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História

Sempre gostei muito de estar no campo

História de: Nayara Jaqueline Scholl
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 02/11/2014

Sinopse

Nayara nasceu em Limeira e mudou de cidade algumas vezes por conta dos estudos e do trabalho da família. Sempre quis ser agrônoma e estudar na ESALQ em Piracicaba, para isso diz ter mantido o foco desde os tempos da escola. Filha de produtor rural, pretende ter ser próprio negócio assim que terminar a faculdade.

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História completa

Meu nome é Nayara Jaqueline Scholl. Eu nasci em Limeira no dia 18 de fevereiro de 1992. Minha mãe chama Itamara Matos de Lima Furtado, nasceu em Congonhinhas no Paraná no dia três de setembro de 1970. Meu pai chama João Scholl, ele nasceu em Limeira também em 15 de março de 1965. Minha mãe é corretora de imóveis e meu pai é citricultor, produtor de citros em Santa Fé do Sul, no norte do estado.

Recanto da Onça - Meu pai é empreendedor, gosta de aventura, ele tem um “Q” nele assim de enxergar oportunidade onde ninguém vê, tanto é que ele cresceu por causa disso. Mesmo ele tendo ensino até a oitava série, hoje ele é produtor grande de citros.

Na verdade a história se iniciou numa fazenda histórica de Limeira. Meu tataravô veio pro Brasil da Alemanha e eles conseguiram um pedacinho de terra naquele esquema de parceria. Aí eles tinham um pedacinho pequeno que era do meu tataravô, foi passando de geração em geração. Meu vô morou muito tempo também nesse lugar. Meu pai meio que cansou, mesmo assim ele gostava muito de trabalhar em propriedade agrícola, sempre gostou de campo. Ele trabalhava de manhã com o meu vô e à tarde trabalhava com outra pessoa. Com isso, com 17 anos ele comprou a primeira casa na cidade, foi em Engenheiro Coelho, uma cidadezinha lá perto. Meu vô se mudou pra lá também, mas eles continuaram com esse pedacinho de terra. Depois eles venderam, compraram um sítio, o Recanto da Onça, que produzia laranja já, mas era bem pequenininho. Meu pai ainda hoje tem essa propriedade, ele se tornou produtor de muda de citros, que é aqui pertinho, uns dez quilômetros, e na verdade com isso que ele realmente cresceu, produzindo muda.

Família simples - Eu venho de família simples. Por mais que meu pai tenha conquistado com o tempo as coisas, mas sempre foi morando em sítio, então a comida bem caseira, frango caipira, torresmo, essas coisas. Tanto é que até hoje assim minha carne preferida é porco, sabe? Meu pai até tem criação de javaporco, que é javali com porco, e sempre foi assim. Minha mãe também, a origem dela é nordestina, então sempre assim, tapioca. Minha vó tem oito filhos, então era aquelas paneladas de pamonha, esse tipo de coisa. Meus pais se separaram quando eu tinha 12 anos. Não é fácil pra ninguém, né? Eu acredito que se eu não tivesse envolvida com igreja, com Deus, eu seria uma pessoa muito revoltada, porque é um momento de muito sofrimento. Ainda mais assim, que meu pai se mudou pra outra cidade, então eu me apeguei mesmo.

Infância - Até os quatro anos eu vivi em Engenheiro Coelho, uma cidadezinha de 20 mil habitantes, superpequenininha. E eu cresci lá, indo como meu pai pra roça, nas minhas férias eu ia pra casa do meu vô também, pro sítio. Minhas férias se resumem a fazenda, plantar um monte de coisinha assim. Com cinco anos a gente foi pra Limeira. Família pequena, né, assim, era eu, minha mãe, meu pai. Eu brincava muito na rua, curti bastante minha infância com meus primos, não tinha irmão, mas tinha um monte de primo. Logo que mudamos pra Limeira eu fiquei num apartamento enquanto construía minha casa. Depois era tipo uma chácara, aí era bem grande, tinha piscina. Quando a gente ia pra fazenda a lembrança mais nítida assim que eu tenho são os pezinhos de jabuticaba e ficávamos eu e minha prima. Eu tenho uma prima da mesma idade, a gente ia, ficava em cima do pé de jabuticaba a tarde inteira comendo jabuticaba e conversando. Era isso, também cada uma tinha um lado da casa, então a gente competia, plantava as coisas, qual que crescia mais, esse tipo de coisa. Tinha cavalo também, sempre ameia andar a cavalo. E na cidade, na rua era taco, pega-pega, esconde-esconde, cada macaco no seu galho, eram mais essas coisas.

Eu sempre quis ser agrônoma mesmo, desde criança. Acho que pela convivência, meu pai. Sempre gostei muito de estar no meio, no campo, me via sempre trabalhando com isso. Meu pai até brincava comigo. Eu lembro que quando eu falava pra ele que eu queria ser agrônoma, aí ele falava assim: “Filha, você vai ser a primeira agrônoma a ser bonita, porque Deus quando tá te criando fala ‘Você quer ser bonita ou você quer ser agrônoma?’”. Isso me marcou, sabe?

Irmão - Eu tenho um irmão por parte de mãe só. Ele tem quatro anos, Lucas. Eu já tava preparada pra notícia quando eu fiquei sabendo. Minha mãe engravidou já com 39 anos, eu tinha 18 na época. Eu nunca, na verdade, quis ter irmão. Nunca quis ter irmão, gostava de ser filha única, tal, mas foi uma surpresa maravilhosa. Hoje eu sou segunda mãe assim do meu irmãozinho. Ele é o xodó da casa. Hoje eu sou apaixonada pelo meu irmão. Se soubesse queria até mais.

