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História

Sentimento Petroleiro

História de: Egídio Silva Filho
Autor: Thais Montanari
Publicado em: 25/02/2021

Sinopse

Infância em vários Estados brasileiros. Foco na área de simulação de reservatório na Petrobras. Licitação do petróleo e do pré-sal. Mudança da lei do petróleo em 1998. Crises econômicas. Criação da gerência de desenvolvimento de produção e gerência executiva do pré-sal. Características dos reservatórios de pré-sal. Descoberta do Campo de Tupi. Investimento em tecnologias na Petrobras para trabalho com o pré-sal.

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História completa

Memória Petrobras

Depoimento de Egídio Silva Filho

Entrevistado por Morgana Mazzeli e Douglas Thomas

Rio de Janeiro, 21 de julho de 2009

Realização Museu da Pessoa

Entrevista MPET_HV006

Transcrito por Ana Lucia Queiroz

Revisado por Júlia Teixeira Reis

 

 

 

 

P/1 – Quero começar a entrevista pedindo para você dizer seu nome completo, local e data de nascimento.


R – Meu nome é Egídio Silva Filho. Nasci em Salvador, Bahia, em primeiro de junho de 1957.


P/1 – Diga também o nome dos teus pais e o que eles faziam.


R – Meu pai chama-se Egidio Silva, é militar, coronel reformado e a minha mãe Silvia Lira Nascimento Silva.


P/1 – O que eles fazem?


R – Meu pai é militar, e a minha mãe era doméstica. Naquela época mulher de militar não trabalhava porque tinha que acompanhar o marido que mudava muito.

Apesar de ter nascido em Salvador, eu sou baiano, eu só nasci em Salvador. Eu saí de Salvador com um mês de idade. Sou baiano simplesmente porque tenho uma certidão de nascimento da Bahia.


P/1 – Você saiu de lá com um mês de idade e foi para onde?


R – Fui para Mato Grosso. Meu pai foi para Mato Grosso, minha irmã já nasceu em Mato Grosso. Depois nós viemos para o Rio; depois fomos para Recife; voltamos para o Rio; voltamos para Mato Grosso; voltamos para o Rio. Ficamos no Rio. O Rio é a minha cidade; a cidade que eu adotei e estou aqui há anos. Fiz toda a minha faculdade aqui; estudei aqui; comecei a fazer mestrado aqui. É a cidade que eu adotei; que eu considero a minha cidade. Mais do que Salvador, apesar de adorar Salvador também.


P/1 – Você tem irmãos?


R – Tenho uma irmã, Nívea Regina. Ela é médica; mora aqui no Rio, aqui perto, em Botafogo. Nós moramos todos aqui: Meus pais moram aqui; eu e minha irmã moramos aqui. A minha família é muito pequena. Além da minha irmã tenho mais três filhos e tenho duas netas. 


P/1 – Conta um pouco como foi a sua infância.


R – A minha infância foi como de todo filho de militar. Era uma coisa sem raiz. Seu pai geralmente é transferido a cada dois, três anos. Então a cada dois, três anos você tem que aprender a fazer novas amizades, conhecer novas pessoas. Eu sou uma pessoa que não tem amigos de infância porque esses amigos de infância se perderam no tempo. Eu comecei a me perceber com mais pessoas conhecidas a partir dos catorze, quinze anos. 

A minha infância, que eu me lembre da mais tenra infância, foi uma coisa legal. Me lembro que na época que a gente morou no Rio da primeira vez a gente morava em Teodoro,o, que o meu pai fazia uma escola; havia uma concentração de quartéis lá. Eu me lembrava de uma praça, muita criança brincando, gritando, do jardim da infância, que tinha que atravessar uma rua. Lembro-me vagamente. De Teodoro eu fui para Recife, em Olinda. De Olinda me lembro bem, porque a gente morava perto da praia. Olinda, no final da década de 1960, era uma coisa muito, que não é hoje. Olinda era diferente! A gente ia à praia todos os dias. A mamãe levava a gente à praia todo dia no final da tarde; a gente via o pescador chegar com peixe na rede. Davam peixe para gente. Ela levava; a moça que ajudava em casa fritava; a gente comia. Era uma coisa bem de interior. Infância de interior. Depois a gente mudou para Recife, para a cidade de Recife. Eu já tinha uns nove, dez anos e começou a época de você começar a se enturmar com as pessoas do seu grupo. A gente morava  em um edifício de militares; tinha uma rede de vôlei, a gente jogava vôlei, a gente brincava. E ficamos naquele edifício até a gente mudar para o Rio. A gente veio morar bem perto daqui. A gente morava na Urca. 


P/1 – Esse período em Recife, que você já estava mais velho, tem mais lembranças, você falou que era um prédio militar, vocês jogavam vôlei e brincavam. O que mais de brincadeira vocês tinham?


R – Era uma vida feliz porque as exigências de antigamente não eram iguais as de hoje. Antigamente você vivia com menos coisas e vivia bem. Hoje em dia você quer muito mais coisas para se sentir feliz. Aquela época felicidade era um conceito muito menos exigente do que é hoje. Você era feliz com pouca coisa. Eu acho que era bom isso. Lembro do colégio, que era uma coisa que gravou muito porque com essas mudanças todas eu passei por muitos colégios. Eu fazia praticamente um ano em cada colégio. Então a grande preocupação dos meus pais era que a gente não se atrasasse; não perdesse o fio da meada. Isso foi uma coisa que a gente conseguiu. Tanto eu quanto minha irmã nunca nos atrasamos; nunca tivemos problemas com isso. Estudei em colégio militar, porque meu pai era militar. Acho que todo filho de militar está fadado ou a ser militar, coisa que eu não queria ser; uma coisa que eu tinha muito clara na minha cabeça desde o começo. Que eu não queria ser militar por causa daquela disciplina muito austera, aquela coisa muito hierárquica. Apesar de na Petrobrás não ser tão diferente, mas é uma coisa mais relaxada. Então eu estudei em colégio militar e quis sair do colégio militar. Eu estudei no colégio militar em Recife, aqui no Rio de Janeiro. Aí no final eu saí do colégio militar para um colégio normal. Normal que eu falo é um colégio, no caso foi o Zacarias, no Catete. Estudei no Zacarias, fui para Mato Grosso, estudei no Salesiano. Fiz Impacta e aí começou aquela coisa toda de vestibular e etc.


P/2 – A educação que os seus pais davam para vocês era uma educação bem rígida?


R – Todo militar tem por si só uma coisa bastante rígida. Você reconhece filho de militar à distância: ou é rebelde demais ou é enquadrado demais. Eu sou do lado do enquadrado demais. Você tem uma postura da vida que os teus pais passam. Então você tem aquela hierarquia de militar que você geralmente absorve. Em casa você tem aquele respeito que é pai e mãe. Que é aquela coisa toda. A mamãe sempre foi uma pessoa muito presente em casa, de tomar conta da casa. Certas coisas não eram permitidas e outras eram. Arrumar a cama: Tinha que arrumar a cama. Não podia sair sem arrumar a cama; não podia deixar a toalha em cima da cama; essas coisas todas. E isso eu guardo até hoje. Até hoje eu arrumo a cama; até hoje eu coloco a toalha no banheiro. Os meus filhos não fazem isso, mas quando chegam em minha casa, fazem. 


P/1 – Conta um pouco mais do período da escola. Você tem alguma lembrança marcante da sua época da escola?


