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História

Seguindo os passos do irmão mais velho

História de: Gilson Alves Menezes
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 12/02/2021

Sinopse

Infância em cidade do interior de Minas Gerais. Mudança para Ouro Preto e vida em uma república estudantil. Entrada na faculdade de Engenharia. Primeiras experiências profissionais. Trabalho na fábrica de Iguatama. Fechamento das fábricas de Pombal e Saudades. Relacionamento com clientes da White Martins. Fazendas de reflorestamento controladas pela empresa. Relacionamento profissional com o irmão. Infraestrutura da cidade de Iguatama.

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História completa

 

 

P/1 – Bom Gilson, seja bem vindo. O Museu da Pessoa tem prazer em recebê-lo. Obrigada pela disponibilidade.

 

R – Eu que agradeço a oportunidade.

 

P/1 – Por favor, o seu nome completo, data e local de nascimento.

 

R – Gilson Alves Menezes, 6 de junho de 1958 e nasci em Rio Pomba, Minas Gerais.

 

P/1 – Os nomes dos seus pais?

 

R – Wilson de Souza Menezes e Maria Alves Menezes.

 

P/1 – Dos seus avós você lembra?

 

R – Eu lembro só os maternos. Dindinho, eu vou chamar ela de Dindinha, ela chamava assim e vô Pedro.

 

P/1 – Os sobrenomes você lembra?

 

R – Menezes.

 

P/1 – E você teve contato com os seus avós? Assim, você lembra?

 

R – Só com minha avó materna, mas por pouco tempo. Eu tinha seis anos quando ela faleceu. O meu avô eu não conheci.

 

P/1 – E você sabe um pouquinho a história dos seus avós, como que eles chegaram lá? Dos seus pais?

 

R – Não. Meus avós são de, só sei que são de Guarani, uma cidade próxima a Rio Pomba. A minha mãe é de Guarani e o meu pai é de Rio Pomba. Nasceram em Rio Pomba, meu pai nasceu em Rio Pomba e minha avó nasceu em Guarani, uma cidadezinha pequenininha pertinho de Rio Pomba.

 

P/1 – E seus pais se conheceram onde?

 

R – Em Rio Pomba.

 

P/1 – Você sabe contar alguma coisa de...

 

R – Não, não sei.

 

P/1 – De como eles se conheceram. Não?

 

R – Não, não sei.

 

P/1 – O que que eles faziam quando eram jovens?

 

R – Minha mãe sempre foi dona de casa, meu pai, eu sinceramente não sei quando eles se conheceram não.

 

P/1 – E seu pai fazia o quê?

 

R – Meu pai foi pedreiro, trabalhou na prefeitura de Rio Pomba por um tempo, mas a profissão dele era pedreiro.

 

P/1 – E sua mãe quando eles se casaram também...

 

R – Dona de casa.

 

P/1 – Continuou?

 

R – É.

 

P/1 – E você tem irmãos?

 

R – Tenho cinco irmãos.

 

P/1 – Quem são eles? Você é o mais novo? O mais velho?

 

R – Eu sou o mais novo, meu irmão mais velho se chama Gerardo Magela Alves Menezes. Ele é vereador em Rio Pomba, é enfermeiro. O meu irmão, o segundo mais velho, chama-se Gerson Alves Menezes, é engenheiro como eu, formado também em Ouro Preto e foi presidente do grupo ArcelorMittal até esse ano, até junho desse ano. A minha terceira, a terceira de cima para baixo, é a Teguinha, ela mora em Valença no Rio de Janeiro, ela é formada em Pedagogia e dá aula lá em Valença. O quarto irmão é o Jorge, ele trabalha em Rio Pomba, é técnico químico. A minha irmã acima de mim, Tânia, é formada também em Pedagogia. E eu sou o último da família.

 

P/1 – E você, como é que foi a tua infância? Você lembra da cidade como é que era? Se tinha...

 

R – É uma cidade pequena, é, aquelas cidadezinhas típicas do interior de Minas em que você tem a pracinha, a igreja, as pessoas ficam rodando, as meninas em um sentido e os meninos no outro sentido para se encontrarem, paquerarem e namorarem. É, tinha duas escolas, uma escola pública e uma escola particular. Eu estudei na escola pública, estudei no ginásio estadual também, antes era pública. Naquela época a escola pública era muito boa. E é basicamente isso aí da minha infância. Gostava muito de, quando menino, ir para o sítio da minha tia para andar à cavalo, pescar. É basicamente isso.

 

P/1 – Você ia sozinho?

 

R – Íamos eu, minha irmã e um primo, é Eustáquio o nome dele. A Tânia, eu e o Eustáquio.

 

P/1 – E você lembra da sua casa, como é que viviam os irmãos todos juntos ali? Do que vocês brincavam? O que você gostava de comer?

 

R – Nessa época era muita brincadeira de rua, não existia informática, então era bola de meia, bola de gude, como diz o Milton Nascimento. É, coisas da época, não tinha nada assim, específico não. Pique, fisga, bola de gude, muita, muito futebol na rua. Já dei muito trabalho para o vizinho, quebrei vidraça muitas vezes dele com bola. É, tem até um lance interessante. Posso falar disso?

 

P/1 – Pode.

 

R – Eu sempre gostei muito de futebol e a gente jogava bola na rua, botava sapato de um lado, sapato do outro, era o gol e jogava na rua. E tinha um vizinho nosso que de vez em quando a gente quebrava a vidraça dele. Aí ele reclamou para o meu pai uma vez e ele me deu um esculacho, eu fui, nós fomos, jogar atrás de um Grupo onde eu estudei, onde estudava na época inclusive. Aí tinha uma caixa de marimbondo desse Grupo lá no, na área de recreio, e eu não tinha nada a ver com a história, mas quem estava de fora da pelada mexeu com a caixa de marimbondo e sabe onde é que ela foi? Os marimbondos? No quarto da filha do Alpair que era o rapaz que tinha reclamado com o meu pai que eu tinha quebrado a vidraça e ele foi reclamar comigo, que o marimbondo picou a filha dele e eu fui o responsável.

 

P/1 – Mas e aí? E seu pai?

 

R – Meu pai me deu outro esculacho. Mas nós continuamos a jogar bola lá naquele lugar, o futebol era mais importante.

 

P/2 – Queria só perguntar onde que é Rio Pomba, qual região de Minas?

 

R – Olha, uma vez eu estava na escola técnica em Ouro Preto, escola federal e o professor Altair, professor de português, ele deu como uma primeira lição para os alunos cada um falar um pouco sobre a sua cidade. Eu fiz uma pesquisa, custei achar muitas informações sobre Rio Pomba e falei que Rio Pomba, tinha cinema, quando um colega me perguntou quantos eu disse: “Um, um cinema.” Aí alguém me perguntou, me fez essa pergunta, onde ficava Rio Pomba. Eu disse: “Rio Pomba fica perto de Juiz de Fora.” Juiz de Fora, Minas Gerais, Juiz de Fora não é uma cidade maior, né. E eu me lembro que a minha nota foi sete porque eu estava muito nervoso, andando de um lado para o outro, não olhando para os colegas e uma das repreensões que eu tive foi que eu disse que Rio Pomba ficava perto de Juiz de Fora e não que Juiz de Fora ficava perto de Rio Pomba. Então, na verdade Juiz de Fora fica perto de Rio Pomba.

 

P/2 – Ok.

 

P/1 – E como é que foi a tua infância na primeira escola? Como foi, você lembra das primeiras aulas?

 

R – Eu entrei para, eu sou, eu nasci, sou nascido em junho, então eu entrei para, para o Grupo, naquela época não tinha esse nome de pré-primário, não tinha muito esse nome. Eu era louco para estudar, entrei para a escola com seis anos, e já tinha uma semana de aula, um determinado dia a diretora, que era muito amiga do meu pai, me chamou e mais outros dois colegas na diretoria. Eu pensei: “Meu Deus, será que eu fiz alguma traquinagem, alguma, algum problema, né?” Aí ela disse que eu iria ter que parar de estudar porque eu não tinha ainda sete anos. Eu me lembro que eu chorei muito e implorei ao meu pai para me deixar, para conversar com ela. Ele conversou e ela deixou que nós três né, voltássemos a estudar. Então, sempre gostei muito de estudar, sempre fui estudioso. Minha infância também foi assim.

 

P/1 – Seus irmãos também estudaram na mesma escola?

 

R – Estudavam na mesma escola.

 

P/1 – E era uma exigência que vinha de casa? Os pais...

 

R – Não. É que era uma escola estadual, nós éramos pobres, não tínhamos como estudar em uma escola melhor. Mas a escola era muito boa também, sabe? Todos estudaram lá.

 

P/1 – E como é que era essa escola?

 

R – É Grupo Escolar Padre Manoel. É uma escola, eu me lembro de algumas professoras mais bravas, mais amigas. Eu lembro de uma cena que eu estava no Grupo, estava prestando atenção na aula e um colega do meu lado me atormentando, aí eu enrolei o caderno e dei uma cadernada na cabeça dele, ele não me deixava prestar atenção na aula. A professora achou que eu estava fazendo arte e chamou a mim para ficar na frente da turma, de castigo, em pé, olhando para a turma. Ela com certeza não sabia que eu não tinha feito nada, que eu estava revidando a uma necessidade que eu tinha de prestar atenção e o colega não estava deixando. Esse é um fato que me lembro, da escola.

 

P/1 – Lembra de outros castigos que levou?

 

R – Não, foi só esse, castigo foi só esse, sem eu ter merecido né, mas foi só esse.

 

P/1 – Tinha tarefa?

 

R – Tinha bastante tarefa.

 

P/1 – Você estudava de manhã?

 

R – Estudava de manhã.

 

P/1 – Daí chegava em casa e fazia o quê?

 

R – Bom, fazia o dever e ia jogar bola, íamos brincar.

 

P/1 – Os seus irmãos mais velhos...

 

R – Futebol sempre foi uma paixão. Hã?

