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História

Saber dar valor àquilo que tem

História de: Maria Fatima Melo de Sousa Silva
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 07/12/2004

Sinopse

Maria Fatima relembra sobre a sua infância. Começou a trabalhar ainda menina para ajudar seus pais com a despesas de casa, a partir daí emendou um trabalho no outro e não parou mais. Relembra como entrou na CTBC, por insistência de seu pai que era porteiro da empresa e tinha muito carinho por ela. Contra a sua vontade começou a trabalhar na Companhia Telefônica. No começo foi bem difícil, pois a empresa era muito rígida, mas com o passar do tempo e com algumas mudanças Maria de Fátima começou a entender a paixão que seu pai sentiu pela empresa, que acabou se tornando, para ela, um lugar de muito aprendizados.

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História completa

P/1 – Boa tarde, Maria Fatima.

 

R – Oi, boa tarde.

 

P/1 – Eu queria que, por favor, para início de conversa, você nos dissesse o seu nome completo, o local e a data do seu nascimento.

 

R – É Maria Fatima Melo de Souza Silva, nasci dia dez de maio de 1958 em São José da Bela Vista.

 

P/1 – O nome do seu pai e de sua mãe, por favor.

 

R – José Rosa de Souza e Idalina Maria de Melo Souza.

 

P/1 – Você conheceu os seus avós?

 

R – Conheci. Paternos eram Conceição e Cornélio. E, maternos, eram Antenor e Arlinda.

 

P/1 – Sabe qual é o nome completo deles?

 

R – Não. Não porque... Do meu avô paterno era Cornélio Rosa de Souza. Da minha avó eu não tenho certeza, era Conceição Aparecida alguma coisa de Souza. Da minha mãe materna era Antenor Rodrigues de Melo e Arlinda de Melo, alguma coisa assim. Faz tempo que eles já morreram e eu me esqueci.

 

P/1- Você tem notícia, Maria Fatima, da origem dos seus avós, se eles eram mesmo da região, se eles foram para lá?

 

R – Não. A minha avó materna eu sei que ela era mineira de Ibiraci, uma cidade perto, ela morava aqui perto. Agora, do meu avô era do estado de São Paulo mesmo, de Batatais, eles nasceram em Batatais.

 

P/1 – E lá em São José da Bela Vista qual era a atividade do seu pai?

 

R – Administrador de fazenda. Ele saiu de lá, veio morar em Franca, eu tinha cinco anos, ele trabalhava na prefeitura na época. Depois disso ele fez alguns serviços extras e ele era funcionário da CTBC também. Inclusive, eu estou na CTBC hoje porque era um sonho dele. Eu trabalhava no consultório da HB, gostava de trabalhar lá na época. E ele trabalhava aqui na CTBC de Franca. E ele insistiu muito para que eu fizesse uma ficha, currículo, para entrar na CTBC. E eu fiz e consegui entrar na CTBC. Eu entrei no dia quatorze de janeiro de 1980 e ele morreu no dia 22 de janeiro de 1980. Então eu senti assim: ele queria muito que eu entrasse na CTBC, passou poucos dias ele faleceu e eu não saí mais. Na época, eu nem gostava muito da CTBC, devido ao regime que tinha e eu trabalhava numa empresa totalmente diferente da CTBC. Não é o que acontece hoje, porque hoje eu sinto a CTBC como se fosse uma família, a minha casa. É bem diferente de quando eu entrei. E lá estou até hoje.

 

P/1 – Essa sua primeira infância, quando o seu pai ainda era administrador de fazenda, você se lembra, tem lembranças desse tempo, de como é que vocês viviam?

 

R – Nós vivíamos perto de São José da Bela Vista, lá na fazenda... Eu não me lembro o nome da fazenda. Ele ficou lá muito tempo porque os meus avós moravam num sítio ali perto. E a minha, mãe casou e eles ficaram administrando essa fazenda. De lá eles foram tomar outra fazenda também e, de lá vieram para Franca. Eu não me recordo do nome das fazendas. Eu sei o nome do dono, o proprietário, mas eu não sei direito te informar.

 

P/1 – E você veio com cinco anos para Franca?

 

R – Foi, foi.

 

P/1 – E como era?

 

R – A minha família era uma família muito simples. A gente era bem simples. Desde pequena eu trabalho. Tanto é que... Desde os doze anos eu trabalhei. Eu fui registrada no (Consultórios HB?). Saí do HB depois de sete anos, vim para a CTBC faz 21 e sempre ajudando muito em casa. Hoje eu já não tenho os meus pais, os dois já faleceram, e tenho mais quatro irmãos além de mim. 

 

P/1 – Como era esse primeiro momento de Franca, com o seu pai recém chegado aqui? Como era o cotidiano da casa? Onde é que vocês foram morar?