R – No primário eu estudei em vários colégios e o que me marcou um pouco mais foi o Marista, de Recife. Foi um colégio que eu gostei bastante, o colégio São Luiz, que eu fiz o quinto ano. Naquela época não era comum fazer quinto ano. Na minha época havia o tal de exame de admissão ao ginásio. Mas quando acabei o quarto ano primário, eu tinha nove anos, e não podia fazer exame de admissão com nove anos, só com dez. Tanto que eu não me atrasei nos estudos por causa disso. Eu fiz o quinto ano e no colégio que eu estudava não tinha quinto ano. Então fui fazer o quinto ano no marista. Foi a época que eu gostei mais porque era um colégio de padre e era um colégio grande; tinha muita gente. Lembro-me que ia a pé. Eu morava em Recife e aquela época você andava a pé pela cidade. Era uma distância “andável”, digamos assim, até o colégio. Nunca dependi de transporte, essas coisas todas. Mas só fiz o quinto ano lá porque logo depois veio a história do exame para o Colégio Militar. Aí fiz exame para o Colégio Militar e fiquei lá três anos no Colégio Militar de Recife e um ano no Colégio Militar daqui. Foi uma época que foi boa: teve seu lado bom e seu lado ruim, como tudo. Eu não gostava daquela disciplina muito austera. Acho que foi o Colégio Militar que me fez optar por não ser militar. Mas gostar, eu gostei. Aprendi muito. Também não gostava muito daquela disciplina austera: ___ aos sábados, formatura geral onze horas da manhã, com sol a pino. Isso eu não gostava, realmente não gostava. Tanto não gostava que eu resolvi sair para uma vida que achava que se adaptaria melhor com o meu estilo de vida.


P/1 – E nessa época tinha alguma matéria preferida?


R – Eu sempre gostei da matemática. Eu queria ser médico; não queria ser engenheiro. Na época de estudo eu estava sempre entre ser médico ou ser engenheiro. A minha dúvida crucial era essa. Nunca pensei em nada além dessas duas profissões na minha vida: Ou médico ou engenheiro. Acho que a minha irmã é médica hoje porque eu não fui. Porque se eu tivesse sido médico talvez ela não fosse médica. Na época que eu fui fazer vestibular, do científico – eu peguei aquela forma de ensino que eles dividiram o científico em áreas: Exatas, humanas e biomédicas – foi que eu optei por exatas. Mas até a hora do vestibular eu não estava bem certo. E acho que teria sido um ótimo médico também. 


P/1 – Duas coisas bem diferentes.


R –Bem diferente, seria outra vida. Teria um lado mais humano. Acho que engenheiro é muito cartesiano. Tem aquela visão muito: “Dois mais dois são quatro e não pode ser diferente”. Mas a gente vê que pode ser diferente. Nem sempre tudo é como a gente pensa que é. A gente tem que ser sempre um pouquinho aberto; enfrentar a vida como ela aparece e não como a gente quer que ela seja.


P/1 – Você falou no início que lá pelos seus 14 anos você foi se dar conta de ter um grupo de amigos.


R – Por conta do colégio. 14 anos, não, um pouco menos que isso. Eu diria que em Recife, lá pelos 10 anos. Que era a época do jogo de vôlei, tinha um campo de vôlei no prédio e a gente descia todas as tardes para jogar vôlei, para brincar de polícia e ladrão. Depois, quando mudei para o Rio perdi esse grupo de amigos e foi difícil fazer outros porque o Rio é uma cidade difícil, uma cidade complicada para uma pessoa que está chegando se adaptar. Porque os grupos aqui no Rio são pré-estabelecidos; para você entrar em um grupo desses vindo de fora e, principalmente, falando de um jeito diferente. Porque as pessoas aqui do Rio, quando eu abro a boca podem achar que eu não sou daqui, mas quando eu abro a boca lá também sabem que eu não sou de lá. Nem de lá nem de cá. Eu não tenho sotaque: Não sou carioca, carioca e também não tenho sotaque nordestino. Mas na época foi meio complicado aqui no Rio. Mato Grosso foi uma coisa legal, depois que eu saí daqui fui para Mato Grosso, uma coisa bem legal também, eu passei um ano só lá. Foi a escola dos salesianos; foi no final do científico lá. O Zacarias já foi bom. No Zacarias tinha uns amigos que moravam na Urca, ali perto. A gente saia para andar de barco aqui na baía de Guanabara. Eles tinham um barco pequenininho. Quando a gente terminava de estudar pegava o barquinho, dava uma andada aqui pela baía e voltava para lá. Eu ia para casa a pé. Era uma coisa boa. E depois no Mato Grosso foi no Salesiano; a gente nadava muito. Não tinha nada para fazer! Morava em Corumbá, que era uma cidade muito pequena. A gente só tinha que ir ao barzinho, ao cinema e voltar para o colégio. Você estudava de manhã e voltava para o colégio de tarde porque lá você tinha vôlei, basquete, natação. O colégio era grande; tinha piscina. Eu nadava na época.

Depois que saí de Mato Grosso esse mundo das diversões acabou porque eu vim fazer vestibular. Eu sempre encarei as coisas com muita determinação. Eu queria fazer; queria passar e não existia a hipótese de não passar. 


P/1 – O seu pai tinha alguma expectativa de carreira para você? Ele queria que você fosse militar?


R – Não, meus pais nunca pressionaram. Como eu procurei não pressionar os meus filhos, os meus pais nunca me pressionaram. Principalmente porque ou eu seria médico ou engenheiro. Então são duas carreiras que estão fora de questão em qualquer época. Todo mundo quer ter filho médico, engenheiro ou advogado. Se eu tivesse escolhido ser sociólogo, historiador, talvez tivesse sofrido algum tipo de pressão, mas como era ou médico ou engenheiro, tanto faz. Nunca senti essa pressão. Talvez mais para o médico. A minha mãe queria mais que eu fosse médico. Ela criou isso na cabeça. Tanto que quando eu fiz inscrição no vestibular para engenharia ela ficou meio desapontada.  


P/1 – Você falou que tinha muitas dúvidas: O que motivou você a escolher a engenharia?


R – Como eu já tinha feito toda a opção no científico pelas exatas, eu achei que seria muito incoerente no último ano eu simplesmente virar e começar a fazer para medicina. Porque quando você fazia científico você praticamente não tinha biologia. Mas só que no cursinho – eu fiz IME – ITA [Instituto Militar de Engenharia – Instituto Tecnológico de Aeronáutica] – não tinha uma biologia muito pesada e eu achei que seria meio incoerente. Então eu fiz engenharia. Além do mais que eu sempre gostei mais de matemática do que de biologia. A medicina tinha muito mais o lado de você lidar com as pessoas; ajudar as pessoas. E a engenharia tinha muito mais aquela essência de racionalidade. Acho que foi isso que me levou mais para a engenharia: Racionalidade. 


P/1 – E como foi o período dos estudos da faculdade? Onde você estudou?


R – Estudei na UFRJ [Universidade Federal do Rio de Janeiro], fiz vestibular aqui, acabei a faculdade em 1979, tinha 17 anos na época que entrei. Fiz a UFRJ toda, porque aí a gente deixou de se mudar também. Desde a época que fiz vestibular não mudei mais. Fora a interrupção de um ano no Mato Grosso, praticamente do ginásio até o final da faculdade eu morei aqui no Rio. A gente sabia que seria um ano. Papai iria e voltaria para o Rio e isso a gente já sabia. Porque ele queria que nós fizéssemos o vestibular aqui no Rio. 

