votorantim tem um que trabalha. O terceiro meu trabalha na Votorantim. Já está com uns 16 anos na Votorantim já e trabalha com... Lida com sonda, né? Sonda que faz sondagem no minério para ver se tem um minério bom. Então ele trabalha com aquela máquina de fazer sondagem.

 

P/1 – 16 anos. E o senhor está há 40 e...

 

R – 41.

 

P/1 – 41 anos.

 

R – Eu entrei no dia 2 de abril de 1962. Fez 41 anos agora que eu trabalhei no cal cinco anos. Trabalhei até 1967, 1962 a 1967 no cal. Depois do cal passei na fábrica. Aí na fábrica eu estou até hoje.

 

P/2 – Então o senhor pode contar para gente como é que foi. O senhor chega e qual foi a função do senhor, a primeira quando o senhor entrou na Votorantim?

 

R – Minha função era... Primeira função minha era trabalho no cal.

 

P/2 – E depois como é que foi evoluindo?

 

R – Ah, foi bom porque a produção passava tudo por minha mão, né? Dá uns 20 mil sacos de cal, eu passava umas oito horas de serviço. E eu gostava do meu serviço, só que era muita poluição, né? Só que o cal, o cal não faz mal.

 

P/2 – Não?

 

R – Não. O cal não faz mal para ninguém. O cal quanto mais você tomar ele, sentir ele, mais saúde você tem. Para começar eu fiquei trabalhando no cal cinco anos, nunca fui ao médico, nunca, nunca. Nem gripe dava em mim. Agora depois que eu passei no forno, aí já começou, né? O cimento já prejudica, o cal não.

 

P/2 – Foi logo em seguida? Depois do cal já foi para o forno?

 

R – Eu trabalhei cinco anos, depois fui para o forno.

 

P/2 – E como é que era o trabalho no forno?

 

R – No forno era lubrificador. Eu tomava conta de seis fornos. O lubrificador de forno é o seguinte; então você tem que ter mancal, abastecer o mancal do forno. Depois tem o rolo, o forno vira em cima daquele rolo. Aquele rolo ali, então a função do lubrificador era isso aí, que o forno trabalha no meio de dois discos, um disco para baixo, outro para cima. E o forno ele não pode trabalhar nem para baixo, nem para cima. Ele tem que passear em cima do rolo. Então lubrificador, você tem que pôr o óleo para subir o forno, óleo para descer e óleo para ele trabalhar no meio. Tem que trabalhar sempre os três lados ali para não gastar o rolo. Se gastar, entorta o forno, aí o forno cai.

 

P/2 – Chegou acontecer alguma vez algum acidente?

 

R – Não, não aconteceu porque você é treinado. Mas se der bobeira, cai, o forno cai.

 

P/1 – E o senhor tinha que trabalhar com máscara, com proteção, não?

 

R – Aquele tempo a segurança era bem fraquinha. Falar a verdade, a segurança agora, a segurança está... Não está 10, mas está.... Oito já pega segurança, está muito bom, mas naquele tempo não tinha. Naquele tempo a segurança era bem fraca.

 

P/1 – Naquele tempo era sem nada?

 

R – Sem nada.

 

P/1 – E o senhor nunca sentiu nada, assim, de...

 

R – Não, nunca senti nada.

 

P/1 – E como é que o processo, seu Paulo, desse trabalho com cimento? Extrai... Como que é? Conta para gente como que é esse processo.

 

R – O cimento agora é diferente. Ele... Naquele tempo, o cimento era... Virava com pasta, né? Vinha úmido, que falava, né? Então tinha o silo de pasta, o silo de pasta então tinha um elevador que pegava aquela pasta, jogava dentro do forno e no começo do forno então tinha umas correntes. As correntes debatiam, já começava a ressecar ali o cimento. Então chegava no forno, já chegava seco formando o clínquer. E agora já é diferente. Agora seca não usa pasta, né? Agora já é direto, entra direto, já queima direto o minério seco, sem precisar molhar ele.

 

P/1 – E o minério, como que é extraído lá o minério? É lá em Votorantim que existem os túneis?

 

R – Lido com minério, minha função é minério, só que a minha função ali na pedreira é tirar água da pedreira para tirar o minério, né? A minha função é tirar água. É drenar aquela água que sai. Eu coloco maquinário para drenar aquela água. Depois ali entro com a máquina para extrair o minério. Só que o minério tem que dar fogo. Explodir ele, aí a máquina carrega, tira para fora e vai para o britador.

 

P/1 – Isso vai cavando um túnel?

 

R – Aí vai afundando para baixo. Eles vão fazendo aquela rampa, aquela rampa e vão descendo até morrer com os olhos lá embaixo. A hora que morrer com os olhos, então acabou a pedreira, não tem como mais...

 

P/1 – E como é que sabe que a pedreira morreu?

 

R – Porque ela fecha embaixo, né? Ela começa abrir em cima, ela vai fechando. Quando chegar embaixo, ela morre com os olhos. Aí não tem como mais... Lá já está mais dois anos, já não tem mais como extrair o calcário de lá.

 

P/1 – Aí o que acontece? Aquela área fica...

 

R – Aquela área fica isolada.

 

P/1 – Não dá para reaproveitar para nada?

 

R – Não, que ela fica isolada, não dá para aproveitar para nada. Aí isola ela vai ter que ir para outra pedreira. Que nem lá agora, então, nós vamos tocar Ponte Alta agora. Ponte Alta é outra pedreira que está perto dos fornos lá. Agora esse lugar eu estou, inclusive eu estou esgotando a água de lá, tirando a água de lá. Eu sequei um rio lá, um quilômetro e meio o rio. Agora tem outro para secar lá que é maior ainda.

 

P/2 – Essas regiões são todas ali próximas mesmo da fábrica?

 

R – Essa uma que está secando lá é próxima à fábrica.

 

P/2 – E quando acontecia isso, o senhor passava a noite lá, ficava o tempo todo trabalhado lá?  

 

R – Para secar? Não.

 

P/2 – Não?

