Busca avançada



Criar

História

sempre olhando ao lado

História de: Antônio Machado Diniz
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 05/10/2008

Sinopse

Andradina. Nove irmãos. Brincaeiras de rua. Trabalho na lavoura. Busca por emprego. São Paulo. Faculdade de administração de empresas. Avon. Casamento. Cresimento na empresa. Netos. Aposentadoria. 

Tags

História completa

P/1 - Vamos começar, por favor, o nome completo, local e data de nascimento.

 

R - Antônio Machado Diniz.

 

P/1 - Local de nascimento e data?

 

R - Penápolis, Estado de São Paulo em 26 de agosto de 1940.

 

P/1 - Qual que é a sua função atual? A sua atividade?

 

R - Hoje eu sou aposentado.

 

P/1 - E o nome dos seus pais?

 

R - João Machado Diniz  e Victória Maria de Jesus.

 

P/1 - Qual que era a atividade dos pais?

 

R - O meu pai trabalhava na lavoura e a minha mãe era dona de casa.

 

P/1 - Onde?

 

R - O meu pai nasceu em Ituberaba e o meu pai nasceu em Franca. Casaram-se numa cidade pequena chamada Guará, moravam em Guará.

 

P/1 - São Paulo, né?

 

R - São Paulo.

 

P/1 - E qual que é a origem da família, são imigrantes?

 

R - Eu não sei certamente, mas pelo nome e sobrenome são portugueses.

 

P/1 - Portugueses. E os irmãos? Tem?

 

R - Nós éramos em dez, seis homens e quatro mulheres.

 

P/1 - Linda família. Fala um pouquinho da infância. Onde o senhor morava na infância?

 

R - Na minha infância eu morava em Andradina.

 

P/1 - Andradina? Como é que era a cidade?

 

R - A cidade era pequena. Eu falo Andradina porque era um distrito de Andradina. Chama-se Nova Independência. A cidade era pequena de 1500 habitantes, mais ou menos. A minha infância foi, como a de todo mundo do interior, correr na rua, brincar de futebol, soltar pipa, brincar de pião. E os brinquedos éramos nós mesmos que fazíamos.

 

P/1 - O que vocês faziam?

 

R - Nós fazíamos carrinhos de carretel de linha, carrinho de rolimã, pipas e outros brinquedos. Peõezinhos, nós fazíamos peão  com carretel de linha  e não era nada comprado. Uma que a minha família era bem humilde, né, não podiam comprar brinquedos e outra que a gente tinha todas as ferramentas pra fazer isso. Muita criatividade.

 

P/1 - Qual que era a brincadeira favorita?

 

R - Era futebol, futebol na rua. 

 

P/1 - E como é que era a casa?

 

R - A nossa casa era de madeira. De madeira, inclusive não tinha piso. Era chão batido, fogão a lenha, não tínhamos geladeira, nem rádio e nem televisão na época.

 

P/1 - Como é que era o cotidiano com todos esses irmãos? 

 

R - Os meus irmãos trabalhavam na lavoura. O meu pai tinha lavoura de café numa fazenda e os meus irmãos ajudavam, os homens. A mulheres ficavam em casa cuidando da casa, fazer almoço e a levar na roça, coisas assim. 

 

P/1 - E vocês sempre moraram nessa cidade?

 

R - Sempre.

 

P/1 - Não chegou a vir para São Paulo? Só mais velho?

 

R - Eu vim para São Paulo em 1960. Eu fui o primeiro a vir para São Paulo.

 

P/1 - Veio estudar, trabalhar?

 

R -  Eu vim trabalhar. Tentar. Sem conhecer ninguém em São Paulo, vim me aventurar.

 

P/1 - E como é que foi, deu certo?

