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História

Sempre gostei de tratar dos animais

História de: Leonardo Henrique de Almeida Rossignolo
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 02/11/2014

Sinopse

Leonardo nasceu no interior de São Paulo, em Nhandeara. Cresceu em uma família de produtores rurais. Acompanhava o avô nas tarefas da fazenda, quando adorava cuidar dos animais. Após concluir o ensino básico, escolheu ser veterinário. Até seu casamento tem relação com a agropecuária...

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História completa

Meu nome é Leonardo Henrique de Almeida Rossignolo, eu nasci na cidade Nhandeara, São Paulo, na data de 12 de julho de 1986. Minha mãe chama Ilma Garcia de Almeida Rossignolo, nascida na cidade de Floreal, dia 25 de janeiro de 1963. O meu pai Adécio Antônio Rossignolo, nascido na cidade de Floreal também, São Paulo, na data de 12 de junho de 1953. A minha mãe leciona na área de Português e Inglês, e o meu pai é pecuarista, na região de Andradina e também na região de Floreal. Eu tenho mais dois irmãos, somos em três homens na família, Marcelo e Eduardo. O meu finado bisavô, ele veio da Itália de navio e tudo mais, ele veio descendente de lá, o nome Rossignolo é descendente da Itália. Até existem parentes nossos lá, lógico, na qual a gente não tem contato, até por motivo de distância e vários fatores que podem distanciar o parentesco, mas a gente tem parente lá sim, na Itália.

Vida no interior - Nhandeara é uma pacata cidade do interior de São Paulo com aproximadamente 10 mil habitantes, uma cidade muito tranquila, boa de viver, tá? E, assim, talvez por motivo da cidade ser um tanto quanto pequena, eu tive sempre um bom relacionamento com as pessoas de lá. A casa onde eu nasci e morei até os meus 18 anos, uma casa muito simples, mas muito aconchegante também. O meu pai e minha mãe nunca deixaram faltar nada pra gente, total conforto na verdade, certo, uma casa toda mobiliada, montada, um quarto com televisão no quarto, banheiro e tudo mais. Nós somos bastante tradicionalistas, comida que a gente mais gosta: arroz, feijão, um bife com cebola e uma batata frita, acompanhado de um belo suco natural de laranja. E cozinhar, como a minha mãe e meu pai sempre trabalharam fora, nós aprendemos a cozinhar desde muito cedo. E a regra lá em casa era o seguinte, aquele que chegasse primeiro fazia a comida pra todo mundo; e quem chegava depois limpava a casa, pra hora que a minha mãe chegar ela não precisar se importar com questão de casa. E assim a gente foi vivendo e crescendo e tudo mais, um ajudando o outro, bastante companheirismo dentro da família.

Brincadeiras e escola - Na minha época ainda existia brincadeira de esconde-esconde, brincadeira de bate, jogava bola na rua, soltar pipa, eu soltei muita pipa na vida, brincar de terra no barro, todas as brincadeiras de crianças que hoje a gente não vê muito mais, que as crianças na rua e tudo mais, até por conta da mudança da faixa etária mesmo, mas todas as brincadeiras que você imaginar de criança eu já brinquei. A minha primeira escola era uma escola como todas, onde tinha as salas de aula. Eu me lembro que ela parecia uma casa bem grande, e um lugar muito aconchegante, pessoas excelentes. Dona Irene Imano foi minha professora de primeira série na verdade, e a pessoa que me ensinou um pouco sobre tudo, né, ler, escrever. Uma pessoa que não era uma professora e sim uma mãe. Era não, é, porque ela é viva até hoje, a gente relaciona-se até hoje. E acima de tudo, dela ser professora e tudo mais, ela sempre foi muito amiga da minha família, do meu pai e da minha mãe, então através daí ela me adotou como sendo um filho dentro da sala de aula e não um mero aluno. De lá eu migrei pra outra escola, chamada Joaquim Fernandes de Melo, aí eu fiquei até a sétima série. Na oitava série eu fui pro Pedro Pedrosa e no primeiro colegial eu fui para o Objetivo, Escola Objetivo de Nhandeara. E depois eu fui embora pra Andradina pra fazer faculdade lá, isso no ano de 2005.

Andradina - No final de 2004, eu concluí o terceiro colegial e prestei alguns vestibulares, todos pra Medicina Veterinária. E, assim, eu tive êxito em alguns e a minha escolha foi tá estudando em Andradina. E desde então, a minha família, o meu pai e minha mãe, eles sempre queriam migrar de Nhandeara pra alguma região. Eles foram pra Andradina no dia do meu vestibular me acompanhar e tudo mais e gostaram da região. E quando eu fui estudar pra lá, eles decidiram todo mundo migrar pra lá. Então o impacto longe de casa foi nenhum, porque minha mãe e meu pai me acompanharam e foi uma experiência muito boa na minha vida, porque eu pude, vamos dizer assim, eu tinha 18 anos na época, eu não havia saído da cidade onde eu nasci, tá? E, por um lado, eu senti muito, porque aí foi onde houve um pouco de separação daquelas amizades que eu tinha da minha infância. Mas ao chegar em Andradina eu fui muito bem acolhido, então toda essa transição de vida foi bem, vamos dizer assim, suprida a necessidade de uma amizade, de um companheirismo, porque lá eu fiz amizade com praticamente todo mundo, entendeu? Mas lógico, novidades, eu nunca tinha ido, não sabia, nem imaginava como que era uma faculdade, só que foi uma experiência muito boa em minha vida. Fiz Medicina Veterinária em Andradina na Faculdade de Ciências Agrárias de Andradina.

