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História

Se importe conosco que eu me importo com você

História de: Tadeu Viana Xavier
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 14/01/2021

Sinopse

A entrevista descreve o percurso de Tadeu Xavier na Petrobras e muito da sua preocupação na humanização do trabalho e de quanto ele entende ser importante para a produtividade.

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História completa

P/1 – Boa tarde.

R – Boa tarde, Márcia.

P/1 – Eu gostaria de começar a entrevista pedindo que você nos diga o seu nome completo, local e data de nascimento.

R – O meu nome é Tadeu Viana Xavier. Eu  nasci em Belterra, no Estado do Pará, no dia  09 de novembro de 1955.

P/1 – Tadeu, conta para  a gente como foi seu ingresso na Petrobras? Como você também saiu lá do Pará? Como é que foi? Entrou lá pela Petrobras por lá. Conta um pouquinho essa...

R – É, eu trabalhava no Aeroporto de Belém quando as empresas americanas começaram a furar na costa do Amapá. E como eu falo inglês tive contato com os americanos que pediram para eu trabalhar com eles. E eu entrei em uma empresa norte-americana chamada _________________, e nós, eu trabalhei lá na costa do Amapá com eles. E quando foi no ano de 1978 eles ganharam o contrato na Bacia de Campos. E nós saímos de lá no final de 1978 e chegamos na Bacia de Campos no início de 1979. Eu trabalhava nessa empresa norte-americana. E a Petrobras ainda não tinha plataformas semi-submersíveis. E quando foi no ano, e eu aprendi a trabalhar em plataformas semi-submersíveis. 

P/1 – Com os americanos?

R – Com os americanos. Quando foi no ano de 1982 a Petrobras mandou construir quatro plataformas na França e quatro plataformas no Japão. As do Japão foram a P-9, P-10, P-12 e P-15 [P + um número, em sequência, é a forma como são batizadas as plataformas marinhas de extração de petróleo e gás da Petrobras]. Foram construídas no Japão. E na França foram construídas a P-13, P-14, P-16 e P-17. E aí houve um concurso e eu vim para a Petrobras no ano de 1984. 

P/1 – Quando você entrou por concurso você foi trabalhar exatamente aonde?

R – Eu fui trabalhar na Petrobras 12. Depois fui para a Petrobras 13. Onde me, fui efetivado como tripulante. E eu trabalhava na, eu era operador de sistema de perfuração no mar. Trabalhava com a embarcação. Trabalhava com a estabilidade e ancoragem. Me especializei nessa área: estabilidade e ancoragem na...

P/1 – E, Tadeu, você sempre trabalhou embarcado então?

R – Sempre trabalhei embarcado. 

P/1 – Então você já passou por outras plataformas também semi-submersíveis?

R – Semi-submersíveis. Eu trabalhei na P-13, P-14, P-16, P-17, P-22, P-24 e a P-40 foi a última plataforma onde eu trabalhei. Participei do projeto dela de modificação lá em Cingapura. Trabalhei no projeto aqui no Rio depois fui para Cingapura. E trabalhei na, quando ela veio trabalhei com três produtos que era: ancoragem, estabilidade, e o pull in, pull out dos poços. E quando ela se estabeleceu no campo de Marlim Sul eu era operador. E foi me dado esse cargo de gerente aqui na Petrobras 38. Aí eu vim para cá no final de 2001. Então eu estou praticamente 3 anos aqui, né, P-38 como gerente. O Geplat [Gerente de plataforma]. 

P/1 – O que é que você acha que mudou desde que você entrou para a Petrobras em termos de até, de tecnologia mesmo também? Enfim. Mas o que é que você acha que foi a grande mudança nesses anos todos nas plataformas?