 

R - Deu certo depois de muito sofrimento. Morei em pensão na Avenida João Dias. Numa pensão. Não tinha emprego e aí consegui um emprego num restaurante, no restaurante da pensão mesmo. Aí fiquei uns tempos trabalhando até conseguir um emprego numa empresa. Chamava-se De La Rue, essa empresa não existe mais, também já acabou.

 

P/1 - Entendi. Os estudos, o senhor chegou a estudar?

 

R - Quando eu vim do interior eu só tinha o curso primário.

 

P/1 - Que fez lá.

 

R - Lá. Depois eu concluí o supletivo, o colegial, né? E depois prestei vestibular e entrei na faculdade. Isso eu já estava trabalhando na Avon Cosméticos.

 

P/1 - Então me fala um pouquinho dos seus primeiros estudos lá na cidadezinha que o senhor nasceu. Como é que era lá a escola, os professores, colegas?

 

R - A escola era uma escola comum. Era um prédio, era de alvenaria. Isso não era de madeira não, era de alvenaria. A professora vinha para Andradina, de uma cidade próxima que era 27 quilômetros. Ela vinha e voltava todos os dias porque na nossa cidade ainda não tinha pensão, não tinha hotel e não tinha nada. Mas foi muito bom, a gente conhecia todos os alunos da escola e era ótimo. Na época a gente respeitava muito  os professores. Os professores e professoras eram os nossos segundo pais, podia se dizer.  Eu aprendi muito com eles.

 

P/1 - Certo. E aí fez o supletivo já em São Paulo?

 

R - O supletivo foi em São Paulo.

 

P/1 - E logo depois a faculdade.

 

R - E depois a faculdade.

 

P/1 - Onde é que o senhor fez a faculdade, que curso?

 

R - Faculdade em Santo Amaro.

 

P/1 - E o curso qual que foi?

 

R - O supletivo?

 

P/1 - A faculdade que o senhor cursou.

 

R - Ah, eu cursei Administração de Empresas.

 

P/1 - Certo. Teve alguma influência para o senhor fazer essa faculdade?

 

R - Tive influência da minha esposa. Ela quem me empurrou para os estudos. Inclusive tem uma peculiaridade: eu conheci a minha esposa na Avon.

 

P/1 - Ah, é?

 

R - É. Trabalhava na embalagem e nós nos conhecemos e aí nós casamos em 73.

 

P/1 - Certo. E com quantos anos o senhor começou a trabalhar?

 

R - Eu comecei a trabalhar realmente com  oito anos.

 

P/1 - Oito anos.

 

R - Oito anos.

 

P/1 - Trabalhava na lavoura?

 

R - Trabalhava na lavoura, depois trabalhei no armazém, no interior se chama armazém de secos e molhados.

 

P/1 - Fala um pouquinho do armazém? Que hoje não tem mais, né?

 

R - Não... Hoje não existe mais. Esses armazéns antigamente era secos e molhados, tecidos, armarinhos em geral". Vendia-se  de tudo um pouco. E era um japonês, o dono do armazém, chamado Suzuki. Até hoje eu tenho a família dele como se fossem os meus irmãos. Os meus meios irmãos. A gente tem contato ainda depois de 40 anos.

 

P/1 - E o senhor ajudava nas vendas?

 

R - Nas vendas no balcão. Inclusive eu não alcançava muito bem a altura da balança e eu tinha que colocar um caixãozinho de madeira para alcançar.

 

P/1 - E anotava o preço e ficava na caderneta?

 

R - Exatamente. Na caderneta.

 

P/1 - Não tem mais, né?

 

R - Não existe mais.

 

P/1 - E o primeiro emprego mesmo do senhor qual que foi?

 

R - Em São Paulo?

 

P/1 - Isso.

 

R - No começo eu comecei no restaurante da pensão. Depois eu entrei numa empresa que chamava-se De La Rue. Essa empresa fabricava discos de fricção e lonas para freios. Eu trabalhei seis anos nessa empresa.

 

P/1 - E depois?