Educação - Eu acho que eu sempre gostei de ir a escola, uma porque eu era filha única, então na escola tinha bastante amiguinho e tal. Já no ano seguinte eu fui pra Limeira, eu sempre estudei em escola particular desde criança. Meu colégio só ia até a oitava série e meu pai quis me colocar numa escola melhor pra não precisar fazer cursinho, nada. Aí eu fui estudar em Piracicaba, Colégio Luiz de Queiroz, mesmo morando em Limeira. Então eu acordava todo dia cinco e meia da manhã, pegava ônibus e ia. Esse colégio visava o vestibular da Fuvest. Eu prestei outros vestibulares, mas eu queria na verdade a ESALQ. Sempre também, desde que eu comecei a entender, eu sempre quis fazer faculdade pública, Agronomia na ESALQ (Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”) sempre foi o meu sonho.

Quando eu entrei, eu morava em Limeira e fui pra Piracicaba. Eu mudei pra lá porque eu não dirigia, não queria ir de ônibus também porque ficava muito cansativo por a aula ser o dia inteiro, né? Tudo novo, tudo novidade, muito desafio. Eu fui pra lá, tinha que limpar a casa sozinha, fazer comida, tudo isso e em casa não era assim. Nesse mesmo ano eu assumi a regência lá do coral, meu irmão nasceu no mesmo mês que eu entrei na faculdade, aí eu mudei de casa. Comecei a namorar, namoro essa pessoa até hoje. Foi assim, várias mudanças no mesmo mês, sabe? E eu acho que eu amadureci muito também. Morei três anos sozinha em Piracicaba e depois eu voltei pra Limeira. Fiquei um ano e meio indo e voltando todos os dias, de Limeira a Piracicaba, que aí eu já dirigia melhor, tinha mais confiança, aí era melhor ficar em casa, tal.

Lazer - Então assim, pra me divertir a gente se juntava de segunda a segunda, juntava na casa de alguém ou na rua, ou saía pra ir ao shopping comer alguma coisa. Eu sempre gostei de ler. Músicas então, meu Deus, eu não vivo sem música. O tempo inteiro escutando. Mais música evangélica mesmo. Sempre gostei muito de música internacional, sempre que dá eu vou a show. Minha cantora preferida chama Daniela Araújo. Ela é compositora, produtora, cantora. E eu, desde os oito anos eu fiz aula de música. Eu toco clarinete desde essa época em orquestra na minha igreja e também na cidade quando tem algum evento. Eu sou regente também de um coral na minha igreja, um coral de adolescentes, e nos congressos gerais dá mais de mil adolescentes a quantidade.

Primeiro trabalho - Fiz estágio em um laboratório de pesquisa e foi assim o meu primeiro contato mesmo com o trabalho, com responsabilidade. E era um estágio que eu fiquei um ano e meio e logo que eu ia pedir a bolsa, eu falei: “Ah, vou ficar aqui só?”. Se pedir a bolsa, eu ia tentar Fapesp, CNPQ, e o projeto já tava em andamento na verdade, mas se eu pedisse, eu ia ter que ficar mais um ano e eu queria estagiar em outras áreas. Aí eu mudei de estágio. Depois fiz outro com um grupo bem legal, é um grupo de campo mesmo, de pesquisa e campo com hortaliças, consegui conciliar tanto a parte de laboratório, de pesquisa, quanto campo, que é fundamental na formação do agrônomo.

A gente fazia desde a área de produção de mudas de hortaliças até a área de obter o produto final mesmo. Então todos os tratos culturais, adubação, preparo de solo, tudo era a gente que fazia, tudo. Então lá o forte do grupo é área de tomate, aí faz parceria com empresas assim importantes. E tomate é uma cultura assim que demanda muito trato cultural, é assim: de um dia pro outro uma doença pode acabar com tudo. Então a gente tava sempre em cima. E lá também é um grupo que visa produção em ambiente protegido, em estufa e também com sistema hidropônico. É bastante inovador pra essa área. Em seguida fiz estágio profissionalizante, que na ESALQ eles têm uma facilidade muito grande de comunicação, de oportunidade de estágio, trainee, essas coisas. E eu na procura lá de estágios, e eu nunca gostei assim de grandes culturas, soja, cana, nunca gostei.

Eu gosto mais assim de ter contato mesmo direto, o outro é muito mecanizado, né? Aí eu vi oportunidade de estágio na Nestlé, eu recebi o e-mail, vi lá que era a professora Simone, fui conversar com ela para ver como que eram as atividades e tal. Aí ela me incentivou falando que eu ia realmente gostar e aí eu participei do processo que foi realizado lá dentro da ESALQ mesmo. No dia lá tinha acho que por volta de uns 15 alunos participando junto comigo, e eu já tinha feito um monte de processo seletivo. Ela fez a entrevista e eu tava bem calma, falei: “Nossa, seria muito legal conseguir conciliar a experiência de trabalhar numa empresa com algo que eu realmente gosto”. Aí eu fui selecionada, agora eu tou aqui. Quando eu me formar eu quero ser produtora, não quero trabalhar muito em empresa, não. Na verdade eu estou juntando dinheiro. Eu tenho vontade de ter assim dentro da minha cidade mesmo uma produção de hortaliças hidropônicas. Assim, o investimento não é muito alto e eu já tenho assim um dinheirinho guardado. Minha intenção é essa, com o tempo montar o meu próprio negócio.

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