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História

Sasá Modas e a onça na vitrine!

História de: Sérgio Augusto de Barros Rodrigues
Autor:
Publicado em: 09/04/2021

Sinopse

Pai de ascendência portuguesa, veio em 1927 e trabalhou como representante comercial. Eram em três irmãos. Gosta muito do Centro de Ribeirão, principalmente pela Praça XV. O pai teve uma loja muito famosa na época chamada Dragão dos Tecidos. O nome da loja provém do apelido da sua esposa, Salete – Sasa Modas. Sérgio gosta muito de ler diversos gêneros de livros. Durante a ditadura reivindicava a liberdade. COnte que ma vez, em sua vitrine, colocou uma onça empalhada pois a moda na época era estampa de oncinha!

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História completa

          Eu nasci em Ribeirão Preto em 4 de fevereiro de 1955, e meu nome é Sérgio Augusto de Barros Rodrigues. O nome do meu pai é José Augusto Rodrigues, e o nome da minha mãe é Geni Barros Rodrigues. Meu pai veio de Portugal - nasceu em 1913 e veio para o Brasil em 1927. Ele trabalhou como representante comercial, vendendo tecidos, e tinha loja de tecido também. Aí ele se aposentou, e eu nunca imaginei na vida que eu iria trabalhar com loja, com comércio... mas isso aconteceu.

          Antes do comércio, eu trabalhava na Antártica. E aí nós ficamos numa situação muito difícil, porque eu fui mandado embora e não consegui outro emprego. Aí minha mulher começou a vender roupa na escola onde ela trabalhava, pras amigas, desde 1982.

          Já em 1984, surgiu um lugar, onde era um bar, em frente à casa da minha mãe, na Rua Garibaldi com a Lafaiete. Minha mãe estava falando no telefone, a casa era alta, e ela viu o dono do prédio. Aí minha mãe falou: “Não, o Sérgio vai alugar o prédio do senhor aí e vai montar uma lojinha”. E em 1984, dia 9 de setembro, nós inauguramos a loja lá na Lafaiete, esquina com a Garibaldi. Hoje é na frente, onde era a casa dos meus pais. 

          Eu tenho um amor muito grande pelo centro de Ribeirão, pela Praça XV, porque a gente ia lá paquerar, dava volta na fonte luminosa, e tudo acontecia no centro. A minha juventude foi mais no centro, onde eram os bares: o Lanchorama, o Maracanã... tinha o grande Pereira, que fez o primeiro hamburguer de Ribeirão, que se chamava Roots. Eu não esqueço jamais dele. Eu fico tão triste, porque desde que começou esse negócio da pandemia, eu não fui mais no Centro - eu tenho que me cuidar. Vou até a loja um pouquinho, volto, mas normalmente eu estou mais em casa.

          Mas na abertura do comércio, da Sasá Modas, eu tinha saído da Antártica, e minha esposa já trabalhava. Ela prestou concurso na escola, lá no Sebastião Palma, pra trabalhar na secretaria. E aí eu falei pra minha mãe dar umas blusas pra ela vender. Desse dia em diante, eu nunca mais fiquei duro na minha vida, de falar: “Não tem dinheiro”. Nunca mais. Aí ela continuou vendendo roupa em casa por um ou dois anos; a gente ia a São Paulo buscar, e foi um sucesso. Quando nós inauguramos a loja na Rua Lafaiete, eu falei: “Mãe, a senhora alugou como? Não tem dinheiro”. Aí ela falou: “Tem um relógio aí na parede” – era um Junghas, um carrilhão alemão –; “vende esse relógio e monta sua loja”. Aí fui eu pra São Paulo, ensaquei esse relógio, vendi lá e montei a loja.

          E a loja era um sucesso. Na abertura da loja, eu fiz uma meta de vender 5 milhões por mês. No primeiro dia eu vendi 3 milhões. Foi um sucesso, e até hoje a loja vai bem. O nome Sasá Modas é por causa da minha esposa, que se chama Salete, e todo mundo a chamava de Sasá. Em frente à loja, tinha o Colégio São José, que tinha muitos funcionários, e todos iam lá. Nós já tínhamos um público direcionado, a gente vendia roupa do dia a dia pra mulher que usa pra trabalhar: eram professores, funcionários públicos, funcionários do comércio. Minha mulher, até hoje, visita as repartições públicas pra levar mercadoria lá. Ela vende pra eles e depois vai buscar o dinheiro no dia do pagamento. Isso continua até hoje.

          E o nosso público é a mulher, a gente vende a roupa que a mulher usa pra trabalhar. A gente tem alguma coisa masculina, mas 80% é mulher. Nós entramos na linha de calçados também, porque antes era só roupa. Já vendemos infantil também, mas paramos porque perdemos a principal marca.

          Mesmo velho, eu entrei nas redes sociais. Consegui, eu e minha esposa, graças ao Sebrae. O Sebrae é um órgão muito interessante pra pequena e média empresa. Foi uma moça do Sebrae lá: “Vocês têm que entrar nas redes sociais”. E a loja está aberta e funcionando bem, graças às redes sociais. Sabe, a mulher tem um carisma, ela faz umas lives. Fez as lives, daí dois dias, um dia, as lojas lotam. É fatal, não tem erro. Nunca teve, pelo menos.

          A questão da pandemia foi um momento muito delicado. Eu não tinha noção do que fazer. Eu fiquei uns 15 dias abobado, sem noção, completamente. Eu falava: “O que vai ser?” Aí, 15 de abril ainda não tinha aberto, não virava nada, e eu não sabia o que fazer. Então eu coloquei os funcionários naquele esquema do governo. Estamos estes dias com a loja fechada, por causa da pandemia, mas eu estou quase na hora de tomar a vacina. Comecinho de abril vai chegar a minha vez.

          Os funcionários são antigos. Na verdade, eu tenho três. E todos têm mais de cinco anos de casa. Eu tenho 30 e tantos anos de loja hoje e nunca tive uma ação trabalhista. Nunca. Muitas meninas já trabalharam comigo, e a grande maioria são minhas amigas, minhas clientes até hoje. Quem saiu da loja há 30 anos é cliente até hoje, e eu nunca tive um problema, porque sempre fui correto. Pra mim, a pessoa tem que trabalhar feliz.

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