R – A grande mudança foi a liberdade do trabalhador executar. Nós passamos por momentos muito difíceis na época do Collor. Quando o Collor quis acabar com a Petrobras. Colocou nossas plataformas ali na Ilha de Santana. E foi um momento muito duro para a nossa categoria. Porque nós não tínhamos horizonte. As pessoas foram demitidas e nós tínhamos. Fechou. A Petrobras não tinha horizonte para onde ir. E graças a Deus quando nós encontramos o caminho da águas profundas e tivemos também experiências duras, no caso da P36. Mas foi o caminho que nós conseguimos expandir tanto a empresa quanto para nós, a força de trabalho, foi a águas profundas. Isso foi o grande diferencial. Outro diferencial que eu vejo é o quando fizemos pela primeira vez na Petrobras o Planejamento Estratégico. E o compromisso da empresa com uma cara de empresa mesmo. Não mais só um instrumento do governo. Mas uma empresa se comprometendo com as parcerias. Tanto com a parte tecnológica quanto com os investidores. E a categoria, ainda nessa época do Collor, sofreu muito com a Zélia Cardoso de Melo indo para a televisão, dizendo que nós éramos uma categoria de marajás. Que prestávamos um serviço da Namíbia e ganhávamos um salário da Suécia. E tudo mais. E hoje isso mudou muito. Essa relação humana. A relação humana, o trabalhador foi muito mais valorizado. Hoje até nos projetos nós levamos em conta o bem-estar no trabalhador. Coisa que não se levava, era bem diferente. 

P/1 – E também em relação ao seu trabalho: você trabalha com ancoragem e estabilidade. Teve alguma mudança?

R – Agora sim. Porque eu trabalho como gerente. Eu continuo usando os meus conhecimentos aqui na embarcação. Mas eu trabalho mais agora gerenciando pessoas. E para mim é muito fácil isso.

P/1 – Você acha?

R – Eu acho fácil porque eu tive a felicidade de vir para cá nesse momento em que as pessoas estão sendo valorizadas, e houve uma valorização nítida das pessoas. A prova é esse trabalho que vocês estão fazendo. Outros trabalhos que foram feitos como o trabalho da Uerj [Universidade Estadual do Rio. Fazer o  de Janeiro] trabalho de ergonomia conosco. E outros trabalhos...

P/1 – Como é que foi esse trabalho com a Uerj?

R – Muito bom. O trabalho foi bom.

P/1 – Conta para a gente saber um pouquinho como é.

R – O trabalho da Uerj é um trabalho, é um grupo multidisciplinar. Que eles tratam da ergonomia não só a postura física, a postura do corpo, mas também as parte comportamental, a parte emocional. E as relações no ambiente do trabalho. E o importante também é que a gente pode mexer com as nossas experiências. E há muitas coisas que nós não sabíamos, nem sabíamos que sabíamos e eles fizeram isso aflorar e também nos despertar para muita coisa em termos de ergonomia. Que nós não sabíamos nada. 

P/1 – Que bom. E que trás resultados positivos?

R  - Muitos, muitos resultados positivos. E hoje nós trabalhamos com a melhoria contínua de vida das pessoas. Não só aqui no trabalho, mas para que elas continuem a viver bem em casa também.

P/1 – Isso você como gerente é um desafio seu, você ter…


R – Sim, constante. É o meu dia a dia. Nós completamos agora 3 anos sem acidente com afastamento aqui. E nós hoje conseguimos ver o norte. Nós temos o norte, temos uma visão mais ampla de que nós  precisamos chegar ao ciclo de vida desse empreendimento, que é de 20 anos, da melhor forma possível. Tanto para as pessoas que trabalham como para o empreendimento. Sabendo que hoje ele está com a vida útil, os equipamentos estão fortes e tudo mais. Mas chegar no final de ciclo quando estiver envelhecendo nós precisamos reconhecer esse momento que o equipamento e as pessoas vão envelhecer. Nós queremos envelhecer com saúde e com segurança.

P/1 – Você falou das pessoas. Agora eu queria que você falasse um pouco, até do trabalho que vocês apresentaram no congresso. Conta, qual foi o congresso, conta para a gente como é que foi.

R – É, nós apresentamos um trabalho chamado manutenção estratégica aplicado à FSO [Em inglês, unidade flutuação, armazenamento e transferência], Petrobras 38. Foi o Congresso da Sobena, que é a Sociedade Brasileira de Engenharia Naval e Construção Offshore. E foram 800 trabalhos apresentados por diversos centros de excelência tecnológica, como: Unicamp [Universidade Estadual de Campinas], USP [Universidade de São Paulo], Coppe [Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro]  , UFF [Universidade Federal Fluminense]. E o nosso trabalho foi selecionado entre os 100 trabalhos. Dos 800, foram selecionados 100. E o nosso foi selecionado junto com eles. E nós tivemos o prazer de apresentar no congresso, lá na Firjan [Federação da Indústria do Rio de Janeiro], no Rio. E depois esse mesmo trabalho foi apresentado  na Bramam. O pessoal da Bramam achou que foi muito bom o trabalho e pediu para ser apresentado no primeiro Congresso Carioca de Manutenção também. E esse trabalho ele visa quatro sistemas básicos. Primeiro, é a salvaguarda da vida das pessoas no meio do mar. A saúde das pessoas. As boas condições do meio-ambiente. E, o produto. Se esses três primeiros estiverem bons o produto sai bem. Então a gente trabalha basicamente nisso, que são as leis de funcionamento da empresa colocadas para nós. E nós colocamos isso aí em evidência. 