 

R – A bomba lá é automática. Vou lá, adapto a bomba no rio, eu coloco a bomba lá, depois de lá do rio eu puxo encanamento no meio rio, puxo encanamento para jogar para fora. Ela joga para fora a água. Eu deixava virando lá. Aí só vou para olhar. Ela fica virando direto, vira direto. Na hora que secar, então para manter aquela água, então tem que botar uma bomba menor para manter seco lá para a turma trabalhar.

 

P/1 – E quanto tempo de vida mais ou menos tem uma pedreira, desde que comece a extrair até morrer?

 

R – Depende da quantidade de calcário que tem. Depende da quantidade. Porque, às vezes, você pega calcário ruim, calcário bom, né? Agora tem... Não sei se você sabe, agora tem uma mina aqui na Santa Rita que... Está feia a coisa lá. Não tem minério, só terra. Então vamos ver se muda agora, daí vamos mudar para Ponte Alta agora, tocar Ponte Alta por causa dessa mina aí. Essa mina aí não está... O material não é bom, não.

 

P/1 – Mas se ela é boa, se ela vai bem, ela dura anos até ela morrer ou não?

 

R – Dá mais, nossa!

 

P/1 – Mais?

 

R – A Baltar, mesmo tem uma pedreira que está desativada. Essa que começou... Começou encher os bolsos do homem foi essa aí, né?

 

P/1 – É?

 

R – Essa começou.

 

P/1 – Como é que ela chama?

 

R – Baltar. Essa que começou a riqueza do homem, né? Começou... A riqueza começou aí.

 

P/1 – Ela tinha um...

 

R – Essa foi o melhor calcário que teve até agora. Ela não teve nem... Porque a limpeza ela começa de cima, pega terra. Então quanto mais terra tiver em cima, mais limpeza é. Essa aí não pegou, acho que nem 20 metros de limpeza. Tudo calcário até embaixo. Essa aí...

 

P/1 – E essa durou quanto tempo?

 

R – 1972 até 1993, mais ou menos.

 

P/1 – Dura uns 20 anos mais ou menos. Tem que estar sempre procurando um local para achar uma nova pedreira?

 

R – É, eles têm que fazer sondagem, que é o serviço que o meu filho faz, né? Faz sondagem, descobre onde tem o minério. Então aí... Vai e faz outra sonda.

 

P/2 – E antes como é que era; porque hoje já está mais moderno para fazer essa pesquisa, para fazer essa sondagem? Ou é do mesmo jeito?

 

R – A sondagem até que não mudou muito, a máquina é a mesma.

 

P/2 – É a mesma.

 

R – É. Ali o que mudou foi a pedreira mudou porque o tempo... Um tempo atrás era... Você furava a pedra com martelinho, né? Os caras subiam lá em cima, amarrava uma corda aqui, furava, que ficava dois ferros na pedreira, põe lá uma tábua, o cara se sentava em cima e ficava furando ali. Agora não. Agora faz uma base em cima assim, ela começa assim, vai descendo. Tem a máquina própria que fura... É muito mais fácil.

 

P/2 – Antes era a própria pessoa que tinha de ficar ali?

 

R – Lá embaixo tinha os vagãozinho, que falava, tem que carregar na pazona, carregava na pá.

 

P/2 – Então demorava muito mais.

 

R – Demorava muito. Agora é tudo maquinário, agora tudo... A máquina lá agora é tudo... Não tem problema.

 

P/1 – Lá em Votorantim ainda existe o prédio antigo da fábrica?

 

R – Existe.

 

P/1 – Existe? Mas funciona?

 

R – O prédio, você fala do escritório?

 

P/1 – É.

 

R – Tem o prédio, sim. Tem, só que está quase parado, né? Que ali vira três meses, para três meses, não está virando. O que vira mais é a unidade dois, a unidade dois está virando direto. A unidade um vira de cada três mês, ela vira.

 

P/1 – Vira - o senhor quer dizer o quê?

 

R – O forno, o forno, né?

 

P/1 – Ah, tá. Aí ela para?

 

R – Ela para, depois de três meses, ela vira de novo porque está muito pouco o minério também. O calcário está pouco para trabalhar.

 

P/1 – E o senhor mora lá em Votorantim mesmo?

 

R – Eu moro na Votorantim.

 

P/1 – Então a cidade toda é em função da virada do forno?

 

R – Isso. A Votorantim tinha uns 2700 funcionários. Chegou a ter até 3000 ali, né? Agora nas duas fábricas não dá... Dá uns 400 mais ou menos, uns 400 mais ou menos. Porque agora a turma trabalha menos porque agora é tudo maquinário, né? Essa cadeira de cimento mesmo é... Trabalhava... Tu pegava no braço o saco. Tinha bica, ensacava, aí vinha o saco, o cara pegava aqui no... Um serviço pesado, pesado. Judiava. E agora não. É tudo com... A máquina vem e carrega, cai numa máquina embaixo. Aí chega, carregadeira pega, põe no caminhão.

 

P/1 – E era mandado para onde o material todo? Para onde que ia esse material?

 

R – O cimento?

 

P/2 – Isso.

 

R – Esses aí carregam os caminhões para sair para fora.

 

P/2 – Vai para o Brasil todo.

 

R – É, carrega com a empilhadeira, empilhadeira carrega o caminhão e fora. Aquele tempo, um homem, ele pegava dois mil sacos por dia. Pegar assim, trazia aqui, 50 quilos aqui, depois lá, levar no caminhão. O dia inteirinho, 10 horas de serviço. Agora não, agora é tudo mais fácil, tudo mais moderno. Agora é melhor.

 

P/2 – E depois do seu trabalho com o forno veio o quê? O senhor passou para outra função depois?

 

R – De forno eu passei na Mec. Transporte, que eu estou até hoje, que o meu setor é Mec. Transporte. Aí eu passei mecânico de... Trabalhei 22 anos mecânico de máquinas pesadas. Aí depois de máquina pesada, que eu passei agora nessa função que eu estou agora.

 

P/2 – Mas quando o senhor estava ali no setor de máquinas pesadas, como era o dia a dia de trabalho?

 

R – Era bom, o dia bom. Era bom trabalhar ali.

 

P/2 – Tinha muita dificuldade, alguma coisa assim que era mais...?

 

R – Não, não tem dificuldade.

 

P/2 – Não.

 

R – Não.

 

P/1 – As máquinas pesadas incluem... É lá que vocês têm aqueles caminhões enormes, não são aqueles caminhões?