A faculdade foi uma coisa tranquila. Fiz muitas pessoas conhecidas na faculdade. Quase toda a minha turma trabalha comigo hoje. É uma coisa estranha porque a gente não se reconhece velho. Como você conhecia todo mundo com 17 anos – tenho pessoas que trabalham comigo que conheço desde os 17 anos; que hoje tem 50 e continuam trabalhando comigo – é uma coisa legal. A gente manteve essa união de grupo. Pessoas que já saíram da Petrobrás; pessoas muito queridas. Principalmente uma amiga minha muito querida que já saiu. Encontrei com ela outro dia. Está trabalhando em outra empresa agora. Ela organiza todas as festas. Esse ano nós vamos fazer 30 anos de formados, ela está organizando tudo. Já está trocando e-mails com a turma. Foi uma faculdade boa; foi uma época tranquila. Eu nunca tive problemas na faculdade de cumprir essa determinação. Nunca tive problemas de dependências, de repetir matérias, de ficar pendurado. Nunca tinha sido uma coisa muito brilhante, mas sempre tive uma regularidade de médio para cima. Nunca dei problema para os meus pais nessa questão de estudo e pré-vestibular. 


P/2 – Você chegou a fazer a prova do IME, do ITA?


R – Eu fiz a prova do IME mais pelo meu pai do que por mim. Porque na época era o IME, o IME, o IME. Mas eu não queria. Eu resolvi fazer a UFRJ porque quando me lembrava do IME me vinha muito a memória o colégio militar, aquela história de ser soldado. Ser soldado, não; sei lá o que é. Mas alguma coisa relativa. Você tinha o certificado de reservista como aspirante, ou como não sei o quê. Era uma coisa que eu não queria. Então optei pela UFRJ. Não me arrependo nenhum momento da UFRJ. 


P/2 – Qual foi o curso que você fez?


R – Eu fiz engenharia civil. Também é coisa que muda com a vida, porque eu entrei para fazer eletrônica. Naquela época o vestibular era de engenharia, não como é hoje. Você fazia engenharia, pelo menos a UFRJ, a PUC [Pontifícia Universidade Católica], a PUC na época o vestibular era unificado. Tinha aquela lista de faculdades enormes e você saia escalonando o que você queria e o que não queria. Normalmente você colocava o quê? Todas as públicas e a PUC, depois a Gama Filho e o resto. A Gama Filho era boa naquela época, era bastante boa. Coloquei a UFRJ na primeira opção; entrei na UFRJ e fiquei lá durante cinco anos. Quando acabou a faculdade eu achava que sabia muito pouco e resolvi fazer mestrado na COC [Casa de Oswaldo Cruz]. Fiz engenharia civil, fui fazer mestrado, eu sou engenheiro estrutural, calculista. Eu era; não sou mais nada. Eu era tudo, hoje em dia não sou mais nada. Eu era calculista; fazia cálculo de edifício, ponte, essas coisas todas. Eu achava que estava faltando alguma coisa e resolvi fazer mestrado na COC; fiz uma prova da COC horrorosa; daquelas que você sai sem saber nem o que escreveu direito, mas no final passei, aí fiz um ano de mestrado na COC e foi quando apareceu o concurso da Petrobrás. Tanto que as pessoas do meu ano, que se formaram comigo, entraram um ano antes, porque elas fizeram em 1980. Que é essa turma que não fez nem (ECT?); fizeram aqui pelo Rio; iam ficar aqui no Rio mesmo. E eu fiz só no ano seguinte, em 1981. Porque o mercado estava muito ruim e eu vi que a COC não era aquilo que eu imaginava que fosse. Havia uma crise de emprego muito grande e eu imaginei o seguinte: “E seu eu acabar isso aqui eu vou ser professor? É isso que eu quero? Eu quero ser professor?”. Aí olhava para alguns dos meus professores: “Igual a ele eu não quero ser. Ser for para ser igual a ele eu não quero ser professor”. Aí apareceu o concurso da Petrobrás e eu fiz. Foi uma coisa muito interessante que era um domingo de sol; a prova foi na UERJ [Universidade Estadual do Rio de Janeiro], aquele mundaréu de gente; que era um concurso nacional, uma coisa de doido. Eu olhava para aquele mundo de gente e falava: “Gente, o que estou fazendo aqui? Eu podia estar na praia! Porque eu não vou passar nisso. Tem esse mundo de gente aqui. É impossível!”. Aí no final passei e quando passei foi o dilema: “O que eu faço? Eu largo a (COP?)? Eu tinha fechado os créditos; tinha fechado a pós-graduação e estava faltando a tese. Eu tinha começado a tese. Prosseguir a tese não dava porque o meu curso da Petrobrás foi em Salvador. Então eu não podia ter um orientador aqui; fazer mestrado em Salvador. E o curso da Petrobrás foi bastante pesado. Um curso de engenharia do petróleo bastante pesado. Você tem que se dedicar bastante. E tem regime meio de terror, de reprovações. Tem que tirar nota e isto e aquilo. Então eu optei pela Petrobrás. A Petrobrás é emprego e a (COP?)? daqui há um ano estarei com um diploma, vou ser mestre e essas coisas – que eu nem sei se é isto que eu quero – e vou estar sem emprego do mesmo jeito. Aí eu optei por entrar na Petrobrás e não me arrependi nenhum minuto até hoje. Acho que fiz a escolha certa apesar de gostar de dar aulas. Eu até gosto de dar aulas. Eu dou aulas às vezes. Acho que as pessoas também gostam desse tipo de aula que eu dou, mas não é uma coisa que eu dedico a minha vida a isto. 


P/1 – A Petrobrás foi então seu primeiro trabalho.


R – Fora os estágios que fiz em obras quando eu era engenheiro civil. Aí decidi também que ia trabalhar em obras, aí fui para Petrobrás. Foi meu primeiro trabalho, meu primeiro emprego, minha primeira carteira, com INSS [Instituto Nacional do Seguro Social] e tudo profissional, digamos, foi da Petrobrás.


P/1 – Você ingressou em 1981.


R – Fiz um ano de curso na Bahia, e fui para Sergipe. Meu pai era militar e continuou mudando, ele continuava na ativa, só que eu e minha irmã não podíamos mais acompanhá-lo porque já estávamos independentes. Então estava bem sacrificante para ele. Porque ele mantinha os dois aqui em um apartamento e se mantinha em outra casa com minha mãe. No final da faculdade isso já aconteceu, no período do mestrado com certeza. Mas a faculdade da minha irmã isso aconteceu. Então ele mudou para Brasília. Um pouco depois mudou para fora do Brasil, foi adido militar. Só que eu já era casado e nem fui lá. 

Estou contando esta história porque na época meu pai servia em Aracaju, eles são de Sergipe. Então eu tenho família em Sergipe. Eu olhei e achei que Aracaju poderia ser uma opção. Eu não queria ir, na época fui meio obrigado porque Aracaju era um lugar que as pessoas não queriam muito ir. Mas fui e passei quatro anos por lá. Depois vim para o Rio. Nos quatro anos que passei lá houve coisas boas e ruins. A cidade não era como é hoje. Aracaju hoje é uma cidade boa até de morar, mas quando você sai do Rio, aliás, este é um defeito de todo carioca, eu me considero carioca, o carioca não se acostuma a morar fora do Rio. Para você o seu mundo é o Rio. E como de preferência a zona Sul. O meu Rio é um rio muito pequeno. Eu reconheço que o meu Rio começa ali no Centro, eu moro no Flamengo e acaba no Leblon, que é onde meus pais moram. A Barra para mim já é uma coisa longe. Já tive a minha época de ir para a Barra, ir para barzinho, para boate. Mas hoje em dia meu mundo acaba no Leblon. Do Leblon eu volto para cá. Eu cruzo para Barra. Então meu Rio é muito pequeno.