 

R – Nós morávamos na época no bairro Vila Raycos, era uma casa de dois cômodos. Meu pai trabalhava na prefeitura, mas era – eu não sei bem o nome da profissão dele – mas ele furava valetas nas ruas e ganhava naquela época – eu me lembro direitinho porque a gente pagava seis cruzeiros de aluguel -, ele recebia doze. Então os seis que sobravam era para manter a família. E nós éramos em quatro na época, uma família muito pobre. Depois, a gente saiu desse aluguel com muito sacrifício. Ele conseguiu fazer uma casa, na qual entramos quando ainda não tinha piso, era só rebocada, com porta... De lá para cá, a gente lutou muito para conseguir ter tudo o que temos. É uma história... Eu não sei se tem a ver…

 

P/1 – Claro que tem a ver.

 

R – Para você ter uma ideia, eu casei até antes de eu casar o meu holerite da CTBC era entregue na mão da minha mãe, porque o meu pai tinha falecido e ela não tinha uma renda e eu precisava ajudar em casa. E se eu fiz faculdade é porque, na época, eu era telefonista e era só meio período. Esse outro meio período que eu tinha, eu trabalhava na fábrica, porque eles me davam essa liberdade para eu fazer isso. Então o salário da CTBC era entregue para a minha mãe e o da fábrica eu pagava a faculdade e fiz o enxoval para eu casar. Para eu pegar o meu salário mesmo foi só depois de casada.

 

P/1 – Nesse primeiro tempo, ainda aqui em Franca, você e os seus irmãos dividiam os serviços de casa, tinham obrigações aqui em casa?

 

R – Além de trabalhar durante o dia e estudar à noite, sábado a minha irmã passava as roupas da semana, eu arrumava a casa, a outra lavava. Então era assim, eu não tinha muita folga quando as vezes precisava estudar, era bem sacrificado mesmo. Sacrificado e gratificante porque hoje a gente sabe dar valor àquilo que a gente sofreu para ter. É uma coisa gratificante. Hoje sou casada, tenho dois filhos – a Priscila e o Artur – que eu amo. Eles são uma gracinha. Com o meu marido, a gente vive uma vida tranquila, boa, Graças a Deus. Perdi o meu irmão de acidente, ele morreu com 23 anos. Depois de um ano a minha mãe teve câncer e, mais um ano, ela foi embora. Isso mexeu muito com a nossa estrutura familiar porque acidente é uma coisa que a gente não espera. A pessoa foi andando para a Santa Casa e depois entrou em coma e não voltou mais. Então abalou muito. Eu acho que ela, devido a isso, teve a doença que foi o câncer e logo depois morreu. E hoje eu tenho mais duas irmãs e um irmão. Tenho a Ângela e a Conceição e o José Antônio, que é bombeiro. A Ângela, minha irmã, trabalhou comigo na CTBC também. Ela trabalhava no centro de operações que centralizou em Uberlândia. E ela não tinha como ir para lá. Ela também montou uma loja para ela e saiu. Ela trabalhou na CTBC uns quinze anos. E eu fiquei.

 

P/1 – Voltando um pouquinho atrás, eu queria que você me dissesse como é que foi a sua escola, a sua primeira escola. Você começou a estudar aqui em Franca, não? Em que escola você foi estudar?

 

R – Eu estudei numa escola do estado, Barão da Franca, lá na estação. Depois eu parei de estudar algum tempo para ajudar em casa, os irmãos também. Numa época, a minha mãe esteve muito doente, eu tive que ajudar. Depois eu voltei estudar à noite e trabalhar durante o dia no (alto padrão?), fiz o ginásio e o colégio. Depois do colégio, eu fui para faculdade, prestei vestibular na Escola  Municipal e fiz a Faculdade de Ciências Econômicas.

 

P/1 – E nessa primeira escola teve alguma professora que tivesse marcado?

 

R – Tem, tem sim a dona Lola. A dona Lola foi diretora da escola até há pouco tempo atrás. Ela foi minha professora do primeiro ano, do segundo ano. Na época ela era muito brava, a gente não tinha como esquecer, não é? Se faltava, no outro dia a gente estava de castigo. Então eu morria de medo, eu era muito preocupada com isso. E eu não esqueço dela, a dona Lola da escola Barão da Franca, quase Franca inteira conhece ela. Hoje ela é aposentada, ela não está mais exercendo a função dela na escola.

 

P/1 – Nesse primeiro tempo, com a família em dificuldades, essas obrigações todas, a  escola, tinha algum tempo de lazer? Vocês brincavam?

 

R – Eu brincava na rua. Na época eu era muito moleque, tinha aquelas brincadeiras de beisebol, era rua assim, eu brincava com os meninos, era matança. Eu nunca tive um clube para participar, essas coisas não. A gente sempre foi muito simples mesmo e a gente não tinha esse tipo de... Eu ia muito para o sítio da minha avó, eu gostava muito. Inclusive, esse sítio que era da minha avó, hoje é meu porque ficou como herança para a minha mãe. E como a minha mãe faleceu e os meus irmãos não quiseram, nós compramos a parte deles e, hoje ele está lá. É como se fosse uma relíquia. Lá  eu passava muito a minha infância e gostava muito do sítio. Lá tem um rio, tenho uns cavalos. Eu gosto muito dessas coisas, eu gosto muito da natureza. E até hoje gosto. Mas é meio brincadeira, eu não era muito assim não. Eu era mais coisa de moleque da época.