 

R - Depois através de um amigo que trabalhava na avon Cosméticos eu consegui uma vaga na Avon. Porque essa empresa fechou e depois de 15 dias eu consegui entrar na Avon.

 

P/1 - E quando é que foi isso? A data o senhor se lembra?

 

R - Foi em dois de maio de 1967 eu iniciei na Avon.

 

P/1 - E o senhor já conhecia a Avon antes?

 

R - Não, não conhecia. Ouvia falar através de amigos e fiquei. Fiquei muito inclinado ao que falavam da Avon, das coisas boas que falavam da companhia. 

 

P/1 - E qual que foi a primeira impressão que o senhor teve chegando lá? Uma empresa grande, já era grande?

 

R - Não. A empresa era pequena.

 

P/1 - Fala um pouco, por favor.

 

R - Mas a impressão foi muito boa. A receptividade do pessoal, dos funcionários da Avon que eram poucos funcionários. A acolhida que a gente teve nas entrevistas foi ótimo, foi uma ótima impressão.

 

P/1 - E o senhor se lembra do seu primeiro dia de trabalho?

 

R - Lembro. 

 

P/1 - Como é que foi?

 

R - O  meu primeiro dia de trabalho, como eu disse, foi no dia dois de maio, um dia depois do feriado. Primeiro tinham as apresentações com os funcionários novos. O pessoal era… às vezes, já botavam apelidos na gente quando entrávamos, no primeiro dia. Mas a gente superou tudo isso e foi tudo ótimo.

 

P/1 - E o senhor começou a trabalhar em que unidade na Avon?

 

R - Na Avon João Dias.

 

P/1 - Na João Dias.

 

R - Isso.

 

P/1 - E aí o senhor participou depois dessa mudança para Interlagos?

 

R - Participei da mudança para Interlagos.

 

P/1 - Como é que foi?

 

R - Essa mudança foi através nós montamos e viemos primeiro para Interlagos montar as linhas de separação porque nós trabalhávamos na expedição ou estoque de produtos e transferi o material da João Dias para Interlagos sem paralisar o trabalho porque lá nós não podíamos paralisar. Atendendo as revendedoras da unidade João Dias e montando a unidade Interlagos sem paralisar o trabalho.

 

P/1 - E mudou muito de uma fábrica para outra?

 

R - Ah, mudou. Você fala em que sentido?

 

P/1 - Na sua área.

 

R - Mudou porque lá nós trabalhávamos apenas com uma linha de separação. Aqui quando viemos para Interlagos já tínhamos cinco. Aumentou bastante.

 

P/1 - Que mais mudanças que o senhor pode falar comparando?

 

R - Na João Dias praticamente era tudo manual, certo? As esteiras eram manuais. Quando mudou para Interlagos já eram motorizadas. Então essas foram as primeiras mudanças para a melhoria.

 

P/1 - Eu gostaria que o senhor falasse um pouco da sua trajetória na Avon. A função que o senhor  começou. Todos esses anos, fala um pouquinho, por favor.

 

R - Quando eu entrei na Avon eu e era auxiliar de expedição. Auxiliar de expedição fazia serviços gerais. Eu comecei numa seção chamada empacotamento onde empacotava os produtos. Depois do empacotamento eu fui para separador que é tirar os produtos de uns stands e colocar na caixa da revendedora. Depois de separador  eu fui pra operador de empilhadeira. De operador de empilhadeira eu fui para estoquista e de estoquista eu passei a encarregado de estoque.  De encarregado de estoque eu fui supervisor de estoque,  da expedição. De supervisor de estoque da expedição eu passei para supervisor de balanceamento de linhas na expedição. Eu não sei se você sabe o que é balanceamento de linha...

 

P/1 - Não,,. Explica pra gente!

 

R - Balanceamento de linha é distribuir uma carga racional de trabalho para cada funcionário dentro da linha de separação visando uma melhor produtividade, o melhor acondicionamento dos produtos nas caixas, menos desgaste físico para os funcionários e procurando evitar danificar os produtos.