Eu casei, fui para Aracaju casado, minha mulher é carioca também. A gente teve uns problemas porque ela não se adaptou muito bem em Aracaju e nós voltamos para cá. Depois de um tempo a gente voltou para cá. Porque na Petrobrás uma coisa certa: Depois de algum tempo, se tem um jeito, ela oferece a você uma acomodação das suas coisas. Acho que isso é uma coisa boa que a empresa faz por você. 


P/1 – Você lembra o seu primeiro dia de trabalho na Petrobrás?


R – Do primeiro dia, não. Eu lembro exatamente quando a gente saiu daqui para ir para Salvador. Não lembro que dia foi; foi em fevereiro de 1981, eu acho; foi perto do carnaval, isso eu me lembro muito bem. Chegou um telegrama para pegar a passagem. Eu me lembro que a gente chegou no aeroporto a Petrobrás tinha fretado um avião, um (727?) para levar o pessoal do Rio porque apesar do concurso ser nacional a maioria das pessoas que fizeram o Cepe [Clube dos Empregados da Petrobras] em 1981, ou já eram de outros Cepes, na época era do Rio, São Paulo e tinha muita gente também de Minas e do Rio Grande do Sul. Do Nordeste mesmo tinha muito pouca gente. Tinha alguns do Ceará, mas o peso todo era o Rio. Então você imagina que na hora de dividir esse pessoal no final do curso a quantidade de gente que queria vir para o Rio era uma coisa impressionante. Porque queriam voltar para o Rio. Todos os cariocas queriam voltar para o Rio. Então não dava. Aí mandavam os cariocas para Natal, Aracaju, São Mateus. Esses cariocas iam meio inconformados. Mas no final depois de algum tempo, algum sofrimento – a coisa não era tão “pianinho” – conseguia fazer o que queria. Conseguia voltar.


P/1 – E lá em Sergipe qual era o seu trabalho?


R – Em Sergipe eu fui fazer estágio. Porque a gente sai sem ter área de trabalho definida. Você é engenheiro, na época eu era engenheiro de produção, tinha engenheiro de produção e perfuração. Hoje em dia juntaram os dois e a gente é engenheiro de petróleo. Então eu comecei a fazer o estágio nas diversas áreas e aí eu quis trabalhar em Reservatório porque eu acho que faz mais o meu perfil essa coisa de escritório. Eu não gosto de campo; não gosto da plataforma. Não tenho esse espírito de trabalhador da plataforma, de passar 15 dias. Até pensei que tivesse isso quando tinha 17 anos, mas eu sei que não tenho esse espírito de trabalhar em plataforma. Então eu vim para trabalhar em Reservatório e eu trabalhei em Reservatório até hoje. Então eu praticamente comecei a trabalhar em Reservatório em 1982, depois do curso. E trabalho ligado a Reservatório até hoje, 2009. Ligado à área; já fiz várias funções. Sou um engenheiro de Reservatório bem atípico porque sou muito generalista, digamos assim. Eu não simulo (reservatório?), não tenho especialidade de simulação; sei até fazer, mas não faço. Sou mais assim. Se bem que você ganha com a idade também. Ganha uma experiência que você começa a ver coisas que você diz: “Não, isso vai dar mais ou menos isso”. Sem necessariamente você fazer aquilo. E orientar bastante nas pessoas mais novas. Eu acho que isso é uma coisa importante para os mais velhos, porque a Petrobrás está se renovando muito, é orientar as pessoas que estão entrando agora. Que são pessoas muito boas. Muito, muito boas mesmo.


P/1 – Depois que você passou pelo estágio em Alagoas?


R – Aí eu vim para a Divisão de Reservatório do Rio.

Lá em Aracaju eu acompanhava campo de petróleo: Fazia acompanhamento de reservatório de campos, de mar, terra. Então adquiri uma experiência grande de campo de mar, campo de terra. Porque na época já existia a Bacia de Campos, estava no começo, bem no começo e os campos de mar mais antigos eram em Sergipe, Alagoas e no Rio Grande do Norte, que eram um pouco mais novos. Eu acompanhava esses campos. Nos de terra tinha autonomia; tinha aquela coisa, você mandava 32.28 fazer, naturalmente com apoio do seu chefe. O meu chefe era o Miguel, na época, eu gostava muito dele, a gente se dá muito bem até hoje. Fiz grandes amigos lá. 

Aí vim para o Rio trabalhar exatamente com esse pessoal da faculdade, porque eles ficaram aqui. Quando eu voltei quatro anos depois eu vim trabalhar com essas pessoas. Não vim para um ambiente estranho; eu vim trabalhar com pessoas conhecidas, amigas. Então a coisa ficou mais tranquila. 

Comecei a trabalhar mais com Sergipe, naturalmente ligado mais à Sergipe. Mas comecei a ter uma visão mais abrangente da empresa como um todo. Desde o começo de Natal fiquei também muito ligado com Natal; teve uma época que eu ia para Natal todo mês, no começo de Natal. Em 1986 eu ia para natal todo mês quase. Porque eu gosto bastante de viajar. Eu gostava mais. Estou sentindo até falta; acho que viajo pouco. Mas eu viajava Natal porque a gente dava apoio. Eles faziam simulação de reservatório. A gente fazia aqui; levava o estudo para lá; discutia com eles. Depois houve várias mudanças na empresa de modo de gerenciar as coisas e a gente foi se adaptando a cada uma dessas mudanças. Nos últimos tempos, há alguns anos, não vou falar tantos anos assim, talvez mais de 10 ou 15, que eu trabalho na parte de reservatório e gerenciamento de projetos. Não gerenciamento de projetos, seria desenvolvimento da produção. Parte de concepção de projeto, análise econômica, coisas desse tipo. Eu parti mais para a área econômica e menos para área de reservatório, mas sempre ligado à área de reservatório.


P/2 – O que é essa área de reservatório?


R – Reservatório é o que está lá embaixo. É uma rocha que tem petróleo lá embaixo e você tem que saber como você vai tirar aquilo para botar isso para cima. Então: Quantos poços você vai furar? Quanto cada poço vai produzir? Se aquele poço precisa ser estimulado, quer dizer, se precisa ser fraturado ou não; se você vai injetar algum fluido para aumentar a sua recuperação. Porque lá embaixo você tem uma rocha que tem ____, que é como se fosse uma esponja, o petróleo está dentro daquele ____. Só que uma esponja é mole a rocha é dura. O petróleo está dentro daquela esponja. O plano de exportação que você fala, é como você imagina que você vai furar aqueles poços para tirar aquele petróleo obtendo a máxima recuperação. A gente pensa que recupera 100% mas nunca recupera 100%. Ninguém recupera 100%. Recupera entre 10% e 50% do que está lá embaixo. Porque 50% ficam lá. Não recupera; está lá embaixo e vai ficar a vida toda. A idéia é otimizar essa recuperação. Isso que basicamente faz a engenharia de reservatório. Já a engenharia de poço, por exemplo, ela vê qual o melhor poço para produzir naquele reservatório. A estimulação estuda qual a melhor estimulação para produzir mais daqueles poços. É uma coisa muito interessante. 