P/1 – E você falou que desses 100 vocês tiveram uma colocação muito boa também.

R – Foi. Trigésimo segundo lugar. 

P/1 – Que bacana. E, também, você tem assim alguma história que você possa contar aqui? Que te marcou nesses anos todos de trabalho? 

R – O que me marcou nesses anos  de trabalho foi a virada, o que me marcou, né, foi a virada. Porque até pouco tempo atrás o gerente de Recursos Humanos da Petrobras, a gente foi na televisão, ele disse que:  ele tinha sido colocado lá para acabar com a nossa categoria. Quebrar a espinha dorsal dessa categoriazinha. E o que me marcou muito, eu fiquei muito mesmo, marcou para nós na história da empresa foi no ano de 2003, o presidente da Petrobras ele recebeu da mão do sindicato, pela primeira vez, a proposta da empresa. Porque antigamente o que achava-se que havia um antagonismo entre a força de trabalho e a empresa.

P/1 – E a direção.

R – E agora... E a direção. E agora não, agora o presidente da empresa, ele recebeu da mão do sindicato a proposta de dissídio coletivo. Isso marcou  muito para nós. Ou seja, isso é uma coisa que na história da empresa nunca tinha acontecido. Em 50 anos nunca tinha acontecido. Isso é muito marcante para nós.

P/1 – Você é sindicalizado?

R – Sou.

P/1 – Você, desde quando? Você podia dizer por que é que você...

R – Isso eu acho que desde 1988 que eu sou sindicalizado.

P/1 – Você chegou a participar de movimento sindical? Esteve nas reivindicações?

R – Sim, mas como tripulante. Nunca como diretor. Não tive nenhum cargo...

P/1 – Não chegou a ter cargo.

R - ...nunca tive em cargo no sindicato.

P/1 – Mas você se manifestou também pelas...

R – Sim, sempre.

P/1 – E dessas lutas do sindicato e das reivindicações trabalhistas mesmo, qual que você acha que seja mais, tenha sido importante é essa que você...

R – Não, a mais importante foi de 1990. A greve, né? O movimento de 1990. Eu acredito que, por que? Porque nós estávamos com um presidente da República que queria acabar com a empresa, queria acabar com a categoria notoriamente. Que foi o Collor de Melo. E a categoria deu uma resposta, digamos, muito digna. E depois transformou essa resposta digna em ação. O que hoje é o resultado, digamos, a Petrobras está com alta tecnologia em águas profundas. Está com uma boa rentabilidade. Um nome, um bom nome. Isso aí que poderia ter acabado em 1990. Se a categoria não fosse uma categoria que tivesse resistido. 

 P/1 – Hum, hum.

R – Se nós tivéssemos simplesmente baixado a cabeça naquele momento. Acredito que os movimentos dos anos 1990 ali, início dos 1990, na época do Collor foi o que mais marcou a categoria.


P/1 – Tadeu, conta, também como é que é enfim gerenciar uma plataforma. É um, como é que é a vida também para quem não conhece um pouco como é que é a vida embarcado?

R – Eu acredito assim: gerenciar uma plataforma para mim é uma oportunidade. Porque eu vim, eu não vim de uma carreira gerencial. Eu vim de uma carreira de tripulante. Eu fui operador muitos anos. Fui técnico. Fui técnico de operações, de estabilidade e finalmente eu ocupei, fui supervisor. E finalmente eu ocupei o cargo de Geplat. Então eu tenho um histórico de tripulante. De homem que viveu no convés. Convés e.... Então é diferente de uma pessoa que vem de uma linha gerencial. Então eu acredito que eu tenho uma identidade maior com a tripulação. 

P/1 – E você acha que a tripulação também consegue identificar isso?

R – É, ela consegue identificar isso. Ela consegue, né? É diferente a minha postura, o meu modo de ser de uma pessoa que vem de uma linha gerencial pura e simplesmente. Eu não estou dizendo que ele não tenha os mesmos sucessos ou as mesmas capacidades. Mas é diferente. É diferente sim.