 

R – Tem caminhão ali para 75 toneladas ali. Os pneu dele dá 2,83 de altura.

 

P/1 – E esses caminhões, eles servem para recolher...

 

R – Esse desce para a pedreira, as carregadeiras grande carregam ele, carrega, ele vem para o britador, vascula o britador para o britador britar as pedras. Aí a pedra joga num depósito, cai no depósito, tem uma correia que puxa e traz para fábrica.

 

P/1 – Ah, esses caminhões descem na pedreira, por isso que eles são enormes desse jeito?

 

R – Isso, isso.

 

P/1 – E esse o senhor conserta também?

 

R – Agora eu não trabalho com esse caminhão. Trabalhei muito tempo. Mas trabalhava mais era parte de lubrificação, né? Mecânico pouca coisa. Mais lubrificação.

 

P/1 – Diz uma lenda que debaixo da Votorantim existem túneis de escavação. Existem túneis?

 

R – Tem o túnel lá. O túnel lá está com 14 quilômetros o túnel. Tem um túnel assim.

 

P/1 – E o que faz esse túnel, vai cavando?

 

R – Esse túnel, ele vai... Desce para baixo, vai descendo, depois que ele chegar lá embaixo, faz tipo uma senta, depois faz assim. Só que está desativado esse túnel também. Pararam com esse túnel. Pararam por causa... Muito caro, o custo dele é muito caro demais. Não está compensando para a firma isso aí.

 

P/1 – E o que descia lá para pegar o minério no túnel?

 

R – Lá sai por correia.

 

P/1 – Correia.

 

R – Isso. Tem um britador que brita lá dentro. Aí a correia puxa para fora para ir para o depósito. Lá o caminhão... Os caminhões trabalham, mas só lá dentro. Sair para fora, não sai. Ele sai, mas sai vazio. Carregado... Trabalha lá dentro, só. Só que os caminhões que trabalham já não são esses que eu estou falando que é o grandão. O grandão não cabe lá dentro. O caminhão que trabalhava já é um caminhão mais pequeno, que trabalhava, que não trabalha mais agora.

 

P/1 – O senhor já trabalhou nesse túnel, já conheceu?

 

R – Eu não trabalhava nesse túnel. Agora duas vezes por semana eu vou nesse túnel aí. Duas vezes por semana eu entro lá dentro. Eu entro porque lá tem bomba, né? Então a bomba tem que... Não pode encher de água. Então tem que virar as bomba lá para a bomba tirar a água para fora, que não pode encher, né?

 

P/1 – E fica gente trabalhando lá embaixo? Ficava?

 

R – Ficava.

 

P/1 – Ficava?

 

R – Direto, né? Trabalhava direto. Eram dois horários direto, né?

 

P/1 – Nossa! E desenvolvia muito problema de doença respiratória, isso não, lá em Votorantim?

 

R – Não, não. Não, porque ali trabalha poucas horas, né? Poucas horas, folgava sexta e sábado. Três folgas por semana, sexta, sábado e domingo. Com 15 anos aposenta, aposentava com 15 anos ali. Trabalhava 15 anos e já aposenta ali.

 

P/1 – Quem trabalha embaixo aposenta...

 

E – Isso, com 15 anos.

 

P/1 – Porque é um trabalho duro ali, né? Debaixo da terra é...

 

R – Agora melhorou muito ali. Maquinário todo moderno. Agora tudo melhor para trabalhar. Não tem... Ninguém faz força mais, né? Agora é só... (risos)

 

P/1 – O senhor falou que estudou lá na Votorantim, eles têm escola lá dentro?

 

R – Tinha, tinha. Tinha uma escola lá, não tem mais. Não tem mais escola.

 

P/2 – E essa escola era da vila?

 

R – Tinha da vila, acabou em nada. Agora tem... A Votoran mesmo põe uma escola lá dentro, né? Agora também não tem mais, tirou.

 

P/2 – Hoje não tem mais?

 

R – Não.

 

P/2 – E nessa que o senhor estudou como é que foi? Como que foi o seu estudo lá? O senhor foi até que série?

 

R – É porque eu fiz até o segundo ano no sítio, depois eu terminei lá. Eu fiz até a quinta série lá.

 

P/1 – E muitos colegas iam também? Era uma coisa que a fábrica ia, participava da escola?

 

R – Participava.

 

P/1 – E tinha atividades de lazer, seu Paulo? Faziam festas na fábrica, encontros?

 

R – Não, festa não tem.

 

P/1 – Não.

 

R – Não. Fazer churrasquinho entre os amigos ali. Fazia festinha, assim, mas nada da fábrica. Tem festa lá fim de ano. Fim de ano tem, né? Todos fim de ano aí a fábrica dá uma festa para nós lá.

 

P/1 – E no seu lazer, o que o senhor gosta de fazer?

 

R – Eu gosto de bola. Jogar bola.

 

P/1 – E lá na fábrica tinha algum time da fábrica dos trabalhadores?

 

R – Tinha, tinha um time bom lá. Só que depois que a Rio Branco entrou lá, não sei o que aconteceu, pegou, desativou o time, não tem mais time lá. Tem um clube bonito lá e também está desativado. Pararam tudo lá.

 

P/1 – Quando foi isso? Faz muito tempo?

 

R – Não faz muito tempo, não. Faz uns cinco meses que está... Não tem mais time lá.

 

P/1 – E o clube também desativou?

 

R – Está tudo parado lá. Não sei se eles vão continuar ou vão... Não sei o que eles vão fazer lá.

 

P/1 – Aí o lazer tem que ser na cidade mesmo?

 

R – Na cidade.

 

P/1 – E como que é a cidade de Votorantim? Ela apareceu depois que a vila parou ou ela já existia?

 

R – Não, ela já existia. Votorantim é uma cidade bom de morar lá. Ela deve ter uns 30 mil habitantes. Grande para caramba, Votoran, mas só que é uma cidade buraquenta, né? Lá é toda cheia de barroca. Está igual a Piedade. Piedade também é outra... Só dá serra, montanhas, mas é bom de morar ali.

 

P/1 – E lá tem cinema, tem...

 

R – Votorantim tem tudo, tudo, tudo. Votorantim...