 

P/1 - E aí depois disso?

 

R - Depois disso eu continuei nessa função de balanceamento de linha, mas eu fazia outras funções, como viajar pra fora do Brasil, viajar pro nordeste. Sempre tinha um auxiliar que ficava no meu lugar quando eu viajava.

 

P/1 - E como é que é essa experiência de vivenciar a Avon em outros estados?

 

R - Foi muito bom porque é completamente diferente a maneira de ser do pessoal. Mesmo no Brasil você sai de São Paulo e vai para o nordeste é diferente. Em São Paulo você está acostumado com essa correria toda, você chega numa cidade do nordeste é a calmaria e então fica meio difícil você se adaptar ao sistema deles ou então eles se adaptarem ao nosso sistema, ao nosso dia-a-dia.

 

P/1 - É bem diferente a forma deles trabalhar?

 

R - É bem diferente.

 

P/1 - E em outros países? Você teve algumas experiências?

 

R - Eu tive, principalmente no México que eu fiquei mais tempo, fiquei 30 dias no México, mas mexicano é como brasileiro mesmo: sempre alegre, sempre receptivo. Eu não tive muita dificuldade no México. É mais ou menos igual ao Brasil.

 

P/1 - E a Avon no México como é que é a oposição dela lá ?

 

R - A Avon partindo da América do Norte  e Central a Avon deve estar em terceiro lugar porque primeiro são os Estados Unidos, segundo o Brasil e terceiro México. Era na época, hoje eu não sei como que está porque já faz algum tempo que eu saí da Avon.

 

P/1 - Entendi. E o senhor se aposentou nessa função mesmo?

 

R - Nessa função mesmo.

 

P/1 - Quais foram alguns desafios que o senhor enfrentou trabalhando na Avon?

 

R - O maior desafio foi deixar funcionando o Centro de Distribuição de Fortaleza.

 

P/1 - Por que?

 

R - Porque eu fui como o coordenador do projeto pra lá. Então foi alugado um barracão, um barracão, inclusive esse barracão era do coco, eu não sei se pode falar. Era do coco  e tinha todos os depósitos de óleo do coco ainda. Foi complicado. E selecionar o pessoal para trabalhar. O perfil que nós tínhamos em São Paulo nós não encontrávamos o perfil lá em Fortaleza. Então nós chegamos recrutar 600 funcionários para eu conseguir só 18. Aí baixaram o perfil pra gente conseguir montar o quadro, precisou baixar o perfil da Avon Cosméticos de São Paulo.

 

P/1 - Isso em São Paulo?

 

R - Isso em Fortaleza. Só que o R.H de São Paulo passou um perfil que nós precisávamos para funcionários. Só que nós não encontrávamos esse perfil lá.

 

P/1 - O senhor falou os desafios. E algumas alegrias?

 

R - Muitas, viu? A Avon pra mim foi só alegria. Realmente foi.

 

P/1 - E essa experiência da Cipa como é que foi? Fala pra gente.

 

R - Da Cipa nós fizemos esse curso de prevenção de acidentes e foi muito bom porque você procura evitar muitos problemas dentro da empresa. Muitos acidentes. Eu cheguei até à vice-presidente da Cipa e a experiência é muito boa. O pessoal trazia os problemas pra gente e a gente compilava e procurava resolver da melhor maneira possível.

 

P/1 - Funcionava bem?

 

R - Funcionava muito bem, bastante integrado.

 

P/1 - E o que o senhor considera a sua principal realização na Avon?

 

R - A minha principal realização na Avon foi realmente ter realizado o CD, que é centro de distribuição de Fortaleza funcionando.

 

P/1 - Um desafio.

