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Semáforo do Pastorinho

História de: Lia Cristina Lotito Paraventi
Autor: Lia Cristina Lotito Paraventi
Publicado em: 30/08/2008

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Estudar é uma rotina para quem estuda e para quem leva pra escola. Cinco dias na semana a mesma coisa: levantar, tomar café, fazer tarefa(muita lição mesmo), tomar banho, almoçar, e sair correndo para o Colégio Madre Cabrini. Nessa época, era eu quem levava meus filhos, Felipe e Larissa, e por incrível que possa parecer não era eu, a mãe, que ficava estressada com a correria, mas o Felipe. Muita impaciência para pouca idade. Tínhamos um Corsa verde escuro na época e subíamos todos os dias a Rua Casemiro da Rocha, no Planalto Paulista, e depois da igreja Santa Rita virávamos na rua do famoso Tateno, loja de deliciosas guloseimas, e aí começava a tortura: cruzamento com a Domingos de Morais, trânsito lento, até passar o colégio Arquidiocesano, “marronzinho” pra todo lado(é assim que são chamados os guardas que auxiliam o trânsito e multam, multam mesmo), mas o pior estava por vir: o semáforo do Pastorinho. Este era terrível. Demorado, muito demorado. Terrível mesmo era aguentar o Felipe falando e reclamando sem parar. Pensam que todos os dias saíamos atrasados? Não, é que ele queria chegar na escola cedo, muito antes de bater o sinal. Um dia, Larissa e eu não resistimos e fizemos uma paródia da música “Bom chi bom chi bom bom bom...” Não sei o nome, o autor e nem a cantora, pois nem era uma música de que gostávamos. Todos os dias à mesma hora lá estávamos nós, no farol do Pastorinho, ouvindo a mesma música e dizendo “não obrigada” aos mesmos vendedores de chicletes, balas, flores, amendoim quentinho, bichinhos, bandeiras, capas de celulares, mapas...Pra resistir a espera cantávamos bem alto, para desespero do Felipe. Era assim:

Observando esse farol que está fechado

Fico analisando meu irmão desesperado (bis)

E o minuto vai passando num segundo

E o tempo vai correndo feito vento

E o motivo todo mundo já conhece

É que o Felipe quer chegar na escola cedo (bis)

Hoje, continuo levando o Felipe pra escola, não mais o Cabrini, mas a Escola Paulista de Medicina. Está no 4º ano de medicina, só que desta vez percorremos caminhos alternativos, as músicas são outras e confesso que assim que ele desce do carro mudo rapidinho a estação do rádio. Nossa história acontece aqui, entre Mirandópolis e Vila Mariana, nossas vidas se entrecruzam entre semáforos, sonhos e memórias.

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