 

P/1 – Mas ela é nova, é uma cidade nova, né?

 

R – Votorantim é de... Votorantim pertencia a Sorocaba. Agora que ela está separada. Mas ela é uma cidade nova, não é velha, não.

 

P/1 – E a cachoeira, não tem uma cachoeira lá, que por isso que a cidade tem um nome Cachoeira de Votorantim?

 

R – Tem a cachoeira, cachoeira da Votorantim. Tem.

 

P/1 – Tem.

 

R – Cachoeira da Chave, você fala, né?

 

P/1 – Cachoeira da...

 

R – Da Chave.

 

P/1 – Chave.

 

R – Isso. É Votorantim. Tem uma cachoeira grande lá. Mas tem outra ali, tem o da Light também. O da Light lá é melhor.

 

P/1 – Mas dá para conhecer a cachoeira?

 

R – Dá, dá para conhecer. Dá, é só ir lá conhecer. É muito bonito lá.

 

P/1 – E é um lugar de lazer onde as pessoas vão passear?

 

R – É, tem a prainha lá, tem campo de futebol, tem... Fica na beira... Tem um rio grande, muito bonito lá.

 

P/2 - E a empresa, nesse processo todo de desenvolvimento, tinha muita concorrência com outras fábricas no cimento, nessa área toda?

 

R – Não tem muita concorrência, não.

 

P/2 – Não tinha concorrência.

 

R – Não tem muito, não. Não tem porque era forte, era muito forte, né? Não tem como concorrer com ela. (risos) É forte demais.

 

P/2 – E hoje o senhor continua trabalhando?

 

R – Continuo trabalhando.

 

P/2 – Hoje o senhor faz o quê?

 

R – Lido com bomba, mecânico de bomba.

 

P/2 – Como que é esse trabalho?

 

R – Esse trabalho meu aí é... Bomba d’água, né? Então eu faço... Vai secar um rio. Aí faz uma balsa, em cima da balsa coloca um motor com a bomba. Apita o motor e uma bomba. Aí dali sai um encanamento d’água para jogar para fora. Aí leva no meio do rio, levo, coloco ela lá e só ligar...

 

P/1 – Acabou o rio.

 

R – Seca o rio.

 

P/1 – E uma pergunta boba, mas essa água que sai ela vai para onde?

 

R – Vai para o rio, vai para outro rio.

 

P/1 – Ah, tá.

 

R – Vai para outro rio.

 

P/2 – Aí tem que fazer um estudo da região toda? Por que como é que faz, seca o rio?

 

R – Seca, aquele rio vai jogar no outro rio. Nós jogamos no rio da Light mesmo que é o principal, vai para a Light.

 

P/2 – Mas já secou muito o rio por ali?

 

R – Tudo que é pedreira seca, né? Se der um lugar de minério entrar água, aí nós temos que secar porque não tem como trabalhar com água, né? Então tem que tirar água.

 

P/1 – Mas deixa eu ver se eu entendi, para abrir a pedreira é sempre um rio que seca ou não?

 

R – Não, só se caso ele encher de água, né? Se não der água, não precisa. Mas geralmente todos pegam água por causa da mina. Tem mina. Tem vertente, então não tem como... Você tem que tirar água.

 

P/1 – O senhor deve ter visto aí nos 40 anos, deve ter tido acidentes graves assim?

 

R – Teve muito acidente grave. Inclusive esse serviço do cara furar pedra em cima lá com martelinho, então o cara também é meio doido, né? Ele pegou e ele colocou... Tem que furar, colocar uma tábua, amarrar uma corda aqui, amarrar um pau lá fora e descer pendurado, né? Desce pendurado, então ele faz dois furos ali, coloca dois ferro e coloca uma tábua em cima. O que ele vai fazer? Ele se senta em cima ali, amarra acorda para ele furar. Não, ele pegou e desceu. Pensou que a pedra estava firme, ele desceu na pedra e foi furar e a pedra... Desceu com ele, 80 metros de altura, ele caiu. Inclusive esse cara é mais valente que tem na vila ainda. Morreu que nem...

 

P/1 – Porque é um trabalho de risco, né?

 

R – É risco. Agora não tem mais isso aí. Nem pode mais fazer esse tipo de serviço lá. Segurança não deixa de jeito nenhum. Agora não tem mais. Agora mudou muito. Todo mundo moderno, né? Tratamento, a chefia, né? O sistema da chefia tratar a gente agora é tudo diferente, né? Esse tempo antigo é tudo meio... Está diferente, o tratamento lá está bom.

 

P/1 – Está melhor agora?

 

R – Estou melhor, bem melhor. Segurança do trabalho também melhorou, muito, a segurança. Segurança está... É o que dá mais... O que mais exige nós é segurança de trabalho. Isso aí é o mais importante também, né?

 

P/1 – Ainda mais esse tipo de trabalho, que é um trabalho de risco mesmo, né?

 

R – Mineração é um trabalho mais de risco que tem é mineração. Inclusive quando você vai passar um caminhão por baixo, tem aquelas pedras. É perigoso aquelas pedras cair em cima da gente. Tem que tomar cuidado. É perigoso. O túnel, também. O túnel também... Conforme ele abre o buraco, o túnel então tem que cimentar, né? Tem uma máquina que tira, tira tudo, deixa bem liso lá em cima assim, depois cimenta para não ter perigo de cair pedra na cabeça da gente. Senão cai.

 

P/1 – Já houve desabamento, alguma coisa grave que tenha...

 

R – Não.

 

P/1 – Machucado muita gente?

 

R – Não.

 

P/1 – Mas são 14 quilômetros de túnel?

 

R – Mais ou menos 14. Isso aí eu não sei direito...

 

P/1 – Eu tenho loucura para conhecer esse túnel. Diz que ele pega toda...

 

R – É muito bonita.

 

P/1 – Toda a cidade embaixo. Os caminhões entram nesse túnel?

 

R – Entram, entram sim.

 

P/2 – Aí tem que levar iluminação...

 

R – Lá tem refeitório, tem britadora, tudo iluminado, né? É bonito ali.

 

P/1 – O senhor sabe quantos metros abaixo ele está, mais ou menos?

 

R – Para descer?

 

P/1 – É.

 

R – A gente não marca.