 

P/1 – Os seus irmãos mais velhos ajudavam no fazer da tarefa ou era sua mãe, seu pai?

 

R – Meus irmãos ajudavam. Eu tinha um irmão que era craque na Matemática, ele me ensinou muita Matemática de Grupo, né? Então, interessante.

 

P/1 – Como assim?

 

R – Bom, tinha...

 

P/1 – De Grupo?

 

R – Ah é, você não é da época de Grupo. Naquela época a gente falava, o primeiro grau a gente chamava de Grupo, Grupo, por isso que o nome da escola era Grupo Escolar Padre Manoel. Era Grupo, não era Escola e tal, né?

 

P/1 – Então nessa primeira fase ele te ajudou?

 

R – Do primeiro ao quarto ano nós dizíamos que estava: “Em que ano você está?” “Eu estou no primeiro ano do grupo.” Que era o primeiro ano escolar né, o primeiro período escolar. Eu estou vendo que eu estou velho mesmo.

 

P/1 – Não, mas essas terminologias, elas vão mudando...

 

R – Vão mudando, está certo.

 

P/1 – Como foi essa fase de Grupo?

 

R – Isso. Aí o que que acontecia? Naquela época tinha o exame de admissão para entrar porque eram poucas vagas então você tinha que fazer um exame de admissão. Eu me lembro que a minha irmã, ela teve um problema de saúde, eu não me lembro qual, eu acabei, nós acabamos nos formando juntos no Grupo, nesse primeiro período. E como éramos pobres e apesar de ser uma escola estadual, nós tínhamos que prestar exame e o meu pai tinha que comprar o uniforme, livros, algumas coisas para os dois, que iríamos entrar no mesmo período no Ginásio. Naquela época era o Ginásio. Aí, ele perguntou para o meu irmão, para o Gerson dar umas aulas para nós dois para ele escolher qual que iria fazer, prestei vestibular para o Grupo, para o Ginásio, para a Escola Técnica e para a Engenharia. Então depois das aulas que ele deu, ele falou: "Olha, a Tânia está uma pouco melhor que o Gilson, mas eu acho que ele tem condições de passar também. Eu acho que você deveria fazer um sacrifício." Aí passamos os dois, eu passei em melhor colocado que ela ainda.

 

P/1 – Como que era essa prova?

 

R – Era uma prova, um vestibular, do Grupo tinha que fazer esse vestibular para entrar no Ginásio, estadual. Porque era público, então tinha que ter um concurso, prova de Matemática, Português e Ciências se eu não me engano. Matemática, Português e Ciências que fazia a prova.

 

P/1 – E aí passou?

 

R – Passamos os dois.

 

P/1 – Era já outra escola, no caso?

 

R – Aí já era uma escola, estadual né que a gente fazia o primeiro, o... Hoje me parece que é, como é que chama hoje? Eu não sei o nome.

 

P/1 – Ensino Médio, seria?

 

R – Ensino Médio.

 

P/1 – Ou você estava falando do Fundamental I?

 

R – Fundamental, é.

 

P/2 – O Grupo era o Ensino Fundamental.

 

R – Isso, isso aí.

 

P/2 – Aí o Ginásio era o Fundamental II.

 

R – É isso aí. Aí fiz o Ginásio nesse estadual e nessa época meu irmão Gerson, ele já tinha saído para fazer o vestibular em Ouro Preto, Escola Federal de Ouro Preto. Mas ele saiu sabendo que tinha que passar entre os três primeiros lugares, o papai não tinha condição de mantê-lo em Ouro Preto. E me lembro quando ele voltou do vestibular, voltou cadavérico, me lembro que eu que abri a porta para ele entrar em casa. Eu não o reconheci, cadavérico mesmo. Eu me lembro que eu me assustei, eu tinha, devia ter uns dez anos, tinha uns dez anos. E eu me lembro que o meu pai perguntou: "E aí filho, passou?" Ele falou: "Pai, um Menezes tirou o primeiro lugar." Mas tinha, eu acho que tinha outro Menezes. E era ele quem tinha tirado o primeiro lugar. Então eu me inspirei nele para estudar, inclusive para fazer metalurgia né, que ele fez Engenharia Metalúrgica e eu também fiz Engenharia Metalúrgica por causa dele, eu me inspirava nele, nunca consegui chegar no nível dele não, meio difícil, mas foi bom que eu estabeleci um objetivo para mim. E pude crescer e evoluir.

 

P/1 – Mas por que ele tinha que tirar o terceiro lugar? Ele ganhava...

 

R – Tinha, teria que ficar entre os três primeiros lugares porque se não ele não teria bolsa para estudar lá.

 

P/1 – Seria, além de não pagar a faculdade ele...

 

R – Que era Federal, né?

 

P/1 – ...ganharia uma bolsa.

 

R – Ele tinha uma bolsa para se manter lá em Ouro Preto. Aí, quando ele estava no quinto ano, ele me levou para Ouro Preto para eu fazer a escola técnica, porque ele entendia que a Escola Técnica Federal de Ouro Preto daria mais base para eu fazer Engenharia depois. Era uma escola mais, vamos dizer assim, pedia mais, dava mais base para o curso superior depois. Então eu fui, foi outro vestibular que eu fiz né, para entrar para a escola técnica. E ficamos juntos um ano em Ouro Preto, ele no quinto ano e eu no primeiro ano de escola técnica. Aí ele se formou né, e depois eu fiz vestibular para Engenharia Metalúrgica lá também.

 

P/1 – Antes de a gente mudar para a faculdade, conta um pouquinho mais desse Fundamental que você terminou, com a entrada no Ensino Médio.

 

R – É, o Fundamental, eu me lembro de uma, assim, só para deixar um fato muito marcante na minha estada no Ginásio. Eu tinha duas professoras, eram irmãs, Dona Geni e Dona Gessi. A Dona Geni era professora de Matemática, que eu sempre gostei muito de Matemática, eu inclusive era monitor dela, dava aula para os colegas, ajudava. E Português é matéria em que eu tinha também alguma facilidade, a irmã era mais sisuda, mais brava, a Dona Gessi. Um dia ela pediu para a gente fazer uma redação sobre um filme que a gente tivesse assistido. Eu tinha assistido um filme, naquela época passavam muitos filmes de Faroeste, eu ia muito com o meu pai ao cinema assistir Faroeste, e me lembro mais ou menos o nome Joe não sei o que lá, O Pistoleiro Implacável, uma coisa do gênero, aí eu assisti o filme e relatei o filme né, fiz um relato do filme e a minha irmã estudava na minha sala nessa época, a Tânia, isso foi no, acho que segundo ano do ginásio. Aí eu cheguei na escola, a Dona Gessi sorteava alguém para ler a sua história. E adivinha quem que ela chamou? Eu sentado na primeira fileira. Aí procurei nas minhas coisas, para ver se eu, porque eu tinha feito a redação, era uma redação. Procurei, procurei, procurei: "Meus Deus do céu, ela vai me dar zero." Achei o caderno de Ciências e fui para frente com o caderno de Ciências e relatei o filme, relatei o filme inteirinho como se estivesse vendo, só que eu cometi um deslize, falei muito e passava poucas páginas, ela olhou para mim e falou assim: “Ô Gilson, sua redação está muito bonita. Deixa eu ver a sua redação." Aí a hora que ela pegou a redação estava lá ar comprimido, pressão não sei o quê, daí eu disse: “Não, Dona Gessi, eu fiz a redação." Eu levei o zero, acabei levando o zero. Essa foi uma história marcante aí no Ginásio.

 

P/1 – Como é que foi essa mudança de escola do Ginásio? 

 

R – É, no Ginásio a gente convivia com alunos de outras classes sociais né, também, que era um objetivo de todos os alunos estudar no estadual, naquela época a escola pública era muito boa. Eu tinha dez anos, ou seja, 1968 quando o meu time, Botafogo, tinha um timaço por sinal, então todos os alunos almejavam estudar no estadual. Eu tive colegas muito ricos e eu era pobre né, então era interessante, era uma convivência legal, nunca houve discriminação na escola pela minha condição social nem nada, então foi muito legal o Ginásio. Tive muitos bons professores, professor Toti de Ciências, professor Baó de desenho, Dona Geni, Dona Gessi, ótimos professores, foi muito bom para a minha base, para eu estudar depois, fazer o curso técnico e fazer Engenharia depois. Eu tenho saudade do Ginásio.

 

P/1 – E tem amigos que você conseguiu consolidar lá também?

 

R – Eu ainda tenho um amigo dessa época que a gente se encontra com pouca frequência, mas nos encontramos. Os outros têm muitos anos que eu não vejo, vão para ramos diferentes, você casa, têm filhos, trabalho.

 

P/1 – Mas foi a mesma turma que foi para o Ensino Médio? Vocês conseguiram ficar juntos?

 

R – Alguns, poucos alunos, não tinha muitos alunos. O José Luís é um colega que eu tive da mesma escola que eu estudei, do Grupo, da parte, como é que vocês chamam? Fundamental... O grupo?

 

P/1 – O Grupo é Fundamental I.

 

R – É, o Fundamental I então. Que estudou comigo no Ginásio também, ele também passou nesse vestibular aí, nesse primeiro vestibular da nossa vida. Mas eu me lembro de poucos outros alunos, assim.

 

P/1 – E era próxima da tua casa, a escola?

 

R – Em Rio Pomba era tudo próximo né, muito pequeninha a cidade.

 

P/1 – É rua de terra ainda?

 

R – Não, tinha calçamento. Tinha uma infraestrutura boa.

 

P/2 – Tinha indústria lá em Rio Pomba?

 

R – Tinha uma fábrica de tecidos, diz que sobreviveu pelas questões conjunturais aí, sobreviveu por muito tempo não.

 

P/1 – A cidade vivia de quê mais?

 

R – A cidade vivia de agroindústria, de muito fumo, de leite, de agropecuária, de carne, basicamente isso.

 

P/1 – E daí enfim o Ensino Médio. Precisou fazer alguma prova ou foi direto?

