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Rua!

História de: Roberto Eduardo Lefèvre
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 26/12/2012

Sinopse

Lembranças da infância no bairro do Pacaembu e do “Morrinho do Pão Duro”. Descrição do período de faculdade e da segunda turma do curso de Administração de Empresas na Fundação Getúlio Vargas. O ingresso no Grupo Walita. A decisão de trabalhar com o pai, no escritório de corretagem de algodão da família. Detalhes da sua atuação no ramo da corretagem de algodão, do desenvolvimento da produção de algodão no Brasil, das inovações tecnológicas e do processo de internacionalização do escritório. As perspectivas em relação ao futuro da corretagem de algodão e em relação ao futuro de sua profissão.

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História completa

“Depois de rodar o mundo, eu vim trabalhar com meu pai no escritório de corretagem, e aí aconteceu um fato interessante. O João, meu filho, veio trabalhar lá também com a gente e ele fazia mercado de futuros. Na época, na Bolsa, tinha soja, café, algodão, óbvio, e boi, e o João era fiador, quer dizer, ele ficava no pit da bolsa apregoando. Eu recebia ou o pessoal do escritório recebia as ordens e passava pra ele executar lá embaixo. Aí um dia ele me liga: ‘Papai, o mercado de café vai explodir. É por isso, por isso e por isso. Vamos comprar? Vamos comprar uns contratinhos pra nós?’ E eu disse: ‘Mas o seu avô não quer, o seu avô vai criar problema.’ Não, pai, mas olha, é bater em morto, nós temos que comprar.’ Ele tanto insistiu que, para o estimular, para deixá-lo brincar, eu falei: ‘Então compra. Compra dois contratos aí e vamos ver o que acontece.’ Comprou e começamos a ganhar dinheiro. Um dia ele entra no escritório assim: ‘Pai, olha, estamos ganhando tanto que não sei o quê. É uma beleza. Que boa compra que nós fizemos!’ E o meu pai ali só prestando atenção, né? A coisa foi indo, foi indo até que ele não aguentou e entrou na conversa: ‘Que negócio é esse que vocês estão falando aí?’ Não é nada, não, pai, é que o João quis brincar um pouco e comprou dois contratos de café lá embaixo para a gente especular.’ Ele fechou a cara na hora: ‘Vocês são corretores ou vocês são especuladores?’ Eu falei: ‘Nós? Nós somos corretores. Que negócio é esse?’ Meu pai, então, veio com a bomba: ‘Então desfaça dessa posição já! Senão vocês dois estão na rua.’ Nós dois na rua, você imagina: o filho e o neto dele. ‘Mas, pai, está dando certo. Olha a geada. Teve uma baita geada, o café vai subir.’ Não, de jeito nenhum. Você não pode ter uma posição porque, se amanhã o mercado inverter, qual o contrato que você vai vender primeiro? O seu ou o do cliente? Então você não pode ter essa dúvida. Vocês são corretores e aqui tem que ser o cliente em primeiro lugar. Se não for assim, você muda de barco. Você quer ser especulador, você pode ser especulador.’ Aí eu falei: ‘João, liquida a posição.’ ‘Mas, pai, está subindo, olha o limite de alta pai.’ E eu ainda falei: ‘Tá bom, aguenta até amanhã e vamos ver o que acontece.’ No dia seguinte o meu pai entra no escritório e antes de dar bom dia ele pergunta: ‘Vocês já liquidaram a posição?’ Eu disse: ‘Não, ainda não.’ O velho subiu a serra lá, e aí não deu mais e eu falei: ‘João, liquida essa posição correndo, porque não adianta falar com o velho, ele não aguenta mais essa história.’ Ele continuava com aquela ideia fixa de pôr a gente na rua. A linha era dura viu? E no fim liquidamos a posição. O mercado ainda subiu barbaridade e nós teríamos tido um belo ganho, mas ética é ética. Foi uma das lições que meu pai deixou.”

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