 

P/1 – Mas deve ser coisa grande?

 

R – De caminhão dá uns 10... Dá uns 15 minutos para descer de caminhão. Para descer para baixo, 10, 15 minutos. Só para descer para depois chegar lá e...

 

P/1 – Deve ser muito interessante esse túnel.

 

R – Agora ficou mais como... Está desativado, só para fazer umas visitas. Então foi muita visita lá, né?

 

P/1 – Não tem mais ninguém lá embaixo trabalhando?

 

R – Não. Que trabalha lá só eu de vez em quando eu vou lá e meu parceiro meu que vai lá. Nós vamos lá só para virar as bombas para tirar água.

 

P/1 – E tem luz ainda lá dentro?

 

R – Tem, tem iluminação. Tem.

 

P/1 – Nossa, deve ser uma coisa muito grande. E desativou por quê?

 

R – Por causa do custo, né? Muito caro o custo. Não estava dando... Não estava dando lucro para firma, né? Não estava tendo retorno, né? Só gasto, muito gasto.

 

P/2 – Mas por quê? Lá não tinha mais material para ser extraído?

 

R – Não, material lá é o melhor material que tem. Melhor material que tem é do túnel. O túnel tem um material lá que é de primeira. Só o problema é o seguinte: é muito... O custo é muito caro e dá muita mão-de-obra para tirar o material de lá. Mão-de-obra é demais. Então isso que eles pararam.

 

P/2 – Aí teve que procurar outras áreas?

 

R – Está céu aberto, né? Tira a parte de fora.

 

P/2 – Aí compensa mais então?

 

R – Compensa mais.

 

P/2 – Mas a qualidade não é a mesma, o material?

 

R – No céu aberto também tem material bom, mas no túnel é melhor. Que vai... Está para terminar também, lá. Mais dois anos acho que não tem mais minério lá. Lá é muito bom o material que tem lá. Bom mesmo.

 

P/1 – O que o senhor sente trabalhando todo esse tempo na Votorantim? Assim, quais são as palavras que o senhor...

 

R – Eu sinto melhor na fábrica do que na minha casa. (risos)

 

P/1 – Pronto. É mesmo?

 

R – É verdade. Sinto tão bem. Sinto porque a gente... A chefia não... Sabe o que a gente faz, resolve o problema. Então aonde a gente vai ficar à vontade porque a gente resolve. Que não precisa dele, precisa para uma coisa que não tem como a gente resolver. Então a gente fala com ele, mas a respeito do serviço, da função da gente, não precisa, não, que a gente resolve o problema.

 

P/1 – Se sente em casa.

 

R – Eu e meu parceiro lá é...  Inclusive o que trabalha comigo também está com 36 anos de firma. Eu com 41, ele tem 36.

 

P/2 – Como é que ele chama?

 

R – Servílio Correia.

 

P/2 – Ele é mais seu amigo ali na...

 

R – Para trabalhar junto nós dois.

 

P/1 – Trabalha junto desde o começo?

 

R – Não, com ele faz dois anos e pouco que eu trabalho com ele.

 

P/1 – E o período de vocês é de oito horas? Vocês ficam oito horas na fábrica?

 

R – Oito horas. Nós trabalhamos de segunda à quinta, das 6:00 às 16:00. E na sexta-feira, das 6:00 às 15:00. A gente sai às 15:00.

 

P/1 – Bom horário, né?

 

R – Bom horário.

 

P/1 – Fim de semana começa cedo. (risos) E o senhor sente que na região ali deve ter muita preocupação com essa coisa do meio ambiente, do...

 

R – É, tá...

 

P/1 – Como é que eles resolvem isso ali para abrir uma pedreira?

 

R – O meio ambiente está pegando pesado. Está pesado. O meio ambiente melhorou bastante ali, né? Meio ambiente, segurança do trabalho ali melhorou bastante.

 

P/1 – É uma preocupação grande da empresa?

 

R – É. Muita preocupação.

 

P/1 – E logo no começo o senhor não lembra disso, nem se falava disso?

 

R – Não. Na vila, você andava na vila, queimava a vista por causa do pó, ali da fábrica. Que nos fornos tinha... Eu trabalhava nos forno, eu era lubrificador; então tem o setor de braseiro, que era um serviço muito ruim também.

 

P/1 - O que é que fazia no braseiro?

 

R – Braseiro no... O clínquer caía, para cair no britador lá embaixo. O que acontecia? Vinha aqueles pelotão, aquelas pelotonas, aqueles ferrãozão, então tinha um... Tinha um funcionário para quebrar aquilo na marreta. Quente, aquilo vinha fogo, vinha queimando aquilo ali. Então tinha que quebrar na marreta para destrancar a boca do britador, na grelha ali. Agora já não tem mais isso aí porque o forno é moderno.

 

P/1 – E esse braseiro mandava fuligem para vila, isso que o senhor...

 

R – Não, o que mandava para a vila é o forno. Da chaminé do forno que mandava. Aí depois adaptaram o filtro no forno. Depois começaram... Colocaram o filtro, aí começou melhorar a poluição da vila já começou melhorar.

 

P/1 – E era coisa, assim, da gente perceber a poluição, o pó?

 

R – Percebia. A roupa... Punha roupa no varal, tinha que... Na hora que atacava o pó tinha que tirar a roupa do varal. Senão ficava duro de poeira.

 

P/1 – Que outras máquinas que tinha que o senhor lembra, como esse braseiro, que hoje já não tem mais? Qual é outra máquina que tinha que vocês usaram?

 

R – Ali dentro tinha sacudida. Tinha também uma máquina que é sacudida. Inclusive o pessoal para aguentar aquele serviço tinha que...

 

P/2 – Sacudida?

 

R – É.

 

P/2 – O que é que fazia?

 

R – O cara ficava embaixo daquilo ali, então fazia aquela limpeza. Então passava o clínquer, o clínquer passava sujo com um pó amarelo, mas quente que aquilo vinha fervendo. Então o cara tinha que ficar embaixo ali, limpando embaixo com a pá e aquele pó caindo em cima dele assim. Ponto ruim de serviço.

 

P/2 – O clínquer o que é?

 

R – O clínquer é o cimento.

 

P/2 – É o cimento?