 

R – Pois é, para a Escola Técnica eu tive que fazer vestibular.

 

P/1 – Ah, então o teu Ensino Médio foi o técnico?

 

R – Foi o Técnico. Eu fiz escola técnica influenciado pelo meu irmão, para copiá-lo, a verdade é essa. A minha mãe, eu soube um dia quando eu passei em Engenharia, eu fiquei sabendo assim, de tabela, que ela gostaria que eu tivesse feito Medicina, mas eu não tinha muita afinidade com Biologia não, sabe? Então, eu sempre gostei realmente de Matemática. E se pudesse voltar no tempo, para satisfazê-la eu teria feito Medicina.

 

P/1 – Mas e aí, como é que foi essa mudança? Que daí foi quando você foi para Ouro Preto. É isso?

 

R – Ouro Preto. É. A mudança foi drástica né, porque você vai para um local... Que Ouro Preto é uma cidade muita bonita, histórica, mas perigosa, Ouro Preto é uma cidade perigosa, com muita droga, tem muito disso lá. Me lembro que na república onde eu morei em Ouro Preto, eu morava e o meu irmão, ele que me levou para lá para morar na república com ele, o meu colega de quarto ele mexia com maconha. Naquela época não existia tanto essas drogas pesadas assim não, maconha né, mas... E eu me lembro que ele tomava banho com pouca frequência e ficava muito pouco na república. E morava no meu quarto e todo mundo na república fumava, inclusive o meu irmão, ele fumava. Foi acho que o maior desgosto do meu pai com ele, ao descobrir que ele fumava e eu nunca fumei. Mas esse colega era interessante, ele era de Caculé da Bahia. Uma figura, com oclinhos redondinho assim, e tem um caso interessantíssimo lá nessa época na república, que alguns colegas lá andaram fazendo muito barulho à noite, dentro de casa acordando os outros colegas e tal, aí de repente começou a haver alguma reação a esses eventos. Então alguém lá se rebelou e começou a pregar peças nessas pessoas que faziam essas coisas erradas. São do tipo, colocar tomate no sapato, o cara ia levantar de manhã ele colocava uma lata cheia de porcaria na porta para a hora que o cara abrir a porta aquilo cair na cabeça dele, então tinha muitas coisas, a pessoa fazia e deixava um bilhete que o Vingador tinha aparecido, aquilo era uma vingança. E todo mundo ficava se perguntando quem que era essa pessoa. Um dia eu chegando da escola técnica, eu estudava de manhã, andava uns dois quilômetros, muito morro e voltava para a república para almoçar e estudava à tarde, era de manhã e à tarde. Um dia acabei de almoçar, aí o meu irmão chegou, o Gerson né, chegou e falou para mim: "Olha..." Me chamou em um canto e falou: "Olha, o El Vingador..." A gente falava, eles colocavam El Vingador: "O El Vingador somos eu, o Moita..." O Moita era um colega dele que entendia para caramba de eletricidade, foi meu professor inclusive depois na Engenharia: "E o..." Como é que é o nome do outro? Eu esqueci o nome do outro. Aí eu surpreso: "Mas você?" O cara era um exemplo né: "Você fazendo isso." Não, eles não fizeram nada assim, que machucasse alguém não, mas eram vinganças assim, até legais. Ele falou: "Olha, eu estou te falando pelo seguinte, hoje assim que você chegar da escola técnica à tarde..." Naquela época estava escurecendo cedo. "Você não acenda a luz de teto." As casas em Ouro Preto são casas velhas e vocês não devem conhecer isso, a lâmpada ela desce em um cabo e você, acendia a lâmpada assim, na mão né, não tinha tomada na parede não, a casa era muito velha. Ouro Preto é muito típico disso, "E não acende o seu abajur." Eu acho que eles tiraram o meu abajur, uma coisa assim, só ficou o abajur do Baianinho, seis horas mais ou menos da noite, o pessoal, a turma do cigarro toda concentrada em um quarto, aquela fumaça horrorosa dentro do quarto, eles contando piada e rindo e brincando, eu dei um jeito de ir para o quarto mais distante com o Joca, um amigo nosso lá, eu me lembro muito do Joca e chega o Baianinho e nesse dia ele levou um conterrâneo dele de Caculé para conhecer a república. E ele foi na lâmpada do teto, tentou acendê-la e nada, eles colocaram isolante na lâmpada, um papel e ela não acendia. Aí foi no abajur dele, a hora que ele acendeu o abajur deu um tiro. O Baianinho e o colega dele voaram pela janela e ele saiu, passou pelo outro lado da casa e chegou no quarto, ele tinha uma diferença com um outro rapaz lá da república e falou: "Foi você que fez isso comigo." "Não, não fui eu, não fui eu." Até hoje ninguém sabe que o El Vingador era o meu irmão e o Moita. E o Baianinho muito menos né, não ficou sabendo.

 

P/1 – Vocês eram quantos na república?

 

R – Éramos, se não me engano, 14 pessoas. Em Ouro Preto são casas muito grandes. Muito legal, muita história para contar.

 

P/1 – E teu irmão cuidava de você, era a função dele ali estar cuidando de você?

 

R – Não, ele não cuidava de mim, ele nos mantinha e sempre, de vez em quando perguntava como estavam as coisas e tal.

 

P/1 – Financeiramente você diz que eles mantinham você.

 

R – Ele nos mantinha, ele tinha a bolsa e dava aula no cursinho também. Então com a grana que ele ganhava no cursinho. E com a bolsa, o pessoal da Fundação, até ele não podia, me parece que ele não poderia dar aula, tinha alguma coisa assim, mas fizeram vista grossa e ele dava aula no cursinho e com a bolsa ele nos mantinha. Mas nunca precisou me policiar muito não, eu era tranquilo. Apesar de que minha primeira nota de Matemática, que era o meu forte na escola técnica foi um, estranho, um em dez. E foi muito interessante isso daí porque eu tinha acertado a grande maioria das questões, mas tinha muita questão de trigonometria e eu dava as respostas sem racionalizar as frações. Então por exemplo fazia contas, dava um sobre a raiz de três, você tinha que racionalizar e falar que era raiz de três sobre três. E o professor muito rigoroso e de quem tenho muita saudade apesar desse um, era um cara fantástico, sabia muita Matemática. Ele dava a prova, corrigia, cada um pegava sua prova, ele ia corrigindo no quadro, dava as respostas e você ia conferindo as suas respostas. Então as minhas respostas batiam com as dele, então toda hora eu levantava a mão e falava: "Professor, minha resposta está certa.” Levava lá: "Não, você não racionalizou, tinha que racionalizar." Acabei tirando um. Eu me lembro que eu cheguei com muita vergonha para o meu irmão e falei com ele: "Olha, você me desculpa, mas eu tirei um na prova de Matemática." Aí ele virou e falou assim: "Não, eu tenho certeza que você tira de letra." E acabei realmente, não precisou nem de recuperação, nem nada. Mas foi assim, um dos casos lá das respostas que ele acompanhou, que ele presenciou meu desenvolvimento, tal, comprometimento que eu tinha com ele. Que eu tinha, ele não se importava com isso.

 

P/1 – E você e seu irmão só que estavam em Ouro Preto, o restante ficou?

 

R – O restante ficou em Rio Pomba. Minhas irmãs depois se casaram, os outros dois irmãos continuaram em Rio Pomba.

 

P/1 – E daí como é que foi para passar no vestibular?

 

R – Tive que estudar muito porque vestibular, mesmo de Engenharia tinha Química orgânica, tinha Biologia que eu não estudei na escola técnica e tinha Física que era óptica, que eu também não tinha estudado na escola técnica. No curso a gente fazia basicamente dois anos do científico, o equivalente ao científico, os três anos do científico fazia em dois anos e o terceiro ano eram cadeiras profissionalizantes, eram mais de metalurgia mesmo. Então, quer dizer, era um científico reduzido. Biologia, eu nunca estudei Biologia, eu estudei sozinho para fazer as provas porque eu não podia zerar. Química orgânica também eu não estudei, então teve alguma dificuldade, assim, eu passei, mas poderia ter passado melhor colocado se eu tivesse tido a oportunidade de estudar. Mas nas cadeiras básicas do curso de Metalurgia e Matemática inclusive era muito bom o nível, muito bom o nível de Matemática lá. Matemática, Física, Química Inorgânica também eram bem puxados, então não tive dificuldade no vestibular.

 

P/1 – Mas como é que foi? Você passou, como é que foi o resultado?