P/1 – E trabalhando com essa área você teve uma visão geral da empresa.


R – Uma visão bem abrangente da empresa. Principalmente depois, quando saí mais da simulação de reservatório e passei para área de reservas, que eu trabalhei muitos anos com reservas, ainda trabalho hoje. O gerente de reservas é o gerente que eu sou o consultor sênior. A gente participou daquele momento que a empresa lançou as ações na bolsa de Nova Iorque, a gente participou daquela documentação. Toda aquela mudança de leis de petróleo. Então, com reservas você percorria muitas unidades para saber quais eram os projetos que tinha em cada uma; para ver como você poderia classificar aqueles projetos. Isso te dá uma visão extremamente boa do que a empresa está fazendo como um todo. Não focado. Às vezes o seu foco é Bacia de Campos, você só conhece a Bacia de Campos; você só conhece poço que produz muito. Aí você vai para o Nordeste e conhece poço que produz pouco. Aí vai para o Amazonas e é uma coisa completamente diferente do que a gente imagina que é. É uma coisa que, se vocês tiverem a oportunidade de ir para lá, uma coisa que dá orgulho de você fazer parte daquilo. Uma coisa que é uma exploração incrível. 

Essa parte foi muito legal porque você adquire um conhecimento muito amplo da empresa, sempre da área técnica. Nunca da parte de decisões gerenciais. Eu acho que não é da minha alçada. Eu dou suporte à decisão; eu não tomo a decisão. Eu tomo a decisão que me cabe. A gente suporta que os gerentes, superiores, tomem a decisão, porque eles têm parâmetros e tem coisas na cabeça que às vezes transcendem ao simples lado técnico: Políticas, econômicas, etc. 


P/1 – Nessas andanças para observar e ajudar nos vários reservatórios pelo país, o que você viu de mais diferente?


R – Com certeza o Amazonas é bem diferente. Você pegar um avião, sair de Manaus e daí a duas horas chegar no meio da selva. E você pensa que vai encontrar uma coisinha de nada e encontra uma coisa enorme. Não é uma estrutura pequena, é uma estrutura enorme. No meio da selva, com todos aqueles cuidados de meio ambiente. Aquilo tudo que a gente ouve falar que se deve ser feito, lá se faz. Eu acho legal a preocupação com as populações locais, de você manter as populações locais nas cidades e não trazer as populações locais para viver em torno daquilo ali. Leva e traz; leva e traz. Aquilo é uma coisa impressionante. Uma plataforma também é uma coisa impressionante. São coisas diferentes. Você ir  em um campo de terra e ver aquele cavalo mecânico bombeando aquele óleozinho. Você diz: “Nossa, isso é econômico?”. É econômico, é uma coisa que vale. Aquela poeirada toda. Você chega com o cabelo de noite todo em pé, você levanta e ele não sai do lugar. Tem que tomar um banho muito bem tomado. Se suja muito. Pega muita lama. Mas isso faz parte e tem sua época também. 


(Troca de fita)


P/1 – Queria que você explicasse para quem não conhece: Você disse que as coisas mudaram depois que você saiu da área de simulação de reservatório e passou para área de reservas. Qual a diferença entre uma coisa e outra?


R – A diferença é que você perde muito da parte técnica de simulação. Você perde muito da parte acadêmica, de modelo matemático, de equações de fluxo. Em compensação você ganha  em um outro universo, que é o da visão geral das coisas. Você pode ver o que é melhor e o que é pior. Porque, quando você é muito acadêmico você tenta entrar nos mínimos detalhes daquela coisa; você passa a deixar de dar valor a certos detalhes que você dava antes. Você passa a ser um pouco menos minucioso com as coisas. Você passa a olhar e dizer: “Não, isso aqui é mais ou menos isso”. Na área que eu trabalho a incerteza é tão grande que ser “mais ou menos”, não é aquilo; eu sei que a única coisa que vai acontecer é que aquilo que estou pensando que vai acontecer não vai acontecer. Uma coisa que pode ___, então não adianta querer me prender na vírgula se sei que estou errando na sentença. Essa é a grande diferença. Eu também passei muito para parte de suporte a parte exploratória. Que a gente começou a fazer as avaliações dos poços que iriam ser perfurados. Você tinha que começar a usar bastante a sua imaginação. Imaginar um campo que não foi descoberto, quando ele fosse descoberto como você ia desenvolver e qual era o valor econômico daquilo. Isso eu acho que sou um dos pioneiros na Petrobras que começou a trabalhar com isso. A gente começou a fazer para ver ser aquilo que a gente estava pretendendo perfurar, principalmente porque a gente pegou aquelas crises de petróleo, petróleo a preço baixo. Então você precisava saber o seguinte: “O que estou procurando, o que estou imaginando que vou descobrir é comercial mesmo?”. Eu comecei a fazer essa análise desde 1988, que eu trabalho com isso. E trabalho com isso até hoje. Isso faz parte do meu trabalho.


P/2 – E os primeiros que você fazia este trabalho de suposição foi em que área?


R – Todas as áreas. Porque a exploração sempre foi muito centralizada no Rio de Janeiro. Todas as locações de mar eram dadas aqui no Rio de Janeiro. E locações de mar são locações pesadas; são locações caras; os investimentos em desenvolvimento são caros. As locações de terra, não. Na época ___ já tinha 500 poços. Então era um poço a mais, um poço a menos. Pagava-se mais barato. Não era uma situação tão crítica. Mas se você ia perfurar um poço que iam descobrir um volume pequeno a ideia era jamais dizer não perfure. Porque o exploracionista tem uma visão que é um pouco diferente da nossa desenvolvimentista. O exploracionista tem coisas que ele quer ver que transcendem, ver se tem geração, se tem migração, tem uma série de coisas que a gente quer saber se em tendo tudo aquilo vai dar isso ou não vai dar isso. A gente pelo menos verbalizava: “Se for isso que você está querendo descobrir você tem que ter uma outra visão disso aí porque economicamente pode não ser muito bom”. Ou: “Excelente, vai em frente que é por aí mesmo”. “Isso aí talvez seja melhor a gente guardar para uma ocasião que o óleo esteja com um preço melhor”. Sempre no sentido de apoiar porque a decisão não é nossa. A decisão de perfuração exploratória nunca foi da produção, sempre foi deles. É só um apoio à decisão, porque a decisão era deles. 

Eu comecei a fazer isso desde os primórdios. Fui um dos primeiros que começou a fazer isso. Desde 1988, um pouco depois que cheguei aqui. E eu sou carimbado com isso. Até hoje as pessoas me ligam perguntando do programa não se o quê, do programa não sei o quê. Eu falei: “Gente, não sei mais disso”. Eu fiquei uma referência para isso.


P/2 – Tem uma margem de erro?


R – Lógico que tem uma margem de erro. Tudo tem uma margem de erro. Você trabalha com a natureza. Então você está tentando modelar. Quando o reservatório modela a natureza ele já modela uma coisa, digamos, tem uma ideia mais real, já furou um poço. Quando você modela uma coisa que não tem nada. Então você tem que imaginar: “Esse campo vai ser parecido com que campo?”. “Ah, é parecido com o campo de ____”. Aí você já: “Quanto é produzido no campo de ___?”. Aí você vai lá, levanta os dados. “Ah, cada poço vai produzir mais ou menos tanto. A ___ vai ser mais ou menos essa. Para isso quantos poços são? Quantas plataformas são? Quanto custa? Então o valor é tanto”. Se não for aquilo está tudo furado. A gente só vai saber depois, mas esse é o primeiro passo. Toda empresa de petróleo faz essa primeira avaliação. E depois você vai dando “upgrade” nessa avaliação para ver a quantas você anda. Senão você quebra.