Feliz coincidência - Aproximadamente 15 anos atrás, 15, mais ou menos isso, o meu pai havia arrendado uma propriedade no Mato Grosso do Sul. E como eu sempre ajudei o meu pai, o meu vô, sempre fui ligado a bovinos, na verdade, eu ajudava ele a lidar com os animais lá e a minha esposa ajudava o pai e o avô dela também. Eu me lembro que nós chegamos um dia nessa propriedade que o meu pai havia alugado pra mexer com o gado, chegou lá, eu vi uma menina em cima de um cavalo ajudando a gente a lidar com o gado e eu, sempre simplão, né, simples de tudo, tal, falei: “Ó, é o seguinte, se uma mulher for ficar dentro do curral, eu vou sair, porque lugar de mulher é na cozinha”, naquela época, criança. E na época eu lembro que a gente brigou lá, eu e ela e tudo mais, eu pra pirraçar, né, na época eu tinha nove anos, não sabia nem o que tava fazendo, eu falei: “Um dia eu vou casar com você”. Beleza, o mundo gira, né? Passaram-se 15 anos, na faculdade em Andradina conheci uma moça, a gente começou a se relacionar, começou a namorar e tudo mais e um certo dia ela falou: “Ó, meu vô possui uma propriedade no Mato Grosso do Sul, você não quer ir lá conhecer?”, eu falei: “Gostaria, é claro”. Nós fomos lá, chegou lá, eu falei: “Não, pera aí, eu já vim aqui nessa propriedade”, lembramos da história. Então, assim, e hoje a gente casou, já faz seis anos que a gente é casado e foi assim que eu a conheci, mas a gente a gente se reconheceu na faculdade.

Filho - Tudo encaminhou pra minha esposa ter o parto normal, que de fato foi. E aos sete meses de gestação ela começou a sentir alguns incômodos, tá, ao ir no médico, o médico constatou que o bebê já estava praticamente pra nascer. Bom, aí veio o grande desafio, porque ele não tinha os pulmãozinhos maturados ainda, até então. E nós precisaríamos de uma UTI neonatal, se de fato acontecesse o parto, ele teria que ir diretamente pra UTI. E a UTI neonatal mais próxima que a gente encontrou que tinha vaga era em Catanduva, aproximadamente 360 quilômetros de onde a gente tava. Não tive dúvida: “Vamos pra Catanduva”. Fomos pra Catanduva, tal, beleza, chegou lá, conseguiu inibir o parto e começou um processo de maturação do pulmão do meu filho. Voltamos pra Andradina, aí a minha esposa não podia fazer nada, ela só ficava deitada, só levantava pra comer, ir no banheiro e voltava a deitar, o médico dela falou que ela não podia fazer nada, nada, nada, apenas isso. Eu era responsável por lavar, passar, fazer comida, trabalhar e ajudar ela no que precisasse. Enfim, com oito meses de gestação o meu filho poderia nascer onde estivesse, que o pulmãozinho dele já tava maturado, tava perfeito. Com oito meses e dois dias de gestação, ela entrou em trabalho de parto em Andradina e meu filho veio a nascer (risos). O mais gostoso disso tudo, a ligação entre o meu filho e eu é algo anormal, porque desde o momento que eu soube da sua fecundação, eu já tratava ele com muito respeito e carinho. E no seu parto, você perguntou se eu assisti o parto, né, na verdade eu ajudei no parto dele. Porque o doutor que atendeu ela, muito amigo meu, uma pessoa extremamente responsável, me convidou pra estar auxiliando ele no parto do meu filho. Eu lembro das palavras dele até hoje, ele falou assim: “Você é acostumado a partos de animal, quero ver se você vai ter força pra ajudar no do seu filho”, eu falei: “Eu tenho”, ele falou: “Então você vai tomar um banho, vai se paramentar, que você vai me ajudar”. Tomei um banho no hospital, me paramentei, o meu filho foi a primeira criança que nasceu no quarto na Santa Casa de Andradina, o parto totalmente humanizado. E o mais legal de tudo, eu que cortei o cordão umbilical do meu filho.

Experiência - Eu comecei a lidar com vaca de leite na minha infância, através do meu avô, do meu pai e tudo mais. E até hoje, eu dei sequência através do meu tio, dos meus primos e parentes que mexem na pecuária de leite, e também através do meu trabalho, que o meu foco é a pecuária de leite, né? O que eu mais gostava de fazer era dar ração para os animais. Eu que ficava responsável pra colocar um copo de ração, mais atrapalhava que ajudava na verdade, né, mas eu sempre gostei de tratar dos animais, de dar ração. A primeira vez que eu consegui salvar a vida de um animal eu tava na faculdade ainda, eu tava no quarto ano, eu acho, de Veterinária. Era umas três horas da manhã, mais ou menos, meu telefone tocou, era um amigo meu, até de Andradina, o Kléber, a gente chamava ele de Klebinho. Ele criava alguns animais e um animal dele tava com cólica, cólica equina, um dos problemas que mais causa óbitos de equino, vamos dizer assim, no meio de equicultura. E eu me desloquei até a propriedade dele, a gente conseguiu recuperar o animal e foi bastante emocionante, nunca mais eu esqueço! Foi o primeiro animal que eu salvei como médico veterinário. Atualmente eu sou técnico de uma empresa, ministrando um programa que chama Programa de Boas Práticas na Fazenda. Esse programa, na verdade tem por intuito garantir a qualidade e a segurança do leite produzido na propriedade. Eu sou uma pessoa muito realizada profissionalmente, porque desde infância eu pleiteava ser médico veterinário, e depois que eu comecei a entender um pouco eu comecei querer trabalhar na parte de leite. Eu sou muito, muito satisfeito mesmo profissionalmente.

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