 

R – Eu passei mais ou menos no meio da curva, naquela época tinha uma curva, teve até um lance engraçado aí, porque tinha uma curva, uma função estatística que eles davam peso, dez para Matemática e um para Biologia, porque a universidade era integrada para a parte de Nutrição e Bioquímica né, Enfermagem e Bioquímica, então tinha Engenharia Civil e Biologia e a área de saúde, que era Química, Bioquímica, Farmácia e, me parece, Nutrição. Então o que aconteceu? Biologia tinha peso dez para quem ia fazer Química, Biologia, Bioquímica, aliás, Bioquímica, Nutrição e Farmácia e peso um para quem iria fazer Matemática. E Matemática, ao contrário, tinha peso dez para quem iria fazer Engenharia e um para quem ia fazer Bioquímica né, Farmácia e Nutrição. O que aconteceu? Eu tinha um radinho de pilha que eu só estudava com esse radinho ouvindo, adorava ouvir a rádio Jornal do Brasil, tinha um programa também na rádio Globo por volta de seis, sete horas da noite, um cara maluco lá que ele só tinha música dos Beatles e eu adorava ouvir a rádio Jornal do Brasil, eu estudava ouvindo música, sempre gostei muito de música também. E esse radinho era o meu companheiro que meu pai tinha me dado, nas dificuldades que ele tinha, mas ele tinha me dado esse radinho, radinho de pilha pequenininho. Então no dia de receber, de ouvir pela Rádio Ouro Preto o resultado do vestibular, eu fui para a escadaria da Igreja do Rosário, fui com o meu radinho porque iria ser passado na rádio: "Primeiro lugar, segundo lugar, terceiro lugar..." Eram cem vagas. "97º lugar..." e não tinha falado o meu nome. Aí eu pensei "meu Deus, não passei." Na primeira lista eu saí em 98º lugar e brinco como se tivesse passado em primeiro, o importante era passar, né? Aí pronto, fui para casa e todo mundo chaleirando, me rasparam a cabeça e era uma honra né, você passar em uma escola federal de Engenharia. Aí passou alguns dias e esse colega do meu irmão, Moita, que era craque da eletricidade lá, que botou a bombinha no abajur do baianinho, ligou para ele, ele estava dando aula na escola e falou: "Olha, teve um problema no gabarito." Aí o Gerson ficou super preocupado comigo na época porque o que se pensaria? O que que alguém iria pensar? Não vai passar, na primeira ficou em 98º, ele não vai passar. Aí me lembro que o Gerson ligou para o meu irmão mais velho e falou para ele: "Olha, segura as pontas aí porque houve um problema no gabarito." Eu me lembro que eu estava no corredor lá em casa do lado de fora da casa, sempre com uma bola na mão, sempre gostei muito de futebol e fazendo embaixadinha, já careca, já tinham me raspado a cabeça. Ele falou: "Olha Gilson, o Gerson ligou, teve algum problema lá no gabarito." Aí eu fiquei desesperado, falei: "Não vai dar.” Aí, esperamos o telefonema e tal, me lembro que lá em casa não tinha telefone, o meu irmão ligou para a casa da esposa dele, morava perto lá de casa, nós fomos para lá eu e o meu irmão mais velho para esperar a notícia. Quer dizer, eu estava outra vez esperando o resultado do vestibular. E sem o rádio do meu pai, esperando pelo telefone. Aí melhorei a minha classificação, porque eles tinham trocado o gabarito de Biologia com o de Matemática, Biologia eu fui muito mal, eu acho que acertei não sei se nove ou dez questões, eram 50, então eu melhorei a minha classificação. Isso foi interessante.

 

P/1 – Ouro Preto da sua cidade era quanto tempo?

 

R – Ouro Preto a Rio Pomba fica a 150, duzentos, duzentos e tantos quilômetros.

 

P/1 – Daí seu irmão continuou em Ouro Preto e você voltou também depois para começar as aulas?

 

R – Não, quando isso aconteceu ele estava trabalhando, ele já estava, ele trabalhava na Belgo Mineira, hoje a ArcelorMittal, ele fez carreira lá na ArcelorMittal, em João Monlevade, então ele já estava trabalhando como engenheiro, e ele deu a notícia lá de João Monlevade, ele, esse colega ligou para ele, sabia que eu estava fazendo vestibular. Interessante que eles eram, eles brigavam para ver quem que era o melhor, e eu posso registrar aqui que o meu irmão sempre foi melhor que ele. O cara era um crânio também, esse Moita, especialmente em Elétrica, ele fazia qualquer coisa com eletricidade, impressionante, foi meu professor de Eletrotécnica, ele passou em terceiro lugar e o meu irmão passou em primeiro no vestibular na época. Eram muito amigos, então ele que avisou para o meu irmão que tinha tido um problema no gabarito, sabe? 

 

P/1 – E você? Seu irmão era um grande exemplo, você tinha isso na faculdade?

 

R – Sim, eu sempre tive. Nós nos parecemos muito fisicamente né, houve passagens assim, interessantíssimas na, quando eu estava fazendo Engenharia tinha gente que estudava, na Engenharia eu também estudava de manhã e de tarde e prova, as provas eram à noite. E lá na escola de Minas, na parte antiga onde foi sede do Palácio, na época do Império. Hoje lá virou um museu de mineralogia e metalurgia e as salas de aula são no Morro do Cruzeiro. Mas, então as salas na escola de Minas antiga, nesse palácio né, eram salas enormes, elas tinham o nome de campo de futebol, então a sala maior que tinha capacidade para cem alunos era o Maracanã, a outra sala chamava-se Mineirão. Então, às vezes, você ia fazer prova à noite e encontrava com alunos que você nunca os via nas aulas, alunos que iam lá só para fazer prova. Então tem duas passagens interessantes das minhas provas. Uma que eu estava, era uma prova de geometria, descritiva, eu estava esperando a hora de entrar para fazer a prova, aí um dos alunos, interessante essa passagem porque esse cara era um craque de bola, jogava no time de salão e time de campo da escola de Minas, ele já, mais tarde fui descobrir que, me lembrei que ele tinha bem mais tempo de escola que eu, mas estava fazendo a matéria comigo lá. Ele virou para mim e falou assim: "Escuta, você vai fazer a prova de Geometria Descritiva?" É Putz o apelido dele. Eu falei: "Vou." "Eu não te vejo aqui na aula." "Pô, eu acho que é ao contrário, eu que não te vejo aqui." Esse cara quando eu estava no quarto ano de Grupo né, o Fundamental I né? Fundamental I?

 

P/1 – Uhum.

 

R – Ele foi a Rio Pomba com o time da escola de Minas, olha, eu estava no quarto ano. Eu me lembro, ele era uma figura diferente porque era baixinho, barbudo, parecido com o Afonsinho que na época jogava também. E me lembro que o meu irmão estudando em Ouro Preto, eu estava ainda em Rio Pomba, ele sabia que eu gostava de futebol, ele falou: "Olha, vai lá para você assistir o jogo que tem um cara que joga no..." Não era ele não. "Tem um cara que joga no meio de campo, magro, alto, tal." É, o apelido dele era Zeca Mofa, eu fui ao campo assistir e vi esse colega dele, Cláudio o nome dele e vi esse baixinho, barbudo no meio de campo, que também era excepcional. Terminei o Ginásio, fui para Ouro Preto, fiz três anos de escola técnica, fiz o primeiro ano de Engenharia, primeiro e segundo período, quando eu estou no terceiro período fazendo prova de Geometria Descritiva, está esse cara lá ainda, fazendo prova de Geometria Descritiva. Não havia jubilamento naquela época na escola. Essa foi uma passagem interessante. A outra foi uma prova de Química, professor Lapertosa, eu terminei a prova e a hora que eu fui entregar a prova para ele, ele me perguntou: "Você é irmão do, do, do..." Ele ficou querendo se lembrar do nome do meu irmão. Eu falei: "Sou." Ele falou: "Você se parece muito com ele. Você é bom de serviço igual a ele?" Eu falei: "Meu Deus do céu que peso, né?" Eu falei: "Não, eu tento até, mas não jeito não." Aí, um dia eu fui a João Monlevade que era férias, eu ia muito a João Monlevade na casa desse meu irmão e contei para ele isso. Eu falei: "Olha, o professor Lapertosa e tal me perguntou se eu era seu irmão..." Ele falou: "Não acredito que ele se lembrou de mim assim." Eu falei: "Por quê?" "Porque eu tive uma briga com ele durante uma das aulas e eu não assisti mais as aulas dele." Ele não assistia a aula do cara, só fechava as provas. Então ele ficou na memória desse meu professor por causa da competência dele já, apesar de não assistir as aulas ele fechava as provas. É, dois fatos assim, da escola de Engenharia que eu achei legal.

 

P/1 – Outros professores que você se lembra?

 

R – Da escola de Engenharia? Ah, professor Francisco Sérgio de Calho, aula de Mecânica Aplicada, uma das matérias mais difíceis lá da escola. Tinha um professor de Geometria Analítica, Dunga, muito bom de serviço, ótima aula, professor Dornelas de Física, muita gente boa, pra mim em escola técnica tínhamos, éramos amigos né, esse colega do meu irmão, o cara também é fantástico. 

 

P/1 – E aí você já pensava em partir para algum ramo de trabalho?

 

R – Não, quando eu me formei na escola técnica, eu pensei em trabalhar como técnico para não dar mais despesa para o meu irmão né, ficava com um pouco de vergonha, eu me lembro que a Belgo Mineira fez um psicotécnico, selecionava os alunos, eu era muito novo, eu tinha 17 anos ainda quando eu me formei na escola técnica, quando eu fiz o vestibular. Eu fiz o psicotécnico e eu não fiquei sabendo o resultado, não me falaram o resultado. Até hoje eu acho que ele não deixou.

 

P/1 – Ele não contou.

 

R – Não.

 

P/1 – Nem vai contar. Mas e aí? Daí você falou que essa empresa então ela captava muitos funcionários ali?

 

R – Sim, sim. 

 

P/1 – Muitos engenheiros técnicos.

 

R – Eu sempre o chamei de Gê né, a esposa dele o chama de Gê, eu sempre chamei de Gê. Falei: "Mano, eu estou querendo trabalhar." "Não, você vai estudar." "Não, mas eu quero..." "Não, não, você vai fazer Engenharia." E não me deixou trabalhar de jeito nenhum. Então me formei e segui a vida né, tive oportunidade de fazer Mestrado e Doutorado junto com dois amigos meus de escola, éramos, andávamos sempre juntos, éramos chamados de P1, P2 e P3. E sentávamos sempre na frente, éramos aplicados, os dois foram fazer o IME lá no Rio, aí eu fui trabalhar, realmente fui trabalhar, eu não quis mais ter dependência financeira dele, eu tinha que trabalhar realmente. Então, Leonardo e Lercir, esses dois amigos meus, muito amigos meus.

 

P/1 – Eles continuaram a área acadêmica?

