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História

Selo de garantia pro guaraná

História de: Antônio Ivaldo Bezerra da Silva
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 18/02/2008

Sinopse

Na sua conversa, Antônio fala sobre suas raízes amazonenses e nordestinas, descrevendo a Manaus de sua infância: uma vida pacata à beira do rio, numa casa de palafita. Em seguida, conta sobre sua formação em Economia, sua entrada no CEAG e seu envolvimento com o SEBRAE, que lhe abriu portas para a administração empresarial dos negócios de guaraná em Maués. Ali, se voltou para o Projeto GEO, que busca dar alternativas aos produtores de guaraná na questão empresarial. 

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História completa

Maués era carente de tudo e de todos, muito carente mesmo. Eu lembro que eu vim aqui uma vez, não tinha restaurante qualificado, alimento aqui pra conseguir almoçar já era ruim, pra jantar era pior ainda, a qualidade não era lá essas coisas e isso, de certa forma, comprometia até o desenvolvimento turístico do município porque ele não tinha a menor estrutura. Foi com o passar do tempo que foi se estruturando e hoje nós já temos, Maués hoje está uma metrópole em comparação ao ano de 81 quando aqui eu cheguei. Eu brincava com o pessoal porque eu chegava num ponto de venda de alimentação, que não era restaurante, e pedia uma galinha caipira, por exemplo, e as pessoas aqui tinham imensos terrenos na casa e não criavam um pinto. Ficou difícil. Você olhava no freezer dessa pessoa e estava lá uma galinha da Perdigão, uma galinha da Sadia, galinha de todo canto menos uma galinha caipira criada no terreno dele. Eu estou falando aqui no núcleo urbano, eu não conheci além, um palmo, a comunidade. Hoje não, hoje a gente já tem um conhecimento comunitário fora do centro urbano de Maués, até pelo nosso envolvimento no projeto que desenvolvemos aqui que é o Projeto GEO – Gestão Estratégica Orientada pra Resultados. Hoje, o maior comprador do guaraná ou seria o único, vamos dizer assim, é a AmBev, então por ser o único potencial comprador, a AmBev, direta ou indiretamente, ela dita o preço do produto. E o produtor fica preso já que ele não tem um instrumento de apoio tipo cooperativa, ele é obrigado, vamos dizer assim, a vender a sua produção pra AmBev e recebe, em troca, oito reais por quilo. O que nós queremos é um agregado de valor em que esse guaraná orgânico salte dos oito reais pra 20 dólares o quilo. Esse é o grande momento e estimular com que produtores possam se envolver com o guaraná orgânico tendo garantia de uma receita maior e estimular também aquele que não quer plantar o orgânico porque ele tem todo um tratamento diferenciado, continuar vendendo pra AmBev sem nenhuma perda de mercado. Isso vai depender da escolha do produtor, nós vamos oferecer as vantagens e eles vão adquirir ou não dependendo da conveniência de cada um.O que havia antes do GEO e após o GEO era uma produção desorganizada. É aquela questão de medo da concorrência. Eu produzia um tipo de artesanato que o fulano não poderia ver como eu produzia sob pena dele copiar o modelo. Com a vinda do GEO nós conseguimos juntar todo mundo e hoje eles se parceirizam de tal forma que um ajuda o outro. Isso deu dinamismo à produção do artesanato. O que havia antes era que alguém encomendava 100 peças de um determinado artesanato e a pessoa que produzia aquele modelo não tinha capacidade produtiva de 100 peças e perdia a encomenda. Hoje o que se vê é o seguinte: o cara encomenda mil peças, eles se juntam, produzem e entregam. Por isso que eu digo, o GEO, Projeto GEO veio incrementar ao mesmo tempo em que ele estimulou parceria entre a própria competência produtiva, entre as pessoas que estão no exercício daquela profissão. 

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