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História

Sempre professora

História de: Rosilene Corrêa Lima
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 19/11/2021

Sinopse

Rosilene lembra de sua infância em Petrolina de Goiás e da condição de caçula de seis irmãos e única mulher do grupo. Fala das mudanças de cidade e das dificuldades financeiras do pai, produtor rural. Queria ser engenheira, mas acabou matriculada na Escola Normal e tornou-se professora primeiro na rede pública de Goiás e, depois de onze anos, por concurso, na rede pública do Distrito Federal. Desde então envolveu-se com o SINPRO-DF, cuja atuação já admirava desde quando era professora em Goiás. Em 2004, integrava com suplente a chapa que ganhou as eleições para o SINPRO e em 2006 assumiu a Secretaria dos Aposentados, dando início à sua trajetória de dirigente sindical. Participou de todas as mobilizações da categoria e marcou presença em greves históricas. Seu depoimento revisita uma firme atuação sindical e não deixa de mencionar companheiros e companheiras que deixaram exemplos marcantes de luta.

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História completa

A minha primeira escola foi uma sala na igreja, no salão paroquial, transformada em sala de aula: foi uma turma de jardim de infância que a filha do nosso vizinho organizou, para os filhos dos amigos. Então ela montou uma escolinha, e lá que foi o meu primeiro contato com o mundo escolar. O envolvimento do SINPRO com pautas além da categoria sempre foi uma marca. Eu me lembro das Diretas Já, que eu não estava mesmo aqui, estava ainda em Anápolis, a gente acompanhava. Uma coisa marcante é isso, é a atuação do SINPRO além do envolvimento da categoria, das grandes mobilizações, essa característica que é das pautas que vão além da categoria, da educação propriamente dita, da pauta educacional. As minhas primeiras escolas [no Distrito Federal] foram a Escola Classe 111 de Samambaia e o Centro de Ensino Fundamental 312. À época eu tive que ficar em duas escolas, porque não tinha a carência para carga completa na mesma escola. Mas logo em seguida eu deixei a 111 e fiquei definitivamente na 312. Era uma escola recém-inaugurada, bem grande, tinha mais de 150 servidores. Greve é sempre uma coisa muito marcante, seja ela de que tamanho for, que tempo ela dure. É sempre muito marcante. Você imagina 52 dias. Foi muita história, foi muita coisa que aconteceu: teve ocupação, teve tudo que [se possa] imaginar. Ocupamos o sexto andar do anexo do [palácio do] Buriti, e que por fim eles impediam a entrada de comida. Nós colocávamos comida num balde e subia na corda para quem estava lá em cima. Tem momentos que só vivendo mesmo. Fomos colocados à prova, e a categoria respondeu, confiou e deu certo. Eu falo sempre assim: viver no SINPRO, viver com o SINPRO, é viver emoção. Não é o romantismo, que às vezes falam quando a gente é criança, do brincar de escolinha, que é tudo lindo. É uma baita profissão, de uma responsabilidade enorme. Eu falo: se eu não fosse professora, eu seria professora, teria sido professora, continuaria sendo professora, eu não consigo ver diferente. E é por isso: para mim é fazer parte daquilo que transforma, que tem a capacidade de transformar. Agora é bom dizer, transforma para o bem e pode transformar para outro caminho, por isso que é muito do que você quer fazer com isso. Porque a educação não é só o que está escrito nos livros didáticos. É o que a gente é, o que a gente faz dentro da sala de aula. Os desafios hoje para o SINPRO são os mesmos que para qualquer outro sindicato. Está se consolidando um novo mundo do trabalho. Havia uma ilusão de que a educação estava distante disso e, de certa forma, protegida. Mas hoje nós temos dentro da Secretária de Educação no Distrito Federal a realidade de que quase 50% de professores regentes são de regime de contratação temporária. Não estamos aqui discutindo as condições dos profissionais, porque eles são profissionais tão qualificados quanto os concursados – eles passam por um processo seletivo, eles têm que ter curso superior. A questão não é o debate de quem é um profissional e quem é o outro: é da condição. O grande desafio nosso é o fortalecimento da educação pública, com concurso público. Educação pública feita por servidores e servidoras do serviço público. Porque a escola está sendo tomada por prestadores de serviço. Isso é a demonstração do desmonte do Estado. O nosso grande desafio, hoje, é retomar com a política de fortalecimento do Estado.

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