 

R - Um desafio realmente. Na inauguração foi o presidente da Avon que é o senhor Ademar Seródio na época. Foi o governador Tácio Jereissati era o governador do Ceará. Foi, eles falaram que inaugurou pra mim e foi a minha realização.

 

P/1 - Qual que foi o ano da inauguração?

 

R - Foi em 97.

 

P/1 - E como é que é o relacionamento  com os colegas de trabalho?

 

R - Hoje?

 

P/1 - Hoje e antes.

 

R - Era muito bom. Basicamente eu conhecia todos os trabalhos da Avon. Eu tinha uma integração muito grande com a Avon em todos os departamentos. Eu era muito bem recebido, muito bem quisto. Porque eu sempre fui, como você pode dizer... assim, aberto, como você está vendo eu conversando. Sempre tive esse bom relacionamento. 

 

P/1 - E o que o senhor acha que a Avon representava para os funcionários?

 

R - Para os funcionários, eu não sei para os outros. Para mim a Avon era a minha segunda casa, era a minha segunda família. Inclusive eu passava mais tempo na Avon do que na minha própria casa.

 

P/1 - Tem algum caso engraçado que o senhor se lembre que aconteceu?

 

R - Eu me lembro de quando nós estávamos de mudança eu estava em Interlagos recebendo os caminhões de produtos que vinha da João Dias. Então na conferência da carga me faltavam duas caixas de produtos chamado Sino Mágico. Então nós ligamos lá pra João Dias e "foi tudo certinho". Nisso que eu estava discutindo onde foi essas caixas nós recebemos um telefonema de que as caixas haviam caído nas Nações Unidas de frente à Rolamentos Fag e o porteiro da Rolamentos viu as caixas caindo e recolheu as caixas e ligou para Avon para nos devolver as caixas.

 

P/1 - Interessante. O senhor falou que o senhor é casado.

 

R - Casado. 

 

P/1 - O nome da sua mulher?

 

P/1 - Luzia Antônia Diniz.

 

R - E o senhor conheceu ela na Avon?

 

R - Conheci ela na Avon.

 

P/1 - Conta essa história?

 

R - Como eu trabalhava no estoque eu retirava os produtos da embalagem. Completava um palete na embalagem e eu retirava. E aí um olhou para o outro, trocamos uns olhares e depois conversamos e no fim deu namoro. Deu namoro e deu casamento.

 

P/1 - E o senhor tem filhos?

 

R - Tenho três.

 

P/1 - Três filhos?

 

R -  Tenho três filhos.

 

P/1 - Quais os nomes?

 

R - Ricardo, Tânia e Douglas.

 

P/1 - E o que o senhor gosta de fazer na sua hora de lazer?

 

R - Na minha hora de lazer eu gosto de assistir futebol. Eu gosto muito de futebol. Agora eu tenho um casal de netos. Gosto de brincar com os netos, passear com os netos na rua.

 

P/1 - Certo. Eu queria de voltar um pouquinho nessa trajetória da Avon com do senhor. O senhor falou tantas ocupações e eu gostaria que o senhor falasse um pouquinho mais delas, algumas particularidades,,. Como é que era a relação do senhor com os produtos? Tem tantos produtos a Avon, fala um pouquinho mais sobre algum cargo que o senhor ocupou durante mais tempo e que o senhor gostava mais.

 

R - Eu sempre gostei do meu trabalho. Em todos os cargos desde o mais baixo até o mais alto eu sempre procurei fazer o melhor. Então eu me identifiquei com todos os cargos desde auxiliar de expedição que era de empacotador até nas linhas de supervisão de balanceamento de linhas e coordenar as mudanças. Sempre me identifiquei bem, sempre fazia isso com amor.

 

P/1 - Entendi. O senhor tem conhecimentos das ações sociais que a Avon realiza?

 

R - Eu tenho conhecimento do projeto do câncer de mama.

 

P/1 - Da campanha? O que o senhor acha dessas ações que a Avon realiza?