 

R – Eles continuaram na área acadêmica. O Leonardo continua na área acadêmica. Leonardo fez doutorado em Metalurgia, parte de resistência de materiais, ele estudou na França, fez o IME, um cara fantástico também. O Lercir fez o IME e depois ele foi trabalhar na Acesita, hoje eu até vi com você um livro da Acesita por isso que é um dos nomes mais... 2004 não era possível o Lercir participar dessa história porque ele faleceu em um acidente de carro, então ele não pode dar essa continuidade na carreira dele lá na Acesita não. Ele parou e fez IME e foi trabalhar também. Lercir também era de uma família pobre, o pai era taxista, assim, uma história parecida com a minha, sabe? Um cara também fantástico, éramos inseparáveis nós três, os três amigos. São coisas assim, marcantes na minha vida também esses dois amigos. E o Leonardo ele continuou lá na escola, foi diretor durante um bom tempo da escola e hoje continua dando aula lá e tal. É um cara de altíssimo nível na área que ele escolheu, da Metalurgia. Eu logo que me formei em dezembro de 1980, o mercado de trabalho estava muito ruim. A economia brasileira estava passando por um momento ruim. A minha intenção era trabalhar em siderurgia e apesar de ter um irmão trabalhando em siderurgia eu não queria de maneira alguma, vamos dizer assim, criar mais alguma dependência dele. Então, um outro amigo nosso que se chama Edson Padilha, ele está em uma daquelas fotos, foi uma coincidência do destino aí que a minha secretária escolheu a foto dele, ele, que foi colega do meu irmão também, ele trabalhava em uma empresa no norte de Minas, é a Italmagnésio. Eu coloquei mais ou menos isso aí nesse mini currículo que eu mandei para vocês. E ele que me levou para lá e lá eu fiquei conhecendo outras pessoas que iam fazer parte da minha vida profissional como engenheiro e na própria White Martins.

 

P/1 – Mas o senhor entrou como profissional já, não como estágio?

 

R – É, eu entrei, na verdade é o seguinte, o Padilha me levou para a Várzea e, emprego estava muito difícil realmente e o senhor Franco, Franco Cadorin era o diretor industrial da Italmagnésio, então, era um italiano, ele, todo italiano tem seu temperamento complicado né, isso é do sangue italiano, então ele me entrevistou, eu tinha 22 anos e pouco, ele me entrevistou e falou para mim: "Mas você é tão novo e Engenheiro." Eu falei: "Não, é que eu comecei a estudar novo, comecei a estudar com seis anos.” Conforme eu coloquei aqui. "Não, está bom, você vai ficar uns três meses aqui fazendo estágio e se for tudo bem você vai ser admitido." Aí eu fiquei lá, fiz três meses de estágio, nem consta na minha carteira, na minha vida, vamos dizer assim, como profissional do INSS, pago o INSS, não conta. Aí fui admitido três meses depois, em março. Aí foi em março, fui admitido e fiquei nessa empresa até novembro. E foi lá que eu conheci a minha esposa. Fiquei até novembro por quê? Porque não batiam muito os meus valores com os valores da empresa na época e eu estava tendo pouca oportunidade de praticar engenharia realmente, engenharia metalúrgica. Eu ficava em uma área, era responsável por uma área que não tinha muito a ver com metalurgia. E determinado dia eu falei para o Augusto, me lembro o nome dele, eu perguntei para ele: "Augusto, quando é que eu vou realmente ficar mais no forno? O forno elétrico?" Aí ele falou assim: "Vou te tornar um especialista em ferro silício.” Disse: "Pô." Essa empresa fazia ferro silício, faz ainda ferro silício. Eu falei: "Nossa. Mas quando?" "Não, agora você vai para a área de matérias primas e depois você vai para o forno." "Ah, então está bom." Um mês depois eu pedi para sair, eu já estava namorando e estava apaixonado, estava escrito que ia ser com minha, que ela que iria ficar comigo, e falei não, desse jeito eu não vou trabalhar, porque era terrível, a hora que as coisas melhorarem eu volto, arrumo outra coisa. Nesse meio tempo aí, tanto o Padilha quanto o seu Franco, quanto o seu Raul, que foram três figuras, vamos dizer assim, ímpares na vida profissional, já tinham ido para a White Martins em Barra Mansa, a White estava começando a recrutar engenheiros, técnicos e tal para essa fábrica em Iguatama, onde trabalho até hoje, então eles foram e mais uma vez o Padilha falou com o seu Franco: "Franco, o Gilson saiu da Ital." "Então traz ele para cá." Aí me ligaram, eu fui para Barra Mansa. Nós fomos treinados em Barra Mansa, fomos para lá para ficar um ano, um ano e pouco, vários engenheiros e ajudamos a treinar os técnicos que iam ser operadores e supervisores da nova planta em Iguatama. Acabou que por uma questão também conjuntural né, da economia da época o projeto atrasou, o projeto de Iguatama atrasou e nós acabamos ficando lá quase três anos em Barra Mansa. Então, logo depois que o projeto foi retornado os investimentos, a White resolveu concluir a fábrica, aí nós fomos todo mundo para Iguatama para fazer check-out e startup da planta.

 

P/1 – Só antes de a gente entrar especificamente no que você fez, com o que trabalhava essa empresa Italmagnésio?

 

R – Italmagnésio.

 

P/1 – Italmagnésio.

 

R – Ela produzia ferro silício, ferro silício 75. É um tipo de produto muito usado aí na metalurgia, também na siderurgia, ele tem várias outras aplicações. E o processo de fabricação é um forno elétrico de redução.

 

P/1 – E a esposa também trabalhava nessa empresa?

 

R – Não, não. Ela era da cidade lá e ficamos nos conhecendo lá mesmo, lá em Várzea da Palma. A cidade chama-se Várzea da Palma, fica no norte de Minas, é bem longe, trezentos quilômetros de Belo Horizonte e ficava a praticamente uns setecentos e cinquenta quilômetros de Barra Mansa. Como eu saí, nós começamos a namorar no dia 21 de setembro e eu fui embora dia 5 de novembro, então foi um caos para mim e para ela né? Mas eu sempre dava jeito de ir de Barra Mansa para Várzea da Palma, antes que algum outro aventureiro colocasse a mão né? Não é isso? Como diz o Chico.

 

P/1 – Onde que vocês se conheceram?

 

R – Lá em Várzea da Palma.

 

P/1 – Sim, mas como assim?

 

R – Assim, a cidade é muito pequena né? Então, mas o nosso amor resistiu à distância.

 

P/1 – E daí em Barra Mansa então vocês ficaram três anos fazendo treinamento, recebendo e dando treinamento?

 

R – Exatamente. E daí foram para Iguatama. Bom, lá em Barra Mansa já ficou definido lá pelo seu Franco que eu iria ser engenheiro de processos em Iguatama, então, é a fábrica e a... Nós ficamos lá, eu cheguei para Iguatama, se não me falha a memória em julho de 1984 e me casei dia 7 de julho de 1984. Então nós fomos para Iguatama, todos os técnicos, os engenheiros que estavam lá, foram para fazer check-out de equipamentos e preparar a fábrica até a ligada do forno, que aconteceu no ano seguinte. Então de julho até fevereiro, foi mais ou menos quando nós começamos a ligar os equipamentos, nós continuamos lá acompanhando os processos, dando repassada com os técnicos, conhecendo os equipamentos, foi mais ou menos assim que começou a minha vida profissional, já em Iguatama.

 

P/1 – Era uma equipe grande que estava com você?

 

R – Eram muitos, muitos técnicos, sem falar em números assim, mas eram mais de vinte técnicos, nós estamos falando aí do GEP, do Grupo de Engenharia de Processos. Foi chamado GEP exatamente pela, foi criado, basicamente, o grupo pela necessidade de extensão da nossa estada em Barra Mansa, pela conjuntura econômica, o atraso do projeto, tal. Então acabaram dando o nome de Grupo de Engenharia de Processos. Tivemos que arrumar coisa para fazer em Barra Mansa para não perdemos o emprego e o Franco Cadorin teve uma atuação importante nisso daí porque era, seria natural que a empresa não resistisse pagando os salários de tanta gente por mais dois, três anos. Então o seu Franco juntamente com Hélio Guimarães, que era um gerente de alto nível da White Martins conversaram e seguraram as pontas, aí falou: "Bom, vou ter que arrumar uma coisa para essa engenheirada e esses técnicos fazerem né?" Então o que aconteceu? Nós passamos a dar uma reciclada de Química, Física e Matemática para os técnicos, os engenheiros passaram a dar as aulas para os técnicos. Mas tudo, vamos dizer assim, coordenado e pensado pelo senhor Franco, esse engenheiro italiano, temperamental, mas uma figura fantástica, uma pessoa muito boa e muito competente. Então nós ficamos dando aula para os técnicos, reforçando os conhecimentos básicos deles. Alguns não quiseram ir para Iguatama, prestaram vestibular em escolas boas federais, passaram bem. Eles tiveram aula de cursinho de graça praticamente, e os outros resolveram continuar na empresa e foram para Iguatama com a gente.

 

P/1 – Você sabe contar...

 

R – Então, lá em Barra Mansa, nesse período, essa lacuna que aconteceu nós sempre programado pelo senhor Franco e o seu Raul também... Seu Franco, seu Raul e o Padilha eram os mais experientes em forno elétrico, então eles... Nós aprendemos muitas coisas com eles lá da operação de forno e tal. Então nós, o que nós fizemos? Nós implantamos procedimentos operacionais na fábrica, que não tinha na época, houve inclusive muita questão diplomática, vamos falar assim, entre nós e a operação da planta e não éramos responsáveis pela planta, então, teve muito problema. O seu Franco não era nem um pouquinho diplomata, sempre brigava e discutia com a gerência da planta e houve alguns transtornos devido a essa questão. Mas no final o Hélio chegava, o Hélio Guimarães, uma figura fantástica também, que marcou muito a nossa, tenho certeza, que a vida de todos os profissionais que continuaram no negócio de carbureto. Ele sempre ia lá e conseguia do jeito que ele era, morava em Valença, ele conseguia apaziguar e acalmar os ânimos. Então continuamos e depois começamos a nossa vida profissional própria lá em Iguatama. Só um resumo assim, sobre essa passagem importante em Iguatama.

 

P/1 – Você sabe contar um pouquinho da história de Iguatama? Foi uma das primeiras fábricas de carbureto, como é que foi o trabalho lá inicial?