 

P/1 – Do tipo brincadeira de rua mesmo?

 

R – De rua mesmo (risos).

 

P/1 – E aí, nesse processo todo, até quando você conseguiu o seu primeiro emprego, o que levou você a buscar esse trabalho fora de casa?

 

R – A necessidade que os meus pais tinham. Eu acho que eles optaram para... Porque antes não era um regime de agora, porque hoje uma empresa não pega uma criança de menor. Na época, eu era de menor, eu tinha doze anos. Eu entrei na fábrica passando cola de sapato.

 

P/1 – Na HB?

 

R – Na HB. E eu tenho um grande carinho por eles, porque eles tinham comigo também. E saí de lá num dia e no outro comecei na CTBC. Então, eu fico assim... As pessoas falam: “Puxa vida, o seu pai, a sua mãe não deviam ter te colocado cedo no trabalho”. Mas, não, eu agradeço a eles por terem feito isso. Eu não tenho arrependimento nenhum. Eu estudei, e se eu quisesse continuar estudando, eu estaria aí estudando. Mas hoje a gente tem várias outras atividades para fazer e ___________. Mas sou feliz.

 

P/1 – Como era esse trabalho na HB? Era só colar sapatos?

 

R – Não, não. Eu entrei lá passando cola para dobrar. Depois eu comecei fazendo outras atividades dentro da empresa, que era dobrar, chanfrar, coisas de produção para fazer um sapato.

 

P/1 – O que é chanfrar?

 

R – Chanfrar é um processo da produção de sapatos. Você está vendo a beiradinha do meu sapato? Ela é dobradinha para dentro. Para fazer isso aqui,  a gente tem que chanfrar, passar a cola e depois dobrar com o martelinho. Aí depois disso eu trabalhei lá na HB mesmo fazendo amostras nos sapatos, na produção mesmo. E depois de algum tempo, passei para o escritório, na área de exportação. Saí da HB, deixei uma outra irmã no meu lugar, vim para a CTBC.

 

P/1 – Como é que se deu essa transição, porque a CTBC te chamou?

 

R – Não me chamou, Luís. Acontece que o meu pai trabalhava na CTBC como porteiro e ele tinha um carinho muito grande pela CTBC, ele gostava muito. E ele insistia que eu fosse fazer um currículo na CTBC. Na época, havia uns testes para serem feitos e ele queria muito que eu fosse para lá. E eu fiquei um bom tempo lutando com ele, porque eu fui caminho exemplar de não brigar, sempre obedeci aos pais e fazia o que eles achavam o que era melhor para mim. Então ele quis mesmo que eu fosse para a CTBC. Para você ter uma ideia, eu fiz esse teste com muito pouco caso na época. Eu me lembro. Eu falei: “Não é para eu passar mesmo, não estou com vontade de ir para a CTBC” E eu estava de férias da HB, estava no Guarujá, eu me lembro direitinho. Liguei para avisar em casa que estava tudo bem, que eu tinha chegado bem, o meu pai falou todo feliz: “Olha, saiu um serviço para você na CTBC”. Eu fiquei super chateada, eu estava de férias. Pois bem, pai, eu vou ficar aqui uns dois dias – porque eu tinha reserva para dez dias. E fui, então, de volta para Franca, para poder começar na CTBC. E voltei aqui para Franca, comecei a trabalhar na CTBC. Na época – com sinceridade -, eu não gostei muito. Era um regime pirâmide. Sabe aquele regime pirâmide? Tinha mais chefe do que funcionário. Eu não podia fazer nada. Eu era telefonista na época e a gente não podia conversar, sair do lugar. Era uma coisa bem.... Era chefe atrás de mim, eu tinha monitora do meu lado, tinha o coordenador. Era muita gente. Então a gente ficava muito deprimida no trabalho. E nesse tempo eu acho que trabalhei de telefonista uns seis anos.

 

P/1 – Você entrou sem treinamento?

 

R – Não, na época não tinha treinamento. Era assim, eu não sei se você conhece um painel de telefonista que era cheio de… Porque na época não havia quase ligação direta, era tudo manual. Eu fiquei junto com eles uns três dias ouvindo, junto com as telefonistas, e depois eu comecei. Mas o que eu não gostava era do jeito das pessoas tratarem a gente, era como se fossemos escravos mesmo. Então eu fiquei meio contrariada pelo meu pai, já que ele queria muito. E logo depois o meu pai faleceu, mas ele faleceu muito feliz de eu estar na CTBC. Então, eu falei assim: “Puxa vida, acho que ele só esperou eu entrar na CTBC e morreu, porque ele morreu assim de repente”. E fiquei insistindo um pouco mais. Aí depois eu comecei a ter aquele carinho pela CTBC. Mas era bem complicado na época porque, se você sentasse na cadeira que não era sua, você era penalizado por aquilo. Então eu me sentia muito deprimida nas coisas que eu fazia dentro da empresa.