P/1 – Quando o pré-sal entrou no seu cotidiano de trabalho?


R – Houve uma mudança muito grande na Petrobras em 1998 que foi a mudança da lei do petróleo, quando a gente assinou os primeiros contratos de concessão. Eu trabalhava na reserva, a gente fez aqueles “books”; aplicou os __ da ANP [Agência Nacional do Petróleo]. A partir dessa época a gente teve que entrar no sistema de licitação e aquisição de blocos para as rodadas, para você ter mais blocos que você tinha, a Petrobras manteve uma série de blocos. Só que novos blocos ela teria que adquirir, não era mais dela. Antigamente era tudo dela. Então foi criado um núcleo, já que eu trabalhava nessa área de avaliação exploratória, a relação econômica com a atividade exploratória, foi criado um núcleo de poucas pessoas para fazer esse apoio a (BID?). Você pegava aqueles prospectos que a exploração mapeava; transformava aqueles prospectos em dinheiro e aí passava essa informação para a área negocial, que existe todo um processo na história. Aí a área negocial ia ver quanto ela daria de bônus; quanto seria o lance no (BID?).para aquelas áreas. Eu fiz isso durante muito tempo. Foi quando a minha vida começou a ficar um horror. Porque aí eu não tinha mais hora de sair. Porque meu sonho de consumo, eu falo hoje, é trabalhar de oito às cinco. Isso jamais vai acontecer. Nunca mais vai acontecer na vida. Mas em 1986, 1987, tocava a musiquinha e todo mundo ia embora. Hoje isso não acontece. Nessa época começou. A gente avaliava blocos. Em 2000 surgiram os blocos do pré-sal e as primeiras avaliações do bloco do pré-sal foram feitas por nós. Eu lembro que quando chegavam os números do pré-sal para gente a gente falava assim: “Gente, isso aqui existe?!”. Porque eram coisas muito grandes, coisas que estavam fora de qualquer expectativa que a gente tinha na época. Era tudo muito maior do que a gente pensava. Me lembro que no caso especificamente desse Tupi, o Tupi chegou para mim eu falei: “Gente, é muito grande! O que vamos fazer com isso?!. Isso é um carbonato, não tem idéia! Qual a correlação?”. E a gente foi indo, indo, indo. A gente fez as avaliações, os primeiros blocos do pré-sal foram em 2000. E as avaliações foram feitas por nós. Eu participei; não fui eu que fiz a avaliação, eu participei de um grupo. Eram poucas pessoas que faziam esse tipo de trabalho, posso enumerá-las, umas cinco, seis pessoas. Que a gente até comentava: “Gente, que absurdo!”. Me lembro que no programa que a gente fazia o cálculo não cabia aquilo. Era muito grande, estourava a área. A gente tinha que dar uma adaptada. 


P/2 – Vocês falavam absurdo em que sentido?


R – Grande. Uma coisa muito grande. 

Eu sou taxado pelos exploracionistas de conservador e pelos de produção de otimista, porque eu tenho que estar no meio dos dois. Exatamente no meio dos dois. Eu tenho que olhar com os olhos do cara que está explorando, porque se ele não olhar com otimismo ele não fura, ele tem a probabilidade daquilo dar seco de 90%; e ao mesmo tempo o cara de produção quer o óleo e não tem. Então tem que estar no meio dos dois. Então o pré-sal entrou na minha vida em 2000, e eu nem imaginava que seria o pré-sal. Chegavam aquelas coisas, que a gente definia como coisas em 2000, quando a gente adquiriu os primeiros blocos do pré-sal, acho que cinco blocos, os primeiros. Inclusive esse de Tupi a gente adquiriu em 2000. Depois eu trabalhei mais alguns anos nessas avaliações: 2001, 2002, 2003; até 2004 eu fiz; eu acho. Participei de todo o processo de (BID?). A gente fazia processos; calculava o valor econômico, passava para o pessoal dos negócios para eles montarem a estratégia de (BID?). Faziam estudo de inteligência competitiva; ver quantos concorrentes, ou não; para ver a __ social, naquela época a gente fez muita parceria porque era uma determinação do governo. Foi a época do Fernando Henrique, para abrir a empresa, aquela coisa toda. 

Eu continuei e aí quando, existia uma divisão entre a produção e reservas, uma gerência. E aí foi quebrado, foi criada uma gerência de desenvolvimento da produção. Aí foi quando eu tive que me dividir. Aliás, eu não tive nem que me dividir, me pegaram e falaram: “Você vai para cá!”. Não me deram nem a opção de ir para o outro lado. Tanto que eu fico brincando até hoje que eu queria ter ido para o outro lado. Só brincando, que é uma coisa que eu gostava de fazer, e gosto. Acabei no desenvolvimento de produção, dando apoio a Reservas, mas eu acabei nessa outra gerência. Essa gerência que cuidava da parte de fazer plano de desenvolvimento; indicar plano novo para aplicar a ___. A gente aplicava a ___ e a gente começou, depois disso tudo, a gente começou a aplicar o pré-sal. Aí veio o pré-sal, para fazer esse plano de avaliação do pré-sal e aí foi criada a gerência executiva do pré-sal, o ano passado. A gerência executiva do pré-sal é do ano passado, apesar da gente estar trabalhando no pré-sal, dos primeiro blocos do pré-sal a gente adquiriu em 2000. Mas aí tem todo um processo, de sísmicas, de perfurar o primeiro poço, as ___. A gente está colocando o primeiro óleo agora, em 2009.


P/2 – Quando em 2000 é aberta essa licitação, mas eles tinham já pesquisa: Quem é que define assim: “Ah, nessa área da Bacia de Santos pode ter petróleo”. 


R – Aí isso vem da exploração; isso vem dos geólogos eu não sou geólogo. Isso tem muito tempo, essa história do pré-sal é muito antiga. Porque à medida que as técnicas vão melhorando, você adquire mais dados; você tem mais interpretações, alternativas. Mas tiro o chapéu para o pessoal da exploração. Acho que eles têm um trabalho superimportante. A mola mestra da indústria do petróleo é a exploração. Eles que imaginam que aquilo tudo existe; dão aquele modelos que as vezes a gente acha mirabolantes. E às vezes são. Uns são bons e outros são ruins. Mas acho que a gente tem que tirar o chapéu para eles. E essa história do pré-sal é antiga. Em 2000 abriu a licitação, mas o estudo dessas áreas, a perspectiva de existência do óleo é de muito antes disso. Só que eles tinham poucos dados, poucas ____, pouca coisa. Você trabalhava com poucos dados. O fator de sucesso era baixo. Eu tenho uma chance em dez de que isso vai ser produtor ou não. Com a evolução você vai aumentando essa confiança. Mas isso já existe lá na década de 1990, talvez até antes, não sei precisar. Quando vocês forem entrevistar alguém da exploração, vocês podem perguntar para eles que eles poderão te colocar melhor no tempo.


P/1 – Você estava falando que quando você participou da licitação vocês achavam um absurdo.