P/1 – Hum, hum. O que é que você gosta de fazer na sua hora de lazer? No seu hora de folga aqui dentro?

R – Gosto de conversar com as pessoas, participar dos jogos, das...

P/1 – Que tipo de jogos que vocês fazem?

R – Futebol de salão, vôlei, peteca, natação. Nós temos natação, nós temos academia...

P/1 – Tem piscina também?

R – Tem.

P/1 – Ah, eu nem vi a piscina.

R – Ping-pong. E eu gosto de...

P/1 – Vocês fazem torneio?

R – Fazemos torneios aqui. E do churrasco lá na quadra, isso eu gosto. Nós fazemos também, temos uma programação esse ano para a melhoria da qualidade de vida. Vamos fazer dois eventos por mês para a melhoria. Então aproveitamos o SMS [Política de Segurança, Meio-ambiente e Saúde da Petrobras], a parte de melhoria da vida das pessoas, né?

P/1 – Hum, hum.


R – E eu gosto de participar também. Quando é época de Natal fazemos teatro, fazemos cantata. Eu sou…


P/1 – Que bacana.

R - ...eu sou Papai-Noel.

P/1 – [risos] Ah, é?

R – Sempre. Porque eu sou gordinho. Eu sempre sou Papai Noel. 

P/1 – Que bonito fazerem as cantatas.

R – Ah, fazemos as cantatas de Natal. O Zé Mauro é músico. Ele toca piano. Nós temos um piano aí. E nós fazemos a cantata de Natal. 

P/1 – E você gosta de cantar também?

R – Eu gosto de cantar com a turma.

P/1 – Você fala quantas línguas? Eu estava ouvindo ________ alemão.

R – Dois, eu falo com proficiência. Falo o inglês com proficiência e o alemão. Eu estudei, morei em Cingapura quando eu trabalhei lá. Falo inglês, eu tenho duas...

P/1 – Você acompanhou a plataforma, a construção...

R – A 40.

P/1 - ...da 40.

R – Só a Petrobras 40. E alemão também. Alemão eu estudei 4 anos na Uerj. E também estudei na Alemanha, em Berlim. Na Alemanha.

P/1 – Na Alemanha você ficou estudando línguas mesmo?

R – Não, eu estudei a língua uma parte e a outra parte eu estudei que era uma mini-monografia. Era saber como que, o meu interesse era na reunificação, no que diz respeito à Previdência Social. Eu gostaria de saber como o mundo capitalista e o mundo comunista iam se, a reunificação foi em diversos aspectos, né? Aspectos acadêmicos, aspectos econômicos. E eu me preocupei com a parte da reunificação da Previdência Social. Eu gostaria de saber como era que dois mundos totalmente diferentes em termos de mercado iam se unir para resolver a questão da Previdência Social.


P/1 – Que interessante.


R – É. 

P/1 – Imagina. Tadeu, e eu queria que você me contasse uma história engraçada desses anos todos de embarcado?

R – Uma história engraçada. Uma história engraçada. Tem muitas. Mas... 

P/1 – Uma para me contar.

R – Bom, na época em Natal o pessoal mandava – hoje é  proibido – mas na época o pessoal mandava ainda vinho para as plataformas e algumas latas de cerveja. Nós trabalhávamos em uma tripulação que o, digamos, o chefe lá ele era muito assim. Ele era muito tirano. Então ele tinha um grupo, que aquele grupo tinha tudo. E nós não, o restante da tripulação não tinha nada. Então foram as latas de cerveja e foi um garrafão de Sangue de Boi. Aí eles beberam as cervejas e deixaram, ficou só o Sangue de Boi. Aí na noite de Natal ele pegou, mandou o pessoal da cozinha pegar uma vasilha grandona assim. Botar aquele Sangue de Boi  e fazer sangria. Colocar...

P/1 – As frutas.

R - ...as frutas. Mas só que ficou assim, um pouco assim. Eu acho que era 20 litros. E ele mandou completar com água. Aí a turma chegou para ele disse: “Poxa, Jesus fez milagre, transformou a água em vinho. Aí o Fulano fez um outro milagre: transformou vinho em água. Nós vamos fazer agora um milagre com ele. Nós vamos transformar essa água em aguardente.” Aí botaram pimenta, muita pimenta, muita pimenta. Quando foi meia-noite fizeram o cerimonial e esperando ele e tal. “Ô, chefe, o senhor pode experimentar esse ponche que está muito gostoso.” Aí ele bebeu e começou a lagrimar, sabe? Ele ficava olhando e todo mundo saindo. O pessoal não é fácil não. Mexer com a tripulação não é fácil não.