 

P/1 – Como era o trabalho, como era o processo de trabalho dentro da empresa?

 

R – Eram seis horas assim: ou eu entrava às seis e saia ao meio-dia, ou do meio-dia às seis, ou das seis à meia-noite, ou plantão da meia-noite às seis da manhã. Às seis revezava. Era uma turma. Então eles iam revezando. E nesse período, no começo, até me adaptar eu não gostei. Depois eu comecei a me adaptar mais, a fazer o jogo deles e continuei numa boa. Mas também, depois, a empresa passou por várias mudanças. Teve aí a empresa rede que mudou totalmente. Ai sim que a gente começou a sentir que era mais dono da empresa, que a empresa era como se fosse da gente, que tudo aquilo que a gente fazia era para retorno da gente mesmo. Mudou totalmente a visão deles. Aí a gratificação da gente é bem maior. Essa mudança foi uma coisa que marcou muito. Hoje, eu trabalho na CTBC e não a vejo diferente, é como se ela fosse minha. Eu trabalho como se ela fosse minha. Às vezes, eu tomo decisões como se eu fosse o dono da empresa. Quer dizer, isso aí é gratificante, não é?

 

P/1 – Nesse primeiro momento, voltando um pouco mais atrás, como era o trabalho propriamente dito? Sempre fazia interurbano?

 

R – Interurbano, ligações para __________, Ribeirão... Muitas localidades que não eram DDD, que eram ligações que passavam por nós, para que as pessoas falassem. Se as pessoas quisessem falar de Uberlândia, de Ribeirão, tinham que passar por nós. De São Paulo já era direto.

 

P/1 – E como é que era essa operação? Eu pedia uma ligação...

 

R – Eu deletava o seu nome, o nome do telefone que o você queria falar lá. A partir desse momento que eu colocava você para falar com a outra pessoa, a gente marcava um reloginho que havia ao lado e deixava você falando. A hora que você terminava de falar, acendiam duas luzinhas para nós. Aí eu tirava as pegas e marcava no reloginho os minutos que você falou com a pessoa. Era mais ou menos esse o processo, faz muito tempo isso.

 

P/1 – E eram ligações que se completavam rapidamente?

 

R – Não, tinha localidade que demorava, tinha localidade que era rápida, tinha outras que não. Eu me lembro que Guaxupé, o pessoal queria falar com uma cidadezinha próxima e dependiam de uma outra cidade para essa outra falar ligar nessa outra. Então vamos dizer que haviam ligações de meia hora, duas horas, depende. Eles pediam prazo para a gente falar: “Daqui a uma meia hora eu te chamo”. Aí eu dava retorno para o cliente e falava: “Olha, daqui a meia hora a ligação do senhor estará o.k.” Até elas me darem sinal e eu chamar a pessoa de Franca para poder falar. Tinha demora sim.

 

P/1 -  E como fazia quando você tinha duas ou três ligações em suspenso, mais um chamando, mais outro querendo...

 

R – Mas era um processo assim: Nós éramos de uma turma, acendia uma luzinha lá, eu sabia que a luzinha que estava chamando podia ser informações, interurbano ou a localidade que estava me chamando para fazer alguma ligação para ela. Conforme a gente ia desocupando, a _________ ia atendendo. Eram umas pegas que haviam – acho que era mesmo esse o nome -, essas pegas estavam lá, na posição da mesa. A gente colocava tudo certinho assim: era um bilhetinho para cada cliente ali. Ai conforme ia terminando, a gente ia tirando as pegas e ia guardando os bilhetinhos. Aí tinha uma outra pessoa que fazia a contagem dos bilhetes.

 

P/1 – E essas anotações eram manuais?

 

R – Tudo manual. E aí da gente se sumisse algum bilhetinho desses. Eu me lembro que levei uma advertência uma vez porque eu estava de plantão e estava sozinha chamando muito e eu deixei o bilhetinho cair debaixo da posição e esqueci de pegar. No outro dia de manhãzinha a monitora chegou e pegou esse bilhetinho e me deu uma advertência porque era falta de responsabilidade minha ter deixado esse bilhete cair. Eu nunca tinha levado uma advertência, eu até chorei. Chorei, chorei, e falei: “Eu não trabalho mais nessa empresa, não tem cabimento.” (risos) Liguei para o seu Luiz, que é o nosso coordenador hoje e falei: “Olha seu Luiz, aconteceu isso, isso.” E ele falou: “É, mas isso é uma falta de responsabilidade mesmo.” Ele ainda confirmou. Eu falei: “Puxa vida!”(risos) Mereço.

 

P/1 – Ô Fatima, você disse que aí foi passando o tempo e que você começou a construir um carinho pela empresa. Como isso se deu, como foi esse processo?

