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Vida de comerciária

História de: Selma Sueli
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 18/06/2021

Sinopse

Selma Sueli Ferrassoli Mantovan nasceu em 20 de agosto de 1965, em Ibiporanga-SP. Ambos os avós paternos e maternos têm origem italiana. Seus pais tinham um sítio, e trabalhavam no plantio e colheita de café para venda na cidade. Conta sobre as brincadeiras de infância, o subir em árvores e apanhar frutas. Selma conseguiu ainda menor de idade o emprego na Pernambucanas, ficando em primeiro lugar nas vendas logo no início. Acompanhou a trajetória da empresa, passando pela departamentalização de eletroeletrônicos e as diferentes formas de pagamentos, antes do cartão de crédito e do cheque. Conseguiu alguns prêmios como viagens dado o seu desempenho. Hoje Selma trabalha no sindicato Sincomerciários de São José do Rio Preto como 1º vice-presidente. 

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História completa

          Meu nome é Selma Sueli Ferrassoli Mantovan. Nasci dia 20 de agosto de 1965, em Tanabi, que é uma cidadezinha próxima a Rio Preto. Meu pai é Juvenal Ferrassoli, já falecido, e minha mãe é Maria Dirce Pasqualotto Ferrassoli. O meu avô paterno veio da Itália ainda criança e morou aqui em Guapiaçu, que é na nossa região. A gente foi criado em sítio, na região de Tanabi. Só que meus pais se separaram muito cedo, e precisamos trabalhar, ainda criança.  

          Mas tinha a parte boa, de subir em árvore, porque a gente apanhava goiaba, manga, tudo nas árvores. Já caí de cima do pé de goiaba, fiquei pendurada na cerca de arame farpado (risos), e nós fazíamos as festinhas no sítio, quando era festa de São João. E tinha os aniversários com bolos imensos, do tamanho da mesa - eles eram de cor azul ou cor-de-rosa, com aqueles chumbinhos coloridos. E as mães faziam doce de leite, doce de goiaba, aquele monte de doce caseiro.

          Mas aí eu fui para a cidade de Tanabi com sete anos de idade, na primeira série. Aos oito anos, eu já comecei a trabalhar de empregada doméstica, para ajudar minha mãe que já estava separada do meu pai. Ai, com 12 anos de idade eu mudei para Santo André, onde fiquei até os 15, porque minha mãe comprou um bar lá. Tinha as feiras que passavam na lateral, então levantávamos às três horas da manhã para servir os feirantes com comida. Mas voltamos pra Rio Preto.

          E aos 16 para 17 anos, eu já entrei na Casas Pernambucanas. Eu me lembro do meu primeiro salário já registrado na Pernambucanas. O gerente falou que eu era muito jovem para ser vendedora - precisava ter 18 anos. Só que eu entrei com muita sede de vender, e eu fiquei em primeiro lugar nas vendas, logo no primeiro mês. Eu recebi um salário que eu nunca tinha visto na minha vida, como se hoje fossem 15, 14 salários mínimos na época. O que eu ia fazer com tanto dinheiro? Então, foi mês de comprar geladeira, de comprar televisão para minha mãe, de comprar roupa, roupa de cama. Era diferente de hoje, porque a gente atendia muitos hotéis na época, muitos motéis, e ganhávamos comissão – hoje não tem mais. Entrei lá em 1983; faz 38 anos que eu sou registrada lá. Pra mim, ela foi uma grande escola. Para mim e para meu marido foi uma grande escola, pois tudo que eu aprendi, aprendi lá, graças às Casas Pernambucanas.

          Ainda sou registrada - Arthur Lundgren Tecidos S/A. Não fiz um acerto ainda, eu me licenciei pelo sindicato quando eles cortaram a comissão dos vendedores e me deram essa opção do licenciamento para o sindicato, com remuneração pela loja.

          No sindicato dos comerciários, já teve uma época em que a gente tentou falar com alguns empresários, sobre a dificuldade do vendedor, mas eles dizem que os tempos mudaram, e que hoje as pessoas procuram os autosserviços, pra ser mais rápido, mais prático, e não precisa pagar comissão. Vai trocando de vendedor, né? Eles não têm mais aquele vendedor fiel na empresa. Hoje, se os vendedores tiverem que fazer duas horas de almoço, três horas, eles vão fazer, porque não ganham nada por isso. Eu acredito que as empresas de hoje não voltariam mais com a comissão, com a remuneração de premiação - premiação de vendas de retalho, de máquina de costura, de viagem. Eu ganhei uma viagem numa promoção da CCE, que era uma marca de componentes, pra ir pra Manaus, com tudo pago. Mas hoje é tudo diferente.

          Quando eu fui convidada para fazer parte da diretoria, foi por iniciativa de um presidente que já faleceu, que é o Marcos Antonio Pereira. Ele pediu pra eu participar das reuniões. Eu disse que não tinha tempo, mas ele insistiu, e eu acabei aceitando. Um pouco mais tarde, eu me licenciei da Pernambucanas e fiquei no sindicato. Como eu “respirava” a Pernambucanas – passava o dia, a vida dentro da loja -, o início foi muito difícil, fiquei um pouco “deprê”, um pouco insegura, mas depois eu me habituei. Comecei a organizar excursões para a colônia de férias de Praia Grande. É uma coisa que eu gosto, de reunir pessoas, de turma, fazer o povo ficar feliz.

          Mas tem muita coisa importante no sindicato. Quando a gente tem algum problema nas empresas, eles ligam para nós, e a gente vai fazer averiguação - ou fala com o departamento jurídico, ou a gente mesmo, às vezes, vai fazer a visita na empresa para ver se é aquilo. A gente faz assembleias com bancos de horas, com regulamento de horário, faz a visita para falar com os funcionários, pra saber se eles não estão de acordo com aquela exploração de horário ou alguma coisa que está irregular dentro da empresa. Tentamos averiguar, resolver a situação da melhor maneira possível. A gente tenta ouvir sempre os dois lados da situação, porque precisa também do empresário - sem o empresário não tem o emprego.

          A nossa vida no cotidiano é bastante corrida. Nós tivemos uma parceria agora, a campanha da doação de sangue: “Espalhando Sangue por aí”. A gente também tem a campanha “Espalhando Amor por aí”, que é de alimentos. Agora a gente fez a de sangue, que se encerra hoje. Os comerciários que fossem doar o seu sangue - doaria a bolsa de sangue, que salva quatro vidas -, ganhariam uma cesta básica. Nós fizemos 600 cestas básicas para o mês de maio. O sindicato tem sempre essas campanhas. No mês de outubro, a gente faz o Mês do Comerciário, a gente faz a das crianças também. Ao longo do ano, a gente fez a campanha da doação de cabelo para o hospital de Barretos, que trata câncer, faz também voltado para o câncer de mama. Neste último ano, devido a pandemia, os nossos eventos ficaram bem abaixo da média, pois foi tudo bem restrito. Mas somos um sindicato bem atuante, a gente tem eventos constantemente.

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