 

R - Isso é maravilhoso, se todas as empresas fizessem um pouco dessas ações eu não digo que estaria melhor porque a doença não tem jeito de você evitar, mas poderia amenizar um pouco o sofrimento das pessoas.

 

P/1 - Como é que o senhor vê a atuação da Avon no Brasil?

 

R - A Avon no Brasil é pioneira na minha opinião. A Avon está em primeiro lugar na venda de porta a porta. Eu não vejo outra empresa para superar a Avon.

 

P/1 - O que o senhor acha da importância da Avon para a história dos cosméticos? Já são 50 anos.

 

R - A Avon foi muito importante. Isso 50 anos no Brasil, mas a Avon existe há mais de 100 anos no mundo. A importância da Avon pra mim é muito grande porque hoje tanto as mulheres como os homens… me falta palavra, desculpe. Como que fala quem quer se embelezar? Esqueci a palavra agora. Vaidade. Hoje não são só as mulheres que são vaidosas. Os homens também. Então a Avon tem produtos para homens, para mulheres e para todo tipo de cor. É muito importante isso.

 

P/1 - Que fato marcante o senhor presenciou ao longo desses anos na Avon?

 

R - Na companhia que você fala?

 

P/1 - Sim. 

 

R - Tem tantos, viu.

 

P/1 - Foi muito tempo, né?

 

R - Foi muito tempo realmente.

 

P/1 - Tem algum que o senhor se lembre que vem a memória?

 

R - Fala marcante de coisa boa ou coisa...

 

P/1 - Que foi marcante para o senhor.

 

R - Marcante foi uma greve que teve em 85. Eles tentaram parar a Avon, o sindicato. Esse aí foi um fato marcante que nós passamos dia e noite tentando atender as revendedoras.

 

P/1 - E a greve ocorreu?

 

R - E a greve ocorreu e esse foi um dos fatos marcante.

 

P/1 - Como é que resolveu essa história?

 

R - Nos integramos com o pessoal dos escritórios, operações do escritório para conseguir atender os pedidos da revendedora. Nós trabalhávamos dia e noite praticamente.

 

P/2 - O senhor lembra quando fundaram esse sindicato? Por que que fundaram?

 

R - Esse sindicato sempre existiu. Era o Sindicato dos Químicos. Eu não sei o motivo porque tentaram parar a companhia. Que a Avon davam os benefícios acima de todas as empresas. Tudo o que os funcionários pleiteavam a Avon já tinha, já cobria. Então eu não sei o motivo porque pararam a Avon. Acho que foi uma questão de honra para o sindicato.

 

P/1 - Década de 80, né? Quais foram os maiores aprendizados de vida que o senhor teve durante esse tempo todo de trabalho?

 

R - Foi a convivência com os funcionários desde os mais baixos até os mais da hierarquia mais alta. O meu lema era o seguinte: eu nunca fazia uma coisa sem primeiro saber se ia prejudicar alguém. Isso eu aprendi muito, muito mesmo. Se eu tentasse mudar alguma coisa eu procurava saber se ia prejudicar lá na frente porque muita gente faz as coisas sem pensar no próximo. Eu não. Eu sempre pensei no próximo pra poder fazer alguma coisa. 

 

P/2 - O senhor se aposentou em 94?

 

R - Em 96. 

 

P/1 - E o senhor ficou trabalhando até?

 

R - Até 2001. Dia 30 de abril de 2001.

 

P/2 -  E por que o senhor quis continuar trabalhando?

 

R - Até que eu ainda tinha muita força de trabalho a oferecer para a Avon. E ao mesmo tempo achou que eu era útil para a empresa e então eu continuei trabalhando até os meus 60 anos de idade.

 

P/2 - O senhor falou em mudanças, quais foram as mudanças que tiveram na Avon que o senhor acompanhou?