 

R – Eu acho que foi depois da mudança para a empresa rede. E também não é só por causa da mudança para a empresa rede. As pessoas que trabalham dentro dela também importam muito porque o nosso ambiente é muito gostoso, ele é muito sadio. É como se fosse uma família mesmo. Então a gente se une muito. O relacionamento que a gente tem um com o outro é muito sadio. Eu sinto isso. E eu não sei como é fora da CTBC, __________. Mas eu acredito que seja na CTBC como um todo. Aqui a gente tem um carinho muito especial pela turma. O maior tempo da nossa vida a gente passa dentro da CTBC. Então a gente não tem aquele clima de um superior que o outro. É bem aberto, a gente está sempre sabendo dos resultados, eles deixam em aberto para que façamos as perguntas que a gente queira. Então eu acho que é bem tranquilo e natural. É uma coisa que passa para a gente. Essa coisa de...

 

P/1 – Você está mencionando essa ideia de empresa-rede como um divisor de águas, como uma referência. Mas ao mesmo tempo, foi um momento de reestruturação da empresa que foi uma coisa que feriu susceptibilidades e tudo mais?

 

R – Para mim, não me feriu em nada porque eu acho que estava mudando para melhor. As pessoas que não conseguiram se adaptar a isso, hoje não estão mais na empresa. Essas pessoas que estavam na época são pessoas que não serviriam para estar trabalhando na empresa. Então nessa mudança radical que houve, as pessoas que não se adaptaram tiveram que sair. São pessoas que não se adequaram ao que a empresa queria na época. Algumas pessoas sofreram, mas elas tinham que ter acompanhado a evolução da empresa. Se eu tivesse sido mandada embora na época, tudo bem. Se eu não tivesse aceitado as mudanças, eu acho que eu saberia entender, porque a gente tem que evoluir. A gente tem que acompanhar, se não a gente fica para trás, não tem jeito.

 

P/1 – Nesse seu período da CTBC, você chegou a ter algum contato com o seu Alexandrino Garcia? 

 

R – As vezes que ele... Não, não... O seu Alexandrino, contato direto não. O seu Luiz Garcia que sim, o doutor Luiz. Eu tenho contato com o doutor Luiz quando ele vem a Franca, ou quando eu vou para Uberlândia e, às vezes ele está por lá. É uma pessoa simples, que nem parece que é dono da CTBC. Uma pessoa que cumprimenta todo mundo, ele tem um carinho muito grande. Parece que... É como se ele fosse o pai da gente. Longe, mas ele está lá. Ele parece que luta muito pelos funcionários dele. Acho que ele gosta disso, a gente sente isso.

 

P/1 – E o pai dele, o seu Alexandrino? E se alguém te perguntasse: “O que você tem a me dizer sobre o seu Alexandrino Garcia? O que você teria a dizer, embora você não o tenha conhecido?

 

R – É, eu não conheci ele, não. Eu sei que ele tinha uma meta para trabalho até cinquenta, sessenta anos. Eu não me lembro, porque depois ele iria estabilizar, mas que depois ele viu que não podia parar, que ele tinha que continuar, que era aquilo que estava no sangue. Ele quis fazer acontecer e foi crescendo. Uma vez eu vi um vídeo que ele conta uma história como se quisesse parar num determinado período. Ele falou que estava bom para ele, mas quando ele chegou naquele período, ele não conseguiu. Ele tinha que continuar na empresa, porque tinha muita gente que dependia dele, e ele queria continuar e foi.

 

P/1 – Nesse teu período de telefonia, como é que as telefonistas eram consideradas pelo público? Tinham uma boa imagem? Como era isso?

 

R – Não. Como é que eu digo isso? Eu ouvia muitos comentários que as mulheres da CTBC não casavam, que eram beatas. Não eram bem faladas pela sociedade. Era meio conturbada a situação delas.

 

P/1 – Por quê? Pelo fato de elas trabalharem à noite, ou puro preconceito?

 

R – Acho que era preconceito mesmo. Na mesma época eles tinham preconceito com enfermeira, de que eram mulheres da vida, essas coisas. Hoje não tem nada a ver, muito pelo contrário. Mas isso daí também foi passando, Luís, as pessoas vão se moldando, vão passando. Hoje elas têm um bom conceito. Aqui em Franca também tem telefonista, mas a centralização foi em Uberlândia. Mas a visão que o pessoal tem hoje da telefonista é normal.

 

P/1 – Nesse seu período você chegou a ter algum tipo de problema?

 

R – Não, nenhum. Graças a Deus, isso não. Ninguém nunca falou nada comigo, não me lembro de coisas assim acontecidas. E na época eu gostava de trabalhar de telefonista, porque vencia o meu prazo e estava havendo muitas chamadas, eu ficava lá mais um pouco, porque eu era solteira e gostava. Eu ficava mais um pouco para ajudar. E era gostoso fazer isso porque é um tempo que passa rápido e você não percebe, fala com muita gente, faz até amizades com telefonistas de outros locais. Eu não sei o porque da imagem que fazem das telefonistas distorcida na época, eu nem me lembro. Mas que falavam, falavam sim.

 

P/1 – O que não chegou a te afetar?