P/1 – Mas teve um troco, né? O milagre da...

R – Teve três milagres: Jesus transformou a água em vinho, ele transformou vinho em água e a tripulação transformou a água em aguardente. Foi, com pimenta.

P/1 – Muito bom. Eu queria também perguntar enfim, se, que é que você sente falta aqui quando você está embarcado?

R – O que eu sinto falta aqui é, hoje eu não sinto falta assim de nada. Porque nós temos, temos hoje, eu falo hoje. Nós temos uma gerência que é muito próxima de nós. Temos as pessoas, nós tivemos recentemente um trabalho feito com, pelo pessoal do SMS, uma engenheira que veio apresentar o PPRA. Que é o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais. Então hoje, antigamente as pessoas faziam as leis de funcionamento e jogavam. Então era uma coisa impessoal. A gente não se comprometia com aquilo. Porque era uma coisa mais, digamos, como fosse para cumprir a lei. E como a lei fosse uma sentença judicial. Você tinha aquilo porque era obrigado. Agora não. Ela veio, apresentou. Ou seja, ela colocou a vida dela em um helicóptero, apresentou. Olhou nos olhos. E eu vi as pessoas se comprometendo com aquilo, entendeu? Então hoje isso é muito comum. É esse trabalho aí que vocês estão fazendo. Vocês estão se colocando  no mesmo nível que nós. Ou seja, vem no helicóptero, coloca sua vida, passa mal, “marea”. Mas está aqui fazendo um trabalho junto conosco. Nisso nós confiamos, nisso nós gostamos. Eu não sinto falta. Agora, da minha família eu tenho contato todo dia com eles. No telefone, né, então é...

P/1 – E eles podem vim às vezes?

R – Não, não. Tem visita uma vez por ano de familiares.

P/1 – Ah, uma vez por ano tem essa visita.

R – Mas tem que coincidir que você esteja a bordo. Nesses 3 anos que eu estou aqui não coincidiu de eu está a bordo no dia da visita.

P/1 – Estar embarcado no dia.

R – É.

P/1 – É uma data específica?

R – É uma data específica. É um trabalho. Mas eu fico feliz pelos outros que já receberam.

P/1 – E sua esposa, mas ela tem curiosidade de saber também, de vim um dia ver?

R – Ela tem. Quando nós estávamos na Baía de Guanabara com a Petrobras 40 ela foi lá conhecer que tipo de trabalho eu fazia e tudo o mais. Então ela foi e gostou. 

P/1 – Como é que é o nome dela?

R – Sandra Helena.

P/1 –Você tem filhos?

R – Três. Thais, a mais velha. Está fazendo faculdade já. Está com 19 anos. Aí tem a Clara que está com 16. E o Tarcísio com 14. É o mais novo.

 

P/1 – Então está certo. Queria para terminar, Tadeu perguntar: o que você achou da iniciativa da Petrobras e do Sindicato  estarem fazendo esse projeto e se você gostou de participar?

R – Eu gostei de participar. Porque eu acabei de dizer, esse trabalho nós confiamos e nós nos comprometemos com quem se compromete conosco. E você só se compromete pessoalmente. Não adianta você colocar uma, leis de funcionamento, podem ser as melhores. Mas se não houver um comprometimento pessoal, se não houver a presença, se não houver a efetivação, essa humanização das coisas não há um comprometimento. Então eu acredito que a Petrobras quando ela começou a fazer isso, esse comprometimento. Ou seja, quando as pessoas começaram a descer do pedestal e vir e acabou aquela barreira em que a força de trabalho não é inimiga do país. Não é inimiga da empresa mas sim um patrimônio da empresa, isso aí começou a haver uma confiança. Conseqüentemente começou a melhorar. E eu vejo o trabalho de vocês nesse aspecto. Ou seja, vocês estão vindo para um ambiente totalmente diferente, não é? E alguns não se sentem bem pelo balanço...

P/1 – [risos] 

R - ...mas estão aqui. Trabalhando conosco. Isso nós gostamos, isso nós valorizamos.

P/1 – Então tá, Tadeu, eu queria agradecer a sua participação.

R – Eu é que agradeço.

  • FIM DA ENTREVISTA -

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