R – Para aquela época a gente achava que era uma coisa desconhecida, não absurda, que a gente não imaginava; que era difícil a gente imaginar na Bacia de Santos, que era completamente desconhecida. A gente só conhecia __-, que era uma coisa pequenininha e de repente apareceu uma coisa gigantesca. Coisa comparável à Bacia de Campos nos melhores lugares que ela tinha. A gente achava super estranho. Mas aí a gente fez e graças a Deus deu certo. 


P/1 – Você fez esse estudo para preparar para licitação.


R – Não fiz o estudo. O grupo fez esse estudo para preparar os dados para a licitação. 


P/1 – E aí no momento do leilão você estava lá?


R – Não, eu nunca fui para os leilões. Eu não gostava. Eu fazia parte, dava para o pessoal que fazia a parte negocial e eles se encarregavam de dar lances. Tinha todo um ritual. Eu poderia até ir a um leilão, mas nunca assisti a um leilão de licitação. Naturalmente você acompanha pela internet. No dia do leilão você abre o seu computador, deixa aquela pagininha aberta no ladinho para ver quem está ganhando, você sempre tem na cabeça o valor que você disse que tinha. Não necessariamente aquele valor que você disse é o valor que você paga. Lógico, há uma série de coisas no meio do caminho. Você vê se era bom mesmo, se as outras empresas estavam vendo da mesma maneira que você. Porque isso é uma coisa interessante. Mas eu nunca fui a um leilão. Foi um processo legal; faz uns quatro anos disso. Mas foi estressante. Começava e você não tinha muita hora porque tinha que acabar. A gente fazia um book enorme para cada um, para cada bloquinho tinha que fazer. Eu sempre fui muito perfeccionista, gostava das coisas muito direitinhas. Depois esse trabalho passou a ser feito pela exploração. Quando a gente passou para o desenvolvimento da produção a exploração se capacitou, tem engenheiros trabalhando hoje para fazer esse tipo de avaliação lá dentro. 


P/1 – Você mencionou agora a pouco uma comparação do pré-sal com a Bacia de Campos. O que tem de diferença dos reservatórios? Porque na Bacia de Campos também tem reservatórios no pré-sal.


R – Tem. A gente está vendo agora os reservatórios do pré-sal da Bacia de Campos. O que a gente conhecia, além da Bacia de Campos, a gente tem reservatório de carbonato em alguns campos da Bacia de Campos, que a gente não conseguia produzir aqueles reservatórios. A gente tinha dificuldades. Porque na Bacia de Campos é basicamente arenito, então arenito a gente sabia muito bem produzir. Arenito a gente tem. Areia a gente sabe produzir. A Petrobras tem grande experiência de areia. A gente sabe injetar ar em areia. Agora carbonato é diferente, a gente não tem, é um bicho diferente, é uma coisa diferente de produzir. Então a gente está buscando esse aprimoramento agora porque está se mostrando que os carbonatos estão agora na hora da vez. A gente vai buscando esse know-how de carbonato.


P/1 – Para quem não conhece: Quais as características dos reservatórios do pré-sal?


R – Areia a gente vê na praia, basicamente isso, arenitos. E carbonatos são calcários, são reservatórios calcários. A característica deles é que eles podem mudar radicalmente de um ponto ao outro. Eles têm a ____ mais forte que os arenitos. Você tem que ter um pouco mais de cuidado com eles. Às vezes a sua atividade é boa no começo e cai um pouco depois. Você não tem muita experiência. Lá no Norte eles têm mais experiência com isso. Só que o ambiente do mar no Norte é outro, é uma barra rasa. E a gente está trabalhando. A Petrobras sempre trabalha muito no limite de tecnologia. Então a gente tem a maior plataforma do mundo, a maior lâmina d'água do mundo, produzindo. Tem tudo isso e desafios que a gente tem que vencer primeiro. A gente vai correr atrás disso. E a gente corre. E sempre conseguiu, graças a Deus.


P/1 – Como são feitos os testes de capacidade nos reservatórios?


R – São testes convencionais. Você tem toda uma metodologia para você furar poço. Você avalia poço. Tem uma gerência encarregada de fazer esse tipo de coisa. E você avalia por aquele ponto. Você imagina: você tem um reservatório grande, você tem um ponto perfurado. Você tem uma sísmica, que são dados indiretos e você tenta imaginar aquilo tudo a partir de um ponto, dois pontos, três pontos. Como é aquilo lá embaixo. Você tem que ser bem imaginativo. O pessoal do reservatório. ___ geológico. E o teste é o seguinte: Naquele ponto você tem todo um ritual, que você desce uma coluna, abre o poço, vê fluxo; mede, mede parâmetros do reservatório. Vê se aquele parâmetro está ___ o resto do reservatório. Isto tudo é um ritual. Tem um procedimento de transformação que é seguido. E a gente segue no pré-sal.


P/1 – Em relação ao Campo de Tupi, primeiro grande campo descoberto. Você tem informações do primeiro teste? Ele já apontou essas dimensões?


R – As dimensões são grandes por sísmica. A gente vê. A sísmica já vê bastante. A partir do momento que você determina a sísmica você vai lá furar os poços. E os dados foram bons. A gente tem resultados até bastante satisfatórios. Então os testes foram bons. Foi isso que animou a gente. Tanto que a gente botou a toque de caixa a coisa para produzir em Tupi. E já está produzindo lá. 


P/1 – O que vai precisar mudar no seu trabalho para operar no pré-sal? Como a companhia está se preparando para os desafios?


R – Ela está criando várias frentes de tecnologia, obtenção de informações, tudo. Acho que a companhia como um todo está muito voltada porque se tudo se confirmar, como a gente está esperando, seria uma nova Petrobras. Uma coisa do porte da Petrobrás que a gente tem hoje. Que não é pouco. É uma coisa muito grande. Só que a gente está na fase exploratória ainda, eminentemente exploratória. São poucos poços perfurados. Então é uma coisa que a gente tem que ir com um pouco de cuidado. Vão ter boas e más notícias obviamente como em toda indústria você tem ótimas notícias e tem noticias não tão boas assim. Mas acho que faz parte do jogo da indústria. A indústria do petróleo vive disso: De boas e más notícias. E não tão boas, não diria más, não tão boas. E a Petrobrás está, na medida do possível, indo, explorando, como ela acha que deve ser feito. Se bem que extrapola um pouco a Petrobrás. Existe toda uma política de desenvolvimento de governo, de Estado, de país, de indústrias que está por trás disso, que às vezes até foge do controle da empresa e às vezes as coisas podem não ser exatamente na velocidade que a gente queria. A gente queria ser um pouquinho mais cauteloso e as pessoas querem ser mais arrojadas. Mas eu acho que cabe ser arrojado a quem pode e cabe ___ a quem tem o outro lado. Mas é uma decisão, como eu falei no começo, a decisão é para ser tomada por quem pode. Os gerentes maiores é que vão ditar o ritmo da coisa. A gente só alerta sobre os riscos envolvidos, lembrando que a gente está na fase exploratória, que a gente confia que aquilo ali vai dar certo. Senão a gente não estava lá.


P/1 – Qual foi o maior desafio que você encontrou nesse seu trabalho do pré-sal?