 

R – Não, não me afetou em nada, eu era ainda muito menina, tinha dezenove anos.

 

P/1 – Como o seu trabalho foi acompanhando o desenvolvimento da tecnologia? Quer dizer, as mesas de telefonistas tornaram-se obsoletas, como é que você foi acompanhando esse processo?

 

R – Eu saí de telefonista e fui para a área de arrecadação, tesouraria. Então quando eu saí da parte de telefonista, elas estavam todas lá, no prédio do centro, no terceiro andar, se não me engano, e eu fui lá para o térreo. Depois disso, quando saíram as telefonistas foi aquele auê, o pessoal ficou preocupado, mas muita gente ficou e se adequou lá na empresa mesmo. E a mesma coisa foi quando foi para centralizar o centro de operação. É muito conturbado, mas daqui a pouco, nós também teremos que dar um jeito de terceirizar. A gente não sabe como vai ser. Para mim, é um processo normal de acontecer. Depois da tesouraria...

 

P/1 – Como foi essa sua transição para a tesouraria?

 

R – Foi assim:... Eu te contei que, quando eu estudava, eu trabalhava meio período de telefonista e meio período na fábrica. Aí chegou o dia do meu casamento. Aí surgiu uma vaga na tesouraria, eu pedi para mudar. Ai eu fiz novamente outro teste, outro teste de datilografia e passei. Quando eu casei, eu precisava ter um tempo para a minha casa, para o meu marido. E eu estudava, fazia faculdade na época. Então, eu falei: “Agora chega. O salário da CTBC passa a ser meu e eu não preciso ter dois trabalhos, porque era muito sacrificante para mim. E aí aconteceu, eu passei para a tesouraria e deixei a fábrica. Na tesouraria, eu fui trabalhar na parte de arrecadação, na parte de financeiro, onde eu estou até hoje, porque eu gosto. É uma parte que eu gosto de trabalhar.

 

P/1 – Era uma vida meio corrida?

 

R – Era muito corrida. Tanto é que eles falavam que eu era muito magrinha porque não dava tempo de comer (risos). Então eu estou até hoje.

 

P/1 – E você tinha alguma oportunidade de lazer, de ter um tempo?

 

R – Hoje eu falo para você que sim. Na minha vida de solteira era muito difícil. A não ser quando eu tirava férias. Quando eu tirava férias, eu gostava muito de praia, então eu ia muito para a praia. Era o meu passeio, disso aí eu não abria mão. Tirando disso, eu não tinha lazer porque eu trabalhava muito e estuda. Não tinha como participar das... Também nem tinha lugar para ir na época.

 

P/1 – E essa vontade, essa vocação pela economia nasceu como?

 

R – Nasceu... Interessante, quando eu fui para a CTBC, que comecei a trabalhar lá com esses bilhetes e tal, mexer com mais números, e eu gostava muito de matemática. Eu falei: “Eu tenho que fazer alguma coisa, o que fazer?” Aí, eu prestei vestibular para Economia e  Ciências Contábeis e Administração. Quando eu passei, eu poderia escolher uma das três. E na época estava no auge da Economia. Aí eu peguei a Economia para fazer. Era cinco anos de Economia, eu gostei. Depois eu estava na tesouraria e fui me envolvendo. Eu tinha afinidade para essas coisas. Então é por isso que eu fiz a Economia.

 

P/1 – Isso em que época que era?

 

R – Foi em 1989.

 

P/1 – Você estava vivendo um momento macroeconômico extremamente complicado?

 

R – (risos) Era gostoso, porque você estava trabalhando numa coisa que tinha a ver e...

 

P/1 – Mas isso te exigia naquele momento praticamente um plantão contínuo, porque as coisas mudavam toda hora, a inflação era galopante.

 

R – Mas  eu era mais nova, eu gostava daquilo que eu estava fazendo. E o meu forte sempre foi a Matemática, mexer com números. História eu sou péssima.

 

P/1 – Houve alguém na CTBC, alguma pessoa que fosse aquela pessoa que te orientou, que para você seria uma espécie de...

 

R – Não, não, não. Quando eu era telefonista, pelo contrário, as meninas eram muito fechadas em relação a isso. A monitora, se a gente falasse que ia estudar, já ficava com a cara feia porque eu tinha que ter o meu período noturno e não podia revezar com as outras. Ela nem gostou muito na época porque eu não podia ficar trabalhando a noite. Quem estudava não podia, aí eu nunca tive incentivo de nada não.

 

P/1 – E já nessa fase, digamos, de operação mais técnica de contabilidade, finanças etc. Teve alguma pessoa que fosse uma espécie de orientador para você? 

 

R – Não, Luiz, eu não tive. Mesmo os meus pais não tinham aquela formação de querer que os filhos estivessem sempre estudando. Eles nos deixavam muito a vontade. Então se eu quis fazer alguma coisa, foi com muito sacrifício porque eu tinha que manter aquele estudo. Eu não podia sair de Franca, eu tinha que pagar os meus estudos. Então é por isso que a minha vida foi muito sacrificada, porque a minha família era muito simples, era pobre mesmo. Eu passei por isso tudo ai, deveria ter feito muito mais coisas, mas está bom. Eu acho que valeu a experiência de vida que eu tive. Agora, o que eu não fiz, eu vou ver se os meus filhos fazem, porque eu quero que eles estudem.

