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História

Saudades

História de: Rodrigo Santos de Oliveira
Autor: Rodrigo Santos de Oliveira
Publicado em: 20/08/2020

Sinopse

Diário de Rodrigo Santos de Oliveira, 18 de agosto de 2020. Jornada, dia 1.

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História completa

A primeira memória que me veio à cabeça é de um tempo longíquo, da época em que eu era criança, por volta dos oito, nove anos de idade.

Morávamos numa casa muito humilde, um só comodo, as coisas ficavam todas juntas, camas, mesa, cadeiras, uma estante, fogão, geladeira. Eu não tinha noção do quanto aquilo tudo significava na época e do quanto esse lugar me marcaria, me deixaria saudades intensas e imensas, pois apesar de não ser uma casa adequada aos padrões de alguém que tem uma residência asseada, vivi muitos momentos de alegrias, de sentimentos puros, de ganhos, de tristezas e decepções também, mas de um sentimento que jamais será apagado das minhas memórias: o convívio bonito e amoroso com a minha mãe.

Lembro, especialmente, das tardes em que ela, minha mãe, desempregada ou em férias, ficava em casa comigo, depois da escola, preparando alguma coisa para a janta, costurando roupas velhas, ou mesmo, sentada, divagando em seus próprios pensamentos, e a gente ouvindo estação AM na rádio. O aparelho do rádio era simples, daqueles de pilhas, que podia ser conectado na tomada, com entrada para toca fitas e um chiado ruim. Havia um programa na rádio a tarde - "Que Saudades de você" - que eu lembro, o nome era tão bonito, mas o programa em si, para mim, era tenebroso, O locutor impostava uma voz forte e narrava histórias que falavam sobre o sobrenatural. A minha mãe permanecia neutra, escutava aquelas resenhas tranquila, e eu assustado, não me conformava como ela não tinha os mesmo sentimentos que eu ao ouvi-las. O mais engraçado hoje percebo é que, apesar do meu medo, eu tinha sempre vontade de escutar essas histórias e corria para dentro de casa para acompanhar as sessões, mesmo tendo a sensação de que eu sonharia a noite com aquelas personagens macabras. Mas também percebo hoje que era a minha mãezinha quem me dava apoio, com seu jeito natural de se colocar, sem dizer qualquer palavra, ela me apresentava aos mundos das narrativas e ali eu me apaixonei pela arte das histórias.

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