Busca avançada



Criar

História

Sempre desfilei, desde pequenininha

História de: Neide Galvão do Amaral
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 06/07/2002

Sinopse

Infância no Morro dos Prazeres, Rio de Janeiro. Brincadeiras na rua com os amigos. Período estudantil marcado pela professora que segurava a mão na hora do lanche. Trabalhava e estudava à noite, continuou a trabalhar após o nascimento da primogênita. Interesse pelo carnaval. Participou desde nova com a influência da família e dos amigos do Morro dos Prazeres. Filhos. Ginástica e dança.

Tags

História completa

Família
Meu nome é Neide Galvão do Amaral, eu nasci no dia 24 de novembro de 1964 no Rio de Janeiro. Meu pai foi fluminense e minha mãe baiana. A minha avó materna tinha um irmão aqui. Aí ela veio da Bahia com os filhos. Vieram pra cá procurando uma vida melhor. Minha mãe trabalhava em casa de família, mas não trabalha mais. A profissão do meu pai não sei.

Infância
Eu posso dizer que tive infância, era muito bom. Me divertia e brincava muito. Hoje em dia não dá mais pra isso. Os meus filhos não têm infância, eles ficam dentro de casa, presos, vendo televisão. Eu brinquei na rua, como uma criança normal. Nós brincávamos de pique, queimada, pula corda, andar de bicicleta.

Escola
Eu freqüentei a escola, terminei o 1º grau, eu tenho até o 2º grau incompleto. Estudava na escola Julia Lopes de Almeida, aqui perto. Todos as crianças aqui do Morro, fizeram o 1º grau lá e depois vai pra outra escola. Eu era a queridinha da professora. Quando eu ia pro colégio a minha mãe vinha embora eu ficava chorando porque eu não queria ficar. Mas depois tudo passava, eu ficava brincando, me divertia, os professores também eram muito bons. Esqueci o nome da professora, mas ela só ficava comigo na hora de merendar, me dava a mão. Então eu me apeguei a ela. Aí depois eu continuei estudando a noite, porque fui trabalhar. Trabalhei em vários lugares. Depois eu casei tive a minha filha, que se chama Ellen, e continuei trabalhando. Tive o Arthur e depois continuei trabalhando.

Morro dos Prazeres
Antes o morro significava tudo, mas agora, pra mim é aquele negócio: trabalho - casa, casa - trabalho. Se eu quiser me divertir eu vou para outros lugares

Carnaval
A minha família toda é do babado, todo mundo era do samba mesmo. Todos desfilavam, participavam. A minha família tinha uma ala mesmo: Galvão do Amaral. Chegavam os figurinos, nós procurávamos logo pegar aqueles só pra gente mesmo, para a família, e ficava legal. Eram poucas pessoas de fora que desfilavam na nossa ala. Meu cunhado Heitor adora samba, até concorreu com alguns. Ele é conhecido aqui como Heitor dos Prazeres, porque morava no morro e adora samba. Teve um carnaval que me marcou mais, mas eu não me lembro qual o tema, mas minha irmã, mulher do Heitor, se meteu a fazer a roupa da bateria. Mas ela não costura nada. Quando chegou na avenida, tinha um componente da bateria que enquanto tocava a blusa se espedaçava. Ele arrancou tudo, jogou fora. Foi hilário, a turma adorou, nós não esquecemos disso. Depois do desfile a turma encarnou nela: “Deise fez a roupa da bateria e tava desmanchando na avenida, não sei o que”, foi muito engraçado. Nós tínhamos horário para ir pro desfile, e chamavam no microfone: “vamos embora, vamos descer, tá na hora”, empolgando todos. Aí todo mundo descia e se reunia na quadra e descíamos o morro para pegar o ônibus. Era só batucada dentro do ônibus, era só alegria, muito divertido. Nós íamos desfilar em outros lugares, era sempre no sábado, para desfilarmos também no domingo. Desfilava em Santa Tereza. Vínhamos do Morros dos Prazeres e íamos até o Largo dos Guimarães desfilando. Lá encontrávamos com as Carmelitas, com os bloquinhos que tinham lá e era aquela farra.

Casarão dos Prazeres
Nós vínhamos para o casarão para ficar conversando, olhando o jeito que ele era. Aquelas trilhas eram muito bonitas. Eram umas ruínas, mas gostávamos desse local porque é lindo. Nos reuníamos à tarde no final de semana, almoçávamos e vínhamos para cá ficar conversando. Aí quando o sol ia embora nós íamos também. Aqui era o nosso “point”. Era um lugar para virmos nos finais de semana quando não saíamos. Agora, meus filhos fazem aula aqui no Casarão. A Ellen faz balé, dança espanhola e teatro e o Artur teatro também. A Ellen sempre quis dançar balé, mas eu não posso porque é caro. Então surgiu essa oportunidade e a coloquei rapidinho. Estávamos esperando a roupa do balé da Prefeitura, mas eu não consegui, comprei logo para ver ela arrumadinha. Sou uma mãe coruja, muito coruja. Ela também faz dança espanhola. Então eu fico toda boba. Eu trabalho aqui. E como atividade extra faço alongamento. Nós fazemos ginástica, dança. Para começar um trabalho é bom fazer um alongamento e dançar. Então fazemos isso das oito às nove e depois começo a trabalhar. É muito bom, o corpo fica super solto. Eu trabalhava na creche da Associação, aí eu saí e fiquei em casa, estava fazendo curso de culinária de doces e salgados lá em Água Santa, ganhava só o vale transporte. Aí eu vim pra cá, e fui levar as crianças no colégio. Conversei com a Márcia, que trabalhava aqui e perguntei: “Márcia, vai vir alguma companhia de limpeza pra cá?”, e ela falou: “Não, nós estamos pegando o nome das pessoas”, “Então coloca o meu aí”. Um dia eu estava no curso e ela me ligou, aí eu disse: “Bye bye, eu estou indo embora”. Agora estou trabalhando, ganhando o meu dinheiro. Estou perto de casa, das crianças. Eu as para o colégio, busco, vou dar comida... É o que eu quero.

Avaliação do Projeto
Estou louca pra ver isso exposto logo, para vermos como é que está e como foi o nosso trabalho e foi muito legal.

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+