 

R - Mudanças de tecnologia? Foram muitas. Como eu falei. Quando eu entrei na Avon era tudo manual. Depois, quando eu fui para Interlagos, começou a mecanização, automação. E hoje a Avon, no caso o Centro de Distribuição de Osasco, praticamente é tudo mecanizado. As caixas saem e já entram dentro de caminhão sem a gente colocar as mãos.  

 

P/2 - E essas mudanças o que elas significaram pra vocês?

 

R - Pra nós foi um desafio porque quando maior a tecnologia você tem que aumentar os conhecimentos. Nós fazíamos muitos seminários, seminários de projetos para podermos acompanhar os novos sistemas.

 

P/1 - O senhor participou também da implantação do CD de Osasco?

 

R - Sim, ativamente.

 

P/1 - Como é que foi?

 

R - A minha parte era balanceamento de linhas que eu fazia. Então não podia parar a operação de Interlagos e já paralelamente projetando Osasco. Depois de funcionando Osasco vieram novas tecnologias também. Inclusive tem um programa chamado Chip Designer que é um redesenho da operação e foi um paralelo. Funcionando o atual e  redesenhando o paralelo. Esse foi um desafio muito grande também pra mim. Na época da implantação também a gente ficava preocupado, mas felizmente deu tudo certo.

 

P/2 - E quanto tempo em média demorava esse processo? O senhor falou que o senhor foi até Fortaleza  e ficou lá?

 

R -  Fiquei quatro meses.

 

P/1 - Quatro meses. E em Osasco?

 

R - Em Osasco mais ou menos esse mesmo tempo. Até prepararmos todas as linhas de separação, os estoques, mais ou menos,  esse tempo também.

 

P/2 - O senhor comentou que fez algumas viagens pela Avon.

 

R - Sim.

 

P/2 - Fala um pouquinho pra gente sobre isso?

 

R - Eu viajei pela Avon no Brasil eu viajei pra Salvador,  Recife, Fortaleza, Belém e Macapá. No exterior eu fui para Montevidéu, Lima, Buenos Aires e México.

 

P/2 - E essas viagens o senhor fazia? Eram cursos, eram seminários?

 

R - Geralmente eu ia buscar um sistema novo que nos interessava ou levar alguma coisa nova para implantar pra eles. 

 

P/1 - Eu queria voltar no CD de Osasco. Ele foi o primeiro que a Avon teve no Brasil?

 

R - Sim. Fora de Interlagos, sim.

 

P/1 - Sim, fora de Interlagos. O que isso representou para a Avon esse crescimento?

 

R - Em primeiro lugar os espaços em Interlagos já estavam restritos. Em segundo lugar eu acho que era benefício para a própria Avon em termos de impostos ou coisa assim.

 

P/1 - Maior alcance, né?

 

R - Maior alcance. Porque se criou a Avon industrial, que é hoje, e a Avon comercial, que são os centros de distribuição. 

 

P/1 - Certo.

 

P/2 - Teve um centro de distribuição em Santa Rita?

 

R - Teve. Isso em tempos atrás, eu não me lembro realmente a data, mas teve um centro de distribuição em Santa Rita na Paraíba.

 

P/2 - E o senhor conheceu?

 

R - Conheci, mas fiquei pouco tempo lá. Só fui realmente visitar, fazer uma análise lá da produtividade e voltei.

 

P/1 - Eu queria saber o que o senhor achou desse projeto de memória. O que o senhor acha da Avon resgatando essa memória através desse projeto, o que o senhor acha?

 

R - Eu acho bem interessante. Pelo menos a Avon é uma empresa que lembra dos antigos funcionários. Eu me sinto assim emocionado.

 

P/1 - E o que o senhor achou de ter participado dessa entrevista?

 

R - Ótimo. Muito feliz. Eufórico, feliz e emocionado, como eu disse.

 

P/1 - Tá, ok. Muito obrigada. Então o Museu da Pessoa agradece. A Avon também por ter participado.



Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+