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Rose Bassan : todas as cores do mundo

História de: Rosemeire de Oliveira Bassan
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 04/08/2021

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  Meu nome é Rosemeire de Oliveira Bassan, nascida em 22 de dezembro de 1966, em Rio Preto. Meus pais são Antonio de Oliveira e Aparecida Inês da Silva Oliveira. Dos avós, eu sei que a minha avó por parte de mãe vem de Araraquara, e meu avô era índio - o pai do meu avô era índio, índio mesmo. Meu avô era ferroviário, e minha avó sempre trabalhou só em casa. Meu outro avô foi taxista.

  Meu pai tinha uma marcenaria, e depois ele montou uma loja de materiais elétricos. Então, eu fui criada sempre no meio do comércio, desde pequena, mexendo com calculadora, em máquina de escrever.

  Na escola, mesmo, nada apontava para que eu me envolvesse com o comércio ou com o artesanato. Mas eu ficava lá na loja do meu pai, e a minha mãe comprava umas garrafas de Coca-cola que vinham com uns desenhos da Disney na tampinha. E eu bebia a coquinha e depois reproduzia o desenho que estava ali no papel, só de olhar. Já com uns 14 anos, minha mãe me colocou num curso de inglês e outro de desenho, de pintura. A moça que me ensinou está viva até hoje, a Paula Gonçalves, e o que eu aprendi com ela em dois anos é o que eu uso até hoje, tanto no artesanato, quanto na pintura - eu nunca mais fiz nenhum curso.

  Mais tarde, o meu avô fechou o mercadinho que ele tinha lá no bairro e me ofereceu o espaço. Eu comecei a trabalhar de artesã ali naquele espaço, comecei pintar, fazia guardanapo, fazia camiseta, isso já na minha adolescência, mesmo antes de montar a lojinha ou atelier. Eu pintava camiseta para os amigos, de capa de disco, do Cristo, e fazia isso para ganhar um dinheiro. Depois, como meu pai voltou pra marcenaria, eu comecei a pintar caixinha.

  E eu comecei a fazer muita feira de artesanato, por muitos anos, pois vendia muito bem. E foi inclusive por causa da feira que surgiu a oportunidade de montar a loja, porque até então, aquilo não era uma loja, era só um espaço para trabalhar. Aí, no Praça Shopping, ali no centro, estavam desocupando um cinema, e o São Judas tinha conseguido um espaço para vender artesanato, e o dono estava procurando artesãos. Era uma estrutura enorme que ele tinha, e nós, os artesões, entrávamos com o produto para vender. E foi assim que começou, nós fomos lá vender artesanato, loja chique, já desde o início. Mas depois, tivemos que desocupar, fomos pra outros dois lugares ainda no centro, mas também durou pouco. O pessoal foi debandando, e só eu fiquei. Ou seja, eu virei comerciante sem querer, não foi nada planejado.

  Eu fiquei dez anos ali, mas depois eu mudei três lojas para cima, já mais quase em frente de onde era o Turim Hotel, fiquei mais dez anos lá, e agora eu estou na Boa Vista, voltei para o meu lar. (risos)

  Mas o artesanato, em Rio Preto, não tem tradição e não tem muito valor. Acho que no Brasil já não tem. Em Rio Preto, a impressão que eu tenho, é que eu vejo o artesanato como um hobby, não tem muitos profissionais, não tem muito campo para isso. Por isso, eu trabalho mais com material do que com o artesanato pronto. Porque as pessoas querem economizar. Se elas tiverem dinheiro, elas vão comprar um presente de marca lá no shopping. Se elas não tiverem dinheiro, então elas procuram a loja de artesanato: “Ah, uma lembrancinha”. (risos)

  Por isso, eu passei anos atendendo ao telefone, e as pessoa perguntava assim: “Tem tinta de tecido? Tem tinta não sei o quê? Tem pincel?”, e eu falava: “Não, vai na cartonagem”. Passei dez anos mandando os clientes para a cartonagem, por isso que a cartonagem tem tanto (riso) cliente, está vendo? Aí me veio a ideia de pensar assim: “A loja se chama Só Artesanato, e as pessoas acham que eu tenho material de artesanato”. Eu comecei a colocar material. Dividi a loja no meio: metade da loja era artesanato, peças decorativas, aí já estava muito voltado mesmo para decoração, arranjo e peças decorativas; e o outro lado eu comecei a pôr material aos poucos. O dinheiro estava curto, foi bem devagar, mesmo. Foi quando eu fui para o Boa Vista. E lá, eu fiquei mais uns três anos com arranjo, mas fui parando com isso - hoje eu só vendo material. Então, quando eu vendia o artesanato pronto, eu fazia praticamente tudo; e agora eu não faço mais nada. Agora é comprar material e vender. Pra não ficar com vontade de pintar, eu agora pinto a parede, pinto a porta, pinto os banquinhos, sabe?

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