 

R – É, a planta de Iguatama ela, o projeto nasceu com, devido a visão da White na época, de que haveria uma demanda muito grande de acetileno no mercado brasileiro. Acetileno é um gás combustível, é para corte e solda, que usa oxigênio que é um dos principais produtos que a White Martins tem. É uma indústria de gases a White Martins. Então, a White já vislumbrando na época, o potencial de consumo de acetileno, ela definiu que iria aumentar a produção. Então na época a White tinha duas plantas de carbureto de cálcio, uma no bairro de Saudade, uma planta muito pequenininha, muito velha, de 1947, basicamente...

 

P/1 – Que era aonde?

 

R – Em Saudade, em Barra Mansa também, é um bairro da periferia de Barra Mansa, e em 1962 a White investiu em uma planta e carbureto de cálcio em Pombal, que é um, pertencia, vamos dizer assim, é um lugar que ficava entre Resende e Barra Mansa na via Dutra, 15 quilômetros de Barra Mansa. Já era uma planta mais moderna, forno semi fechado, eletrodo de auto cozimento, com forno de calcinação, sistema de secagem de redutores e tal. Mas veio a perspectiva de se investir em uma planta de, uma planta maior e o que aconteceu? O investimento iria acontecer em Barra Mansa, só que não havia disponibilidade de energia suficiente para uma planta do porte de Iguatama em Barra Mansa. E acabamos achando lá em Iguatama pelo fato de que Minas Gerais, é chamada a "caixa d'água do Brasil" e não é à toa né, tem muitas represas, já existia na época Furnas, Três Marias, muita geração de energia elétrica. Então na região tinha a disponibilidade de se levar energia para a planta e acabou acontecendo em Iguatama. E tem uma outra razão, o calcário, que é uma matéria prima básica para se fazer carbureto de cálcio, calcário tem cálcio, calcário que já ia lá da região de Arcos para Barra Mansa, a fonte calcária era lá perto. Então uniu-se ao fato de se ter a oferta de energia suficiente lá em Iguatama com também o fato de a fonte de calcário ser lá próximo, lá pertinho. Então fomos para Iguatama. Vamos todos para Iguatama.

 

P/1 – Quais foram as suas primeiras responsabilidades lá, Gilson?

 

R – Pois então, eu fui como, não sei se na minha carteira estava como engenheiro de processo, talvez estivesse lá engenheiro metalúrgico lá na minha carteira, provavelmente. Nós fomos para aprender com os novos equipamentos, conhecer os novos equipamentos. O conhecer os novos equipamentos basicamente era fazer o check-out da planta, então nós mais uma vez ficávamos em salas lá na planta, já com o time praticamente definido de quem iria para o forno de carbureto elétrico, quem que iria para o forno de calcinação, quem que iria para o sistema de secagem de redutores, quem que iria para a parte de mecânica, que nós treinamos todo esse pessoal, né? E conhecendo o diagrama de processo, o fluxo de processos e instrumentos e tal da unidade, estudando. É em uma área conferindo se estava tudo ok, preparando para fazermos o startup da planta né. Então ficamos lá, esse, vamos dizer assim, de meio do ano de 84 até início de 85 mais uma vez estudando e aprendendo sobre os equipamentos. Todo mundo, juntamente com os engenheiros que foram para lá.

 

P/1 – Startup é colocar a planta para funcionar, né?

 

R – Exatamente.

 

P/1 – E essa equipe quem que era? Ainda tem gente com vocês até hoje?

 

R – Tem, tem muita gente conosco, graças a Deus tem muita gente conosco. Eu fico com medo de citar nomes e esquecer alguns nomes, né. Mas...

 

P/1 – Mas fala no geral. Eram técnicos, eram engenheiros, né? Quantas pessoas mais ou menos foram para lá.

 

R – São sete engenheiros. Tem muitas figuras que estão conosco ainda, pessoas que, todas exercendo papéis importantes no negócio, umas com funções de maior peso que as outras, mas uma boa parte continuou lá ou na empresa, né. Eu fico sem jeito de citar nomes, porque, são todos muito amigos meus, mas vai que eu esqueço algum nome eu não vou me perdoar depois, tá? Eu preferiria não citar nomes.

 

P/1 – Em quantas pessoas mais ou menos vocês estavam juntos?

 

R – Olha, tinha mais de 20 técnicos e éramos, deixa eu fazer uma conta baixinha aqui com os nomes para vocês não gravarem os nomes. O seu Franco também foi, o seu Raul também foi e o Padilha também foi, os três foram. Carlos Eduardo, o Walter foi depois, o Ponga, o Rodolfo. É, do GEP, Roberto, do GEP uns sete, oito engenheiros e lá nós nos unimos com outros, do grupo de check-out liderados pelo Paulo Bastos que foi o coordenador do check-out na época. Que tinha também um time de instrumentação e de elétrica, o Paulo que basicamente conduziu. Nós, inclusive nesse período, nós passamos a responder ao coordenador de check-out que era o Paulo.

 

P/1 – O que seria exatamente o check-out?

 

R – O check-out basicamente é, vamos dizer, é verificar se os equipamentos que estavam desenhados no projeto, se eles estavam ok, se estava tudo certinho, basicamente é isso, né? Se os intertravamentos operacionais estavam todos certos. Quando você faz o check-out você verifica os equipamentos e às vezes você faz, a gente sempre fala esse teste em vazio, ou seja, sem colocar o equipamento para operar de verdade você coloca para rodar, verificar se, por exemplo, se você para o equipamento na frente, se o que está na linha de fluxo se para também e tal. Eu estou falando de intertravamento elétrico e mecânico né? 

 

P/1 – E daí ela começou a funcionar e vocês foram seguindo...

 

R – Sim, nós ligamos primeiro o forno de calcinação... Aliás, agora estou em dúvida se nós ligamos, acho que nós ligamos primeiro o forno de calcinação com óleo. Foi uma operação muito ruim no início por causa de problemas de projeto do forno. Era um forno desconhecido para nós, porque conhecíamos muito forno de Barra Mansa que é um forno horizontal. Esse forno era um forno da Union Carbide, projeto da Union Carbide e que chegou para nós todo cheio de problemas, então nós... A pessoa que veio da Union Carbide para nos ajudar a fazer o check-out e colocá-lo em marcha não era uma pessoa decente, infelizmente não era. Nós tivemos que devolvê-lo para os Estados Unidos... Na verdade ele era um consultor, não era funcionário da empresa. Mas não, infelizmente não era de muito bom caráter o cara não, tivemos que devolvê-lo para os Estados Unidos e nós assumimos junto com o grupo lá, assumimos as alterações que teríamos que fazer no forno, tal, até colocar o forno realmente nos eixos para atender as necessidades do principal equipamento que era o forno elétrico. O forno de cal ele pega o calcário lá da região, coloca o calcário dele e transforma o calcário em cal, né? A cal vai para o forno de carbureto como matéria prima para o forno de carbureto, ou seja, o principal equipamento era o forno de carbureto. O forno de cal tinha que cumprir o seu papel de entregar uma cal de boa qualidade, né. E na época como a planta era, era não, integrada e como o forno de carbureto é um forno fechado, os gases de processo que vinham do forno de carbureto passavam por um sistema de lavagem, para remover particulados e tal e eram bombeados, vamos falar assim, para o forno. Tanto o sistema de lavagem de gás quanto o sistema de compressor que eram utilizados para bombear esse gás para o forno de cal, deram muito problema no início, então isso também dificultou o início de marcha do forno de cal. Com o tempo nós melhoramos o sistema pelo grupo de engenharia de processos, aí sim começamos a melhorar a qualidade do forno de cal e a qualidade da cal para atender melhor ao forno de carbureto.

 

P/1 – Eu vou falar um pouquinho dos clientes agora, não sei se eu estou dando um salto muito alto, mas você consegue colocar alguns marcos? Você entrou na White antes de Iguatama, né? Como é que foi essa relação com os clientes? A abertura de mercado, já que a produção aumentou. Você consegue fazer um...

 

R – É, aconteceu o seguinte. Logo que nós ligamos Iguatama em 1985 a White ela parou a operação do forno pequeno lá de Saudade, que era um forno, vamos dizer assim, de baixíssima sustentabilidade, sob vários aspectos, econômicos, ambientais, ele tinha muitos problemas. Aí paramos esse forno. E o mercado ele não veio na força que se esperava que iria acontecer. Aconteceu que o acetileno, principalmente na siderurgia também era mercado importante para o carbureto de cálcio, a indústria química também, para a produção de plástico. Houve um período que a fábrica de Iguatama e a fábrica de, esse outro forno lá de Pombal, eles tinham, trabalhamos em plena carga os dois equipamentos, produzindo aí praticamente nove mil toneladas de carbureto por mês e entregando bem, um mercado muito bom. Mas com o tempo o consumo de acetileno começou a cair porque começou a, o governo permitiu a utilização de gás, gás de cozinha, antigamente era só, só se permitia usar para o gás de cozinha, permitiram a utilização de gás de cozinha na indústria também, aí o preço muito mais baixo que o acetileno, começou a cair muito a demanda por acetileno. Então no início dos anos 90 a empresa resolveu parar as operações da planta de Pombal. Foi uma época bastante triste porque fizemos muitos amigos lá em Pombal né? Mas era uma coisa que tinha que ser feita, não tinha como manter as duas plantas funcionando e a planta de Iguatama era uma planta moderna, do ponto de vista ambiental, mais sustentável ainda que a de Pombal. A empresa tomou a decisão certa, infelizmente tem que tomar essa decisão, não tem como...

 

P/1 – Mas os funcionários foram mandados embora?

 

R – Os funcionários foram mandados embora.

 

P/1 – Todos?

 

R – Praticamente todos. Alguns nós aproveitamos em Iguatama mesmo. Alguns funcionários se transferiram para Iguatama na época não tinha como, infelizmente, absorver todos os funcionários, não tinha como fazer isso, né?