 

R – É o cimento já, só que ele depois que queima ele, depois que ele está pronto, ele fica tudo bolinha assim, umas bolinhas, igual bolinha de gude. Aí depois que ele vai para o moinho para moer, mas já está pronto o cimento. Já vai para o silo, do silo vai para a secadeira. Vai para secar.

 

P/1 – Então, o primeiro passo do minério é virar as bolinhas?

 

R – Isso. O primeiro passo dele... Não, é o último passo dele é virar bolinha.

 

P/1 – É, último passo.

 

R – Último passo. Pelo último passo ele vira bolinha. Depois vai moer ele, aí é o cimento.

 

P/1 – O que mais? Vamos ver. E dos Ermírio de Moraes, eles iam na fábrica, a família, eles apareciam lá?

 

R - O que ia muito nas fábricas era aqueles mais antigos, né? Mais antigo ia. Os outros vão, mas é mais pouco, né?

 

P/1 – E antigamente era mais constante?

 

R – Era mais constante, ali mais constante.

 

P/1 – O senhor lembra de visitas deles?

 

R – Lembro. Lembro até... Naquele tempo trabalhava na Votorantim uns 15, eu acho que uns 12 anos mais ou menos. 12. Inclusive eu não morava ali. Passava na casa do meu irmão. Então eu peguei, fui... Tinha padaria ali, fui comprar pão. Aí ele passou. Ele passou, nisso correu um cara atrás dele, um rapazinho atrás dele. Deve ser funcionário da Votoran, né? E aquele pó caindo. Ele estava com terno preto, roupa preta, e o cara chegou nas costas dele, bateu: “Doutor, quanto pó na costa do senhor”. “Deixa aí, esse aí é o meu dinheiro, rapaz. É o meu dinheiro que está aqui. Pode deixar o pó aí”. Falou para ele assim. Não deixa bater o pó da roupa, não.

 

P/1 – Mas o pó caía assim?

 

R – Caía, naquele tempo caía. Aquele tempo foi uma coisa de chuva. Parecia uma chuva, sabe? Porque quando atacava o vento virava, principalmente para o lado da vila, nossa mãe! As casas davam para andar por cima, formava uma laje nas casas. Caía.

 

P/1 – Nossa, que dureza!

 

R – Agora depois começaram adaptaram o filtro nos fornos, aí começou a melhorar.

 

P/1 – E o pessoal da vila não reclamava, não fazia um movimento, assim, para... Não pressionava para melhorar esse monte de pó?

 

R – Reclamava, precisava morar ali. Não tinha como reclamar, né?

 

P/2 – E esse filtro, quando é que eles colocam? Quando começa ter o filtro na...

 

R – O filtro agora já começa junto com o forno, né? Conforme coloca o forno já coloca o filtro. Primeiro o filtro, depois...

 

P/2 – Mas o senhor lembra, mais ou menos, em que época que começou isso?

 

R – O primeiro filtro foi colocado foi no forno seis.

 

P/2 – Forno seis.

 

R – O único que teve filtro foi o forno seis. Agora tem esse forno um e forno dois que tem filtro. Que o forno, quando eu trabalhei tinha o forno um, tinha o forno dois, forno três, forno quatro, forno cinco e forno seis. Eu tomava conta de todos esses fornos durante o meu horário. Só o que tinha filtro era só o seis. O forno seis tinha... Vou ver se eu lembro a data desse forno... Deve ser 1978 mais ou menos. 1978 para cá começaram a colocar filtro. Aí melhorou. Só que tinha filtro só esse aí, os outros não tinha, né? Só o forno seis que tinha filtro. Os outros fornos já não tinham.

 

P/1 – E as pessoas acharam ruim quando tiveram que sair da vila ou acharam bom?

 

R – Acharam ruim porque lá eles não pagavam luz, não pagava água, não pagava aluguel. Quem saiu para alugar casa ali não achou bom, não.

 

P/1 – A empresa dava casa com água, luz...

 

R – Tudo.

 

P/1 – Não era nada cobrado?

 

R – Descontava um pouquinho, mas muito pouquinho. Muito pouco.      

 

P/1 – E não houve nenhuma indenização, nenhuma ajuda depois para quem alugava? Não tinha uma ajuda para quem alugava casa?

 

R – Não, quem saiu de lá para demolir a casa o material ela deu. Quem morou na vila lá pegou, mandou desmanchar a casa e podia levar o material para construir em outro lugar. Isso ela fez isso aí.

 

P/1 – E o senhor lembra do dia da sua mudança da vila como foi?

 

R – Da vila para Votorantim?

 

P/1 – É.

 

R – Mudei em 1987. 1987 vim embora. Aí comprei uma casa aqui, aí vim embora. Só que saí arrependido de mudar de lá, que a casa que eu morava lá era muito boa, a casa. Depois vim morar aqui, minha casa não estava terminada. Essa casa com o chão todo sem acabamento. Sabe que a mulher, a esposa da gente reclama para caramba. Lá a casa terminadinha, todo bonitinha.

 

P/1 – Que mais? Vamos ver.

 

P/2 – Tem algum momento especial que marcou o senhor dessa época toda, uma coisa que ficou marcante do seu trabalho, da convivência com seus amigos?

 

R – De alegria, você fala? Ou de tristeza?

 

P/2 – Qual, o senhor que sabe.

 

P/1 – Um de cada um. (risos)

 

R – Só alegria, que marcou pra mim. Não tive tristeza, não tive. Toda vida foi alegria, só alegre. Toda vida foi alegre, não tem que reclamar de nada.

 

P/1 – Não teve momentos difíceis que a produção não ia, ou que a coisa não dava certo? O senhor lembra de um momento difícil?

 

R – Ah, teve, isso teve. A produção não deu certo na produção de cal, né? Porque trocaram um químico lá e mandaram o químico embora, e pôs outro químico lá. E o químico pegou e fez uma... Errado lá. Então analisou um material errado lá e isso voltou, acho que umas 20 carretas de cal voltaram embora, não prestou. O cal não prestou. Aí eles vieram todos para cima de mim. Falei: “Não tenho culpa nenhuma. O meu serviço não é isso aí. O meu serviço é fazer o material. Agora química não é minha. Eu não sou químico. O cara deu essa química para mim, eu peguei, eu fiz... Comecei fabricar o cal, agora para química, eu não tenho a ver com química”. Isso voltou acho que umas 14 carretas de cal. Depois daí foi caindo, caindo e terminou. Também desativaram, essa fábrica foi desativada. Era em 77 funcionários. Quando desativou essa fábrica aí desativou em 1967. Ainda dispensaram quase todo mundo. Só sobrou cinco e eu no meio desses cinco, eu fiquei também. Aí eu fui transferido para fábrica.