 

P/1 – Aí essa transição da posição de telefonista para a área financeira, como é que isso foi evoluindo, porque também a própria gestão financeira foi evoluindo a partir tanto de um ambiente de inflação galopante como da própria reestruturação da empresa, não é? Como você foi acompanhando isso?

 

R – O nosso financeiro é Uberlândia, as regionais só operam aquilo que elas fazem. Conforme eles vão evoluindo, eles vão passando para a gente. Então a gente tem que acompanhar o que vai acontecendo dentro da empresa. Por ser centralizado lá, o financeiro forte mesmo é lá em Uberlândia. Aqui é mais para contabilizar, para... É um processo mais operador, não é aquela coisa de um financeiro administrativo que tem, como aquele lá em Uberlândia, por que ele é centralizado lá.

 

P/1 – Isso implica um relacionamento forte com os seus colegas lá de Uberlândia?

 

R – Implica. Eu tenho muito contato com eles, direto.

 

P/1 – E quais são as grandes dificuldades que você teve nesse processo todo? Ou não teve?

 

R – Não, depois que eu estou lá, depois que a empresa deixou de ter essa hierarquia grande, eu não tive mais problema nenhum, eu me sinto em casa, bem a vontade mesmo. Eu acho que agora a gente é livre, a gente fala, a gente resolve. A gente tem uma certa autonomia, a gente sabe aonde a gente pode ir, aonde que não. Então é bem à vontade mesmo. A empresa deixa isso com a gente. 

 

P/1 – Quer dizer, a implantação desse conceito de empresa rede acabou gerando uma mudança de cultura interna, é isso que eu estou entendendo?

 

R – Isso, isso. Muito grande. Para você ter uma ideia, de primeiro para a gente ir ao banheiro tinha que ficar pedindo. Agora, hoje não. Se eu precisar sair, como eu saí agora, eu não pico o cartão mais, a gente não podia chegar atrasada dois minutos porque era um problema. Hoje a gente faz o nosso próprio horário. Trabalha muito mais, mas a gente faz o nosso próprio horário. É por isso que a gente se sente mais dona da empresa. Isso ai faz a gente crescer.

 

P/1 – E o seu trabalho hoje, como é o seu trabalho hoje?

 

R – Hoje, a parte administrativa e financeira foi centralizada em Uberlândia. A gente ficou só com o apoio na regional. Está havendo uma outra reestruturação que a gente não sabe ainda como vai ser. Mas eu estou dando apoio no que ficou, que é lançamentos contábeis, a parte de cobrança, arrecadação do que entra, os depósitos, os cheques devolvidos, essa parte burocrática que ficou do financeiro, que restou das regionais, ficou para eu ficar administrando. E vai ter uma outra mudança logo logo, porque agora tem uma coordenação em Uberlândia na área de cobrança, que deve ter mais mudanças por aí. Eu estou esperando para ver, pra gente estar acompanhando também. Eu não sei bem como vai ser, Luís. Eu sei que vai ter algumas mudanças que a gente está aí para acompanhar.

 

P/1 – Como é que, tendo passado por tanta experiência aqui, você vê – sem te pedir nenhum exercício de futurologia -, como é que você está enxergando o horizonte próximo aí pela frente? Como vai ser o futuro dessa empresa nesse quadro de competição, de concorrência?

 

R – A empresa tem que evoluir, porque se ela não evoluir, ela morre. E a gente está se adequando a isso. Conforme tem aí as outras concorrentes, a gente está procurando melhorar. É uma coisa positiva porque a gente está sempre buscando melhor qualidade, melhor conhecimento, procurando melhorar mais a nossa estrutura de telefonia. Eu acho que enquanto tiver espaço para a gente crescer, nós temos é que crescer. Eu não sei até quando, mas a gente vai crescer até aonde tiver.

 

P/1 – Como é que você avalia agora, hoje a imagem que o público, a comunidade tem da CTBC aqui em Franca, ___________ que você conhece?

 

R – Aqui em Franca a CTBC é bem conceituada pela população, a empresa tem um conceito muito bom. Eu acho que a população, mesmo com a concorrente aí, dá preferência a nós. Eu sinto que isso aí é muito forte em Franca. E também em relação a nossa regional de Franca ela é conceituada. Eu não sei bem como é Uberlândia, Uberaba, nas localidades maiores eu não sei como ela é vista. Aqui em Franca eu te garanto que ela é bem conceituada em relação à nossa população.

 

P/1 – E a tua sensação pessoal também sendo representante dessa imagem, como é pessoalmente isso para você?