 

P/1 – Fechou Pombal e fechou Saudade.

 

R – Fechou Saudade primeiro em 1985, assim que ligou Iguatama fechou Saudade. Saudade tinha que ser fechada mesmo, não tinha como, é uma planta muito antiga e de elevadíssimo custo operacional. Já Barra Mansa era uma planta interessante, mas a capacidade das duas era muito alta, para você operar as duas com meia carga não ficava também economicamente viável. Então optou-se por ficar só com a planta de, a partir do início de 90, optou-se por ficar só com a planta de Iguatama.

 

P/1 – Mas nesse período vocês ficaram também com medo de acontecer alguma coisa com vocês lá? Já que, vocês estavam com problemas...

 

R – É, não. Nem tanto porque tinha uma demanda, tivemos uma demanda interessante de produto, para a planta de Iguatama tínhamos uma demanda interessante. Houve no tempo oscilações, naturais de mercado, de crises, vamos dizer, de picos e vales, de mercado que nós absorvemos, com serenidade. Não vou dizer com tranquilidade, mas com serenidade, que é o mais importante, né?

 

P/1 – Daí quando que veio o momento bom para vocês com o mercado?

 

R – Olha, houve um período em que o segmento siderúrgico diminuiu bastante o consumo, depois nós conseguimos retomar esse mercado. Um dos maiores problemas foi quando a indústria química parou de usar carbureto de cálcio. O carbureto de cálcio é utilizado também para produzir plástico, isso é uma informação interessante para vocês, né? O plástico ele pode ser produzido por duas vias, pelo processo usando o acetileno, que vem do carbureto de cálcio ou usando etileno que vem do petróleo, nos dois casos tanto pelo acetileno, quanto pelo etileno você produz em uma determinada etapa o cloreto de vinila. Cloreto de vinila é, vamos dizer assim, é o básico para a produção do plástico né? Então uma empresa aqui no Brasil que produzia plástico à partir do carbureto de cálcio, que era a Solvay, ela comprou uma participação acionária em uma empresa argentina, Indupa, e começou a trazer o cloreto de vinila, direto da Argentina. Então com isso a demanda por carbureto para a produção de plástico caiu muito. Então nós sentimos esse baque. Essa, na verdade, foi uma das principais razões para depois você... Aliás, que constatou, vamos dizer assim, que realmente não tínhamos, infelizmente mercado para as duas plantas até porque tinha uma outra planta de carbureto de cálcio da CBCC, que era uma concorrente da gente né, em Santos Dumont. Então não tinha mercado para três fábricas, relativamente grandes. A própria CBCC tinha, que pertencia à Solvay, ela logo depois que aconteceu essa mudança de, vamos dizer assim, de via para a produção do plástico, ela também parou de produzir carbureto de cálcio. Aí ficamos só nós produzindo carbureto de cálcio no Brasil, né?

 

P/1 – É via petróleo esse cloreto de vinila né?

 

R – É, cloreto de vinila.

 

P/1 – Ele sai mais barato?

 

R – Ele saía, na época, saía mais barato né? Então você queimava algumas etapas da produção, ou seja, você não precisava de algumas etapas, ele já chegava pronto, mais prático de fazer, mas ainda há no mundo, na China, por exemplo, produz-se muito plástico através do carbureto de cálcio, através do acetileno do carbureto de cálcio.

 

P/1 – E hoje em dia quem são os seus principais clientes?

 

R – Nossos principais clientes hoje são a indústria siderúrgica, a indústria que produz aço. O carbureto é um excelente agente dessulfurante, significa que é um produto que reduz o teor de enxofre no aço. O enxofre é um elemento que reduz a resistência do aço. É também aplicado à siderurgia como agente desoxidante, também de escórias e do próprio aço. É uma aplicação que tem crescido bastante nos últimos anos, temos boas perspectivas para esse mercado. E o outro mercado é basicamente, em termos de aplicação, continua sendo para a produção de acetileno. Nós fornecemos para White, a própria White para as usinas de acetileno. E fornecemos também para concorrentes da White aqui no Brasil que produzem acetileno também.

 

P/1 – Pode citar os nomes?

 

R – Posso, sem problemas. Não tem problema nenhum, isso é...

 

P/1 – São seus clientes né?

 

R – São nossos clientes e temos um relacionamento profissional muito sério, como sempre acontece no caso da White Martins, e essas empresas também são empresas sérias. Antigamente chamava-se AGA, agora é a Linde, compra da gente, a Air Liquide também compra da gente, Unidox, uma empresa pequena, relativamente pequena que tem no Rio, também compra da gente para fazer acetileno.

 

P/1 – E fornecedores, quem são dessa planta, dessa unidade?

 

R – Dessa unidade. Nós temos lá fornecimento local pela jazida de calcário, é uma empresa que chama Mineração João Vaz Sobrinho, é importante fornecedor de calcário. A Petrobrás é uma fornecedora da gente de corte de petróleo, fonte de carbono né. Também fornecimento de carvão que até agora era, o carvão era feito nas nossas fazendas, de reflorestamento de Eucaliptos em João Pinheiro, fica também no Norte de Minas, na verdade é em direção à Brasília, é uma área, uma região muito voltada para reflorestamento e tal, porque são áreas muito planas, fáceis de manejo, de plantio e tal. Recentemente nós vendemos essa fazenda para uma grande empresa também, que certamente será uma grande parceira nossa e assinamos com eles um contrato de fornecimento de carvão por longo prazo, né? Então, assim, em termos de matérias primas são esses aí os nossos principais fornecedores.

 

P/1 – Sobre o carvão, até então eram vocês que produziam?

 

R – A White tinha as fazendas, de reflorestamento, que ficam inclusive sob, ficavam sob minha gestão inclusive. Mas por uma definição estratégica, vendemos esses ativos e assinamos um contrato de longo prazo, dezoito anos com a empresa que comprou os ativos.

 

P/1 – Quando que foi isso?

 

R – Isso é recente, deve ter uma ou duas semanas que aconteceu. É muito recente.

 

P/2 – E a White não tem mais fazendas hoje?

 

R – Não, não temos mais fazendas. 

 

P/1 – Está certo, você quer falar mais alguma coisa dessa tua dinâmica do teu cotidiano agora, alguma especificidade?

 

R – Em relação à empresa lá, dando continuidade, eu passei assim, o processo, logo depois eu assumi um cargo de supervisão de produção que é uma, já com uma linha mais executiva. Minha função era muito técnica no início, né? Assumi a função de supervisão de produção, depois a gerência de produção, depois eu passei a trabalhar com gerência de produção e ao mesmo tempo atendendo a clientes, fazendo um trabalho junto com um amigo meu que está na função hoje na área de gerência comercial, que é o Edi. Também pertenceu ao grupo lá de engenharia de processos, ele cresceu nesse grupo aí. Ele hoje que é responsável pelo mercado, né? E em 2004 com a ascensão do Carlos Macedo, também que era do Grupo de Engenharia de Processos e era gerente industrial, para a diretoria de segurança do meio ambiente, eu assumi a função de gerente de Operações Industriais na unidade.

 

P/1 – E não tem mais contato com cliente então?

 

R – A gente acaba tendo porque eu sou o responsável pelo produto que nós fazemos. E em segundo lugar, porque temos muitos contatos com esses clientes, eu conheço tanto pelo relacionamento aí de congressos, de visitas que fizemos, então a gente ainda tem um relacionamento muito grande, não comercial, naturalmente, mas técnico, por causa das aplicações e por causa da minha formação, de metalurgia e de conhecer um pouco aí de siderurgia. Então ainda tenho muito relacionamento com os clientes, com praticamente todos eles. A gente está sempre nos congressos com eles, eu continuo participando dos congressos. A gente tem que estar sempre regando o relacionamento com os clientes, eles é que pagam os nossos salários no final das contas.

 

P/1 – Que futuro que você vê na White dentro do teu segmento? Que futuro que você vê para essa unidade de Iguatama? 

 

R – Olha, eu acredito que o futuro é promissor porque, exatamente pelo perfil de mercado que nós atendemos, acho que é promissor porque Brasil é uma dos países que têm maior potencial para o crescimento no segmento de siderurgia. Nosso consumo per capita de aço é muito baixo atualmente em relação a países com menos expressão no cenário internacional que a gente, né. Nosso consumo per capita é da casa de 140 quilos de aço por habitante/ano. Você pega um país como Chile, Espanha, a Coréia é um país emergente de, a Coréia do Sul, que a gente está falando, tem muita tecnologia, eu acho que está até um passo acima da gente em termos tecnológicos, por investir melhor em educação e tal. Mas está muito longe da China, mesmo de países desenvolvidos, que já estão com suas infra estruturas montadas há muitos anos, países da Europa, países mais velhos, a gente tem um consumo per capita muito baixo. E a tendência é de se aumentar o consumo per capita de aço no Brasil. Então os grandes grupos que aqui estão se não estão investindo, estão planejando investir em expansão de produção. E eles expandindo a produção vão certamente consumir mais carbureto de cálcio. Carbureto de cálcio é um produto centenário, é da época da revolução industrial, carbureto de cálcio já foi usado para iluminação de rua porque gera acetileno. O acetileno ele tem uma luminosidade incrível. Então desde essa rudimentar aplicação a até a aplicação importante aí na siderurgia que se mantém né, pela viabilidade técnica e econômica, então eu vejo com otimismo o futuro.

 

P/1 – Falando uma coisa mais familiar assim, o destino profissional seu e do seu irmão acabaram se unindo por conta dessas profissões? De um ser cliente, ou não?