 

P/1 – E hoje cal não faz mais?

 

R – Não, não faz mais cal.

 

P/1 – É só cimento?  

 

R – É só cimento.

 

P/1 – E a produção é grande, não é? A Votoran só tem lá?

 

R – É, tem a unidade um e a dois.

 

P/1 – Mas...

 

R – Tem duas fábricas lá. Tem a um que é em Santa Helena e tem a dois que é no Salto de Pirapora. Agora o que vira a todo vapor era Salto. A de Santa Helena ela vira, vira um pouco, para um pouco. Santa Helena não vira... Não vira direto, né? O que vira direto é o Salto de Pirapora. Salto vira.

 

P/1 – Bom, então são duas. O senhor falou que são 300 pessoas mais ou menos?

 

R – Eu calculo mais ou menos, 300 a 400 funcionários. Só que tem muitos funcionários lá, mas é empreiteiro, né? Empreiteiro tem bastante. Serviço terceirizado tem muito.

 

P/1 – O pessoal vai lá cavar o buraco. E depois reaproveita o local que morre a pedreira...?

 

R – Não, não aproveita mais.

 

P/1 – Não dá para construir nada?

 

R – Nada, nada.

 

P/1 – Fazer nada. Vira uma...

 

R – Se deixar enche d’água. Então tem que manter as bombas lá para não deixar encher d’água.

 

P/1 – Dá para fazer uns lagos assim, umas coisas?

 

R – Só se você deixar encher d’água e fazer um criame de peixe, lá. Pode, dá para fazer sim.

 

P/1 – Porque fica totalmente abandonado?

 

R – Fica. Menos o Baltar. O Baltar não dá para fazer, né? Que o Baltar, se deixar ela encher d’água, ela vai entrar água no túnel porque o túnel ele tem uma boca que sai naquela pedreira ali, sabe? Se deixar encher o Baltar de água, ela vai encher o túnel de água. E o túnel não quer deixar encher porque não sabe se mais tarde não vai precisar de extrair minério dali. Se um dia precisar extrair minério dali como é que eles fazem? Então tem que manter seco ali, sem água ali. Tem que manter a bomba virando ali.

 

P/1 – Essas fábricas não têm usina própria geradora de energia, ou tem?

 

R – Tem, a CBA é dela. A CBA é da Votorantim.

 

P/1 – Não, mas lá na região tem usina para gerar energia para fábrica ou não?

 

R – Não, lá tem... Não tem, não. Vem da Cachoeira do Fumaça e da CBA, que vem a força.

 

P/1 – Ah, tá. Vem da Cachoeira da Fumaça.

 

R – Vem um pouco de lá e vem daqui também.

 

P/1 – Entendi. O que mais?

 

P/2 – Tem alguma coisa que a gente não tenha perguntado para o senhor, que o senhor queira contar alguma coisa...

 

R – Tem, tem uma coisa que não perguntou para mim. Se eu falar você não acredita. A limpeza da pedreira, eu conheci pouco, mas eu era criança, naquele tempo não trabalhava nem na Votoran. A limpeza da pedreira era feita com burro. Então o que eles faziam? Tiram os homens que... Pá e picareta, carregava a carrocinha, tinha a carrocinha, tinha o burrinho, né? E o burrinho era ensinado, entendeu? O burrinho já era prático. Ele caminhava uns, daqui uns... Acho que uns 600 metros, mais ou menos, sozinho. Ele andava sozinho, ninguém. Ele chegava lá, chegava no aterro, aí o outro descarregava ele e vinha sozinho, entendeu? Aquela fila de burrinho, um atrás do outro de carrocinha. Os caras carregavam a carrocinha e soltavam, o burrinho ia embora. Vinha sozinho, não precisava ninguém para tocar ele. Aí chegava lá no aterro, descarregava. Tinha um que descarregava ele lá, ele vinha sozinho. Se fala para tu, tu não acredita: “Isso não é verdade”. Os burrinhos já eram ensinados, já.

 

P/1 – E depois os burrinhos foram substituídos?

 

R – Aí foi substituído por máquina, né? Substituído por T8, carregadeiras. Mas o homem começou com isso aí. O Moraes começou com... A limpeza da pedreira com burrinho. Os caras carregavam a carrocinha, aí os burrinhos levavam. Formava aquela filinha de 30, 40 burrinho atrás do outro com as carrocinhas. Chegava lá no aterro, os caras descarregavam a terra, aí soltava, ele vinha sozinho. A distância era longe. Distância de dois, três mil metros, assim, mais ou menos, ele vinha.

 

P/1 – Olha. Então tinham muitos burrinhos?

 

R – Burrinho. Jeguinho.

 

P/2 – Tinha que ter um espaço, então, para cuidar também dos burrinhos?

 

R – Tinha, tinha, tinha.

 

P/2 – Na vila mesmo?

 

R – Na vila mesmo tinha os caras que... Os burrinhos eram bem tratados. Tinha sim. No começo da Votoran foi isso aí. O começo da Votoran foi... Eu vou contar, contaram para mim, que eu sou tão velho, mas nem tanto assim. (risos) meu pai falava que ele começou com forno de barranco, o Moraes.

 

P/1 – E o que é forno de barranco?

 

R – Forno de barranco é o cal, para fazer cal. Faz um buraco no barranco, então ele queimava a pedra e fazia o cal. Ele começou, a riqueza dele começou assim. E ele vendia também o chinelo na rua. Esse homem vendia chinelo na rua. Fazia aquelas sandálias, colocava nas costas e saía para vender para a vila. O começo dele, a riqueza foi e agora está onde está.

 

P/1 – Lá na fábrica vocês tem... Vocês tinham uma estrada de ferro também que passava?

 

R – Tem, tem estrada de ferro.