 

R – É de um grande orgulho estar trabalhando numa empresa onde a população que recebo diz ser uma das melhores de Franca. Isso para mim é muito gratificante, eu me sinto orgulhosa de estar nela. E não me vejo fora dela. Se eu saísse da empresa hoje, eu não sei se conseguiria trabalhar numa outra empresa do mesmo jeito que eu trabalho na CTBC, porque é muito grande o que a gente sente pela empresa.

 

P/1 – Você tem sonhos na sua vida, acalenta sonhos na vida, tem algum sonho que ainda quer realizar?

 

R – Na CTBC?

 

P/1 – Na tua vida pessoal, na CTBC.

 

R – Hoje eu estou muito feliz com a vida que eu tenho. Eu já agradeço muito a Deus. Eu nem acredito ter o que eu tenho hoje. Eu pensei que isso nunca fosse chegar. Eu já sou realizada naquilo que eu tenho. Eu tenho a minha casa, a gente tem o nosso sítio, tenho dois carros, tenho os meus dois filhos, tenho o meu marido, a minha família, que é muito importante para mim. Se eu morrer, eu acho que já estou feliz, eu estou muito feliz com isso. Agora, se eu tenho algum sonho daqui para frente o sonho da gente não acaba nunca. A gente sempre está sonhando. Se a gente não sonhar, não tem o porque a gente estar aqui. A gente sonha assim: em dar os estudos que eu quero dar para os meus filhos, pagar o ginásio, que eu acho que é a base do aprendizado da criança. Eu nunca tive uma escola paga. Eu estou pagando porque eu trabalho. Depois deles estarem encaminhados, eu acho que... Eu rezo muito para Deus iluminar e dar muita saúde para eles, porque me preocupa muito. Material, eu não sei se... Eu gostaria de um dia ter uma caminhonete (risos), porque eu gosto muito e é uma coisa que está na família, essas coisas de sítio, eu gosto muito. Se não, está bom demais esses carrinhos que eu tenho. Eu já estou feliz demais da conta.

 

P/1 – E na CTBC?

 

R – Na CTBC eu espero estar lá por muito tempo, eu tenho muito que aprender lá dentro, ainda tenho muito que evoluir lá dentro mesmo. Seu Luís Márcio aqui em Franca é um grande pai para mim. Eu não me vejo ainda na hora de deixar a CTBC. Eu acho que eu tenho muito o que fazer lá dentro ainda, sonho em crescer lá dentro. Eu já estou muito feliz naquilo que estou fazendo, porque para eu crescer fora da CTBC, para ir para Uberlândia, fora de Franca, dificulta um pouco para mim, porque já tenho a minha vida aqui em Franca e não tem outro jeito. Mas eu já estou muito feliz de estar lá dentro da CTBC.

 

P/1 – O que você poderia dizer para uma pessoa que amanhã fosse começar a trabalhar na CTBC? O que você diria para ela?

 

R – Eu sempre desejo boa sorte para ela, que ela... Geralmente, quando passam os meninos eu dou a maior força para eles: “Pessoal, vocês têm muito que aprender, lutem por isso.” Eles são pessoas novas, são gente nova na casa, têm muito que aprender mesmo e vêm com muita sede. Então eu desejo muita sorte para eles, que eles consigam fazer a CTBC crescer mais. Às vezes, a gente não conseguiu fazer melhor até agora, mas que eles consigam.

 

P/1 – E o que eles vão encontrar aqui?

 

R – Calor humano, um ambiente de trabalho muito bom, a liberdade de estar aprendendo. Se você quer, você aprende. O interesse que as pessoas demonstram de estar ensinando. Isso, aqui na CTBC é muito forte. Ninguém quer ser melhor que o outro. Um quer passar para o outro o que sabe. Então isso é muito bom, é um ponto muito positivo para eles. Não foi o que aconteceu comigo na minha época. Na minha época não se podia nem estudar. Mas valeu, não é?

 

P/1 – Ô Fátima, tem alguma coisa que você gostaria de ter dito e que a gente não provocou você a dizer?

 

R – Não, eu acho que não. Eu fiquei muito à vontade em falar bem aberto sobre a minha vida particular, da CTBC. Eu estou feliz com as suas perguntas, eu acho que é isso aí.

 

P/1 – O que você sentiu, como você se sentiu dando esse depoimento para nós?

 

R – Muito à vontade, sem escolher o que falar, bem aberto... Me senti até importante de estar aqui com vocês e fazer parte do Museu da Pessoa. Eu acho que é muito importante isso aí para a empresa. A empresa tem que ter mesmo as histórias para contar para nós.

 

P/1 – Que você é importante você pode ter toda certeza de que é mesmo.

 

R – Que bom! (risos)

 

P/1 – Está bom, Fatima, muito obrigado mesmo. Ótimo!

 

R – Obrigado vocês.

 

P/1 – Obrigado você por toda essa prontidão que você nos atendeu aqui.

 

R – Gente do céu, eu não sabia que você ia perguntar tanto da minha casa, da minha família!

 

P/1 – Você sabe que isso tem um sentido também, porque a história das pessoas é uma história única, quer dizer, uma história única só sua. Isso também tem um sentido...

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