R – O maior desafio, eu não diria desafio, mas surpresa. É o que você pensou estar no Globo de domingo. Isso é uma coisa impressionante. Tudo que você fala, que você comentou, de repente está no Globo de domingo. E às vezes não tão fielmente quanto você queria. Não é que eu tenha falado. Mas eu digo, tudo que é comentado. Então você tem que ter muito cuidado do que falar, como falar, para quem falar. É uma coisa interessante isso aqui. Tem que ter uma medida para as coisas. Então a gente procura, eu evito até em família comentar: “Ah, porque deu isso, deu aquilo”. Isso não existe. É uma coisa que não depende de mim. Eu me reporto ao meu gerente, ele se reporta ao gerente dele, que se reporta ao diretor presidente e aí a informação sai. Mas é muito interessante você ver que as coisas que você discute com as pessoas que você trabalha no dia a dia estão no Globo de domingo. Ou no Financial Times. É pior. Ou melhor, não sei.


P/1 – E nesse tempo todo de trabalho na Petrobrás você tem uma história bacana para contar para a gente?


R – Pontual, não. Eu diria que toda a minha história é bacana. Porque é uma empresa que eu gosto. Eu gosto do que eu faço, então trabalho com prazer. Eu acho que se você não trabalhar com prazer você morre. Você tem que gostar do que você faz. E eu gosto do que faço. Houve momentos que gostei mais, houve momentos que gostei menos. Estou  em um momento que gosto mais. Mas toda história é feita de altos e baixos. Eu acho que não tem uma história específica, um ponto. Eu não sou muito folclórico. Mas acho que toda história, toda a minha vida lá dentro foi uma evolução boa. Inclusive de cabeça, eu era uma pessoa mais, que gostava de falar o que queria, a gente vê que não pode ser assim. Você vai aprendendo um pouco. A maturidade vai te dando um pouco mais de jogo de cintura. Você é mais impetuoso quando você é muito jovem. A maturidade te dá um pouco mais de jogo de cintura, de capacidade de entender que a decisão não é sua. Você não pode impor a sua decisão porque aquela decisão transcende a sua área de atuação. Em suma, a minha vida na Petrobrás é tudo que eu tenho. É uma coisa que, pretendo ficar lá, não tenho nenhum plano de sair. Às vezes eu fico até brincando. Eu gosto de trabalhar. Não me vejo, o pessoal diz: “Vai aposentar?”. Não, primeiro que eu não tenho tempo para aposentar, ainda falta muito. E eu não me vejo sentado, olhando para o teto, sem fazer nada. Eu acho que toda história minha é essa aí. Eu sou uma pessoa estressada, eu reconheço. Eu gosto da pressão do stress. Eu não saberia viver sem essa pressão do amanhã: “Isso é para amanhã”, “Isso era para ontem”. Quando eu pego o telefone, falo: “Estou devendo o que para você?”. Porque eu sempre estou devendo alguma coisa para alguém. Eu nunca consigo fazer tudo que eu quero. E nem tudo como eu quero. Aí é o tal, como eu quero você começa a lidar com isso. Agora o fato é: “Não dá, e eu?”. 


P/1 – Agora deixando um pouco de lado a sua trajetória na Petrobras e voltando a falar do Egídio. Você falou no início que foi casado, a gente não mencionou o nome da sua ex-esposa.


R – Magali.


P/1 – E os seus filhos?


R – Tenho um filho chamado João Manuel, uma filha chamada Isabel e uma filha chamada Teresa. O João e a Isabel nasceram em Aracaju e a Teresa nasceu aqui. 


P/1 – Você falou que tem netos também.


R – Tenho duas netas, a Maria Clara e a Maria Luísa que tem mais ou menos uns 2 anos. Que agora são os xodós do vovô. Adoro os meus netos. E apesar de não ser casado com a mãe deles a gente manteve, desde que me separei, há 20 anos, não casei mais. Casamento basta um, não precisa de mais. Eu não tinha condições financeiras de ter outro. Aí a gente mantém o hábito de almoçar todos os sábados. É um hábito que a gente mantém há 20 anos. Há 20 anos eu almoço com meus filhos todos os sábados. Agora, depois que eles ficaram adultos, o meu filho tem 26 anos, as meninas já tem 20. Meu filho é engenheiro também, a minha filha está fazendo farmácia e a outra é professora. Agora são eles todos e mais as duas netas. 

Agora está meio irregular porque meu filho está fazendo MBA [Master in Business Administration] e aí não pode porque tem aula. Às vezes a minha filha não pode porque tem aula, ou tem coisa no trabalho. Agora cada um tem sua vida. Mas eu acho que está legal. Até a pouco tempo eu mantinha um apartamento para eles, com quarto para todo mundo que eu gostava, agora eu mudei e nesse apartamento que eu moro não tem quarto de ninguém. 


P/1 – O que você faz no seu tempo livre?


R – Ginástica faço bastante. Gosto de andar na praia; não gosto de ir a praia. Acho que me esqueci da última vez que fui à praia. Faz uns dois ou três anos. Mas eu gosto de andar na praia. Estou morando no Flamengo então às vezes eu desço. Eu gosto de ir ao cinema. Às vezes andar na Lagoa [Lagoa Rodrigo de Freitas] é uma coisa que me faz bem. 


P/1 – Estamos caminhando para o fim. Tem alguma coisa que eu não perguntei que você queira deixar registrado? 


R – Não, na minha vida pessoal, não. Acho que o foco não é muito a vida pessoal. Da vida profissional acho que a gente falou bastante. E o pré-sal acho que o pré-sal o negócio é o seguinte: É um grande desafio que a gente tem que vencer; a gente tem que ser cuidadoso com este desafio porque a gente está lidando com a riqueza do país. Eu acho que a gente tem que ter o máximo de respeito com isso. Porque o povo do Brasil merece mais do que tem e deve merecer muito mais ainda. É isso só o que eu tenho para dizer.


P/1 – Você tem o sentimento de ser petroleiro?


R – Lógico que tenho. Total.


P/1 – O que é para você ser petroleiro?


R – É fazer o que eu gosto. É vibrar com o que eu faço. É ter orgulho de onde eu trabalho. Isso é que é ser petroleiro: Vestir a camisa. 

Eu visto. Muito. Acho que todo mundo veste. A Petrobrás é uma empresa que tem aquela coisa de que as pessoas se agregam a ela e começam a fazer parte dela. Acho que isso é uma coisa importante. Acho que é com isso que a empresa tem que se preocupar em preservar. Esse espírito de corpo, que já foi até taxado de corporativismo, mas esse espírito de corpo dela; a parte técnica dela é muito boa. Ela tem um pessoal muito bom, muito capacitado e que ela deve valorizar bastante. A empresa não é a empresa, são as pessoas que fazem a empresa. E não a empresa que faz as pessoas. 


P/1 – Queria encerrar esta entrevista perguntando o que você achou de ter contado aqui sua história, contribuído com o Memória Petrobras.


R – Eu fiquei surpreso de ser convidado para o Projeto Memória Petrobras porque a gente descobre que está ficando velho. [risos] Uma coisa que você não quer admitir. Mas achei uma coisa legal, uma coisa que eu realmente não esperava. Isso surgiu na semana passada e eu fiquei muito envaidecido. Com certeza vou sair daqui, vou contar para os meus filhos e eles vão ficar contentes também com isso. Acho que faz parte de você dar o exemplo para eles também. O grande exemplo que você deixa para os seus filhos é o teu, então você tem que mostrar ___ tem que fazer para chegar lá. Acho que na medida do possível a gente chegou lá. 



---FIM DA ENTREVISTA---


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