 

P/1 – Ainda está funcionando?

 

R – Tem a estrada de ferro de Sorocaba até Santa Helena. Só que está quase desativada porque não puxa mais cimento por vagão, né? Mais agora é caminhão só, né?

 

P/1 – E está desativada lá?

 

R – Também roda lá, mas está mais desativada. Difícil funcionar. É mais caminhão que puxa... Primeiro tinha... Uns tempos estava rodando para puxar carvão, né? O carvão, a escória e o gesso. Agora vem por caminhão, agora. Quer dizer que não vem por via férrea mais.

 

P/1 – Então teve os burrinhos, o trenzinho...

 

R – Os burrinhos, aí começou a riqueza dele. Não pode esquecer do burrinho, né? (risos)

 

P/1 – Seu Paulo, o que o senhor sentiu quando o senhor foi convidado para contar um pouco a história da Votorantim? O que o senhor achou disso?

 

R – Eu vim, mas eu não sabia direito o que vim fazer aqui. (risos) Um fala de um jeito, outro fala do outro, eu não sabia.

 

P/1 – O que é que falaram para o senhor? 

 

R – Falaram que era uma palestra que eu vim fazer aqui. Não sabia...

 

P/1 – Que era para o senhor contar um pouco da sua história na Votorantim? E o que mais o senhor lembra, fora a história do burrinho, que a gente não perguntou, que o senhor acha interessante contar?

 

R – Eu acho que é só essa mesmo. Ó que a gente ouvia o povo falar, a molecada: “Como é que pode um burro andar sozinho sem ninguém guiar ele?” Não, ele andava sozinho. Ele era treinado para isso, né?

 

P/1 – No auge, quantos funcionários o senhor disse que tinha, mais de mil, no auge da fábrica?

 

R – Eu calculo que tinha mais de dois mil, tem 2700 mais ou menos, tempo do Botésio, gerente que tinha lá. Acho que tinha muitos funcionários lá.

 

P/1 – Isso foi na época que o senhor entrou?

 

R – Na época que eu entrei. E agora está... Funcionário tem bastante, só que...

 

P/1 – É terceirizado.

 

R – É terceirizado. Mas melhorou muito. A Votoran ali melhorou bastante, nossa! Melhorou bastante. A fábrica não vira igual virava ontem, né? Ontem a fábrica virava... Não podia parar 15 minutos. Agora fica parado direto, né?

 

P/1 – Quanto tempo ela fica parada?

 

R – A unidade um está parada direto, quase. Ela vira de cada três mês, né? O que vira é a dois. A dois vira direto. A dois que é o Salto de Pirapora. Essa aí vira direto. A um é que está meio devagar. Agora está o projeto que vai virar, vai pegar todo vapor lá.

 

P/1 – E lá os turnos, então, não ficam virando direto? Não tem necessidade de virar turno?

 

R – Não.

 

P/1 – A noite inteira?

 

R – Virar, vira, mas é só a turma da produção que vira. Produção, mecânico, plantão elétrico, essas coisas, mas pouco funcionário que vira a noite. Mas é horário administrativo, né? Das 7:00 às 17:00.

 

P/1 – Está ótimo. O senhor aproveita, se lembrar de mais alguma coisa, conta agora. Conta para gente.

 

R – Acho que não tem mais nada para falar.

 

P/1 – Não?

 

R – Falei tudo já. Ah, tem mais uma coisa fantástica. Além da fábrica de cal tinha fábrica de pó. Tinha mais uma fábrica lá.

 

P/1 – Fábrica de pó?

 

R – Esqueci a fábrica de pó. Pó calcário. Ali na fábrica de cal tinha fábrica, só que eu não trabalhei nessa fábrica. Essa fábrica, a Parda, ficava vizinha com a de cal. Também foi desativada essa fábrica.

 

P/1 – Mas essa fábrica de pó, pó para quê?

 

R – Pó calcário.

 

P/1 – Para que se usa?

 

R – Pó calcário é para lavoura, né?

 

P/1 – É?

 

R – É. Só para lavoura, para pôr em planta, plantação. E também foi desativada essa aí.

 

P/1 – E essa parte que foi desativada ela fica lá?

 

R – Não, lá desmancharam tudo, demoliram tudo, lá não tem mais nada. Lá ficou depósito agora de carvão e depósito de escória. Todo depósito de pó lá não tem mais nada.

 

P/1 – Então diminuiu, a fábrica diminuiu?

 

R – Diminuiu.

 

P/1 – Está bom.

 

P/2 – E o senhor pretende continuar trabalhando?

 

R – Esse ano, se Deus quiser, eu acho que esse ano aqui... Vamos ver, né? Talvez esse ano aqui...

 

P/1 – O senhor tem vontade de parar de trabalhar?

 

R – Ah, descansar um pouco, né? Descansar.

 

P/1 – Aproveitar um pouco. O senhor conheceu a sua esposa lá na vila ou lá em Votorantim?

 

R – Na vila.

 

P/1 – Na vila.

 

R – Na vila.

 

P/1 – A família dela também era...

 

R – Da vila também. Pai dela tudo de lá. O pai dela trabalhou acho que 40 anos na Votoran também. O pai dela é que fazia esse serviço que estava falando de carregar pedra lá. Um serviço. Aposentou nesse serviço aí.

 

P/1 – Então a família toda está ligada lá?

 

R – Está tudo ligado lá.

 

P/1 – Muito bom. Então eu acho que é isso. O senhor queria dizer mais alguma coisa, seu Paulo?

 

R – Não, eu falei tudo da fábrica.

 

P/1 – O que o senhor... Uma mensagem para o senhor mesmo desses 40 anos que o senhor trabalhou lá, alguma coisa que ficou, o que o senhor quiser.

 

R – Até... Está bom.

 

P/1 – Está bom?

 

R – Só isso aí, não tem mais nada.

 

P/1 – Então a gente queria agradecer o senhor ter vindo até aqui conversar com a gente.

 

R – Está bom. Obrigado.

 

P/1 – Tão longe tomar esse susto com São Paulo que o senhor tomou. (risos)

 

R – É, é verdade.

 

P/1 – Então muito obrigada.

 

P/2 – Muito obrigado.

 

R – De nada.

 

 

[Fim da Entrevista]

 

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