 

R – Na verdade, ele foi para Monlevade foi, trabalhou, começou a trabalhar com uma parte muito técnica, realmente ele era muito técnico. Depois parte de metalografia, depois passou à gerência de aciaria e como gerente de aciaria nós teríamos tido a oportunidade de ter um relacionamento profissional. Mas como eu era fornecedor e ele era cliente, nós não tínhamos relacionamento por princípios da própria White e nossos princípios principalmente, e também da ArcelorMittal né? Então logo depois que ele assumiu a presidência do grupo em que ele não era mais um cliente direto nosso, eu passei a trabalhar, a ter muito mais oportunidades de negócio na ArcelorMittal. É, foi interessante isso porque... Não pelo fato de ele ser o presidente do grupo, mas pelo fato de nós termos nos dado mais liberdade para conversar tecnicamente com os responsáveis pelas áreas, porque a gente procurava evitar. Ou passagens por exemplo de a gente, estar fornecendo ou estar alguma, disputando com alguém para fornecer lá em Monlevade na época e alguém falava assim, não da White, na White não existe esse tipo de coisa não, mas algum parceiro da gente falava: "O seu irmão é, ele é o gerente geral, ele é o diretor lá, por que você não...". Eu sempre falei: “De maneira alguma. Em respeito a ele, em respeito a mim e pelos princípios das nossas empresas nós não podemos fazer isso”. E sempre separamos as coisas. É assim, que é a White Martins e também a ArcelorMittal.

 

P/1 – Legal. E fora da White como é que é o teu contato com a família? Você tem uma esposa que você já falou, tem filhos?

 

R – Sim, sim. Tenho contato com os meus irmãos. Mais com ele pelo fato de ele morar em Belo Horizonte. As minhas filhas moram em Belo Horizonte então final de semana que eu posso eu vou para lá. A gente não se encontra muito, mas a gente se fala muito pelo telefone. E com os outros irmãos a gente sempre está em contato também, mas depois que mamãe faleceu em 1988, eu acabei me afastando um pouco lá de Rio Pomba. Não por, de maneira alguma, nada contra meus irmãos, muito pelo contrário, adoro todos eles, mas a mãe é diferente né? E como a minha esposa ela tem pai e mãe então a nossa prioridade agora é acompanhar os pais dela. Então sempre a gente, quando pode a gente encontra com os irmãos, eu vou com menos frequência a Rio Pomba, mas a gente sempre fala, o vínculo continua o mesmo e vai ser sempre assim.

 

P/1 – Seu pai é vivo? Está em Rio Pomba?

 

R – Não, meu pai morreu quando eu me formei, ele não me viu formado. Ele não me viu formado, essa é uma tristeza que eu tenho na minha vida. 

 

P/1 – E você é o mais novo né? Que você falou.

 

R – Eu sou o mais novo. Eu tenho certeza que ele iria ficar muito feliz. Com certeza ele ficou porque ele viu de algum lugar.

 

P/1 – Suas férias, lazer, o que você gosta de fazer?

 

R – Olha, até algum tempo atrás aí eu jogava muito futebol, mas eu estou com muito problema de joelho, especialmente da perna esquerda. Então eu tenho jogado menos, bem menos futebol, aliás, no último ano eu não joguei nada de futebol. E agora eu estou jogando peteca. Vocês não riam não porque tem gente que fala que peteca é coisa de, mas não é não. É um esporte em que se queima muita caloria, é muito interessante, não tem corpo a corpo, ou seja, força um pouco o joelho, mas você põe uma proteção e dá para praticar bastante. E caminhada também. Em Iguatama não se tem muitas opções de lazer, a gente mora em um condomínio da empresa que tem a quadra de futebol de salão, de basquete, eu sempre gostei também de basquete, apesar de não ter tamanho eu jogava razoavelmente bem basquete. Vôlei, jogava vôlei também, apesar do meu um metro e 72 jogava também na escola, escola técnica, escola de Minas. E principalmente futebol, principalmente futebol de salão. Nunca fui nenhuma sumidade, era muito mais na linha de pouca técnica e muita vontade. Então eu sempre gostei muito de futebol. E ultimamente eu tenho jogado muita peteca, muita mesmo, é um esporte bastante interessante. Em Minas Gerais é muito comum se jogar peteca, especialmente em Belo Horizonte, todo prédio tem uma quadra de peteca, é um esporte muito praticado pelo mineiro né?

 

P/1 – Eu aprendi a jogar peteca em Lavras em Minas.

 

R – É Minas.

 

P/2 – É, sobre o que você tinha comentado do condomínio de Iguatama, da White Martins. Que outras estruturas têm em Iguatama e o que a White Martins oferece? Como é Iguatama?

 

R – Ah, Iguatama é uma cidade de oito mil habitantes. Eu costumo brincar que são oito mil habitantes incluindo cavalo, vaca, galinha... É brincadeira, são mais ou menos oito mil habitantes mesmo. É uma cidade muito pequeninha, como se pode ver pela população, de certa forma bucólica, não tem muito lazer a não ser bate-papo com os amigos, um barzinho no final de semana. Não tem cinema, é lógico que hoje em dia ninguém precisa de cinema com os recursos audiovisuais que se tem em casa, pela internet etc, né? Mas exatamente pelo fato de que a cidade tinha poucos recursos, assim, para oferecer nessa linha, a cidade, mas é uma cidade com um povo muito legal, tenho muitos amigos lá, a empresa ela investiu nessa vila residencial. Tínhamos também uma outra vila, para os funcionários de menor posição na companhia, na unidade. E nesse condomínio tem lá piscina, tem sauna, tem quadra de basquete, de salão, de tênis, de vôlei e peteca né? Então...

 

P/1 – Só para os funcionários?

 

R – É só para os moradores, mas nós sempre levamos visitantes né, para praticar, que não seja natação. Natação é proibida para o visitante, é só morador que pode frequentar a piscina, mas das outras disponibilidades que têm lá, das quadras e tal e pode, a gente está sempre levando convidados. Tem também uma área com churrasqueira para você fazer um churrasquinho no final de semana e falar de trabalho e falar de futebol e brincar também. Basicamente é um lugar muito pequeno. Eu sempre gostei de lugar pequeno, morei em lugar pequeno, nasci em lugar pequeno, morei em lugar pequeno, Ouro Preto é uma cidade pequena, Várzea da Palma é uma cidade pequena. Então eu gosto de cidade pequena né? Belo Horizonte é uma cidade pequena, comparado com São Paulo, Belo Horizonte é uma roça grande. E eu gosto muito de Belo Horizonte também, a gente está sempre lá vendo as meninas. É basicamente isso aí.

 

P/1 – Gilson, qual que você acha que é o maior legado da White para o desenvolvimento industrial brasileiro?

 

R – É, eu acho que, assim, fazendo um paralelo, todo organismo precisa de oxigênio né, e a White tem o melhor oxigênio. A White produz com sustentabilidade, com ética, com integridade. Muitos projetos atualmente, principalmente atualmente em áreas sociais, exatamente buscando reforçar o conceito de sustentabilidade. Então a White já está presente praticamente em toda a indústria brasileira, toda indústria brasileira que você imaginar tem lá o oxigênio, tem algum gás da White Martins que tem também o carbureto de cálcio. Eu acho que o oxigênio fala tudo, fala por si, pela importância que tem. Você fala assim: "Eu quero melhorar". Você fala assim: "Eu quero dar mais oxigênio para aquilo". Então as empresas que querem melhoria, que querem crescer elas ficam muito bem dando as mãos à White Martins. Porque a White é uma fornecedora séria, ética, respeita os seus funcionários, é fundamental. Basta dizer que não se conhece nenhum funcionário ou ex-funcionário da White Martins que possa reclamar que algum dia teve o salário atrasado. Eu tenho 30 anos praticamente de empresa e nunca tive um dia de salário atrasado na companhia. Então isso é uma obrigação e a White Martins ela pensa assim, ela trata como obrigação, mas é um diferencial. Então ela dá assistência, plano de saúde para os funcionários, dá treinamento, tem um programa de oportunidades transparente, relacionamento com as lideranças, sempre incentivando o relacionamento das lideranças com os seus funcionários, com respeito. E White aposta no Brasil, tem crescido com o crescimento do Brasil. É uma empresa que eu tenho certeza que... Pertence à Praxair que é uma das poucas empresas de gás que está como destaque em sustentabilidade a nível mundial, na bolsa de valores, é reconhecido na bolsa de valores nos Estados Unidos. Então eu acho que os números falam por si, né? Uma empresa que fica cem anos no mercado não é à toa que ela está contando essa história dos cem anos, né? Então imagino que outros colegas que têm mais conhecimento que eu dessa área, principalmente da área de gás que é o core business da companhia. Mas é um legado para a indústria brasileira, a White Martins é muito respeitada. Lá em Iguatama mesmo eu não sou o Gilson Menezes, eu sou o Gilson da White. White está no meu sobrenome e é assim com todos os funcionários da White Martins. Se você é funcionário da White você acaba incorporando no seu sobrenome o nome White Martins, entendeu? Então é mais ou menos isso aí que eu penso.

 

P/1 – O que você achou desse projeto de a gente contar a história do desenvolvimento industrial brasileiro, dos 100 anos da White através de um projeto de memória, né? Que os colaboradores vêm aqui e contam suas histórias.

 

R – Eu achei fantástico porque, na verdade, a White é o que é devido aos funcionários que ela tem e que a alta direção inteligentemente sabe preservar, quem faz a empresa são as pessoas, então é emocionante você falar da sua vida pessoal, das suas emoções e linkar isso com a história que a gente tem na White Martins. Assim como, eu digo que assim como foi um destino eu ter ido para Várzea da Palma, uma cidade lá no interior do norte de Minas e fui conhecer minha esposa, que é minha companheira para sempre, de lá eu fui para Barra Mansa para fazer esse casamento com a White Martins também. Então é uma coisa do destino. A White tem uma importância fundamental para mim e para a minha família. Acho muito legal que a história seja contada dessa forma.

 

P/1 – Que bom. E o que você achou de ter dado esse depoimento?

 

R – Eu fiquei emocionado muitas vezes e agradecido, pela oportunidade de participar dessa forma. E... Acho que é isso, orgulhoso de ter podido participar.

 

P/1 – Está joia. Muito obrigada Gilson. Parabéns pela sua história, viu?

 

R – Eu que agradeço.


 

 

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